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sábado, 4 de julho de 2020

Pintor Pascoal Viegas Vilhete (Sum Canarim – Bisneto do 1º Barão d’Água-Isé “Antes de perder a vista eu tinha muitos amigos. Agora as pessoas já não me ligam nada” – A única entrevista dada em vida pelo maior pintor ingenuista de São Tomé e Príncipe – Que ao sentir-se cego e desprezado, se isolou ainda mais no seu mundo desenhado a tinta “robbialac” -Natural de Santana, do sítio de Água Lama - Memórias do meu carnet de repórter

Entrevista conduzida por Jorge Trabulo Marques, para a revista angolana Semana Ilustrada, em Julho de 1971 - Não perca o curioso diálogo, neste post, mais à frente.

CAMÕES PERDEU UMA VISTA MAS CANARIM DEIXOU DE PINTAR QUANDO JÁ QUASE NÃO VIA DAS DUAS  - POBRE E ABANDONADO

Era conhecido por  Canarim ou Sum Canalim. Desenhava a lápis e a tinta de madeira, e a sua marca preferida era a Robbialac . Por isso mesmo, muitos dos seus desenhos ou estão já degradados ou não vão ter vida longa. Mas ele também não pintava para eternizar o seu nome mas para viver intensamente o  momento: como quem não quer perder a liberdade da inocência, o lastro mais belo da memória.

Em parte também era escultor: pois também pintava as esculturas que desenhava para o carpinteiro cortar. De “songués” e  “sanguês” da sua terra natal, bonecos de homens e mulheres, em posturas de moleques ou de trajes típicos. As cores da sua preferência eram os verdes e os vermelhos e o azul  - Nos quadros gostava sempre de lhe colocar a bandeira da república, que foi aquela que ele viu desfraldar, em 1910, quando foi estudar para Lisboa - mas por pouco tempo. Pensamos que, fazendo-o, mais como sinónimo da liberdade que o símbolo então profetizava de que propriamente como veneração colonial, pois ele sabia muito bem quem  lhe usurpara a   Roça das Laranjeiras, onde nasceu.

PARA QUEM NÃO LEU A S.I. HÁ QUASE  CINCO DÉCADAS, FICA A CONHECER  UM POUCO MAIS O PERFIL DO GENIAL ARTISTA- De quem muito se fala mas de cuja  personagem pouco se lhe conhece - Não havendo sequer registos de fotos pessoais na Internet e parece-nos que até do dia da sua morte, que certamente terá passado despercebida.

Foi nos finais de Julho de 1971, que me dirigi a casa de Pascoal Vilhete para o entrevistar – A entrevista, que a seguir vou reproduzir na íntegra, foi publicada na Revista Semana Ilustrada, de que era seu correspondente nestas ilhas

Começava assim:  -"Vive em S. Tomé, nos subúrbios da pequena cidade da paradisíaca Ilha Verde, lugar de arraial, numa modesta casa de madeira escondida entre tufos de colorida e luxuriante vegetação, praticamente arredado do ambiente buliçoso e palpitante que o cerca, entregue a si próprio, à sua arte que é o seu· refúgio, a sua quase única razão de se sentir feliz num mundo que é para si o dia-a-dia, devido a persistente surdez e perda de vista, que o vai isolando cada vez mais.

"Chama-se Pascoal Viana de Sousa Almeida Viegas Lopes Vilhete, bisneto do 1º. Barão de Água lzé. Homem de uma grande simplicidade, Pascoal Vilhete é um autêntico artista, cuja virtude permanece oculta, debaixo de uma timidez e de uma desconfiança de tudo quanto é real na vida ''  - Mário de Oliveira

"Pois foi justamente com esse homem simples e humilde com quem há dias tivemos o prazer de conversar. Não o conhecíamos, nunca o havíamos visto pessoalmente, e, portanto, até então, ainda nunca tínhamos com ele dialogado. Sabíamos porém da sua existência, não pelo que dele ouvíssemos falar, porque, apesar  do muito valor que encerram as suas obras, é quase desconhecido em S. Tomé  e Príncipe. Mas, amigos da leitura que somos, dele nos demos conta através de escritos, sobretudo do conhecidíssimo e categorizado crítico de arte, Arquiteto Mário de Oliveira, do qual inserimos algumas passagens.

Por isso, foi com vivo entusiasmo que fomos ao encontro desse grande artista, quase ignorado das gentes de São Tomé e Príncipe. Pois disso tivemos ocasião de constatar, sobretudo do povo, que o devia conhecer e  acarinhar, ou, pelo menos, saber da sua existência, porque ele, afinal, sintetiza o povo, pertence a ele e é dele que as suas pinturas nos falam. Mário de Oliveira, confirma-nos  que sim:

“As figuras humanas que Pascoal Vilhete representa, são possivelmente  os seus amigos da juventude, porque o artista sentiu e viveu  em S. Tomé, com uma verdadeira nostalgia. Aí a pintura tem sido o seu refúgio - um verdadeiro paraíso terreal. Este fenómeno, aliás, pode apreciar-se em todos os pintores ingenuístas,  pela simples razão de que nestes pintores não existe “batota”,  a intenção subconsciente está sempre a descoberto. A recordação dum mundo que não existe nunca, senão aquele pedaço de terra perdido na infância, onde Pascoal Vilhete, com os seus  amores, ia ver o Tchilôli, o Danço Congo, o Fundão, etc., etc. , temas· que hoje o artista continua a pintar numa absoluta quietude , contraditoriamente conciliada com uma pavorosa sensação de mistério”


CAMÕES PERDEU UMA VISTA MAS CANARIM DEIXOU DE PINTAR QUANDO JÁ QUASE NÃO VIA DAS DUAS  - POBRE E ABANDONADO



E lá o fomos encontrar em sua casa, na companhia de sua filha, uma alegre e  bonacheirona negra de certa Idade, completamente absorto e entregue à execução-de alguns dos seus famosos quadros.

Não nos conhecíamos, por isso – artista e repórter -, iam encontrar-se pela primeira vez frente a frente num franco e agradável diálogo. Recebeu-nos com simplicidade, mas recebeu-nos muito bem.

Vimos nele, logo de início, um sorriso aberto, como que a desejar-nos as boas-vindas. Pareceu-nos ter ficado satisfeito com a nassa visita inesperada. Pois, Pascoal Vilhete, confessou-nos  que as pessoas já não o cumprimentam, já não lhe falam. Daí, o desabafar-nos com certa amargura:

“Antes de perder a vista eu falava muito. Tinha muitos amigos. Agora as Pessoas já não me cumprimentam, Já não me ligam nada”

Mas será mesmo assim ou serão os efeitos da implacável surdez e cegueira que o ameaçam? Ninguém por certo saberá responder. Talvez um pouco de tudo, cremos nós.

Daí, que, Lisboa, para onde partiu quando jovem, com 14 anos, seja agora recordada na sua mente com profunda saudade.

Gostava de voltar a Lisboa - em Lisboa, tinha lá muitos amigos. Tinha lá um rapaz chamado Augusto dos Reis Sá Nogueira, e um rapaz de Setúbal, mas esse rapaz não sei se ainda existe ou não.

E a verdade é que até os próprios vizinhes de Pascoal Vilhete mal o conhecem. Disso tivemos oportunidade de verificar. Pois, para conseguirmos encontrar a sua casa, foi-nos mesmo bastante difícil. As voltas que demos e as pessoas a quem perguntámos por ele, não têm conto. E, afinal, ele mora tão pertinho de nós!

Passa-se assim normalmente com os grandes génios. Quando são votados ao abandono, são desprezados ou humilhados, se possível for”.

As entidades oficiais – Câmara e Turismo – compraram-lhe alguns desenhos para lhe fazerem as reproduções, mas depois caiu no esquecimento. 

Entretanto, depois viemos a saber,  que, pelo Centro de Informação e Turismo foram já tomadas diligências no sentido de Pascoal Vilhete ser operado à vista. Aguarda-se, apenas, cirurgicamente, a altura própria. O Dr. Sousa Dias prontificou-se a operá-lo gratuitamente. E ainda bem que assim é, pois senão corre-se o risco de se vir a perder, segundo afirma, Mário de Oliveira, o nosso primeiro grande pintor ingenuista.

A ENTREVISTA COM PASCOAL VILHETE – ATRAVÉS DA QUAL É POSSÍVEL COMPREENDER MELHOR O HOMEM E O ARTISTA

“E eis agora, caros leitores, em linguagem simples, algumas passagens da curiosa conversa havida com Pascoal Vilhete, ou Sr. Canarim,  que nos dão um retrato fiel do homem e do artista - era assim como, na edição da revista angolana, Semana Ilustrada, iniciava a única entrevista que, o singular pintor santomense, deu em sua vida, a um órgão de comunicação social – Do qual também não existem fotos pessoais, que não as que lhe fizemos em sua casa

J.M. – Senhor Canarim: porque pinta? Qual o motivo que o levou a pintar?
P.V – Foi uma coisa a calhar… não aprendi.
J.M. – Então você não aprendeu mesmo nada?
P.V. – Eu aprendi mas foi quando tirei o 2º grau. A  gente fazia desenho de uma cadeira… ou uma coisa qualquer.
J.M. – Mas o Sr. falou-me há pouco de Lisboa: que foi lá a fazer?
P.V. – Foi o meu padrinho, Sr. Luís Carlos, que me mandou ir.
J.M. – E porque é que o mandou ir? Vivia lá em Lisboa?
P.V. – Sim. Tinha lá um escritório. Queria que eu fosse tirar o curso de guarda-livros. E mandou-me ir para lá. Depois, quando fui, estive no hotel Frankfurt
J.M- Esteve hospedado ou a trabalhar?
P.V. – Não, não estive a trabalhar. Estive lá até arranjar um colégio.
J.M. – Quanto tempo?
P.V. – Pelo menos dois meses.

J.M. – Depois foi estudar para onde?
P.V. – Para o Colégio Universal na Calçada Santana, defronte à Igreja da Pena.
J.M. – E então o que estudou?
P.V. – Tirei o 2º grau. Depois do 2º grau comecei a estudar francês, inglês, etc. Depois aprendi a trabalhar à máquina. Queria tirar o curso de guarda-livros  mas depois o meu padrinho mandou dizer ao meu pai… e mandou-me embora.
J.M. – Mas o Sr. não chegou a frequentar as Belas-Artes?
P.V. – Quê?!... Não conheço essa casa.
J.M. –  E quanto tempo é que esteve em Lisboa?
P.V. – Fui em Fevereiro de 1908 e vim em Janeiro de 1912.
J.M. – E porque é que voltou para S. Tomé e Príncipe?
P.V.- Voltei, porque meu padrinho não queria que eu continuasse o estudo. Porque, se eu continuasse o estudo, não deixava ele intrujar meu pai. Porque essa Roça de Santana das Laranjeiras, foi de meu pai.
J.M- Como se chamava ele?
P.V. – João Viegas de Abreu Pascoal  Vilhete.

COMEÇOU POR BRINCADEIRA A DESENHAR – BONECOS, CAVALOS, DANÇO CONGO… PEGAVA NUM LÁPIS E FAZIA QUALQUER COISA…

J.M.- Então explique-me lá: como é que o Sr. começou a pintar? O que é afinal o levou a procurar a pintura?
P.V- Pegava num lápis… fazia qualquer coisa. Depois… calhou. E pronto!
J.M. – E primeiro começou a pintar o quê?
P.V. – Bonecos. Cavalos. Danço Congo.Tchilôli, Cirurgião. Enfim… brincadeiras da terra.
J.M. – E esses desenhos, os bonecos que o Sr. tem feito, são de coisas de São Tomé, da sua terra, ou também de Lisboa?
P.V. – Só são coisas da minha terra. Olhe. Uma coisa até está aqui. – E Canarim apressa-se acto contínuo, a mostrá-la, ao mesmo tempo que no-la identifica: - É um boneco de madeira, é um “songue”.
J.M. – Então o Sr. também faz bonecos de madeira? – Interrogamos de imediato.
P.V. – Sim, Senhor. Faço manequim de “sangue” com filho às costas e de “songue” com cinzeiro na mão. Mas só risco e pinto. O carpinteiro é que corta.
J.M – E quanto é que leva por cada peças dessas?
P.V. – Comecei a vender por 150#00.
J.M. – Não é caro, Sr. Canarim. É barato.
P.V. – Sim. E isso dá-me muito trabalho.  E tenho gasto muito dinheiro, porque também tenho que pagar ao carpinteiro. Tenho que primeiro andar cortar isto. Depois é que faço desenho e tudo.
J.M. – Muito bem. Então o Sr. Canarim desenha, depois, o carpinteiro trabalha a madeira e por  fim você pinta a figura, não é assim?
P.V. Pois. Eu faço o risco. Depois ele vai com a serra rodear.
J.M – Nesse caso, o Sr. a ter que pagar ao carpinteiro, pouco lhe deve ficar. Vive então com muitas dificuldades, não é verdade?
P.V. – Ah! Mesmo muitas!
J.M. – Quantos filhos tem?
P.V. Tinha seis .Morreram quatro, e fiquei com um rapaz e uma rapariga.
J.M. – É casado?
P.V. – Não. Não casei. Tive uma amiga. Mas agora…
J.M. – Seu pai tinha uma roça?
P.V. – Sim, senhor. Com sino e tudo.
J.M – Mas, agora…

MAS AGORA….

Mas agora…  Achamos que está tudo dito. Uma frase áspera e sombria na via de um homem, que não vale a pena activar. Resta-nos apenas variar o tema. E foi mesmo isso que fizemos. E com igual força de curiosidade de que vínhamos precedidos, a mesma incontida ânsia de penetrarmos nas profundezas recônditas da via do homem e do artista, prosseguimos:
J.M – Então, Sr. Canarim. Conte-nos lá mais coisas da sua pessoa. Estamos desejosos de ouvir. Diga-nos lá, por exemplo quais as melhores recordações de Lisboa?
P.V- Ah! Tenho muito boas recordações. Lembro carnaval de Lisboa. Carnaval de Lisboa é muito bonito!... Trem, da Avenida da Liberdade. Mas agora já deve ser outro carro fino.
J.M. – Se lhe mandassem fazer uma pintura de Lisboa, ainda era capaz?
P.V. – Não. Já não era capaz. Já não tenho bem na ideia.
J.M – Dos seus quadros que tem feito, de qual é que gostou mais de pintar?
P.V. – Eu gosto de todos. Mas Tragédia e Danço Congo é que  gosto mais.

UTILIZA TINTA ROBBIALAC

J.M. -  Já reparei que nas suas pinturas, o Sr. Canarim utiliza muito verde e o vermelho. Porque será? Tem algum gosto especial por essas duas cores?
- E Canarim, como que apanhado de surpresa, respondeu-nos:
P.V. – Ah! É tinta da república. É da bandeira. E também gosto de fazer  com tinta azul e tinta branca, que é a bandeira portuguesa de antigamente. Mas também gosto do encarnado porque sobressai mais. Fica mais bonito e faço o verde, de vez em quando, devido às folhas das bananeiras, das palmeiras. Da paisagem.
J.M – O Sr. Canarim, desenha normalmente a bandeira portuguesa  nos seus quadros. Com que sentido?
P.V. – Para ficar uma coisa bonita. Eu quando estive em Lisboa, havia lá a república e eu vi lá essa bandeira. Foi em 1920. Eu estava lá ainda.
J.M- Quanto tempo é que você leva a pintar um quadro?
P.V. – Conforme. Às vezes quinze dias, e mais. E agora cada vez pior. Não vejo. A vista começa a arder.
J.M. – Gostava de ser um bom pintor? De ter aprendido a arte de pintar?
P.V. – Ah! Tinha habilidade; se meu pai me deixasse….
J.M – O Senhor utiliza tinta vulgar, tinta das portas. Que marca é gasta?
P.V. –  Tinta Robbialac.
J.M.- E pinta sobre cartolina?
P.V. – É sim senhor.

J.M. – Sabe, Sr. Canarim: os pintores geralmente utilizam tintas especiais. Nunca ninguém lhe ensinou a empregar outras tintas?
P.V. – Nunca ninguém me ensinou nada. Tintas outras não conheço. Faço só.
J.M – Pois bem, Sr. Canarim. E aqui é que está o valor. Não concorda connosco?
P.V. – Sim, de facto. Dá-me muito trabalho. É muito difícil. Cai um pingo de tinta e estraga tudo. Mas agora dizem que há outra de uma forma não sei de quê!
J.M – Quantos quadros calcula ter pintado em toda a sua vida?
P.V. – Oh! Não sei. Não me lembro ao certo.
J.M – Que preço faz normalmente por cada quadro seu?
P.V. . Trezentos escudos.
J.M. – Isso é muito pouco, Sr. Canarim. Não deve compensar o trabalho que lhe dá, não acha?
PV – Mas, que se há-de fazer.  Ninguém dá mais, mas a vista é que me mata , senão!…

J.M – Senão o quê, Sr. Canarim?
P.V. – Fazia mais desenhos. Ou então ia para Lisboa, que lá é melhor.
J.M- Tem apenas trabalhado na pintura, ou também tem feito outros trabalhos?
P.V. – Só nas pinturas. Nas pinturas e nos bonecos. E também tenho pintado bandeiras nas freguesias, dado cor às imagens na igreja de Santana, e outras mais.
E com isto pusemos ponto final às nossas perguntas pois que para o nosso bom homem, para a sua débil saúde, passaria a ser abuso a mais.
Restava-nos, unicamente e uma vez mais, agradecer-lhe a sua tão justa solicitude  à nossa entrevista. E ficámo-nos, portanto, por aqui, esperançados de que tenhamos dado a conhecer, aos nossos leitores, todos os pormenores de um verdadeiro artista.

DOIS ANOS DEPOIS – NUM ARTIGO DA S.I. RECORDANDO A ENTREVISTA E O PINTOR – JÁ QUASE CEGO E CADA VEZ MAIS SÓ E AMARGURADO

Parece-me que foi há  dois anos que me desloquei a casa do  curioso pintor ingenuista de S. Tomé, e o entrevistei para a Semana Ilustrada. No entanto, conservo bem vivo na memória o interessante diálogo que mantive, demoradamente,  com este autêntico artista, um dos maiores pintores ingenuistas contemporâneos; no dizer do conhecido e reputado critico de arquiteto Mário  de Oliveira.

Guardo desse agradável encontro as melhores impressões, ,quer da sua arte, quer mesmo a impressão humana colhida da sua pessoa. Não posso esquecer os seus belos quadros, plenos de riqueza de cor e expressividade, de pitoresco e gracioso do folclore santomense dos seus tempos de rapaz. Quase todas ou mesmo todas as suas pinturas remontam ao seus tempos de juventude. E mostram-nos, de facto, alegre e bizarros quadros, preenchidos na sua totalidade por cenas e motivos da vida e do folclore da Ilha.

Também sempre que o vejo tenho-lhe perguntado como tem ido a saúde, mormente a recuperação da sua vista que está  em vias de perder por completo. Os seus óculos, de lentes graduadíssimas, parece que já pouco lhe podem valer. As melhoras não têm  sido animadoras. 
E é pena, realmente, que ninguém lhe acuda, que ele não encontre os recursos necessários para o tratamento da sua vista. E que este” curioso pintor”, aliás, como  ele próprio se define, mas grande artista de S. Tomé, não possa continuar a proporcionar-nos a sua agradável e apreciada arte. A muita arte que de facto ainda teria para nos oferecer.


PARA QUEM NÃO LEU A SEMANA ILSUTRADA,  HÁ QUASE CINCO  DÉCADAS, FICA A CONHECER  UM POUCO MELHOR  O PERFIL DO GENIAL ARTISTA- De quem muito se fala mas de cuja  personagem pouco se lhe conhece - Não havendo sequer registos de fotos pessoais na Internet e parece-nos que até do dia da sua morte, que certamente terá passado despercebida.

A sua biografia não necessitava  de catálogo, reduzia-se a umas breves palavras, que geralmente eram impressas nas legendas dos seus quadros:

– Tais como. “Desenho do curiôso artista (artista Nativo da Província Portuguêsa S. Tomé) Pascoal Viana de Sousa Almeida Viegas Lopes Vilhete; nasceu em Santana a 3 de Maio de 1894. O infeliz Bisnéto do 1º Barão d’Água-Isé. Foi aluno interno do Colégio Universal Calçada de Santana Nº 180, Lisboa, no ano 1908 pª 1912, do mêz de Fevereiro.”

Mais tarde, o Padre Ambrósio, dedicou-lhe mais alguns pormenores à sua resumida biografia, dizendo que nascera na localidade de Água Lama, filho de  João Viegas d'Abreu Lopes Vilhete e de Leopondina Viana  D'Almeida, foi bisneto do primeiro Barão de Água Izé , por parte da mãe, neta de João Maria de Sousa e Almeida.

Colibri - 2016
Além das escassas  linhas, em caligrafia desenhada, ao lado das legendas em que sintetizava  a biografia e  explicava os temas dos seus quadros, como se fossem personagens de uma autêntica comédia:

 Tchiloli", o "Danço Congo", o "Fundão", o "Socopé", a "Santana", o "Cortejo Religioso" e o "Piadô Zaua"*.»entre outros  assuntos que ia  buscar ao fundo da sua memória mais  longínqua, diz-se,  atualmente, que, de Pascoal Viegas, o Canarim, pouco se sabe, a não ser que era um grande pintor que nasceu em São Tomé, com um quadro num museu de Nova Iorque – Sim, isto , porque, mesmo no período colonial, tal como o Mestre Diogo de Macedo, afirmara acerca dos artistas em geral, “nós os portugueses continuamos e continuaremos, fora do nosso sonho , a não saber nada… e a perceber menos ainda deste mundo que andamos há séculos a revelar ao próprio mundo”

Também se diz  nas considerações que se faz à vida e à  obra do genial artista “curioso” que “ o nome que se tem como referência no país e na época colonial é o de Pascoal Viana de Sousa Almeida Viegas Lopes Vilhete"  - É verdade. Embora de reconhecido mérito, é certo,  mas o que o tornou famoso foi sobretudo o aproveitamento dos seus quadros pelas entidades coloniais, quando se deram conta que era interessante (sob o ponto de vista político) associar as culturas locais como elementos de propaganda turística do regime. De outro modo, quer o folclore, quer a expressão pictórica nativa, era menosprezada. Era tida como  distração de negros. 



De resto, nos africanos, a expressão artística (pintura, escultura e música) comportou sempre um lado mais lúdico e sensitivo, que as pesadas lucubrações intelectualistas,  assim o assume e o  reconhece, Pascoal Vilhete, na legenda com que descreve o “Danço Congo” ao dizer que  “Essa dança não é verdadeira de S. Tomé. Dizem que foi um Nativo desta Ilha que andava no Congo é que veio plantar essa brincadeira em S. Tomé; há muitos anos”.

Sim, também os desenhos de Canarim, foram sempre tomados como sua brincadeira que o transportava à adolescência  E só não chegou a pintar “o carnal de Lisboa, que foi o que mais adorou, porque, também lá esteve pouco tempo, e havia na sua terra de origem carnavais bem mais genuínos e que tinham a ver com a sua verdadeira identidade

USADO COMO INSTRUMENTO DE PROPAGANDA COLONIAL

Tal como dizíamos nesta entrevista, que nos concedeu, quem primeiro se referiu a Canarim, foi Mário de Oliveira, arquiteto, urbanista, pintor e crítico de arte português, autor do projeto  da Escola Técnica Silva e Cunha, atual Liceu Nacional de São Tomé e Príncipe – 

A bem dizer foi ele que o notabilizou.  A revista PANORAMA (arte e turismo, editada pelo regime),em Setembro de 1967, consagra-lhe a capa com um dos seus desenhos, servindo de chamada de atenção a um artigo sobre o Tchiloli, de autoria de Fernando Reis; no ano seguinte, em 1968, portanto, dois anos antes das comemorações dos 500 anos destas ilhas, Amândio César, na antologia “Presença do Arquipélago de S. Tomé e Príncipe na Moderna Cultura Portuguesa, edita-lhe vários desenhos (mas a preto e branco), entre os vários textos da referida obra, repescados de “O Mundo Português”, 1936, tendo no verso da reprodução, unicamente a breve resenha descritiva que o artista costumava fazer – como legenda - em cada dos seus quadros, mas dir-se-ia que o ignora ao mesmo tempo, visto não o incluir na antologia  dos pintores, desenhistas e aguarelistas  que, no período colonial, “melhores quadros” proporcionaram de S.Tomé e Príncipe.

Fala de Fausto Sampaio”, dizendo, nomeadamente, que “só ele  encontrou as cores e os motivos que deram amplitude maior à sua arte” (…) “Se me debruço no tempo vejo as cores gárrulas de Fausto Sampaio a gravarem para o mundo dos sentidos a “Ponta do Cossaco”, a “Cascata” da Roça Guégué, a “Represa de Água da Roça Boa Entrada, o “Pico de S. Tomé”, da Roça Lembá, um retrato natural do “Tonga”, o “Cão Grande” na Roça Novo Brasil” (…) “Fausto Sampaio  foi um pintor que todo se entregou ao Ultramar. Mas é verdade que, em S. Tomé, ele encontrou as cores e os motivos que deram amplitude maior à sua arte”. Alude a Jorge Barradas, a um Neves de Sousa e uma  Rachel Roque Gameiro, que “soube dar , na sua arte filigranada, alguns aspectos únicos de S. Tomé”. Não esquecendo as 20 aguarelas  e 27 desenhos de autoria do  arquitecto Mário de Oliveira, “o apaixonado paisagista” que, “em 1961, apresentava no Salão do Palácio Foz , uma mostra de pintura toda dedicada a S. Tomé”. Contudo, de Canarim, tanto quanto me apercebi,  destaca-o nas ilustrações que reproduz mas não o comenta.

Mas é, sobretudo, em 29 de julho de 1970, que o nome de Canarim é catapultado para a fama, conforme diz Luciana Éboli, , com o lançamento “de  um impresso das suas pinturas para retratar aspectos da cultura de São Tomé, entre eles a já conhecida representação do Danço Congo – “em prol das comemorações dos quinhentos anos do descobrimento de São Tomé e Príncipe, que evidenciou a iniciativa de cooptar e integrar as culturas locais e torná-las participantes de uma nova identidade “sincrética-luso-são-tomense”, conforme palavras de Valverde, iniciada pelos governantes na década de 60 - que passou a divulgar a cultura através do caráter folclórico estritamente turístico. In identidade e memória cultural em São Tomé e Príncipe




sexta-feira, 3 de julho de 2020

Viagem Clandestina ao ParaÍso - São Tomé ao Príncipe, numa minúscula piroga- A 1ª das minhas aventuras marítimas - 3 dias - Na 2ª noite adormeci e voltou-se - Como prémio, oito dias nos calabouços da PIDE-DGS e uns valentes sopapos -


Nestes dias de alguma incerteza e depressão, faz bem recuar no tempo e viver épicas memórias  - No dia 21 de Dezembro, vão completar-se 550 anos que, João de Santarém e Pero Escobar,  desembarcaram em São Tomé - Eu estive lá, há 50 anos,  no Padrão a homenagear os nossos destemidos navegadores – E voltei ao mesmo sitio em 2014 - Veja as imagens  - Jorge Trabulo Marques


21 de Dezembro de 1970
Depois de ter realizado uma viagem costeira 
desde a Baía Ana de Chaves (onde se situa a cidade), até à praia onde se encontra o padrão que assinala a chegada dos primeiros navegadores portugueses, precisamente no dia em que se comemoravam os 500 anos da descoberta das ilhas (experiência que serviria também de teste para outras viagens mais arrojadas), parti então para a primeira aventura, que foi a travessia de São Tomé ao Príncipe. Larguei à meia-noite, clandestinamente, pois sabia que, se pedisse autorização, esta me seria recusada, dada a perigosidade da viagem, levando comigo apenas uma rudimentar bússola para me orientar. Fui preso pela PIDE, por suspeita de me querer ir juntar ao movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, no Gabão, o que não era o caso. Levei três dias e enfrentei dois tornados. À segunda noite adormeci e voltei-me com a canoa em pleno alto mar .Esta era minúscula e vivi um verdadeiro drama para me salvar, debatendo-me como extrema dificuldade no meio do sorvedouro denegrido  das águas. 

Outubro 2014

   “Contar-te longamente as perigosas
  Cousas do mar, que os homens não entendem,
   Súbitas trovoadas temerosas,
    Relâmpagos que o ar em fogo acedem,
      Negros chuveiros, noites tenebrosas,
           Bramidos de trovões que o mundo fendem,
                  Não menos é trabalhos que grande erro,
                       Ainda que tivesse a voz de ferro.”

                                      Camões

Olho à volta e olho para dentro e para fora de mim.
À minha volta é o mar, o eterno mar a bramar!
Para onde me levará a escura noite e a voz do vento?
O meu coração palpita, palpita muito mas não me responde.
Prefere deixar-me mudo, suspenso e angustiado.
Mas, apesar de tudo, no meio do silêncio, sinto
uma luminosa tristeza subindo, subindo  dentro de mim.
Ouço-me, porque, nada digo, nada falo; só me escuto!
Estou comigo intimamente, estreitamente.
Comigo e com este mundo tenebroso e vazio.
Sei que necessito de muito equilíbrio, de muito cuidado
Para não ser apanhado pela vertigem do abismo.
Boiam farrapos de novelos de névoas, de figuras medonhas
que exalam  um aroma intenso, esquisito,  salgado de maresia.
Vindo das profundezas ou do largo, da negra vastidão!
Que, de tão húmido, tão condensado me asfixia,
Entorpece-me, corta-me e afoga a respiração!
Na verdade, tudo parece dissolver-me, desintegrar-me, ~
num autêntico dilúvio de poeira e som.

Respiro fundo, como se quisesse aspirar  
todo o mundo e extrair do ar
uma outra vida que não à que me prendo
e a que me ligo neste vasto mar
bravio e selvagem e a que não me rendo!

Enquanto o mar cresce, não para de crescer .
Cresce o mar e cresce o vento,
E cresce também o meu desejo de viver
Cresce  um tempo trazido de um tempo de desolação!
De violentas vozes, violentos uivos e gritos de cólera e destruição!


Em resumo, direi que sou autor de várias travessias em pequenas pirogas primitivas, nos mares do Golfo da Guiné, por força de muitos treinos, sempre que me era possível, de praia em praia, nas frágeis canoas dos corajosos pescadores de São Tomé, aos quais desejo aqui expressar um abraço de reconhecimento e de admiração, não apenas pela dureza e risco das suas vidas, em que se expõem, sempre que partem para o mar, como também pelos ensinamentos que me prestaram, já que foram eles os meus melhores mestres.

Depois de me sentir suficientemente preparado, que simplesmente empreender as habituais saídas de canoa, na praia Maria Emília ou ir até à Fortaleza S. Jerónimo, na piroga que ali comprara a um velho pescador por 200$00, decidi fazer um teste um pouco mais ousado, indo de canoa desde a Baía Ana de Chaves até à praia de Anambô. Este é o local onde se encontra o padrão que assinala a chegada dos primeiros navegadores portugueses, justamente no ano em que se realizavam as comemorações do V centenário do seu desembarque, em destemidas e frágeis caravelas, filhos de um pequeno país, mas que, graças à sua notável valentia, à grande gesta destes e de outros navegadores portugueses, haveriam de mudar a história e a geografia do mundo, em admiráveis epopeias marítimas, cantadas nos épicos versos de Luís de Camões, corajosas façanhas que muito admiro, contrariamente a vários aspetos da colonização, cuja dura realidade também a senti no corpo e no espírito. A viagem de ida e volta, foi bem sucedida, não me oferecendo grandes dificuldades, concluindo que estava habilitado a outros desafios mais arriscados.

Um mês depois, aí estava eu, tal como aqueles intrépidos navegadores, e à semelhança dos arrojados pescadores destas maravilhosas ilhas, quando o tornado os arrasta para o desconhecido, a desafiar a vastidão do mar, num simples madeiro de ocá escavado.

Larguei à meia-noite, clandestinamente, pois sabia que se pedisse autorização esta me seria recusada, dada a perigosidade da viagem, levando comigo apenas uma rudimentar bússola para me orientar. No regresso de avião a São Tomé, fui preso pela PIDE, por suspeita de me querer ir juntar ao movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, no Gabão, o que não era o caso. Levei três dias e enfrentei dois tornados. À segunda noite adormeci e voltei-me com a canoa em pleno alto mar. Esta era minúscula e vivi um verdadeiro drama para me salvar, debatendo-me como extrema dificuldade no meio do sorvedouro denegrido das águas.


Cinco anos depois, numa piroga um pouco maior, fiz a ligação de São Tomé à Nigéria. Uma vez mais parti sem dar a conhecer os meus propósitos, ao começo da noite, servindo-me apenas de uma simples bússola. Ao cabo de 13 dias chegava a uma praia ao sul deste país africano, tendo sido detido durante 17 dias por suspeita de espionagem, após o que fui repatriado para Portugal. Os jornais nigerianos destacaram em primeira página o feito.

Os objetivos destas travessias visavam demonstrar a possibilidade de antigos povos africanos terem povoado as ilhas, situadas no Golfo da Guiné, muito antes dos outros navegadores ali terem chegado, contrariamente ao que defendem as teses coloniais, que dizem que as ilhas estavam completamente desabitadas. E a verdade é que, entretanto, já foram encontradas antigas cartas em arquivos, com nomes árabes que testemunham esses contactos. Contributos esses que, de modo algum, poderão pôr em causa o mérito dos ousados feitos dos navegadores portugueses.

Regressado a São Tomé, ainda no mesmo ano, e já com São Tomé e Príncipe independente, tentei empreender a travessia ao Brasil, com o propósito de reforçar a minha tese, evocar a rota da escravatura através da grande corrente equatorial e contribuir para a moralização de futuros náufragos, à semelhança de Alan Bombard. 

Segundo este investigador e navegador solitário, a maioria das vítimas morre por inação, mais por perda de confiança e desespero, do que propriamente por falta de recursos, que o próprio mar pode oferecer. Era justamente o que eu também pretendia demonstrar. Navegando num meio tão primitivo e precário, levando apenas alimentos para uma parte do percurso e servindo-me, unicamente, de uma simples bússola, sem qualquer meio de comunicar com o exterior, tinha, pois, como intenção, colocar-me nas mesmas condições que muitos milhares de seres humanos que, todos os anos, ficam completamente desprotegidos e entregues a si próprios. Porém, quis o destino que fosse mesmo esta a situação que acabasse por viver. 

A canoa foi carregada num pesqueiro americano para ser largada, na corrente equatorial, um pouco a sul de Ano Bom. Porém, à chegada a esta ilha, o comandante propôs-me abandonar a canoa e ficar a trabalhar a bordo, alegando que a mesma estorvava e que a aventura era muito arriscada. Na impossibilidade de ser levado para a dita corrente, decidi-me pelo regresso a São Tomé para tentar a viagem noutra oportunidade. Foi então que uma violenta tempestade me surpreendeu em plena noite, tendo perdido a maior parte dos víveres, os remos e outros apetrechos. Ao sabor das vagas, num simples madeiro escavado, é difícil imaginar pior situação. Mesmo assim, com a canoa completamente desgovernada, não cruzei os braços e nunca me dei por vencido. Peguei num dos mastros e coloquei-o de través para garantir algum equilíbrio. Um dos bidões foi amarrado a uma corda e largado para servir de âncora flutuante. No dia seguinte improvisei um remo com um dos barrotes do estrado da canoa e pedaços da cobertura, a fim de conseguir dar alguma orientação. Mas de pouco me haveria de valer face à fúria dos constantes tornados. Como bóia de salvação utilizei o resto do estrado e adaptei-lhe um pequeno colchão de ar; frágil recurso para forças tão descomunais!



Foram momentos de extrema aflição, que me pareceram verdadeiras eternidades, durante 38 longos e difíceis dias, 24 dos quais a beber água do mar e das chuvas, e duas semanas sem alimentos que não fosse algum peixe que ia apanhando (e quando acontecia) ou ave que, entretanto, pousando, sacrificava. Enfrentando tempestades, sucessivas, incluindo ataques de tubarões. Ainda cheguei a pescar alguns de pequeno porte, enquanto tive anzóis. Mas, até estes, mais tarde, me haveriam de faltar.



No reinado de D. Afonso V (1469-1481),   vinte e oito anos antes de Vasco da Gama, navegar ao longo de toda a África ocidental, contornar  o Cabo da Boa Esperança e a alcançar o caminho marítimo para a Índia, foi consolidada a presença de navegadores portugueses no golfo da Guiné,
Fernão Gomes ganhou um contrato para que descobrisse terras a sul da Serra Leoa, e, nesse entretempo, os navegadores portugueses foram descobrindo todas as ilhas que ali se erguem das profundidades oceânicas.  que haveriam de percorrer – admite-se -  pelas suas naus mais de vezes as dimensões de norte a sul de Portugal
Não é consensual a data da descoberta da Ilha de São Tomé, pois há historiadores que admitem que tenha sido descoberta em 1471 por Vasconcelos no dia de S. Tomás. Mas há outras versões sendo a mais usual a de que estas “ilhas que estavam desabitadas até 1470, foram descobertas pelos navegadores portugueses João de Santarém, Pedro Escobar e João de Paiva. Esses três navegadores, parece que descobriram em 21 de Dezembro de 1470 a ilha de S. Tomé e em 1 de Janeiro de 1471 a Ilha de Ano Bom (Pagalu). No regresso descobriram a Ilha de Príncipe a que puseram o nome de S. Antão, talvez a 17 de Janeiro de 1471” – No ano seguinte, o primeiro europeu a alcançar a maior ilha setentrional, é Fernando Pó, atual Ilha de Bioko, então batizada pelo seu nome. Chegou também à foz do rio Wouri a que chamou de Rio dos Camarões que depois deu o nome ao actual estado africano dos Camarões.
E, também não foi em Anambô, que chegaram os primeiros navegadores, mas onde iniciaram a colonização
Seja como for, o dia 21 de Dezembro, tem sido o dia das comemorações - A que me referi em várias reportagens da  revista angolana Semana ilustrada -  E, tal como também  é dito na antologia de Amândio Cesar, houve que escolher uma data e convencionou-se o 21 de Dezembro

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Hoje é o dia Nacional do Canadá – País onde vive para cima de meio milhão de luso-canadianos – Sobretudo dos Açores e da Madeira - Mais de metade dessa maioria vive em Ontário – A pandemia global também parece afetar a celebração do 1º de Julho, mas há noticias de grupos de cidadãos para que se "explore a natureza, se ande de bicicleta ao longo da estrada de 56 km e descubra novas aventuras, tais como visitas às famosas Cataratas do Niágara e que se celebre o dia do orgulho nacional em iniciativas virtual on-line com artistas de rua e outros concertos.- O poeta e declamador português, Euclides Cavaco, dedica um vídeo especial a uma nação onde, se afirmou como empresário e radialista, um empenhado divulgador da cultura lusa

JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA 



Em abril de 2016 havia 550 000 luso-canadianos a viver no Canadá, representando cerca de 2% do total da população canadiana.A maioria dos luso-canadianos vive em Ontário 248.265 (69%), Quebeque 48.765 (14%) e Colúmbia Britânica 30.085 (8%). - A presença regular de portugueses neste território data do início do século XVI. Contudo, a imigração portuguesa para o Canadá só começou a ter expressão a partir de 1953, ano em que uma importante comunidade de portugueses se fixou no país. Entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá 91.583 portugueses, sendo 61,2% originários dos Açores.. https://pt.wikipedia.org/wiki/Imigra%C3%A7%C3%A3o_portuguesa_no_Canad%C3%A1

O 1º de Julho, dia Nacional do Canadá, segundo noticias, este ano será um pouco diferente – No entanto, surgem apelos de grupos de cidadãos, de que “embora não possamos ter um desfile ou fogos de artifício, convidamos você a visitar as Cataratas do Niágara a associar-se  com a família e os amigos para comemorar o aniversário desta grande nação, em um de seus destinos mais emblemáticos! Explore a natureza, ande de bicicleta ao longo da estrada de 56 km e descubra novas aventuras. Saiba mais sobre tudo o que foi reaberto nas Cataratas do Niágara .

Estão previstos também outras iniciativas, no sentido de em 1º de julho, vamos nos unir virtualmente de costa a costa e compartilhar nosso orgulho nacional. Nossa nova produção de celebração virtual on-line inclui artistas de rua, anfitrião convidado Matt Anthony, um mágico, líderes comunitários, além de apresentações musicais de Honeymoon Suite, LMT Connection e deadmau5 para que todos possam desfrutar. CanadaDay   https://niagarafalls.ca/events/annual-events/canada-day/default.aspxx




O POETA E DECLAMADOR, EUCLIDES CAVACO, RESIDENTE NO CANADÁ DEDICOU UM VIDEO ESPECIAL AO 1º DE JULHO Faz hoje 28 anos que recebeu  a honorífica medalha condecorativa do Governo do Canadá.

Euclides Cavaco,  um português de sucesso, que, com o seu esforço e tenacidade, logrou singrar na vida e ser um português muito estimado e admirado no Canadá    - Poeta, escritor, radialista, natural do  concelho de Mira, distrito de Coimbra, que, na década de 60 depois de ter feito o seu estágio como locutor da Rádio, em Angola, acabou por optar em 1970, “num impulso de aventura”, por se radicar no Canadá, onde concluiu o curso em Gestão Administrativa e alcançou o estatuto de empresário.

Tendo, em 1974 com um grupo de amigos,  fundado o programa de televisão Saudades de Portugal, de que foi apresentador. Em 1976 é nomeado Comissário Público pelo Governo do Ontário. - Em 1980 liga-se à criação da RÁDIO VOZ DA AMIZADE, de que é director e locutor há mais de 25 anos.

Mais de de 35 anos dedicados à divulgação da Língua
e Cultura Portuguesa, dignificando com convicção patriótica a Nossa Gente, as nossas coisas e o nome de Portugal no mundo. Pelo seu mérito tem recebido diversas distinções honoríficas - Pormenores em - https://mariaivonevairinho_e_poetasamigos2.blogs.sapo.pt/9022.html


JORNAL CORREIO DOS AÇORES – HÁ DOIS ANOS

Hoje é o Dia Nacional do Canadá,data em que se comemoram  os 150 anos deste país do novo Mundo, uma data que assinala o reconhecimento pela rainha Vitória da Confederação do Canadá. Apesar desta separação, o Canadá continua a ter no monarca britânico, actualmente Isabel II, o seu chefe do Estado, sendo esta representada pelo Governador-geral - desde 2010 um cargo ocupado por David Johnston. Trata-se de uma data de grande significado para os canadianos, com especial relevância também para a nossa Região Autónoma, porque ali vivem muitos dos que um dia rumaram àquele país em busca de uma melhor qualidade de vida, mas também lá residem e trabalham arduamente uma parte muito significativa da nossa população. O Canadá é uma grande nação multicultural, é o segundo maior país do Mundo e um dos mais desenvolvidos, em que a história dita que no dia 1 de Julho, a antiga Província do Canadá, constituída pelas Províncias do Quebec e Ontário, se juntou à de New Brunswick e à de Nova Scotia e formaram este belo grande país. Simbólico é facto de na Ribeira Grande existir um Museu da Emigração Açoriana, que retrata as vivências deste povo que, face à adversidade, se viu obrigado a procurar noutras paragens uma vida mais digna para os seus filhos.- Excert do jornal Correio dos Açores , há dois anos http://correiodosacores.pt/NewsDetail/ArtMID/383/ArticleID/5034/O-Canad%C3%A1-celebra-hoje-150-ano

Aquando da  vitória do Campeonato Europeu
 Mas há noticias de que, em dias de pandemia,  os Portugueses no Canadá estão sentir dificuldades em ter acesso a apoios estatais, enquanto “a  comunidade portuguesa preocupa-se muito com o bem-estar dos outros."  Diz O vereador lusocanadiano Martin Medeiros Luso-canadiano ou português canadiano é um canadiano que possui ascendência portuguesa ou um português que reside no Canadá.

Diz que  “A comunidade portuguesa, como outra comunidade, preocupa-se muito com o bem-estar dos outros. No entanto, tem barreiras pela frente”, afirmou, em entrevista à Lusa, Martin Medeiros, 46 anos.

Um dos “desafios recentes” que o autarca de Brampton (província de Ontário) identificou foi a dificuldade das pequenas e médias empresas no processo de candidatura aos subsídios do Governo durante a pandemia de covid-19.

“Estamos a tentar ajudá-los nesse sentido. Têm havido vários anúncios de incentivos de programas e muitos não sabem o que fazer”, 

O antigo conselheiro das comunidades portuguesas sinalizou ainda o “envelhecimento da população, inclusive da comunidade portuguesa”, com muitos “idosos hospedados em lares da terceira idade”, instituições bastante afetadas pela pandemia, situação que tem “preocupado bastante as famílias”.

“A comunidade portuguesa aqui é mais envelhecida, uma situação que tenho acompanhado e que está relacionada com cinco centros para a terceira idade localizados na região. Sei que muitas famílias portuguesas têm familiares nessas instituições e a comunicação é difícil. Estamos a tentar servir de ligação nesse contacto”, afirmou.

Filho de imigrantes provenientes de Rabo de Peixe, São Miguel (Açores), Martin Medeiros, eleito pelo distrito eleitoral 3 e 4 de Brampton, está a cumprir o seu segundo mandato na Câmara Municipal de Brampton e na Assembleia Municipal de Peel.

A barreira da língua e a situação indocumentada de alguns portugueses está a preocupar o vereador, que reconhece a aflição de muitas famílias, que em tempo de crise “não têm acesso a bens alimentares e a outras necessidades básicas”.