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sábado, 8 de agosto de 2026

Vindimas Douro em risco. Vale do Côa, bom vinho mas fraco apoio à viticultura Avança a desertificação o envelhecimento da população - E a mão-de-obra é maioritariamente externa - Vinda dos país africanos de expressão portuguesa e árabes - É que nos tem valido para que o abandono não seja ainda mais expressivo.


Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Natural da Freguesia de Chãs - V. N. de Foz Côa



Vinhas do Douro em risco. Vale do Côa, bom vinho mas fraco apoio à viticultura Avança a desertificação o envelhecimento da população - E a mão-de-obra é maioritariamente externa - Vinda dos país africanos de expressão portuguesa e árabes .



Quinta da Ervamoira


 Os produtores antecipam dificuldades para a campanha vitivinícola e exigem medidas do Governo que garantam que as uvas sejam pagas a preços justos, defendendo um valor na ordem de 1 euro por quilograma.

A intranquilidade marcou os testemunhos apresentados durante o plenário de viticultores, que preveem uma vindima marcada por profundas desigualdades de oportunidades na Região Demarcada do Douro.
Segundo os produtores, nos últimos anos, a importação de mosto concentrado de Espanha e de aguardente de França tem criado sérias dificuldades ao escoamento das uvas produzidas na região duriense, contribuindo para a redução do preço pago por cada pipa de vinho, equivalente a 550 litros.


Mais um dia de regresso às minha raízes ancestrais, à antiga quinta cerealífera de Santa Maria, onde nasceu o meu pai, Manuel da Quinta e todos os seus irmãos e irmãs, com o mesmo apelido e que dantes pertenceu ao termo de Chãs, mas que, desde a década 70, foi vendida a Ramos Pinto, anexada ao termo de Muxagata e passada ao cultivo exclusivo de vinha, cujas colheitas são ecoadas pela minha aldeia, através de um dos mais maravilhosos cenários de vinhas, olivais, amendoais e figueiras carregadas de figos, por uma calçada à portuguesa de cerca de 6 Km.
rNa verdade, já por estas encostas, debruçadas sobre a margem esquerda do Vale do Côa, com as de Castelo Melhor, de fronte na outra margem, se colhem saborosos cachos de uvas , que depois são transportados para a Quinta dos Bons Ares, onde vão fermentar para deliciosos vinhos generosos ou vinhos de mesa

Mas também a beleza do cenário que liga esta quinta a Muxagata, ao caminho parcialmente usado para a visita do tesouro paleolítico às gravuras dos Piscos, não fica atrás, com a sua singularidade e especial encanto. - À freguesia onde nasceu a minha avó Maria Morgado e as suas irmãs.

Os viticultores queixam-se de que as uvas estão a ser pagas abaixo dos custos de produção, enquanto os encargos com a atividade continuam a aumentar.

Por esse motivo, vão voltar a manifestar-se para exigir ao Governo medidas concretas que garantam a sustentabilidade económica da viticultura duriense.

No ano passado, a quebra da produção acabou por contribuir para o escoamento das uvas produzidas na região. O que levou o IVDP a autorizar uma produção de 76 mil pipas este ano; um aumento de mil pipas relativo ao ano de 2025.

Viticultores do Douro exigem concretização imediata de medidas para escoamento das uvas a preços justos e sem medidas que assegurem o futuro da Região Demarcada do Douro. Gastam-se milhares de euros em festarolas e despreza-se agricultura

Foz Côa é mais do que gravuras: é também a terra de quem a trabalha. Tal como sublinha O Prof.. Olímpio Sobral, as gravuras rupestres são, sem dúvida, um motivo de orgulho, trouxeram projeção, visitantes e criaram algumas oportunidades de emprego, para alguns. Mas Foz Côa não pode ser vista apenas como um destino turístico ou como uma paisagem de pedra gravada há milhares de anos.

Foz Côa é também a terra de homens e mulheres que, geração após geração, cuidaram das suas vinhas, dos deus amendoais, dos seus olivais e das suas terras. São os pequenos viticultores que mantêm viva uma identidade agrícola única, mas que hoje enfrentam dificuldades cada vez maiores para sobreviver.

Enquanto se celebra o património que trouxe reconhecimento internacional ao concelho, muitos produtores locais sentem que o seu próprio trabalho permanece esquecido. O preço pago pela uva, os custos de produção, a burocracia, as dificuldades de comercialização e a falta de renovação geracional tornam cada vez mais difícil continuar a cultivar a terra.

A paisagem que encanta quem visita Foz Côa não nasceu apenas das gravuras. Foi também moldada pelo esforço dos agricultores, pelo trabalho das famílias que construíram socalcos, trataram das vinhas e preservaram um território que hoje todos valorizam.

O Alto Douro conhecido principalmente pela produção de vinho do Porto e pela sua paisagem classificada como Património Mundial da UNESCO engloba concelhos das sub-regiões do Douro Vinhateiro, Douro Superior e parte do Trás-os-Montes:

Murça Sabrosa Santa Marta de Penaguião Peso da Régua Mesão Frio Carrazeda de Ansiães Torre de Moncorvo Freixo de Espada à Cinta Vila Nova de Foz Côa Armamar Lamego Tabuaço

O Alto Douro é uma região de enorme valor cultural, histórico e económico, sendo um dos territórios mais emblemáticos de Portugal.

Historicamente, o comércio do vinho do Porto esteve fortemente associado a empresas britânicas. No século XVII, mercadores ingleses começaram a importar grandes quantidades desse vinho, e o Tratado de Methuen, em 1703, fortaleceu ainda mais essa relação comercial. Empresas britânicas como a Croft, fundada em 1588 ( Por meados do século XVII, a firma Thompson’s tinha começado a importação de tecido para Portugal. Desde a assinatura do Tratado de Windsor em 1386, que Inglaterra e Portugal tinham sido parceiros comerciais muito próximo

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Escritor Jorge Amado - Faleceu aos 89 anos, em 06-08- 2001 - Entrevista da bomba atómica sobre Hiroshima, 36 anos depois de 06-08-1981 .

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador - Registo sonoro  de  várias entrevistas que me concedeu

Palavras a refletir - Em dias de conturbados conflitos. Em que o presidente dos EUA se arvora em moralista, sobre o armamento nuclear, exigindo que “o Irão nunca terá uma arma nuclear”, a propósito do programa de enriquecimento de urânio, quando, afinal, a primeira grande ameaça veio do seu pais..

Escritor Jorge Amado - "As armas atómicas, é um crime contra a Humanidade - Mas que estranha coincidência! - Entrevista concedida no dia 6 de Agosto de 1981, Ironia do destino - Iria falecer 21 anos depois, no dia 6 de Agosto de 2001, a 4 dias de completar 89 anos.

A bomba atómica "Little Boy" foi lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima em 6 de agosto de 1945, às 8h15 locais, provocando uma destruição maciça e dezenas de milhares de mortes imediatas, marcando um dos momentos mais decisivos do final da Segunda Guerra Mundial
 Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!.. Causou a morte imediata de cerca de 70 000 pessoas e a destruição total de quase tudo num raio de dois quilómetros, resultando num total estimado de 140 000 morto



Excerto de mais 3 vídeos

Pergunta "Jorge Amado: passam hoje 36 anos sobre o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima. Na altura o Jorge Amado, teria os seus?... Quantos anos?..

J.A. - Eu tinha 33 anos. Eu me recordo perfeitamente. Foi durante a guerra; foi lançada sobre o Japão! No momento em que já não havia absolutamente necessidade de que a bomba atómica fosse lançada, a guerra estava ganha pelos aliados, foi um crime! Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!... Não havia absolutamente nenhuma necessidade de lançar a bomba atómica naquele momento sobre o Japão: o Japão já estava vencido

Jorge Amado foi um dos mais premiados e populares escritores brasileiros. Dono de uma obra numerosa, sempre privilegiando a Bahia como cenário de suas narrativas, cativou o público com suas histórias que foram largamente adaptadas para a televisão.

Traduzido para dezenas de idiomas e aclamado nacional e internacionalmente, Jorge Amado conciliou realismo e lirismo poético, causas sociais e erotismo, trazendo consigo uma identificação afetiva com o povo brasileiro


BOMBA DE HIROXIMA -" Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!.."



- Jorge Amado: passam hoje 36 anos sobre o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima. Na altura o Jorge Amado, teria os seus?... Quantos anos?..

JA – Eu tinha 33 anos.
JTM – Recorda-se?....Tem alguma lembrança, dessa data, dessa data, tão trágica para a Humanidade?
JÁ – Eu me recordo perfeitamente. Foi durante a guerra; foi lançada sobre o Japão! No momento em que já não havia absolutamente necessidade de que a bomba atómica fosse lançada, a guerra estava ganha pelos aliados, foi um crime! Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!... Não havia absolutamente nenhuma necessidade de lançar a bomba atómica naquele momento sobre o Japão: o Japão já estava vencido.

JTM – No entanto, há quem pense o contrário; há quem diga que foi realmente uma maneira de  resolver o conflito!
JA -  Não acredito. Foi a fórmula de querer mostrar a superioridades, que, naquele momento os Estados Unidos, com aquela arma, passariam a ter para as negociações no após  guerra

JTM – Já que, ambos os blocos, as possuem: pois há também quem defenda que é uma maneira de se respeitarem mutuamente, de evitarem a guerra: o que é que pensa, Jorge Amado, a esse respeito?
JÁ – Eu sou pelo desarmamento: eu acho que a guerra se evita não tendo armas; se nós estamos  nós os dois, aqui  e não temos armas, é mais difícil que nos matemos de que você estiver aí com vários revólveres  e eu com armas brancas e revólveres, mais facilmente nos mataremos.

Eu acho que essa coisa das armas, incluindo as armas atómicas,  é um negócio sujo: é um negócio sujo, porque, por um lado envolve dinheiro, e não é uma maneira de chegar dinheiro à custa da morte!    À custa da desgraça dos demais!... E é realmente um crime!... Esta coisa dos grupos antagónicos de nações, se equilibram e isto evita a guerra, eu acho extremamente discutível!... Eu acho que isso  nos coloca sempre no perigo da guerra! Diante do perigo da guerra!... Eu acho que, se os homens que dirigem as nações, tivessem mais sentido de humanismo, pensassem mais na humanidade de que nos seus interesses pequenos e mesquinhos, nós teríamos o desarmamento - não é o desarmamento geral –que colocaria a guerra muito mais distante e muito mais difícil. É isso que eu penso.

JTM  - Haver paz sem se recorrer à existência de armas?
JA – Eu acho que sim; que haverá, realmente, no dia em que se deixar de recorrer às armas.

JTM – Acredita que, num futuro próximo ou distante, essas armas que são uma ameaça à Humanidade,
possam deixar de existir? Que sejam postas de lado, uma vez para sempre?
JA -  Eu sou otimista em relação ao futuro da humanidade; eu acredito no homem: o homem, apesar de tudo, evolui e marcha para diante e que chegará o dia em que, realmente, a humanidade  deixará de lado, todas essas armas  e que os homens do futuro pensarão: como foi possível esse acumular de armas! Que loucura! Deu na humanidade e nos homens! Nos dirigentes dos países, para que se ameaçasse a humanidade, com essas armas tão terríveis!... Note que não é o povo de nenhum país que deseja as armas: são sempre os grupos dirigentes, aqueles que estão no poder!... Os povos não desejam as armas, muito menos  as armas atómicas! Os povos desejam viver em paz! Tranquilamente, trabalhando.

JTM – Mas, a corrida ao armamento, parece cada vez mais aguerrida! As aramas aparecem cada vez mais aperfeiçoadas!... Como ver isto?
JA – Eu vejo, sempre como um perigo para a humanidade! Eu vejo como uma desgraça!... É uma desgraça e um crime! – É isso que eu penso.

JTM – A nível mundial, que é que, Jorge Amado, acha que devia ser feito para que as nações depusessem as armas e não apostassem nessas forças diabólicas? E que podem, de um momento para o outro destruírem a existência do homem na Terra?
JA – Eu acho que devia ser feito aquilo que a sua rádio está fazendo, mas a nível mundial! Por todos! Uma campanha contra as armas atómicas e contra todas as armas!... Uma campanha mundial de todos os homens, pelo desarmamento!... Mas não uma campanha feita com interesse desse ou daquele grupo, não: uma campanha que fosse de todos os homens e no interesse, sim,  da humanidade e não desta ou daquela superpotência, deste ou de outro grupo de nações!... Mas pela Humanidade!

JTM – Jorge Amado, falou da Humanidade mas os escritores também têm um importante papel na humanidade!
JA – Com certeza: os escritores, os artistas, sobretudo os cientistas, porque sabem que uma guerra atómica seria a destruição da vida sobre a Terra: não apenas da vida humana mas de toda a vida sobre a Terra! … Todos nós temos essa obrigação, é nosso dever! Todos nós: a luta contra  a corrida armamentista! A luta contra as armas atómicas!

JTM – Já agora, uma última pergunta, sobre o mesmo assunto: já alguma vez, Jorge Amado, nos seus livros abordou esta questão ou pensa abordá-la futuramente?

JA – Eu abordei essa questão, em inúmeros artigos! Em conferências! Em discursos no Parlamento, quando fui deputado… De todas as maneiras, lutando contra as armas atómicas, e, de certa maneira, eu diria que os meus livros refletem o desejo de Paz da Humanidade! 

Mesmo  que eu não tenha tido nenhum tema em nenhum deles, a luta contra as armas atómicas, porém, os meus livros refletem a luta do homem por uma vida melhor e de paz e uma vida mais feliz.


BIOGRAFIA -  Jorge Amado nasceu a 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, no distrito de Ferradas, município de Itabuna, sul do Estado da Bahia. Filho do fazendeiro de cacau João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado.
Com um ano de idade, foi para Ilhéus, onde passou a infância. Fez os estudos secundários no Colégio Antônio Vieira e no Ginásio Ipiranga, em Salvador. Neste período, começou a trabalhar em jornais e a participar da vida literária, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes.
Publicou seu primeiro romance, O país do carnaval, em 1931. Casou-se em 1933, com Matilde Garcia Rosa, com quem teve uma filha, Lila. Nesse ano publicou seu segundo romance, Cacau.
A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba em várias partes do Brasil. Seus livros foram traduzidos para 49 idiomas, existindo também exemplares em braile e em formato de audiolivro.
Jorge Amado morreu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001. Foi cremado conforme seu desejo, e suas cinzas foram enterradas no jardim de sua residência na Rua Alagoinhas, no dia em que completaria 89 anos -  Mais pormenores em http://www.jorgeamado.org.br/?page_id=75

GLAUBER ROCHA Um grande amigo meu, um amigo fraterno, meu irmão e um homem extremamente importante dentro da cultura do nosso país: dentro da cultura brasileira, dentro da cultura de Portugal, do mundo da língua portuguesa, pois que é um cineasta! E um escritor que tem realizado uma obra da mais alta importância!... Além de mais, é um homem extremamente lúcido na sua maneira de pensar, que tem lutado sempre ao lado do povo, contra os inimigos do Povo! Sempre ao lado dos interesses mais nobres da humanidade! Contra aqueles, exatamente, que querem a guerra, a opressão e a miséria! Os filmes de Glauber Rocha, são todos eles um elogio do Homem, do ser humano.”


BOMBA ATÓMICA EM HIROXIMA - "Eu me recordo perfeitamente. Foi durante a guerra; foi lançada sobre o Japão! No momento em que já não havia absolutamente necessidade de que a bomba atómica fosse lançada, a guerra estava ganha pelos aliados, foi um crime! Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!... Não havia absolutamente nenhuma necessidade de lançar a bomba atómica naquele momento sobre o Japão: o Japão já estava vencido."


Depois do 25 de Abril. Jorge Amado, deslocou-se várias vezes a Portugal: vindo, nomeadamente, de Paris, onde passava algumas temporadas, sobretudo na década de 80, numa fase, literariamente,  ainda muito ativa – Não era que gostasse mais de viver na Europa de que no Brasil; o motivo não era esse mas a falta de privacidade e o necessário isolamento, que não conseguia encontrar na sua cidade natal, onde era constantemente solicitado     - Nascido em Tabuna,  a 10 de Agosto de 1912, Estado da Baía, e, em cujas terras,  havia também de falecer:  Em Salvador, 6 de Agosto de 2001

Confessou-me que adorava o nosso país:   deliciar-se com a sua gastronomia, admirava o artesanato do Minho  (nomeadamente o da cerâmica),  as belezas naturais, o nosso sol,  nosso clima, a simpatia das nossas gentes, onde contava com  bons amigos, alguns dos quais, fonte de inspiração, como personagens nas suas obras: é o caso, por exemplo, de Nuno Lima de Carvalho, diretor da Galeria de Arte do casino Estoril


Tanto ele, como Zélia Gattai, sua esposa, deram-me o prazer de me concederem várias entrevistas, que aguardo no meu arquivo. Uma das quais feita por ocasião do Congresso de Escritores Portugueses, em 1988 (creio que o 2º), ou seja, dois anos antes da assinatura do então já  polémico acordo ortográfico – Obviamente, que o tema não deixou de vir à baila,  gerando acaloradas discussões, tal como, de resto, ainda hoje continua a suscitar, - Mais à frente o registo em vídeo dessa interessante entrevista

Naquela manhã de 06 de agosto de 1945, os tripulantes do avião “Enola Gay” só conseguiam dizer “Meu Deus, o que fizemos”, depois de presenciarem a cidade de Hiroshima, no Japão, desaparecer embaixo de uma nuvem em forma de cogumelo. Era o efeito do lançamento da primeira bomba atômica americana que saiu de um avião B-29 batizado pelo seu comandante com o nome de Enola Gay, em homenagem à sua própria mãe. No dia 09, outra bomba igual seria lançada sobre a cidade de Nagasaki. Os pilotos norte-americanos haviam sido treinados durante meses para uma missão especial, a bordo de uma esquadrilha de aviões B-29. No entanto, quase ninguém sabia o que estes aviões realmente transportavam.

Morreram cerca de 100 mil pessoas em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki. As vítimas eram civis, cidadãos comuns, já que nenhuma das duas cidades era alvo militar muito importante. O cenário histórico dessa tragédia que permanece até hoje na memória de milhares de japoneses era a guerra no Pacífico, entre Japão e Estados Unidos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Aniversário do Ex-Presidente de São Tomé e Príncipe Manuel Pinto da Costa - De Parabéns! Completa hoje mais um ano de vida. Embora longe do seu país - por motivos de saúde - mas seguindo com atenta preocupação a vida política e social.

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista

 

Aniversário do Ex-Presidente de São Tomé e Príncipe Manuel Pinto da Costa - De Parabéns! Completa hoje mais um ano de vida. Embora longe do seu país - por motivos de saúde -  mas seguindo com atenta preocupação a vida política e social.  É o que me tem revelado, tanto nos diálogos na ilha onde nasceu no dia 5 de Agosto de 1937, como em Portugal. Ainda há 3 dias dialogamos ao telefone.  Meus votos de dias  melhoras e dias tranquilos.

 Recordando alguns dos registos gravados de entrevistas e  momentos do reencontro do jornalista com o defensor do diálogo interpartidário e nos conflitos mundiais – Nomeadamente o da Ucrânia. “As armas não vão resolver nada!... Entre os quais o da Ucrânia  - “Tem que haver diálogo entre as partes!”

'Hoje é um dia muito especial na vida de um dos principais rostos da nacionalidade santomense, a   mais prestigiada  e carismática figura histórica do MLSTP, exemplo de Generosidade, Dedicação, Seriedade e de Amor Pátrio. –  Falar do seu nome, é associar a imagem  e o perfil  a uma das mais heroicas e ilustres figuras destas Ilhas maravilhosas do Equador.


Nasceu no dia 5 de agosto de 1937 em Água Grande – Já lá vão uns quantos anos mas a vida não se esgota na contagem das gravanas na sua amada ilha mas na forma intensa, sábia, inteligente  e dedicada, como se persegue um ideal, como se dá sentido à vida! – E a do Presidente, Dr. Manuel Pinto da Costa, tem sido uma vida, particularmente exemplar, dedicada à causa pública, à fundação e aos destinos da sua amada pátria, de quem sente o apelo, de um dever de consciência e de entrega, não olha a sacrifícios 

Uma das distintas figuras,  com quem tive a honra e a grata satisfação  de dialogar, antes da independência de S. Tomé e Príncipe e de quem, com igual simpatia e cordialidade, me despedi ao deixar esta maravilhosa Ilha para tentar a travessia oceânica, numa frágil piroga, de S. Tomé ao Brasil - Mas só, 39 anos mais tarde, o poder voltar aqui a reencontrar e abraçar, concedendo-me a honra e o prazer de me receber na sua residência oficial, no morro da Trindade – Gesto amigo e cordial, que muito me sensibilizou, de particular significado na minha vida profissional e do amor a uma terra, ao seu Povo, pacifico e generoso, a que me sinto ligado por laços de profundo afeto, como se fosse a terra onde nasci



MPC – Temos que rever! Temos que ter a possibilidade de exercer um controlo imediato!... Uma fiscalização!... Porque assim nunca sabemos, exatamente, que essas frotas pescam!... Não temos o controlo disso!..

.CONFLITO - RÚSSIA -UCRÂNIA -– “Tem que se chegar à conclusão de que, através da guerra, não se pode resolver absolutamente nada!...” Frisando que vão complicar ainda mais a vida para ambas as partes .Têm que encontrar a fórmula de se assentarem à mesa para discutirem!... Invadir um país, eu sou contra! Condeno! Toda invasão a um país é condenável! – Sublinha, no entanto, haver razões históricas, entre os dois países, que desconhece. 

RELAÇÕES COM ANTIGA UNIÃO SOVIÉTICA  -Como, Presidente, estive na União Soviética,  em visita privada!.... Não em visita oficial!...Eu fui à União Soviética para um encontro com o Ministro das Pecas!... O Ministro das Pescas… começou com um discurso:“Sr. Presidente!.... Nós os soviéticos!... Não somos exploradores!... Fizemos a revolução de Outubro para libertar as nações!...”


Manuel Pinto da Costa governou São Tomé e Príncipe de 1975 a 1991 (e não apenas até 1983), servindo inicialmente como o primeiro presidente do país Mais tarde, viria a cumprir um segundo período na presidência, de 2011 a 2016

Manuel Pinto da Costa  -Presidente do seu país, de 1975 até 1991 e de 2011 até 2016.
Licenciado em Economia pela Universidade de Berlim-Leste, onde também se doutorou

O cofundador da Nacionalidade Santomense, continua  acreditar  nas potencialidades do seu pais - Reconhece que “São Tomé e Príncipe tem um enorme desafio,  de um pais no Golfo da Guiné, potencialmente rico , com muitas possibilidades!... Não tem que ter necessariamente petróleo!. Temos uma situação geográfica invejável  no mundo de hoje" - . Palavras da honrosa entrevista que me concedeu, na sua residência. em Maio de 2019



Eu não tenho ambições de liderar nada mas estou disponível a dar o meu contributo naquilo em que possa ser útil. - Primeira parte de uma interessante  e honrosa entrevista que,
Manuel Pinto da Costa, me concedeu, aquando da minha deslocação a São Tomé,  a convite da Associação de jornalistas de STP, para a participar  no  Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de Maio de 2019 
https://canoasdomar.blogspot.com/2020/06/manuel-pinto-da-costa-o-ex-presidente.html


Não era ficção mas surpreendente realidade: ver à minha frente o mesmo homem, com o mesmo perfil, a mesma determinação, bonomia, o mesmo entusiasmo e seriedade, e até ainda exteriorizando  uma grande juventude,  que aceitara a duríssima  tarefa de conduzir os destinos do seu jovem país, em levar por diante a pesadíssima herança colonial, com apenas quatro licenciados e roças abandonadas - Pena, no entanto, que estas não  tivessem sido preservadas - Mas também é verdade que a memória destas grandes propriedades, onde os trabalhadores nativos, não iam além de capatazes, tão não era muito estimuladora.

DEFENSOR  DOS PRINCÍPIOS DEMOCRÁTICOS E  DAS PONTES DE DIÁLOGO - " Palavras proferidas, nas comemorações do 12 de Julho de 2015, que aqui me apraz recordar .


"Dizia eu há 3 anos que é preciso, neste mundo global, competitivo e vivido em tempo real devido aos avanços tecnológicos no domínio da comunicação,  construir pontes para o exterior, preservando a imagem de um país que é, seguramente, a sua principal marca.


Hoje queria acrescentar que temos de saber também e ao mesmo tempo construir pontes entre nós próprios, independentemente das diferenças, num permanente diálogo construtivo e gerador de consensos estratégicos que permitam ao país construir um futuro melhor, o futuro com que todos sonhamos desde que conquistámos a independência.

O diálogo nunca será uma causa perdida nem falhada porque sem diálogo não há democracia nem coesão social.

Mesmo que os resultados fiquem aquém das expectativas o diálogo será sempre um instrumento fundamental para unir as diferenças, enriquecer a diversidade e encontrar caminhos comuns que mobilizem as energias da nação 



terça-feira, 4 de agosto de 2026

Aniversário-memória do Maestro Jaime Mendes.Nasceu em Évora 04.08.1903 – 1997 – Entrevista ao autor de 150 peças de Teatro de Revista, que me concedeu na Brasileira do Chiado, anos 80, numa tertúlia entre amigos

                              Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

Maestro Jaime Mendes – Nasceu em Évora 04.08.1903 – 1997 – Autor de 150 peças de Teatro de Revista –  Chegou a ser convidado para dirigir a orquestra da BBC - Recordando a entrevista que me concedeu na Brasileira do Chiado, anos 80, numa tertúlia entre amigos  “Nenhum artista em Portugal é rico: sou um ilustre reformado da nossa terra” - Todavia, era considerado um dos maiores músicos que dirigiram  as nossas orquestras e um compositor muito popular”  - Fotos de diversas origens - Exceptuando os filmes  - E, naturalmente, a  entrevista
Como dizia, o Eça: eu sou como a República de Andorra, não tenho histórias  - Dizem que nós estamos ultrapassados! Que somos velhos! Mas esquecem-se, quando a gente fala, que a gente não tem presente

Desapontado por  já não existir o  espirito de tertúlia de amizade, como nos outros tempos.  E da importância que já não davam aos artistas: A gente via um autor e tirava-lhe o chapéu



A Orquestra da Emissora Nacional, quase  já não dá concertos e ,quando os dá, já não tem aquele ambiente que tínhamos dantes
Confessou que gostava mais do campo que a cidade: Eu sou campónio, , sou de Évora! Do Alentejo! E que o futebol: é um espetáculo com muita emoção, muito colorido e muito bonito! Alem  do mais, sou sócio do Benfica, desde os bancos da escola
Questionado de haver quem diga que o futebol é alienante, respondeu que que há muito musica que é alienante e é ouvida.
Fiz até uma fita, chamada Bola ao centro” A fita não teve grande êxito, porque, nesse tempo, estava na moda dizer mal dos portugueses
Não sou praticante católico, mas gostava de ser cristão - A mote  para mim é uma coisa que agora a  vejo todos os dias. Não choro por isso; que me chorem os outros, quando morrer.
O melhor prémio que nós tínhamos antes, era ir comer um  bife às duas da manhã ao Café Lisboa

Jaime Mendes (Évora/04.08.1903 – 1997) foi aluno da Casa Pia de Lisboa e nisso tinha orgulho por ter sido lá que aprendera música, arte a que dedicou a sua vida como instrumentista, maestro e compositor, tendo também  estudado no Conservatório de Lisboa as disciplinas de Rudimentos e de Harmonia e Composição. Aos 16 anos o maestro Fernandes Fão foi buscá-lo para iniciar carreira na Banda de Música da Guarda Nacional Republicana. Passou também pela Orquestra do Teatro Nacional de São Carlos e, a partir de 1934 pela Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, dirigida pelo maestro Pedro Freitas Branco, bem como pela Orquestra Sinfónica de Pedro Blanch que dava concertos aos domingos no Teatro Municipal de São Luiz.
Jaime Mendes também musicou inúmeras revistas e operetas, sendo o  autor de mais de 150 peças, tendo a sua estreia nesta área ocorrido em 1926, em «A Feira», uma revista do Teatro do Gymnasio, em Lisboa.

No campo do cinema, compôs música para cerca de 40 filmes portugueses, no período de 1942 a 1979, tendo o êxito de alguns deles muito ficado a dever à música inspirada de Jaime Mendes, sendo de destacar o «Fado da Sina» cantado por Hermínia Silva no filme «O Homem do Ribatejo» (1946), o «Fado Marialva» ou «Fado das Iscas» interpretado por Estevão Amarante ou, o tema  «Ninguém foge ao seu destino» cantado por Laura Alves e Amarante na opereta «José do Telhado» (1944). Destaque-se ainda as suas partituras musicais para os filmes «O Costa do Castelo» (1943), «O Leão da Estrela» e «Fado, História de uma Cantadeira» (ambos em 1947), «A Menina da Rádio» ou «O Noivo das Caldas» (1956), «A Costureirinha da Sé» (1959) e «O Passarinho da Ribeira»(1960).
Em 1951, mudou-se para o Brasil, onde dirige o Orfeão Português, regressando ao país no período de 1958 a 1960 para se radicar no Porto como director da Companhia de Operetas do Porto. Nos 8 anos seguintes volta para o Brasil de onde sai em 1968 para Angola, para trabalhar com o seu filho em teatro de revista, que acumulará com a Orquestra Sinfónica de Luanda, a programação de Música erudita da Emissora Oficial e como professor da Academia de Música de Luanda. Regressou a Portugal em 1975, e aqui faleceu em 1997, com 94 anos. https://toponimialisboa.wordpress.com/2013/12/04/o-compositor-do-fado-da-sina-no-bairro-do-oriente/

Um dos mais prolíficos e populares compositores portugueses dos anos quarenta e cinquenta, o alentejano Jaime Mendes assinou música e canções para alguns dos mais populares filmes portugueses desde sempre.
Natural de Évora, onde nasceu em 1903, Jaime Mendes foi aluno da Casa Pia, de onde transitou para o Conservatório, onde o serviço militar o apanha, levando-o a ingressar na banda da Guarda Nacional Republicana. Daí irá para a Orquestra do Teatro de São Carlos, e, em 1934, para a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, como flautista, embora nessa altura já tivesse escrito e colocado as suas primeiras canções - data de 1926 a sua estreia na composição com A Feira, criada por Leonor d'Eça numa revista do Teatro do Gymnasio, em Lisboa.
No período entre 1934 e 1951 - altura em que se muda para o Brasil, onde dirige até 1959 o Orfeão Português - torna-se num dos mais requisitados compositores portugueses, com especial destaque para as centenas de revistas e operetas que musicou e para as dezenas de filmes para os quais escreveu canções. Devem-se-lhe as partituras musicais e as composições de filmes como O Costa do Castelo, O Leão da Estrela, A Menina da Rádio ou Um Homem do Ribatejo, e criações como o Fado da Sina, o Fado Marialva ou Lenda das Algas. Regressaria fugazmente a Portugal em 1959, retornando ao Brasil em 1960 e mudando-se para Angola em 1968, onde ficaria até 1975. Faleceu em 1997, com 94 anos. http://www.macua.org/biografias/jaimemendes.html