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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Independência de S. Tomé e Príncipe -51º aniversário Vem aí as comemorações do 12 de julho de 2026 - Em plena campanha presidencial com Carlos Vila Nova a liderar os apoios e as sondagens - Sobre a libertação do jugo colonial por cuja luta também me bati e que me havia de custar brutais agressões por alguns colonos

Jorge Trabulo Marques - Jornalista

Independência de S. Tomé e Príncipe -51º aniversário  Vem aí as comemorações do 12 de julho de 2026 - Em plena campanha presidencial com Carlos Vila Nova a liderar os apoios e as sondagens  - Sobre a libertação do jugo colonial por cuja luta também me bati e que me havia de custar brutais agressões por alguns colonos

CANDIDATOS UNIDOS NA MESMA CAUSA -  Quatro partidos políticos em São Tomé e Príncipe anunciaram o apoio à candidatura presidencial de Carlos Vila Nova a um segundo mandato, de cinco anos, nas próximas eleições de 19 de Julho do ano em curso

O candidato as eleições presidenciais de 19 julho, Carlos Vila Nova iniciou sábado, a sua ação de campanha no distrito de Lembá com comício e passeatas,  tendo afirmado que “ninguém põe Presidente da República, o povo é que escolhe”.

Ninguém põe Presidente, o povo é que escolhe, é um poder do povo de São Tomé e Príncipe” – disse Carlos Vila Nova, Presidente da República, no comício de campanha na cidade de Neves, capital do distrito de Lembá.

“ Eu sou candidato que quer estabilidade para São Tomé e Príncipe”, disse para depois acrescentar que ““não queremos divisão, é por isso que eu não sou candidato de nenhum partido politico”.

Nesta sua recandidatura ao cadeirão presidencial, Vila Nova conta com apoio do ADI de Américo Ramos, actual Primeiro-Ministro, MLSTP de Américo Barros, o Movimento Basta de Levy Nazaré, do MDFM de Moisés Viegas e do novo partido Nossa Terra de Abnildo de Oliveira, Presidente do Parlamento.

Comemorações do12 de Julho 2026 -  Sobre a libertação do jugo colonial por cuja luta também me bati e que me havia de custar brutais agressões por alguns colonos

A 12 de julho de 2026, a República Democrática de São Tomé e Príncipe celebra o 51.º aniversário da sua Independência.  A  data assinala-se com cerimónias de estado, eventos culturais e convívios da diáspora, destacando-se iniciativas um pouco por toda a parte, como é o caso das celebrações e almoços comemorativos organizados em espaços de referência no estrangeir


Sim, fui dos raros portugueses, senão talvez o único, que pude ter a honra e o prazer de acompanhar de perto a campanha mobilizadora da Associação Cívica Pró-MLSTP – Fi-lo, inicialmente, como jornalista, mas, sendo também o cidadão que conhecera. no corpo e no espírito, as diabruras, abusos e prepotências de um certo colonialismo, que teimava em ignorar os novos ventos da história, sim, por natural empatia, depressa me sentia irmanado e identificado com a mesma luta, que me haveria de custar as mais selváticas agressões.

O PAPEL DA ASSOCIAÇÃO CÍVICA PRO-MLSTP NA LUTA PELA INDEPENDÊNCIA . O MLSTP, para além das estruturas dirigentes no exterior, tinha estruturas internas aqui em STP

Imagens e afirmações registadas numa das sessões,  de há 11 anos, que antecederam as comomeoraçoes  dos  então 40 anos  da independência de STP , acerca da acção mobilizadora  da Associação Cívica Pró-MLSTP.   

Filinto Costa Alegre – Nós adotávamos formas de luta que levassem  a população manifestar-se; organizávamos greves  (…)nós procurávamos as mais diversas formas de dizermos aos colonos que o colonialismo é passado”

Filinto Costa Alegre, dirigente da Associação Cívica Pró-MLSTP,  recorda, que, naquelas “ circunstância, a federação era uma solução que convinha mais ao poder colonial, A nossa não convinha de todo  ao poder colonial! E a Frente Popular Livre tinha um projeto que devia ser acarinhado pelos colonos que estavam presentes; quer pelo Alto Comissário, quer  pelos representantes do Poder coloniall

NACIONALIZAÇÃO DA ROÇAS

José Freet Lau Chong – As pessoas pensavam que éramos malucos. Mas naquela altura não havia outra saída

António Tomaz Medeiros – “Os santomenses eram bons funcionários, bons escriturários”, mas não tinham experiência nenhuma das roças”
“Vivi com alegria e mágoa: alegria porque, no fundo, era o que eu queria. Mágoa, por não poder estar presente.

Manuel Pinto da Costa: ´”O estado viu-se obrigado assumir a responsabilidade  das roças” alegando que os colonos as abandonaram.


terça-feira, 7 de julho de 2026

Poema do Poeta Jorge Vicente ao Peregrino da Luz - Jorge Trabulo Marques

 Há ainda videos por editar -Da celebração so soltiico e da Feira do Livro de Lisboa.



Poema do Poeta Jorge Vicente  ao Peregrino da Luz - Jorge Trabulo Marques

Poeta fozcoense  - "Vila Nova de Foz Côa - A minha terra Mais de 15,4 mil seguidores ao longo dos anos, Jorge Vicente transformou sentimentos, memórias, paisagens e vivências em versos. A sua obra já ultrapassa as centenas de poemas,."

 


Quando o dia  iguala a noite

Trabulo surge no trilho.

Túnica branca., olhar que afoite,

Guarda o tempo no seu brilho.

 

É ele quem pesa a balança

Entre o sol e o escuro.

No equinócio lança a esperança

Pra que o mundo fique seguro.

 

Na Primavera  abre as flores,

No Outono apanha a folha.

Com passos cheios de amores

O ciclo da terra ele molha


Dizem que nas encruzilhadas

Ele marca o meio do ano

Duas vezes as madrugadas

O céu e a terra ficam irmãos

 

Homem de túnica serena

Não tem pressa, nem tem fim.

Vigia a rocha com surpresa

E guarda o equilíbrio em si.

 

Nas ruas de pedra ele aparece,

Túnica ao vento, passo sereno

Dizem que o mal desaparece

Quando Trabulo passa ameno.

 

E quando o povo se lembra

Que a luz e a sombra se dão,

Cantam por setembro e por março

Viva Trabulo, Guardião

Jorge Vicente

sábado, 4 de julho de 2026

Manuel Cargaleiro – Iniciadas as celebrações alusivas ao centenário do nascimento do Pintor e ceramista, que entrevistei, nos anos 80 na galeria de Arte do Casino Estoril, que a elogiou pela oportunidade dada a muitos artistas portugueses

 

Jorge  Trabulo Marques

Manuel Cargaleiro – Iniciadas as celebrações alusivas ao centenário do nascimento do Pintor e ceramista, que entrevistei,  nos anos 80  na galeria de Arte do Casino Estoril, que a elogiou pela oportunidade dada a muitos artistas portugueses  

Então residente, em Paris desde há 30 anos- Na cidade onde o seu pensamento se estendia, constantemente, para o país que o viu nascer e cujos símbolos, mais genuínos e suas belas paisagens , eram motivos de inspiração nas suas telas e cerâmicas.           

O inicio das celebrações  do centenário do nascimento do ceramista Manuel Cargaleiro, que, em 16 de Março de 2027, completaria 100 anos, mas que faleceu aos 97,  vai ser celebrado com exposições, apoios à criação e aos jovens artistas e inauguração de um novo polo museológico em Castelo Branco.

Manuel Cargaleiro nasceu a 16 de março de 1927, em Chão das Servas, Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.. Faleceu aos 97 anos no dia 30 de Junho de 2024 

 


A inauguração de uma exposição dedicada ao ceramista Manuel Cargaleiro, no Centro de Interpretação de Arte Rupestre do Vale do Tejo, em Vila Velha de Ródão (CIART), marca o início, , das comemorações do centenário do nascimento do artista.
 
As Comemorações do Centenário de Manuel Cargaleiro (1927--2027), assinalam o nascimento de um dos mais influentes artistas portugueses do século XX, sendo Castelo Branco, a cidade que acolhe a sede da Fundação e o Museu Cargaleiro, o parceiro principal e ponto de referência de todo o ciclo comemorativo, entre 2026 e 2028.



Natural de Vila Velha de Ródão (Castelo Branco), desde cedo se quis artista plástico e não engenheiro agrónomo ou veterinário por vontade paterna.

Nome incontornável da Cultura Portuguesa, Mestre Cargaleiro não foi apenas um grande ceramista e pintor, mas um inovador, com merecido reconhecimento internacional.




Ele, que dizia gostar de viver discretamente, deixou a sua marca artística em diferentes suportes, em diversos pontos de Portugal e do estrangeiro. Um painel de azulejos na Costa Amalfitana e a decoração de uma das estações centrais do metro de Paris são alguns exemplos. Paris foi a cidade para onde foi viver na década de 1950, por divergências com o Estado Novo, que o impediu de concretizar o projeto de decorar as paredes da Cidade Universitária, não obstante ter sido o vencedor do concurso.


Em 1955, Manuel Cargaleiro foi agraciado com o diploma de honra da Academia Internacional de Cerâmica, no Festival Internacional de Cerâmica de Cannes.
Foi convidado a conceber os painéis de azulejo para o Jardim Municipal de Almada e para a fachada da Igreja de Moscavide e, até ao final dessa década, receberia duas bolsas de estudo na área da cerâmica, respetivamente em Faenza, Itália, e em Gien, na França.
Entretanto, fixou residência definitiva na capital francesa, onde viria a estabelecer o seu atelier, expandido a sua presença internacional. Até ao final da década de 1970, realizou exposições individuais em Lisboa, Paris, Tóquio, Milão, Lausanne, no Porto, em diferentes cidades do Brasil. Foi também convidado para mostras coletivas em Almada, Genebra, Osaka, Seul.
Colaborou com poetas, nomeadamente Armand Guibert e Victor Ferreira, cujos poemas foram ilustrados pelo artista
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Foi convidado pelo Ministério francês da Cultura a conceber painéis cerâmicos para três escolas no país que o acolhera. Assim o fez.

Nos anos 1980 começou a explorar a tapeçaria, tendo sido convidado pelo Governo português a conceber uma dessas obras para o novo edifício na Organização Internacional do Trabalho, em Genebra.

A partir da década de 1990, predominariam na sua obra os padrões aglomerados e cromaticamente intensos onde continuaria a ser evocado o azulejo português, que tanto determinou o seu trabalho.
Em Castelo Branco, viria a ser criada a Fundação Manuel Cargaleiro, em 1990, com o objetivo de criar um museu dedicado à sua obra. Assim aconteceu, em 2005, primeiro no edifício histórico Solar dos Cavaleiros, mais tarde expandindo-se para o “edifício contemporâneo”.


Cerca de uma década mais tarde foi inaugurada no Seixal a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, num projeto arquitetónico de Álvaro Siza, com objetivo de promover a arte contemporânea, a obra do mestre Manuel Cargaleiro e as coleções da sua fundação, quer através de temporárias, mas sobretudo através da divulgação da arte e do trabalho com jovens artistas, dando corpo à definição implícita na designação de Oficina

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Portugal no Festival Eurovisão da Canção -Entrevista a João Carlos Callixto, co-autor com Jorge Mangorrinha do livro "Portugal 12 Pts", edição Âncora Editora, dedicado à história do Festival da da Eurovisão, nomeadamente às participações portuguesas no evento

                                                          Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


Portugal no Festival Eurovisão da Canção -Entrevista a João Carlos Callixto, co-autor com Jorge Mangorrinha do livro "Portugal 12 Pts", edição Âncora Editora, dedicado à história do Festival da da Eurovisão, nomeadamente às participações portuguesas no evento.

João Carlos Callixto, figura bem conhecida da rádio e da televisão, historiador e autor de vários programas na RDP Internacional e RTP Memória, num encontro informal de uma sessão de autógrafos na feira do Livro de Lisboa, no passado dia 9 de Junho .recorda-nos o percurso de Portugal no Festival da Canção

Trata-se da primeira e completíssima enciclopédia sobre a história do Festival da Canção, que desde 1964 O texto de Jorge Mangorrinha faz uma análise evolutiva e o de João Carlos Callixto expressa-se num contributo de cariz enciclopédico.

Portugal participou, até à data, 57 vezes no Festival Eurovisão da Canção (não incluindo a canção que representaria o país no ano de 2020, quando o festival foi cancelado), tendo sido a primeira em 1964. O país só não compareceu no concurso cinco vezes desde a sua estreia, tendo-se retirado então nas edições de 1970, 2000, 2002, 2013 e 2016.


A RTP, estação televisiva representante do país, conseguiu pela primeira vez a vitória no concurso com a sua participação no Festival Eurovisão da Canção 2017, realizado em Quieve, Ucrânia[1], com a canção "Amar pelos Dois" interpretada por Salvador Sobral.

Apesar de ter uma longa história no Festival, Portugal nunca tinha sido particularmente bem-sucedido com as canções que foram apresentadas ao longo de todos estes anos, visto que, até 2017, apenas 9 tinham ficado dentro do top 10 das posições finais, enquanto que as outras obtiveram classificações quase sempre baixas e, em algumas edições, até ficaram em último lugar.


Portugal 12 Pts propõe uma viagem ilustrada pela História do Festival da Canção e das representações de Portugal na Eurovisão. Gonçalo Reis, presidente da RTP, diz que “O Festival da Eurovisão de 2018 é uma grande oportunidade. Chegaremos a 200 milhões de pessoas, alcançando públicos alargados nos principais países europeus, com especial incidência junto dos segmentos jovens. Estamos convictos de que é mais uma oportunidade para projectar um país criativo e contemporâneo (…).

Mas enquanto imaginamos o futuro, vale a pena redescobrir o que fizemos antes. É isto que propomos neste livro, uma viagem pela história do Festival da Canção.

Nas palavras de José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, «Este livro, graças ao trabalho minucioso, sério e exigente de Jorge Mangorrinha e João Carlos Callixto, coloca-nos perante uma realidade artística, cultural e comunicacional de décadas que se confunde com uma parte significativa da história da RTP e com uma parcela singular da nossa memória colectiva.

Constitui também um contributo útil para nos lembrar do que cantámos e ouvimos cantar, do que recordamos e já esquecemos, do que entrou no coro multiforme das nossas letras.

A primeira investigação em Portugal sobre a promoção do país através da sua presença eurovisiva foi realizada, desde há cerca de cinco anos, por um dos nossos docentes e investigadores, Professor Jorge Mangorrinha. Nos próximos dias, dará a conhecer um novo livro, em co-autoria com João Carlos Callixto (autor e realizador na RTP), intitulado "Portugal 12 pts - Festival da Canção", decorrente dessa investigação e, precisamente, a poucos dias do grande evento eurovisivo em Lisboa


João Carlos Callixto Investigação . Divulgação Investigador musical e autor de programas radiofónicos e televisivos, João Carlos Callixto (Lisboa, 1977) é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas e pós-graduado em Ciências Documentais.

Colaborador de publicações musicais e literárias desde 1996, publicou, em 2005, o livro “Na Terra dos Sonhos”; em 2013, em co-autoria, o livro “Portugal Eléctrico”; em 2014, “Canta, Amigo, Canta – Nova Canção Portuguesa (1960-1974)”; em 2018, de novo em co-autoria, “Portugal 12 Pts – Festival da Canção”; em 2019, “Gramofone – Páginas da Música no Arquivo RTP”. Desde 2006, tem coordenado e/ou escrito textos para reedições de vários discos portugueses.

Em 2010, colaborou na “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” e, entre 2011 e 2012, foi co-autor da série em 26 episódios “Estranha Forma de Vida – Uma História da Música Popular Portuguesa”.
É autor do programa de TV “Gramofone” (RTP Memória), que desde Fevereiro de 2022 tem uma versão própria na Antena 1. Na rádio, apresenta ainda os programas “Passado ao Presente” (RDP Internacional) e “A Vida num Só Disco” (Antena 3, com Henrique Amaro), além de colaborar noutros projectos na área dos conteúdos musicais da RTP. Bio facultada por João Carlos Callixto, publicada na Meloteca a 29 de abril de 2022.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

S. Tomé – Recordando minha Exposição - Sobreviver no Mar dos Tornados, 38 dias à Deriva Numa Piroga” – No Centro Cultural Português 2015 - Julho “Experiência de vida única” que é “também a demonstração do querer humano sobre as adversidades” “davam um filme” – Palavras de Olinto Daio”, Ministro Educação, Cultura e Ciência,


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 Acontecimento cultural, que contou com a presença do Ministro da Educação, Cultura e Ciência, Olinto Daio, Presidente do Tribunal de Contas José António Monte Cristo, da Ministra da Saúde, Maria dos Santos Trovoada e o Secretário do Gabinete do Sr. Primeiro-Ministro, Mário Gomes Bandeira, do Bispo de S.T.P., Dom António Manuel dos Santos, acompanhado pelo Rev. Padre Fausto

                           


Presidente da Comissão Eleitoral, Alberto Pereira,  vários membros do Gabinete da Presidência da República, nomeadamente, Coronel Victor Monteiro e  Amaro Pereira de Couto,  Chefe da Casa Civil;  Embaixador do Brasil,  José Carlos de Araújo Leitão; ex-primeiro Ministro Leonel D’Alva;  Adido da Defesa da Embaixada de Portugal, Sr. Coronel Lourenço Saúde; Diretora do Centro Cultural Português, Margarida Mendes; os excelentíssimos representantes das embaixadas da Guiné Equatorial e da Nigéria, respetivamente, Teodoro Elangui e Aburime Kenneth, assim como  da poetiza e escritora, Conceição Lima, o historiador e escritor Albertino Bragança, Maria Alves, Luís Beirão, Ambrósio Quaresma, Ana Ribeiro e Nuno Bruno, Cláudio Coralle, Manuel da Trindade Costa, artistas  da Associação Pica Pau, entre outras personalidades, empresários, muitos santomenses anónimos ou dos mais diversos setores de atividades  (a que conto vir ainda a referir-me) e alguns meus compatriotas, residentes ou em gozo de férias

         
                        
                         
Passagens  do meu Diário gravado num pequeno gravador que foi preservado com a máquina fotográfica no interior de um caixote do lixo  contentor vulgar de plástico

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Nestes últimos três dias, revivi tantas emoções, sim,  ao confrontar-me com as imagens das minhas aventuras, narrando alguns dos episódios, não só às várias personalidades, que me honraram com a sua presença, como também às muitas pessoas anónimas que me distinguiram com as suas palavras amigas, que outra expressão não me ocorre, senão a de começar por expressar  um profundo agradecimentos  a todos.




Na verdade, há momentos que, por tão tormentosos e solitários na vasta imensidão oceânica,  são verdadeiras eternidades – Que o digam todos aqueles que passaram pela dramática e dificílima situação de náufragos. Outros, nunca o terão podido expressar, visto terem ficado sepultados para sempre no silêncio eterno do fundo dos  abismos submarinos. Pessoalmente, quis Deus ou o destino que fosse um dos  sobreviventes, de entre os milhares de vitimas, que, por esta ou por aquela razão,  anualmente, são tragados pela voragem dos oceanos e  pudesse transmitir o testemunho daquilo  que o engenho, a força de vontade e o querer humano, poderão lograr, face às maiores provações.


Sim,  muitos foram os momentos de extrema aflição, que me pareceram verdadeiras eternidades, especialmente durante os longos e difíceis 38 dias, enfrentando tempestades, sucessivas, o doloroso sofrimento da incerteza e da fome, o suplício da  sede, com tanta água à minha volta e, por vezes, mesmo bebendo-a, não podendo matar a sede, além de constantes e quase mortíferos ataques de tubarões – porém, de todas as memórias que perduram – e estou certo que perdurarão para o resto da minha vida – o que mais me apraz registar – em todo o imenso somatório das minhas vicissitudes,  é o espírito de  determinação, de coragem e de uma infinita paciência,  o de, nunca, em momento algum, me ter resignado ao extremo abandono e solidão, de lutar, de jamais me ter rendido a  cruzar os braços, face às imensas dificuldades, mas o firme e constante propósito de as poder superar.


E, pelo que  pude depreender,  esta foi justamente uma das mensagens, que julgo ter podido transmitir, com a minha exposição “ Sobreviver no Mar dos Tornados, 38 Dias à Deriva numa Piroga, de 28 a 30 de Julho, no Centro Cultural Português, tanto às várias personalidades, que me quiserem honrar e distinguir com a sua presença, como ao público anónimo, graças à compreensão e ao apoio da Embaixada de Portugal,   na pessoa da Embaixadora Paula Silva,  e todos os seus colaboradores, a quem, penhoradamente, aqui expresso a minha profunda e sincera gratidão 


 
Mas também ao gratificante estímulo, à   honra concedia pelos muitos gestos ou expressões, em palavras amigas e calorosos abraços, das várias personalidades governamentais e da presidência da república, assim como às entidades representantes de outras instituições, aos meus compatriotas, que espontaneamente compareceram, aos muitos santomenses, que igualmente me consideram como um dos seus

 
Alojamento - Por outro lado, também não seria possível prolongar a minha estadia em S. Tomé, não fosse o facto de, gentilmente,  me ter sido dada a possibilidade de ter ficado alojado numa das vivendas anexas ao Palácio da Presidência da República, gesto que muito me sensibilizou e do qual aqui desejo também expressar público agradecimento

 Não vês, como está o mar?!... Vais morrer!!.. Fica connosco!..

A canoa "Yon Gato" foi carregada a bordo do pesqueiro Hornet, em meados de Outubro,  de 1975, ao largo da Baía Ana de Chaves para ser largada na corrente equatorial - Porém, contrariamente ao prometido, ao fundear junto à Ilha de Ano Bom (Guiné Equatorial) com o pesqueiro envolvido por enorme agitação noturna, varrido de  proa à popa,  pelas já habituais  tempestades da época das chuvas, que o assolaram nas anteriores noites, o comandante chama-me à câmara de comando para desistir  do meu propósito e coloca-me num dilema:  ou fico a trabalhar a bordo ou tenho que ser largado com a canoa. De resto, este era também  o aviso e a  vontade expressa da  tripulação: "Jorge! Não vês, como está o mar?!... Vais morrer!!.. Fica connosco!.." Não tendo aceite a sua proposta, obriga-me assinar um termo de responsabilidade, antes de arrear a canoa ao mar.

Face à impossibilidade de tomar a rota para oeste, tento o regresso a S. Tomé - Depois de um dia de navegação rumo a Norte, perfeitamente normal, à noite um violento tornado faz-me perder a maior parte dos apetrechos, incluindo o remo e os  mantimentos. 

 DEPOIS DE 38 DIAS DE  NAUFRÁGIO, NOS CORREDORES DA MORTE

 
Ao cabo de 38 penosos dias, ao sabor das vagas, num simples madeiro escavado, acabo por acostar à Ilha de Bioko (ex-Fernando Pó), onde sou tomado por espião e encarcerado numa cela da Cadeia Central para ser executado, já que este era o destino de quem ali era condenado: entrar vivo e sair cadáver.

  Felizmente, é a mensagem, autenticada pelo MLSTP, que havia sido escrita para saudar o Povo Brasileiro - admitindo que pudesse fazer a travessia até ao Brasil - que    me vai salvar a vida. Mesmo assim, dada a  persistente desconfiança do então Presidente Macias, que nem depois de  enviar o seu barbeiro pessoal (o santomense, Sr. Bandeira) se convencera, nem da veracidade da referida mensagem, nem dos meus argumentos,   quem  acaba por ordenar a minha soltura é o seu sobrinho, o então comandante das Policias e das Forças Armadas, o atual Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, a quem fico a dever a vida


 

MARES DA MINHA VIDA...

A vós, lendários mares do sul, eu vos saúdo
com todo amor e bondade do meu coração!
Eu vos bendigo em exaltação ao génio Criador!
Eu vos evoco pelos momentos de rara beleza e de imensa alegria,
e também de outros de não menor tristeza e dor, por mim vividos,
durante dias e dias a fio, no meio da vossa vastidão!
- Obrigado por haverdes compreendido a minha temeridade.
a minha intenção!... Fui um homem de sorte!... - Obrigado, também,
por, antes de mim, haverdes poupado outras vidas às garras da morte!

Recordo e choro, às vezes, ainda o pesadelo,
a angústia sentida desses cruciais instantes!...
Relembro-os e perscruto-os de olhar triste e magoado,
como se estivesse ainda a ver as cristas brancas
a ondularem ao largo, a levantarem-se do fundo das sombras,
tão altas que até quase tocavam as difusas estrelas,
e, subitamente, a estrondearem e a desfazerem-se ao meu lado!
- E eu, pobre de mim, vagueando, nesse horror alucinante!...
Rolando, rolando, pela noite adiante, só e desamparado!
Errando, errando, na pequena piroga, sem rumo e sem destino,
no meio do tumulto avassalador, no centro rodopiante,
do turbilhão fervente e ameaçador! - Transido
pela humidade! Ensopado como um trapo. Mortificado
pela sede e esfomeado!… Um verdadeiro farrapo!
Todavia, lutando, resistindo,
não resignado, não vencido!

(…)
Ó ondas lívidas e soluçantes! Ondas lúgubres
e agrestes dos trágicos naufrágios! - Ainda hoje
aos meus ouvidos, vão ecoando, vão soando, repercutindo,
os ecos de todos os estrondos, sílvios e ruídos
da vossa portentosa orquestra! Ainda agora ouço o ressoar
de todos esses sons! - No marulhar de vós, distingo - ó impiedosa
negridão! -, por entre o rebentar e o estertor dos vossos rugidos,
o imenso clamor dos gritos, os rumores dos milhentos gemidos,
choros e súplicas, os ecos das imensas vozes aflitas,
perdidas, já agonizantes, moribundas, das pobres almas
que foram tragadas! - Sim, dos inumeráveis desgraçados
que se perderam, que foram esquecidos, abandonados,
no louco torvelinho das águas!

Ai de vós, ó pobres náufragos!
Ai de vós, desventurados! - Foi horrível
o vosso sofrimento - eu sei! Também experimentei
no corpo e no espírito o mesmo drama!
Porém, se estais em paz no outro mundo, continuai em paz
no mesmo limbo! Esquecei o infortúnio que cedo vos levou!
Não o choreis!... Ninguém mereceria as vossas lágrimas!
- Naqueles momentos fatídicos, tudo permaneceu impassível!
Ninguém se compadeceu com a vossa aflição e vos estendeu a mão!
Lá do alto, um silêncio de morte, e em redor,
o mundo a desabafar sobre vós, a sepultar-vos!
Tudo vos abandonou e vos esqueceu!...

Jorge Trabulo Marques

O longo tormento de 38 dias