expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

terça-feira, 5 de maio de 2026

Escritor Jorge Amado - Entrevista a recordar no Dia Mundial da Língua Portuguesa 2026 - Sobre a bomba Nucelar sobre Heroxima Palavras oportunas de um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos, o autor mais adaptado ao cinema, teatro e televisã

                              Jorge Trabulo Marques - Jornalista  e foto-jornalista


Dia Mundial da Língua Portuguesa 05-05-2026 - Entrevista a Jorge Amado, sobre ameaça nuclear. Recordando a da HIROXIMA - Palavras oportunas de um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos, o autor mais adaptado ao cinema, teatro e televisão

A entrevista. concedia no dia em que se completavam 36 anos sobre o lançamento da bomba atómica sobre Hiroxima, assunto que também é colocado ao escritor Jorge Amado, foi transmitida na então Rádio Comercial – RDP e escutada por Glauber, então enfermo no Hospital da CUF, a quem telefonei, dando-lhe conhecimento, a pedido de Fernando Namora, com o fim de lhe dar ânimo.



BOMBA ATÓMICA EM HIROXIMA - "Eu me recordo perfeitamente. Foi durante a guerra; foi lançada sobre o Japão! No momento em que já não havia absolutamente necessidade de que a bomba atómica fosse lançada, a guerra estava ganha pelos aliados, foi um crime! Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!... Não havia absolutamente nenhuma necessidade de lançar a bomba atómica naquele momento sobre o Japão: o Japão já estava vencido."




Depois do 25 de Abril. Jorge Amado, deslocou-se várias vezes a Portugal: vindo, nomeadamente, de Paris, onde passava algumas temporadas, sobretudo na década de 80, numa fase, literariamente,  ainda muito ativa – Não era que gostasse mais de viver na Europa de que no Brasil; o motivo não era esse mas a falta de privacidade e o necessário isolamento, que não conseguia encontrar na sua cidade natal, onde era constantemente solicitado     - Nascido em Tabuna,  a 10 de Agosto de 1912, Estado da Baía, e, em cujas terras,  havia também de falecer:  Em Salvador, 6 de Agosto de 2001


Confessou-me que adorava o nosso país:   deliciar-se com a sua gastronomia, admirava  o artesanato do Minho  (nomeadamente o da cerâmica),  as belezas naturais, o nosso sol,  nosso clima, a simpatia das nossas gentes, onde contava com  bons amigos, alguns dos quais, fonte de inspiração, como personagens nas suas obras: é o caso, por exemplo, de Nuno Lima de Carvalho, diretor da Galeria de Arte do casino Estoril


Tanto ele, como Zélia Gattai, sua esposa, deram-me o prazer de me concederem várias entrevistas, que aguardo no meu arquivo. Uma das quais feita por ocasião do Congresso de Escritores Portugueses, em 1988 (creio que o 2º), ou seja, dois anos antes da assinatura do então já  polémico acordo ortográfico – Obviamente, que o tema não deixou de vir à baila,  gerando acaloradas discussões, tal como, de resto, ainda hoje continua a suscitar, - 
 



Jorge Amado –  O maior best-seller da literatura brasileira, recordista de traduções, ex-deputado, figura emblemática da cultura popular baiana – de São Salvador da Bahia – cidade onde nasceu, que amou e divulgou como ninguém, desde que ali veio ao mundo, no dia 12 de Agosto  de 1912,  mas que seria chamado para o pouso eterno dos justos, a 6 de Agosto de 2001, aos 89 anos, ou seja, precisamente, 20 anos depois do dia em que me concedeu a  entrevista, que aqui passo a recordar  - Mais tarde, outras me daria ainda a honra e o prazer de me conceder, assim como sua esposa, a escritoraZélia Gattai, , – porém, a entrevista, que aqui recordo, assume um significado especial:  não só pela estranha coincidência dessa data, sim, longe de imaginar, que, duas décadas depois deste tão amável diálogo, ele partiria para a eternidade, mas  também pelo facto de, naquela já distante data de 6 de Agosto de 1981, ele ter elogiado o seu grande amigo Glauber Rocha, um dos cineastas mais notáveis do chamado Cinema Novo Brasileiro, iniciado no começo dos anos 60, que  faleceria menos de duas semanas depois, a 22 desse mesmo mês

Cândido Mota: "Morreu sem sofrimento aos 82. ”Diz Noticia Mas fez-me sofrer na Rádio a pior fase da vida como assistente dele na RDP-Rádio Comercial

 

                                                  Jorge Trabulo Marques - Jornalista


Cândido Mota: "Morreu sem sofrimento aos 82. ”Diz Noticia Mas fez-me sofrer na Rádio a pior fase da vida como assistente dele na RDP-Rádio Comercial.
O antigo locutor, actor de rádio e televisão, politico e publicista, Cândido Mota, morreu na madrugada, do 1º domingo de Maio, aos 82 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado,"sem sofrimento, rodeado da família e amigos próximos", acrescentou Teresa Mota, filha do apresentador.

Paz à sua alma mas as recordações que guardo dele, deixaram-me perturbadoras feridas, que não esqueço, Mais tarde, cerca de 40 anos depois, veio com o pedido de desculpas públicas, num programa da TVI com este argumento: "Houve uma noite que perdi a cabeça completamente e não fui profissional. Peço desculpa, ao fim destes anos todos, sou obrigado a pedir desculpa, não fui profissional, não aguentei aquilo e acabei mal o programa. O João David Nunes era diretor de programas naquela altura e eu próprio me afastei”,


Não se afastou por vontade própria: foi forçado afastar-se. Por ter transformado o programa num fait divers de linha direta ao insulto e à má língua. Tendo até permitido a transmissão de um telefonema provocador à minha pessoa, a que jornal Tal & Qual, fez referência em minha defesa , onde foram descritos os pormenores.


Partiu de individuo, adulto, que se deslocou às instalações da Rádio Comercial, depois do continuo o ter deixado entrar, a perguntar -me se no final do programa podia falar com o locutor- "E, então, que pretende? - questionei:

Sua resposta: quero saber se eu o posso acompanhá-lo a sua casa e curtir com ele” - Ouvi dizer que é bicha, que gosta de homens”
Face a tão descarada desfaçatez provocatória: De imediato pedi ao funcionário da receção para o mandar sair da estação. Ficou à porta e não arredou pé: no final do programa, como eu não tinha carro, :foi atrás de mim: com esta pergunta:

“Para onde é que vai?...  Para o onde é que vai?... Posso ir consigo?!...

Como não lhe passei cartão: no dia seguinte, telefonou para o programa a dizer que eu o tinha convidado a ir a minha casa e com argumentos insultuosos e aldrabões. E o Cândido Mota aceitou e alimentou o seu discurso naquele programa à semelhança do que já sucedia com outros telefonemas, muitos dos quais   de acusações, difamações e provocações infundamentadas, com os quais gozava e se divertia. Para ele o que mais contava não era tanto a seriedade e a importância das questões, mas o insólito, o sensacionalismo fosse de que natureza fosse.   

No dia seguinte, expus o episódio  a João David Nunes, dizendo-lhe que não queria continuar a trabalhar mais naquele programa. Respondeu-me que me tranquilizasse que ele ia sair. 

E foi o que sucedeu na mesma semana: o   programa foi suspenso e passou a ser moderado por  Teresa Cruz e Orlando Dias Agudo, a cujos profissionais  continuei a prestar assistência, e  com muito gosto mas também com muito trabalho, visto todas as noites, quando chegava a casa, ter  de datilografar as cartas manuscritas dos ouvintes para serem depois lidas aos microfones, ao ponto do vizinho do prédio, onde ainda moro,  se me vir queixar que eu o acordava com o ruido da minha velha máquina de escrever – E muitas foram essas cartas, que hoje ainda enchem um saco. 

As  emissões interativas, iniciavam-se  à meia-noite e, durante uma hora, além da leitura  da exposição lida  de questões ou de pedidos, qualquer pessoa podia telefonar para o estúdio e falar do que quisesse em direto

De facto, e tal como, ainda hoje, o pode documentar o saco de cartas, que logrei salvaguardar e não rasgar "O PASSAGEIRO DA NOITE” RDP - Rádio Comercial, passou a ser a última esperança dos aflitos, miseráveis e abandonados da sorte" anos 80


Talvez fosse por esta razão, por ser um programa incómodo, que esta estação acabaria por ser privatizada em 1993, a bem-dizer dada de oferta ao Correio da Manhã, ao jornal do regime, em vez de ser devolvida a Jorge Botelho Moniz, fundador do RCP - .Enquanto a Rádio Renascença, ambas estatizadas após o 25 de Abril, é devolvida à igreja católica.

Programa radiofónico, ao qual recorreram, por telefone, por carta ou simples postal, milhares de ouvintes, expondo, denunciando abusos, implorando proteção ou apoios, desabafando as mais variadíssimas situações e problemas, desde internados nos hospitais ou nas prisões, até escritas em braile, de pessoas invisuais, ou mesmo poemas, brotados espontaneamente do fundo do coração, sim, desde os cidadãos mais desamparados e desprotegidos, a todo o tipo de problemas sociais, que procuravam os mais diversos apoios e formas de auxílios – Desde pedidos de cadeiras de rodas, moletas a empregos, apelos de justiça, um teto de abrigo, a tantas e outras situações ou episódios dramáticos de vida.

Numa das cartas, escrevia uma ouvinte estas sensibilizadoras palavras de agradecimento: .... "pelo que o programa tem feito por esse país fora e ainda bem... é de facto graças a vós que muita miséria tem sido resolvida através desse magnifico programa em que muitas as vezes me fazem as lágrimas correr pela cara abaixo no que oiço diariamente"

Também a mim, ainda hoje, ao ler algumas das centenas de cartas e postais, que pude guardar, se me toldam os olhos de lágrimas - De facto, tantas e tão sensibilizadoras eram as questões, que, ao ir-me deitar, nem sempre era fácil adormecer tranquilamente – Conservo comigo muitos desses documentos, no meu vasto arquivo sonoro e documental, que me foram confiados para passar à máquina de escrever e serem lidos e que evitei que fossem lançados ao lixo

Além disso, tive ainda a oportunidade de fazer dezenas de entrevistas nas prisões de Alcoentre, Pinheiro da Cruz e no Estabelecimento Prisional de Lisboa, e mesmo já depois das penas cumpridas, já não falando de tantas outras a figuras públicas, anónimas ou conhecidas:. desde entrevistas a Amália Rodrigues, Costa Gomes, Adelino Palama Carlos, Jorge de Melo, Cupertino de Miranda, Azeredo Perdigão, Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Jorge Amado, José Saramago, às mais diversas figuras públicas e anónimas


ELOGIOSAS REFERÊNCIAS - Não lhe faltam:

O Cândido Mota partiu na madrugada do dia da mãe, certamente para se aninhar nos braços de Maria Albertina, a mulher do fado e da voz que deu voz e sentimento a seu filho Cândido.
Partiu para o Céu das Estrelas, com lugar reservado na constelação dos eleitos, dando mais luz à luz da noite onde ele viveu tanta vida, nos palcos, na televisão e na rádio, com aquele passageiro dos outros em que sofria os males dos que procuravam no abrigo da rádio noturna o carinho e a ternura de uma voz amiga.
O Cândido, quando falava, transmitia amor – afago e amor – paixão a quem o ouvia, com aquela voz de mel, doce de abrir o peito e profunda de chegar ao coração.- Excerto de
Andou pelo Rádio Clube, pela Comercial, pelas televisões, com e sem Herman, pelos palcos, pela política da dádiva e do sonho, pela escrita e, durante uns tempos de ressurgimento, pela CNR- Cadeia Nacional de Rádios, onde também estive a seu lado sempre.
Um sempre que já pronunciava a eternidade, onde ele já chegou.
Tinha mais de oitenta, agora já curvados e gastos, mas com aquela cara – marota de bebé chorão, prestes a fazer uma traquinice.
Partiu a sorrir.
Sorrir mesmo quando não se é feliz, não é para todos.
Para o Cândido era.
E continuará a ser, no novo palco em que está agora, iluminado pelo grande projetor de luar que lhe coloca um halo de paz no seu rosto de saudade e história.
FERNANDO CORREIA
(Um homem da rádio)

Cândido Mota teve muitas e variadas aparições radiofónicas (RCP – Rádio Clube Português; RDP – Antena1 e Antena2; Rádio Comercial). Manteve-se sempre visível nos media, quer fosse na televisão, colaborando com Herman José, quer na gravação de voz off ou em spots de publicidade. Na Rádio, é actualmente (há já bons anos) voz de estação da RDS – Rádio Seixal. E é justamente na vila do Seixal que o encontro, ao vivo, todos os anos a apresentar as festividades no dia 25 de Abril.- Excertos de https://radiocritica.blogspot.com/2006/03/o-que-feito-deles.html

segunda-feira, 4 de maio de 2026

FC Porto Campeão Nacional 2025-26, após vitória frente ao Alverca- Repórter recorda momentos de gloriosas vitórias do Clube emblemático da Invicta Capital do Norte


                                       Jorge Trabulo Marques - Foto-jornalismo isento e independente


Não estivemos  no Estádio do Dragão mas aqui recordamos imagens de outros momentos da nossa presença em reportagem -  De foto-jornalismo independente e isento.

Jorge Trabulo Marques  -  Futebol Clube do Porto- Campeão 2025-26. Momentos de memória e glória de um grande clube português - O FC Porto sagrou-se, este sábado, campeão nacional de futebol pela 31.ª vez na sua história, após vitória frente ao Alverca, por 1-0. O FC Porto, orientado pelo italiano Francesco Farioli, chegou assim aos 85 pontos, mais 9 que Benfica, segundo classificado, e doze que Sporting, terceiro na tabela com menos um jogo, quando faltam duas [...]
O FC Porto, orientado pelo italiano Francesco Farioli, chegou assim aos 85 pontos, mais 9 que Benfica, segundo classificado, e doze que Sporting, terceiro na tabela com menos um jogo, quando faltam duas jornadas para o final da 1ª Liga




Recordando a memória do jogador Alberto Festa - A entrevista que me concedeu em 2013, em Santo Tirso, sua cidade natal  (21 de Julho de 1939)Faleceu no início de janeiro de 2024, aos 84 anos, o antigo internacional português e jogador do FC Porto

Em 1966 foi um dos três “Magriços” das Antas, juntamente com Américo e Custódio Pinto, que marcaram presença no Campeonato do Mundo de Futebol de Inglaterra.
Em 1968 ainda fez parte do plantel que conquistou a Taça de Portugal depois da vitória do F.C. Porto sobre o V. Setúbal por 2-1 na Final do Jamor.
Ganhou por seis vezes a Taça Associação de Futebol do Porto (1960/61, 1961/62, 1962/63, 1963/64, 1964/65 e 1965/66). Na temporada seguinte, Festa regressou ao F.C. Tirsense para competir durante mais duas épocas, até terminar a sua carreira no final da temporada de 1971



A força de vontade - seja em que circunstância for - no desporto  ou na aventura da vida - conquista vitórias e vence as maiores adversidades. Eu logrei sobreviver 38 dias numa piroga no Golfo da Guiné, em finais de 1975 . https://canoasdomar.blogspot.com/2019/11/34-dia-perdido-no-golfo-da-guine-nao.html e conquistei, com a minha equipa, em S. Tomé, o Pico Cão Grande, uma das mais aprumadas torres basálticas da terra https://canoasdomar.blogspot.com/2012/02/cao-grande-em-sao-tome-grande-escalada.html

domingo, 3 de maio de 2026

Dia da Mãe - Meu Tributo às mães escravas das antigas roças coloniais de cacau e de café em São Tomé para onde parti aos 18 anos e nunca mais vi a minha mãe.

 Jorge Trabulo Marques 


Jorge Trabulo Marques - Jornalista




As roças de má memória - Fala-se muito mas desconhece-se o essencial: que eram campos de escravatura. Trabalhei nesses feudos e conheci bem a dureza da vida, nessas grandes propriedades, quer para os chamados serviçais, quer para os nativos que ali iam fazer os mesmos trabalhos, mas também para os empregados de mato, que eram igualmente escravizados, mal pagos e que apenas tinham direito à chamada graciosa, de quatro em quatro anos  

 Desembarquei, ao largo da Baía Ana de Chaves, do navio Uíge,  em Novembro de  1963 para ir fazer um estágio na Roça Uba-Budo,  propriedade da Companhia Agrícola Ultramarina,  de um curso que tirei na Escola Agrícola, Conde S. Bento,  em Santo Tirso. Não tendo condições, devido à forma desprezível como ali eram encarados os técnicos, por indivíduos que ascendiam apenas à custa dos anos de serviço  e de uma certa brutalidade; acabei por concluí-lo na tropa, quando ali fui encarregado do sector da  Messe dos Oficiais e da  Agropecuária do quartel . 


Na verdade,  não guardo da roça, as melhores recordações senão o facto de ter apenas 18 anos, ser um jovem  e da surpreendente beleza daquela paisagem, que todos os dias se me revelava, pese a humilhação a que era submetido desde a alvorada  até ao escurecer -  Pois não posso esquecer-me de como era difícil e dura a  vida na roça, tanto para os empregados de mato como para os trabalhadores - E foi esta a categoria que me foi dada, pelo Administrador da Roça Uba-Budo, quando fui para ali estagiar - 


  O que recordo do meu primeiro contacto com a Roça Uba-budo, é realmente de muito má memória. 

O administrador, que era praticamente um analfabeto, tinha ódio a quem tivesse mais instrução académica de que ele; por isso mesmo, para me humilhar deu-me a categoria de empregado de mato: pouco tempo depois chamou-me à "Casa Grande" e disse-me: prepare a sua mala, tem ali um jipe à sua espera para o transportar: vai fazer o seu estágio na Ribeira Peixe. Você dá confiança aos pretos e já lhe tinham dito que tem que tratar os serviçais por tu.


Como não obedeceu às minhas ordens, vou mandá-lo para o Sul - E é para o não o pôr imediatamente fora da Roça - E então que é eu fui fazer com um pobre de trabalhador cabo-verdiano, que também tinha sido mandado para lá de castigo? ... Contar cacaueiros velhos numa zona abandonada, coberta por um enorme capinzal e infestada de cobras pretas. 


A vida na roça era boa  para o administrador,
o chefe dos escritórios  e o feitor-geral - E não tanto para o médico,
o enfermeiro do hospital: - a remuneração dificilmente pagaria
o trabalho e o contacto directo com as múltiplas enfermidades. 
-  Mas fortemente penalizadora,  repressiva e escrava para os demais!
Os trabalhadores negros que se recusassem a cumprir
as ordens do empregado de mato ou do capataz
eram severamente castigados  à chibatada e a palmatória
Os empregados brancos que tivessem tido algum desentendimento
com o feitor, o administrador, depressa eram desterrados
para as dependências da roça mais isoladas!

Rostos da minha aldeia As aldeias vão-se despovoando e envelhecendo, com o Portugal profundo a tocar mais no fundo da sua intemporalidade, a ficar mais deserto e solitário, povoações havendo, muitos casos, em que há mais casas vazias de que habitadas, e, noutras, já nem isso há, mas somente aglomerados de habitações de xisto ou de granito – Ainda não é o caso da freguesia de Chãs, do concelho de Vila Nova de Foz Côa, mas, pelos vistos, para lá se caminha: para o dia em que as aldeias são meras quintas ou já lugares meramente arqueológicos. –Bom era que se invertesse esse rumo, que nos preocupa mais de que apazigua.



"Adeus meu filho, que já não te volto a ver" - Despediu-se de mim, com o último beijo ao 18 anos quando partia para um estágio de técnico agrícola numa roça em S. Tomé -

E, de facto, não se enganou, tal como a premonição, que eu tive, no dia da sua morte, então militar em S. Tomé, antes mesmo de receber o telegrama a dar-me a triste notícia. Hoje lamento a tropa não me ter autorizado a ir dar-lhe o último abraço, quando o câncer minava a sua saúde e tanto desejava voltar a beijar-me e abraçar-me - Sim, vim a saber que todos os dias, se lembrava de mim... Só fui depois autorizado a usar na camisa uma fita de luto


Partira para S. Tomé, em meados de Novembro de 1963, a bordo do paquete Uíge para concluir um estágio da Escola Agrícola de Santo Tirso, na Roça Uba-Budo, mas onde não encontraria o mínimo de condições, devido à rudeza e prepotência colonialista, a raiar o esclavagismo, com que ali me confrontei

Treinos na canoa, S. Tomé-Príncipe
Era jovem e alimentava um mundo de sonhos mas o que fui ali conhecer, naqueles primeiros anos, na beleza paradisíaca de uma Ilha equatorial, foram desilusões e humilhações, umas atrás das outras – Só 12 anos mais tarde voltaria à minha aldeia mas já não ia encontrar a minha mãe viva, que falecera, ao fim de um penoso calvário de doença prolongada, quando eu prestava serviço militar nesta antiga colónia portuguesa.

Sabendo da gravidade da doença que então minha mãe padecia, fiz todos os esforços, junto a instituição militar para a poder visitar mas não fui autorizado: pois a mentalidade da tropa colonial não se compadecia com sentimentos pessoais - Deixara a minha aldeia aos 18 anos e nunca mais a voltaria a ver.

Dizia-me ela no momento da despedia, em que me dava o último beijo: adeus meu filho, que já não te volto a ver - E, de facto, não se enganou, tal como a premonição, que eu tive, no dia da sua morte, antes mesmo de receber o telegrama a dar-me a triste notícia.

VI O FUNERAL DA MINHA MÃE, COMO SE ESTIVESSE A ACOMPANHAR O CORTEJO FÚNEBRE ATRÁS DA SUA URNA ATÉ AO CEMITÉRIO

Foi num Domingo. E, como havia estado de serviço de véspera, após almoço resolvi deitar-me e descansar um pouco Adormeci e, uma hora e meia ou duas depois, acordei a chorar - E porquê? Acabava de assistir, com os olhos rasos de lágrimas, ao funeral de minha mãe a dirigir-se para o cemitério - Com tal evidência e clareza, com tal pormenor, que era como se eu próprio estivesse incorporado no cortejo fúnebre atrás da urna. Via os olhos chorosos do meu pai e dos meus irmãos, Ouvia os sons dos sinos e a sineta a finados e via os seus rostos, todos exprimindo a sua inconformável dor. De tal modo que eu próprio, também sentia a mesma emoção. Acordei a chorar. - Já um dia fiz este relato num jornal.

E assim lá ficou aquele abraço por repetir, o abraço choroso, de uma despedida vertida de lágrimas, quando me beijou e me abraçou à porta do postigo da nossa casa.

Olhe, mãe, se há coisas que não me esquecem, aquele momento é um deles: "Adeus meu filho que nunca mais te volto a ver!" - Foi exatamente assim - naquela sua voz repassada Já de dor e de saudade, e ainda estava a abalar: ainda mal dava os passos do adeus.

Vi-a, depois, limpar as lágrimas ao avental, mas, claro ,longe de acreditar no que te ouvia. Simplesmente lágrimas, sofrimento, dor de mãe, pensava eu. Como foi possível que adivinhasse?

Será que às mães é dado esse dom - esse terrível dom de poderem futurar dolorosas separações? De pressagiarem os maus destinos, entrar nos desígnios da morte e da vida, antever a  de vínculos que as possam desligar das coisas que mais queridas lhes são - os filhos?






sábado, 2 de maio de 2026

Lisboa.1º de Maio 2026. – Milhares de manifestantes contrariaram a tese da minoria montenegrista, em Melgaço, contra o pacote liberalista

Reportagem de Jorge Trabulo Marques - 2 Videos com fotos e filme


Lisboa.1º de Maio 2026. –Milhares contrariaram a tese da minoria montenegrista, em Melgaço, contra o pacote liberalista. A manifestação convocada pela CGTP-IN percorreu a Avenida Almirante Reis, entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, empunhando tarjas, bandeiras e cartazes e gritam a uma só voz palavras de ordem como: "Não vamos desistir, o pacote é para cair", "Só interessa ao capital, o pacote laboral", "O pacote laboral é retrocesso social" e "O povo está na rua, a luta continua". Uma tarde que foi ao mesmo tempo motivo de convívio, de fraternal e calorosa confraternização



O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta sexta-feira que só uma “parte minoritária” dos trabalhadores em Portugal aderiu à greve geral. o Governo “não abandona as suas convicções” em matéria laboral e garantiu que já houve cedências “em todas as traves mestras” da reforma do trabalho em discussão.










As origens do Dia Internacional dos Trabalhadores - Por Olimpio Sobral

As comemorações do 1.º de Maio têm origem num acontecimento trágico ocorrido em 1886 na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Apesar de hoje ser amplamente celebrado em Portugal e noutros países europeus, este dia não nasceu na Europa, mas sim da luta dos trabalhadores norte-americanos.

No final do século XIX, os operários enfrentavam condições muito duras: jornadas de trabalho de 10 a 12 horas diárias, seis ou até sete dias por semana. Em 1884, sindicatos norte-americanos começaram a exigir a redução do horário para 8 horas diárias, estabelecendo como prazo o dia 1 de maio de 1886
.
Quando chegou essa data, muitas empresas aceitaram a reivindicação, mas outras recusaram. Isso levou a greves e manifestações por todo o país, especialmente em Chicago. A 3 de maio de 1886, durante um protesto, a polícia abriu fogo sobre os manifestantes, matando vários trabalhadores.

No dia seguinte, durante um novo protesto na praça de Haymarket Square, uma bomba foi lançada, provocando várias mortes entre a polícia. A repressão que se seguiu foi severa: vários trabalhadores foram condenados sem provas claras, e alguns acabaram executados. Este episódio ficou conhecido como o “Massacre de Haymarket” e tornou-se um símbolo da luta operária.

Em 1889, durante o congresso da Segunda Internacional, realizado no contexto do centenário da Revolução Francesa, foi decidido instituir o 1.º de Maio como um dia internacional de luta dos trabalhadores, em homenagem aos acontecimentos de Chicago e à reivindicação da jornada de 8 horas.

Historicamente, pode até ter sido uma das primeiras vezes que uma ideia progressista vinda dos Estados Unidos inspirou os europeus. No entanto, apesar disso, os próprios americanos não celebram o trabalho e os trabalhadores no dia 1 de maio:

De forma surpreendente, os americanos não adotaram a reivindicação do 1.º de Maio. Os Estados Unidos são um dos poucos países do mundo que não celebram o trabalho ou os trabalhadores nessa data. Isto deve-se, em parte, ao facto de os sindicatos americanos não se identificarem com a orientação mais marxista que o movimento operário europeu acabou por assumir.
Em Portugal, o 1.º de Maio ganhou especial relevância após a Revolução dos Cravos, que pôs fim à ditadura do Estado Novo. Antes disso, as manifestações eram reprimidas e o movimento sindical tinha pouca liberdade.

Após 1974, o Dia do Trabalhador passou a ser celebrado livremente, com manifestações, desfiles e reivindicações por melhores condições de trabalho, salários dignos e direitos sociais. Tornou-se também um símbolo da democracia e da participação cívica.

Hoje, o 1.º de Maio é feriado nacional em Portugal e continua a ser um momento importante de reflexão sobre as condições laborais, num contexto em que persistem desafios como a precariedade, os baixos salários e as desigualdades sociais. (A Central sindical continua a exigir retirada do pacote laboral após nove meses de negociações).

sexta-feira, 1 de maio de 2026

1º DE MAIO 2026 Dia Especial do Trabalhador – Recordando José Saramago - A voz e os cravos na lapela do Prémio Nobel da Literatura -

JORGE TRABULO MARQUES  - Jornalista ( reportagem de hoje a editar) Trabalhadores em luta  pela afronta do pacote laboral"

1º DE MAIO   Dia Especial do Trabalhador – Recordando a José Saramago - A voz e os cravos  na lapela  do Prémio Nobel da Literatura - “Venham enfim as altas alegrias, As ardentes auroras,  as noites calmas” - Além do distinto laureado  escritor, foi também o poeta, o argumentista, com vários livros para o cinema e o militante pela liberdade  de Abril e de Maio – Singelo tributo  a ele e a todos os escritores, poetas,  militares  e politicos, que se bateram pelo derrube da ditadura

Tive o prazer de o entrevistar por duas vezes, de que guardo ainda um breve registo, este sobre um inquérito que eu estava a realizar para a Rádio Comercial-RDP, sobre as férias inesquecíveis, com várias personalidades e anónimos - Que recordo neste video.



José Saramago, há 32 anos: “Não há vida para além da morte!... Férias, felizes?! “Só da infância!”


Lisboa 1.º de Maio:. Alameda D. Afonso Henriques vai ser palco de milhares de trabalhadores pela CGTP e UGT em defesa dos seus direitos laborais e contra o esmagamento ultra-liberalista selvagem
A CGTP e a UGT esperam hoje a adesão de milhares de participantes. Em Lisboa, as comemorações incluem um desfile entre o Martim Moniz e a Alameda Dom Afonso Henriques, com início às 14h40, culminando num comício ..


Fala-se do escritor José Saramago e   menos do poeta – E, José Saramago, também escreveu muitos versos. Aproveitamos, por isso,  este dia para  recordamos alguns dos seus belos poemas – As imagens foram registadas no dia em  que foi recebido pela Câmara Municipal de Lisboa, com a presença de várias personalidades da literatura, das artes e da politica.

"Venham enfim as altas alegrias,
As ardentes auroras, as noites calmas,
Venha a paz desejada, as harmonias,
E o resgate do fruto, e a flor das almas.
Que venham, meu amor, porque estes dias
São de morte cansada,
De raiva e agonias
E nada.


Química

Sublimemos, amor. Assim as flores
No jardim não morreram se o perfume
No cristal da essência se defende.
Passemos nós as provas, os ardores:
Não caldeiam instintos sem o lume
Nem o secreto aroma que rescende.

Eu luminoso não sou. Nem sei que haja
Um poço mais remoto, e habitado
De cegas criaturas, de histórias e assombros.
Se, no fundo poço, que é o mundo
Secreto e intratável das águas interiores,
Uma roda de céu ondulando se alarga,
Digamos que é o mar: como o rápido canto
Ou apenas o eco, desenha no vazio irrespirável
O movimento de asas. O musgo é um silêncio,
E as cobras-d´água dobram rugas no céu,
Enquanto, devagar, as aves se recolhem.

 De seu nome completo, José de Sousa Saramago, nasceu em Azinhaga, Golegã, a 16 de novembro de 1922 Faleceu,  a 18 de junho de 2010,  aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote onde residia com a mulher Pilar Del Rio, vítima de leucemia crónica. O escritor estava doente havia algum tempo e o seu estado de saúde agravou-se na sua última semana de vida. O seu funeral teve honras de Estado, tendo o seu corpo sido cremado no Cemitério do Alto de São João, emLisboa,   As cinzas do escritor foram depositadas aos pés de uma oliveira, em  Lisboa  em 18 de junho de 2011.[1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Saramago


Galardoado com o Nobel de Literatura de 1998 - O primeiro e único escritor da língua portuguesa, a receber esse galardão. . Mas, antes dessa alta  distinção mundial, também lhe foi  atribuído, em  1995, o Prémio Camões,o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Tendo, por esse facto,  sido  considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. 


O seu livro Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro (filme) e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha. Também foi adaptado para o cinema o livro O Homem Duplicado, no filme de 2014 dirigido por Denis Villeneuve e estrelado por Jake Gyllenhaal. O Memorial do Convento foi adaptado num ópera de Azio Corghi, Blimunda, criada na Scala de Milão em 1990