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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Dia dos Fiéis Defuntos -02-11-1975 -12ª dia na solidão do mar! Recordo a memória dos náufragos de todos os tempos: os milhares de vidas sufocadas e tragadas pela violência das ondas salgadas ou sentiram o tormento imenso da sua afronta nas vastas planícies oceânicas "

             Navegar sozinho, sem porto de abrigo, na solidão do mar  e não desesperar  

Sentado na canoa junto à popa e quase ao nível do mar 
                                                                    Jorge Trabulo Marques

Dia dos Fiéis Defuntos -02-11-1975 -12ª dia  na solidão do mar! Recordo a memória dos náufragos de todos os tempos: os milhares de vidas sufocadas e tragadas pela violência das ondas salgadas ou sentiram o tormento imenso da sua afronta nas vastas planícies oceânicas  

A morte é sempre assim:: - Avara e traiçoeira, vil e misteriosa,
madrasta e cobiçosa! - Não avisa, nem diz o dia,
sequer o momento ou tão pouco a ímpia hora!
Mas, faz das suas, sempre que vem encapotada,
solitária, parda e sombria!
Faz como agora: leva a vida
e deixa atrás de si o luto áspero que angustia!
- A revolta impotente de quem sente a dor sofrida
de familiares ou amigos. Afinal, perdidos
de forma tão vilmente estranha!
Tão angustiosamente recebida!

Jorge  Tabulo Marques -  Lembrando os milhares de vidas que foram sufocadas e tragadas pela violência das ondas salgadas ou sentiram o tormento imenso da sua afronta nas vastas planícies oceânicas  

Aspecto da canoa no dia seguinte ao tornado

Neste dia, dia 2 de Novembro de 1975, andava eu perdido, algures no vasto  Golfo da Guiné, à deriva numa frágil canoa de S. Tomé, há 12 dias. Mas só alcançaria chão-firme, ao 38º dia - Ao fim da tarde do 11º dia, vertia eu para o meu  diário gravado (num pequeno gravador que logrei resguardar dentro de um caixote de plástico, um simples contentor do lixo) estas palavras:

Tal como já tive oportunidade de dizer, eu sou um náufrago!... Náufrago na medida em que não posso dar uma direção a minha canoa! . Perdi o remo e outros utensílios no tornado. O remo improvisado, não me ajuda quase nada... Estou ao sabor da corrente e dos ventos!.. (...) Eu admiro, por isso, esses pescadores de São Tome e Príncipe, que por vezes desaparecem e vão dar a costa, depois de muitos dias, sem praticamente terem agua, sem nada. Enfim, enfrentando muitos perigos, como eu, tenho enfrentados Eu admiro-os! E é realmente preciso ter muita moral, muita elevação de espirito!...

T
emos que acreditar em algo superior a nós. Numa força qualquer que nos proteja. Porque, efetivamente ,há momentos em que não nos sentimos nada! absolutamente miguem! Eu não me sinto ninguém! Eu não sou nada! Eu às vezes ate procuro quase falar com as coisas, com as peças da minha canoa!... Porque eu assemelho-me as mesmas peças, aos mesmos elementos! Portanto, eu vejo que há uma força da qual nós dependemos e que nos orienta ,que determina o nosso” destino... Mas que nos impele a lutar e não nos obriga a ficar de braços cruzados...



O vasto Golfo da Guiné é, sem dúvida, um dos mares mais inconstantes e perigosos do oceano e onde existe toda a espécie de fauna marinha: ou há calmarias podres ou violentos tornados. Tudo isso é desgastante. À medida que os dias passam, as resistências físicas, também vão enfraquecendo. Se ao menos me pudesse abrigar! - Mas tenho que apanhar no corpo o sol e a chuva e o arrefecimento da noite. Sinto um grande desconforto. Dormir exposto à maresia e de estômago vazio é terrível! É algo que não desejo a ninguém. No interior da canoa não há água potável nem existem quaisquer alimentos.Nada, absolutamente nada para comer. Quando chove bebo água das chuvas; quando não chove alguma água do mar. Não mata a sede mas alivia algum sofrimento. O sangue do peixe não é salgado mas nem sempre os consigo apanhar.


- Imagem ao lado: bebendo um pouco de água do mar para matar a sede, que tanto me afrontava, sob 0 inclemente sol equatorial. Enquanto não chovesse não dispunha de outro recurso. E houve uma semana em que não caiu do céu uma gota de água. Imagine-se numa praia todo o dia, sem beber água!... Em pleno Verão... E no Equador, quando o sol abre, é mesmo a pino! Todo o ano!... Ainda se ao menos me pudesse banhar!... Mas havia o risco de a canoa se afastar e os tubarões - presença quase permanente - me atacarem. Mesmo assim, de volta e meia, vinham dar as suas investidas e rabanadas!... E lá tinha que os sacudir à machinada!




AOS NÁUFRAGOS DE TODOS OS TEMPOS.

Eu, humilde navegante e aventureiro,
em viagens sob azuis de além mar,
e em águas erguidas em revolta,
ou em podres calmarias de inquietar,
aqui vos evoco, vos recordo,
como quem conhece a ânsia da partida
e, depois, em noite infinda, em noite morta,
apenas tem por companhia mar e céu
em negro mar de véu e tristeza infinita,
enfim, a cruel certeza de quem não volta!

Náufragos! Dos tempos idos e da actualidade
de odisseias ignoradas e esquecidas!
Heróis sem nome, sem pátria e sem fronteiras,
que do fluxo e refluxo das marés fizestes as vossas veias!...
Viajantes transitórios do mar passado e do mar actual!
Gente tisnada e crespada por mil sóis, ventos uivantes,
diluvianas chuvadas!
.
Gente a quem a imensidade incerta devolveu a inocência
mas cuja sorte a condenou ao suplício da mais atroz morte!
Gente limpa de olhos e de alma de tanto olhar o mar e o céu!
- Todavia, gente que a ira das tormentas e a audácia da aventura
fizeram com que a fundura do abismo fosse a própria sepultura!...

Irmãos! Aqui vos evoco e me vergo em turbado pranto
evocando o plangente canto de poetas marinheiros
trinando a dolente lira de tão triste ventura e negro fadário
Que, em infindável rosário de mares estranhos, medonhos, irados,
vosso corpo vivo arremessaram, sorveram, para sempre sepultaram!

Aqui vos recordo com lágrimas de dor e mágoa pura
por tão absurdo golpe e duro sofrer - por tanta desventura!...
Não, não venho dizer-vos outros versos! Versos a valer?!...
Estes, perderam-se-me no mar! - Ficaram-me por lá todos!
Além disso, senti-os demais para agora os poder dizer!
Senti-os no interior das trevas nas muitas coisas tristes que não vi
ou vagamente descobri, mas profundamente senti! - Senti-os
também nas muitas alegrias, que intensamente vivi
e claramente vi com olhos de ver!

Tão pouco, venho acalentar
vossas tão martirizadas almas - Não!
Porque, agora, o que as vossas almas mais querem,
é que a memória não se apague, é paz e descanso eterno!
- Bastou-vos o percurso lúcido através da voragem
daquele rouco e tumultuoso inferno!
Aliás, de versos, também, cada alma,
por si e à sua maneira, os viveu
a transbordar de mar e do céu!















Na verdade, venho elevar as mãos aos céus ...
E rezar as piedosas preces
que não pudestes terminar! - As
mesmas orações que, por tão sentidas
e sofridas, estampadas ficaram para a eternidade
no frio desvario do vosso último olhar
quando o abismo já vos sorvia e fundia!
Mas que, as longínquas estrelas do Universo,
atentas e vigilantes no seu contínuo cismar,
imersas no seu radioso brilho,
até hoje, puderam guardar.

Vou, pois, concentrar-me
no intransponível centro da imensa abóbada
que, embora desmoronando-se, em diluídas formas,
permaneceu impassível, surda e silenciosa
nos confins longínquos do amortalhado céu,
onde, ainda agora, sob os vultos do brumoso manto,
ecoam, penso eu, sumidos brados, ecos dispersos,
vagidos e gritos do vosso exaurido pranto

Vou pois escutar-vos e rezar!...
...por todas as vidas que a fúria e o desamor do mar
em fundas entranhas iradas, asfixiou e engoliu!!
E também agradecer ao Deus Criador,
com exaltado reconhecimento e fervor,
de alma e corpo escancarados, tal como,
então, perdido, no mar vogava, Louvando-O,
Bendizendo-O, em salmos esparsos
ou simples palavras soltas e  ditas,
apenas pelo surpreendente milagre - Oh Olhar Divino!
de me levares a terra firme e ainda hoje estar vivo!

Excerto de um extenso poema, dedicado aos náufragos, vertido já após ter regressado a  Portugal e ao lembrar-me daqueles dias de infinita certeza.

Adepto da magia Wiccaniana e Africana: meu clube não é o futebol mas a pedido de Eusébio estive no antigo Estádio da Luz a tirar enguiço: as bolas batiam na trave e não entravam. Gosto de fotografar, interpretar ou influenciar o seu lado artístico e místico.A José Mourinho ofereci, na inauguração do Estádio do Dragão, um talismã de pedra e outro a Jorge Jesus. - Mais conhecido por amuleto de pedra funciona como catalisador de energias positivas ao absorver, transmutar e elevar as vibrações fluídicas em seu redor

 Jorge Trabulo Marques - Aqui na dualidade de Luís de Raziel Pseudónimo de Vidente Vara de Deus 

Adepto da magia Wiccaniana e Africana: meu clube não é o futebol mas a pedido de Eusébio estive  no antigo Estádio da Luz a tirar enguiço: as bolas batiam na trave e não entravam. Gosto de  fotografar, interpretar ou influenciar o seu lado artístico e místico.A José Mourinho ofereci, na inauguração do Estádio do Dragão, um talismã de pedra e outro a Jorge Jesus. - Mais conhecido por amuleto de pedra funciona como catalisador de energias positivas ao absorver, transmutar e elevar as vibrações fluídicas em seu redor

O pentagrama é um dos símbolos mais persistentes e multifacetados da história da humanidade. Ele representa os cinco elementos da natureza: terra, ar, fogo, água e espírito. O pentagrama é utilizado em rituais Wiccanos para honrar os elementos e as direções, simbolizando a unidade e o equilíbrio de todas as forças. 



HALLOWEEN - MAIS FOLIA QUE MEMÓRIA -Porque será que por vezes me sinto nas vestes de Cristo, envergando as suas túnicas, sendo levado a imitar os seus gestos, os seus passos; outras a rever-me na pele de bruxo noturno?

Esta é uma estanha dualidade mística que me persegue desde a infância e adolescência: no tempo em que, umas vezes era tentado a isolar-me nos penhascos e a orar junto de imagens religiosas que eu próprio moldava de barro, noutras a acompanhar um ancestral culto das bruxas, para as quais a noite escura estrelada ou iluminada pelo luar era – a certas sextas-feiras – o seu vagueio predileto, o seu templo sagrado - ""Sê integro, sê inteiro! Sê Verdadeiro! Tal como és, tal como vieste à luz do mundo: desde aquele dia primeiro em que te descerraram as pálpebras e passaste a fazer parte do Grande Milagre da Vida - "; Assim tem sido esta a minha sina, o meu misterioso fadário https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2011/11/halloween-que-maravilhosa-noite-no.html


Nos templos-do-Sol, saudamos os ciclos da Natureza, com momentos de poesia, iluminados pelo esplendor solar e por  sons musicais, desde violinos, violas ou gaitas de fole, sempre que nos é possível, 


José Mourinho -  Estive no interior do relvado na inauguração oficial do Estádio do Dragão, em 16 de Novembro de 2003 - Fiz fotografias e ofereci-lhe uma pedrinha - muito especial - Foi antes de começar o jogo com o Barcelona - E, ao passar junto à cabine, instantes antes do desafio começar - Disse-lhe: pegue lá esta recordação e guarde-a bem guardada - Boa sorte!. “O quê?!…” Responde Mourinho, surpreendido mas sorrindo - Espero que a tenha guardado - É o amuleto da sorte. Apanhada junto a um dos templos sagrados, herança dos antigos povos que habitaram num dos sítios dos arredores da minha aldeia.  https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2026/02/jose-mourinho-mais-calma-e-menos.html




Quando fiz a ligação de canoa de São Tomé ao Príncipe, alguns dos curandeiros deslocaram-se a minha casa, muitos espantados com a minha aventura: na ilha dizia-se que só gente de feitiço é que podia lá ir de canoa,. pelo que trocámos as experiências, que cada um de nós possuía

COMO SUCEDEU O PEDIDO DO EUSÉBIO - Que entrevistei e me chegou a levar várias vezes do Estádio da Luz ao Hotel Sheraton onde estive hospedado a convite de uma bela dama francesa, recordação que descrevo como a do Romance no Sheraton.

Ocorreu num jantar no Hotel Tivoli, a convite de Fernando Martins: do então Presidente do Benfica, proprietário do Hotel - Estávamos os quatro à mesa: o Presidente, eu o Jornalista Jorge Trabulo Marques, o Eusébio e o treinador Oto Glória.

Ás tantas, o Eusébio diz que se sentia preocupado pelo facto da equipa acertar mais nas traves da baliza de que enfiar lá a bola - Como já lhe tinha falado das minhas sessões de hipnotismo e da magia africana, ele sugeriu-me que fizesse alguma coisa para afastar a enguiçada.

Aceitei ir para uma das bancadas do Estádio da Luz e levar uma tigela mágica e umas pedrinhas., atendendo também ao pedido de um amigo, que tinha uma discoteca no Bairro Alto., onde já havia feito uma exposição de fotografias.

De recordar, que, Otto Glória (1917–1986) foi um lendário treinador de futebol brasileiro que revolucionou o desporto, em especial o futebol português, onde introduziu o verdadeiro profissionalismo

Quis confiar-me o seu diário; hoje sinto pena não o ter aceite, visto ter falecido uns meses depois. Pois, naqueles dias, o que me interessava mais eram as entrevistas para a RDP-Rádio Comercial. E podia entrar em qualquer estádio, sem a menor contrariedade. Não precisava de solicitar credenciais. Bastava mostrar a carteira profissional de jornalista.

Nunca me filiei a clube algum. Gosto da fotografar e de perpetuar o instante real e da magia wiccaniana - Seja num estádio de futebol, seja na vastidão do mar - onde já andei perdido - seja em que circunstância for.

De formação católica, mas a minha principal devoção mística e espiritual volta-se mais para o culto da Mãe Natureza. Para os wiccanos, a Terra não é apenas um lugar onde vivemos, mas sim uma manifestação sagrada do próprio Divino. Que aprendi, em criança, no antigo solar do Vale Cheinho, nos arredores da minha aldeia, a que o povo chamava de feiticeiras

Wiccanianos celebram a mudança das estações e das fases lunares através de rituais capazes de nos conectar com os fluxos e refluxos trazidos para a Terra e consequentemente para nossas vidas em decorrência dessas mudanças naturais.

A natureza é o coração e alma da religião Wicca que ensina que todos os seres, animados e inanimados possuem vida e são merecedores de nosso respeito e consideração. Sendo assim, vemos a natureza como diferentes faces da Deusa capazes de nos suportar, proteger, alimentar e manter vivos. Por esta razão, os Wiccanianos expressam uma grande reverência a natureza e buscam no seu dia a dia formas de se integrarem à ela, procurando viver em harmonia com as leis naturais, levando em consideração formas de se viver ecologicamente, reciclando, reutilizando e reduzindo a exploração dos recursos naturais.

Que me perdoem os meus amigos católicos... Se os melindro com esse meu duplo carácter... Mas é um fado que me ficou de criança e de que me sinto incapaz de abandonar...Até já o fiz no mar... Preciso desse isolamento e desse recolhimento, tal como o pão para a boca ...

Ninguém dizia nada a ninguém... O culto era secretíssimo. Nem as moscas podiam saber.... Cada irmã levava o seu rapaz, o seu menino: eram as nossas madrinhas. A do batismo era para esquecer... Diziam-nos que era uma barbaridade deitar água gelada da pia baptismal na cabeça dos bebés... Eram contrárias a essas práticas cristãs....
Ao dançarem em roda, pronunciavam -estas palavras: Viva! Viva Barrabás! Três voltas prá frente! Três voltas pra trás, Viva Viva Sataná!

Não se casavam nem iam à missa... O seu noivo era o Senhor Deus Luz Belo: o Anjo da Luz! Deus Cornudo. E a melhor missa era ao ar livre, repetiam-nos... A nossa!...
Era tudo muito em segredo... Quando bebíamos o sangue de galo era precisamente também para nos lembrarmos de que a morte do galo significava calar o pio e que a vida de cada um era a vida de todos... Tinha que haver muitas cautelas!... Não se faziam confissões a quem quer que fosse.... E muito menos aos padres pela quadra da Páscoa.

Daí que as minhas peregrinações aos Templos-do-sol, cujas celebrações organizo, calendários pré-históricos alinhados com os equinócios e solstícios, seja uma espécie de alimento purificador do meu corpo e da minha alma... Faço essas peregrinações desde há vários anos. E então, agora, à medida que os anos passam... Mais tentadora é a atracão por aqueles tão belos rituais da minha adolescência.... Em recuar aos joviais tempos do pé descalço pelos carreiros e caminhos das fragas... nos penhascos e quebradas do maciço planáltico, onde termina o granito e começa o xisto, noutra área diferente dos arredores da minha aldeia. E onde faço um misto de investigação, devaneio e peregrinação espiritual, mas também artística: registos nas pedras (esculpo) e fotografo (fotografo-me) na sítios onde me sinto melhor e mais identificado com o meu passado e as minhas ancestrais raízes.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Golfo da Guiné -30-10-1975 Sozinho há 10 dias perdido à flor do mar!. Em noite escura, cerrada de trevas! Deitado num tronco escavado de ocá no Golfo da Guiné


Golfo da Guiné -30-10-1975 Sozinho há 10 dias perdido à flor do mar!. Em noite escura, cerrada de trevas! Deitado num tronco escavado de ocá no Golfo da Guiné - Oh Deus Misericordioso! Onde irei acostar à deriva, que destino me aguarda?!..Tal como Cristo antes de ser crucificado - Pensamento que muitas vezes me ocorreu e me acalentou, quando me estendia ao comprido no fundo do casco duro e encharcado


Algures 38 dias no Golfo da Guiné Nov de 1975


..

Sou dos que procurou na vasta planície dos mares, os caminhos solitários que nos conduzem da luminosa claridade do dia à noite mais imensa e profunda, e, sob o olhar vagabundo e mergulhado nas trevas, a Luz que ilumina e poderá revelar a Verdade Eterna!...
Hoje acredito que esta teria sido a razão porque tivesse sobrevivido

Sim, é dito que Jesus Cristo passou a noite anterior à crucificação preso numa masmorra localizada sob a casa do Sumo Sacerdote Caifás. ficando na escuridão total até ao amanhecer.


Perdido à flor do mar em plena Noite Escura!...

Vem um vento grande lá fora,
Um vento cavo, triste e profundo
Vem soprando!
Vem soprando!.... Soprando!.
Varrido dos confins do Mundo!

Aqui vou sozinho e mudo
Esperando o instante que passa
Alheio a nada, desconfiando de tudo
Puro, como a sombra que esvoaça.

Mas serei eu porventura assim
que por esta noite escura vou indo
Indo comigo e fora de mim
Preso a um desejo, sentindo?!...
..


É muito difícil a resposta
Impossível talvez responder
Sei que a tristeza me bateu à porta
Sei donde venho, é o que posso dizer
Não sei todavia onde estou
Não sei tão pouco a que venho
Não sei tão pouco onde vou..



Sim, a sós, comigo e com a minha intimidade,
aqui vogo, voz emudecida, flutuando à deriva e à solta,
acima e abaixo de alterosos montes e sulcos
De negras e altas montanhas líquidas,
que, cavalgando ao meu encontro,
ora se erguem, abruptamente,
ora parece que nelas me envolvo e afundo.

Porém, sempre de fronte pura e aberta
à negra imensidão do infinito!
Às sucessivas rabanadas
do agreste uivo do vento,
aos seus golpes duros!
Arrastado pela sua fugidia
e perturbadora fúria, que ecoa espaço a fora!
Vogando em mar deserto, de mil remoinhos,
de fervente espuma escura!

Imerso nas vestes da imensa solidão noturna,
perdido e esquecido
De todo mundo e, porventura,
até dos escuros e turvados Céus...
Mas esperançado, não arredado
da proteção ou piedade de Deus .

Nenhum sinal de vida.
Ninguém. Vivalma – Só as escuras vagas!
E atrás das vagas, outras e outras ainda!
Alterosos vultos que não cessam
de se erguer e levantar,
vindos não sei donde!

Sonâmbulo abandono o meu!...
Errante e estranha vida a minha!
Para onde serei levado neste miserável esquife,
em noite assim?!...
Para onde me arrastará a minha canoa
nesta louca e incerta deriva?!...
Fantasmagórico e vertiginoso carrossel,
que o vento leva à sua frente, bramindo e uivante,
soando na mesma sinfonia das invisíveis correntes.
Dos vultos sombrios das medonhas e alterosas vagas,
que tumultuam em torno de mim,
vindas de todos os cantos do enegrecido horizonte,
sem todavia saber para onde vão,
sem lhe distinguir direção alguma.



Oh, escura é a noite!
E também escuros são os caminhos à minha volta!
Múltiplos os caminhos que se abrem
para onde quer que me volte!
E, por certo, também escuros os caminhos
que me conduzirão a Deus…

Sim, vou indo, indo arrastado,
com um medo que ainda não sei vencer.
Mas cá vou indo, porque, enquanto vou vogando assim,
é sinal que vivo.
Indo, sim, com o soar do mar,
com o mar que soa, com o mar que brame,
Com o mar que voa! À flor do mar!
– Qual cavaleiro errante, sentado
No fundo de tosco e frágil madeiro,
sonhando acordado, errando
à superfície deste escuríssimo
e ondulante manto, vasto mar!

Porém, em torno de mim, brame e crepita a densa escura treva!
Avança em turbilhões de fumo e vertigem o tumulto da vaga!
Só as escuríssimas ondas, e, atrás delas, outras ondas mais ainda!
Ao mesmo tempo que nos ares se enrola
e desvanece a baça névoa!
Erguem-se e perpassam à minha volta,
fugazes rolos de inúmeros trapos!
Que se fundem e refundem,
num duelo incessante, desvairado torvelinho!
Enquanto meus olhos, mergulhados de afronta,
pasmo, medo e mistério,
me provocam mil interrogações!
Se alucinam de díspares e mil perguntas!

Varrem e escrutinam, todos os confins
do convulsivo e misterioso oceano!
Perdidos na superfície da ondulante massa escura, imensa sepultura aberta!

Sim, a sós, comigo e com a minha intimidade,
aqui vogo, voz emudecida
flutuando à deriva e à solta,
acima e abaixo de alterosos montes e sulcos
De negras e altas montanhas líquidas,
que, cavalgando ao meu encontro,
Ora se erguem, abruptamente,
ora parece que nelas me envolvo e afundo.
Porém, sempre de fronte pura e aberta
à negra imensidão do infinito!
Às sucessivas rabanadas do agreste uivo do vento,
aos seus golpes duros!
Arrastado pela sua fugidia e perturbadora fúria,
que ecoa espaço a fora!
Vogando em mar deserto, de mil remoinhos,
de fervente espuma escura!
Imerso nas vestes da imensa solidão noturna, perdido e esquecido
De todo mundo e, porventura, até dos escuros e turvados Céus.
E certamente que também da misericórdia ou piedade de Deus .

Jorge Trabulo Marques – Por mares do Golfo da Guiné

Foram 38 longos dias, uma parte dos quais sem mantimentos, bebendo água do mar e das chuvas, valendo-me unicamente dos recursos do mar, enfrentando tempestades, sucessivas e frequentes ataques de tubarões. Ainda cheguei apanhar alguns de pequeno porte enquanto tive anzóis. Mas, até isso, me haveria de faltar. Acabei por ser arrastado pelas correntes até à Ilha de Bioko (antiga Ilha de Fernando Pó), já no limiar da minha resistência física, onde fui tomado por espião, algemado e preso, numa cela de alta segurança, a mando do então Presidente Macias Nguema, após o que fui repatriado para Portugal, tal como já me havia acontecido na Nigéria


Depois de ter procurado o genuíno Deus na solidão dos mares ( e julgo tê-lo encontrado - ou pelo menos a consciência de me ter ajudado a descobrir o sentido da vida!) enfrentando tempestades, superando podres calmarias, a fome, a sede, enfim, arrostando as maiores vicissitudes e perigos vários (longe, muito longe, do meu país e da terra que me viram nascer), eis porque, após o meu regresso das lindas Ilhas de São Tomé e Príncipe - deixando para sul o imenso Golfo - me voltasse, não para os vastos e desconhecidos horizontes marinhos, mas de novo para os lugares abençoados do meu berço! Planáltico granítico, onde se circunscrevem, puros e largos espaços, que, desde criança, se me tornaram bem familiares - Cedo aprendi a amá-los e a conhecê-los! Palmilhando-os, porém, quantas vezes descalço, por caminhos e atalhos de fragas e de abrolhos!.




Navegar em canoas escavadas em troncos de ocá e recordar aventuras. S. Tomé ao Príncipe 3 dias, S. Tomé Nigéria 13 -Ano Bom -Bioco 38  dias O apelo do mar de um  antigo  navegador solitário português em pirogas primitivas através do   grandíssimo golfão  que Camões cantava nascido longe do litoral oceânico mas que havia de recordar as façanhas dos grandes navegadores das caravelas  e dos intrépidos marinheiros das canoas da  costa africana e demonstrar que estes bravos homens podiam ter alcançado as ilhas maravilhosas, que se estendem desde as proximidades do Monte Camarões, no continente,  pelo sudoeste oceânico ao longo da mesma linha vulcânica, há muitos mais séculos que as caravelas

Sim, também as canoas africanas, à semelhança das grandes migrações no Pacífico, se fizeram ao mar alto: Fizeram extensas travessias no Golfo da Guiné, tal como os primitivos navegadores da Polinésia, considerados os "navegadores supremos da história":  que, velejando  em linha, cada uma à distancia da visão da canoa  que lhe seguia atrás, até qualquer delas divisar uma ilha habitável, atravessaram vastas extensões daquele imenso oceano, colonizaram as mais remotas ilhas, algumas a milhares de milhas, umas das outras, não dispondo sequer de uma bússola ou de qualquer outro instrumento náutico

Quase assim procedi: munido de uma simples bússola, sem bóias, meios de comunicação com exterior, encaixado num frágil esquife, quase desprovido de tudo. Recuando, tanto quanto possível, às condições precárias em que foram sulcados os mares pelos antigos povos que ligaram a costa africana às ilhas do Golfo da Guiné



Do alto das velhas muralhas do Fortim de São Jerónimo, onde tantas vezes olhava a espuma que ali ia rebentar nas rochas negras e contemplava o mar ao largo, sim, muitas vezes ali me envolvi em prolongadas cogitações. 

Só via o mar... O vasto mar a perder-se pelo vasto horizonte infinto!... Só pensava, obsessivamente, nas distâncias e nas entranhas do mar.!.. Olhava-o com pasmo e respeito, mas queria sentir-me também parte dele! Ser mais um elemento do mítico e misterioso oceano! Ir por ali a fora numa das frágeis pirogas.! Desvendar segredos esquecidos no tempo!..  De temeridades e navegações de  outrora

Manifestação da PSP e GNR em Lisboa Unidos por Governo não cumprir o acordo assinado em 2024. Unidos em caminhada ordeira e digna até às proximidades da residência do PM.

                                        Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista

Manifestação da PSP e GNR em Lisboa Unidos por Governo não cumprir o acordo assinado em 2024. Unidos em caminhada ordeira e digna até às proximidades da residência do PM. Centenas de agentes da PSP e guardas da GNR manifestaram-se em Lisboa exigindo melhores salários, revisão das carreiras e melhores condições de trabalho

Com bandeiras da ASPP e da APG e ao som de apitos, alguns vestindo camisolas pretas com mensagem a exigir “respeito” e para que se “cumpra” o acordo assinado com o Governo em 2024.

Numa organização da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) e da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), os elementos da PSP e da GNR, depois de se terem concentrado no Largo Camões, encaminharem-se para as proximidades da residência do primeiro-ministro, onde foram entregar um documento com as principais reivindicações.

Mais de um milhar de da PSP e guardas da GNR manifestaram-se esta quinta-feira em Lisboa para exigirem respeito e prometem voltar aos protestos caso o Governo não apresente propostas concretas de valorização salarial.

"Hoje não viemos aqui pedir favores. Viemos exigir respeito", disse o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) no final da manifestação junto à residência oficial do primeiro-ministro.

Os mais de mil elementos da PSP e GNR que segundo a organização participaram no protesto desfilaram entre o Largo de Camões e São Bento ao som de apitos e de vez em quando gritavam "Polícia unida jamais será vencida".

Com bandeiras da ASPP e da APG, os manifestantes empunhavam também vários cartazes, onde podia ler-se: “Exigimos revisão do sistema remuneratório já” e “Por um Portugal Seguro para todos”.
Com esta manifestação nacional, os polícias e guardas pretenderam “com toda a clareza” exigir ao Governo que cumpra os compromissos assumidos no acordo de 2024 e aumentos salariais em janeiro de 2027.