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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Pintor Carlos Botelho - 1899-1982" Recordando a entrevista ao emblemático pintor de Lisboa no ano da sua morte . Continuarei aprender até à última tela da minha vida - Ilustrador, pintor expressionista e caricaturista, um dos pioneiros da Banda Desenhada em Portugal

 Por Jorge Trabulo Marques -  Entrevista a Carlos Botelho um dos mais notáveis artistas da pintura portuguesa do século XX   


Entrevista no ano da sua morte  - Autor de banda desenhada (BD), decorador, desenhador, ilustrador e pintor português, Carlos António Teixeira Bastos Nunes Botelho, mais conhecido por Carlos Botelho,  nasceu a 18 de Setembro de 1899, em Lisboa, e faleceu a 18 de agosto de 1982, na mesma cidade. 


Carlos Botelho – “Insiste-se sempre! Porque aprende-se sempre: até à última tela que eu farei na minha vida, eu estou aprender! – Declarou-me no final da breve entrevista que me concedeu, em sua casa,  a cinco meses antes da sua morte, a 18 de Agosto de 1982, ou seja, um mês antes de completar 83 anos. Ouvinte da rádio, quando trabalhava pela manhã, confessou-me que gostava de ouvir o programa para o qual eu fazia as habituais reportagens.




Recebeu-me por três vezes em sua casa. Sempre com uma  visível amabilidade, simplicidade e bom humor. Esta última vez foi para lhe pedir umas palavrinhas sobre ao 3º aniversário do  programa de rádio onde era repórter.  A penúltima havida sido para o semanário Tal & Qual, acerca da “Primeira vez”, inserida no conjunto de entrevistas a várias personalidades, sobre  a primeira relação sexual, entre outras perguntas, para se aferir como iam as desinibições a nível da nossa elite artística e intelectual com a democracia. 

Depois de nos voltar a manifestar o seu agrado pelo programa. Diz-nos o seguinte:

C.B. - O curioso nestas entrevistas que eu tenho dado é que o nosso amigo repórter do “Hora Ora”, me aparece sempre de surpresa. E, com tanta sorte que me apanha sempre ; porque, em geral da parte da manhã, é quando trabalho, quando pinto, sou uma espécie de fã da Fundação Gulbenkian, a que eu chamo aquilo o meu clube, porque há sempre um filme, uma conferência, um concerto, uma exposição; há sempre qualquer coisa com interesse

J.T.M – O programa “Hora Ora” comemora agora três anos: o que é que diz ao facto?
C.B. – Três anos?!... Isso para mim não é nada…É que eu já estou com 82 vírgula seis!... De maneira que isso até me faz rir… Isso não vale nada, é poucachinho.

J.T.M - Bom, mas de qualquer modo, já são três anos! São muitos esforços!...
C.B. Bem, mas isso que acredito eu. Vocês terem de dar de comer, todos os dias a uma baleia, a um camaleão, como é a rádio, eu tenho realmente muita consideração: deve ser muito difícil manter, durante tantas horas, um programa que possa satisfazer todas as classes, desde as mais eruditas às mais populares.

(…) Pinto ao relentim… Agora já não pinto como quando trinta anos, mas não deixo de trabalhar todos os dias, porque a parte oficinal é muito importante… e a trabalhar é que a gente aprende… Eu lembro-me muito, até, de uma frase do Ramalho Ortigão: dizia ele que estava sempre a escrever e, quando aparecia a inspiração, agarrava-a!.... E nós é a mesma coisa: a gente vai sempre pintando!... E se vem a inspiração, ajuda!

J.T.M – Quer então dizer que há dias em que a inspiração não ajuda, lá muito!... Mas insiste-se!
C.B. – Insiste-se sempre! Porque aprende-se sempre: até à última tela que eu farei na minha vida, eu estou aprender!


 CARLOS BOTELHO - "FOI NO BAIRRO ALTO COM A MENINA "AMÉLIA DOS 20" 

Felizmente, os alemães perderam a guerra. Quando não, Carlos Botelho, consagrado pintor português, com obras altamente cotadas no mercado, seria hoje, como ele garante, «simples abat-jour de modesto candeeiro». Mas, os alemães perderam e o homem de Berlim em Lisboa não pôde punir a ousadia de um artista que todas as semanas crucificava Hitler no «Sempre Fixe» e fazia do Führer trinta por uma linha, sempre que pegava no lápis. 

Se os alemães tivessem ganho a guerra, Carlos Botelho não teria ido a S. Francisco, em 1951, envergonhar o fabuloso Salvador Dali, a quem deixou num modesto segundo lugar, numa exposição internacional. 
Bem: se eles tivessem saído vencedores, Carlos Botelho não estaria possivelmente aqui, hoje, a falar da sua ... vida amorosa, designadamente a sua «primeira vez”

"Como foi isso, Carlos Botelho?  - Leia em  Foi no Bairro Alto com a menina Amélia” - Confidências


Biografia
"A sua atividade desenvolveu-se ao longo de um período dilatado do século XX e repartiu-se por uma multiplicidade de atividades. Nos anos de 1920 Botelho foi um dos pioneiros da  banda desenhada nacional, trabalhou em artes gráficas  e no desenho de humor; na década seguinte pertenceu à equipa de decoradores do SPN, o que lhe deu oportunidade para viajar e tomar contacto com a dinâmica artistica do seu tempo. A partir dessa altura desenvolveu uma obra plástica autónoma que o destaca como uma das figuras maiores da 2ª geração de pintores modernistas portugueses 2 .
A paisagem urbana ocupa um lugar central na sua obra. Na etapa inicial, marcada por um pendor declaradamente expressionista, pinta cidades, retratos, narrativas. Tema recorrente desde a primeira hora, a sua cidade natal irá afirmar-se como tema central, acompanhando a evolução do seu modo de pensar e fazer. Será Lisboa a protagonista do apaziguamento expressivo e acentuação poética da década de 1940; será Lisboa a servir de mote às experiências abstratizantes dos anos de 1950; e será Lisboa a ocupá-lo, quase em exclusivo, nas décadas finais". Carlos Botelho – Wikipédia,

"Autor de banda desenhada (BD), decorador, desenhador, ilustrador e pintor português, Carlos António Teixeira Bastos Nunes Botelho nasceu a 18 de setembro de 1899, em Lisboa, e faleceu a 18 de agosto de 1982, na mesma cidade.
Aos 30 anos ingressou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo saído um ano depois, frustrado com um ensino marcadamente clássico, rumando para França, num ambiente muito mais propício ao contacto com a vanguarda artística da época. Em Paris estudou nas Academias de Chaumière e de Colarossi. De regresso a Portugal, expôs no Salão dos Independentes (1930).
Esteve ligado ao ABCzinho, onde publicou banda desenhada (1924-1929) e foi presença assídua no suplemento "Sempre Fixe" do Diário de Lisboa, onde semanalmente apresentou uma página de BD, os "Ecos da Semana". Viu publicadas 1177 páginas de BD dos "Ecos", em que abordava assuntos, nacionais ou estrangeiros que tinham sido referência na semana anterior. Como se calcula, várias foram as páginas censuradas, que discretamente assinalou desenhando um mocho, tendo os "Ecos da Semana" sido publicados durante 22 anos e meio, entre 17 de maio de 1928 e 14 de dezembro de 1950. – excerto de
Carlos Botelho -

terça-feira, 14 de julho de 2026

Vidência, ocultismo, magia, encantamentos, telepatia e transparência- O esoterismo mais de que um conceito ou pensamento filosófico é uma maneira de agir e dar sentido à vida.


Vidência, ocultismo, magia, encantamentos, telepatia e transparência. Peregrino da luz me confesso, aqui onde o silêncio se perde no alto das graníticas fragas, Minha pose ou postura exibida, não é mera ficção ou fingimento, mas simplesmente, uma maneira de poder conviver e partilhar com a harmonia, energia e  tranquilidade da Mãe-Natureza e de modo diferente. .O esoterismo - mais de que um conceito filosófico ou doutrinário -  é uma maneira de agir e dar sentido à vida



Sou daqueles que, cedo desiludidos dos templos e dos sacrários construídos por mãos profanas,  decidiriam voltar-se para a Mãe-Natureza, ao coração da Terra, à luz que emana da abóbada celeste no coração do dia ou no coração das trevas, contemplar a Lua, as estrelas, os mares que são o azul reflectido dos céus e a origem de todas as espécies , admirar os astros longínquos que irradiam claridade e nos iluminam, são a razão e o sentido da vida, e, por conseguinte, sou dos que aprenderam, desde criança, a ver na beleza dessas imagens a verdadeira presença divina, tornando-se nos seus legítimos apóstolos ou na genuína representação desses deuses, em si próprios.


Recebi educação católica, foram esses os meus primeiros passos. E até andei dois meses no seminário, em Mogofores, até que fui expulso, devido a uma bebedeira de medronhos e quando, em confissão, revelei os rituais que praticara em criança. 
Admiro Cristo como Homem mas não o imagino um Deus Absoluto. Ou um Seu Enviado à Terra. Filhos de Universo e de um Deus Maior somos todos nós. São os oceanos, os continentes, todos os seus vivos e corpos aparentemente inertes. É, no fim de contas, aquilo a que, no meu modesto ponto de vista, resumo como sendo a Inteligência Universal.


A oportunidade de poder exibir ou desenvolver a inata e adquirida mediunidade, radiestesia, a telepatia,
faculdades com que me deparei desde meus dias de criança., quando por aqui
saltitava de fraga em fraga atrás do rebanho das ovelhas, sempre que minha mãe
me mandava a levar a marmita do almoço ao pastor José Rebaldo
Mas, nesses dias, por alguns destes pastos alcantinados, não era o José Júlio, mas seu pai

.
Num tempo em que nos ensinavam na catequese
as histórias dos três pastorinhos, em Fátima, que se dizia testemunharem o
aparecimento de uma imagem angélica e sobrenatural e de rosto virtuoso e
feminino Razão pela qual, acreditando que pudesse poder vir a desfrutar desse
espantoso milagre, frequentemente me ajoelhava por detrás de certas pedras, que
se me aparentavam com figuras místicas ou então, me debruçava, de mãos postas e
unidas, orando e cantando as orações, que lá me eram ensinadas, sim, postado à
frente de imagens de barro, que eu próprio fazia junto ao ribeiro da Quinta do
Muro, nos Areais, sobranceira ao maravilhoso Vale da Ribeira Centeeira, onde
meus pais eram caseiros


Faculdades essas, então desenvolvidas, que,
ao longo da minha vida, me têm permitido, por várias vezes, não só me acautelar
dos perigos, tanto em aventuras a Terra como no mar, sim, como recordar bem o
passado mais antigo e ancestral.
Razão pela  qual, ao poder incorporar e encarnar o papel
de vidente, por vezes, poder até adivinhar o futuro e os momentos do presente:
- pronunciando simplesmente esta expressão purificadora e terapêutica : “Vida
do Universo! Força Criadora! Me liberte dos maus encontros e maus fluidos! E me
conduza por bons caminhos, livre de perigos, com plena tranquilidade e
harmonia.






Pois, tal como é reconhecido, .os homens
primitivos cultivavam faculdades que lhe permitam desenvolver inteligentemente
instintos perdidos ou já esquecidos; a clarividência ou vidência extralúcida
que lhe permitiam interpretar pelo subconsciente os acontecimentos benéficos ou
nefastos à liberdade da sua existência.

Sim, porque, o verdadeiro milagre da vida
humana, não é tanto o de poder navegar pelos mares, onde, aliás, já me perdi
mas sobrevivi ao longo de 38 dias e noites a fio ou de aprender a voar pelos
ares dos grandes espaços . É saber caminhar e dar passos seguros em pontos da
terra que nos possam conduzir ou encaminhar à senda da mais positiva,
purificadora e pacifica espiritualidade .




Peregrino da luz me confesso, herdeiro de
intuição mística e poética! De todo rendido, desde criança, também aos
ensinamentos aprendidos em noturnos rituais de uma irmandade Wicca, no Solar do
Vale-Cheinho, arredores da minha aldeia, especialmente, com a interpretação dos
sonhos, a sabedoria de enfrentar os riscos e os maravilhosos prodígios da
intuição e da levitação .- Ou de afastar e expurgar pragas, maus olhados e
Sei por experiência que a sua voz interna
nunca nos engana. Pois só a sua linguagem subtil ou clamorosa nos encaminhará
para o amago da nossa mais recuada ancestralidade e existência

                                        Jorge Trabulo Marques - Peregrino da Luz




25ª DIA
25ª DIA "Sinto-me muito cansado, cheio de sede.  
Estou sem água das chuvas..  
Mas vai-se aguentando com paciência...  Vai-se aguentando!..."

(...)Sim,  leve e doce é  o silêncio neste dia de calma!...
Todavia,  grande é a dor e o tormento,
nestas longas horas solitárias!...
Nestes longos momentos de  ausência
e de infinito cansaço da minha alma!..



Se ao  menos, em todos os pontos do imenso círculo,
 que se estende a perder vista à minha volta
se escancarassem  todas as janelas do mundo?!...
Se abrissem todas as portas dos recantos da Terra?!...
- Para que eu, de tão longe, pudesse  ver- vos....
 – ó remota e tranquila  aldeia donde  nasci!... –
alcandorada e de asas abertas, como ave branquinha,
pousada  nas graníticas  quebradas
do longínquo planalto!...

– Oh, como eu gostaria  de te  ver e que tu me visses
 também a mim, com os teus próprios olhos,  sempre abertos
 à Terra inteira  e perpétuamente voltados
 ao  imenso Universo!!..

- Sim, estou arredado de tudo!... Ninguém  sabe onde estou!...
Ainda se ao menos pudesses imaginar  o caminho por onde eu ando
- ó amável saudade! -  ou pudesses adivinhar  o errático destino
que eu trilho e para aonde eu vou?!... – Oh, acredita!..
 Já me sentiria  muito  feliz!...Mesmo que algum tornado
me fizesse  desaparecer no meio do seu torvelinho!!.. 
– oh, testemunho querido do meu berço!
-  Tenho a certeza  que, nesse crucial  momento,
eu  não estaria tão sozinho!. Creio que os vossos olhos
estariam tão turvos de sal e  rasos do mar como os meus!...


(...)Descansa coração, angustiado!... Descansa!..
Sê paciente, acalma-te!... Não desesperes!...
Afinal não é isto o que tu procuras?
Não é isto o que tu queres?!...
Não foi esta a missão a que te impuseste?!...
- Transcende-te e ultrapassa os limites do impossível!
Não é este o teu sonho?!.. Oh, sim... aproxima
as tuas batidas  com as do coração dos anjos
e, tal como eles, torna-te invisível!...
-Eu sei... Eu sei!...coração amigo!...
No fundo é o que tu desejas... e  tens conseguido!...
Sim, não vês que o vínculo que há em ti
entre o passado e o presente
é o mesmo que a distância
que vai agora de ti ao futuro?
...inexistente!...