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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Ministro Fernando Alexandre, sacode culpas do capote?! Escândalo de 70 ajustes diretos, em 2015, forçaram sua demissão de Secretario de Estado


 Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, esteve na Assembleia da República  para prestar esclarecimentos sobre os problemas e falhas no processo de digitalização e classificação eletrônica  dos exames nacionais, assumindo o impacto no sistema educativo - Mas, pelos vistos,  deixou mais dúvidas de que certezas - Assim o atesta o seu currículo

Ministro Fernando Alexandre, sacode culpas do capote?! Escândalo de 70 ajustes diretos, em 2015, forçaram sua demissão de Secretario de Estado Adjunto do Ministério da Administração Interna do Governo Constitucional, de Pedro Passos Coelho. Era líder Parlamentar Luís Montenegro, que o veio a reconduzir em 2024 como Ministro da Educação, Ciência e Inovação

Está na hora do ministro ir embora": centenas de estudantes pedem demissão de Fernando Alexandre

Mais de 200 alunos e professores estudantes fizeram-se ouvir no Ministério da Educação e mostraram-se descontentes com as medidas tomadas pelo governante. https://sicnoticias.pt/pais/educacao/2026-07-24-video-esta-na-hora-do-ministro-ir-embora-centenas-de-estudantes-pedem-demissao-de-fernando-alexandre-088d5db1

2015 - Corrupção no MAI força saída de governante Demissão de Fernando Alexandre seguiu-se a interrogatório do Ministério Público – para explicar como consentiu 70 obras públicas por ajuste direto. Sem concursos.

 A versão oficial passou por motivos pessoais; especulou-se sobre "divergências profundas" com a ministra Anabela Rodrigues. Mas o que levou à demissão do secretário de Estado adjunto da Administração Interna, Fernando Alexandre, foi o escândalo de corrupção no ministério – em que nas barbas daquele governante foram celebradas dezenas de adjudicações para obras públicas, num valor de 5,9 milhões de euros, sem concursos públicos. Tudo feito por ajuste direto.  https://www.cmjornal.pt/exclusivos/detalhe/corrupcao_no_mai_trama_secretario_de_estado


O secretário de Estado demissionário assumiu funções em abril de 2013, em substituição de Juvenal Silva Peneda, então envolvido na polémica dos contratos swap. Tem 43 anos, é economista de formação e professor universitário.  https://expresso.pt/politica/divergencias-com-a-ministra-fazem-baixa-na-administracao-interna=f921092

E ASSIM VAI A LIDERANÇA ULTRA-LIBERALISTA DE MÃOS-DADAS A JOGADAS PRIVADAS

Fernando Alexandre, na disputa entre a reitoria da Universidade Nova de Lisboa e a Nova SBE está a gerar perplexidade. O governante foi dirigente do Instituto Mais Liberdade — think tank fundado por Carlos Guimarães Pinto, Adolfo Mesquita Nunes e Carlos Moreira da Silva — entre 2022 e Março de 2024, estrutura que integra vários professores da faculdade defensores da sua autonomização ou privatização, levantando dúvidas sobre eventuais conflitos de interesse.

Ministro abre inquéritos para fugir às responsabilidades, dizem professores 11 de agosto 2026 –

Fenprof e Movimento Escola Pública criticam Fernando Alexandre que terá tentado com a manobra “desviar a atenção do caos”. Afirma-se ainda que é um “insulto” culpar os professores depois de tudo o que fizeram. Professores indignados com inquérito a escolas por envio tardio de provas e reapreciações

A decisão do ministro da Educação de abrir um inquérito às escolas por irregularidades nos pedidos de reapreciações é recebida com grande indignação e contestação entre os professores, que acusam Fernando Alexandre de tentar responsabilizar as escolas por um problema que resulta de falhas da própria tutela.

"Mais uma vez, o ministro deixa claro que a sua imagem de marca é fugir às responsabilidades", critica José Feliciano, secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof). Para o dirigente, os atrasos registados este ano nos exames constituem "provavelmente um dos maiores problemas que o sistema educativo viveu nas últimas décadas


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Museu do Côa- PR António José Seguro :"Há 30 anos, preservámos o Côa. Agora temos de preservar e criar futuro para as pessoas que fazem do interior de Portugal a sua casa. Não pode haver um país do litoral e um país do interior. Há só um Portugal”, frisou

 

Jorge Trabulo Marques


Prestei o meu apoio desde a descoberta das gravuras, em cujos achados também colaborei, tendo publicado dezenas de artigos no ECÔA e feito largas centenas de fotografias.

Em 10 de agosto de 1996, o então primeiro governo de António Guterres inaugurava formalmente, e com toda a pompa e circunstância, o primeiro parque arqueológico português, assegurando uma virtual proteção legal ao que já então constituía o complexo de arte rupestre do Vale do Côa.

A arte do Côa foi classificada como Monumento Nacional em 1997 e, em 1998, como Património da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).


Museu do Côa- PR António José Seguro :"Há 30 anos, preservámos o Côa. Agora temos de preservar e criar futuro para as pessoas que fazem do interior de Portugal a sua casa. Não pode haver um país do litoral e um país do interior. Há só um Portugal”, frisou


O Presidente da República assinalou, na tarde de segunda-feira, 10, tendo descerrado uma placa alusiva à efeméride, abrilhantada com a participação de uma peça de teatro “As Bacantes” de Eurípedes com a companhia Filandorra – Teatro do Nordeste

Seguro repetiu o apelo já deixado durante a manhã, durante uma viagem de comboio na Linha do Douro: “deem uma oportunidade ao interior”.

À chegado ao Museu do Côa, Seguro falou com o foscoense Dr. José Lebreiro que trazia um cartaz preso às costas onde se lia: “Promessas… comboio tás a vê-lo?”, referindo já conhecer a causa da reativação da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca d´Alva.
Antes tinha passado pela Pousada da Juventude de Vila Nova de Foz Côa, cuja obra lançou enquanto secretário de Estado da Juventude, durante o Governo de António Guterres.

“Começo por dizer-vos que as causas em que acreditamos valem a pena. Há trinta anos, eram poucos os que, olhando para este vale, imaginavam que hoje estaríamos aqui. É evidente que foi preciso mais do que acreditar. Porém, se não acreditássemos que isto era possível, então nada mais seria possível”, afirmou António José Seguro, num discurso no Museu do Côa, onde hoje se celebrou o 30.º aniversário do Parque Arqueológico do Vale do Côa.












Seguro acrescentou que “olhar para este vale não é um pormenor, é um exercício de contemplação da humanidade, como o é toda a cultura e todo o nosso trabalho com o património, seja imaterial ou edificado”.

Hoje, segundo o Presidente da República, o museu do Côa e o auditório António Guterres são uma realidade, o parque já recebeu mais de 400 mil visitantes desde a sua abertura e Vila Nova de Foz Côa “entrou no mapa das referências culturais”.

Por isso, frisou que falar deste parque é “referir um trabalho em construção permanente”, porque acredita “no papel da cultura como cimento das comunidades e dos territórios”.

“Ou seja, para falarmos claro, não basta falarmos dos 30 anos de vida do parque arqueológico, nem dos 20 mil anos que contemplamos e nos contemplam, se não tivermos uma visão integrada do território e da coesão territorial”, salientou.

A criação deste parque, desta fundação e deste Museu é a prova, para António José Seguro, “de que é possível, fora dos circuitos dominantes, manter instituições importantes e memoráveis”.

João Paulo Sousa, presidente da Fundação Côa Parque, no discurso de 30 anos do Parque Arqueológico do Vale do Côa, destacou a importância de uma visão integrado território e da coesão territorial, afirmando que não basta apenas falar dos 30 anos de vida do parque arqueológico, mas também dos 20 mil anos que contemplamos e nos contempla

«Hoje, o território continua a revelar a sua verdadeira dimensão, com mais de 1.600 rochas, espalhadas por 104 sítios arqueológicos. Só em 2026, 69 rochas foram descobertas em seis sítios diferentes», indicou.

Também na celebração dos 30 anos do PAVC, o presidente da Câmara de Vila Nova de Foz Côa, Pedro Duarte, sublinhou que o reconhecimento do Vale do Côa pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade foi "a afirmação de um território extraordinário».

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Presidente António José Seguro. De Regresso às gravuras que defendeu - Hoje nas comemorações dos 30 anos do Parque Arqueológico do Côa

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista

Presidente António José Seguro. De Regresso às gravuras que defendeu Hoje nas comemorações dos 30 anos do Parque Arqueológico do Côa - O Presidente da República, António José Seguro, vai presidir a sessão comemorativa dos 30 anos do Parque Arqueológico do Côa, nesta próxima segunda-feira, 10 de agosto, no Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa. A sessão começa pelas 17h30 com a receção às entidades convidadas e visita ao Museu do Côa, seguindo-se a sessão comemorativa com o descerrar de uma placa alusiva ao momento. Pelas 18h30 vai ser inaugurado o mural “Que reflexo do Côa ficou em ti?” e pelas 19 horas é apresentada a peça de teatro “As Bacantes” de Eurípedes com a companhia Filandorra







sábado, 8 de agosto de 2026

Vindimas Douro em risco. Vale do Côa, bom vinho mas fraco apoio à viticultura Avança a desertificação o envelhecimento da população - E a mão-de-obra é maioritariamente externa - Vinda dos país africanos de expressão portuguesa e árabes - É que nos tem valido para que o abandono não seja ainda mais expressivo.



Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Natural da Freguesia de Chãs - V. N. de Foz Côa



Vale do Côa nas Primeiras Vindimas Durienses na 1ª quinzena de Agosto As imagens divulgadas neste vídeo, documentam as primeiras vindimas do Douro. Foram registadas em meados de Agosto 2014, na Quinta da Ervamoira e nas Quinta das Trecadas. Numa área mais alta e que se estende por várias encostas da margem direita da Ribeira dos Piscos, ao lado do caminho que que faz a ligação ao Côa à freguesia de Chãs.

As vindimas no Douro decorrem habitualmente entre o final de agosto e o mês de outubro, marcadas pela apanha manual ou mecânica das uvas nos socalcos vinhateiros classificados. Esta a época crucial para o Vinho do Porto e vinhos DOC Douro aliada à tradição milenar da pisa a pé nos lagares de granito a fortes desafios económicos e de escoamento de produção enfrentados pelos produtores da região Já não é a vindima de outro tempo: - das cestas e dos cestos.
E também dos cantares, que se ouviam por entre a folhagem ou depois da jeira terminada.
Além disso, a mão-de-obra é maioritariamente transportada de várias freguesias de Foz Côa e dos concelhos vizinhos - Mas, entretanto, é praticamente preenchida por imigrantes

Vinhas do Douro em risco. Vale do Côa, bom vinho mas fraco apoio à viticultura Avança a desertificação o envelhecimento da população - E a mão-de-obra é maioritariamente externa - Vinda dos país africanos de expressão portuguesa e árabes .



Quinta da Ervamoira


 Os produtores antecipam dificuldades para a campanha vitivinícola e exigem medidas do Governo que garantam que as uvas sejam pagas a preços justos, defendendo um valor na ordem de 1 euro por quilograma.

A intranquilidade marcou os testemunhos apresentados durante o plenário de viticultores, que preveem uma vindima marcada por profundas desigualdades de oportunidades na Região Demarcada do Douro.
Segundo os produtores, nos últimos anos, a importação de mosto concentrado de Espanha e de aguardente de França tem criado sérias dificuldades ao escoamento das uvas produzidas na região duriense, contribuindo para a redução do preço pago por cada pipa de vinho, equivalente a 550 litros.

Mais um dia de regresso às minha raízes ancestrais, à antiga quinta cerealífera de Santa Maria, onde nasceu o meu pai, Manuel da Quinta e todos os seus irmãos e irmãs, com o mesmo apelido e que dantes pertenceu ao termo de Chãs, mas que, desde a década 70, foi vendida a Ramos Pinto, anexada ao termo de Muxagata e passada ao cultivo exclusivo de vinha, cujas colheitas são ecoadas pela minha aldeia, através de um dos mais maravilhosos cenários de vinhas, olivais, amendoais e figueiras carregadas de figos, por uma calçada à portuguesa de cerca de 6 Km.
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Na verdade, já por estas encostas, debruçadas sobre a margem esquerda do Vale do Côa, com as de Castelo Melhor, de fronte na outra margem, se colhem saborosos cachos de uvas , que depois são transportados para a Quinta dos Bons Ares, onde vão fermentar para deliciosos vinhos generosos ou vinhos de mesa

Mas também a beleza do cenário que liga esta quinta a Muxagata, ao caminho parcialmente usado para a visita do tesouro paleolítico às gravuras dos Piscos, não fica atrás, com a sua singularidade e especial encanto. - À freguesia onde nasceu a minha avó Maria Morgado e as suas irmãs.

Os viticultores queixam-se de que as uvas estão a ser pagas abaixo dos custos de produção, enquanto os encargos com a atividade continuam a aumentar.

Por esse motivo, vão voltar a manifestar-se para exigir ao Governo medidas concretas que garantam a sustentabilidade económica da viticultura duriense.

No ano passado, a quebra da produção acabou por contribuir para o escoamento das uvas produzidas na região. O que levou o IVDP a autorizar uma produção de 76 mil pipas este ano; um aumento de mil pipas relativo ao ano de 2025.

Viticultores do Douro exigem concretização imediata de medidas para escoamento das uvas a preços justos e sem medidas que assegurem o futuro da Região Demarcada do Douro. Gastam-se milhares de euros em festarolas e despreza-se agricultura

Foz Côa é mais do que gravuras: é também a terra de quem a trabalha. Tal como sublinha O Prof.. Olímpio Sobral, as gravuras rupestres são, sem dúvida, um motivo de orgulho, trouxeram projeção, visitantes e criaram algumas oportunidades de emprego, para alguns. Mas Foz Côa não pode ser vista apenas como um destino turístico ou como uma paisagem de pedra gravada há milhares de anos.

Foz Côa é também a terra de homens e mulheres que, geração após geração, cuidaram das suas vinhas, dos deus amendoais, dos seus olivais e das suas terras. São os pequenos viticultores que mantêm viva uma identidade agrícola única, mas que hoje enfrentam dificuldades cada vez maiores para sobreviver.

Enquanto se celebra o património que trouxe reconhecimento internacional ao concelho, muitos produtores locais sentem que o seu próprio trabalho permanece esquecido. O preço pago pela uva, os custos de produção, a burocracia, as dificuldades de comercialização e a falta de renovação geracional tornam cada vez mais difícil continuar a cultivar a terra.

A paisagem que encanta quem visita Foz Côa não nasceu apenas das gravuras. Foi também moldada pelo esforço dos agricultores, pelo trabalho das famílias que construíram socalcos, trataram das vinhas e preservaram um território que hoje todos valorizam.

O Alto Douro conhecido principalmente pela produção de vinho do Porto e pela sua paisagem classificada como Património Mundial da UNESCO engloba concelhos das sub-regiões do Douro Vinhateiro, Douro Superior e parte do Trás-os-Montes:

Murça Sabrosa Santa Marta de Penaguião Peso da Régua Mesão Frio Carrazeda de Ansiães Torre de Moncorvo Freixo de Espada à Cinta Vila Nova de Foz Côa Armamar Lamego Tabuaço


O Alto Douro é uma região de enorme valor cultural, histórico e económico, sendo um dos territórios mais emblemáticos de Portugal.

Historicamente, o comércio do vinho do Porto esteve fortemente associado a empresas britânicas. No século XVII, mercadores ingleses começaram a importar grandes quantidades desse vinho, e o Tratado de Methuen, em 1703, fortaleceu ainda mais essa relação comercial. Empresas britânicas como a Croft, fundada em 1588 ( Por meados do século XVII, a firma Thompson’s tinha começado a importação de tecido para Portugal. Desde a assinatura do Tratado de Windsor em 1386, que Inglaterra e Portugal tinham sido parceiros comerciais muito próximo



quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Escritor Jorge Amado - Faleceu aos 89 anos, em 06-08- 2001 - Entrevista da bomba atómica sobre Hiroshima, 36 anos depois de 06-08-1981 .

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador - Registo sonoro  de  várias entrevistas que me concedeu

Palavras a refletir - Em dias de conturbados conflitos. Em que o presidente dos EUA se arvora em moralista, sobre o armamento nuclear, exigindo que “o Irão nunca terá uma arma nuclear”, a propósito do programa de enriquecimento de urânio, quando, afinal, a primeira grande ameaça veio do seu pais..

Escritor Jorge Amado - "As armas atómicas, é um crime contra a Humanidade - Mas que estranha coincidência! - Entrevista concedida no dia 6 de Agosto de 1981, Ironia do destino - Iria falecer 21 anos depois, no dia 6 de Agosto de 2001, a 4 dias de completar 89 anos.

A bomba atómica "Little Boy" foi lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima em 6 de agosto de 1945, às 8h15 locais, provocando uma destruição maciça e dezenas de milhares de mortes imediatas, marcando um dos momentos mais decisivos do final da Segunda Guerra Mundial
 Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!.. Causou a morte imediata de cerca de 70 000 pessoas e a destruição total de quase tudo num raio de dois quilómetros, resultando num total estimado de 140 000 morto



Excerto de mais 3 vídeos

Pergunta "Jorge Amado: passam hoje 36 anos sobre o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima. Na altura o Jorge Amado, teria os seus?... Quantos anos?..

J.A. - Eu tinha 33 anos. Eu me recordo perfeitamente. Foi durante a guerra; foi lançada sobre o Japão! No momento em que já não havia absolutamente necessidade de que a bomba atómica fosse lançada, a guerra estava ganha pelos aliados, foi um crime! Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!... Não havia absolutamente nenhuma necessidade de lançar a bomba atómica naquele momento sobre o Japão: o Japão já estava vencido

Jorge Amado foi um dos mais premiados e populares escritores brasileiros. Dono de uma obra numerosa, sempre privilegiando a Bahia como cenário de suas narrativas, cativou o público com suas histórias que foram largamente adaptadas para a televisão.

Traduzido para dezenas de idiomas e aclamado nacional e internacionalmente, Jorge Amado conciliou realismo e lirismo poético, causas sociais e erotismo, trazendo consigo uma identificação afetiva com o povo brasileiro


BOMBA DE HIROXIMA -" Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!.."



- Jorge Amado: passam hoje 36 anos sobre o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima. Na altura o Jorge Amado, teria os seus?... Quantos anos?..

JA – Eu tinha 33 anos.
JTM – Recorda-se?....Tem alguma lembrança, dessa data, dessa data, tão trágica para a Humanidade?
JÁ – Eu me recordo perfeitamente. Foi durante a guerra; foi lançada sobre o Japão! No momento em que já não havia absolutamente necessidade de que a bomba atómica fosse lançada, a guerra estava ganha pelos aliados, foi um crime! Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!... Não havia absolutamente nenhuma necessidade de lançar a bomba atómica naquele momento sobre o Japão: o Japão já estava vencido.

JTM – No entanto, há quem pense o contrário; há quem diga que foi realmente uma maneira de  resolver o conflito!
JA -  Não acredito. Foi a fórmula de querer mostrar a superioridades, que, naquele momento os Estados Unidos, com aquela arma, passariam a ter para as negociações no após  guerra

JTM – Já que, ambos os blocos, as possuem: pois há também quem defenda que é uma maneira de se respeitarem mutuamente, de evitarem a guerra: o que é que pensa, Jorge Amado, a esse respeito?
JÁ – Eu sou pelo desarmamento: eu acho que a guerra se evita não tendo armas; se nós estamos  nós os dois, aqui  e não temos armas, é mais difícil que nos matemos de que você estiver aí com vários revólveres  e eu com armas brancas e revólveres, mais facilmente nos mataremos.

Eu acho que essa coisa das armas, incluindo as armas atómicas,  é um negócio sujo: é um negócio sujo, porque, por um lado envolve dinheiro, e não é uma maneira de chegar dinheiro à custa da morte!    À custa da desgraça dos demais!... E é realmente um crime!... Esta coisa dos grupos antagónicos de nações, se equilibram e isto evita a guerra, eu acho extremamente discutível!... Eu acho que isso  nos coloca sempre no perigo da guerra! Diante do perigo da guerra!... Eu acho que, se os homens que dirigem as nações, tivessem mais sentido de humanismo, pensassem mais na humanidade de que nos seus interesses pequenos e mesquinhos, nós teríamos o desarmamento - não é o desarmamento geral –que colocaria a guerra muito mais distante e muito mais difícil. É isso que eu penso.

JTM  - Haver paz sem se recorrer à existência de armas?
JA – Eu acho que sim; que haverá, realmente, no dia em que se deixar de recorrer às armas.

JTM – Acredita que, num futuro próximo ou distante, essas armas que são uma ameaça à Humanidade,
possam deixar de existir? Que sejam postas de lado, uma vez para sempre?
JA -  Eu sou otimista em relação ao futuro da humanidade; eu acredito no homem: o homem, apesar de tudo, evolui e marcha para diante e que chegará o dia em que, realmente, a humanidade  deixará de lado, todas essas armas  e que os homens do futuro pensarão: como foi possível esse acumular de armas! Que loucura! Deu na humanidade e nos homens! Nos dirigentes dos países, para que se ameaçasse a humanidade, com essas armas tão terríveis!... Note que não é o povo de nenhum país que deseja as armas: são sempre os grupos dirigentes, aqueles que estão no poder!... Os povos não desejam as armas, muito menos  as armas atómicas! Os povos desejam viver em paz! Tranquilamente, trabalhando.

JTM – Mas, a corrida ao armamento, parece cada vez mais aguerrida! As aramas aparecem cada vez mais aperfeiçoadas!... Como ver isto?
JA – Eu vejo, sempre como um perigo para a humanidade! Eu vejo como uma desgraça!... É uma desgraça e um crime! – É isso que eu penso.

JTM – A nível mundial, que é que, Jorge Amado, acha que devia ser feito para que as nações depusessem as armas e não apostassem nessas forças diabólicas? E que podem, de um momento para o outro destruírem a existência do homem na Terra?
JA – Eu acho que devia ser feito aquilo que a sua rádio está fazendo, mas a nível mundial! Por todos! Uma campanha contra as armas atómicas e contra todas as armas!... Uma campanha mundial de todos os homens, pelo desarmamento!... Mas não uma campanha feita com interesse desse ou daquele grupo, não: uma campanha que fosse de todos os homens e no interesse, sim,  da humanidade e não desta ou daquela superpotência, deste ou de outro grupo de nações!... Mas pela Humanidade!

JTM – Jorge Amado, falou da Humanidade mas os escritores também têm um importante papel na humanidade!
JA – Com certeza: os escritores, os artistas, sobretudo os cientistas, porque sabem que uma guerra atómica seria a destruição da vida sobre a Terra: não apenas da vida humana mas de toda a vida sobre a Terra! … Todos nós temos essa obrigação, é nosso dever! Todos nós: a luta contra  a corrida armamentista! A luta contra as armas atómicas!

JTM – Já agora, uma última pergunta, sobre o mesmo assunto: já alguma vez, Jorge Amado, nos seus livros abordou esta questão ou pensa abordá-la futuramente?

JA – Eu abordei essa questão, em inúmeros artigos! Em conferências! Em discursos no Parlamento, quando fui deputado… De todas as maneiras, lutando contra as armas atómicas, e, de certa maneira, eu diria que os meus livros refletem o desejo de Paz da Humanidade! 

Mesmo  que eu não tenha tido nenhum tema em nenhum deles, a luta contra as armas atómicas, porém, os meus livros refletem a luta do homem por uma vida melhor e de paz e uma vida mais feliz.


BIOGRAFIA -  Jorge Amado nasceu a 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, no distrito de Ferradas, município de Itabuna, sul do Estado da Bahia. Filho do fazendeiro de cacau João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado.
Com um ano de idade, foi para Ilhéus, onde passou a infância. Fez os estudos secundários no Colégio Antônio Vieira e no Ginásio Ipiranga, em Salvador. Neste período, começou a trabalhar em jornais e a participar da vida literária, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes.
Publicou seu primeiro romance, O país do carnaval, em 1931. Casou-se em 1933, com Matilde Garcia Rosa, com quem teve uma filha, Lila. Nesse ano publicou seu segundo romance, Cacau.
A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba em várias partes do Brasil. Seus livros foram traduzidos para 49 idiomas, existindo também exemplares em braile e em formato de audiolivro.
Jorge Amado morreu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001. Foi cremado conforme seu desejo, e suas cinzas foram enterradas no jardim de sua residência na Rua Alagoinhas, no dia em que completaria 89 anos -  Mais pormenores em http://www.jorgeamado.org.br/?page_id=75

GLAUBER ROCHA Um grande amigo meu, um amigo fraterno, meu irmão e um homem extremamente importante dentro da cultura do nosso país: dentro da cultura brasileira, dentro da cultura de Portugal, do mundo da língua portuguesa, pois que é um cineasta! E um escritor que tem realizado uma obra da mais alta importância!... Além de mais, é um homem extremamente lúcido na sua maneira de pensar, que tem lutado sempre ao lado do povo, contra os inimigos do Povo! Sempre ao lado dos interesses mais nobres da humanidade! Contra aqueles, exatamente, que querem a guerra, a opressão e a miséria! Os filmes de Glauber Rocha, são todos eles um elogio do Homem, do ser humano.”


BOMBA ATÓMICA EM HIROXIMA - "Eu me recordo perfeitamente. Foi durante a guerra; foi lançada sobre o Japão! No momento em que já não havia absolutamente necessidade de que a bomba atómica fosse lançada, a guerra estava ganha pelos aliados, foi um crime! Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!... Não havia absolutamente nenhuma necessidade de lançar a bomba atómica naquele momento sobre o Japão: o Japão já estava vencido."


Depois do 25 de Abril. Jorge Amado, deslocou-se várias vezes a Portugal: vindo, nomeadamente, de Paris, onde passava algumas temporadas, sobretudo na década de 80, numa fase, literariamente,  ainda muito ativa – Não era que gostasse mais de viver na Europa de que no Brasil; o motivo não era esse mas a falta de privacidade e o necessário isolamento, que não conseguia encontrar na sua cidade natal, onde era constantemente solicitado     - Nascido em Tabuna,  a 10 de Agosto de 1912, Estado da Baía, e, em cujas terras,  havia também de falecer:  Em Salvador, 6 de Agosto de 2001

Confessou-me que adorava o nosso país:   deliciar-se com a sua gastronomia, admirava o artesanato do Minho  (nomeadamente o da cerâmica),  as belezas naturais, o nosso sol,  nosso clima, a simpatia das nossas gentes, onde contava com  bons amigos, alguns dos quais, fonte de inspiração, como personagens nas suas obras: é o caso, por exemplo, de Nuno Lima de Carvalho, diretor da Galeria de Arte do casino Estoril


Tanto ele, como Zélia Gattai, sua esposa, deram-me o prazer de me concederem várias entrevistas, que aguardo no meu arquivo. Uma das quais feita por ocasião do Congresso de Escritores Portugueses, em 1988 (creio que o 2º), ou seja, dois anos antes da assinatura do então já  polémico acordo ortográfico – Obviamente, que o tema não deixou de vir à baila,  gerando acaloradas discussões, tal como, de resto, ainda hoje continua a suscitar, - Mais à frente o registo em vídeo dessa interessante entrevista

Naquela manhã de 06 de agosto de 1945, os tripulantes do avião “Enola Gay” só conseguiam dizer “Meu Deus, o que fizemos”, depois de presenciarem a cidade de Hiroshima, no Japão, desaparecer embaixo de uma nuvem em forma de cogumelo. Era o efeito do lançamento da primeira bomba atômica americana que saiu de um avião B-29 batizado pelo seu comandante com o nome de Enola Gay, em homenagem à sua própria mãe. No dia 09, outra bomba igual seria lançada sobre a cidade de Nagasaki. Os pilotos norte-americanos haviam sido treinados durante meses para uma missão especial, a bordo de uma esquadrilha de aviões B-29. No entanto, quase ninguém sabia o que estes aviões realmente transportavam.

Morreram cerca de 100 mil pessoas em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki. As vítimas eram civis, cidadãos comuns, já que nenhuma das duas cidades era alvo militar muito importante. O cenário histórico dessa tragédia que permanece até hoje na memória de milhares de japoneses era a guerra no Pacífico, entre Japão e Estados Unidos.