Jorge Trabulo Marques - Jornalista - E antigo navegador solitário em pirogas no Golfo da Guiné
10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas - Ambos no grandíssimo gólfão nos metemos, Deixando a serra aspérrima Leoa, Co'o cabo a quem das Palmas nome demos.Os navegadores portugueses em 1470. Eu em 1969-70 e 75
Sempre enfim para o Austro a aguda proa
No grandíssimo gólfão nos metemos,
Deixando a serra aspérrima Leoa,
Co'o cabo a quem das Palmas nome demos.
O grande rio, onde batendo soa
O mar nas praias notas que ali temos,
Ficou, com a Ilha ilustre que tomou
O nome dum que o lado a Deus tocou.
Luís de Camões
MINHA SINGELA HOMENAGEM A todos os homens do mar, de todos os continentes e cantos da Terra. Náufragos! De ontem e de Hoje
Aos marinheiros e navegantes que, do Cais do Tejo, partiram pela barra do rio afora, em frágeis caravelas, rumo ao misterioso oceano, em demanda de novas terras e outras gentes, sofrendo horas infinitas em escaldantes e podres calmarias ou “fugindo à tempestade e ventos duros.”
E, por via disso,e, porventura, devido a desmesurados sonhos ou ao desamor e à compaixão de ímpios deuses, a quantos perigos e adversidades se não expuseram!
Jorge Trabulo Marques
A todos os homens do mar, de todos os continentes e cantos da Terra. Náufragos! De ontem e de Hoje!Aqui, elevo aos deuses as preces
que não acabastes de rezar!
As clamorosas súplicas,
que proferistes, em vão,
beijando, perdidos,
enlouquecidos, ícones, rosários,
relíquias sagradas.
E choro,
choro as mesmas lágrimas,
de sal e de dor.
E comungo convosco
os eternos instantes,
as horas infindas de pavor,
o incontável rosário
de todas as vossas aflições!...
Sim, porque, o mar, não mudou; o mar de hoje é o mar antigo de ontem, de outrora....
É o mar eterno, sem fim e sem história!...
A sua voz é a voz dos tempos!...
O cheiro a maresia é o mesmo,
as ondas continuam a enrolar-se sem descanso
nos areais de todas as praias de todos os continentes!...
Ao largo, o cenário também é igual -
O mesmo círculo a estender-se, indefinidamente -,
e, à volta do círculo, ainda o abandono,
a solidão de todas as eras...
Além disso, sei que, ouvindo o grito grave das gaivotas,
ainda ouço os vossos gritos
à mistura com o uivar desgrenhado do vento
e o cavo ribombar do trovão,
que sucediam aos relâmpagos
que incendiavam e fundiam as espessas trevas!.
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Os portugueses foram grandes navegadores - E talvez dos maiores navegadores daqueles épicos tempos. Um país, tão pequeno e com tão fracos recursos económicos, ter feito o que fez, foi realmente uma verdadeira odisseia. Há, pois, que enaltecer a coragem daqueles bravos pilotos e marinheiros. – Todavia, uma coisa é essa coragem e bravura, outra a verdade história – E está não deve ser ocultada ou pervertida.
Estive neste local, em 21 de Dezembro de 1970, a prestar a minha singela homenagem aos corajosos navegadores portugueses, após ligação de canoa da baía de Ana Chaves àquele local e ali ter pernoitado – Erguendo a bandeira portuguesa.
Sim, dirigi-me ali de canoa, sozinho, desde a Baía Ana de Chaves - a primeira das minhas aventuras de canoa - depois seguir-se-iam mais três: de S. Tomé ao Principe, 3 dias; de S. Tomé à Nigéria 13 dias e, por fim, de Ano Bom - a Bioko - antiga ilha de Fernão do Pó, 38 dias
Voltei a este mesmo local, em Novembro de 2014, mas agora com as duas bandeiras: a de S. Tomé e Príncipe e a de Portugal. Sim, depois de ter vivido uma longa e dramática experiência de náufrago, ao longo de 38 dias, após o que acostei na Ilha de Bioko
Não tanto pela colonização posterior mas orgulho-me dos feitos dos bravos marinheiros portugueses, que, em frágeis caravelas, partindo de um pequeno país, que não ultrapassava um milhão de habitantes, demandaram por mares desconhecidos, deram a conhecer ao mundo novas terras, navegaram por todos os oceanos, mais deles perdendo a vida em dramáticos naufrágios
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| Viagem de S. Tomé ao Principe - 3 dias |

Não há certezas quanto à data exata da descoberta das ilhas do Golfo da Guiné - Admite-se, no entanto, que, a Ilha de S. Tomé, teria sido descoberta em 21 de Dezembro de 1470, dia do apóstolo S. Tomé, e , em 17 de Janeiro do ano seguinte, a Ilha do Príncipe, por João de Santarém e Pêro Escobar
A Ilha de Ano Bom, a 565 km a sudoeste da parte continental da Guiné Equatorial e a cerca de 200 km a sul de São Tomé, foi descoberta por volta de 1475, no 1º de janeiro, de dia de ano-bom - A Ilha de Fernando do Pó, atual Bioko, foi descoberta pelo navegador do mesmo nome; admite-se que tenha sido em 1472 - Estas duas Ilhas, foram possessão portuguesa entre 1474 e 1778, ano em passaram para a Coroa Espanhola, pelo Tratado de El Pardo em troca de terras espanholas na América do Sul, que seriam posteriormente anexadas ao Brasil
Descobrimentos de S. Tomé e Príncipe – “Não se sabe ao certo quem foram os descobridores nem a data da descoberta” A resposta poderá estar numa antiga inscrição gravada numa rocha, situada na orla marítima “Bien Faire” (Bem Fazer) a famosa divisa do Infante D. Henrique
"Quando os primeiros navegadores portugueses chegavam a uma terra até então desconhecida costumavam gravar nalguma grande árvore ou pedra «este motto do Infante, Talent de Bien Faire» diz o historiador Armando Cortesão

(Lamentavelmente esta pedra, que deveria assinalar a chegada dos portugueses a este local, já foi destruída, pude constatar o facto em Maio de 2019)

Dia de Portugal - Luís de Camões e as “AS LUSÍADAS ” – Obra dedicada às mulheres - A inquisição tê-lo-á forçado a alterar o título para "OS LUSÍADAS” –Diz Luís Oliveira Guimarães- Autor da obra “O Espírito e a Graça de Camões
Entrevista feita há mais de 40 anos para o programa Hora Ora! da RDP-Rádio Comercial - pelo autor deste texto - apresentado por Luis Pereira de Sousa
Luís Oliveira Guimarães - 1900-1998 - Amigo e contemporâneo de Fernando Pessoa - Excerto de uma extensa e honrosa entrevista que me concedeu, em sua casa, nos anos 80 - Transmitida parcialmente na Rádio Comercial-RDP- - Magistrado, escritor, jornalista, dramaturgo, ensaísta, cronista, advogado, conferencista, humorista, autor de uma vasta obra literária, além de inúmeras crónicas e artigos da imprensa
“Espírito e Graça de Camões” - De Luiz de Oliveira Guimarães
Obra literária, com a qual o autor pretende reconciliar o Camões, com a mocidade, justificando, que, nos liceus, os jovens “são esfacelados com os métodos de aprendizagem sobre os Lusíadas: – Saímos do liceu e da faculdade de Letras, com uma péssima impressão do Camões e nunca o lemos mais, porque, os professores nos conseguem incompatibilizar com o Camões: porque, em vez de nos explicarem as belezas dos Lusíadas, fazem dos Lusíadas orações e analisarem o completo direto, o sujeito, o predicado, etc. De maneira, que eles incompatibilizam o rapaz ou a rapariga com o Camões.