expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Embaixada da Guiné Equatorial condecora diplomatas portugueses Membro CPLP desde 23-07-2014-Descoberta pelo navegador português Fernando Pó, em 1471/2, cedida a Espanha em 1777, pelo Tratado de San Ildefonso, a troco de disputas territoriais na América do Sul e negócios de escravos.

                                                       Jorge Trabulo Marques - Jornalista- Video com imagens do evento e outras da Guiné Equatorial - Um lindo país da CPLP a visitar 

Embaixada da Guiné Equatorial condecora diplomatas portugueses  . Membro CPLP  desde 23-07-2014-Descoberta pelo navegador português Fernando Pó, em 1471/2, cedida a Espanha em 1777, pelo Tratado de San Ildefonso, a troco de  disputas territoriais na América do Sul e negócios de escravos. - Com a presença de 67 convidados, entre os quais , o Monsenhor José António Teixeira Alves Conselheiro da Nunciatura Apostólica



A Embaixada em Lisboa condecorou diplomatas portugueses que contribuíram para sua integração  No seu discurso reconheceram que  “ a integração traz vantagens: com a integração produzem-se mudanças: mesmo que elas demorem  - E assim o provam as imagens que registei em 2017, naquele maravilhoso pais de África,

Designadamente, condecorações a  Luís Álvaro Campos Ferreira, atual Secretário-Geral da UCCLque foi  Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (2013-2015 no XIX e XX Governo Constitucional. O Embaixador António Martins da Cruz, que  foi Ministro dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro Diplomático do Presidente da República, com uma intensa experiência diplomática em vários países e na NATO/OTAN, sendo agora o Chairman da Oeiras Valley Investment Agency (OVIA membro fundador do Instituto Internacional de Macau; o Representante do Dr. Luís Amado Homenageado · Ex-Ministro dos Negócios Estrangeiro; 

E também  a angolana, Maria de Fátima Monteiro  Jardim, Secretária Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), para o biénio 2025–2027.

 O cabo-verdiano Miguel Monteiro, que  recentemente tomou posse, como novo diretor-geral do Secretariado Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na sede da organização, em Lisboa - Além de outras personalidades e membros da embaixada.

GUINÉ EQUATORIAL - MEMBRO DA CPLP - Há mais de uma década

A Guiné Equatorial é membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 23 de julho de 2014, oficializada na X Cimeira em Díli. A adesão, que ocorreu após o país prometer reformas (incluindo a abolição da pena de morte), tem sido reconhecida  como  - pese a hipocrisia das más línguas, que, falam não pelo conhecem, mas pelo que lhes interessa dizer. 

Pela corneta de uma tal oposição,  que veio vociferar que .  "A adesão da Guiné-Equatorial põe em risco a reputação da CPLP" Depois de congeminar várias tentativas de golpes de Estado, com apoios externos a troco de promessas da entrega das explorações perolíferas

A CPLP foi criada em 17 de julho de 1996 por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. No ano de 2002, após conquistar independência, Timor-Leste foi acolhido como país integrante. Em 2014, Guiné Equatorial tornou-se o nono membro da organização, apesar da controvérsia gerada em torno dessa adesão. A população de seus países membros soma aproximadamente 270 milhões de pessoas.

VATICANO FEZ-SE REPRESETAR 

Uma  das distintas presenças foi a do  Monsenhor José António Teixeira Alves Conselheiro da Nunciatura Apostólica  - Pois a a  Guiné Equatorial tem mais de 90% de cristãos, segundo um censo de 2015. Desde a sua independência de Espanha, em 1968, a Guiné Equatorial – país membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)



Estive em Malabo, em Julho de 2017, na Ilha de Bioko e em Bata, na parte continental, uma semana - Andei por onde quis e me apeteceu; usei a Internet à vontade e sem restrições

País ao qual tive o privilégio de voltar, com o apoio do Embaixador Tito Mba Ada, depois de ali ter acostado, em finais de Nov de 1975, numa frágil piroga, 38 dias após ter sido largado na Ilha de Ano Bom, em consequência de uma fracassada tentativa de travessia oceânica pela antiga rota da escravatura
.
Calvário dramático, esse, que prosseguiria ainda em terra pelo então regime opressor de Francisco Macias Nguema, visto ter sido tomado como espião e condenado à forca

Felizmente, uns dias depois,  libertado, graças à compreensão e humanismo do seu sobrinho Teodoro Obiang Nguema Mbasogo,, que, viria assumir a Presidência, pelo então corajoso  "Golpe da Liberdade"uma revolta militar ocorrida a 3 de agosto de 1979  E a dar um novo rumo de progresso e liberdade ao país que o viu nascer.



Ao contrário do que dizem as más linguas, não vi gente a pedir nas ruas nem barracas mas bairros sociais mas rostos sorridentes e alegres..


É sabido que há noticias regularmente com essa história dos direitos humanos, em cumplicidade com uma oposição, fora do pais, que promete hipotecar a exploração do petróleio e outras riquezas naturais a troco do trepar ao poder.

E assim o documentam as imagens que tive o prazer de registar em 2017, naquele maravilhoso pais de África, cujas ilhas - já habitadas-  foram descobertas por navegadores portugueses à luz da civilização europeia

PALAVRAS DO EMBAIXADOR TITO MBA ADA - Que antecederam o almoço de convivio e de confraternização - Em que foram condecorados, além de membros da sua  equipa e de outras personalidades:

Em 2024. O Governo da Guiné Equatorial celebrou, em 30 de julho de 2024, em Malabo, o 10.º aniversário da sua adesão como membro de pleno direito à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

Como naquela efeméride, os principais diplomatas portugueses, que colaboraram na sua integração, não puderam estar presentes, decidiu o Embaixador Tito Mba Ada, ele o iniciador da adesão do seu país  à CPLP,  promover um almoço de  convívio e de confraternização, num dos salões do Hotel Tivoli, junto à Expo num hotel da Expo, com a finalidade de os condecorar com singulares distinções.

"Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha" – Esta a explicação, que começou por fazer,  Tito Mba Ada, Embaixador da República da Guiné Equatorial junto da CPLP desde Setembro de 2014, e junto da República Portuguesa desde Setembro de 2016. Nascido em Nsok-Nsomo, em 6 de Fevereiro de 1964, casado com Nathalie Nchama Mba, e é pai de seis filhos.

Hoje vamos fazer a entrega de condecorações a uns amigos . A Guiné Equatorial integrou-se nesta Comunidade, há mais de 10 anos, foi em 2014- Começou por 

A todos os amigos, que estiveram apoiando, encorajando  a Guiné Equatorial. Nesta caminhada encontramos também pessoas destacadas: todos trabalharam. Mas alguns destacaram-se com o seu trabalho, com a sua dedicação – E, por isso, queríamos reconhecer  aos meus colaboradores:

Tive a honra de ser o 1º habitante da Guiné Equatorial – Sim, a ele se ficou a dever a  iniciativa

Nesta caminhada encontramos também pessoas destacadas: todos trabalharam. Mas alguns destacaram-se com o seu trabalho, com a sua dedicação – E, por isso, queríamos reconhecer  aos meus colaboradores:

Tive a honra  de ser o 1º habitante da Guiné Equatorial na CPLP. Quando cheguei não sabia dizer obrigado. E como criar uma missão permanente e esse trabalho foi feito com uma equipa que me acompanhava dia a dia. Hoje gostaria de reconhecer esse trabalho

E também tive a sorte: a equipa do secretariado: algumas coisas devem ser reconhecidas, como o novo embaixador da CPLP, deu-me muito apoio à equipa de pessoal para executar a missão

DE SEGUIDA TOMOU A PALAVRA  -Luís Álvaro Campos Ferreira, atual Secretário-Geral da UCCLque foi  Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (2013-2015 no XIX e XX Governo Constitucional.

Começou por sublinhar: que "não foi  por reconhecimento politico mas como reconhecimento diplomático  pelo trabalho desenvolvido nessa altura da integração da Guiné Equatorial

Não foi  um trabalho fáci.Havia uma enorme vontade, principalmente dos países africanos, com Angola à cabeça, que isso acontecesse E haviam fortes ressegas históricas para que ligam Portugal á Guiné equatorial, que, anal atura, o Presidente Obiang, me transmitiu  de uma forma muito peculiar e até afetuosa

Haviam pois andicapes: o primeiro  e o segundo era  língua: eram muitos seculos de colonização espanhola  e língua era o castelhano e não o português e havia que fazer esse trabalho e esse trabalho foi feito  e foi entregue e teve sucesso

Hoje a pena de morte não existe era para nos um a questão decisiva. Por isso, eu acreditei sempre que era possível chegarmos a bom porto .

Eu, quando passei pelo Ministério dos Negócio Estrangeiros,, com ajuda de embaixadores mais velhos, como o embaixador lima, que está aqui hoje, sempre entendi que o diálogo é melhor que o isolamento e que as  pontes, mesmo que não sejam pontes perfeitas , são melhores que os muros que criamos

E por isso a integração traz vantagens: coma integração produzem-se mudanças: mesmo que elas demorem, sõ mais fáceis   quando há integração. E quando a integração  é feita numa comunidade como a nossa: que tem princípios. Tem valores, tem história

Por isso quem faz parte dessa comunidade assume esse compromisso e faz esse projeto comum

Evidente que as coisas não se constroem num dia :as coisas não se mudam por decreto: há hábitos, há costumes .. E há novos princípios e há novos valores e comportamentos, fruto de estares nesse grupo e isso acontece com todos nós, que estamos nesta comunidade

Por isso achamos , que, na economia, nos direitos humanos  , ninguém deve ficar para trás

O padrão é aqueles que exigem o máximo pelo próximo: a religião, a raça, a crença politica. O respeito pelo pensamento diferente : pela fé diferente. Pela cultura diferente: o saber  viver na pluralidade: isso não implica que não haja um chão comum

E é exatamente a liberdade, a tolerância e fraternidade  e a solidariedade que todos temos-

Hoje sou   secretário-geral, entre outras funções da união das cidades de língua portuguesa: uma das melhores concretizações da lusofonia, onde acontece muita cooperação económica, muita cooperação cultural! Muita ajuda e troca de ideias   Porque a vida hoje acontece em muitas cidades: as cidades têm gente! E gente que é pessoa São as pessoas que fazem a existência e fazem o quotidiano  e se constrói  o progresso e o desenvolvimento.

A CPLP reúne os países que têm o português como língua oficial. Além de Cabo Verde, fazem parte do grupo Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A sua criação começou a ser preparada na década de 1980 e o primeiro encontro de chefes de Estado ou de Governo dos países de língua portuguesa teve lugar em 1989, na cidade de São Luís, no Maranhão (Brasil). No entanto, a organização só foi oficialmente instituída em 1996, em Lisboa.

Entre os objetivos previstos no estatuto da CPLP está a promoção do entendimento político e da cooperação nos domínios social, cultural e económico. Outro objetivo central é a concertação para uma atuação conjunta nos fóruns internacionais.

 OUTRO DOS ORADORES -  Embaixador António Martins da Cruz, que  foi Ministro dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro Diplomático do Presidente da República, 

Ensinaram-me. então jovem diplomata,  que as condecorações não se pedem, não se recusam não se agradecem : de qualquer maneira eu vou romper essa regra que me ensinaram à 55 anos

Senhor Embaixador, vou-lhe agradecer: Vou lhe pedir que transmita ao Presidente Obiang esta condecoração.

Nós estamos  - e a presença da Senhora Secretária da CPLP – leva-me a dizer duas palavras só: nós estamos numa altura difícil em que estamos a redefinir a Ordem Mundial: não sabemos o que vai acontecer amanhã mas sabemos que não vai ser igual a ontem

O espaço da língua portuguesa, são uma prioridade portuguesa. Mas são uma prioridade portuguesa, sobretudo por causa de África


E eu acho que, África, é o continente do futuro . eu vivi em três países africanos: dois como diplomata e um a exercer outras funções. E acredito no futuro de África. E a CPLP   .é um investimento: nós devemos a CPLP  a Angola – Angola, criou o grupo dois cinco, onde estavam so cinco países de língua portuguesa, que tiveram as suas independência: a Guiné Bissau, em 73 e os outros em 75.

Pois,, Angola, aceitou os cinco mais um entrou Portugal . E só depois é que veio o Brasil. E seguiu-se, como sabem, Timor. E, em boa hora, a Guiné Equatorial: como sabem, ligada por laços históricos a Portugal. E também ligada,  a um país, que já estava na CPLP , a São Tomé,  de língua portuguesa, que tem importância histórica e até linguística  com a Guiné Equatorial

Eu penso que a CPLP  - e neste caso a África – tem que desenvolver mais a vertente económica: a CPLP funciona muito bem na coordenação política: não só política externa mas de várias politicas  com as reuniões periódicas que faz; acentuar a vertente económica seria excelente, não só  para o futuro da CPLP, como para todos nós.

Como nós não conhecemos o que vai ser o mundo de amanhã, sabemos o seguinte: temos uma  porta-forma  que existe, que funciona na coordenação politica, temos que saber agora aproveitá-la agora para o futuro: para o desenvolvimento económico.

E eu penso, que, a Guiné Equatorial, que é também  na região um exemplo de desenvolvimento económico,  tem uma contribuição impotente, no seu impulso  à própria CPLP- 

E é com estas palavras, Sr Embaixador, que lhe agradeço, mais uma vez, esta distinção  quis honrar o meu amigo Luís Santos Ferreira e eu próprio. E eu penso que esta reunião que se quis fazer, reunindo aqui, tantas personalidades importantes da diplomacia, da economia e das universidades, é uma oportunidade importante, também,  para, em Portugal, chamarmos atenção da importância que devemos dar ao seu pais. E para a importância que a Guiné Equatorial tem no nosso relacionamento e como um dos dinamizadores da CPLP

O ALMOÇO DE CONVIVIO, CONFRATERNIZAÇÃO E HOMENAGENS  _Organizado pelo  Embaixador Tito Mba Ada contou com a presença de 65 convidados, distribuídos por dez mesas.

Do Monsenhor José António Teixeira Alves Conselheiro da Nunciatura Apostólica; Maria de Fátima Jardim Secretária Executiva da CPLP; Dom Duarte Pio S.A.R. Duque de Bragança; Embaixador António Martins da Cruz Homenageado · Ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros; Dr. Luís Campos Ferreira Homenageado · Ex-Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros; Representante do Dr. Luís Amado Homenageado · Ex-Ministro dos Negócios Estrangeiro; Miguel Pedro Sousa Monteiro Director-Geral – CPLP;  

Stella Pinto Novo Zeca Embaixadora da República de Moçambique; Juliano Féres Nascimento Representante Permanente do Brasil na CPLP; Esterline Gonçalves Género Embaixador da Rep. Democrática de S. Tomé e Príncipe; Evaristo Malheiros Dias da Silva Representante Permanente de Angola na CPLP;  Laura Soares Abrantes Representante Permanente de Timor-Leste na CPLP; António Lima Representante Permanente de Portugal na CPL;  Miguel Pedro Sousa Monteiro Director-Geral – CPLP

Embaixador Artur Silva Embaixador da República da Guiné-Bissau;  Florêncio Papelo Embaixada da República de Moçambique; Moises Mba Sima Nchama Conselheiro · Embaixada da Guiné Equatorial;  Raimundo Carreiro Embaixador da República Federativa do Brasil; Filomena Lopes Embaixada da República de Cabo Verde  Dionísia Demba

Mário Simões CE-CPLP; Dr. António Saraiva Presidente · Cruz Vermelha Portuguesa; Higor Esteves CE-CPLP; Linda Pereira CE-CPL; Eng.a Sandra Caldas CEO; Pedro Alexandre CEO

Carlos Rodrigues CEO; Luís Amaral Diretor Comercial · MT Consulting; Abílio Fernandes; Júlio Vilão CEO; João Moura CEO; Isabel Leitão Gala Prémios Lusofonia; Nuno Santos Embaixada da Guiné Equatorial

Presidente · Instituto do Mundo Lusófono Isabelle de Oliveira;João Gonçalves Consultor; Prof. Doutor Mário Monte Diretor · Centro de Investigação em Direitos Humanos · Univ. Minho; Prof. Iris de Brito ISCSP · Universidade de Lisboa; Luzia Moniz Presidente · PADEMA; Hugo Pinto Neolimpe

Mário Mendão Secretariado Executivo da CPLP; Miguel Levy Secretariado Executivo da CPLP; Ivan Njinga Secretariado Executivo da CPLP; Erick Chipenda Secretariado Executivo da CPLP;

 Philip Baverstock Secretariado Executivo da CPLP; Arlinda Cabral Secretariado Executivo da CPLP

Lidia Meda Embaixada da Guiné Equatorial; Dra. Leonor Vieira Advogada; Engo Miguel Ricardo Rodrigues Convidado; Dr. Luís Archer Convidado; Dr. Nuno Miguel Viana Convidado;  Raquel Leitão Gala Prémios Lusofonia; Jorge Trabulo Marques

Ano Bom - Graciano Mikue Embaixada da Guiné Equatorial; Luz Micaela Convidada;Eugenio Ngumu Osa Convidad; Pedro Mauricio Okomo Convidado;Vanilla Karr Convidada;Marcelo Costa Convidado

Vera Vieira Secretariado Executivo da CPLP; Flávio Fernandes Embaixada da Guiné Equatorial; Pedro Pereira Embaixada da Guiné Equatorial; Margarida Teigas Directora de Exportação Nutriben; Regina Martins Embaixada da Guiné Equatorial;Jean François Calvet Piloto Pedro Cardoso Servirecord

Papa Leão XIV visita à Guiné Equatorial na próxima viagem a África--Ao pais onde existem as mais belas igrejas de África e tem mais de 90% de cristãos. Onde adorei voltar 42 anos depois de condenado à forca, após 38 dias à deriva numa canoa por suspeita de espionagem – Encontrei um pais completamente diferente, creio que dos mais desenvolvidos de África : não vi bairros de barracas mas bairros sociais.



Depois de Angola, agora é a vez de a Guiné Equatorial confirmar que a visita do Papa Leão XIV ao continente africano irá passar por este país membro da CPLP.l
O Papa Leão XIV visitará a Guiné Equatorial na sua viagem a África em 2026, a primeira no continente desde a sua eleição, anunciou o Governo de Malabo

De recordar, que,, na manhã do dia 28/06-2025, o Papa Leão XIV recebeu em audiência no Palácio Apostólico o presidente da República da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. O único pontífice a visitar a Guiné Equatorial foi João Paulo II, em fevereiro de 1982 como parte de uma viagem apostólica à África Ocidental.
Principais aspetos da visita de 1982:

ASPECTOS HISTÓRICOS 

A Guiné Equatorial é independente da Espanha desde 12 de outubro de 1968. A proclamação da independência marcou o fim de séculos de presença espanhola na região, que abrangia a antiga colónia da Guiné Espanhola (Rio Muni e Fernando Póo). Francisco Macías Nguema foi o primeiro presidente

A Guiné Equatorial, localizada na África Central, é constituída por uma parte continental (Rio Muni) e uma região insular composta principalmente pelas ilhas de Bioco (anteriormente Fernando Pó, onde fica a capital Malabo), Ano Bom (Annobón), CoriscoElobey Grande e Elobey Pequeno

"O país atualmente chamado de Guiné Equatorial está situado na costa Oeste de África, um pouco a norte do Equador, e daí o nome de Equatorial. É um dos menores países do continente africano, e a parte continental, conhecida por Rio Muni, faz fronteira, a norte, com Camarões, a sul e a leste, com o Gabão, a oeste, com o Golfo da Guiné e, portanto, com o Oceano Atlântico. Confrontando com a costa marítima do Rio Muni, encontram-se as ilhas de São Tomé e Príncipe, que não fazem parte deste país.

"Fernando Pó, o navegador português que, em 1471/2, aportou à ilha, agora chamada de Bioko, verificou que já era habitada. No entanto, como a desenhou nos mapas de navegação, esta ficou com o seu nome durante séculos. Serviu de entreposto no comércio de escravos durante anos e teve imensos colonizadores, portugueses, holandeses, franceses e, finalmente, ingleses que, com a desculpa de controlar o comércio de escravos, roubavam navios, entrepostos, feitorias, etc., em benefício do comércio inglês. As ilhas que constituem a actual Guiné Equatorial não tiveram alteração desde que Espanha tomou posse delas. Mas, no referente à parte continental, chamada de Rio Muni ou Mbini, só em 1900 ficou definida, pelo convénio Franco Espanhol dessa data.

Inicialmente, em 1777, pelo Tratado de San Ildefonso, Portugal cedia a Espanha no Golfo da Guiné as ilhas já mencionadas, e a exploração do litoral continental entre os Cabos Formoso e o Lopez. Este acordo foi ratificado pelo Tratado d’El Pardo, de 1778, o qual constituiu a base jurídica da presença espanhola no continente africano, nas latitudes da Guiné equatorial.

O comércio era permitido nas costas e nos rios interiores, principalmente para o tráfico de escravos, de ouro, marfim e plantas exóticas que não existiam na Europa. A área por onde os espanhóis se podiam expandir nas acções de comércio, entre a foz do Niger (Cabo Formoso) e a foz do Ougwe (Cabo Lopes Gonçalves), em 1777, é visível na figura 13. Diz o Tenente-coronel João José de Sousa Cruz

 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Travessia de Canoa de São Tomé ao Príncipe - Tornado à vista e a contas com a PIDE-DGS

 
Jorge Trabulo Marques


Naquela 3ª noite, antes do tornado, adormeci e virei-me com a canoa: “Pronto! Chegou a minha hora! Acabou-se!” Pensei que ia morrer: quando, uma massa de água, se ergueu, como uma vasta muralha e se abateu repentina e pesadamente sobre mim, enrolando-me com a minha canoa, em sucessivas voltas, aturdindo-me o cérebro, enchendo-me de zumbidos e atravessando-me o corpo de arrepios que pareciam farpas


Ao mesmo tempo que uma espécie de surdo clamor, um misto de marulhar de água, um soar de vento, me ecoava e vibrava pelos ouvidos, ferindo-me quase os tímpanos, seguido por um ecoar ainda mais forte e intenso: uma espécie de grito estridente e agudo que parecia querer furar-lhe a fina membrana, rebentar de violência o canal auditivo, como um aviso fatal, um sinal impregnado de extortor e morte, enquanto, por outro lado, um sabor acre a maresia me entupia as narinas, me irritava a garganta e me provocava uma tosse convulsa e sufocadora, e de novo meu cérebro regurgitava de imagens, com uma sequência ainda mais nítida e vigorosa que a anterior

Entretanto, depois que me senti desembaraçado dos envolventes remoinhos das vagas e, ao relançar o olhar para todos os lados, não vi , pela primeira vez, sinais da minha a canoa, mais se me acentuou a certeza de que ia morrer

Contudo, e mau grado a tragédia que tão claramente se me desenhava, posso dizer que não me apavorei nem cruzei os braços ; pelo contrário, nunca, como naqueles momentos, me senti tão forte, profundamente calmo e sereno.

Nada me atemorizava: nem o mar selvagem e deserto em que nadava, se mostrava já bárbaro e cruel; nem a abóbada pesada e sombria que se erguia por cima da minha cabeça – qual cúpula imensa de uma sepultura eterna! – voltava a parecer-me que iria desabar sobre mim e fechar-me no mais completo abandono para que imediatamente me sepultasse.

Nem a imagem purpurina e desmaiada da própria morte, que antes já tivera a impressão de ver figurada no meio daquele cenário catastrófico e aterrador, me assombrava e apavorava.

Nem tão pouco os vultos fosforescentes do plâncton e de outros fantasmas marinhos, que por ali luziam e relampejavam, sinais tenebrosos de uma outra vida que não se compadecia de mim ou desejaria facilitar-me a coexistência. Paradoxalmente, nada disso me dava agora uma visão de medo ou de destruição.

Tudo girando como que à volta do mesmo eixo, era ao mesmo tempo, como que feérico e sombrio, ruidosamente suave e uniformemente compacto e vazio.

Dir-se-ia que a nítida comunhão com o perigo, ao invés de me fazer desesperar, me colocava de certa maneira fora de mim e longe dali.

Como tal, dispus-me aceitá-lo, desafiando-o, assim como se apresentava, com a gravidade e a importância de todos os riscos e receios que se me opusessem, nadando a parte incerta, nadando por entre demoníacas vagas e os espectrais fantasmas da noite.

Mas, maldito gozo! Terrível Gozo disfarçado de luto cintilante!
Ainda bem que não o desfrutei por muito tempo!

Da experimentação do gozo far-me-ia, certamente, passar ao delírio e, posto que me conduzisse a esse ponto, oferecer-me-ia, inevitavelmente a atração irresistível da magia do abismo, o qual, por seu turno, não me perdoaria a ousadia , como que por efeito de centrípeta sucção, naturalmente que depressa me arrastaria no meio da mais asfixiante e vertiginosa agonia para o momento derradeiro e crucial do fim da minha vida.

Mais uma vez a sorte estivera ao meu lado ou ou a minha boa estrelinha, fiel condutora naquelas horas de tão escuro abandono, ao despontar talvez por entre uma súbita abertura daquela massa de nuvens me faz, chamar com o seu brilho à realidade e alterou o curso da minha vida para o seu verdadeiro destino: um destino que, estaria escrito, não podia findar-se ingloriamente por ali
Depressa me liberto dessa espécie de torpor em que parecia deixar-me envolver e recupero o movimento e a vida!

Sim, uma coisa e outra, pois era o final do caminho para a morte em que acabava de sair e escapar

Felizmente, tudo aconteceria também muito rápido. Se tivesse que relembrar, nesse preciso instante, os pensamentos e as imagens que me acudiram igualmente, ao cérebro, durante aquele tumulto que ficava para trás, talvez tivesse tido a impressão de que tudo se passara na sequência de um único impacto.

Sim, de um momento para o outro, como que num súbito despertar, volto a ver-me agarrado à canoa, abraçando-me de seguida ao casco, pronto a retomar fôlego e prosseguir a minha luta.

Felizmente, lá consegui voltar a encavalitar-me nela e continuar a minha aventura noite fora , graças a um segundo remo que tinha como suplente, amarrado à borda do casco da frágil canoa, até poder acostar à praia da Roça Sundy na Ilha do Príncipe-

O meu regresso foi de avião para São Tomé, mas com a PIDE-DGS, a repressora policia fascista à minha espera e a enviar-me para o escuro calabouço, onde fui barbaramente espancado por julgarem que eu me havia metido na canoa para me ir juntar aos MLSTP, sediado no Gabão"

Com esta afronta e justificação: És amigos dos pretos! Seu cabrão! Ias-te juntar aos terroristas no Gabão!!! .

Felizmente, graças a intervenção de pessoa amiga, lá me libertaram ao fim de duas semanas, tendo ainda como prémio uma pesada coima da capitania dos portos por ter feito a travessia sem a sua autorização.

Estes alguns pormenores do meu relato, que vim a poder descrever em cinco edições da revista angolana Semana Ilustrada, visto o chefe de redação se encontrar nessa altura em S. Tomé, quando fui libertado dos calabouços da PIDE-DGS, o que me possibilitou, a partir daí, também ficar seu correspondente, iniciar a carreira jornalística, graças aos textos desta minha aventura, a que viriam a seguir-se mais duas, em 1975: uma de S. Tomé à Nigéria, 13 dias e outra depois, de Ano Bom a Bioko 38 dias, na Guiné Equatorial.

Relato esse, que, anos mais tarde, também pude vir a recordar, em cinco edições do suplemento do vespertino Diário Popular e no jornal Ecôa. Além da revista Século Ilustrado e do jornal O Tempo.

.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Travessia de Canoa de S. Tomé à ilha do Príncioe -Interrogo as trevas e o silêncio: só vejo, sombras e mar revolto! - Fev. 1970



Navegar em frágil canoa em noite equatorial onde "Os Lusíadas: Canto V" se inspirou e cantou: "Sempre enfim para o Austro a aguda proa. No grandíssimo gólfão nos metemos, Deixando a serra aspérrima Leoa, Co'o cabo a quem das Palmas nome demos

Interrogo as trevas e o silêncio: só vejo, sombras e mar revolto!
Sonâmbulo abandono o meu: minha estranha forma de vida!
Noite e mar sombrio! Num contínuo movimento incessante!
De imparável delírio e mobilidade! Estridulas ressonâncias!
Mas, sinal de vida, só na aparência se mostra apagada!
Sim, porque, à superfície deste manto ondulante e denegrido,
que, continuamente me arrasta e me evolve, pela noite a fora
não cessam de ecoar murmúrios infindos, o constante ressoar
- tumultuoso e vibrante, que, de forma agora mais disfarçada -
terá dentro de si e até ao mais fundo do maior e invisível abismo,
o gérmen da fecundidade, vibrátil de permanência efervescente!



De uma vida marinha ou fantasmagórica! – Que à minha volta
não cessa de se manifestar e sob as mais diversas formas:
pois a presença de tubarões ou de baleias, é vital semente
tanto sob a luminosa perpendicularidade do astro solar
como em noite cerrada, se manifesta constantemente
em vultos de um ondular monstruoso e luminescente!
Além do espetacular plâncton luminoso, ou bioluminescente,
e até das espécies voadoras que na piroga veem cair ou pousar

Ergo minha fronte ao alto. Soergo-me! Gesticulo e respiro
a calmaria ou a ventania que sopra do insondável espaço!
Curvo-me e debruço-me, sentado sobre o frágil tronco escavado,
em que navego! - Descendo e subindo a vertente de cada vaga!
Aspirando! Respirando, todo este sabor agridoce da maresia
que tão depressa me acalma, como me oprime e agonia!
Ao mesmo tempo, que gesticulo e grito!

Sozinho e do mais fundo do meu peito e do meu coração! -
Num momento curto mas com instantes de alívio!
Num enorme grito não de revolta mas de explosão!
Para quebrar, pelo menos, por um único momento
o profundo mutismo em que o sono me oprime e ameaça
Mais do que a ondulação do tapete negro do mar!
Por força de me agarrar a tão constante silêncio
poder adormecer e juntamente me voltar e arrastar!

Aliás, este, meu presságio, viria mesmo a se confirmar
- em plena noite escura de mar equatorial-
Porém, tão sufocante e dramático, foi esse tormento
que ensombrou os meus pulmões e a minha mente
que agora nem o quero recordar.


Por isso, o importante era nunca desesperar.
Buscando, em cada esticão da corda ou remada
o sôfrego temperamento de um maior fôlego de energia!
Em demanda da infinita vitalidade que só o mar sabe dar!
Que tanto pode tranquilizar como martirizar- E me permita
transpor qualquer barreira do assombroso e espesso manto
escuro que até mim vem ressoando num continuo derramar
de augúrios e presságios: infinidade ecos irreconhecíveis,
que, umas vezes, dão sinais de serenidade
outras de me ameaçam aterrorizar!

Buscando ainda maior fôlego que me permita
transpor o invisível infinito do horizonte!
Sim, abro meus braços, corda da escota da vela, numa das mãos
E vela na outra e aspiro, sôfrego, a vitalidade da noite e do mar!
Um cheiro a maresia, de frescura e transcendente suavidade!
Invade-me o peito , faz-me sentir e rejubilar
um profundo sentimento de serenidade!
No entanto, o vento não cessa de uivar!
Perpassa-me e ecoa pelos meus ouvidos
com finos e vibráteis acordes do seu soluçar!

Sim, escura é a noite e, também, sombrios os caminhos
Que se me abrem à minha volta pela indefinida toalha líquida
E também escuros os caminhos que me conduzirão a Deus”
Mesmo assim, vou indo a navegar! Com o soar do mar!
Com o mar que brame, com o imparável vozear do mar!...
Sou o cavaleiro desconhecido, cavalgando e sonhando acordado!
Debaixo do teto de uma abóboda celestial infinita, escuríssima!
Remando e velejando à superfície de ondulante noite equatorial

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Travessia de Canoa - São Tomé - Principe - há 56 anos . A noite foi longa, espessa de trevas e tormentosa, escuríssima!


 A noite foi longa, espessa de trevas e tormentosa, escuríssima!

Completamente à mercê da vontade Deus, de incerto destino.
Vagueando à flor do tumultuoso abismo, como alma perdida
Sem vislumbrar qualquer sinal de existência humana ou vida!
E, agora, que já raiou um novo dia , pergunto: afinal, aonde vou?
Para onde me levará o vento fantasmal que me envolve e assola?
Mas vivo! Tenho sobejas provas de existir e continuar vivo!
E isto nem é grave, nem ilusório: é tão somente a verdade real!
O que é preciso é continuar a deslizar na vaga e saber esperar
Vagueando a bordo desta tão frágil e balançante fragilidade
Sim, reconheço os muitos perigos que me assolam, que eu corro!
De todo o mundo completamente abandonado e esquecido
Sei bem, que, se precisasse, ninguém aqui me prestaria socorro
Só as vagas, e atrás das vagas, outras vagas se vão erguendo
Em meu redor, o vento soluça e geme. Perpasse-me os ouvidos
Meus ouvidos são tocados pelo seu gemido e continuo soluçar
Mas a minha canoa cá vai deslizando, cá vai indo à flor do mar!...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Viagem Clandestina de São Tomé ao Príncipe, em 18/06/1970 172 Km - Depois de 3 dias a contas com a PIDE-DGS - 1º Episódio



Jorge Trabulo Marques


Numa canoa: de São Tomé ao Príncipe, em 18/02/1970 172 Km – Parti à meia-noite da Baía Ana Chaves, disfarçado de pescador: depois de ter realizado uma viagem costeira, desde a Baía Ana de Chaves (onde se situa a cidade), até à praia onde se encontra o padrão que assinala a chegada dos primeiros navegadores portugueses, precisamente na véspera do dia em se iniciavam as comemorações dos 500 anos da descoberta das ilhas (experiência que serviria também de teste para outras viagens mais arrojadas), parti então para a primeira aventura, que foi a travessia de São Tomé ao Príncipe.

Larguei à meia-noite, clandestinamente, pois sabia que, se pedisse autorização, me seria recusada, dada a perigosidade da viagem, levando comigo apenas uma rudimentar bússola para me orientar. Fui preso pela PIDE, por suspeita de me querer ir juntar ao movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, no Gabão, o que não era o caso. Levei três dias e enfrentei dois tornados. À segunda noite adormeci e voltei-me com a canoa em pleno alto mar. Esta era minúscula e vivi um verdadeiro drama para me salvar, debatendo-me como extrema dificuldade no meio daquele denegrido sorvedouro das águas

Foi numa minúscula embarcação à vela e a remos - uma canoa muito fragil e tosca, esburacada, de onde em onde pela traca e a proa com uma enorme racha, que durante 58 horas consecutivas,- e algumas que longas horas: - em pleno mar alto do Golfo da Guine, sob o sol escaldante do Equador, muito longe de qualquer rumor humano, num percurso de mais de 170 milhas (300 km) e, que numa luta constante com a tempestade, a euforia de volumosas vagas, a solidão, e finalmente, a sede, a fadiga, o domínio do sono e o náufrago, que vivi os momentos mais-difíceis, mais dramáticos, senão também ,embora não pareça, alguns dos mais aliciantes de toda a minha vida:

Este o texto que editei em cinco edições da revista Angolana Semana Ilustrada
O NOSSO REPÓRTER DIZ QUEM É!


Sou um jovem, natural da freguesia de Chãs, Concelho de Vila Nova de Foz Côa, nascido e criado no campo até à idade dos 14 anos, altura que iniciei a frequência do meu curso de Agente Rural, na simpática Vila de Santo Tirso, portanto, como a maior parte da minha infância vivida no apego da terra, entre rudes montes, e bem longe do contacto ou influência das gentes do mar e do imenso e misterioso Oceano.- Excepto, quando, aos 12 anos, trabalhei como marçano em Lisboa.

Porém, talvez por isso mesmo, aqui esteja a razão que marcou no meu espírito uma enorme ânsia, uma indomável paixão pelo desconhecido, a que o mar e tão extraordinariamente propicio.
Não somos nos, portugueses, um Povo de Marinheiros e de um passado histo- rico tão repleto de gloriosas tradições na epopeia marítima que, sabe-se la, não poderá ser também esta teima aventureira uma herança dos nossos antanhos?

COMEÇA AVENTURA

Sim, lá parti, de facto, no dia previsto, sem ninguém dar por minha conta, como se de um vulgar passeio se tratasse, alheio a todas as contingências do tempo e do espaço, do ignoto ou do incerto. em suma: a merce dum destino imprevisível.

E evidente, que não fui com aquela certeza, que é habitual, se bem que nutrindo sempre todas as probabilidades de êxito; quando se tem de fazer uma viagem num grande barco - transatlântico - ou sequer, num avião, onde tanta gente ainda tem medo, ou noutro qualquer transporte adequado, mesmo por mais longa e perigada ou inverosímil que nos pareça a viagem mas, desde que para o efeito, ela reúna ou pelo menos nos mostre aquela garantia mínima indispensável de comodidade, de segura.nça, de conforto e de confiança, as coisas tornam-se vulgares.

Mas o que e que se poderia imaginar, o que e que se poderia vaticinar ou exigir da fragilidade de uma canoa? Um tronco de árvore escavado, com o fundo abaulado, e a forma concavo- -convexa, a favorecer um desequilíbrio permanente na sua deslocação tomboleante, com as dimensões de:



Comprimento 4,5 m; de boca 70 cm; de pontal 40 cm; da linha de obras vivas a altura da borda 30 cm Era assim, tal e qual desse tamanho, o habitaculozinho que, levantou cara ao mar, que, mesmo depois de singrado e vencido, gente houve que não acreditou logo no meu sucesso, achando-o impossível.

Foi, pois, num elemento estreitíssimo que transpus um grande braço desse portentoso oceano, esse mar equatorial repleto de lendas, de ameaças e de perigos, infestadíssimo de enformes tubarões, de frequentes e de inesperadas tempestades de caracter ciclónico - os tornados -, exposto por completo à chuva, a um sol abrasador, ao arrefecimento da noite, desprovido sequer, ao menos do ínfimo indispensável de quaisquer condições de repouso, de segurança, e, vá lá de orientação; enquanto a canoa não se voltou e não me deixou praticamente sem nada, vali- -me ainda duma pequeníssima bússola de algibeira adquirida na véspera, numa casa comercial em S. Tome, pelo modico preço de 30$00, mas até mesmo isso, que tanto jeito me fizera, havia de me falhar mais tarde numa grande parte do percurso.

Quem pois, nestas circunstâncias era capaz de premeditar um êxito certo?
TODOS ME METIAM MEDO

Dos pescadores da terra, tão exímios neste primitivo e rudimentar meio de locomoção marítimo, nunca se ouviu dizer, ou pelo menos se conste que, voluntariamente tenham ido tao longe.

Não obstante, coitados, que tal houvesse acontecido quando o tornado os arrasta até lá

E isso quando acontece, é já ter muita sorte, porque às vezes, quando a correnteza das águas ou a fúria impiedosa de algumas tempestades os leva de frente, e mais vulgar dizer-se o seguinte: era uma vez um pescador que saiu da praia para o mar, e até hoje, nunca mais apareceu.

Sim! Eles têm razão em dizerem o seguinte:

Gente não vai ao Príncipe não senhor. La fora tem muito calema e muito tornado. Se canoa vira , vem logo gandu grande (tubarão) que engole inteirinho perna de gente. Isso pescador que vai lá parar é tornado que o levou a ele e é gente de feitiço , porque outro pessoa , não pode mesmo senhor. Morre no caminho. Você experimenta,"

Contudo, os pescadores destas duas ilhas não temem o mar. Olham-no com, respeito. É muito diferente. Pois, eles , vão até onde o alcance da sua vista os não deixa evadir por completo da terra, o que, mesmo assim, em condições climatéricas favoráveis , representa uma distância considerável de milhas.

Mas para quê? Qual a necessidade de ir tao longe?
A sua vida, já é de si tão dura e perigada, é mais do que uma constante aventura: é um desafio permanente à natureza quando esta nem sempre é prodiga ou benevolente.

Conheço-os de perto. Tenho mantido com eles, amiudadas vezes, interessantes diálogos. É uma gente muito franca e muito devotada ao seu laborioso trabalho.

Estes bravos e humildes pescadores são donos de uma experiencia _tao vasta e de uma noção tao exacta, tao perfeita, embora empírica, claro está, de muitos dos segredos do mar e previsões do tempo, que as mais das vezes, quando me apercebo da certeza dos seus conhecimentos ou dos seus cálculos, mais me lembram adivinhos do que simples homens do mar.

MAS CHEGUEI!
E descritas estas breves linhas, quase ao de fora da pergunta atrás formulada, direi ainda:
De facto, nem eu, nem ninguém poderia predizer um êxito certo.

Não sou um crente fervoroso ou um religioso praticante; e as minhas contas com Ele de há que tempos não andavam seriamente atrasadas!

Porém, havia sempre uma réstia de fé, mas agora mais do que nunca, me convenço de que: sem a Sua Divina proteção, as coisas nem sempre tomam o melhor caminho, e, que Ele é o Pai da infinita bondade, e Ele é o pai, que continua a ter piedade de nos, seus filhos, mesmo quando nos lhe voltamos de todo as costas.
Sinceramente!

Desde há muito tempo que havia cá dentro de mim qualquer coisa, uma espécie de vazio, que não me deixava ficar absolutamente tranquilo. Não sei se, talvez, por estar longe da família, há já alguns anos, certamente, também por isso, mas a verdade é que quando tentava rebuscar qualquer alivio espiritual, não tinha coragem e desistia.

QUANDO ME SURGIU A IDEIA

Então, em 20 de dezembro do ano transato, pus começo aos meus intentos insólitos.

Foi na véspera de um dia grande em S. Tome. O dia da inauguração do ano comemorativo do meio milénio da sua descoberta.
Decidi, norteado simultaneamente, pelo desejo da aventura e de reflexão espiritual, associar-me também a tão momentoso e significativo acto inaugural.

Como? Circunavegar de canoa a Ilha de S. Tome, e, de na passagem pela Esprainha, la colocar a Bandeira Nacional, junto ao padrão que naquele lugar foi erigido como monumento aos intrépidos Marinheiros Portugueses que, há cinco séculos, em 21 de Dezembro de 1470, ali desembarcaram pela primeira vez com a Bandeira das Quinas de Cristo
.
E a viagem, pelo menos até la e regresso, fez-se (40 milhas - 70 Km). A ida foi um tanto mais custosa: a remos, exclusivamente! Tive vento forte pela proa e mar encapelado.

Em certa altura do percurso ainda se beberam alguns "pirolitos" à pressão. Porém, a meu lado, la no fundo, o aspeto encantador da Ilha, e a orla negra e espumosa a emergir sinuosamente entre o seio do mar e a policromia da exuberante vegetação; a meu redor, a água cristalina a enrugar-se copiosamente em anéis de oiro e de luz; a minha frente, bem direitinha ao peito, a brisa fresca da vaga; lá de cima, das alturas infinitas, o céu límpido, magnifico e claro, e o sol quente, mas radiante, a tostar-me como um pimentão, extasiavam-me sobremaneira e tornavam esquecidos alguns momentos inoportunos.

ALGO BEM DIFICIL

E porque não circum-navegar a Ilha de S. Tome?
Na noite do dia anterior caiu chuva la de cima, forte, abrupta, aos cântaros, muito fria, o que me impedia ir mais longe.
Resta-me apenas, essa lembrança efémera:

Capitão dos Portos, disse: “Não! Não Senhor! Só devidamente acompanhado. Peça apo macoco que vá consigo coma traineira e depois venha falar comigo.

- Mas… eu responsabilizo-me!
- Não Senhor! .. Acontece-lhe alguma coisa , vem daí p seu pai e toda a sua família a incomodarem-me! E eu é que tenho a culpa porque o autorizei e lá tenho que mandar a vedeta à sua procura!
- Eu não tenho cá ninguém Sr. Comandante. Tomo a responsabilidade do que me acontecer… Creia que não me acontecerá nada.

- Já disse! Não insista maís. Então vá! Vá lá esta noite e suicide-se. Mas que eu não saiba. Que não me digam nada, senão mando imediatamente vedeta atrás de si e mando-o....
Devia ter graça! Uma traineira ao lado duma canoa! Um gigante ao lado dum anãozinho! Um assopro e zás - trás, aferrolhava-me logo. Era pois quanto bastava.

E uma vedeta com canhões e tudo apontar. Apanhava tamanho susto!

Era de facto, um dilema bicudo. Eu não pretendia acarretar problemas de qualquer espécie a ninguém. Confiava nas minhas possibilidades e desejava, unicamente, dar conhecimento da minha formalidade intenção e respeitar uma da Lei, já que o caso tinha aceitação de outras entidades oficiais.

E mesmo até, para a efetuação da pequena viagem à Esprainha, não foi tão fácil como, talvez se calcule.Pois tive ainda que escorregar com alguns tostões da algibeira, em papel à risca, e selos e nem assim, cumpri todas as exigências, quando não valia mais ir a pé ou de automóvel, que efeito era o mesmo.
Valeu a pena a maçada!...

Não satisfez por completo, é certo, mas ainda assim, viveram-se momentos muito agradáveis.

DE S. TOME AO PRINCIPE EM CANOA

Entretanto, dias sucederam uns após Outros, ideias surgiram e objetivos vieram ao decima.

Porém, a interdita viagem em torno a Ilha, interpunha-se: queria ficar sempre em primeiro plano. Mas não: Era desobediência craca.. Então, o quê?
Onde?
E esse onde a repercutir a passo, e a cada instante
Príncipe! - Lembrei-me um certo um cero dia
- Nunca la fui entredisse -. Dizem que é um encanto; autêntico Paraíso!

- Ora bem. De_canoa, propositadamente, nunca ninguém la foi.
Há! Sim. Há quem diga que alguns pescadores já lá foram parar, empurrados pelo tornado. Então, é possível, com um pouco de vontade ir-se la.

E, logo nessa ocasião me apercebi das inúmeras dificuldades que havia lá ir, mas convenci-me, imediatamente, que, com bastante treino, eu conseguia lá ir.
Por isso, não se julgue, que viagem clandestina ao Paraíso, foi motivada por um desejo cego ,ou inconsciente, tendo por rótulo - a sorte ou siciídio.

Não! Porque se o fosse, era fracasso absoluto. Teria sido o mesmo que ir rogar às Deusas que me passassem um visto lá para cima, que eu caá na terra, sempre triste, estava farto de viver. Preparei-me muito.