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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Terras de Mêda - Marialva – Aldeia Histórica - E de Foz Côa - Onde o imigrante, a principal mão-de-obra, não é descriminado e se sente como em sua casa - Testemnho de do Luso-Santomense, Danilo Salvaterra,

 

Por Jorge Trabulo Marques - Terras  de Mêda  - Marialva – Aldeia Histórica - E de Foz Côa - Onde o imigrante, a principal mão-de-obra,  não é descriminado e se sente como em sua casa - Testemnho de do Luso-Santomense, Danilo Salvaterra, distinguido com o Prémio a Pomba da Paz do Papa Francisco- Um Belo exemplo de servir o seu país e a comunidade em geral. em muitos dos pontos do Globo Terreste,. Empresário e analista político, verdadeiro peregrino, que também já nos deu o prazer de visitar os Templos do Sol, nos arredores da minha aldeia, além de outros pontos do concelho de Foz Côa, nomeadamente, o belo mirante de São Gabriel, em Castelo Melhor e as antigas muralhas do Castelo de Marialva, concelho de Mêda

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Na visita que ali fez há cerca de 2 anos, definiu este castelo e a freguesia de Marialva, como um belo espaço histórico de acolhimento, aconselhando a visita aos imigrantes, até para conhecerem melhor a história de Portugal – Tive o prazer de o acompanhar e de registar as suas palavras, na viagem que, ambos ali efetuámos, na sua viatura, desde Lisboa à minha aldeia, Chãs, de V. N. de Foz Côa, antes de ali chegarmos para uns passeios ao planato onde se situam os templos do sol, que o iria também encantar e maravilhar.
Danilo salvaterra, natural da Ilha do Príncipe e a residir em Portugal, há 40 anos e que tem sido um dos olhares e uma das vozes, muito atentas aos problemas e às dificuldades do seu país, bem como à integração plena dos seus concidadãos e demais imigrantes, mostrou-se visivelmente encantado com esta aldeia história, que se ergue a escassos quilómetros da cidade da Mêda, freguesia a que pertence, inserida no distrito da Guarda .


O foral foi-lhe atribuído pelo Rei D. Dinis, no dia 21 de Maio de 1299 – Já lá vão mais de sete séculos – Em 1920, segundo o jornal “Notícias de Foz Côa", a sede da então vila, contava com 897 casas, 800 famílias, no Pocinho, 42 casas e 42 famílias, na Veiga. Monte, quintas e arredores, o censo apontava para 44 casas e 36 famílias - Cerca de 4.000 mil habitantes.

Em 2011, as estatísticas, atribuíam-lhe  cerca de 3 100 habitantes. E, a todo o concelho, que engloba uma área de 398,15 km² de área,  7 312 habitantes, distribuídos por dezassete freguesias, com  uma densidade populacional 18,4 hab./ km2, apresentando uma diminuição de população residente de 13,8 %., comparativamente ao recenseamento anterior. – De então para cá, escusado será dizer que a desertificação se agudizou ainda mais. - Em 2021, aponta-se para 6 304 habitantes, no conjunto das suas 14 freguesias.

Cerca de 50 jovens santomenses a trabalhar na agricultura - Num dos concelhos mais envelhecidos da região, com uma área de 398,15 km2, 6 304 habitantes em 2021 , quase metade da superfície de S. Tomé, sendo a maior ilha, com uma área de 859 km² e 204 454 habitantes, estimativa de 2018


Dados os profundos laços que me ligam a S. Tomé, para onde emigrei em Nov. de 1963, para fazer um estágio numa roça do meu curso de técnico agrícola, de agente rural da Escola Agrícola Conde S. Bento, em Santo Tirso, e onde permanci, cerca de 12 anos, pois, encontrando-me por uns dias na minha aldeia, que pertence a este mesmo concelho, não quis perder a oportunidade de nas véspera de Natal, conviver com alguns jovens santomenses, que se encontram aqui a trabalhar na agricultura e noutros serviços


Embora com muitas saudades das sua terra, confessaram-se satisfeitos por aqui trabalharem . Sentei-me com alguns na mesa de um café e também tive oportunidade de fotografar outros à entrada da avenida principal - Já o mesmo havia feito, nas vindimas da Quinta da Ervamoira, no passado mês de Agosto.

Fenómeno de Emigração em São Tomé e Príncipe por melhores condições de vida, na Europa.

A falta de oportunidade em São Tomé e Príncipe tem levado muitos santomenses a optarem pela emigração.. Fenómeno que afeta principalmente a juventude que abandona o país em massa e vai a procura de melhores condições de vida, na Europa.

Informações oficiais do Instituto Nacional de Estatística de São Tomé e Príncipe indicam que no espaço de dois anos, saíram deste pequeno país, mais de 50 mil cidadãos, numa média de 500 pessoas por semana.

MARIALVA - Em 1179 recebe a carta de foral de D. Afonso Henriques, tendo mantido uma atividade intensa- graças às feiras que aí se realizavam – até finais do séc. XVIII. No ano de 1200 o castelo é mandado reconstruir e restaurar por D. Sancho I tendo sido posteriormente ampliado por ordem do rei D. Dinis.
No interior das muralhas, destacam-se a Praça, solenemente assinalada pelo Pelourinho e pelo edifício da antiga Casa da Câmara, também tribunal e cadeia (séc. XVII); alguns metros mais à frente a torre de menagem e a Igreja de Santiago, apreciada pelo retábulo em talha, e a Capela do Senhor dos Passos, também conhecida como Capela da Misericórdia, com o seu teto em caixotões pintados, são verdadeiros tesouros construídos dentro do recinto muralhado

Mensagens da Manifestação frente ao Parlamento, em Lisboa, terça à noite 27-10–2026: Não ergueram tendas mas dirigiram palavras muito claras dos seus direitos ao Governo e ao Chega – Justamente no dia em que se discutia o Orçamento do Estado para 2027


Jorge Trabulo Marques - Jornalista






Video da manifestação

Mensagens da Manifestação frente ao Parlamento, em Lisboa, terça à noite: Não ergueu tendas mas dirigiu palavras muito claras dos seus direitos ao Governo e ao Chega – Justamente no dia em que se discutia o Orçamento do Estado para 2027


Exigindo mais políticas públicas e não só: a governantes e com respostas bem claras aos que os têm criticado. Reunindo milhares de manifestantes das mais diversas idades e origens, tendo decorrido, embora de forma calorosa, mas pacifica e deixado o local por volta da uma da noite.

 Pese os meus cerca de 82, para lá me dirigi: não apenas no papel de jornalista mas de solidariedade de quem já conheceu também muitas dificuldades e sacrifícios na vida - Só que o. regresso a casa, é que teve de ser feito a pé, desde S.. Bento a Arroios.




Coros do Cântico Vila Morena de Zeca Afonso e expressões de "Fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre" e "violência policial é herança colonial" foram algumas das palavras proferidas junto à escadaria da Assembleia da República, onde algumas dezenas de polícias continuavam a vigiar os manifestantes, sem. no entanto, ter havido necessidade de alguma intervenção repressiva ou dissuadora.








segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Vitória de Lula da Silva -Saudada na Acampada do Rossio – Centenas de manifestantes unidos contra o fascismo, , celebraram a vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais brasileiras, unindo portugueses e brasileiros e outras nacionalidades

Jorge Trabulo Maques - Jornalista

                              Depois da uma da noite a Praça do Rossio passou a  ficar vazia e marcada nova                                          manifestação para a Praça da Justiça, na segunda-feira

Vitória de Lula da Silva  -Saudada na Acampada do Rossio –

Centenas de manifestantes unidos contra o fascismo, , celebra
ram a vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais brasileiras, unindo portugueses e brasileiros  e outras nacionalidades 

Na noite de domingo, até desmobilizarem e programarem contestação para o campus de Justiça, nesta segunda-feira, dia 26,  a  vitória de Lula da Silva foi acompanhada com atenção pelos manifestantes no Rossio, com muitos telemóveis conectados nos resultados eleitorais.

Olá! Olé ! É Lula" Além da  canção de "Grândola Vila Morena" 

Coros entoados  logo que a Vitória foi conhecida  - Considerando que "É uma vitória contra Trump, contra o imperialismo dos Estados Unidos – Este um dos aspetos sublinhados por manifestantes

 A manifestação decorreu alegre e pacificamente, os participantes desmobilizaram depois da ,meia-noite com a promessa de continuarem a luta também noutros locais da cidade    

Lula da Silva foi reeleito pelos brasileiros para um quarto mandato  

 António José Seguro felicitou Lula pela reeleição e defende reforço da cooperação entre Portugal e Brasil pela paz e direitos humanos 


Se a lei do Novo Regime do Arrendamento Urbano, conhecida por “Lei Cristas”, é desequilibrada a favor dos senhorios, a recente Lei das Rendas, aprovada no Parlamento, deve designar-se por “Lei dos Despejos”..

O direito de reunião e manifestação deve ser respeitado e não reprimido pela força - Dois exemplos a condenar: A manifestação é o direito de os cidadãos se reunirem livremente e de se manifestarem, de forma pacífica e sem armas, sem necessidade de autorização prévia, embora o seu exercício esteja sujeito a alguns limites e condições previstos na lei. 



A Manifestaçao dos Secos e Molhados, ocorreu na Paraça do Comércio, em Lisboa,  em 21 de abril de 1989 e foi marcado por um momento inédito em Portugal — polícias a reprimir outros polícias. O Corpo de Intervenção foi ordenado a avançar contra os manifestantes (que incluíam homens, mulheres e idosos), utilizando bastonadas, escudos, granadas lacrimogéneas, cães e canhões de água 

 A carga policial contra a acampada em Lisboa e no Porto faz vários feridos. Ocorreu  no dia 24 de Outubro 2026 - Há registos de vários detidos e feridos em Lisboa e no Porto. Ouviram-se gritos de “cheira a ditadura” quando as unidades especiais da Polícia de Segurança Pública (PSP) desferiram bastonadas sobre os manifestantes em Lisboa e no Porto. As autoridades levaram a cabo uma operação simultânea de desmobilização das acampadas montadas na Praça do Ros

Não esquecer - Manifestação de militares da GNR em 2012

 
Abril 2013- A Praça dos Restauradores foi pequena para os cerca de dois mil militares da GNR  -Vieram de todos os pontos do país para manifestarem a sua indignação Apesar da chuva torrencial, cerraram fileiras e foram mostrar publicamente ao Governo o seu descontentamento pelas drásticas medidas de austeridade, que os atingem, enquanto que os oficiais superiores, esses, escandalosamente benificiados. A manifestação ocorreu no Governo   de Passos Coelho, Paulo Portas, Relvas e Gaspar - e os seus ministros - Ainda se ao menos tivessem a conduta Salazarista, que lá tinha os seus princípios e o seu  ideário, mas nem isso têm:  - Não passam de um grupelho de oportunistas  e aproveitadores




sábado, 24 de outubro de 2026

São Tomé - Sem água potável? - Entre secas e inundações Como vedor digo que é mais por nigligência, desflorestação e agressões ao meio ambiente - Nem sequer se dão passos para assegurar água às populações ? Pois emgarrafada não falta a quem a possa comprar e também não faltam nascentes e ribeiras a desaguar no mar.

Jorge Trabulo Marques

São Tomé - Sem água potável? - Entre secas e inundações Como vedor digo que é mais por nigligência, desflorestação e agressões ao meio ambiente - Nem sequer se dão passos para assegurar água às populações ? Pois emgarrafada não falta a quem a possa comprar   e também não faltam nascentes e ribeiras a desaguar no mar. 

Meu diagnóstico de vedor 

São Toémé volta a ser noticia de que "os reservatórios de água potável que são alimentados pelas nascentes estão praticamente secos - Situação a provocar  crise no fornecimento aos bairros residenciais do país.Ao menos saibam armazenar a água e aproveitar as nascentes, numa ilha onde correm tantas ribeiras

São Tomé e Príncipe - Ambas as ilhas passaram a ter o estatuto de Reserva Mundial da Biosfera,  pela UNESCO - Mas, pelos vistos, a distinção deixa mais dúvidas de que certezas quanto à defesa do meio ambiente



Os apoios são importantes, desde que bem utlizados. Mas não é isso que tem acontecido. A juventude continua abandonar o pais e, Portugal, continua a ser o maior destino. E os que ficam, debatem-se com as maiores dificuldade, sem perspetivas de futuro.
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                          ABATE INDISCRIMINADO NA DESFLORESTÃO 

É dito que a crise no fornecimento de água em São Tomé e Príncipe está relacionada com as alterações climáticas a nivel global, sim: mas, sobretudo, pelo incúria e a desenfreadada desflorestaçao e a desgovernação   

O abate indiscriminado de árvores nativas por outras plantações em São Tomé - nomeadamente ao sul, na área vizinha do Pico Cão Grande  - continua a ameaçar o ambiente, facto que preocupa algumas organizações não-governamentais, como é o caso da Zatona-Adil, que já lançou vários alertas

Confrontado com críticas e protestos das populações por causa do corte no fornecimento de água, o departamento da EMAE responsável pela distribuição do líquido precioso decidiu abrir as portas dos depósitos de água para o público constatar a situação. O primeiro reservatório visitado foi o de Água Moreira IV localizado na entrada de Diogo Simão. Estava completamente vazio.

Vila Malanza, em São Tomé e Princípe, sofreu um forte impacto com as mudanças climáticas, ficando vulnerável à chuva e à consequente subida das águas. nda diques para evitar inundações provocadas pelo rio

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - UM PAÍS POBRE E DESCAPITALIZADO –  .

De facto, embora as belezas naturais de S. Tomé e Príncipe, sejam verdadeiramente surpreendentes,  bem como a fertilidade dos solos, nem  por isso  as condições de vida das populações têm progredido. 



A vida do dia a dia do “Povo Pequeno” de S. Tomé e Príncipe” já conheceu melhores dias: mesmo para quem tem de se conformar com um miserável ordena ordenado mínimo, arranjar meios para  garantir o sustento  é um tremendo calvário! Que só quem tem de arrostar com essa pesada  cruz, é que poderá compreender o que é esse tão penoso sacrifício diário.: ”Temos  empresários descapitalizados; temos médicos descapitalizados!... As pessoas não têm dinheiro!... Nós sabemos que todos os países atravessam uma situação de crise mas nós estamos numa situação péssima!!...  Essa crise não tem limite em S. Tomé e Príncipe?!...  As pessoas não estão a morrer na rua por ser um pais agrícola! – Desabafo de um dos deputados da oposição”, Até porque, como dizia outro deputado: “Hoje o Governo tem a mão de tudo! Até dos Tribunais!”- Passou-se no Governo de Patrice Trovoda e continua a suceder


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

23-10-1975 - 3º Dia de um náufrago no Golfo da Guiné Mas os que andam ao deus dará nas cidades sem terem um teto onde dormirem" não me ficam atrás



Tenho a sensação de que não pertenço ao mundo donde vim: reconheço-me um excluído, um inútil - talvez o único elo . em que nele me reveja, seja  apenas o sentimento dos que sofrem a desesperança de nada terem. 

23-10-1975 3º Dia de um náufrago no Golfo da Guiné Mas os que "andam ao deus dará nas cidades sem terem um teto onde dormirem" não ficam atrás. Depois de assolado por violento tornado- Passei uma noite dificílima! tirando água permanentemente desta embarcação, que já não é uma canoa!... É uma banheira!...Tenho a sensação de que não pertenço ao mundo donde vim: reconheço-me um excluído, um inútil - talvez o único elo . em que nele me reveja, seja apenas o sentimento dos que sofrem a desesperança de nada terem senão o de vaguearem estendendo a mão à esmola e pernoitarem ao relento

Jorge Trabulo Marques  - Tenciono recordar.-lhe apenas algumas páginas dos meus atribulados 38 dias. Mas não todos os dias. Já editei várias neste blogue em Outubro e Novembro de 2019  Pois, sendo jornalista,  não quero servir-me deste espaço, unicamente para uso da minha vida pessoal . Eu resisti e estou vivo, graças a Deus. Mas, nos dias que correm, há muita gente que está vivendo uma odisseia pior de que a minha. Poderei vir a editar mais alguns textos sobre esta minha dramática experiência mas não com carácter regular. Meu Bem-haja pela sua atenção

Manhã parda e brumosa. Aguaceiros a pairar por tudo quanto é vastidão... O céu um espesso manto acinzentado!.. A incerteza a ganhar foros de domínio sobre a esperança. E a angústia a minar-me à alma.  Momento grave .De profundo vazio. Em que até o próprio Universo se me afigura morto, decompondo-se das suas formas, ante os poderes supremos dos elementos destruidores. 

Mais uma noite que não me dera descanso: chuva e vento. Praticamente desde que as trevas cobriram o mar. 


Procurei proteger-me com uma capa e uns plásticos, mas de pouco me serviu. A água caia-me de todos os lados. Se não era a que vinha do alto, era a que a franja das vagas se fazia saltar a cada instante. Depressa a canoa se transformou num autêntico charco. 


E então que dizer de mim?...Foi horrível!  Uma vez mais uma noite angustiante e horrível!  Aliás, as palavras que verti para o meu diário gravado,  não o desmentem. 

Diário - É já manhã do terceiro dia que me encontro sozinho, neste vasto Golfo da Guiné. 

Só vejo céu e mar!...Este mar escuro! De um azul profundo, escuro! Mais nada!...De vez em quando uma ou outra ave na procura de algum peixe. 

Passei uma noite dificílima! tirando agua permanentemente desta embarcação, que já não é uma canoa!... É uma banheira!...


Água por todos os lados! Estou completamente molhado. Encontro-me náufrago! Não tenho domínio na minha canoa! Perdi o leme. Algumas coisas também...  Até agora tenho mantido a serenidade, tenho-me quedado num autêntico mutismo...Não tenho dito palavras nenhumas, mas ao mesmo tempo tenho a sensação de que tudo aqui tem vida!...E que falo...Falo com tudo o que me rodeia na minha canoa. . . Todas as coisas que aqui tenho, tem formas de gente! de pessoas...Mas não falo.. 

 À força de contemplar o que me rodeava e os parcos objectos que me restavam na canoa, parecia-me encontrar em cada um deles um certo carácter, algo muito humano, uma certa fisionomia ou cumplicidade com o meu sofrimento. 

 Imagem da minha largada das Neves para a Baía Ana Chaves, S.Tomé - Sabia que me ia expor a enormes riscos   - e já os tinha vivido em anteriores travessias de S. Tomé ao Principe e de S. Tomé à Nigéria - mas estes pareciam-me prolongar-se por eternidades  

À força de contemplar o que me rodeava e os parcos objectos que me restavam na canoa, parecia-me encontrar em cada um deles um certo carácter, algo muito humano, uma certa fisionomia ou cumplicidade com o meu sofrimento. 

E,  às vezes, era tal a empatia que me dava vontade de me abrir ao meu silêncio e desabafar o que me ia na alma.  Na realidade, nada ali podia ter formas humanas, naquele deserto unicamente povoado de mar; o que eu desabafava para o meu gravador era tão só o excesso do meu silêncio: em que interiormente me escudava e da erma e estranha paisagem em torno de mim.

Diário - "Há um silêncio ameaçador!...Umas vezes há um silêncio. . .Outras vezes há vozes…que eu ouço não sei donde! . . .Nesta imensidão que existe em meu redor!...0 mar. o azul e o céu! 

Mas por que é que estou aqui?...  Afinal, porque?... Aqui?.. Afinal porque?... 

 Eu já não sei porque!... Por que o destino quis?!... Por que eu quis?!...Não sei...Há de ser o que o destino  quiser!...

 Sim, sentia-me demasiado insignificante perante tamanha grandeza, e, por isso desprovido dos meios mais elementares para a poder vencer, via-me assim como que entregue  às  mãos de um destino incerto.  Pois que segurança, que tranquilidade me poderia oferecer um simples pau escavado atirado para ali de qualquer modo à brutalidade das ondas?... Nenhuma. Absolutamente nenhuma. 

Respostas para todas as minhas dúvidas, por enquanto, ainda as não tinha. 

Entender a razão na sua amplitude real, porque ali me encontrava perdido, porque tao repentinamente me havia transformado naquela miséria ,eu que deixara a linda Ilha de São Tome, com tanta confiança, para já era ainda muito cedo para responder a tantas interrogações. Digamos, tudo se afigurava muito nubloso para o espírito. 

A surpresa fora demasiado grande. Além disso, assaltava-me, a todo o momento, aquilo a que vulgarmente os marinheiros chamam a angústia do material. A angústia e o receio de que a minha canoa não resistisse aos constantes embates das águas.

 E, se por um lado, subsistiam tais inquietações, quanto a fragilidade da minha embarcação ,por outro - e este talvez o pior aspeto - era a sensação de impotência para a Governar, ante aquele mar bravio. 

Até a chuva .A própria chuva não parava. 

 Aliás, estava-se no tempo dela: um período que naquelas latitudes se prolonga por nove meses. E em que os tao conhecidos tornados se podem desencadear a qualquer momento.

 De resto, naqueles mares equatoriais, o tempo e mesmo assim: chuvadas, tornados, calmarias entrecortadas com tempestades ou agueceiros. Dificilmente, passa um dia, que não se verifiquem as condições atmosféricas mais bruscas e variáveis. 

A canoa ia, por isso, transformada num charco. 

Primeiro, fora a chuva diluviana da noite tempestuosa, que não parara no dia seguinte, nem na noite que lhe sucedeu. Agora, ao terceiro dia, tanto de manhã, como durante a tarde, era praticamente à copia fiel de um tempo agitado e cinzento que não me dava um minuto de descanso. 

Por isso, os banhos inoportunos por sobre a minha roupa, por sobre o meu corpo, eram uma constante, que fisicamente me desgastavam e, em consequência, me causavam um permanente mal-estar, as vezes muito próximo do desanimo. 

Que imagem, então a minha, meu Deus!...E como todas as minhas coisas andavam por ali mo deus dará, sobre o fundo daquele tronco escavado! ...É donde até exalava um cheiro  fétido devido a frutos já apodrecidos e a odores do meu corpo Que, por causa da humidade e da água salgada, se ia cobrindo de chagas nalgumas partes. 

Ah!...Não o esqueço!...Não esqueço tais horas infinitas! 

Dário – “Na minha canoa reina o caos...eu sou o caos!  Não sou ninguém, não sou nada! ...Absolutamente nada!...E,como tal não me devo preocupar com coisa alguma... 

Vejo apenas uma imensidão de água! Uma vastidão de oceano…Vejo toda esta força quase que a tentar tragar-me, engolir-me! No entanto, este nada! este ninguém! mantém-se aqui nesta fragilidade!.. Que ameaça ser engolida todo o momento!...