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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Pico Cão Grande em S. Tomé-. 12-10-1975 Dia da conquista mais vertical da Terra e da Guiné Equatorial celebrar a independência do 12-10-1968, sobre o jugo do regime franquista de Espanha - Sete anos depois, a minha equipa atingia a crista do emblemático símbolo basáltico de quem visita o sul desta maravilhosa Ilha, o mais atraente ícone do ecoturismo africano, depois de sucessivas tentativas, ao longo de quase cinco anos.

                                                       Jorge Trabulo Marques 



Pico Cão Grande em S. Tomé-. 12-10-1975 Dia da conquista mais  vertical da Terra e da Guiné Equatorial  celebrar a  independência  do 12-10-1968, sobre o jugo do regime franquista de Espanha   - 
Sete anos depois, a minha equipa atingia a crista  do  emblemático símbolo basáltico de quem visita o sul desta maravilhosa Ilha, o mais atraente ícone do ecoturismo africano, depois de sucessivas tentativas, ao longo de quase cinco anos.  

Dois anos sozinho, e, por fim, nos dois anos seguintes, de 73 a 75, com a participação de dois valorosos santomenses, o Cosme Pires dos Santos e o Constantino Bragança, além da valiosa colaboração dos guias e carregadores, do Sebastião e do Chico, atingia-se a crista de um dos mais difíceis e caprichosos monólitos do planeta.

Mas foi na companhia do Constantino que iniciei as primeiras escaladas - E, obviamente, com os meus inseparáveis guias: o Chico, trabalhador da Roça Ribeira Peixe, que nos acompanhava, sempre que podia, especialmente aos fins de semana


Lisboa - Julho 2022

Guiné Equatorial de Parabéns – Celebra hoje o 58 aniversário da sua independência, já com a pena de morte abolida – Proclamada em 12 de outubro de 1968, como nação livre, pelo Governo da ditadura franquista – Colónia Portuguesa de 1471 a 1778 - Cedida a Espanha pelo tratado de San Ildefonso – País membro da CPLP; desde de 2014

Com o Emb. Tito Mba Ada -Num 12 de Outubro

Foram navegadores portugueses os primeiros europeus a explorar o golfo da Guiné, em 1471. Fernão do Pó situou a ilha de Bioco nos mapas europeus nesse ano, ao procurar uma rota para a Índia: ele baptizou a ilha Formosa (no entanto, foi no início conhecida pelo nome de seu descobridor).As ilhas permaneceram em mãos portuguesas até Março de 1778.

Graças a Deus estou vivo e o devo ao humanismo e à compreensão do então Comandante Obiang, atual Presidente, que, no dia em que ia ser executado, me chamou ao seu gabinete, quando, pouco depois de sair acorrentado da minha estreita e nauseabunda cela, um inesperado telefonema, soando no corredor, ordenou ao Comissário da cadeia, que seguia a liderar a minha execução com dois guardas, fosse levado à sua presença.





Pico Cão Grande em S. Tomé- A conquista do pico mais aprumo da Terra, o emblemático símbolo basáltico de quem visita o sul desta maravilhosa Ilha, o mais atraente ícone do ecoturismo africano. que a minha equipa conquistou, pela primeira vez, em 12 de Outubro de 1975, depois de sucessivas tentativas, ao longo de quase cinco anos.

O Monte Thor é uma montanha em Nunavut, no Canadá, tida  com a maior queda vertical da Terra. Sim, mas apenas num dos pontos e não é um monólito arredondado , enquanto o Pico Cão é em toda à volta  “É referido que é uma escarpa aterradora”, com uma saliência média de 15 graus em relação à vertical. É tão íngreme que se curva sobre si mesmo.  

NESQIECÍVEL CONQUISTA


Pessoalmente, pude sentir o grande prazer – misto de glória, apreensão e receio – de, com o Cosme Pires dos Santos (mas também graças ao apoio do Constantino Bragança e dos meus guias, do Sebastião e do Chico), desfraldarmos, no topo do seu cume, a 663 metros de altura acima do nível do mar a Bandeira Nacional de São Tomé e Príncipe, depois de nas sucessivas escaladas, antes da Independência, termos erguido a Bandeira Portuguesa, trepando as suas vertiginosas faces, que se erguem aprumo no mais denso manto da selva verde.

De sermos os primeiros seres humanos - pois há aves que lá nidificam – a pisar as rochas da sua monumental crista!Que se ergue no coração da floresta equatorial, área integrada no Parque Natural Obô, com mais de 700 espécies de plantas e 143 tipos diferentes de aves

Já lá vão 51 anos todavia as memórias, permanecem ainda hoje tão vivas, tão vibrantes, como se o tivesse acabado de escalar – O que parecia custar aceitar era o não reencontro, a não partilha dessas mesmas emoções, com o valoroso Pires dos Santos – Mas, felizmente quis o destino que, finalmente, na tarde de 5 de Agosto, 2015, nos reencontrássemos, num abraço fraternal e amigo na companhia da sua mulher, e dois dos seus irmãos e do jornalista Adilson Castro.
- Cão grande não é Pico! É cabeça de bicho, senhor!...Quem subir ele, morre ou então tem poder no seu corpo!...

Estas algumas das afirmações que, por várias vezes, ouvi de velhos angolares (autóctones de uma conhecida etnia fixada ao sul de S. Tomé), entre outras histórias de feitiços e de homens gabões; designação dada aos trabalhadores das roças, vindas de outras colónias, em situação de degredo ou sujeitos a contratos miseráveis, que preferiam o refúgio do interior do espesso obó ao regime brutal e de semiescravidão em que prestavam serviços nas grandes propriedades agrícolas, acabando, enfim, por ali viverem no mais completo abandono e isolamento, decididamente arredados de tudo e de todos, já que a própria condição insular do meio não lhes permitia outra alternativa.

Por isso, o Cão Grande, assim como toda aquela vasta área de obó que o circunda, desde a perseverança ao Novo Brasil e Monte Mário, zonas de “capoeira” enorme e cerrada, foram pois lugares que, pela sua singularidade, muitas histórias, mitos e lendas alimentaram ao longo dos tempos da colonização.

É certo que nunca por lá se me depararam quaisquer desses homens de barbas até à cintura e com mais de trinta e tantos anos de mato, como por vezes me contavam. Mas acreditei que lá os houvesse, pois apercebi-me dos vestígios da sua presença, nomeadamente cabanas de folhagem e até de buracos nas rochas

. E, à noite, quando pernoitava, lá pelas alturas do Pico, também tive ocasião de ver pequenos clarões de fogueiras a refulgirem por entre o negrume espesso e rumorejante da floresta, donde, aliás, chegavam , simultaneamente, como que sussurros de vozes humanas, em jeito de cânticos ou monólogos em surdina, misturados com o vozear dos macacos e com outros sons característicos do obó, dando-me, por isso, a indicação segura por ali estariam acoitados alguns seres humanos

10º Gala Prémios Lusofonia – Distingue duas figuras santomenses: Ex-presidente Manuel Pinto da Costa (representado) e Ilza Amado Ministra de Estado, dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades

Jorge Trabulo Marques - Jornalista (temos videos ainda por editar - Não perca as imagens e videos de uma das mais importantes manifestações culturais da Lusofonia

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Tal como foi noticiadp a 10.ª edição da Gala Prémios da Lusofonia , decorreu no passado Sábado à noite, 10 de Outubro, de 2026, no Salão Preto e Prata do Casino Estoril, em Portugal, numa cerimónia integrada nas comemorações dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A iniciativa, que tem tido o apoio institucional da CPLP, visa distinguir personalidades provenientes dos Estados-membros da organização que se destacaram pelo seu percurso profissional, mérito e contributo para o desenvolvimento de diferentes sectores da sociedade.

Entre as áreas contempladas nesta edição estão a literatura, cidadania, desporto, acção empresarial, direitos humanos, comunicação social, teatro e cinema, música do mundo, moda e estilismo, num reconhecimento do trabalho desenvolvido por figuras que contribuem para a valorização da língua portuguesa e para o fortalecimento dos laços culturais entre os povos lusófonos

A lista de galardoados da décima edição inclui o Prémio Carreira atribuído a Manuel Pinto da Costa, ex-Presidente de São Tomé e Príncipe.

Distingue duas figuras santomenses: Ex-presidente Manuel Pinto da Costa (representado) e Ilza Amado Ministra de Estado, dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades A Dra. Solange Salvaterra, escritora, ativista e palestrante, uma das moderadoras do Encontro. -Baltazar usou da palavra em nome da filha de Manuel Pinto da Costa - Que não pôde estar presente por motivos de saúde.

DISTINÇÃO AO Ex-PRESIDENTE MANUEL PINTO DA COSTA -Representado por familiar, cujo discurso por acidente técnico não é possível reproduzir em video
. O ex-Presidente da República Manuel Pinto da Costa fez-se representar pela sua filha., cujo discurso improvisado acabou por ser feito por Baltazar, o qual, por acidente técnico, não me é possivel reproduzir .
No entanto, as palavras da sua filha, embora não tendo sido lidas, foram transcritas à imprensa, recordando que seu pai teve o privilégio de participar, em 1989, no primeiro encontro de dirigentes dos países de língua oficial portuguesa, promovido pelo então Presidente do Brasil, José Sarney, em São Luís do Maranhão
Manuel Pinto da Costa recebeu o Prémio Carreira. A distinção serviu como um reconhecimento oficial e uma demonstração de respeito pelo seu longo percurso na vida pública são-tomense e no espaço lusófono.
Ele governou o país de 1975 a 1991 e, mais tarde, de 2011 a 2016 - Por lapso técnico, não me é possível reproduzir as palavras de agradecimento, expressas por familiar, senão as de Ilza Maria dos Santos Amado Vaz- Ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros
O ex-Presidente não esteve presente fisicamente, tendo sido representado pela sua filha, que, no discurso escrito, que foi entregue à C.S. recordou os passos históricos para a cooperação lusófona, sublinhando o primeiro encontro de dirigentes que ajudou a lançar as bases para a valorização da língua comum

Natural de Água Grande, em S. Tomé e Príncipe, MANUEL DO ESPÍRITO SANTO PINTO DA COSTA doutorou-se em Economia pela Universidade de Humboldt, a mais antiga universidade de Berlim. Iniciou os estudos em S. Tomé, passando por Angola e também por Portugal.
Desde muito jovem, mostrou interesse pelos ideais nacionalistas africanos. Viria, aliás, a exercer lugar de relevo na União Geral dos Estudante da África Negra (UGEAN).

O Professor Doutor MANUEL PINTO DA COSTA é uma personalidade de exceção da vida pública são-tomense e da vida pública lusófona. Ele representa, sem dúvida alguma, um continuado e perene exemplo de elevada cidadania perante os seus compatriotas e perante todos os irmãos lusófonos.
Destacamos o exercício das mais altas funções governamentais na República de S. Tomé e Príncipe, entre as quais o exercício do cargo de Presidente da República de 1975 a 1991 e, posteriormente, de 2011 a 2016. Foi também fundador do MLSTP (Movimento de Libertação de S. Tomé e Príncipe).
Sempre exerceu a sua magistratura de um modo corajoso, mas fraterno. Por isso, o enorme respeito que granjeou quer em São Tomé e Príncipe, quer em Portugal e em todo o mundo lusófono.
A atribuição do PRÉMIO LUSOFONIA 2026 – PRÉMIO CARREIRA ao Professor Doutor MANUEL PINTO DA COSTA é, assim, uma justa demonstração de respeito pelo seu percurso de plenitude cidadã.

O ex-Presidente Manuel Pinto da Costa - O principal dinamizador da fundação do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe
Manuel Pinto da Costa, apesar dos problemas de saúde, com que se tem deparado, sendo, pois, o único, ainda vivo, dos dirigentes dos movimentos de libertação do jugo colonial, vem seguindo atentamente e com preocupação a situação políca, social e económica do seu pais
Foi um dos rostos do MLSTP, com quem tive o prazer de dialogar, antes da independência de S. Tomé e Príncipe e de quem, com igual simpatia e cordialidade, me despedi ao deixar esta maravilhosa Ilha para tentar a travessia oceânica, numa frágil piroga, de S. Tomé ao Brasil, que resultaria numa duríssima odisseia de 38 dias, por via de um violenta tempestade.

OUTRAS DISTINÇÕES

Na categoria de Excelência Lusófona, destacam-se a homenagem a Francisco Guterres, ex-Presidente de Timor-Leste, que morreu este ano, a distinção a Ana Dias Lourenço, primeira-dama de Angola, e o prémio na área dos Direitos Humanos concedido a Graça Machel, ativista e ex-primeira-dama de Moçambique e da África do Sul.

Nas áreas artísticas e culturais, o prémio de Literatura distinguiu o escritor angolano Artur Pestana dos Santos, conhecido como Pepetela.

No Teatro e Cinema, o galardoado foi Gorsy Edú, da Guiné Equatorial, enquanto no Desporto o reconhecimento foi dado ao jogador de futebol de praia João Saraiva, nascido em Angola, mas emigrado para Portugal com três meses de idade, conhecido por "Madjer".

A categoria de Moda e Estilismo premiou Cristina Martins Grant, da Guiné-Bissau, e na Música do Mundo a escolhida foi a cabo-verdiana Mayra Andrade.  O setor empresarial ficou representado pela AIMMP - Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal.


Na Comunicação Social, o prémio foi atribuído ao jornalista português Nuno Sardinha e o Prémio Diplomacia Lusófona distinguiu o diplomata brasileiro Gonçalo Mello Mourão.  Por fim, a lista integra ainda os Prémios Especiais Lusofonia, distinguindo Vera Duarte Pina (juíza e escritora cabo-verdiana) na área da Cidadania, Ilza Amado Vaz (ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades de São Tomé e Príncipe) e Carolina Cerqueira (ex-ministra da Comunicação Soc



JOSÉ CID NA GALA DOS PRÉMIOS DA LUSOFONIA, - Uma das estrelas distinguida na 10ª Edição da Gala, no âmbito dos 30 Anos da CPLP, que decorreu, sábado à noite, no Salão Preto e Prata do Casino Estoril- Aqui lhe oferecemos, um dos momentos musicais da atuação do padrinho desta iniciativa organizada pela Associação Internacional das Comunidades de Língua Portuguesa
José Cid, reconhecido como um dos mais notáveis embaixadores da música portuguesa e de toda a Lusofonia. O seu trabalho constante, inesgotável e de qualidade superior (ao nível da composição, da música e da performance de palco), consubstancia-se numa carreira marcada de inúmeros êxitos e reconhecimentos nacionais e internacionais




domingo, 11 de outubro de 2026

No corredor da Pena de Morte -Libertado a 04--12-1975. O Dia Mundial Europeu contra a Pena de Morte., foi ontem, 10-10-2026

Condenado à forca- Conheci o corredor da pena da morte na Guiné Equatorial - Lá me salvei a escassos metros da forca por milagre  



Jorge Trabulo Marques - Jornalista e antigo navegador solitário de três aventuras em canoas no Golfo da Guiné -  De S. Tomé ao Príncipe- 3 dias -Preso pela PIDE; de S. Tomé à Nigéria 13, hospitalizado: de Ano Bom a Bioko, após 38 dias  preso e condenado à forca por suspeita de espionagem Libertado ao 5º dia, depois de ter percorrido meio corredor rumo à forca- Pormenores a seguir

No corredor da Pena de Morte -Libertado a 04--12-1975. O Dia Mundial Europeu contra a Pena de Morte., foi ontem, 10-10-2026 Não esqueço os 5 dias numa cela onde mal me podia estender no chão.. Salvei-me a escassos metros de ser enforcado A União Europeia reafirma, nesta data, a sua oposição à pena capital em todas as circunstâncias, em consonância com o artigo 2.º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, relativo ao direito à vida, que estabelece que ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado.


O Presidente da República, António José Seguro, salienta este sábado, no Dia Mundial e Europeu contra a Pena de Morte, a sua "total e absoluta oposição à pena capital", que qualifica como "um ato cruel, desumano e degradante".

Durante o seu governo (1968–1979), Francisco Macías Nguema ordenou a prisão, tortura e execução de opositores políticos, ministros, líderes religiosos e membros da etnia bubi, o que levou à morte ou ao exílio de grande parte da população do país.

A pena de morte foi oficialmente retirada do Código Penal da Guiné Equatorial em setembro de 2021 (promulgada por Teodoro Obiang), cumprindo um compromisso assumido aquando da adesão do país à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O embaixador da Guiné Equatorial em Lisboa,Tito Mba Ada, garantiu h que a pena de morte não é aplicada no seu país, um compromisso da adesão à CPLP, após uma recente condenação de dois homens à pena máxima naquele país.

NUMA CELA PARA SER EXECUTADO NO PÁIS DO TERROR SUPREMO- Após 38 dias à deriva numa canoa de S. Tomé - escavada num tronco de ocá -Por suspeita de espionagem - Depois de ter acostado na Ilha de Bioko, historicamente conhecida como Fernão do Pó, a principal ilha da República da Guiné Equatorial, localizada no Golfo da Guiné, na costa ocidental de África

Que atrevimento foi o teu de vires aqui espionar a nossa ilha?!!...Que barco te largou?!!...Que abuso foi o teu de entrares clandestinamente na República da Guiné Equatorial?!!...Não sabes que te podemos matar?!!...Ou não tens consciência da gravidade do crime que cometestes?!...Vá! Responde!!...

Chefe! Não cometi crime nenhum! Não venho espionar a vossa Ilha. Sou um náufrago!... (...) Não vê que estou com o corpo fraco; já há muitos dias que não como nada e necessitava que me prestassem a vossa assistência, fossem misericordiosos para comigo ou me levassem para um hospital.. Não mintas!! Não sejas fingido e mentiroso!!!...Daqui a bocado, já te digo onde é o hospital.

Depois de 38 dias e noites de tantas incertezas de tempestades e sufocantes calmarias equatoriais, numa frágil piroga escavada num tronco de árvore, ainda ter que suportar tamanho sufoco e instabilidade - Mas vá lá, que, a escassos metros de ser enforcado, toca o telefone e era levado à presença de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, sobrinho do então ditador Francisco Macías Nguema e que me liberta

Na manhã do dia 3 de Dezembro, quando menos esperava, um carcereiro chegou à porta da minha cela, algemou-me e ordenou-me que o acompanhasse - Senti logo um embate no meu coração, que não deveria ser levado para melhor destino - Mal transpus a cela, sou imediatamente agarrado por outro guarda, tendo à minha frente o Comissário da Cadeia, que já me tinha torturado com infindáveis interrogatórios para me conduzirem ao sítio das execuções.

Sucedeu, porém, que, por um feliz acaso, talvez milagroso (pelos vistos, a sorte protege os audazes), soa o telefone no corredor da morte - Era o então o Comandante Teodoro Obaing Nguema Mbasongo, atual Presidente da República da Guiné Equatorial, sobrinho do todo poderoso, Francisco Macías Nguema, a ordenar ao Comissário da Prisão para ser conduzido à presença, ao gabinete do então supremo comandante das policias e das forças armadas, que me recebeu, inicialmente de forma austera e desconfiada: com estas palavras: " O que se passa contigo?!... Porque te meteste num canuco e o que vieste aqui fazer?!.. Lamento mas tenho que cumprir as ordens de Sua Excelência e tenho de o executar hoje!...

Respondi-lhe que era um náufrago e para me soltarem as algemas e lhe mostrar a mensagem do MLSTP, que trazia no bolso atrás das minhas calças - Como estava carimbada, não duvidou da sua autenticidade e, ao sentar-se na sua cadeira de vime(enquanto eu ia permanecendo sempre de pé e à sua frente) me passou a questionar de forma mais descontraída e simpática

Bom, lá tive que voltar a repetir o que já havida dito várias vezes, que não era espião e as razões pelas quais me havia metido na canoa e ido ali parar - Mas, quando o vi soltar uma gargalhada e pedir-me para que lhe contasse mais alguns pormenores dos meus longos dias no mar, disse cá para os meus botões: este é dos meus!... Estou a ver que está a gostar da minha aventura. Por volta do meio-dia, depois de me ouvir, ordenava ao Comissário para me soltarem

POUCOS DIAS DE CATIVEIRO, MAS AUTÊNTICAS ETERNIDADES -

A cadeia não fornecia alimentação: tinham de ser os familiares. Nos primeiros três dias, quem me passou alguma comida (massa de mandioca, regada com óleo de palma, que mais das vezes a vomitava para a lata das necessidades, pois eu estava magríssimo e, o meu estômago, já não estava habituado a comer alimentos sólidos, há muitos dias), sim, quem me deu alguma comida, foram os próprios condenados, que trepavam curiosos à minha janela gradeada, durante o curto recreio que dispunham, num átrio para a qual a minha cela estava voltada. Creio que, naquela altura, devia ser o único europeu preso.


 

sábado, 10 de outubro de 2026

Santo Tirso - Secular Escola Profissional Agrícola de futuro indefinido. Ministro Fernando Alexandre não garante apoio além deste ano - Vídeos de Imagens e recordações do tradicional almoço convívio do 5 de Outubro da escola que reuniu mais de centena e meia de alunos

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e antigo aluno

ESCOLA PROFISISIONAL AGRICOLA, EM SANTO TIRSO TEM DE CONTINUAR A EXISTIR

Santo Tirso - Escola Profissional Agrícola Conde São Bento, Santo Tirso. Vídeos de Imagens e recordações do tradicional almoço convívio do 5 de Outubro da escola que reuniu mais de centena e meia de alunos

O tradicional convívio de 5 de outubro foi caloroso e participado mas deixa travos de incerteza - Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Santo Tirso, Sílvia Tavares, bem como de Paulo Fernando de Sousa Ramalho, Vice-Presidente da CCDR NORTE- Mostraram-se empenhados na sua continuidade

 A iniciativa tem vindo a ser promovida pela  Associação dos Antigos Alunos da Escola Agrícola de Santo Tirso,  da mais antiga instituição de ensino agrícola em Portugal, com vista a contribuir para a promoção da escola e da agricultura na comunidade, assim como defender  o legado da instituição e dinamizar atividades de convívio, encontros de antigos alunos e jornadas técnicas


Reuniu mais de centena e meia de alunos e contou com as honras presenças da Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Santo Tirso, Sílvia Tavares, bem como de Paulo Fernando de Sousa Ramalho, Vice-Presidente da CCDR NORTE para as áreas da Agricultura e Pescas, que teceram elogiosas palavras, tanto a esta iniciativa, como pela importância do ensino aqui ministrado, desde há longos anos, sim, que, no passado 23 de Junho, assinalou o seu 𝟭𝟭𝟯.º 𝗮𝗻𝗶𝘃𝗲𝗿𝘀𝗮́𝗿𝗶𝗼 com uma cerimónia comemorativa que reuniu a comunidade educativa e diversas entidades convidadas.

MAS HÁ NÉVOAS QUE DEIXAM ALGUMA INCERTEZA NO FUTURO DESTA SECULAR ESCOLA

Pois não são de esquecer as afirmações do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre,  que, em janeiro passado, disse que o futuro da Escola Profissional Agrícola Conde S. Bento, em Santo Tirso, “vai depender da CCDR Norte e da autarquia”, sublinhando que o Governo não tomou qualquer decisão estrutural sobre a continuidade da instituição para além do contrato de arrendamento válido por um ano firmado com a Santa Casa da Misericórdia de Santo Tirso, proprietária das instalações onde funciona o estabelecimento, contrariando declarações públicas feitas pelo PSD local no início de 2025. 

As afirmações foram feitas durante uma audição na Assembleia da República, motivada por intervenções das deputadas Andreia Neto, do PSD, e Sofia Andrade, do PS, ambas centradas no futuro de uma escola centenária que funciona nas atuais https://sapo.pt/artigo/futuro-da-escola-agricola-depende-da-ccdr-norte-e-da-autarquia-diz-ministro-da-educacao-69721d8538a4edf9cef73255

Câmara Municipal de Santo Tirso manifestou-se “totalmente surpreendida” com as recentes declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, que a 21 de janeiro de 2026 afirmou no Parlamento que o futuro da Escola Profissional Agrícola Conde de S. Bento dependeria da CCDR Norte e da autarquia. O ministro sublinhou que o Governo não tomou decisões estruturais além de um contrato de arrendamento de apenas um ano (não renovável), remetendo a continuidade da instituição para decisões locais e regionais. Mas o executivo municipal refuta a ideia de que a responsabilidade seja sua, considerando as declarações contraditórias, uma vez que a escola é uma instituição de ensino sob tutela direta do Ministério da Educação. https://oregioes.pt/camara-de-santo-tirso-surpreendida-com-declaracoes-de-ministro-sobre-futuro-de-escola-agricola/








Dois antigos alunos ao lado de novos alunos naturais de S. Tomé 
Prezo-me de ter sido antigo aluno - Foi esta escola que me abriu os caminhos à vida - Aos ensinamentos que ali aprendi, devo muito do que hoje sou, tal como a generalidade dos alunos que ali concluíram os seus cursos, tal como também o podem testemunhar as palavras e as imagens que registei nestes dois vídeos.

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A Escola Agrícola Conde S. Bento, encontra-se instalada nas Quintas do Mosteiro de S. Bento, em Santo Tirso, junto da margem esquerda do rio Ave.. E tem-se afirmado, como uma referência incontornável do ensino agrícola em Portugal desde 1899, como uma casa de formação profissional e cívica, por isso é imperioso salvaguardar, projetar o futuro e não destruir.

Em outubro de 1915, passou a chamar-se Escola Prática de Agricultura Conde de São Bento. Em Nov de 1979, a Escola Secundária Conde de São Bento. – E no ano letivo de 1992/1993 a Escola Profissional Agrícola Conde de São Bento




Esta Escola Agrícola, faz parte dos roteiros mais atrativos de Santo Tirso – Quem visitar esta cidade, mesmo que não chegue a transpor os portões e as cancelas das duas quintas, se optar pela passagem da ponte sobre o Ave, dificilmente fica indiferente ao encantador quadro paisagístico e construído, que lhe é dado admirar : é-lhe impossível passarem-lhes despercebidos tão aprazíveis campos à beira do rio. Mas o melhor é mesmo lá entrar: é o que faz muita gente que demanda, em época de veraneio, a mais famosa Capital dos Pasteis Jesuítas



De facto, cada terra tem a sua singularidade, que a faz distinguir das demais. Porém, há características que marcam a diferença e que tornam essas terras ou lugares únicos, míticos, incomparáveis. É o caso da cidade de Santo Tirso. E o que a distingue, sobretudo, é o múltiplo verde da sua paisagem e a toalha líquida de um rio chamado Ave, que lhe corre aos pés, de uma forma repousada – salvo nas enxurradas ou quando as suas águas se despenham em cascata do açude que torna o seu leito num extenso espelho