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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

PREMONIÇÃO DA MORTE DE MIKLOS FEHÉR - Foi há 15 anos que o jogador do Benfica, caía para sempre no relvado, no jogo que o clube da luz disputava com o Guimarães e nesta cidade - Dias antes tivera uns estranhos pressentimentos e visões que verti em forma poética - A descrição, inicialmente publicada em Templos do Sol, em Novembro de 2008, voltei hoje a postã-la, o que faço também neste site

POSTAGEM EDITADA SOB O PSEUDÓNIMO DE LUÍS DE RAZIEL EM 12 DE NOVEMBRO DE 2008  https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2008/11/como-antevi-morte-de-miklos-feher.html

Miklos Fehér, caiu no relvado para sempre no dia 25 de Janeiro de 2004 e com apenas 24 anos, jogou a sua última partida contra o Vitória de Guimarães -
Imagem recolhida da Net

Dias antes eu tive essa estranha visão. Já tenho tido outras visões mas era preferível que as não tivesse: se são boas, tudo bem; até fico contente. Contudo, quando são prenunciadoras de maus agoiros, fico triste no momento em que se confirmam. Em face disso, gostaria até que o meu cérebro me deixasse descansado e se alheasse de tais coisas – Sobretudo quando antevê acontecimentos trágicos – Mas tais percepções ultrapassam o meu querer e são inesperadas. Não se podem encomendar nem controlar. Algumas, inclusivamente, com visões que vão ocorrer a milhares de quilómetros de distância. Como foi, por exemplo, o caso do Tsunami:

.







Excerto do poema (carta) que não chegou a ser enviado,
a Luís Filipe Vieira, pronunciando a trágica partida
do malogrado Micklos Fhér


Lisboa, 21 de Janeiro de 2004
Exmo.Senhor
Luís Filipe Viera
Presidente do Sport Lisboa e Benfica
Assunto: Reflexão

Eis que, a Oriente, irrompe a claridade.
Ressurge o rumor. O dia repete o seu giro
e a ditosa natureza parece querer de um longo torpor despertar.
Aparentemente volve a bonança e os ventos da tempestade se acalmam.
Falsa ilusão: pois ainda ouço no fundo do nebuloso vale
o dissonante troar do trovão – E, volvendo o olhar,
mais ao longe, ao largo, em direcção à erma montanha,
claramente descubro o abominável raio fulminando
os mais altos píncaros da inóspita extensão,
os turvos céus sacudindo,
ferindo de morte
o infecundo mundo...
Sim, ó desmedida ambição humana!
Tu que és tão frágil e temporal e que, ao baixares á tumba,
ao reino dos sepulcros,
se és só poeira e lama,
como poderás sonhar tão alto
através de tão descampado ermo?!..
- Sabendo que o tempo de vida,
aquele que os astros vos concedem e vos resta,
é tão fugaz como efémero!...


Tu, espírito imanente, simples mortal,
Incorporando o Espírito do Grande Mestre,
Príncipe da Gloriosa Luz que, em ridente alvorecer,
Em cada madrugada, se abre em esplendoroso sorriso ,
venho, pois, humildemente comunicar-vos,
para meu pesar, visão funesta,
quão fatal poderá ser para o Benfica,

Luís de Raziel. - A restante mensagem foi  remetida para arquivo, neste site, podendo ser visível, com a mesma data, quando eu assim o entender .Parte da qual  tem a ver com a interpretação da Maldição lançada pelo técnico Béla Guttmann, em 1962,





.A TRISTE CONFIRMAÇÃO
Parecia um filme que tinha à minha frente – realizado pela força do destino: - Estava em minha casa com a televisão ligada mas sem prestar grande atenção ao jogo. Porém, estranhamente, de um momento para o outro fiquei parado frente ao ecrã com os olhos fitos no desenrolar do desafio, com o pressentimento de que algo de funesto se iria passar nos instantes seguintes - De que as imagens que a seguir se iriam desenrolar já faziam parte de um estranho caleidoscópio que havia sido programado por uma qualquer mão invisível. Sim, lembrei-me imediatamente do poema que escrevera uns dias antes e comecei logo a pressentir o que de funesto ia acontecer... Nesse momento segui atentamente o movimento da bola e vi então, a câmara apontada ao árbitro, no primeiro plano, um jogador do Benfica que se curva e, nos instantes seguintes a cair desamparado costas sobre o relvado, que já não se levantou!... Mas não o reconheci - Quem se referiu ao seu nome foi o locutor. Pouco depois, vários jogadores deitavam as mãos à cabeça, como que tomando claramente de que a tragédia, lhes batera à porta, entrara em campo e era irreversível e choravam.

Porém, ao recordar-me daquele instante, em que o jogador cai como que desamparado e fulminado ao chão, oh, como tudo foi tão rápido e tão absurdo!... Não havia sinais de qualquer falta ou violência em campo... Era o seu coração que, não resistindo, o traíra!.... Revejo a imagem e os momentos que se seguiram como se fosse ainda hoje. Morreu duas horas depois após fracassadas todas as tentativas de reanimação.

Três dias antes, na Quarta-feira, a meio da tarde, e sem que encontrasse alguma explicação lógica, suspendi o texto que estava a escrever no computador e pus-me a fazer uns versos sobre o Benfica. Mas porquê?!.. .. Estranhei a tentação mas não desisti. Mostrei-os horas depois, em minha casa, ao estudante de arquitectura, João Mendinho, ao fim dessa mesma tarde, que me havia convidado para ir jantar com ele; porém, não querendo interromper a dita inspiração, e não podendo aceitar o seu convite, acabaria por ser eu a sugeri-lhe que viesse a minha casa jantar comigo..

Pintura do meu amigo Victor Mesquita, a M.Féher
 Pouco depois de se ter sentado no sofá (e num momento em que me preparava para os reler, já que o tema me havia absorvido bastante) mostrei-lhos! Ocultando-lhe porém o destinatário - pois não queria que nem ele nem alguém soubesse a quem se destinavam, uma vez que era minha intenção enviá-los sob pseudónimo, tal como havia feito com outro tipo de comunicação epistolar - . Segurei a página (a primeira) numa das mãos, enquanto com a outra tapava o cabeçalho do endereço – Êh! foste tu que os escreveste?!... Que versos tão trágicos!.. - Exclamou. Agradeci-lhe a opinião mas não lhe disse mais nada.

O certo, porém, é que, por culpa desse jantar, acabei por não ir aos Restauradores a metê-los no correio, como era meu desejo. Depois, Quinta e Sexta-feira, envolvi-me noutras ocupações e hesitei. Mas acho que fiz bem, não estou arrependido. Pois estou convencido que teria ficado ainda mais perturbado comigo próprio, quando vi o jogador a cair de costas sobre o relvado.

Miklos Fehér nasceu a 20 de Julho de 1979 e foi atacante da selecção nacional húngara. Começou por jogar num clube da sua cidade natal, o Gyõri ETO FC, tendo sido o Benfica o ponto alto da sua carreira. Era irmão da apresentadora e modelo Orsi Silva Fehér.

A carreira de Fehér começou no Győri ETO, tendo representado em Portugal o FC Porto, o Salgueiros e o Sporting Braga, antes de se mudar para o Benfica. Fez a sua estreia na seleção em Outubro de 1998 contra o Azerbaijão, tendo marcado sete golos em 25 partidas. Fehér faleceu durante uma partida em que o Benfica enfrentava o Vitória de Guimarães em Guimarães para o Campeonato Português, em 25 de Janeiro de 2004

Já tenho tido outras visões mas era preferível que as não tivesse: se são boas, tudo bem; até fico contente. Contudo, quando são prenunciadoras de maus agoiros, fico triste no momento em que se confirmam. Em face disso, gostaria até que o meu cérebro me deixasse descansado e se alheasse de tais coisas – Sobretudo quando antevê acontecimentos trágicos – Mas tais percepções ultrapassam o meu querer e são inesperadas. Não se podem encomendar nem controlar. Algumas, inclusivamente, com visões que vão ocorrer a milhares de quilómetros de distância. Como foi, por exemplo, o caso do Tsunami:

Dois dias antes dessa tragédia acontecer tive um sonho horrível e acordei em sobressalto. Tinha acabado de ver milhares de corpos a boiarem em praias tropicais e ao longo de uma imensa costa bordejada por coqueiros e vegetação luxuriante, empurrados por enormíssimas vagas!... Contei o pesadelo ao Sr. Viegas, dono do café onde costumava dirigir-me pela manhã - ali para os lados do Mercado de Arróios. Hoje é um restaurante indiano – Era meu hábito ter com ele alguns desabafos desse género - Eis as minhas primeiras palavras, depois de o ter cumprimentado: “Sr. Viegas vão morrer muitas pessoas numa praia! ” – “E onde é?!...” – pergunta-me ele com ar espantado – “Muito longe daqui, esteja tranquilo”. De tarde exprimi o mesmo desabafo ao António e ao Mário, no Laboratório Fotográfico, Fotozigno, onde costumo fazer os meus trabalhos de fotografia. A mesma pergunta e idêntica resposta. - 

Iniciei-me em criança num dos cultos nocturnos à Deusa Vénus - que era feito de noite, que me marcou para o resto da minha vida - E  que me terá ajudado bastante a enfrentar as maiores adversidades no alto mar -  http://www.odisseiasnosmares.com/2012/10/no-mar-nunca-se-podem-fazer-calculos.html

“Deus condenou o  Homem à sepultura  diária do sonos para lhe recordar  uma verdade salutar  e fundamental:  que não há diferença  substancial entre a vida e a morte”

“Os homens continuam vivos: foi esta a grande descoberta  dos homens primitivos . Os vivos estão mortos: é esta a  a moderna descoberta da filosofia existencial “



“Cristo foi condenado à morte logo que nasceu  (massacre de Belém), para simbolizar a  suprema e derradeira  finalidade da Sua Vinda: ser morto. Entre estas  duas condenações ( a de Herodes e de Caifás) toma significado e consistência  “a vida de Jesus”. 

Minhas queridas irmãs  das sabedorias ancestrais africanas
Bom, mas o episódio que eu aqui desejo recordar é o que se relaciona com o dos tais versos premonitórios: - 

De facto, ao ser levado a escrevê-los, a visão que então claramente se me colocava na mente e nos meus olhos era uma espécie de funesta tempestade que me parecia iminente e prestes a desabar sobre a equipa do Benfica.... . Via-a como que ameaçada por um violento temporal!... Em que, um dos seus jogadores, ia ser fulminado por um relâmpago!!

E o mais curioso de tudo é que o desencadear desse cenário, com toda a sequência dramática, parecia-me simultaneamente decorrer em dois pontos muito diferentes e distanciados: sobre o estádio da luz e sobre o planalto, o vale e os montes da minha aldeia, para onde me desloco, regularmente, mas minhas habituais peregrinações espirituais

Vivo há muitos anos na capital mas nunca consegui imaginar tempestades mais medonhas do que aquelas que marcaram a minha infância e adolescência - E, no entanto, já enfrentei temporais, sozinho, bem violentos, em pleno alto mar!

Então, ao pôr-me a escrever, como que impelido por um acto instintivo e determinado, guiado por uma qualquer voz alheia a mim, - e, para contornar, de algum modo, a imagem da morte (que era realmente a que mais me assolava a imaginação) comecei por me servir de metáforas, que hiperbolizava, um pouco ao estilo dos poemas épicos. Dando assim escoamento a toda uma avalanche de pensamentos que me afloravam à mente, me perturbavam mas que ao mesmo tempo também me acalmavam, à medida que os ia escrevendo, como se estivesse predestinado a corporizar uma tal mensagem . E até a reflectir sobre o seu conteúdo – a morte. Porém, como esta (na minha perspectiva)não é o fim de tudo ( mas a passagem para outra via, para outra jornada) o que me perturbava e perturba, não era tanto a imagem da morte mas a efemeridade da vida – O tempo perdido que devíamos saber aproveitar e em que passamos distraídos.

Julgo que o essencial da minha mensagem poética está implícito nos meus primeiros versos ( nos que atrás transcrevi). Pois, nos versos imediatamente a seguir, passei a concentrar-me mais na figura do Presidente do Benfica  e  com a interpretação da Maldição lançada pelo técnico Béla Guttmann, em 1962


O treinador húngaro Béla Guttmann. com o qual  o Benfica conquistaria os dois títulos de campeão nacional em 1959/60 e 1960/61, e, pela primeira vez na sua História, duas Taças dos Campeões Europeus Que, pelos vistos, tanto deu ao Benfica de promissor, como de agouro - Mas também a ele - porque, depois dessas gloriosas conquistas, também ele nunca mais foi o mesmo... Emproado pela fama, exige mais dinheiro, o Benfica não podendo satisfazer as suas exigências, deixa inopinadamente o clube da luz, após o jogo com o Real Madrid, com a famosa maldição: "Nos próximos 100 anos, o Benfica não voltará a ser campeão europeu". - La maldición de Bela Guttman- Mas, pelo que se depreende, também ele acabaria por ser contagiado e vitima da sua má língua...Nunca mais conheceu o sabor das mesmas vitórias.

Vejo futebol de vez em quando na televisão e aprecio um bom jogo - seja quais forem as equipas em confronto. 

Quando as nossas equipas - sejam elas quais forem, jogam com equipas estrangeiras, também fico muito feliz se saem vencedores. Por isso, não nutro qualquer tipo de ódio ou de ressentimento para com o Presidente deste grande Clube.

No entanto, a visão que me surgia, com estranha clareza aos meus olhos, que me causava viva emoção, não lhe era favorável nem a ele nem ao seu clube. Pois percepcionava-me de que ia acontecer algo de muito grave!…Mais próximo da morte de que de uma simples lesão. 

Daí o ter aludido nos meus versos à desmedida ambição humana e à sua fugaz efemeridade - Mas também já tenho enviado muitas mensagens sob pseudónimo a outras personalidade que muito admiro

Curiosamente, estive presente na noite da consagração da vitória de Luís Filipe Vieira. Fiz algumas fotografias - E aquela que mais gostei de registar e cuja imagem (no meu pensamento)ainda hoje revejo com a mesma nitidez de então é a de Fialho Gouveia. Ele estava muito feliz, muito feliz! - Ele era um fervoroso Benfiquista - .. E não tive dúvidas que, se os sócios do SLB votaram em LFV e o aplaudiram tão efusivamente é porque gostavam dele e acreditavam no seu projecto. Ele não é nenhum iluminado mas sabe persuadir: sabe usar a linguagem que os Benfiquistas gostam de ouvi

No antigo Estádio da Luz,  a pedido de um amigo - Mas já desliguei destes exorcismos dos maus olhados e enguiços

Conheci pessoalmente, Fernando Martins. Ele dirigia o Clube e a equipa com mãos de mestre! Como um autêntico construtor de campeões, um artesão imbuído de grande génio e imaginação. 

Era generoso, tinha boas relações com os treinadores, jogadores, membros da direcção e a massa associativa. E até conseguia sensibilizar os árbitros se fosse necessário - Ouvi-lhe de viva voz episódios do arco da velha!... - sobretudo de alguns jogos com equipas estrangeiras. Claro que isso é já passado - Fez parte do jogo

….Falei algumas vezes com ele. E, numa ocasião, até fui uma das poucas pessoas que estiveram presentes num almoço que ofereceu no Hotel Altis, a Otto Glória. Isto aconteceu, julgo que no ano da sua morte. Foi um convívio muito agradável. 

O conhecido técnico brasileiro, que já andava com problemas de saúde, perguntou-me se não estaria interessado em pegar no seu diário.. Com muita pena disse-lhe que não tinha tempo para assumir essa responsabilidade. A minha vida profissional ocupava-me imenso. Mas hoje sinto uma certeza tristeza - Compreendo que não fosse a pessoa mais indicada ( pois a minha relação com o futebol sempre foi meramente episódica e de um simples observador) mas, que eu saiba, ninguém pegou na ideia e perdeu-se a oportunidade de se poderem conhecer muitas páginas da história do futebol - contadas por um dos seus mais notáveis protagonistas - dos mais brilhantes treinadores do seu tempo. A menos que as suas memórias tenham sido publicadas e eu não o saiba. Pois a vidência nada tem a ver com adivinhação.

Não me considero nenhum adivinho. Nem faço disso vida. Mas reconheço que, em certos momentos inesperados, sou possuidor de algumas capacidades de vidência paranormais, que não costumam ser muito frequentes no comum das pessoas . De resto, na minha vida, conto com experiências de vida, muito arriscadas e marcantes, que, certamente, poucos se arriscariam a vivê-las. Creio que, em boa parte, talvez sejam fruto de alguns desses dramáticos momentos.

A propósito de tais percepções extra-sensoriais, poderia aqui citar vários casos que atestam as minhas capacidades – e até testemunhadas. Mas não tenho interesse. No entanto, não resisto aqui a recordar o que se passou no dia do funeral de minha mãe - estando eu a alguns milhares de milhas de distância ( na ilha de São Tomé)e sem que eu tivesse qualquer notícia sobre a sua morte.

Mas, nessa ocasião, o meu pressentimento foi um pouco diferente. Julgo que entrou mais no domínio da telepatia. Foi realmente estranhíssimo o que então se passou comigo. Prestava serviço militar naquela ilha - depois de ter frequentado o curso de sargentos milicianos e o curso dos comandos em Angola. Mas de referir que não viera para esta ilha em comissão militar: pois já me encontrava em São Tomé, por força de um estágio numa roça.

Foi num Domingo. E, como tinha estado de serviço de véspera, após almoço resolvi deitar-me e descansar um pouco Adormeci e uma hora e meia depois acordei a chorar. Pois vira o funeral de minha mãe a dirigir-se para o cemitério, com tal evidência, com tal pormenor, que era como se eu próprio estivesse incorporado no cortejo fúnebre atrás da urna. Via os olhos do meu pai e dos meus irmãos rasos de lágrimas. Ouvia-os todos a exprimir a sua inconformável dor De tal modo que eu próprio também chorava. Acordei a chorar. - Já um dia fiz este relato num jornal.


Residia, nessa altura, em casa de uma família portuguesa. Pois o filho, o Francisco, andava comigo na tropa: era furriel miliciano como eu. Compartilhávamos o mesmo quarto. - um bonito espaço, que se situava próximo do Mercado Municipal. Mas ele, na tarde desse domingo, estava fora de casa. Porém, ao regressar, vendo-me sentado sobre a cama e a chorar, perguntou-me: “O que é que tens, Jorge?!…” - Eu respondi-lhe: “a minha mãe morreu!…” E, mal pronunciei estas palavras, volto a cair em mim em lágrimas.... “Mas quem te disse?!…” - insiste ele. E eu digo-lhe: “Ninguém me disse nada!….. Mas eu sei que a minha mãe morreu porque eu vi o funeral dela!… Vi tudo como se estivesse acompanhá-la ao cemitério...” 


Ele mostra-se surpreendido com o que eu lhe acabo de revelar, pois já trazia consigo um telegrama onde me ia ser dada a notícia. No entanto, mesmo assim, ainda procurou contornar o seu conteúdo, tendo acrescentado, ao mesmo tempo que se aproximava de mim - já pronto para me dar um abraço e me confortar: “Olha, Jorge: de facto, a tua mãe está muito mal, está muito doente e eu até trago aqui um telegrama para te informar da gravidade da saúde dela!… Mas eu vi logo que eram apenas palavras amigas de conforto e retorqui: Obrigado, Francisco! Obrigado pelo teu cuidado mas esse telegrama só pode dizer que a minha morreu! - E era verdade. A minha mãe que fazia agora anos no dia de São Martinho, faleceu aos 50 anos, num Sábado e foi a enterrar, justamente naquele domingo, para mim tão triste - Mesmo antes de me ser dada a notícia.

Este foi o primeiro caso que me despertou para os fenómenos da mediunidade. A partir daí passei a prestar mais atenção aos chamados flagrantes de iluminação e tenho-me apercebido de outros episódios relevantes. Entre os quais a morte da Irmã Lúcia. Desde há muito que lhe queria manifestar a minha admiração pelo seu estoicismo e santidade – por razões que lhe descrevi E ,é claro, queria fazê-lo ainda enquanto fosse viva e antes da sua morte - E assim aconteceu: enviando-lhe uma singela carta, acompanhada de umas fotografias pessoais (sobre um naufrágio em que sobrevivi), sim, que lhe dirigi um mês antes de cair na enfermidade que a haveria de o conduzir à última morada. Guardo a cópia da missiva e o registo. Já publiquei ( um excerto) num jornal da imprensa regional mas hei-de também aqui fazê-lo.


.Dirigi mensagens a várias figuras públicas sobre as mesmas questões: a vidência – Houve muitas cartas que escrevi mas que depois não as chegava a mandar – Pois aquilo que, inicialmente queria que fosse dito em meia dúzia de linhas, acabava, geralmente, em longuíssimos textos, pelo que desistia de as enviar. Sou capaz de um dia vir a transcrever aqui algumas dessas cartas.

Mas, já agora que falei do Benfica, posso citar a carta que mandei a Vale e Azevedo, uns dias antes da disputa com Manuel Vilarinho, em que - para seu bem e do Benfica - o aconselhava a mudar de vida; a retomar a sua profissão de Advogado. Também guardo ainda comigo a carta e a expressiva fotomontagem que lhe enviei - Deitado numa cama, enfermo, incorporando a figura do diabo e rodeado de pequenos diabos. Não digo que ele seja um deles – não é, obviamente – mas foi a forma como interpretei alegoricamente os meus sentimentos. http://www.vida-e-tempos.com/2008/11/carta-recomendacao-vale-e-azevedo-o.html


A MINHA HOMENAGEM A LUIS PIÇARRA - UM GRANDE AMIGO, COM QUEM TIVE O PRAZER DE FALAR VARIAS VEZES - TENHO LIVRO ASSINADO DAS SUAS MEMÓRIAS E FIZ-LHE, NESSA OCASIÃO, VÁRIAS FOTOGRAFIAS - FOI NA FEIRA DO LIVRO, NO PARQUE EDUARDO VII. QUANDO AS DIGITALIZAR, ESPERO AQUI EDITAR UMA DELAS

---- Mensagem encaminhada ----
De: luis de raziel raziel 
Para: sec.geral@slbenfica.pt

Ao Presidente do Benfica
Sr. Luís Filipe Vieira:
Tomei a liberdade de lhe enviar esta minha humilde mensagem
que faço acompanhar de algumas imagens
e o excerto de um poema ( que vai no anexo) e que estive para lho enviar uns dias antes da morte do malogrado jogador benfiquista Miklos Feher.

Embora o mostrasse a pessoa amiga, achei que não lho devia enviar naquela altura.  - Excerto

Cordiais Saudações
Luís de Raziel

Tartarugas em S. Tomé e Príncipe - Hipólito Dias, um dos santomenses mais apaixonados pela defesa de um dos animais mais antigos e admiráveis do planeta, ameaçados de extinção

JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA - INFORMAÇÃO E ANÁLISE

HIPÓLITO DIAS, O PESCADOR E AMBIENTALISTA DA PRAIA DE MORRO PEIXE - VALOROSO E DEDICADO FILHO DAS ILHAS MARAVILHA DO GOLFO DA GUINÉ 




Faz hoje, quatro anos, que dediquei  especial atenção a uma das figuras santomenses, mais entusiastas pelo estudo e  defesa das tartarugas na sua maravilhosa ilha -  Ao ambientalista, Hipólito Dias, com quem tive o prazer de conviver, no principio de Novembro de 2014,  na praia de Morro Peixe: quer junto dos seus colaboradores, quer junto das  suas canoas  e de outros pescadores, bem como de me receber  na sua humilde casa de madeira, transformada num autêntico museu marinho  - 
Vou, pois, aqui transcrever, textualmente, o que postei em 25 de Janeiro de 2015, nas visitas que efetuei por vários ponto de S. Tomé,  39 anos depois daqui ter partido numa frágil piroga para tentar a travessia do oceano atlântico, que acabaria numa longa e tormentosa  deriva de 38 dias, de Ano Bom a uma remota praia de Bioko





 Tartarugas em S. Tomé e Príncipe- A lei da sua proteção entrou em vigor e as organizações ambientalistas já espalham a mensagem pelas praias – Hipólito Dias, um dos santomenses mais apaixonados pela defesa de um dos animais mais antigos do planeta, ameaçados de extinção 

A tartaruga (capaz de atravessar oceanos na busca de alimentos e para nidificar) pode chegar a desovar mais de uma centena de ovos mas apenas pouco mais de 1% chega à fase de adulta, que pode atingir os 180 anos, se não for capturada – Mas, de um modo geral isso não acontece porque a sua existência, corre sérios risco de extinção.
Os seus principais inimigos (além dos agentes poluidores e das redes de pesca, em que ficam presas ou das aves e dos peixes que matam e engolem os pequenos filhotes quando abandonam os ninhos), tem sido a captura indiscriminada em todas as regiões do globo, desde os ovos à carne, ementa preferida nos pratos asiáticos, mas não só nesses países: Também em S. Tomé e Príncipe, é frequente verem-se pedaços de tartaruga retalhada exposta na canastra das peixeiras - Mais pormenores

– Também em  S. Tomé e Príncipe, é  frequente verem-se  pedaços de tartaruga retalhada exposta na canastra das peixeiras – 

Foi esta a imagem com que me deparei, em Outubro passado, para minha surpresa e desencanto, ao ser  abordado por uma vendedeira,  numa das ruas da cidade, mesmo já depois de lei, que prevê  a sua proteção, ter sido discutida e aprovada. No entanto, só agora, em Janeiro, é que entrou em vigor.

UM PASSO IMPORTANTE – COM AS EQUIPAS AMBIENTALISTAS JÁ A DIFUNDIR A MENSAGEM PELAS PRAIAS. 
Aparentemente as autoridades estão empenhadas, e a entrada em vigor da lei é realmente um passo muito significativo, num país  onde as caça às tartarugas têm atingido níveis preocupantes:


«As pessoas que hoje em dia utilizam as tartarugas marinhas devem ter atenção. Vamos fazer um processo de sensibilização, de formação e comunicação à população em geral sobre o conteúdo desta lei, para que as pessoas possam estar conscientes de que quando estão a caçar e a comercializar as tartarugas estão a violar as leis», declarou, recentemente, à imprensa, o Director Geral do Ambiente, Arlindo Carvalho.Lei para salvar tartarugas já existe agora falta autoridade 

A lei de proteção às tartarugas, proibindo  a caça e a comercialização da carne, criminalizando a utilização ou comercialização dos ovos, aprovada ainda na vigência do anterior governo, entrou finalmente em vigor – E as equipas das organizações ambientalistas, já estão no tereno distribuindo cartazes ao longo de todas as comunidades costeiras e grandes cidades de cada distrito em colaboração com a câmara e comando policial distritais, dando a conhecer as actividades proibidas e a razão pela qual é importante conservar as tartarugas marinhas” A ATM e a MARAPA já iniciaram a campanha de divulgação

É uma boa notícia para os defensores destes extraordinários seres marinhos, porém,  mesmo assim, não é suficientemente tranquilizadora,  já que, os hábitos da captura indiscriminada,  não são fáceis de mudar através da letra da lei -  Pois, vários têm sido os alertas por organizações ambientalistas, por exemplo, dando conta de que “em cada quatro tartarugas que chegam à praia, três são capturadas” . “E são muitas as tartarugas que acabam no mercado”,lamentava-se, ainda não há muito, a ONG Marapa, responsável pelo projeto de proteção das tartarugas marinhas nestas Ilhas  captura indiscriminada de tartarugas em são tomé

HIPÓLITO LIMA – O ESFORÇO, O AMOR E A  DEDICAÇÃO DE UM SANTOMENSE EM PROL DA SALVAÇÃO DAS TARTARUGAS

Durante a minha breve mas profícua estadia em S. Tomé, 39 anos depois de ali ter partido para tentar a travessia oceânica de canoa S. Tomé- Brasil, uma das boas surpresas, que agora ali tive foi realmente ter-me encontrado,  na Praia de Moro Peixe, com o Sr. Hipólito, sem dúvida, um dos santomenses mais apaixonados pela salvação e reprodução das tartarugas.

Morro Peixe, é uma pequena  aldeia de pescadores situada na costa norte de São Tomé, zona litoral na  qual se encontram (pela qualidade e tranquilidade das sua finas areias) algumas das praias mais procuradas para a desova das tartarugas, nomeadamente, as praias de Micondó,  Conchas,  Atrás-do-Morro, Tamarindos,  São Carlos, Manque Bicho, do Caroceiro, do Governador e da Brigada – Visto que, nas muito batidas nas suas margens  ou já sem areia a descoberto, devido ao aumento do nível das águas ou, então, naquelas onde predominam os duríssimos gogos  ou areia grossa, tais condições impedirem  a sua nidificação.

A casa típica  de madeira, onde vive, Hipólito Lima, conhecida por “Casa Tatô, erguida ali mesmo à beira da praia, está transformada num autêntico museu de informação das tartarugas mas também de meios  para a sua proteção e monitorização. 

 É, digamos, um ponto obrigatório para os amantes da natureza, e sobretudo da vida das tartarugas. O seu entusiamo, data de há mais de vinte anos.  Diz-nos que “tudo começou em 1996, com biólogos americanos – E, desde então, fez da sua vida, uma verdadeira cruzada, totalmente entregue à salvaguarda de “um dos répteis mais antigos que ainda habitam a Terra – estima-se que elas começaram a existir cerca de 220 milhões de anos atrás. Habitantes da terra ou do mar, as tartarugas possuem um escudo ósseo, que evoluiu para protegê-las contra predadores. 

Existem cerca de 300 espécies diferentes de tartaruga, das mais diferentes formas e dos mais variados tamanhos” E algumas das quais, de aspeto estranhíssimo  As 10 espécies mais bizarras de tartaruga – .Porém, tal como ele reconhece, em S. Tomé, apenas a carapaça de uma espécie é suscetível de aproveitamento para o artesanato, infelizmente também esta seriamente ameaçada.


Hipólito Lima é uma figura muito estimada e respeitada, junto das gentes do mar,  e também das mais conhecedoras da realidade das tartarugas, em S. Tomé, só que, pelos vistos, não tem sido fácil, na a sua missão, demover hábitos arreigados.  Pois, além de liderar a equipa de guardas de proteção e monitorização das praias, também gere o centro  de atendimento aos visitantes, que dispõe de um pequeno eco-museu e de um cercado de incubação.


Tem sido das pessoas que mais se tem batido pela implementação da lei – Quando nos encontrámos, em meados de Outubro passado,  ainda a lei não tinha entrado em vigor, pelo que refirmava da necessidade da mesma ser posta em prática. “Nós não nos devemos apenas preocupar com a comida mas também com o desenvolvimento”. E, no seu ponto de vista, esse desenvolvimento pode ser atraído através da curiosidade que as tartarugas suscitam no turismo das ilhas.  Não para comer a sua carne mas para  serem observadas, diz Hipólito Lima, em declarações que registámos em vídeo.

Tal como já foi referido  na imprensa, “A sua extrema dedicação às tartarugas marinhas fez com que passasse todo o seu conhecimento à  família e hoje em dia o seu filho Silvério e o seu sobrinho Kennedy trabalham de braço dado com o sr. Hipólito na protecção, marcação e recolha de dados biométricos de fêmeas e ninhos nas praias de Morro Peixe.. 10/12/2014 - Conheça a nossa equipa de Morro Peixe .
Aqui fica, pois, além de uma boa noticia – de  que a lei da proteção das tartarugas entrou finalmente em vigor (sim, mas oxalá não fique apenas pela letra), - ainda  o destaque, inteiramente justo e merecido, ao espírito de um homem bom, voluntarioso e generoso, que tem dado o melhor do seu saber e do seu esforço para evitar a extinção de uma dos mais antigos e curiosos seres do Planeta Terra.   


Massive female Leatherback; unknown photographer, East coast of Sao Tome, 1998, courtesy of Liv Larsson Gulf of Guinea Expeditions | California Academy of Sciences

"A MATANÇA“

No mês de Outubro último 44 tartarugas foram abatidas nas praias da ilha de São Tomé. A ONG MARAPA, está a contabilizar a morte das tartarugas dia a dia, na ilha de São Tomé, onde as autoridades governativas não conseguem evitar a previsível tragédia. Desde Agosto último quando a ONG decidiu publicar mensalmente dados sobre a matança abusiva das tartarugas, já foram contabilizados 74 abates. No cartaz mensal em que suplica por socorro às tartarugas marinhas, a MARAPA diz que as tartarugas estão ameaçadas na ilha de Sã Tomé. Suplica por ajuda, para evitar uma tragédia a curto prazo.Téla Nón >> Matança de tartarugas não pára de aumenta