Temos textos ainda acrescentar)
São Tomé vive dias de agitação política. Que o Massacre do Batepá:03-02-1953. não se repita. Fui o 1º jornalista a divulgar imagens, entrevistar sobreviventes.Ia-me custando a vida de represálias de colonos. Não se repita! Foi das páginas mais brutais da colonização portuguesa do século XX
Sim, fui o 1º jornalista a divulgar imagens e entrevistas - 20 anos depois. do horrendo crime, que me ia custando a vida por alguns colonos e militares– Puseram-me uma forca à porta de minha casa e espancaram-me, furaram-me os pneus do meu carro à navalhada.
Tive de fugir de canoa para a Nigéria, ao longo de 13 dias .O Zé Mulato, carrasco do Campo de Concentração de Fernão Dias , com raízes angolanas e portuguesas, confessou-me que foi uma máquina bruta a matar. Regressei a S. Tomé, 39 anos depois, tendo aproveitado para fazer outras entrevistas e registos, bem como nos anos seguintes, em que ali volteiNo Portugal de Salazar e de Marcelo Caetano, não só houve o Batepá, em S. Tomé: - também houve o massacre da aldeia do Colmeal - Um dos episódios mais negros da História de Portugal-
"FUI UMA MÁQUINA BRUTA A MATAR" - A uns matava-os a soco, outros a tiro, à paulada ou à machinada! Alinhava-os ao longo da vala para não me darem muito trabalho.Alguns ainda gritavam lá dentro, mas calava-os imediatamente, com umas quantas pazadas de terra. Nem era eu que as deitava, mas a outra "empreitada" que vinha logo a seguir. - ...Fui duro!... Bem sei... Tinha de ser...E não me pergunte se estou arrependido,não senhor! Não estou!!.. - Outros amarrava-os à cadeira dos choques eléctricos!... "até pulavam!...Até gritavam!...
Os Massacres do Batepá, começaram num remoto lugarejo, com o mesmo nome, perdido no mato e que depois se estenderam a várias aldeias, vilas e aos habitantes da cidade, lamentavelmente não é caso único, que só o 25 de Abril lograria terminar. É também o da mártir aldeia do Colmeal situada algures numa escondida encosta da Serra da Marofa, Figueira de Castelo Rodrigo, que prefiguraria , igualmente, uma das páginas mais negras da História da Lusitânia moderna sob jugo e ocupação portuguesa. -
Entrevistei sobreviventes e publiquei fotografias que me valeram - por duas vezes todos os pneus do meu carro à navalhada,- isto já depois de uma tentativa de ser abalroado na estrada, posta uma forca de corda pendurada por colonos à porta de minha casa, ainda voltei a ser alvo de muitas cenas de ódio
e afrontosas patifarias! - Uma ocasião invadiram o Palácio, e, quando me viram, eram milhares de colonos à pedrada atrás de mim:
Salvou-me o facto de ver uma porta aberta e subir pelas escadas e me esconder no telhado - Felizmente houve quem assistisse à perseguição e visse o meu esconderijo: um santomense, pela calada da noite, chamou-me e levou-me para o seu humilde casebre,algures fora da cidade, onde me tratou dos ferimentos e, durante duas semanas, me acolheu generosamente. Quando voltei à minha modesta casa - um simples quarto alugado num edifício de escritórios, o seu estado era irreconhecível:partiram-me tudo - roupa rasgada, máquina de escrever destruída, de inteiro não ficara nada..
Falei com o "Homem Cristo", o único sobrevivente que, entre três dezenas de aprisionados,
numa cela de polícia, irrespirável, minúscula e apertada, logrou resistir e pôde escapar-se a uma saraivada de balas!
Pois, de manhã, o carcereiro ao abrir a porta munido de uma arma, vendo-o a fugir, apresou-se a carregar sobre ele toda a metralha crivando-o, quase completamente, com dezenas de disparos.
Mostrou-me, em sua casa, as calças completamente esburacadas por onde cada bala fizera a sua perfuração, desde os pés, às pernas e quase à cintura, fora os disparos que o atingiram noutras partes do corpo.
Confesso que fiquei incrédulo: nem queria acreditar no mistério assombroso que teria estado na sua salvação. Mas a verdade é que ele estava vivo e estava ali à minha frente.
Era de carne e osso como eu.Era um ser humano. Não se sentia nem inferior nem superior a nada.Nem era nenhum espírito de outro mundo, duende ou fantasma.
Interrogava-me de como teria sido possível resistir ao despejar de carregadores de balas, suportar tanta metralha e ficar vivo?!...- Oh, sim.. Pobre homem!... Foi um milagre! Estou a imaginar o sofrimento e a enorme aflição por que passou na sua atormentada mas tão espetacular fuga!
- Claro que foi um homem de sorte!... Apesar de fortemente baleado,

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