Jorge Trabulo Marques - Jornalista A voz de José Azeredo Perdigão - Tributo à sua memória do jornalista que o entrevistou
A voz de José Azeredo Perdigão - Tributo à sua memória do jornalista que o entrevistou e o que vai recordar na celebração do equinócio do Outono, dia 23 do corrente, às 08 horas, num dos alinhamentos sagrados dos templos-do-sol, em chãs, de V. N. de foz Côa. quatro dias depois de passarem 130 anos do seu nascimento
Fundação Gulbenkian - Azeredo Perdigão – 1896-1993 Recordando a voz e o homem na 1ª pessoa –“Administração da Fundação Gulbenkian, absorve-me toda a minha atividade... Hoje a minha vida é esta cadeira, onde estou sentado” - “Eu não sou velho, sou antigo!... Que é uma coisa diferente.
Este é o único registo sonoro do Dr. Azeredo Perdigão, na entrevista concedida em Agosto de 1991 e que o vai homenagear na celebração do equinócio do Outono, dia 23 do corrente, num dos alinhamentos sagrados dos templos-do-sol, em chãs, de V. N. de foz Côa. ou sejam: quatro dias depois de passarem 130 anos do seu nascimento . A entrevista, que me deu a honra e o prazer de me conceder, ficou a dever-se ao excelente relacionamento que mantinha com o Arquiteto Sommer Ribeiro, que, além de Diretor do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, ali desempenhava importantes funções.– E porquê este raro privilégio? – Nomeadamente, pelo meu papel na divulgação das atividades culturais
A SINGULARIDADE E A PAIXÃO DE UM PRESIDENTE -
José Henrique de Azeredo Perdigão , nascido a 19 de Setembro de 1896, na Casa do Miradouro, em Viseu – Faleceu em Lisboa, 10 de Setembro de 1993 – O homem que conduziu os destinos da mais importante fundação portuguesa, o advogado e o braço direito do milionário Calouste Gulbenkian, desde que escolheu Portugal para seu retiro, devido à guerra que grassava além dos Pirenéus.
Azeredo Perdigão, exemplo de dedicação e de generosidade: uma vida simples, discreta, mas muito intensa e trabalhosa, longe da comunicação social e também um respeitoso distanciamento dos sucessivos governos que conheceu.
Um homem culto, afável e comunicativo. Aliás, as grandes figuras são generosas e despidas de vaidade. Ele era um desses extraordinários exemplos.
O seu diálogo infundia um prazer especial. É justamente a impressão que ainda hoje tenho, sempre que ouço a entrevista que me deu a hora e o prazer de conceder, parecendo-me que ainda o estou a rever atrás da sua enorme secretária, pejada de dossiers e de papéis. Com uma transbordante jovialidade, rara para a sua idade. Já lá vão uns bons anos.


Depois da morte do tão devotado timoneiro, do abnegado e esforçado sacerdócio ao leme da Fundação mais sólida e prestigiada de Portugal, tudo mudou e não me parece que para melhor, senão a de ter vindo a mostrar evidentes sinais de navegação à deriva e ao sabor dos calculismos e dos apetites da política oportunista: - Vendeu-se a residência de Calouste Gulbenkian, em Paris, em total desprezo e desconsideração pela sua memória, erros de gestão e de orientação, já criticados por familiares do fundador.
O autor destas linhas, neste local, nos anos 80
Os jardins da Fundação Gulbenkian foram concebidos por bons mestres: os arquitetos paisagistas António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Teles. E creio, que, pelo menos enquanto o Dr. Azeredo Perdigão foi presidente, houve o cuidado de ser fiel à conceção naturalista – mas também humanista – dos seus autores. Harmonia essa mantida, porque, além do mais, havia os chamados jardineiros da casa.
JAP - Se eu pudesse ou tivesse a possibilidade de retornar a viver, eu faria as mesmas coisas mas com menos erros, evitando os erros com a experiência que a vida me deu.
JAP - Se eu pudesse ou tivesse a possibilidade de retornar a viver, eu faria as mesmas coisas mas com menos erros, evitando os erros com a experiência que a vida me deu.
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