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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A voz de José Azeredo Perdigão - Tributo à sua memória pelo jornalista que o entrevistou e o que vai recordar na celebração do equinócio do Outono, dia 23 do corrente, num dos alinhamentos sagrados dos templos-do-sol, em chãs, de V. N. de foz Côa. quatro dias depois de passarem 130 anos do seu nascimento

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista   A voz de José Azeredo Perdigão - Tributo à sua memória do jornalista que o entrevistou

 A voz de José Azeredo Perdigão - Tributo à sua memória do jornalista que o entrevistou e o que vai recordar na celebração do equinócio do Outono, dia 23 do corrente, às 08 horas, num dos alinhamentos sagrados dos templos-do-sol, em chãs, de V. N. de foz Côa.  quatro dias depois de passarem 130 anos do seu nascimento

Fundação Gulbenkian - Azeredo Perdigão – 1896-1993 Recordando a voz e o homem na 1ª pessoa –“Administração da Fundação Gulbenkian, absorve-me toda a minha atividade... Hoje a minha vida é esta cadeira, onde estou sentado” - “Eu não sou velho, sou antigo!... Que é uma coisa diferente. 

Este é o único registo sonoro do Dr. Azeredo Perdigão, na entrevista concedida em Agosto de 1991 e que o vai homenagear na  celebração do equinócio do Outono, dia 23 do corrente, num dos alinhamentos sagrados dos templos-do-sol, em chãs, de V. N. de foz Côa. ou sejam: quatro dias depois de passarem 130 anos do seu nascimento . A entrevista, que me deu a honra e o prazer de me conceder,  ficou a dever-se ao excelente relacionamento que mantinha com o Arquiteto Sommer Ribeiro, que, além de Diretor do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, ali desempenhava importantes funções.– E porquê este raro privilégio? – Nomeadamente, pelo meu papel na divulgação das atividades culturais

 

A SINGULARIDADE  E A PAIXÃO DE UM PRESIDENTE -

José Henrique de Azeredo Perdigão , nascido a 19 de Setembro de 1896,  na Casa do Miradouro, em Viseu – Faleceu  em Lisboa, 10 de Setembro de 1993 – O homem que conduziu os destinos da mais importante fundação portuguesa, o advogado e o  braço direito do milionário Calouste Gulbenkian, desde que escolheu Portugal para seu retiro, devido à guerra que grassava além dos Pirenéus.

Azeredo Perdigão, exemplo de dedicação e de generosidade:  uma vida simples, discreta, mas muito intensa e trabalhosa, longe da comunicação social e também um respeitoso distanciamento dos sucessivos governos que conheceu.

Um homem culto, afável e comunicativo. Aliás, as grandes figuras são generosas e despidas de vaidade. Ele era um desses extraordinários exemplos. 

O seu diálogo infundia um prazer especial. É justamente a impressão que ainda hoje tenho, sempre que ouço a  entrevista que me deu a hora e o prazer de conceder,  parecendo-me que ainda  o estou a rever  atrás da sua enorme secretária, pejada de dossiers e de papéis. Com uma transbordante jovialidade, rara para a sua idade. Já lá vão uns bons anos. 


Depois da morte do tão devotado timoneiro, do abnegado   e esforçado sacerdócio ao leme da Fundação mais sólida  e prestigiada de Portugal, tudo mudou e não me parece que para  melhor, senão a de  ter vindo a mostrar   evidentes sinais de navegação  à deriva e ao sabor dos calculismos  e  dos   apetites da política oportunista:  - Vendeu-se a  residência  de Calouste Gulbenkian,  em Paris, em total desprezo e desconsideração pela  sua memória, erros de gestão e de orientação,  já criticados por familiares do fundador. 

O autor destas linhas, neste local, nos anos 80

Os jardins da Fundação Gulbenkian foram concebidos por bons mestres: os arquitetos paisagistas António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Teles. E creio, que, pelo menos enquanto o Dr. Azeredo Perdigão foi presidente, houve o cuidado de ser fiel à  conceção naturalista – mas também humanista – dos seus autores. Harmonia essa mantida, porque, além do mais,  havia os chamados jardineiros da casa.


"EU NÃO SOU VELHO, SOU ANTIGO!... QUE É UMA COISA DIFERENTE"
(...) JTM - Uma vida ligada à fundação, a muita coisa, a muita atividade: valeu a pena o que fez? 

JAP - Se eu pudesse ou tivesse a possibilidade de retornar a viver, eu faria as mesmas coisas mas com menos erros, evitando os erros com a experiência que a vida me deu.
São tantas as coisas que eu desejaria fazer e não posso fazer, mas não quero mostrar-me excessivamente ambicioso ou excessivamente ingrato com a sorte que o destino me deu, porque me permitiu realizar algumas coisas que outros não tiveram a sorte de o fazer.
Eu tenho na realidade de agradecer, digamos, a Deus, o dar-me capacidade e os meios de eu poder ser útil ao meu semelhante durante os anos de vida longos que eu já tenho.

JTM - Vai fazer 91 anos em 19 de Setembro. Aqui à frente de uma secretária com muitos papéis, muitas coisas, muitos livros! Ainda a escrever com essa acuidade mental!...Com essa garra?... Com essa força?!... Como é que explica, essa sua força, essa sua longevidade! Mercê de alguma disciplina interior?...como é que explica tudo isso?...

(...) JTM - Uma vida ligada à fundação, a muita coisa, a muita atividade: valeu a pena o que fez? 

JAP - Se eu pudesse ou tivesse a possibilidade de retornar a viver, eu faria as mesmas coisas mas com menos erros, evitando os erros com a experiência que a vida me deu.
São tantas as coisas que eu desejaria fazer e não posso fazer, mas não quero mostrar-me excessivamente ambicioso ou excessivamente ingrato com a sorte que o destino me deu, porque me permitiu realizar algumas coisas que outros não tiveram a sorte de o fazer.
Eu tenho na realidade de agradecer, digamos, a Deus, o dar-me capacidade e os meios de eu poder ser útil ao meu semelhante durante os anos de vida longos que eu já tenho.

JTM - Vai fazer 91 anos em 19 de Setembro. Aqui à frente de uma secretária com muitos papéis, muitas coisas, muitos livros! Ainda a escrever com essa acuidade mental!...Com essa garra?... Com essa força?!... Como é que explica, essa sua força, essa sua longevidade! Mercê de alguma disciplina interior?...como é que explica tudo isso?...

JAP - Eu não posso explicar a longevidade, que não depende de mim... Agora o que eu procuro é não praticar atos que possam direta ou indiretamente reduzir-me o tempo de vida. Sou uma pessoa disciplinada... mas nem por isso, por ser disciplinado, deixo de fazer tudo aquilo que me agrada e tudo aquilo que devo realizar


JTM - Mas... desculpe-me a pergunta: deve-se também a alguma dieta especial ou aquele sono, enfim, àquelas horas de se deitar sempre em determinado período ou isso tem a ver com uma força espiritual interior?

JAP - Sou um indisciplinado! mas simplesmente tenho uma disciplina interior, sim, mas na vida, na maneira de ser, na maneira de me conduzir, eu não posso ter disciplina, não posso ter programas; as circunstâncias é que me dominam, as circunstâncias é que me forçam e as circunstâncias é que me orientam!

JTM - A nível de dieta: pratica alguma dieta especial?

JAP - Não pratico dieta nenhuma especial! Eu sou uma pessoa normal, modesta, simples... Tenho uma vida simples!... Simplesmente trabalhosa!- 
Estas algumas da palavras que podem ser escutadas na honrosa entrevista que me concedeu -  Que pode ser escutada no vídeo que que aqui recordo
 


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