Dia Internacional da Mulher - Meu Tributo à poetiza e jornalista, Conceição Lima - Com momentos da sua poesia e das suas intervenções em defesa da liberdade de Imprensa
Jorge Trabulo Marques - Jornalista
Conceição Lima - Indubitavelmente, uma das mais reputadas jornalistas são-tomenses, que tem pela poesia uma enorme paixão - Sendo o nome mais traduzido da literatura são-tomense de todos os tempos, nomeadamente, alemão, árabe, espanhol, inglês, francês, italiano, checo, servo-croata, turco e galego. Tem seus poemas publicados em jornais, revistas e antologias em diversos países.
Jornalista, poeta e cronista, é membro-fundadora da União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomenses, UNEAS. Fez os estudos primários e secundários em São Tomé, onde reside e trabalha como jornalista da TVS, Televisão São-tomense. Foi durante longos anos jornalista e produtora dos Serviços em Língua Portuguesa da BBC, em Londres. É licenciada (com distinção) em Estudos Africanos, Portugueses e Brasileiros pelo King's College of London e possui o grau de Mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas na África sub-saariana, pela School of Oriental and African Studies (SOAS) de Londres.
Maria da Conceição de Deus Lima, nasceu em Santana, atual vila e capital do distrito de Cantagalo, em 8 de Dezembro de 1961, mais conhecida por Conceição Lima ou São de Deus Lima, creio que em resultado da admiração, do carinho, simpatia e da popularidade, que goza no seu país, possuidora de uma obra poética que tem sido objeto de vários estudos de Mestrado e de doutoramento em universidades portuguesas e sobretudo brasileiras e também o nome mais traduzido da literatura são-tomense, nomeadamente nas línguas alemã, árabe, francesa, italiana, galega, espanhola, inglesa, servo-croata, turca e shona.
Nestas maravilhosas e férteis ilhas, abundantes de frutos, ninguém morre de fome - Aqui, quase tudo se produz, mas há outras necessidades que, um ordenado os miseráveis ordenados ou salários não compensam
A herança Sei que buscas ainda o secreto fulgor dos dias anunciados. Nada do que te recusam devora em ti a memória dos passos calcinados. É tua casa este exílio este assombro esta ira. Tuas as horas dissipadas o hostil presságio a herança saqueada. Quase nada. Mas quando direito e lúgubre marchas ao longo da Baía um clamor antigo um rumor de promessa atormenta a Cidade. A mesma praia te aguarda com seu ventre de fruta e de carícia seu silêncio de espanto e de carência. Começarás de novo, insone com mãos de húmus e basalto como quem reescreve uma longa profecia
Jorge Trabulo Marques - Jornalista desde 1970 - -Imagens do 3 de Maio de 2019 e outras de datas anteriores - E duas de Arlindo Homem
A revolução apanhou de surpresa, a generalidade dos colonos, uma vez que, no arquipélago, não havia a guerrilha e a instabilidade das outras colónias - Quando o Povo Santomense, teve oportunidade de sair à rua e se manifestar, exigindo abertamente a independência, fê-lo calorosamente, mas sem atos de violência
Mas a verdade é que havia um movimento silencioso mas ativo. O MLSTP , que começou estar sediado em Fernando Pó e depois se transferiu para o Gabão, fazia as suas emissões de rádio, em dialeto e também atuava no interior das ilhas ( em reuniões sob o maior sigilo, a PIDE andava à coca e, de volta e meia, prendia e espancava. - Tais factos estão hoje suficiente documentados e descritos.
Os colonos é que desconheciam essas aspirações: julgavam que a guerra, em Angola, não lhes dizia respeito - E, a bem dizer, do desfecho desta dependia também o futuro de S. Tomé e Príncipe - E foi justamente o que sucedeu, com a revolução do 25 de Abril "Nem mais um soldado para a guerra" - E, a partir daí, não havia outra solução que não fosse a dos acordos, em Argel, para dar a independência às colónias
COLONOS APÓS INVADIREM O PALÁCIO DO GOVERNO E INSULTAREM O GOVERNADOR – MAL ME VIRAM NAS IMEDIAÇÕES, UMA AUTÊNTICA MULTIDÃO DESATOU A CORRER ATRÁS DE MIM
Um dia, umas centenas de colonos das roças, deixaram aquelas propriedades e foram-se manifestar ao Governador Pires Veloso - Ao abandonarem o Palácio, vendo-me junto à esplanada do Restaurante Palmar, desataram correr atrás de mim, munidos dos seus machins.
.. SE ME APANHASSEM, TERIA SIDO DEGOLADO E DESFEITO!...
Mesmo assim, quando corria à sua frente, ainda levei com uma pedra na cabeça e e outra nas costas -
TIVE QUE ME REFUGIAR, EM CASA DE UM SANTOMENSE: dos pais do Constantino Bragança, que, tendo assistido à perseguição, se deslocou à noite ao local para me colher no seu modesto casebre, algures no mato: Sr. Jorge! Pode descer, que os brancos foram todos para o quartel da Polícia Militar e do Cinema Império e venha para a minha casa"
A minha casa ficou irreconhecível, num monte de destroços. Como não me apanharam lá no seu interior, deixaram-me à porta o laço da prometida forca de corda. Pelos vistos, em qualquer parte do mundo, os jornalistas são sempre as primeiras vítimas. É neles que descarregam todos as iras e ódios. Ainda hoje, ao escrever estas linhas, se me toldam os olhos, tal os maus momentos por que passei. Ao meu modesto carro, por duas vezes, lhe furaram os pneus à navalhada.- Não me importo de ser confrontado com os elementos da natureza mais hostil, mas ser atingido pelo ódio humano é mil vezes pior!...Não é medo é um sentimento de profunda tristeza e revolta.
A liberdade de expressão, ainda não era bem aceite: a mentalidade colonial, reinante, não ia mudar de um dia para o outro. Por isso, caso não viesse a contar com a compreensão e o apoio do então Alto-Comissário, Pires Veloso, estou certo que tinha sido expulso para Portugal, tal como foram alguns revolucionários do MLSTP
Segundo dados da ONU, 55 jornalistas e profissionais da comunicação foram assassinados no ano passado 2021
A CENSURA QUE EU CONHECI ANTES DO 25 DE ABRIL
Sim, longe vão os dias da censura e dos cidadãos serem presos, perseguidos ou mal tratados por exprimiram as suas ideias. Fui testemunha desses opressivos tempo: no tempo colonial, com os impedimentos censurais do fascismo, que, por várias vezes, me não permitiram a publicação de trabalhos jornalísticos. No pós revolução, com agressões de vária ordem por parte de quem não queria aceitar os novos ventos da história. Refiro-me a atitude de alguns colonos.
SEMANA ILUSTRADA –O ÓRGÃO DA IMPRENSA ESCRITA - DO EXTERIOR – QUE MAIS PÁGINAS DEDICOU A S. TOMÉ E PRÍNCIPE, ANTES E DEPOIS DO 25 DE ABRIL
Sou Jornalista, desde 1970, então correspondente da Semana Ilustrada, a revista angolana, que mais falou destas ilhas, antes e durante o período revolucionário, após o 25 de Abril, cuja liberdade de expressão me haveria de custar barbaras agressões por parte de alguns colonos, ao ponto de ter abandonar S. Tomé de canoa para a Nigéria
Nunca nenhuma revista ou jornal dedicara tanto espaço nas suas páginas, como a Revista Semana Ilustrada - A Semana Ilustrada, era muito apreciada e popular, nas Ilhas Verdes do Equador, tanto pelos santomenses, que a chegaram até a homenagear, como pela comunidade portuguesa – Esta só nos deixou de apoiar, quando passamos a publicar artigos das manifestações pró-independência e dos massacres do Batepá
AS BRUTAIS PERSEGUIÇÕES E SELVÁTICAS AGRESSÕES FÍSICAS DE ALGUNS COLONOS
Vindas de indivíduos que ainda hoje se gabam no Facebook das sórdidas patifarias, que me fizeram
Ninguém destruiu placas nenhumas “Manuel Correia: Sabem porquê que eu e o Elvido, lhe cortamos o cabelo? PORQUE, NA MANHÃ DE O3 DE FEVEREIRO DE 1975, ELE E UM GRUPO DA CIVICA, PERCORRERAM AS RUAS DA CIDADE DE S.TOMÉ, DE MARRETA NA MÃO, COM ELE A COMANDAR, A PARTIREM TODAS AS PLACAS TOPONÍMICAS QUE CONTINHAM REFERÊNCIAS PORTUGUESAS. Não sabiam ??? E que o menino chorou baba e ranho, a implorar que não lhe cortássemos as lindas madeixas loiras . . Curtir · Responder · 2 · 12 de agosto às 06:29 Veja quem são https://www.facebook.com/elvido.ricardodeviveiros?fref=ts.....https://www.facebook.com/manuel.sebastiao.75?fref=ts
DEPOIS DO 25 DE ABRIL, A TROPA FEZ A LIMPEZA DO CONTEÚDO DOS PROCESSOS INSTAURADOS PELA PIDE - E SE NÃO FOSSE A SEMANA ILUSTRADA, ATÉ PARECIAM QUE ESTAVAM A GOZAR UMAS FÉRIAS
Atualmente, mesmo que queira fazer-se uma investigação, em relação à atuação da PIDE; em S. Tomé, penso que não é possível: tanto pelos condicionalismos da lei, como pelo facto dos arquivos terem sido todos limpos. Assisti ao transporte dos armários.dos arquivos Como fui preso, quis saber o que constava da minha fixa, só lá descobri as capas do processo: - A tropa, subordinada ao Comando Territorial Independente, foi lesta em defender a PIDE - Se não fosse uma manchete da minha revista, os agentes da PIDE continuavam a passear.se por lá, como se nada tivesse mudado - Pena não terem chegado algumas edições a Portugal, após o 25 de Abril. Aliás, numa certa manhã, um dos PIDES,, sentado com outros PIDES, ao lado da minha mesa, na esplanada do Rialto, afirmava, de expressão risonha, alto e em bom para que toda a gente o ouvisse: "eles vão precisar também de nós!" - E toca de entornar cervejas para as gargantas - Curiosamente, lembro-me que nessa mesa, até estava o tal Duarte, mais bebericando e rindo do que falando - Mas, como toda a gente os conhecia, muitos colonos conviviam com eles. Só depois de um artigo de minha autoria, alertando para a provocação da sua ostentação pública, é que então foram mandados para a Quinta de Santo António, a mesma que havia albergado as crianças do Biafra. Essa minha consulta, na Torre do Tombo, ainda ocorreu em boa altura, ou seja, antes de algumas forças políticas, aprovarem leis restritivas
IMPEDIDO DE SER ADMITIDO NOS QUADROS DA EMISSORA NACIONAL, três meses antes do 25 de Abril - Onde era operador do ERSTP, a termo precário - Por ter criticado o Diretor de Turismo, na Revista Semana Ilustrada, de Luanda - Um telegrama, enviado para a Emissora Nacional, a pedido Diretor dos Serviços Técnicos, inviabilizara a minha admissão no quadro:
RECEANDO QUE PUDESSE SER ADMITIDO - A INFORMAÇÃO TEVE MESMO DE SER ENVIADA DE URGÊNCIA VIA TELEGRAMA - Este o teor:
"REPARTICAO DOS SERVIÇOS GERAIS DA EMISSORA NACIONAL LISBOA
VIRTUDE DE SUMÁRIO INQUÉRITO SOBRE PROCEDIMENTO OPERADOR JORGE LUIS MARQUES. REFERIDO NSI 1929 12 CORRENTE FECAEEE PELO VEXA NÃO CONSIDERAR AQUELE OPERADOR PARA INCLUSAO ARTIGO19/0
NÓS E O PRESIDENTE DO INSTITUTO DE TRABALHO
DEPOIS DO 25 DE ABRIL - O Presidente do Instituto de Trabalho, pressionou o Governador a expulsar-me de S. Tomé: colocou o seu lugar à disposição do Governador: ou era eu expulso ou ele se demitia - Mas, a revolução do 25 de Abril de 1974, estava na rua e trocou-lhe as voltas - Passei a poder escrever o que antes me estava vedado, porém, só Deus sabe as represálias e agressões de que fui alvo
Eis outro excerto da cópia do ofício que foi enviado para a Semana Ilustrada
“Da Repartição de Gabinete do Governo de São Tomé e Príncipe, recebemos o seguinte oficio:
Incumbe-se Sua Excelência o Encarregado do Governo de solicitar, nos termos do art, 414,do E.F.U., a transcrição seguinte comunicado na Revista da mui digna direcção de V. Exa, como mesmo destaque e na mesma página em que a noticia foi publicada;
Sob o título: “Nós e o Presidente do Instituto de trabalho” , e assinado por Jorge Trabulo Marques, publica o número 366 da revista “SEMANA ILUSTRADA”, um artigo me que se produzem várias afirmações que põem em causa a actuação do actual Presidente do Instituto do Trabalho e Acção Social desta província”
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