lhas Canárias – É notícia. Das ameaças da ETA ao Hantavírus - Entrevista a ETARRA em 1982 -. Terrorismo nunca mais! Paz na Terra e fim à Guerra
Jorge Trabulo Marques - Jornalista desde 1970
lhas Canárias – É notícia? Das ameaças da ETA entrevista de membro há 44 anos -à notícia de hantavírus. Terrorismo nunca mais! Paz na Terra e fim à Guerra - Agora notícia do navio MV Hondius afetado por um surto de hantavírus Paz na Terra e fim da Guerra! Mais de 3.000 pessoas morreram em 2025 tentando chegar às Ilhas Canárias muitas vezes em botes improvisados, segundo a ONG
Ocupantes do navio, que esteve de quarentena em Cabo Verde e viaja agora rumo às Canárias, serão depois levados para "zona específica e reservada" do aeroporto Tenerife Sul, a pouco mais de 10 quilómetros, para serem repatriados e, no caso dos 14 espanhóis a bordo, para serem transportados a um hospital militar de Madrid
Clike e ouça - Registo de há 33 anos - - O som tem algum ruído mas não deixe de ouvit
Excerto de uma longa entrevista de cerca de meia hora passada de cassete para vídeo - Membro da ETA - Confessa ter assassinado cinco homens e uma mulher - Não ao Terror e à Guerra. Sim à Paz, à Justiça social e à Liberdade, Impressionantes afirmações de um jovem terrorista da ETA, entrevistado em 1982, nas canárias.
Mais de 3.000 pessoas morreram em 2025 tentando chegar às Ilhas Canárias, muitas vezes em botes improvisados, segundo a ONG Caminando Fronteras. O papa Leão XIII tem uma visita marcada à região em junho e deve se encon
.NUMA PENSÃO DAS MAIS RASCAS - PARA DISFARÇAR
Membro da ETA - Confessa ter assassinado cinco homens e uma mulher - Não ao Terror e à Guerra. Sim à Paz, à Justiça social e à Liberdade, Impressionante testemunho de um jovem terrorista da ETA, entrevistado em 1982, nas canárias. Começou a roubar aos 13 anos , os pais queriam que ele trabalhasse em França mas ele preferiu alistar-se na ETA. Esteve preso em Caramanchel, por ações terroristas, mas logrou escapar-se, com a cumplicidade de um guarda prisional e a colaboração de companheiros, no exterior - Tendo-se refugiado em Las Palmas, onde se hospedou na pensão mais rasca da cidade, onde o repórter também se alojara - Este por razões económicas; ele para mais facilmente passar despercebido da vigilância policial. Só que, como naquela mesma noite, se arrependeu de me dar a entrevista, às tantas bate à porta do meu quarto, exigindo-me a cassete: respondi que de manhã, quando me levantasse, lhe entregaria. Porém, muito antes de ele acordar e a maioria dos hóspedes, e, como a dormida fora paga de véspera, não hesitei em abandoar a pensão.
Já não preguei olho, depois de tão inesperada exigência, e, ainda com as ruas iluminadas, não fosse o diabo tecê-las, lá tive que passar os dois dias seguintes ao relento até encontrar um português que me hospedou num hotel, de que era diretor. De facto, já não me bastara a aventura de jipe Paris a Dakar, na expedição de uns amigos, que entretanto já haviam partido num voo da TAP para Lisboa, ainda me faltavam mais estes sobressaltos.
JTM: "Já mataste ou apenas viste matar:
ETARRA -“Não me assuste mar! Me dá pena matar mas não me assusta mar!...“Somos um grupo de cinco etarras que atuamos por ordens superiores.” cada um com as suas funções: “um encarrega-se dos planos, outro de fotografar os sítios, outro dos expulsivos, fazemos tudo”
JTM - Sabes que há muitos Etarras presos: que fazeis para os tentar libertar? – Fazemos o que podemos, mas libertá-los é praticamente difícil.
Confessou ter morto cinco homens e uma mulher e participado em vários roubos. “Todos os atentados da ETA são espetaculares – disse, quando lhe perguntei qual tinha sido o atentado mais espetacular.
De entre as várias entrevistas que fiz na minha vida de repórter para a rádio e imprensa (algumas em livro)– e foram centenas, desde anónimos cidadãos, a perigosos cadastrados, alguns no interior das cadeias outros em liberdade, legionários, mercenários, políticos, escritores, músicos, atores, banqueiros, empresários, militares, policias, figuras das mais diversas atividades, sim, de entre os muitíssimos registos, muitos dos quais ainda guardo, confesso que nunca me passou pela cabeça vir a entrevistar um terrorista assumido.
Não é que receasse fazê-lo, mas porque não é do pé para a mão que um terrorista se abre a fazer as confissões das suas atividades mais perigosas e secretas - Claro que é sempre uma situação algo melindrosa, e tal podia ter acontecido com a entrevista que fiz, em Las Palmas, a jovem membro da Eta, já com pesado cadastro de seis assassinatos: cinco homens e uma mulher. se não tivesse no dia seguinte, mudado de pensão.
Deu-me a entrevista, numa noite de grande festa em Las Palmas, já meio alegre mas o bastante sóbrio para, com a maior descontração e frieza, me descrever detalhadamente muitos dos pormenores da suas ações terroristas. Devido à algazarra, que se verificava naquela artéria, há passagens da gravação, que quase são ofuscadas pelo ruído ambiente – Mesmo assim é de ouvir, é testemunho impressionante
Encontrávamo-nos hospedado na mesma pensão – Das mais modestas de Las Palmas; eu por razões económicas, ele para passar despercebido; para não ser facilmente identificado pela polícia, mesmo sob a capa de identificação falsa – Pois, naquela altura, o controlo não era tão rigoroso como nos hotéis.
Alguém lhe havia dito que era jornalista. Aliás, foi ele que perguntou na pensão quem eu era – Pois qual é o foragido que não olha pela sua segurança?...E não é um observador atento?!...Filtra tudo e tudo, com olhar de lince. Sabendo, pois, da minha profissão, ao passar por ele numa “calha” perguntou-me o que eu tinha vindo fazer a Las Palmas, e qual razão por que tinha escolhido aquela hospedagem. Disse-lhe que tinha vindo de Dakar, tendo ficado uns dias para fazer umas entrevistas para a Rádio Comercial, em Portugal. A seguir foi eu que o inquiri: - perguntando-lhe: então, e, você?... É das Canárias? – A que ele me responde que veio de Espanha a passar aqui “uns dias de férias” – Ou melhor, pelo que depois depreendi, para se escapar da eventual perseguição policial, visto os outros quatro elementos do seu grupo, já terem sido praticamente encurralados, tal como me confessou.
E foi, então, que, às tantas, me diz pertencer a um grupo armado da ETA (político-militar). Certamente, o cabecilha do grupo, pese o facto de ser bastante jovem. Sim, a avaliar pelo tipo de ações violentas em que diz ter participado.
Depois de ter percorrido várias extensões das areias escaldantes do deserto do Saara, e, pior de que isso, o gélido arrefecimento das desérticas e continentais noites, desde a Nigéria a Dakar, integrado num grupo de mais cinco amigos, em Land Rover, numa espécie de réplica do Rali Paris-Dakar, com alguns dias de descanso na capital do Senegal, seguiu-se o regresso de avião para Portugal, depois dos jipes terem sido carregados num barco .
O Voo tinha uma escala em Las Palmas, onde tínhamos que esperar mais dois dias por outro avião. Só que, no momento, em que os meus colegas da expedição deixavam o Hotel, eu respondi-lhe que ia ficar mais uns dias – “E, então, tens algum dinheiro contigo” pergunta-me o José Videira. Respondo-lhe: Não tenho um centavo no bolso, mas descansa que lá me hei-de desenrascar.
NO CONSULADO DE PORTUGAL, EM LAS PALMAS
Nesse dia, dirigi-me ao consulado português, apresentando-me como jornalista: não lhe solicitei qualquer tipo de apoio monetário mas pedi-lhe que me desse uma lista com o nome e a morada de alguns portugueses, depois de lhe fazer ver que era meu desejo fazer uma reportagem na Ilha, com uma série de entrevistas a empresários e também a outra pessoas, desde as mais humildes às mais prósperas, radicadas em Las palmas, tendo a primeira entrevista sido justamente com o cônsul.
Depois, tive então oportunidade de contatar vários portugueses: almocei na barraca de um ex-legionário, do distrito de Viseu, que, depois de ter deixado o “Terço da Legião” de Forteventura, juntou-se a uma repagaria da ilha, optando por ficar por lá. Pude também ir ao quartel da Legião, em Las Palmas, a título de me querer alistar, com o fito de entrevistar os soldados portugueses, que ali se encontravam presos, por deserção, o que consegui, com algum tato, entrevistas que conto vir também editar em vídeo. Fui recebido em casa do empresário português, mais bem sucedido nas Canárias, dono de uma fábrica de tabaco, que, depois de jantar, me levou a visitar as melhores discotecas da capital, podendo mesmo ter entrado de sapatilhas, o que, noutras circunstâncias, nunca seria autorizado.
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