Condenado à forca- Conheci o corredor da pena da morte na Guiné Equatorial - Lá me salvei a escassos metros da forca por milagre
Jorge Trabulo Marques - Jornalista e antigo navegador solitário de três aventuras em canoas no Golfo da Guiné - De S. Tomé ao Príncipe- 3 dias -Preso pela PIDE; de S. Tomé à Nigéria 13, hospitalizado: de Ano Bom a Bioko, após 38 dias preso e condenado à forca por suspeita de espionagem Libertado ao 5º dia, depois de ter percorrido meio corredor rumo à forca- Pormenores a seguir

No corredor da Pena de Morte -Libertado a 04--12-1975. O Dia Mundial Europeu contra a Pena de Morte., foi ontem, 10-10-2026 Não esqueço os 5 dias numa cela onde mal me podia estender no chão.. Salvei-me a escassos metros de ser enforcado A União Europeia reafirma, nesta data, a sua oposição à pena capital em todas as circunstâncias, em consonância com o artigo 2.º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, relativo ao direito à vida, que estabelece que ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado.
O Presidente da República, António José Seguro, salienta este sábado, no Dia Mundial e Europeu contra a Pena de Morte, a sua "total e absoluta oposição à pena capital", que qualifica como "um ato cruel, desumano e degradante".
Durante o seu governo (1968–1979), Francisco Macías Nguema ordenou a prisão, tortura e execução de opositores políticos, ministros, líderes religiosos e membros da etnia bubi, o que levou à morte ou ao exílio de grande parte da população do país.
A pena de morte foi oficialmente retirada do Código Penal da Guiné Equatorial em setembro de 2021 (promulgada por Teodoro Obiang), cumprindo um compromisso assumido aquando da adesão do país à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O embaixador da Guiné Equatorial em Lisboa,Tito Mba Ada, garantiu h que a pena de morte não é aplicada no seu país, um compromisso da adesão à CPLP, após uma recente condenação de dois homens à pena máxima naquele país.
NUMA CELA PARA SER EXECUTADO NO PÁIS DO TERROR SUPREMO- Após 38 dias à deriva numa canoa de S. Tomé - escavada num tronco de ocá -Por suspeita de espionagem - Depois de ter acostado na Ilha de Bioko, historicamente conhecida como Fernão do Pó, a principal ilha da República da Guiné Equatorial, localizada no Golfo da Guiné, na costa ocidental de ÁfricaQue atrevimento foi o teu de vires aqui espionar a nossa ilha?!!...Que barco te largou?!!...Que abuso foi o teu de entrares clandestinamente na República da Guiné Equatorial?!!...Não sabes que te podemos matar?!!...Ou não tens consciência da gravidade do crime que cometestes?!...Vá! Responde!!...
Chefe! Não cometi crime nenhum! Não venho espionar a vossa Ilha. Sou um náufrago!... (...) Não vê que estou com o corpo fraco; já há muitos dias que não como nada e necessitava que me prestassem a vossa assistência, fossem misericordiosos para comigo ou me levassem para um hospital.. Não mintas!! Não sejas fingido e mentiroso!!!...Daqui a bocado, já te digo onde é o hospital.

Depois de 38 dias e noites de tantas incertezas de tempestades e sufocantes calmarias equatoriais, numa frágil piroga escavada num tronco de árvore, ainda ter que suportar tamanho sufoco e instabilidade - Mas vá lá, que, a escassos metros de ser enforcado, toca o telefone e era levado à presença de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, sobrinho do então ditador Francisco Macías Nguema e que me liberta Na manhã do dia 3 de Dezembro, quando menos esperava, um carcereiro chegou à porta da minha cela, algemou-me e ordenou-me que o acompanhasse - Senti logo um embate no meu coração, que não deveria ser levado para melhor destino - Mal transpus a cela, sou imediatamente agarrado por outro guarda, tendo à minha frente o Comissário da Cadeia, que já me tinha torturado com infindáveis interrogatórios para me conduzirem ao sítio das execuções.
Bom, lá tive que voltar a repetir o que já havida dito várias vezes, que não era espião e as razões pelas quais me havia metido na canoa e ido ali parar - Mas, quando o vi soltar uma gargalhada e pedir-me para que lhe contasse mais alguns pormenores dos meus longos dias no mar, disse cá para os meus botões: este é dos meus!... Estou a ver que está a gostar da minha aventura. Por volta do meio-dia, depois de me ouvir, ordenava ao Comissário para me soltarem
POUCOS DIAS DE CATIVEIRO, MAS AUTÊNTICAS ETERNIDADES -
A cadeia não fornecia alimentação: tinham de ser os familiares. Nos primeiros três dias, quem me passou alguma comida (massa de mandioca, regada com óleo de palma, que mais das vezes a vomitava para a lata das necessidades, pois eu estava magríssimo e, o meu estômago, já não estava habituado a comer alimentos sólidos, há muitos dias), sim, quem me deu alguma comida, foram os próprios condenados, que trepavam curiosos à minha janela gradeada, durante o curto recreio que dispunham, num átrio para a qual a minha cela estava voltada. Creio que, naquela altura, devia ser o único europeu preso.Mais imagens e pormenores em https://canoasdomar.blogspot.com/2023/11/preso-na-cadeia-do-inferno-28-11-1975.html
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