Jorge Trabulo Marques


Pico Cão Grande em S. Tomé-. 12-10-1975 Dia da conquista mais vertical da Terra e da Guiné Equatorial celebrar a independência do 12-10-1968, sobre o jugo do regime franquista de Espanha -
Sete anos depois, a minha equipa atingia a crista do emblemático símbolo basáltico de quem visita o sul desta maravilhosa Ilha, o mais atraente ícone do ecoturismo africano, depois de sucessivas tentativas, ao longo de quase cinco anos.
Dois
anos sozinho, e, por fim, nos dois anos seguintes, de 73 a 75, com a
participação de dois valorosos santomenses, o Cosme Pires dos Santos e o
Constantino Bragança, além da valiosa colaboração dos guias e carregadores, do
Sebastião e do Chico, atingia-se a crista de um dos mais difíceis e caprichosos
monólitos do planeta.
Mas foi na companhia do Constantino que iniciei as primeiras escaladas - E,
obviamente, com os meus inseparáveis guias: o Chico, trabalhador da Roça
Ribeira Peixe, que nos acompanhava, sempre que podia, especialmente aos fins de
semana
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| Lisboa - Julho 2022 |
Guiné Equatorial de Parabéns – Celebra hoje o 58 aniversário da sua independência, já com a pena de morte abolida – Proclamada em 12 de outubro de 1968, como nação livre, pelo Governo da ditadura franquista – Colónia Portuguesa de 1471 a 1778 - Cedida a Espanha pelo tratado de San Ildefonso – País membro da CPLP; desde de 2014
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Com o Emb. Tito Mba Ada -Num 12 de Outubro
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Foram navegadores portugueses os primeiros europeus a explorar o golfo da Guiné, em 1471. Fernão do Pó situou a ilha de Bioco nos mapas europeus nesse ano, ao procurar uma rota para a Índia: ele baptizou a ilha Formosa (no entanto, foi no início conhecida pelo nome de seu descobridor).As ilhas permaneceram em mãos portuguesas até Março de 1778.


Graças a Deus estou vivo e o devo ao humanismo e à compreensão do então Comandante Obiang, atual Presidente, que, no dia em que ia ser executado, me chamou ao seu gabinete, quando, pouco depois de sair acorrentado da minha estreita e nauseabunda cela, um inesperado telefonema, soando no corredor, ordenou ao Comissário da cadeia, que seguia a liderar a minha execução com dois guardas, fosse levado à sua presença.
Pico Cão Grande em S. Tomé- A conquista do pico mais aprumo da Terra, o emblemático símbolo basáltico de quem visita o sul desta maravilhosa Ilha, o mais atraente ícone do ecoturismo africano. que a minha equipa conquistou, pela primeira vez, em 12 de Outubro de 1975, depois de sucessivas tentativas, ao longo de quase cinco anos.
O Monte Thor é uma montanha em Nunavut, no Canadá,
tida com a maior queda vertical da
Terra. Sim, mas apenas num dos pontos e não é um monólito arredondado ,
enquanto o Pico Cão é em toda à volta “É
referido que é uma escarpa aterradora”, com uma saliência média de 15 graus em
relação à vertical. É tão íngreme que se curva sobre si mesmo.
NESQIECÍVEL CONQUISTA


Pessoalmente, pude sentir o grande prazer – misto de glória, apreensão e receio – de, com o Cosme Pires dos Santos (mas também graças ao apoio do Constantino Bragança e dos meus guias, do Sebastião e do Chico), desfraldarmos, no topo do seu cume, a 663 metros de altura acima do nível do mar a Bandeira Nacional de São Tomé e Príncipe, depois de nas sucessivas escaladas, antes da Independência, termos erguido a Bandeira Portuguesa, trepando as suas vertiginosas faces, que se erguem aprumo no mais denso manto da selva verde.
De sermos os primeiros seres humanos - pois há aves que lá nidificam – a pisar as rochas da sua monumental crista!Que se ergue no coração da floresta equatorial, área integrada no Parque Natural Obô, com mais de 700 espécies de plantas e 143 tipos diferentes de aves


Já lá vão 51 anos todavia as memórias, permanecem ainda hoje tão vivas, tão vibrantes, como se o tivesse acabado de escalar – O que parecia custar aceitar era o não reencontro, a não partilha dessas mesmas emoções, com o valoroso Pires dos Santos – Mas, felizmente quis o destino que, finalmente, na tarde de 5 de Agosto, 2015, nos reencontrássemos, num abraço fraternal e amigo na companhia da sua mulher, e dois dos seus irmãos e do jornalista Adilson Castro.
- Cão grande não é Pico! É cabeça de bicho, senhor!...Quem subir ele, morre ou então tem poder no seu corpo!...
Estas algumas das afirmações que, por várias vezes, ouvi de velhos angolares (autóctones de uma conhecida etnia fixada ao sul de S. Tomé), entre outras histórias de feitiços e de homens gabões; designação dada aos trabalhadores das roças, vindas de outras colónias, em situação de degredo ou sujeitos a contratos miseráveis, que preferiam o refúgio do interior do espesso obó ao regime brutal e de semiescravidão em que prestavam serviços nas grandes propriedades agrícolas, acabando, enfim, por ali viverem no mais completo abandono e isolamento, decididamente arredados de tudo e de todos, já que a própria condição insular do meio não lhes permitia outra alternativa.
Por isso, o Cão Grande, assim como toda aquela vasta área de obó que o circunda, desde a perseverança ao Novo Brasil e Monte Mário, zonas de “capoeira” enorme e cerrada, foram pois lugares que, pela sua singularidade, muitas histórias, mitos e lendas alimentaram ao longo dos tempos da colonização.
É certo que nunca por lá se me depararam quaisquer desses homens de barbas até à cintura e com mais de trinta e tantos anos de mato, como por vezes me contavam. Mas acreditei que lá os houvesse, pois apercebi-me dos vestígios da sua presença, nomeadamente cabanas de folhagem e até de buracos nas rochas
. E, à noite, quando pernoitava, lá pelas alturas do Pico, também tive ocasião de ver pequenos clarões de fogueiras a refulgirem por entre o negrume espesso e rumorejante da floresta, donde, aliás, chegavam , simultaneamente, como que sussurros de vozes humanas, em jeito de cânticos ou monólogos em surdina, misturados com o vozear dos macacos e com outros sons característicos do obó, dando-me, por isso, a indicação segura por ali estariam acoitados alguns seres humanos
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