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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

São Tomé - Malanza - A Vila de humildes cubatas já tem eletricidade! - Situada ao lado da floresta e ao rés-vés do mar no extremo sul da Ilha a curta distância de Porto Alegre e do Ilhéu das Rolas - Deve o seu nome e fundação ao Visconde de Malanza, Jacintho Carneiro de Sousa e Almeida, filho do 1º Barão de Água Izé

Por Jorge Trabulo Marques -Jornalista


Finalmente, uma velha aspiração, um velho sonho que se transformou em iluminada realidade -  O importante é que seja um passo para dar outro e não para temporariamente os políticos se mostrarem - Que o  gerador não avarie (ou lhe falte o combustível), como por vezes acontece na cidade  - Mas isso não é só em S, Tomé - Veja-se o que se passou com o Equipamento de ressonância magnética do Hospital da cidade da Guarda

A Vila de Malanza, situada no extremo  sul de S. Tomé, nas faldas do Monte Mário, ladeando uma das baías de vegetação mais espessa e luxuriante, finalmente  passou a ter acesso à tão desejada energia elétrica - Pelo menos,  durante 6 horas por dia, entre as 17, ou seja meia hora antes do pôr-do-sol e as 23 da noite – Uma boa notícia, dada recentemente, pelos órgãos de comunicação social, desta Ilha -  Velha aspiração  do maior aglomerado  populacional do distrito do Caué, constituído, maioritariamente por angolares e tongas, cujas vidas estão intimamente ligadas à pesca – No tempo em que as roças eram exploradas – Ribeira Peixe, Novo Brasil, Monte Mário, S. Miguel  e Porto-Alegre - , ainda ali prestavam serviços, agora só se for para a exploração do palmar, que ocupa uma vasta área do Cáué e do Parque Nacional do Obó, entretanto ali plantado. 

Para quem já deixou o rio Cáué e vai em direção a Porto Alegre, o único aglomerado habitacional, que, a certa altura, se lhe vai deparar, quando abandona  a última curva do permanente e quase sufocante verde intenso, húmido  e cerrado da floresta, é  um friso de típicos casebres da Vila de  Malanza, lado a lado da estrada, agora sempre plana  e a direito, ensombradas por escassas e altaneiras árvores de fruta pão, depois de dobrada uma ponte sob a qual passa uma pachorrenta linha de água, cujas margens facilmente denotam que o mar também as pode mergulhar ou senão mesmo as enxurradas, vindas lá do interior da floresta, que ali só parece descobrir-se    à distância  – Do lado esquerdo, é a languidez da praia a perder-se no azul do infinito,  e, do lado direito,  ainda a mancha verde, que, devido à abertura da baía, agora parece ter o condão de nos aliviar do grande sufoco florestal.

Vale a pena parar e registar as primeiras  fotos ou então abrandar a velocidade porque, embora  pareça um lugar quase despovoado, não é bem assim.  A vida vai-se revelando, sucessivamente, ao longo da estrada. Os sorrisos das crianças surgem onde menos se espera e aos magotes. E, nas rugas dos semblantes dos mais velhos, sentados isoladamente ou a cavaquear, também facilmente nelas se descobrem histórias de vidas tostadas pelas marés e  de valentias em frágeis pirogas em calemas e tempestades, que ali se encontram perfiladas à beira de suas  casas, que parecem  ser todas da mesma cor com que os céus de cinza e as chuvadas as tisnaram pela sua constante insistência.  

 Excetuando o vai e vém do mar, quando os olhos se estendem além da areia dourada, fina e macia, infinito fora, tudo ali decorre com a maior tranquilidade e paz dos deuses. Lavadeiras cumprem calmamente as suas tarefas nas águas do rio. As crianças, desnudas, cedo se exercitam na arte de navegar  em pedaços de troncos ou restos de canoas - E nem precisa de ser no mar - aproveitam os açudes dos rios, que ali desaguam ou do refluxo da  maré.  Os cães dormem a sua soneca a qualquer hora do dia. Varas de porcos passeiam-se  pela praia  à cata de moluscos,  imagem também frequente nas localidades situadas junto à costa  – Mas não se pense que, tal habituação, conspurca as areias ou pode desencorajar o turista a passear-se à vontade pela praia e a dar os seus mergulhos numa água limpidamente azul e quente! - Em S. Tomé, esse íntimo convívio, com a Natura, faz parte do dia a dia.

 A pobreza não se descobre nos rostos porque a Natureza é bela e fértil e proporciona serenidade, paz e alegria de viver  - Mas existe e é profunda. O artesanato para vender ao turista que faz uma pausa, embora interessante é incipiente, de reduzida expressão.   Excetuando o aproveitamento da copra, da banana, fruta-pão e do  conote, na floresta que ladeia o povoado - produtos usados para consumo local - ou a criação de porcos e galináceos, as suas vidas estão praticamente dependentes dos recursos do mar – E, dir-se-ia que também unicamente para sobrevivência da população, pois  quem é que, além do  Pestana Equador, no Ilhéu das Rolas, lhes poderá comprar o pescado, tão longe é a distância que a separa de São João dos Angolares ou da capital - E onde estão os frigoríficos para guardar o pescado - Salvo o que é seco ao sol, o que ali não é fácil, pois há mais dias de chuva ou de céu encoberto  de que  limpo e desnublado.

Refere o Télanón, num artigo assinado por Abel Veiga,  que a concretização deste velho sonho, se ficou a dever a “uma acção do décimo sexto governo constitucional, liderado pelo doutor Patrice Trovoada. O Governo cumpriu com o seu dever constitucional, mas as reportagens dos órgãos Estatais de Comunicação Social, mostraram louvores e acções de graças de endeusamento do Primeiro-ministro por parte de alguns populares, como se tratasse de um favor feito as duas comunidades.


António Monteiro deputado do MLSTP/PSD pelo distrito de Caué, por sinal elemento influente do partido na região sul da ilha de São Tomé, juntou-se ao Primeiro-ministro Patrice Trovoada e ao Governo da ADI, na celebração da conquista de energia para uma das populações considerada mais pobre do país – Excerto de . Finalmente populações de Porto Alegre e da Vila Malanza






NUM QUASE FIM DE TARDE  - Recordações de histórias do Pico Cão Grande, de caçadores de porcos e de heroicas provas de sobrevivência de pescadores


Quem for a S. Tomé, com intuito de conhecer as suas mais belas paisagens e maravilhosas praias, dificilmente deixará de ir ao Sul -  Existe uma estrada alcatroada, que lhe proporcionará as mais fascinantes surpresas, e é das melhores vias, atualmente existentes na Ilha  - Umas vezes, lado a lado com o oceano equatorial, outras, com  as curvas mais imersas pela florestas, sim, há muitas curvas e contracurvas, esse é o desfio com o qual tem de saber lidar o viajante de carro,  mas é um desafio deveras aliciante e encantador.

No meu caso, ir ao Sul, 40 anos depois de meus olhos terem deixado de contemplar o Pico Cão Grande e toda a majestosa floresta do obó envolvente, impunha-se como que uma peregrinação sagrada e obrigatória – Mas eu ainda fui mais a sul, pois desloquei-me até à Vila Malanza, graças à cortesia de bons amigos  - o português, Manuel Gonçalves e, posteriormente, do Coronel Victor Monteiro.

E que maravilhoso fim de tarde, ali não desfrutei!...  Pese o facto do céu se encontrar muito nublado, o que é normal numa das zonas mais pluviosas de S. Tomé, mormente na Época das Chuvas, que foi justamente o que sucedeu na minha deslocação, nos finais de Outubro, de 2014.

Há quem  passe pela estrada a fora, que corta a pequena vila e se limite ao olhar as pessoas, as casas, as canoas da praia, mas talvez sem olhos de ver: tira foto, mesmo de dentro do carro e toca a girar - Com aquele  olhar apressado do viajante de carro, que é geralmente dominado pela avidez da descoberta, mas, no fundo no que pensa  é desbundar quilómetros, atrás de quilómetros, sem nunca se dar por satisfeito.

Não foi o meu caso: -  pedi ao meu companheiro de viagem, que tinha alugado o jipe, que me deixasse ali  para eu dar um saltinho até à praia para falar com os pescadores, enquanto ele ia até Porto Alegre, já que esse era o principal objetivo do seu roteiro.

E, por lá fiquei, não muito tempo, porque, no Equador, o dia começa cedo mas a tarde escoa-se rapidamente. Mas foi o tempo suficiente para ali passar uns momentos inesquecíveis, convivendo com  velhos lobos do mar, caçadores de porcos e  no meio de revoadas de alegres e risonhas crianças, trazendo à memórias as  aventuras da  minha escalda ao Pico Cão Grande e no mar – Veja o vídeo e verá como alegres e hospitaleiras são estas gentes do Malanza – De resto, cordialidade e simpatia, é apanágio de quem aqui nasceu e aprendeu a conviver com as mais deslumbrantes maravilhas da Natureza .


 VILA MALANZA – DEVE O SEU NOME  E FORMAÇÃO AO  CONDE MALANZA 


Num país europeu, onde a maioria das principais cidades têm mais população  de que a Ilha de S. Tomé, Malanza não passava de um simples e modesto aglomerado de casas de madeira - Porém, se há vila, em S. Tomé, com história, é a Vila de Malanza -  nome advém-lhe do rio, que a atravessa, ao desaguar no mar – E foi o título dado ao Visconde de Malanza, de seu nome Jacintho Carneiro de Sousa e Almeida, filho do 1º Barão de Água Izé e Conselheiro, João Maria de Sousa Almeida – Tal como é dito por Manuel Ferreira Ribeiro, no pequeno livro”1º Barão d’Água Izé e seu filho Visconde de Malanza, “o título Malanza, refere-se   a  um dos lugares mais agradáveis da Fazenda de Porto-Alegre, fundada pelo nobre Visconde no extremo meridional da Ilha e que representa um valioso serviço por ele feito a S. Tomé.

Foi este ousado agricultor quem lançou as bases da colonização  ao sul e Sudoeste da Ilha. E todas as terras, de floresta seculares, que por ali existiam sem exploração alguma, foram transformadas em belas plantações,  e foi dotada toda esta região inculta de notáveis fazendas ou lindas quintas agrícolas ou tropicais, que fazem o encanto de todas aqueles que as têm visitado.

E, na fazenda Porto-Alegre, introduziu o nobre visconde melhoramentos excepcionais.
Montou serrarias a vapor, construiu um caminho de ferro, lançou uma boa ponte sobre o Malanza, preparou uma ampla piscina – a primeira da ilha de S. Tomé – e abriu um campo de aclimatação, aonde trouxe as melhores plantas úteis tropicais.

A sua fazenda de Porto-Alegre, é, sem a menor dúvida, uma das maiores e das mais bem expostas de toda a ilha. E, por isso mesmo, constituiu uma região cacaueira por excelência.

(…) Não havia na Ilha de S. Tomé meios de transportes fáceis e seguros, em volta da ilha, lutando assim os novos agricultores estabelecidos ao Sul, com grandes embaraços, e então adquiriu  o belo vapor Malanza, oferecendo fácil e rápida viagem aos que se dirigiam às fazendas, para as quais só podia aproveitar a via marítima.
Foi o nobre Visconde o primeiro agricultor de S. Tomé que me navio próprio – no Yatche Vá-Inhá  - fez a travessia daquela ilha a Lisboa.

Por muitas vezes, em terra e n mar, deu provas de grande coragem apresentando-se sempre nos grandes perigos, com o maior sangue frio.

Na exploração agrícola que iniciou no sudoeste da Ilha, e à qual chamou tantos europeus, revelou tal tenacidade de carácter  e tão viva fé no trabalho, que poderia invocar-se esse arrojado empreendimento como uma das suas maiores glórias.
Nos serviçais e trabalhadores tem amigos e é sempre dia de grande festa em Porto-Alegre aquele que faz reunir todas as crianças. Mostra assim o vivo interesse que nel desperta a população trabalhadora, distinguindo, com singular afecto os que foram seus companheiros nos rudes trabalhos agrícolas, que primeiros se fizeram  nas fazendas de S. Miguel e Porto Alegre,

Contra a praga dos ratos, que tão grande prejuízo causa  à agricultura, mandou vir do Instituto Pasteur, em julho de 1895, o veneno que mais se recomenda para o destruir"





terça-feira, 6 de outubro de 2015

Poesia de São Tomé - Aqui Onde Estou os Sonhos são Verdes – Dom Manuel dos Santos - O mais recente livro de poesia, lançado hoje em Setúbal

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista  


Dom Manuel dos Santos, Bispo de São Tomé, habitual colaborador da Rádio Renascença, nas orações de manhã à quarta-feira, vai estar hoje em Setúbal, nesta Terça Feira, dia 6, para o lançamento oficial do seu mais recente livro de poesia - -Aqui Onde Estou os Sonhos são Verdes




Depois de ter sido apresentado, em Fátima, no passado dia 25,  a um grupo de pessoas amigas, e, no dia 4 de Outubro, pelo Frei Fernando  Ventura, no seminário dos Carvalhos, agora é a vez da editora fazer a apresentação oficial na capital do Sado: pelo Padre Sívio Couto, pároco da Moita  e pela Profª Isaura Carvalho, que se referirá aos aspetos santomenses, que caracterizam a obra poética  do Poeta e carismático Pastor  - Um português, nascido em São Joaninho, concelho de Castro Daire,  mas que, desde há vários anos, faz das ilhas de São Tomé e Príncipe, ama e abraça,  como terra sua, fazendo da sua aldeia e destes espaços, os lugares mais marcantes da sua vida


(Actualização) Imagem- Nesta Terça-feira, ao fim da tarde, em Setúbal -- Perante uma sala, completamente cheia, Dom Manuel dos Santos - Bispo de São Tomé - Lendo o poema: O Meu País é Aqui , durante a apresentação da sua mais recente obra poética, com o título: - Aqui Onde Estou Os Sonhos São Verdes, editada pela Chiado Editora, que teve lugar na Galeria Municipal do Banco de Portugal







 “Quem conheceu as roças no período colonial e voltar a olhar para elas, a diferença é gigantesca – Disse Isaura Carvalho,  ao referir-se a um dos poemas de Dom Manuel dos Santos, intitulado Roça,  frisando que, na opulência de outrora, hoje encontramos espaços abandonados, habitados por gentes que estão esquecidas quase do mundo” – “É esta realidade, que o Sr. Bispo, Dom Manuel dos Santos,  também conhece, a que também dedicou a seu tempo um poema”– Lido pelo próprio durante a cerimónia de apresentação, na Galeria Municipal do Banco de Portugal, em Setúbal, ao fim da tarde do dia, 6 de Outubro.

Com efeito, a Roça é o termo da grande propriedade de cacau do período colonial, que surge naturalmente associado às Ilhas de São Tomé e Príncipe – No Brasil, a palavra roça também é usada e serve de tema para o cinema e a literatura, mas tem outra simbologia: pode significar tanto o próprio terreno de  cultivo, pequena parcela familiar, como o ato de trabalhar na roça. – Porém, é nas Ilhas Verdes do Equador, que a sua conotação é mais forte: além de ter significado poder e riqueza de cacau e café, e más memórias de escravidão, traduzia também a expressão do grande latifúndio à semelhança da grande propriedade alentejana

Por isso mesmo, as roças  de São Tomé e Príncipe continuam a ser tema inspirador na poesia santomense – Quer no tempo colonial, como agora –  Mas, que se sabia, mesmo nos áureos  tempos da exploração do cacau e do café, não se conhecem versos que as deifiquem  -  Agora, pelos vistos, num tempo em que se encontram bastante descaracterizadas, nomeadamente a nível de edifícios e estruturas tecnológicas, na sua quase generalidades, em ruínas, esquecidas e irreconhecíveis,   também não deixam de ser pano de fundo inspirador, tanto para analistas, como para poetas e escritores -  E foi justamente o que se passou com Dom Manuel dos Santos.

No tempo Colonial, Fernando Reis, intitulou um dos seus romances de “A Roça” – Da qual foi feito até um folhetim radiofónico: trabalhava eu como empregado de mato, na Roça Rio do Oiro, atual Roça Agostinho Neto, da Sociedade Agrícola Vale Flor, quando, no refeitório e à hora de jantar,  a dita novela se ouvia numa telefonia ali colocada – Era seguida com muita atenção e a razão era simples de explicar: porque surgia associada à realidade: nem a endeusava nem a diminuía – Quem trabalhava na roça ou conhecia o seu ambiente, facilmente se identifica em múltiplos aspetos, como enredo do folhetim radiofónico –Daí o seu êxito, mesmo junto da população.  

Na Roça

Na roça o sol põe-se mais cedo
Na roça o ossobó canta mais cedo
Na roça o choro entristece mais cedo
Na roça o sono chega mais cedo

Na roça as palavras são mais cansadas
Na roça os sonhos são mais pequenos
Na roça as noites demoram a apagar-se
Na roça as mulheres dormem acordadas

Excerto – Poema de Dom Manuel dos Santos



Isaura de Carvalho saudada por Dom Manuel, após apresentação 
Foi Alda Graça Espírito Santo , a matriarca da poesia santomense, que, ao tomar conhecimento dos seus versos, o estimulou a dar a conhecer a sua poesia – Confessou-nos, Dom Manuel dos Santos, num diálogo informal, que decorreu durante o almoço oferecido na Quinta Calcaterra,  http://www.calcaterraturismo.com/ da freguesia de Marialva, concelho de Meda, no seguimento da sua visita à Pedra da Cabeleira de Nª Srª, na festa do Equinócio do Outono, nos arredores da aldeia de Chãs, de Vila Nova de Foz Côa.
“Encontrei umas folhas, com uns poemas seus, mas isso tem de ser publicado” Disse, um dia,  Alda Graça Espírito Santo, a Dom Manuel dos Santos. A grande matriarca da poesia santomense, que faleceu a 10 de Março de 2010, já não pôde assistir à publicação de nenhum dos livros do Bispo de São Tomé e Príncipe, mas foi ela que o estimulou a editá-los, que saíssem do anonimato dos seus cadernos – E também do seu computador para onde agora vai como que debitando os seus momentos de inspiração, numa espécie de diário poético: não apenas de cariz eminentemente  bíblico e espiritual mas também sobre os mais diversos temas do quotidiano e  recordações, nomeadamente de das  terras que o viram nascer. 

Tal como é dito, no prefácio do livro “Momentos de Verde e Mar”,  autor de poemas  que “evocam sentimentos íntimos do poeta e retratam a sua a subjectividade  do seu mundo interior que ora se encontra muito próxima  do real ora se afasta dele para se recolher na intimidade  das palavras” Ou, tal como é escrito, em Poemas de Fé de Vida e Fé, pelo Fr. Fernando Ventura: “Não tendo medo das palavras nem dos afectos encontrados na vida e na história, o autor dá às palavras o gesto sereno da contemplação vivida, o som profundo das sonoridades da África, o gosto do mar das ilhas e das gentes de um país à espera de si próprio e do seu futuro, um futuro que tarda em chegar, num presente que é um «ainda não» mas que permite abrir o coração do poeta ao ininteligível da esperança no leve-leve de um devir que se faz tarde.

Percorrer este livro, é ir ao encontro do mar, da paisagem que a ilha aperta mas que o mar alarga, é ouvir a voz do cacaueiro, o riso da fruta-pão, é abrir a alma ao perfume da flor do café, à segurança do embandeiro que resiste ao tempo, ao colorido do vozear das crianças, ao marulhar do oceano que abraça feliz a areia da praia só contaminada pela ignomínia indizível dos assassinos dos sonhos.