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terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

S. Tomé e Príncipe – The Wealth of History of the Small African Twin-Island State São Tomé and Príncipe – Nova obra de Gerhard Seibert –Destacado Antropólogo, Investigador e Prof que tem dedicado especial atenção à temática africana – Sobretudo pesquisas relacionadas a Moçambique, STP e Cabo Verde, além do Brasil - É autor do livro Camaradas, Clientes e Compadres. Colonialismo, Socialismo e Democratização em São Tomé e Príncipe - Lisboa: Vega 2001

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


The Wealth of History of the Small African Twin-Island State São Tomé and Príncipe – É o mais recente estudo editado  por  Gerhard Seibert. https://www.cambridgescholars.com/product/978-1-5275-7291-1

Na tradução a Português, refere a obra que “O estado insular de São Tomé e Príncipe, localizado no Golfo da Guiné, é o segundo menor país africano, depois das Seicheles.

Os ensaios desta coleção destacam períodos cruciais e eventos importantes na variada e movimentada história do país, que se estende por mais de 500 anos. Portugal colonizou as ilhas duas vezes em contextos económicos e históricos significativamente diferentes: primeiro, no século XVI, durante a sua expansão marítima, e segundo, na segunda metade do século XIX, no início da colonização de África pelas potências europeias. Nestes dois períodos, as pequenas ilhas desempenharam um papel pioneiro na história económica do açúcar e do cacau, respetivamente.

Após a independência em 1975, o desenvolvimento económico do país ficou muito aquém das expectativas e, consequentemente, a sua dependência da ajuda externa persistiu. No entanto, observadores externos consideraram o arquipélago de 225.000 habitantes um modelo de democracia parlamentar em África. ​

Autor do livro “Camaradas, Clientes e Compadres. Colonialismo, Socialismo e Democratização em São Tomé e Príncipe      Home     Camaradas, Clientes e Compadres. Colonialismo, Socialismo e Democratização em São Tomé e Príncipe” –

Uma aprofundada e detalhada radiografia do passado e contemporânea da antiga colónia portuguesa, editada pela Veja, em 2001  - Considerado “um  texto excecional da história de São Tomé e Príncipe desde os fins da era colonial até há meia-dúzia de anos. Uma análise completa de toda a estrutura do país sob os aspectos sociais, políticos, económicos, etc. É igualmente a única obra do género resultante de uma investigação séria efectuada por um historiador neutro e idóneo cujos méritos de há muito são reconhecidos”.


Gerhard Seibert licenciou-se em Antropologia Cultural na Universidade de Utreque, Holanda, em 1991. De 1992 a 1999 esteve ligado à Universidade de Leiden, Holanda, onde se doutorou em Ciências Sociais. Depois do doutoramento, de 1999 a 2008, foi bolseiro de pós-doutoramento da FCT no Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) em Lisboa, onde efectuou sobretudo pesquisas relacionadas a Moçambique e São Tomé e Príncipe. 

De 2008 a 2014 foi investigador auxiliar do Centro de Estudos Africanos (CEA)/ISCTE-IUL em Lisboa. De 2014 a 2019 foi professor adjunto na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Brasil. 

Desde Março de 2014 é investigador associado do Centro de Estudos Internacionais (CEI), ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa. 

Desde 2015 é professor permanente do programa de pós-graduação em Estudos Étnicos e Africanos (PósAfro) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, Brasil. É autor do livro Camaradas, Clientes e Compadres. Colonialismo, Socialismo e Democratização em São Tomé e Príncipe (Lisboa: Vega 2001; versão inglesa: Comrades, Clients and Cousins. Colonialism, Socialism and Democratization in São Tomé and Príncipe. Leiden 1999; 2ª edição atualizada 2006) e co-organizador do livro Brazil - Africa Relations. Historical Dimensions and Contemporary Engagements from the 1960s to the Present (Woodbridge: James Currey, 2019). Além disso, publicou vários artigos e capítulos sobre São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Moçambique e as relações Brasil – África.


Gerhard Seibert licenciou-se em Antropologia Cultural na Universidade de Utreque, Holanda, em 1991. De 1992 a 1999 esteve ligado à Universidade de Leiden, Holanda, onde se doutorou em Ciências Sociais. Depois do doutoramento, de 1999 a 2008, foi bolseiro de pós-doutoramento da FCT no Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) em Lisboa, onde efectuou sobretudo pesquisas relacionadas a Moçambique e São Tomé e Príncipe. 

De 2008 a 2014 foi investigador auxiliar do Centro de Estudos Africanos (CEA)/ISCTE-IUL em Lisboa. De 2014 a 2019 foi professor adjunto na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Brasil. 

Desde Março de 2014 é investigador associado do Centro de Estudos Internacionais (CEI), ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa. 

Desde 2015 é professor permanente do programa de pós-graduação em Estudos Étnicos e Africanos (PósAfro) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, Brasil. É autor do livro Camaradas, Clientes e Compadres. Colonialismo, Socialismo e Democratização em São Tomé e Príncipe (Lisboa: Vega 2001; versão inglesa: Comrades, Clients and Cousins. Colonialism, Socialism and Democratization in São Tomé and Príncipe. Leiden 1999; 2ª edição atualizada 2006) e co-organizador do livro Brazil - Africa Relations. Historical Dimensions and Contemporary Engagements from the 1960s to the Present (Woodbridge: James Currey, 2019). Além disso, publicou vários artigos e capítulos sobre São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Moçambique e as relações Brasil – África.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

De Parabéns Cristiano Ronaldo - Nasceu a 5 de Fevereiro de 1985 na freguesia de Santo António, Ilha da Madeira - Em vídeo Momentos de glória do jogador português na seleção nacional com ancestralidade cabo-verdiana

                                                                      Jorge Trabulo Marques 



Ronaldo dos Santos Aveiro  nasceu a 5 de Fevereiro, a uma terça-feira, de 1985, sob a influência total da Lua-cheia, segundo decanato, signo aquário. Na astrologia chinesa,   o símbolo do Zodíaco oriental é o rato. O elemento preferido é a madeira. Aliás, não nascesse ele numa ilha com esse nome



É do reconhecimento publico que, há, em Ronaldo, uma personalidade invulgar! -. De facto, a sua imagem e o seu estilo, assumem aspetos tão extraordinários como contrastantes: um estilo, muito à Ronaldo, inconfundível. Quer como gesticula, se ajoelha, abre a boca e arregala o olhar, eleva os braços, faz caretas , fica estático, faz manguitos, recebe os abraços dos companheiros de equipa, envolve-se no calor das suas alegrias ou simplesmente corre de braços abertos, esfuziante, rendido aos ruídos dos aplausos , dos histerismos e gritaria das claques .

VOU TRASCREVER O QUE ESCREVI DE CRISTIANO RONALDO  - Em Maio 2009

Escrevia eu, em 5 de Junho de 2009. estas palavras:  
Na vida só vence quem acredita. Os que apostam na vitória nunca se dão por derrotados. Ronaldo sabe que é assim  e segue por este caminho, traçado de muito esforço e sacrifícios mas certo que a glória e a fama não são dádivas que caem generosamente nos braços mas que se conquistam passo a passo, com persistência, determinação, engenho e arte https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2009/05/cristiano-ronaldo-na-senda-de-gloriosos.html

  OLÁ SEU MOÇO RONALDÃO! 

Embora ainda novo, já conheces o brilho da fama e do ouro - Mas, se porventura, às vezes te escapar das mãos, tranquiliza-se-te, porque a vida não é apenas aquela estrada em linha recta ... Surgirão sempre as inevitáveis curvas. No entanto, és um jovem e e conhecerás ainda as maiores alegrias e o sabor das mais radiantes glórias!


O importante é que nunca percas de vista a desejada meta e deixes de acreditar que o futuro e os grandes momentos se constroem com muito esforço e alguns espinhos



CRISTIANO RONALDO TEM BISAVÓ CABO-CABO-CABO-VERDIANA - DIZ O SITE DO LIBERAL ONLINE- CUJO TEXTO AQUI TRANSCREVO COM A DEVIDA VÉNIA 

“Com certeza que Isabel Rosa da Piedade quando, os 16 anos, abandonou a cidade da Praia (Cabo Verde), sua terra natal, para tentar a sua sorte noutra ilha do Atlântico, a Madeira, não imaginaria que, três gerações depois, teria na família o 'Melhor Jogador do Mundo'. Sim, Cristiano Ronaldo. Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, cujo bisavô, José Aveiro, natural do Santo da Serra, haveria de casar com a cabo-verdiana Isabel que servia, ao tempo, numa casa no Funchal. Da união de José e Isabel nasceria Humberto que casaria com Filomena. Esta, pois, avó de Cristiano Ronaldo, ainda viva, contando com 82 anos de idade” – eis o que Duarte Azevedo relata em curioso texto

Praia, 14 Janeiro – Radicam em Cabo Verde as origens de Cristiano Ronaldo, “o Melhor do Mundo”. O texto a que nos reportamos e que chegou à nossa redacção, avança pormenores que parecem eliminar eventuais dúvidas. Com vénia, reproduzimos o que o autor deste texto (Duarte Azevedo) relata:

“Com certeza que Isabel Rosa da Piedade quando, os 16 anos, abandonou a cidade da Praia (Cabo Verde), sua terra natal, para tentar a sua sorte noutra ilha do Atlântico, a Madeira, não imaginaria que, três gerações depois, teria na família o 'Melhor Jogador do Mundo'. Sim, Cristiano Ronaldo. Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, cujo bisavô, José Aveiro, natural do Santo da Serra, haveria de casar com a cabo-verdiana Isabel que servia, ao tempo, numa casa no Funchal. Da união de José e Isabel nasceria Humberto que casaria com Filomena. Esta, pois, avó de Cristiano Ronaldo, ainda viva, contando com 82 anos de idade. O casal Filomena-Humberto traria ao mundo seis rebentos: Dinis, António José e José Adriano - já falecidos -, José, João Carlos e Ana Paula. Todos Aveiro.

Dinis haveria de casar com Maria Dolores, cujas origens estão no concelho de Machico. Desta união, em 1974 nasceria Elma, um ano depois Hugo e em 1976 Liliana Cátia. Só passados nove anos é que Cristiano Ronaldo veria a luz do dia, nascido às 10 horas 20 minutos de 5 de Fevereiro. De 1985”...CRISTIANO RONALDO TEM BISAVÓ CABOVERDIANA .


MISTURA DA MORNA COM O BAILINHO DA MADEIRA

E Duarte Azevedo fez outras pesquisas genealógicas para identificar mais ascendentes e colaterais de Cristiano Ronaldo. Para daqui extrapolar: “O futebol expresso por Cristiano Ronaldo pode ser considerado, de facto, universal. Há quem possa, inclusive, notar que tem um misto do improviso e força africanos com a classe e sentido táctico europeus. Com a curiosidade das duas regiões 'de origem', Cabo Verde e Caniçal, terem algumas semelhanças. Uma mistura de 'morna' com 'bailinho da Madeira'? Mais, muito mais que isso, obviamente. Mas não deixa de ser curiosa a conjugação destas origens - cabo-verdianas e madeirenses - e poderá haver quem até veja em Cristiano Ronaldo alguns traços africanos...”



Duarte Azevedo recorda os primeiros passos de Ronaldo no mundo do futebol, dede que, com 12 anos chegou ao Sporting de Portugal: “Chegado ao Sporting com 12 anos, Cristiano Ronaldo cedo começou a dar nas vistas na equipa de infantis, de tal modo que era chamado com regularidade para actuar na formação do escalão superior, os iniciados. Começava, assim, a ser construído o sonho que levara CR para Lisboa e confessado na sua primeira entrevista: "Ser profissional de futebol". Pelo tempo adiante, alguns obstáculos foram surgindo. Não dentro dos relvados. É que, fora da competição, as coisas por vezes não levavam o melhor rumo. A escola não era prioridade e os 'leões' também deitavam atenção a esse aspecto. Exemplo disso foi um castigo sofrido pelo madeirense. Ainda juvenil, aprestava-se para vir à Madeira integrado na equipa do Sporting, já que em sorte cabia defrontar o Marítimo, campeão da Madeira, na fase intermédia do 'nacional'. Oportunidade para 'matar saudades', ainda por cima era em Santo António. Mas Cristiano Ronaldo portara-se mal na escola e ficou em Lisboa como castigo!”


COM A MADEIRA SEMPRE NO PENSAMENTO

E escreve Duarte Azevedo: “Oito anos depois, é um avião fretado especialmente que o traz à Madeira, desde Manchester, na companhia da família. Sempre, porém, com a Madeira no pensamento, onde assistiu à passagem do ano, de 2008 para 2009, com direito a um dia extra de folga por deferência de Sir Alex Ferguson, o treinador do Manchester United que teve influência decisiva na transferência do madeirense para o futebol inglês, aos 18 anos, um ano depois de se ter estreado na equipa principal do Sporting pela mão de Bölöni. O mesmo Ferguson que, à chegada a Manchester, lhe destinou o 'número 7' e não o 28 pedido, e que era o seu no Sporting. Afinal o '7' era um número mítico no MU: tinha sido de George Best, Bryan Robson, Cantona e David Beckham. E 40 anos depois de Best, Cristiano Ronaldo apresta-se para ser consagrado como 'O Melhor Jogador do Mundo'. O segundo atleta do Manchester United a receber tal distinção. E também o segundo futebolista português - Luís Figo teve igualmente tal honra”.

Excerto que editei nesta postagem https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2009/05/ronaldo-africano-madeirense-tem-no.html

DE SEGUIDA AS MESMAS PALAVRAS QUE ESCREVI EM MAIO DE 2009 - Sob o pseudónimo de Luis de Razeiel


A vida de um jogador no ativo, é breve- Todavia, tens um longo caminho à tua frente - Muitos troféus para vencer e grandes clubes a desejarem a tua arte e o teu talento.- Que não se importarão de disputar o teu génio a bom preço.

Haverá anos de safra e outros de contras-safra - Uns bons e outros menos bons - O importante é que não se perca a confiança.


Video que lhe dediquei, noutro espaço, por ocasião do seu aniversário natalicio



OS ÍDOLOS NÃO SURGEM POR ACASO

E toda a gente sabe que a vida das vedetas em futebol é muito efémera. Tão depressa atingem os píncaros da fama como, com a mesma vertiginosa rapidez, caem no esquecimento - Há, porém, aqueles cujo fulgor da sua carreira, perdurará pela vida fora, transformando-os em verdadeiras legendas - Em Portugal, Eusébio e Figo, fazem parte dessa restrita galeria: de nomes que jamais deixarão de ser admirados e respeitáveis! - Ronaldo é seguramente uma dessas estrelas, que já tem atrás do si o brilho peculiar no seio das grandes constelações

O TEMPO TRANSFORMÁ-LO-Á AINDA MAIS NO FULGURANTE CAVALO OU "SUPER-NOVA" DO FUTEBOL


É do reconhecimento publico que, há, em Ronaldo, uma personalidade invulgar! - E que, o tempo, irá projetar ainda mais. D
e facto, a sua imagem e o seu estilo, assumem aspetos tão extraordinários como contrastantes: um estilo, muito à Ronaldo, inconfundível. Quer como gesticula, se ajoelha, abre a boca e arregala o olhar, eleva os braços, faz caretas , fica estático, faz manguitos, recebe os abraços dos companheiros de equipa, envolve-se no calor das suas alegrias ou simplesmente corre de braços abertos, esfuziante, rendido aos ruídos dos aplausos , dos histerismos e gritaria das claques .


Ronaldo, de um modo ou de outro, é um dos alvos preferidos das câmaras de televisão, nunca deixa de exprimir-se e de provocar empatia e as mais incríveis reações: no seguimento de um golo imprevisível ou decisivo! De um fabuloso remate bem colocado, bem direcionado, impensável, capaz de fazer tremer as traves da baliza ou de fuzilar e furar as malhas das suas redes com a força e a direção de um petardo ou da metralha de canhão! Silencia ou recebe revoadas de assobios de bancadas inteiras dos seus adversários e leva ao rubro os corações e os aplausos apaixonados dos milhares de adeptos que vibram por cada seu golo marcado!


TRANSMITE TRISTEZA QUANDO SE ENTRISTECE E ALEGRIA QUANDO A EXPANDE

Hábil no drible, na fuga, na distribuição do jogo, enérgico no remate e finalização. Novato, sensual, bonito, aguerrido e sôfrego, irreverente e vaidoso, espontâneo e efusivo nas vitórias, gesticula e faz caretas de mau mas que só tem como eco a simpatia; chora e prostra-se no relvado quando a derrota lhe tolda o sonho ou lhe roubou a glória que esteve à mercê de um palmo! Ao alcance de um maldito chuto que lhe falhou.



Em Cristiano Ronaldo - no seu estilo e no seu engenho, peculiares - existem, realmente, rasgos de iluminada energia e impetuosidade que lhe têm granjeado centenas de vitórias e o têm catapultado aos píncaros do estrelado e da popularidade! Porque ele marca golos surpreendentes, decide partidas e campeonatos! Bate recordes e palmarés!

É determinado, batalhador e inteligente. Sabe chutar com os pés e simultaneamente pensar com a cabeça. Vê-se que não adquiriu apenas reflexos instintivos ou moldou o corpo ao seu talento - É imaginativo, combativo e pensador. É disciplinado e determinado! Transpira, treina, exercita-se!


RONALDO O MAIOR EMBAIXADOR DE PORTUGAL NA ACTUALIDADE -

Cristiano Ronaldo, é, na atualidade, um dos maiores embaixadores de Portugal no estrangeiro: um golo de Cristiano tem mais repercussão, a nível mediático, de que qualquer das visitas ou diligências, lá fora, dos nossos políticos - ou mesmo de outras figuras - Só por isso, merece a admiração e a simpatia dos portugueses!



Desejo-lhe, ardentemente, que os caminhos que tem a percorrer lhe sejam mais fáceis que as antigas calçadas romanas da minha aldeia -E estou certo que ele vai conquistar alguns do mais importantes troféus do ano passado - Mas terá de aceitar que dificilmente se repetem duas épocas precisamente iguais. Pena é que, em Portugal, no que respeita ao comportamento da seleção, nos últimos tempos, não nos tenha proporcionado a alegria que ele e todos nós, mais desejaríamos - Mas a culpa até nem creio que seja dele mas do treinador que a FPF contratou para liderar a Equipa das Quinas - Não sou um particular admirador de Carlos Queiroz.

C
RISTIANO EO SEU FUTURO  


Falando do futuro deste exímio e querido filho da Madeira, de cujos feitos todos os portugueses, decerto, se sentirão orgulhosos, o meu receio não recai propriamente nos títulos ou troféus que ele possa ou não conquistar ou nos golos que ele não consiga ou deixe de marcar, mas na fúria desmedida, o cerco implacável que lhe é movido por parte dos seus adversários
Ele é dos tais jogadores que, conquanto ganhe milhões à hora - tem todavia a sua integridade física, presa por uma unha negra em todos os jogos onde participa! Em todos os instantes, a sua vida está continuamente suspensa sobre o fio de uma incrível navalha! Desde que entra em campo, joga sob o alto risco de uma perigosa lâmina - E é precisamente no capítulo da previsibilidade ou da imprevisibilidade das lesões, a que a sua vida se expõe, continuamente, que julgo poder constituir-se como sendo o mais sério e arriscado desafio!

Mas tenho a convicção que tem como guia espiritual, alguém, que, tendo partido ainda muito novo - e que tanto o adorava - jamais o esquecerá na outra vida! - E será sempre o seu guia e protector - Mesmo estando do lado de lá da outra margem


Imagem de: quasaresperdidos.blogspot.com

À parte o que lhe digo, não vou aqui entrar em qualquer tipo de vaticínio - porque mesmo que o tivesse nunca o revelaria - Claro que a vidência não se procura, acontece! quando menos se espera! Mas, no fundo, aquilo que eu mais lhe desejo é que a sua vida e a sua carreira lhe corra sempre de feição e de acordo com os seus desejos


Gostaria de um dia lhe oferecer o mesmo amuleto que ofereci a Mourinho e a na noite da inauguração do Estádio do Dragão: uma pequenina pedra: um dos elementais aparentemente vulgar, mas creio que propenso a catalisar as boas energias e afugentar as mais negativas. E, posterioemente, também a ofereci a Fernando Santos


Em meu nome e em louvor dos astros que povoam os céus, que todos os dias e todas as noites, em todos os momentos e horas, iluminam a Terra e nos maravilham, aqui me reverencio e inclino, invocando os seus fabulosos poderes, o supremo apoio e protecção das suas fantásticas bênçãos e energias!


Luís de Raziel

sábado, 3 de fevereiro de 2024

SÃO TOMÉ - Massacre do Batepá há 71 anos .03-02-1953 Fui o primeiro jornalista a entrevistar sobreviventes e a divulgar as primeiras imagens do massacre, que me iam custando a vida ao ponto de ter que abandonar a ilha de canoa rumo à Nigéria

                                                         


É verdade que o Batepá, surge na sequência falsas noticias na Voz de S. Tomé, que pretendiam encobrir outra realidade "Há notícias de que foram avistados submarinos soviéticos ao largo  e descarregadas armas para apoiar a revolta dos negros insurretos contra a integridade desta província ultramarina! - Por toda a ilha mobilizam-se milhares de voluntários."
- E, quilo que poderia ter sido um caso isolado,
depressa é rotulado de rebeldia comunista. - Pormenores  ao fundo deste post


                                                    Jorge Trabulo Marques - Jornalista 



O Presidente da República, Carlos Vila Nova presidiu esta manhã, em Fernão Dias, distrito Lobata, o acto central de 03 de Fevereiro, Dia  dos mártires da liberdade, tendo apontado as mentiras e intrigas como principais causas deste massacre de 1953.

“Quando nós não temos certeza de uma coisa, nós preferíamos ou procuramos sabê-la antes de entrarmos por ai para que tudo se faça na concórdia…” – acrescentou o Presidente da República, num claro alerta a atual sociedade face a influência da mentira e da intriga nos acontecimentos de 1953. 

 SÃO  TOMÉ E PRINCIPE - Massacre do Batepá  há 71 anos .03-02-1953  Fui o primeiro jornalista  a entrevistar sobreviventes e a divulgar as primeiras imagens do massacre,  que me iam custando a vida ao ponto de ter que abandonar a ilha de canoa rumo à Nigéria  

A MÁGOA QUE DIFICILMENTE SERÁ APAGADA DA MEMÓRIA DOS SOBREVIVENTES

Em 1974, entrevistei algumas das vítimas para a revista Semana Ilustrada, de Luanda, duas dos quais em Fernão Dias, no local do famigerado campo de Concentração e outro santomense, ainda  com feridas por sarar numa das pernas, com que foi acorrentada - - Trabalhos jornalísticos esses que me haveriam de custar graves dissabores, violentas reações por parte, de alguns colonos. que me furaram os pneus do meu carro à navalhada, penduraram uma forca na porta de minha casa e me agrediram selvaticamente


BARTOLOMEU CRAVIDE - 20 ANOS DEPOIS AINDA TINHA FERIDAS DAS GRELAS NAS PERNAS E POR SARAR 

"Prenderam-me durante 45 dias. Houve a ideia de arranjar mão-de-obra gratuita. E daí surgiram as prisões, mais prisões sem quaisquer razões para isso. Procurava-se emprego e não se encontrava. No entanto, as rusgas sucediam-se e as pessoas que encontravam eram presas. É claro que houve um ou outro que reagiu sobre essas atitudes."

Pouco depois do 25 de Abril, vi com os meus próprios olhos  essas feridas -  Ainda em chagas vivas por sarar! ... Provocadas por longo cativeiro, no campo de concentração de Fernão Dias, acorrentados a bolas de ferro, tal como aos escravos nos barcos negreiros. Pude entrevistar algumas dessas pessoas para a Revista Semana Ilustrada.

SÃO TOMÉ E PRINCIPE - Massacre do Batepá há 71 anos .03-02-1953 Fui o primeiro jornalista a entrevistar sobreviventes e a divulgar as primeiras imagens do massacre, que me iam custando a vida ao ponto de ter que abandonar a ilha de canoa rumo à Nigéria –

Registei as dramáticas recordações do sobrevivente Homem Cristo, além de outros antigos massacrados, assim como as confissões do Chefe das Brigadas, o verdugo Zé Mulato. Artigos publicados na revista angolana Semana Ilustrada, que me valeram pesadas represálias pelos contrários à liberdade

Isto já depois de uma tentativa de ser abalroado na estrada, posta uma forca de corda pendurada por colonos à porta de minha casa, ainda voltei a ser alvo de muitas cenas de ódio e afrontosas patifarias! - Entre as quais uma espera à porta do edifício onde residia num modesto anexo, pontapeando-me no chão e onde me apanhavam.

DEPOIMENTO DE MANUEL CARMONA - Em 1974
J. M. Que lhe fizeram, quando chegou à tal brigada de trabalhos, em Fernão Dias'?
- M. C. Padeci bastante Levei pancada demais.
- J. M. Quanto tempo esteve nessa· tal brigada ?
- M. C. Cinco meses. Vi muitos mortos, que foram pegados vivos , num bote grande que os lançava ao mar. Eu próprio é que vi, com a minha vista, em Fernão Dias, matar por ordens do Sr. José.

- J. M. O Sr. acha que se deve fazer justiça a esses indivíduos que o trataram mal e mataram outras pessoas, que ainda não foram julgados?
- M.C. Acho . Ficaria muito satisfeito até …
- J. M. Conhece muitas pessoas que o tararam mal e que ainda cá estão?
- M.C. Bem, outros morreram, os capatazes ainda cá estão. Até o que foi o chefe, o autor da justiça , ainda está a viver e outros ainda estão em S. Tomé. Eu conheço-os…
- J.M. Que lhes davam de comida , nessa brigada ? -

Excerto da entrevista publicada na revista Semana Ilustrada, que transcrevi em http://canoasdomar.blogspot.com/2015/02/massacres-dos-batepa-3-hoje-s-tome.html

COMO A MORTE CEIFOU POR COMPLETO UMA PEQUENA ALDEIA E SE ALASTROU POR QUASE TODA A ILHA -

Escasseava a mão de obra barata..
E o governador planeava construir grandes edifícios
à custa do trabalho forçado nas ilhas
e mandou o ajudante de campo
armado em soldado nazi a comandar
um grupo de milícias para ordenar
o trabalho obrigatório..
num verdadeiro retorno aos primórdios
do ignóbil e duro esclavagismo,
até que, numa remota aldeia perdida no mato,
algures pela Vila da Trindade,
alguém se encheu de coragem e reagiu
sobre o fogoso e arrogante alferes,
que teve a reação popular que merecia
e à altura da leviandade
e do desprezo como olhava a população e impunha a sua vontade

A partir daí o Governador Gorgulho - para salvar a face
dos seus desmandos e prepotências,
e, como os grandes erros, nunca vêm sós,
para justificar uns cometia outros, cada vez mais graves.
passou acusar os "rebeldes" de comunistas,
através da imprensa e da rádio.
E não tardou que os colonos - incentivados ao ódio à dita "hidra comunista",
respondessem ao apelo dos muitos boatos propalados:
"Há notícias de que foram avistados submarinos soviéticos ao largo
e descarregadas armas para apoiar a revolta dos negros insurretos contra
a integridade desta província ultramarina!" - Foram detidos
e presos vários suspeitos. O governo promete firmeza
e mão pesada aos criminosos!
Por toda a ilha mobilizam-se milhares de voluntários."
- E, quilo que poderia ter sido um caso isolado,
depressa é rotulado de rebeldia comunista.

Face a tais atoardas e falsos alarmes, as roças passam ao ataque:
empregados de mato e dos escritórios,
feitores e administradores - e até capatazes negros -
partindo em jipes de todas os cantos da colónia,
concentraram-se na Trindade, e, fortemente armados, dirigem-se
através dos caminhos do mato ao Batepá, descarregando tiroteio forte e feio,
(naquela e noutras aldeias) sobre as populações indefesas e pacíficas


O "massacre de Batepá" foi desencadeado pelo então governador de São Tomé, Carlos Gorgulho, depois de muitos santomenses se recusarem a trabalhar, de forma forçada, nas obras públicas e nas plantações de café e cacau.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Navegar sozinho, sem porto de abrigo, na solidão do mar

Jorge Trabulo Marques 

 A minha canoa mantém-se imperturbável...

Está totalmente alheia à grande incerteza
e aos muitos fantasmas que me povoam a alma...
À inquietude que absorve o meu coração.
E voga pelo negrume varrido da noite
como se nada tivesse a temer!...
É admirável a sua altiva galhardia!
Parece conduzida por uma estranha força
que a leva a um ponto preciso da vastidão!..

Mas, oh Deus! Eu queria dormir!...
Necessitava de descansar, adormecer!...
Cair em sono agora e acordar ao amanhecer!
Ser como o rude barqueiro,
que ao fim de uma longa jornada,
dura e sem descanso,
encosta o seu barco à margem e dorme...
embalado pelo sussurrar da ramagem que o envolve!...
Mas aqui, é o mar a bramar! a bramar!...
É o mar sem fim e sem fundo!...
Não há margens, nem portos de abrigo!..

É a noite eterna!... É um outro mundo!..

COMO TUDO COMEÇOU

S. Tomé – Nov. 1963 - A princípio fui para ali trabalhar numa roça mas comecei por não me adaptar, lá muito bem (…). Por força dessa minha inadaptação, o meu passa-tempo predileto, era então o mar...Praticamente, desde que ali desembarquei, vi nele uma espécie de refúgio. Qualquer coisa onde me sentia livre de todos os aborrecimentos. Um horizonte sempre aberto e imenso, que me abria as portas a uma incontível ânsia de ir mais além na procura de uma felicidade imaginária que naquele meio ambiente eu não encontrava.


Por isso, sempre que podia, frequentava as belas praias de São Tomé. Comecei por manter estreitos contactos com os pescadores, homens corajosos e simpáticos. Aprendi a equilibrar-me nas suas canoas, começando primeiro por dar pequenos passeios de praia em praia., até que por fim veio a paixão - E, a par disso, também outras interrogações: perguntava-lhes se já tinham ido de canoa à Ilha do Príncipe, respondiam-me que "só canoa de gente de feitiço" é que o tornado a levava ao Príncipe ou ao Gabão; "outra, vem gandú (tubarão), vira a canoa e come-lhe a perna" .

Achava que era uma superstição, sem fundamento e havia que desfazer esse fantasma: concluía que, se o tornado arrastava para lá a canoa, involuntariamente, também lá se podia ir por vontade própria. Face a essas lucubrações, comecei a pensar que, um dia, eu devia fazer-lhe essa demonstração - A par disso, questionava-me também sobre o seu passado longínquo: se não teria sido através das canoas que os seus ancestrais não teriam vindo do continente africano.

Viagem Clandestina ao Paraíso - São Tomé ao Príncipe, numa minúscula piroga- A 1ª das minhas aventuras marítimas - 3 dias - Na 2ª noite adormeci e voltou-se -Como prémio, oito dias nos calabouços da PIDE-DGS e uns valentes sopapos -

Cinco anos depois, numa piroga um pouco maior, fiz a ligação de São Tomé à Nigéria. Uma vez mais parti sem dar a conhecer os meus propósitos, ao começo da noite, servindo-me apenas de uma simples bússola. Ao cabo de 13 dias chegava a uma praia ao sul deste país africano, tendo sido detido durante 17 dias por suspeita de espionagem, após o que fui repatriado para Portugal. Os jornais nigerianos destacaram em primeira página o feito.

Os objetivos destas travessias visavam demonstrar a possibilidade de antigos povos africanos terem povoado as ilhas, situadas no Golfo da Guiné, muito antes dos outros navegadores ali terem chegado, contrariamente ao que defendem as teses coloniais, que dizem que as ilhas estavam completamente desabitadas. E a verdade é que, entretanto, já foram encontradas antigas cartas em arquivos, com nomes árabes que testemunham esses contactos. Contributos esses que, de modo algum, poderão pôr em causa o mérito dos ousados feitos dos navegadores portugueses.

TRAVESSIA PELA ROTA DOS ESCRAVOS - SÃO TOMÉ - BRASIL


Dois dias depois da independência de S. Tomé e Príncipe, e após a bem sucedida viagem clandestina à Nigéria, regressava de novo à minha maravilhosa Ilha, sem um tostão na algibeira. Mentalizara-me de que a travessia estava ao meu alcance, sabia que, se precisasse de socorro, ninguém me poderia valer. Não levava meios de comunicação com ninguém. Servia-me apenas de uma bússola, orientava-me pelo sol e pelas estrelas. Mas era assim que se enquadravam os propósitos dessa minha aventura. Os primeiros povoadores das ilhas, também se orientavam como as aves. E eu achava que valia a pena correr todos os riscos. Nada podia demover-me da minha determinação.

A canoa foi carregada num pesqueiro americano para ser largada, na corrente equatorial, um pouco a sul de Ano Bom. Porém, à chegada a esta ilha, o comandante propôs-me abandonar a canoa e ficar a trabalhar a bordo, alegando que a mesma estorvava e que a aventura era muito arriscada. Na impossibilidade de ser levado para a dita corrente, decidi-me pelo regresso a São Tomé para tentar a viagem noutra oportunidade. Foi então que uma violenta tempestade me surpreendeu em plena noite, tendo perdido a maior parte dos víveres, os remos e outros apetrechos. Ao sabor das vagas, num simples madeiro escavado, é difícil imaginar pior situação. Mesmo assim, com a canoa completamente desgovernada, não cruzei os braços e nunca me dei por vencido.

38 dias depois, acabei por ser arrastado pelas correntes até à Ilha de Fernando Pó, já no limiar da minha resistência física, onde fui tomado por espião, algemado e preso numa cela de alta segurança, a mando do então Presidente Macias Nguema, após o que fui repatriado para Portugal, tal como me acontecera na Nigéria. Mas, agora, graças a uma pequena mensagem que levava do então jovem Governo de São Tomé e Príncipe, que recentemente tinha ascendido à sua independência, para saudar o povo irmão brasileiro, quando eu aportasse na sua costa.


S. Tomé – Nov. 1963 - A princípio fui para ali trabalhar numa roça mas comecei por não me adaptar, lá muito bem (…). Por força dessa minha inadaptação, o meu passa-tempo predileto, era então o mar...Praticamente, desde que ali desembarquei, vi nele uma espécie de refúgio. Qualquer coisa onde me sentia livre de todos os aborrecimentos. Um horizonte sempre aberto e imenso, que me abria as portas a uma incontível ânsia de ir mais além na procura de uma felicidade imaginária que naquele meio ambiente eu não encontrava.


Por isso, sempre que podia, frequentava as belas praias de São Tomé. Comecei por manter estreitos contactos com os pescadores, homens corajosos e simpáticos. Aprendi a equilibrar-me nas suas canoas, começando primeiro por dar pequenos passeios de praia em praia., até que por fim veio a paixão - E, a par disso, também outras interrogações: perguntava-lhes se já tinham ido de canoa à Ilha do Príncipe, respondiam-me que "só canoa de gente de feitiço" é que o tornado a levava ao Príncipe ou ao Gabão; "outra, vem gandú (tubarão), vira a canoa e come-lhe a perna" .

Achava que era uma superstição, sem fundamento e havia que desfazer esse fantasma: concluía que, se o tornado arrastava para lá a canoa, involuntariamente, também lá se podia ir por vontade própria. Face a essas lucubrações, comecei a pensar que, um dia, eu devia fazer-lhe essa demonstração - A par disso, questionava-me também sobre o seu passado longínquo: se não teria sido através das canoas que os seus ancestrais não teriam vindo do continente africano.

Viagem Clandestina ao Paraíso - São Tomé ao Príncipe, numa minúscula piroga- A 1ª das minhas aventuras marítimas - 3 dias - Na 2ª noite adormeci e voltou-se -Como prémio, oito dias nos calabouços da PIDE-DGS e uns valentes sopapos -

Cinco anos depois, numa piroga um pouco maior, fiz a ligação de São Tomé à Nigéria. Uma vez mais parti sem dar a conhecer os meus propósitos, ao começo da noite, servindo-me apenas de uma simples bússola. Ao cabo de 13 dias chegava a uma praia ao sul deste país africano, tendo sido detido durante 17 dias por suspeita de espionagem, após o que fui repatriado para Portugal. Os jornais nigerianos destacaram em primeira página o feito.

Os objetivos destas travessias visavam demonstrar a possibilidade de antigos povos africanos terem povoado as ilhas, situadas no Golfo da Guiné, muito antes dos outros navegadores ali terem chegado, contrariamente ao que defendem as teses coloniais, que dizem que as ilhas estavam completamente desabitadas. E a verdade é que, entretanto, já foram encontradas antigas cartas em arquivos, com nomes árabes que testemunham esses contactos. Contributos esses que, de modo algum, poderão pôr em causa o mérito dos ousados feitos dos navegadores portugueses.

TRAVESSIA PELA ROTA DOS ESCRAVOS - SÃO TOMÉ - BRASIL


Dois dias depois da independência de S. Tomé e Príncipe, e após a bem sucedida viagem clandestina à Nigéria, regressava de novo à minha maravilhosa Ilha, sem um tostão na algibeira. Mentalizara-me de que a travessia estava ao meu alcance, sabia que, se precisasse de socorro, ninguém me poderia valer. Não levava meios de comunicação com ninguém. Servia-me apenas de uma bússola, orientava-me pelo sol e pelas estrelas. Mas era assim que se enquadravam os propósitos dessa minha aventura. Os primeiros povoadores das ilhas, também se orientavam como as aves. E eu achava que valia a pena correr todos os riscos. Nada podia demover-me da minha determinação.

A canoa foi carregada num pesqueiro americano para ser largada, na corrente equatorial, um pouco a sul de Ano Bom. Porém, à chegada a esta ilha, o comandante propôs-me abandonar a canoa e ficar a trabalhar a bordo, alegando que a mesma estorvava e que a aventura era muito arriscada. Na impossibilidade de ser levado para a dita corrente, decidi-me pelo regresso a São Tomé para tentar a viagem noutra oportunidade. Foi então que uma violenta tempestade me surpreendeu em plena noite, tendo perdido a maior parte dos víveres, os remos e outros apetrechos. Ao sabor das vagas, num simples madeiro escavado, é difícil imaginar pior situação. Mesmo assim, com a canoa completamente desgovernada, não cruzei os braços e nunca me dei por vencido.

38 dias depois, acabei por ser arrastado pelas correntes até à Ilha de Fernando Pó, já no limiar da minha resistência física, onde fui tomado por espião, algemado e preso numa cela de alta segurança, a mando do então Presidente Macias Nguema, após o que fui repatriado para Portugal, tal como me acontecera na Nigéria. Mas, agora, graças a uma pequena mensagem que levava do então jovem Governo de São Tomé e Príncipe, que recentemente tinha ascendido à sua independência, para saudar o povo irmão brasileiro, quando eu aportasse na sua costa.