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sábado, 13 de abril de 2024

Contar-te longamente as perigosas coisas do mar, que meus olhos viram em noites tenebrosas e só os pescadores e marinheiros entendem

                                                  

                                                  Jorge Trabulo Marques 

Só a Voz do Mar e do Vento: Contar-te longamente as perigosas coisas do mar, que meus olhos viram em 38 dias de tornados e calmarias e noites tenebrosas, sozinho numa piroga: só os náufragos, pescadores e marinheiros entendem.
 Só aqueles que  ondulam à flor de altas vagas as compreendem, é mais que hercúlea tarefa humana. é trazer à superfície da retina da iris, algo que depressa as lágrimas toldariam e ocultariam de raiz. 


Só a Voz do Mar e do Vento: Contar-te longamente as perigosas coisas do mar, que meus olhos viram em 38 dias de tornados e calmarias e noites tenebrosas, sozinho numa piroga: só os náufragos, pescadores e marinheiros entendem.
 Só aqueles que  ondulam à flor de altas vagas as compreendem, é mais que hercúlea tarefa humana. é trazer à superfície da retina da iris, algo que depressa as lágrimas toldariam e ocultariam de raiz. 

Agora, faltam-me as palavras mas falam as imagens e recordam passagens do meu diário gravado: 29ª dia - Passei a noite todo encharcado...Mas, por fim, até adormeci, sonhei e acordei a falar ...supondo que tinha chegado a terra...(..) eu dizia-lhe: ó mar não me leves!...Não me voltes a canoa!...(..) Vi um tubarão grande! Enorme! Às voltas da canoa (..) Agora a minha preocupação começa a estar precisamente no local onde irei aportar...Não sei...

Estou arredado de tudo!... Ninguém sabe onde estou!...
Ainda se ao menos pudesses imaginar
o caminho por onde eu ando - ó amável saudade! -
ou pudesses adivinhar o errático destino
que eu trilho e para aonde eu vou?!... – oh, acredita!..
já me sentiria muito feliz!...Mesmo que algum tornado
me fizesse desaparecer no meio do seu torvelinho!!..
– oh, testemunho querido do meu berço!-
Tenho a certeza que, nesse crucial momento,
eu não estaria tão sozinho!. Creio que os vossos olhos
estariam tão turvos de sal e do mar como os meus!...

(...)Descansa coração, angustiado!... Descansa!..
Sê paciente, acalma-te!... Não desesperes!...
Afinal não é isto o que tu procuras?
Não é isto o que tu queres?!...
Não foi esta a missão a que te impuseste?!...
- Transcende-te e ultrapassa os limites do impossível!
Não é este o teu sonho?!.. Oh, sim... aproxima
as tuas batidas com as do coração dos anjos
e, tal como eles, torna-te invisível!...
-Eu sei... Eu sei!...coração amigo!...
No fundo é o que tu desejas... e tens conseguido!...
Sim, não vês que o vínculo que há em ti
entre o passado e o presente
é o mesmo que a distância
que vai agora de ti ao futuro?
...inexistente!...

Jorge Trabulo Marques
Excerto do poema SÓ A VOZ DO MAR...
 


ESTES MEUS OLHOS VIRAM O QUE MUITOS HOMENS NÃO VIRAM E NÃO ENTENDEM -38  DIAS E A NOITES A FIO NUMA FRÁGIL PIROGA  - Que depois de sofrer um violento tornado, me deixaria ainda mais desprovido de quase tudo. 

“Contar-te longamente as perigosas
Coisas do mar, que os homens não entendem:
Súbitas trovoadas temerosas,
Relâmpagos que o ar em fogo acendem,
Negros chuveiros, noites tenebrosas,
Bramidos de trovões que o mundo fendem,
Não menos é trabalho, que grande erro,
Ainda que tivesse a voz de ferro.”
(Canto V dos Lusíadas, Luís da Camões)

Navegar numa frágil  canoa não é a mesma coisa  que navegar num iate onde o piloto automático até pode fazer todo o trabalho.. Ali, é necessária uma atenção permanente.  Podem fazer grandes travessias e enfrentar as condições mais adversas - e era isso que eu queria demonstrar e já tinha demonstrado nos 13 dias de mar à Nigéria, tal como o teriam feito os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo, embarcados do litoral em  grandes pirogas e que ainda hoje se constroem na costa de África -  Não em S. Tomé, porque as roças ocupavam tudo e não permitiam o abate das grandes árvores, além disso, puxar as canoas de encostas íngremes, não é tarefa fácil, enquanto o litoral africano é vasto e as possibilidades são maiores - Mesmo assim,  aquele tamanho, é pouco usual nas ilhas e, quando os pescadores as utilizam,  são precisos mais braços - Se é a remo e à vela, no mínimo, são necessárias duas pessoas. E até porque é  muito arriscado, dormir sem mais alguém a zelar pela sua navegação - mesmo que se habitue a ter o sono dos gatos, era o meu caso.





Baleia à vista e tornado a formar-se no horizonte, depois de umas horas de podre calmaria - Aves que vagueiam pela imensidão dos mares, antevendo a tempestade, apressam-se a procurar abrigo nos destroços - E a minha piroga, sem rumo e meios para a governar, não passava de mais outro destroço. 


Raramente se dorme um sono prolongado e profundo. Os sentidos estão sempre no seu alerta máximo. À mínima anomalia despertam imediatamente. Basta que um tubarão ou um grande peixe, surja lá do fundo dos abismos e roce por baixo do costado. Uma baleia se eleve do seu mergulho, a escassos metros - e isso iria acontecer-me mais tarde. Ou uma vaga faça um estrondo maior. O que é frequente. E a grossura da madeira é tão estreita - a separá-la daquele misterioso mundo das águas oceânicas - que não há som algum que não a trespasse.

Às vezes é quase de enlouquecer, quando a exaustão nos domina, se se quer dormir  um pouco e se estende o corpo sobre o fundo e o marulhar das pancadas - o bác bác das vagas - é quase ensurdecedor e é constante. Nada passa despercebido nesse estreitíssimo espaço. Até o ruído de uma hélice, mesmo que o barco navegue  para lá dos confins do horizonte. E então se houver calmaria e o silêncio for absoluto ou quando o trovão troando nas distâncias, ribomba  e se faz repercutir, mal  os relâmpagos incendeiam o negrume?!... Oh Deus! Maior é a sensação de abandono!...  É um sentimento de solidão inexplicável.. São eternidades de uma enorme angústia ou vazio, horas e horas a fio de vigília,  é a  noite perdida!... Não há palavras para traduzirem tanta incerteza e tanta ansiedade!... 

Não se deve perder a calma - e só a perde quem não tiver o mínimo de experiência do mar. Mesmo assim, os elementos em fúria, o mar - quando turvado - mete um temível respeito e, nem o mais afoito, deixa de ficar inquieto ou recear o pior. A minha tarefa era pois hercúlea, tal como já haviam sido os 13 dias solitários de S. Tomé à Nigéria.  Porém, esta canoa não era tão boa como a outra (estava desequilibrada, só a pude experimentar, quando me fiz à aventura) e o tempo iria trair-me. Mal se pôs o sol - o crepúsculo no equador é muito curto - a noite avançou rápida, espessa e tempestuosa - E tudo se complicaria, a partir daí.

 Raro era o dia ou rara a noite que não trouxesse a ameaça de um tornado - Sim, um violento tornado, logo na primeira noite, deixar-me-ia sem remos, desprovido da maioria dos apetrechos e quase sem víveres.

Na imagem ao lado, o meu baú e o remo improvisado, com um pau e alguns pedaços arrancados à pequena cobertura dos bordos


Ia a velejar a todo o pano pela noite negra  adentro, seguindo a força da corrente e impelido pelo vento dominante - vento de popa.  E eu devia tê-lo enrolado um bocado ou substituído por uma vela mais pequena - risar a vela e não o fiz.  Não tive esse elementar cuidado. Nem sequer olhava para a bússola,  fixara uma estrela. E quase nem queria saber da tempestade que se aproximava do sul - à minha retaguarda. Os meus olhos fixavam-se a Norte - pelo menos enquanto o céu não ficou completamente toldado. Os relâmpagos deram-me o primeiro sinal mas eu não fiz caso. Só pensava em navegar....

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Lisboa - Ramadã - Celebrado o fim do jejum do Ramadã, com fiéis da Comunidade Islâmica junto à Fonte Luminosa da Alameda D. Afonso Henriques

                                      Com video da reportagem no final da cerimónia


                                                   Jorge Trabulo Marques - Jornalista




Lisboa-  Ramadã – Celebrado o fim do jejum do Ramadã, junto à fonte Luminosa da Alameda D. Afonso Henriques, com as suas orações e coros tradicionais, por algumas centenas de membros da Comunidade Islâmica de Lisboa, considerada a mais antiga da península Ibérica 

– No final da cerimónia, e já quando se procedia ao levantamento dos tapetes, que que haviam sido estendidos na relva, registámos um vídeo com varias imagens e uma pequena entrevista ao presidente da Comunidade , que explicou o fundamento desta milenar tradição e manifestou o seu agradecimento à junta de freguesia e ao município pela disponibilidade daquele espaço, que tem sido realizado na mesquita de Lisboa


Morámos nas proximidades, pelo que nos apercebemos do ato, tendo constatado que decorreu num ambiente caloroso e  tranquilo,  misto de fraternal convívio e de fé islâmica, com orações e cantares de apelos à paz.


O Ramadã é o mês sagrado para os muçulmanos do mundo inteiro: - Teve inicio no passado dia 10 e terminou hoje, dia 10 de Abril.

Durante esse período, os praticantes, jejuam entre o nascer e o pôr do sol, esforçando-se por aumentar a quantidade de orações e de praticar mais atos de caridade, um dos preceitos da religião

ISLAMISMO TEM CINCO PILARES
A prática de caridade com as pessoas em necessidade. A profissão de fé: só há um Deus, e Maomé é seu profeta. A prática da oração. A peregrinação. O jejum.


Os religiosos consideram que o jejum é uma forma de louvação, de submissão a Deus e de chegar a uma consciência religiosa.
Para os muçulmanos, ficar sem comer é uma maneira de praticar o autocontrole, de cultivar o sentimento de gratidão, de se aproximar de Deus e também de criar empatia pelas pessoas pobres e famintas.


Não é permitido comer e nem beber entre o nascer do sol e o pôr-do-sol.

Geralmente, os fiéis passam a frequentar ainda mais as mesquitas para as orações e dedicam mais tempo ao livro sagrado, o Alcorão.
Caridade
A caridade é importante para os muçulmanos o ano todo, mas durante o mês de Ramadã eles dão ainda mais ênfase a isso.
Uma das formas mais comuns de praticar caridade é distribuir comida para a refeição de fim de jejum diário, a “iftar”.

O islamismo tem cinco pilares:
A prática de caridade com as pessoas em necessidade. A profissão de fé: só há um Deus, e Maomé é seu profeta. A prática da oração. A peregrinação. O jejum.

Os religiosos consideram que o jejum é uma forma de louvação, de submissão a Deus e de chegar a uma consciência religiosa.
Para os muçulmanos, ficar sem comer é uma maneira de praticar o autocontrole, de cultivar o sentimento de gratidão, de se aproximar de Deus e também de criar empatia pelas pessoas pobres e famintas.


Não é permitido comer e nem beber entre o nascer do sol e o pôr-do-sol.
Geralmente, eles passam a frequentar ainda mais as mesquitas para as orações e dedicam mais tempo ao livro sagrado, o Alcorão.



Caridade
A caridade é importante para os muçulmanos no ano todo, mas durante o mês de Ramadã eles dão ainda mais ênfase a isso.
Uma das formas mais comuns de praticar caridade é distribuir comida para a refeição de fim de jejum diário, a “iftar”


segunda-feira, 8 de abril de 2024

Eclipse total solar na América do Norte - Fui ensombrado por um eclipse lunar total num mar de trevas na noite de 18 para de 19 de novembro de 1975 - Sozinho perdido no mar e na mais absoluta escuridão há 31 dias numa frágil piroga

Jorge Trabulo Marques - Jornalista

Algures no Golfo da Guiné, ia a caminho dos 31 dias à deriva numa frágil piroga - Na noite de 19 para o dia 20 observei um eclipse total da Lua, que me envolveu num mar de trevas 


Um eclipse total foi hoje  visível na América do Norte,  nesta segunda-feira:  tendo começado a notar-se por volta das 20:07 CET no México, prolongando-se até cerca das 21:45 CET, altura em que termina na Terra Nova. 
O fenómeno celeste  ocorre quando a Lua se interpõe entre o Sol e a Terra, bloqueando a luz do Sol, atraindo a atenção de milhões de pessoas e também de se constiruir como oportunidade científica para estudiosos fazerem novas análises e  observações

NÃO ESQUEÇO O MAR DE TREVAS DAQUELA NOITE

O que me envolveu foi lunar e há 49 anos. Refere registo que "O eclipse lunar total o segundo e último de dois eclipses lunares do ano, teve duração total de 40 minutos. e 12 segundos. O Chade, obteve a melhor observação do meio do eclipse, de onde foi visível à meia-noite O eclipse parcial durou 3 horas e 29 minutos no total. https://pt.wikipedia.org/wiki/Eclipse_lunar_de_18_de_novembro_de_1975

Ao 31º Dia - Na noite do dia 18 para 19 de Novembro, em que observei um eclipse total da lua" e sofri um novo ataque de um gigantesco tubarão - " A canoa a meter água cada vez mais!.... Isso preocupa-me um bocado. A fraqueza a invadir-me o corpo... Tenho que ter calma. Muita calma! Mas, sinceramente!... Tudo tem limites.. " Desabafos para o meu diário gravado



O céu e o mar ficaram mais negros que nem na mais negra noite de tempestade - Não se enxergava um palmo à frente do meus olhos - Nem sequer os contornos da piroga - Durante quase hora e meia foi como se o mundo não existisse.


O mar e o céu pareciam unidos nas mesmas sombras e pela mesma escuríssima cortina - Senti uma profunda solidão! - Tanto mais que havia mais nuvens que abertas, que por sua vez iam também eclipsando as estrelas e tornando-as ainda mais longínquas - Além de que o mar permaneceu toda a noite muito cavado. Mas não poderei dizer que fosse uma noite muito anormal - Pior teria sido se chovesse. Direi que a observação daquele eclipse lunar foi apenas um episódio em mais uma longa noite de vigília e de reflexões na minha vida.



Algures no Golfo da Guiné, 20 de Novembro de 1975 Há 49 anos


Diário de Bordo 1-  Hoje é manhã do 31ª dia. Passei uma noite incómoda. Não consegui conciliar o sono. Fiquei praticamente sempre acordado. O mar muito cavado, fortemente cavado! Devido possivelmente a trovoadas vindas do sul ou de outras bandas...Próximo da canoa apenas choveu ao fim da tarde de ontem...  A noite pôs-se normal, até com aberturas de luar muito bonitas!... Eu é que não consegui dormir em toda a noite. A pensar na minha vida... Até agora tenho pensado no mar, nas dificuldades a vencer no mar...mas esta noite estive a pensar  em terra.... Porque, efetivamente, eu tenho de ter um destino...certo... Comecei a pensar o que é que eu irei fazer agora... Portanto, esta noite os meus pensamentos ocuparam-se no que vai a ser a minha vida em terra.


Diário de Bordo 1 (continuação) Esta manhã  aparece com o mar relativamente cavado, com uma certa  carneirada. O céu nublado. Não totalmente mas com nuvens escuras que ameaçam chuva. ..Um pormenor curioso a que eu não fiz referência: na noite de ontem, eu tive oportunidade de observar um eclipse  total da lua.


A ideia   de que, dentro de pouco tempo, hei-de alcançar chão firme, já não é bem uma interrogação; a partir de agora é quase uma certeza. Talvez pelo facto de, quando em quando, se me depararem, aos meus olhos, no horizonte difuso, os seus  contornos. Claro que a vida a bordo não melhorou de maneira alguma. . Porém, o meu cérebro, que até agora tem vivido numa constante preocupação  com as dificuldades da minha sobrevivência no mar, estranhamente,  passou a ocupar-se mais no que será a minha vida quando chegar a terra. Havia-me esquecido de pensar em tais questões. Sinto-me mais na pele de    um vagabundo de que um náufrago e preocupa-me o meu futuro. 

De facto, tenho concluído que esta vida errante, não é nada boa.Terei que viver uma vida mais tranquila e menos sobressaltada. Mas como?!...O que é que eu irei fazer quando chegar a terra?!..Como irei ser recebido e que será depois a minha vida?!... 
 
Não tenho meios de comunicar com ninguém. Disponho apenas da orientação de duas bússolas: uma que trago no pulso, como se fosse o meu relógio, outra fixada  junto à ponte da proa. Se morrer afogado no mar eu tenho a certeza que ninguém vai saber  o que me aconteceu ou chorar nesse momento a minha falta.  Mesmo a família, da qual tenho estado bastante ausente. 


A minha mãe faleceu, dois anos depois de eu ter chegado a São Tomé . Sei que o meu pai, os meus dois irmãos e a minha irmã me não  esquecem. Mas a vida deles e de todos os meu familiares, é como se fizesse parte de outro mundo...Quem é que poderá imaginar onde eu agora estou e a fome que me tortura e a solidão em que  me encontro? 
 
Amo a natureza e vejo no mar a mais íntima  forma da sua aproximação. Cada vez mais me sinto atraído pelo seu misterioso canto. O isolamento é uma forma de o encontrar, de mergulhar na sua indescritível magia. Sim, fisicamente, sou para aqui um farrapo humano. Uma criatura desprezível,  as forças vão-me  faltando. Sem nada com que matar a fome. No entanto, talvez por isso mesmo, mais purificado, mais sensível e fortalecido espiritualmente. Sim, porque o mar não é só esta imensa vastidão. O mar é vida. Umas vezes meigo, suave, dócil, belo e acariciador; outras vezes, cruel, impiedoso, impaciente e infernal

Agora, nesta manhã acinzentada, não será bom nem mau, nem triste nem alegre: ondula, freme, move-se numa turbulência que nem me agrada nem me desagrada. Não me encanta nem desencanta.. É realmente terrível o seu poder. Não é egocêntrico. Não vive apenas para dentro dele. Transmite e afeta todo o meu estado de alma. É pena vê-lo agora encrespado, tão sisudo e não tão comunicativo como costuma ser. Mesmo assim, faz-me sentir próximo dele. Embora, com outras palavras, é o que vou já transmitir  para o meu gravador - O fiel registo dos meus sentimentos, que guardo como se fosse o cálice de um sacrário no meu baú de plástico, um velho contendor do lixo, que o meu amigo Germano Castela, fez o favor de me dispensar.

Diário de Bordo Devo estar mais próximo do continente africano. Já parece impossível, não é ?!...Depois de tantos dias de ter largado e não ter atingido a costa africana!... Claro que  as trovoadas têm-me feito andar para aqui às aranhas de um lado para o outro!.... Vou pôr  a vela, já. A ver se atinjo, hoje, finalmente, terra!

Quando o mar está calmo a canoa não tem tanta velocidade. É natural que a noite passada tenha andado bastante.... devido à força que as vagas lhe imprimiram.

Diário de Bordo 2- É quase meio-dia e ainda não consegui navegar nada! Já por três vezes tentei pôr a vela.... e não há vento!.. Quer dizer, aqui, quando há trovoadas há vento demais e é impossível  navegar! Quando não há trovoadas, há calmarias e o mar é um lago!... Agora o mar não dá qualquer hipótese, visto não haver força de vento suficiente para impulsionar a vela. É irritante!...Sinceramente!... Esfomeado que estou!...

Encontro-me para aqui próximo, muito próximo!... A canoa a meter água cada vez mais!.... Isso preocupa-me um bocado. A fraqueza a invadir-me o corpo...Não tenho anzóis que deem para pescar os peixes que aqui há. Os anzóis que disponho são para peixes muito grandes e o nylon é fraco. A situação não é desanimadora mas também não é muito agradável. Tenho que ter calma. Muita calma! Mas, sinceramente... Tudo tem limites... 

 Diário de Bordo 3 Agora, neste preciso momento,  talvez quatro horas  da tarde, apareceu um enorme! um gigantesco tubarão! Mesmo gigantesco!! Estava deitado no fundo da canoa.... e senti roçar!... Depois vi logo que era um tubarão! Pois investiu várias vezes contra a canoa!... À proa! À popa! Até que eu agarrei no machim  e consegui dar-lhe umas machinadas na cabeça!  E então fugiu!...Não sei onde é que ele agora se encontra! Mas, efetivamente, é um monstro!!.. Uma coisa pavorosa!... Um monstro autêntico!... A acompanhá-lo havia uma série de peixinhos!...

Diário de Bordo 4-  Acabei agora de pescar um peixe  à mão!...Andava aqui... Consegui!...O gajo, mesmo cortado, estava a escapar-se! Era o que faltava!... Claro que estou a comê-lo  cru!... Sabe-me perfeitamente bem!...

Diário de Bordo  5 -  Estou satisfeito!...Já comi o peixe cru  e soube-me bem!...Estou a ver perfeitamente contornos da costa africana, que ainda é um bocado distante.... 

Finalmente consegui pôr a vela e parece que há um ventozinho que me vai tocar para lá...Veremos quando...



Diário de Bordo  6 Esta é uma melodia (melodia africana) que eu gosto imenso!...Aqui no mar sabe tão bem!... Realmente, há trechos musicais que, nestas circunstâncias, são mesmo muito apreciados...
.
Diário de Bordo  7   É pura e simplesmente irritante!... Não há vento absolutamente nenhum!... Quer dizer, não posso velejar e tenho a costa, tão próxima! ...É realmente muito aborrecido!

Diário de Bordo  8. Já se pôs o sol do 31º dia. O dia esteve praticamente de calmaria!... Ligeiras brisas... que não deram para navegar...

Voltei apanhar uma ave. Pousaram duas: uma à proa e outra à popa. A outra fugiu!... Tenho-a aqui para a comer amanhã.... 

 A costa africana. sei que não fica distante... É natural que esta noite tudo se modifique... Há uma formação de nuvens muito escuras a sueste, que devem trazer chuva, com certeza...Portanto, é isto apenas que tenho agora a dizer.. E que amanhã outras novidades melhores possam surgi


j

Templos de reflexão – “Quando ouvirdes falar de guerras e tumultos, não vos assusteis… ainda não será o fim… - Diz o livro mais antigo do mundo – A bíblia.

                              Jorge Trabulo Marques - Nas vestes de Peregrino-da-Luz

No Monte das Oliveiras, defronte do templo, achava-se Jesus assentado, quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular: Diz-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para cumprir-se.

Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos. Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis .....ainda não é o fim”.

"Isso que vocês estão vendo, dias virão em que não ficará pedra sobre pedra; serão todas derrubadas".

- "Mestre", perguntaram eles, "quando acontecerão essas coisas? E qual será o sinal de que elas estão prestes a acontecer?"

8Ele respondeu: "Cuidado para não serem enganados. Pois muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu!' e 'O tempo está próximo'. Não os sigam. Lucas 21:5-16

“A Bíblia funciona como um guia espiritual e moral para os seguidores das religiões que a consideram sagrada. Ela contém histórias, ensinamentos, leis e profecias que orientam a vida dos crentes e fornecem diretrizes para a conduta ética e moral”.






 

domingo, 7 de abril de 2024

Sporting vence o Benfica – 2- 1, em Alvalade. A garra leonina abate o voo da águia, pela 2ª vez, em menos de uma semana e consolida posições para os dois mais importantes títulos do futebol português. A Taça de Portugal e o Campeonato.

                                                  Jorge Trabulo Marques - Jornalista


Sporting vence o Benfica – 2- 1, em Alvalade. A garra leonina abate o voo da águia em menos de uma semana e consolida posições para os dois mais importantes títulos do futebol português. A Taça de Portugal e o Campeonato.


Com esta vitória, vivida intensamente no relvado e nas bancadas, o Sporting, soma mais quatro pontos de que o seu mais direto rival e, ainda por cima, com menos um jogo, agendado para 16 de Abril, em casa do Famalicão – Sem dúvida, por este andar, as bandeiras verdes e brancas, poderão realmente voltar agitar-se em calorosos momentos de glória leonina.




quinta-feira, 4 de abril de 2024

Salgueiro Maia - Memória histórica de um dos símbolos dos capitães de Abril – Testemunhos em vídeo de como foi sentida a sua morte, a 4 de Abril de 1992, por camaradas, oficiais generais e outras personalidades, designadamente, pelo Almirante Rosa Coutinho, Mário Soares, Hermínio Monteiro do PRD, António Roque Gameiro

                                                           Jorge Trabulo Marques 




O seu corpo esteve em câmara ardente na capela da Academia militar, junto à qual registei para a então Rádio Comercial-RDP, breves declarações, de várias personalidades, militares e civis, acerca da sua memória, incluindo um general, cujo nome, já não me ocorre, assim como do Almirante Rosa Coutinho, de Mário Soares, Hermínio Martinho, do então PRD e António Roque Gameiro.

A sua morte, aos 50 anos, foi então muito sentida, tanto por camaradas de armas, que o haviam acompanhado na madrugada daquela histórica data, como por várias personalidades, e também pelos portugueses, em geral, que compreenderam a importância do 25 Abril, como caminho aberto à liberdade, ao fim da guerra colonial e aos ideais democrático


 Fernando José Salgueiro, nasceu em Castelo de Vide, no dia 1 de julho de 1944, completaria hoje 72 anos, se fosse vivo – Faleceu no dia 4 de Abril de 1992 – Tinha então a patente de tenente Coronel – Foi um dos um dos capitães do Exército Português que liderou as forças revolucionárias da Revolução de 25 de Abril de 1974, que marcou o final da ditadura
.

DEPOIMENTOS ACERCA DE UM HOMEM CORAJOSO, HONRADO E HONESTO – UM DOS SÍMBOLOS DA REVOLUÇÃO DO 25 DE ABRIL

Um dos homens responsáveis pela democracia em Portugal e um do símbolos dos capitães de Abril – Um dos militares que arriscou a própria vida e nunca se arrependeu dessa sua ação meritória
Um homem honrado honesto, com brio, um apatriota e é com muita mágoa que se vê perder uma camarada que ainda estava na flor da vida “ – Palavras de um general, cujo nome me não ocorre
Rosa Coutinho - Todos nós que fizemos a Revolução de Abril, consideramos Salgueiro Maia, um dos nossos, vemos, portanto, o seu falecimento como uma perda significativa. É evidente que os capitães de Abril irão morrendo: é pena que, no caso de Salgueiro Maia, e de outros, tenha sido tão cedo. Mas recordá-lo-emos sempre, como um homem muito digno! Um homem de grande coragem moral e física! Um homem de isenção exemplar. Um homem que nunca procurou honrarias, que nunca procurou benefícios pessoais e, cuja atitude, como Capitão de Abril, perdoará para a história: um homem com grande capacidade de sacrifício, não apreciando a Ribalta nem militar nem política


Mário Soares – Senti imenso a morte do Tenente-Coronel, Salgueiro Maia: além de tudo o mais era um amigo dele mas fui sempre um admirador: foi um militar íntegro! Foi um herói do 25 de Abril! Participou no 25 de Novembro! Foi um combatente da liberdade. Devemos-lhe muito! 

Portugal, hoje, democrático e pluralista, deve muito à ação pessoal de Salgueiro Maia e, por isso, todos nós portugueses, se devem inclinar sobre a sua morte, que representa uma grande perda para  o país foi, digamos, um Campeão da Liberdade

Herminio Martino - Salgueiro Maia era um amigo especial e uma amigo particular: pela sua postura na vida, pela sua integridade, pela grande dignidade, com que se comportava e conduzia toda a sua vida, eu penso que ele é merecedor do maior respeito e admiração dos portugueses: pela coragem e determinação, com que conduziu a sua vida, penso que lhe devem muito: não só os portugueses, em geral, como o regime democrático, em que hoje felizmente vivemos

António Roque Gameiro  - Não era pessoa de criar o mais pequeno conflito, fosse com quem fosse; em cada um com quem se relacionava, era uma amigo Era uma honestidade muito grande e não se aproveitou de nada


Fernando José Salgueiro, natural  de Castelo de Vide, 1 de julho de 1944, tendo falécio em Lisboa, 4 de abril de 1992),  foi um dos capitães do Exército Português que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução de 25 de Abril de 1974, que marcou o final da ditadura.

Filho de um ferroviário, Francisco da Luz Maia, e de sua mulher, Francisca Silvéria Salgueiro, frequentou a Escola Primária em São Torcato, Coruche, fixando-se subsequentemente em Tomar; concluiu o ensino secundário no Liceu Nacional de Leiria (hoje Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo), ingressando, em outubro de 1964, na Academia Militar, em Lisboa. Acabado o curso, Salgueiro Maia foi colocado na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para frequentar o tirocínio. Na mesma instituição, ascendeu a comandante de instrução e integrou uma companhia dos comandos na Guerra Colonial. Depois da revolução, viria a licenciar-se em Ciências Políticas e Sociais, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa
Em 1973 iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas e, Salgueiro Maia, como Delegado de Cavalaria, integra a Comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de Março de 1974 e do Levantamento das Caldas, foi Salgueiro Maia, a 25 de Abril desse ano, quem comandou a coluna de blindados que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição de Marcelo Caetano, no Quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcelo Caetano ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil. Na madrugada de 25 de Abril de 74, durante a parada da Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, proferiu o célebre discurso: Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui! Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas de forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente. Depois seguiram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.[1] [2] A 25 de Novembro de 1975 sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da República. Será transferido para os Açores, só voltando a Santarém em 1979, onde ficou a comandar o Presídio Militar de Santarém. Em 1984 regressa à EPC. Excertos de  Salgueiro Maia –  Outros elementos também em Biografia de Salgueiro Maia (

 


Lili Caneças, de Parabéns pelo seu 80º aniversário - Nascida, em 4 de abril, de 1944, na cidade da Guarda – Vedeta de televisão e presença regular nos grandes acontecimentos culturais


  Jorge Trabulo Marques - Jornalista



Lili Caneças, nome profissional de Maria Alice de Carvalho Monteiro Custódio Conhecida vedeta da televisão e do teatro. Viveu a sua infância em Vila Franca de Xira, fixando-se depois, no início da adolescência, em Cascais, onde , mais tarde, passou a ser conhecida como a tia de Cascais, ao surgir como comentadora do reality show O Bar da TV, emitido na SIC .A seguir, em 2005, participaria em vários realitys shows televisivos, tendo também sido convidada pelo encenador Carlos Avilez a participar na peça de Tennessee Williams, Doce pássaro da juventude.


Foi uma das muitas figuras convidadas, em 12 Março de 2015, no lançamento do livro “O Comboio das Mulheres, de Ana Paula Almeida na Galeria de Arte do Casino Estoril – E, em Outubro, de 2013, naquele mesmo espaço, numa exposição de Artistas do Países Lusófonos, iniciativas do saudoso e meu grande amigo, Dr. Lima de Carvalho. - A que nos referimos em https://canoasdomar.blogspot.com/2015/03/dignificacao-de-historias-no-feminino.html

https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2013/10/casino-estoril-39-artistas-dos-paises_31.html

Numa entrevista à revista Sábado, disse que : “Não vou fazer nada! Tenho um amigo que vai dar um almoço para 500 pessoas, que vêm de todo o lado do mundo, na Herdade do Peru, no sábado, dia 6. Eu faço anos a 4, mas levo um bolo de aniversário e festejamos lá. Ainda pensei fazer uma grande festa, como nunca se viu em Portugal, tipo Patiño

Ia gastar uma fortuna. No ano passado, fiz um jantar no melhor restaurante de Cascais, o Zôzô, com nouvelle cuisine, e convidei 36 pessoas – irmãos, primas e os meus maiores amigos. Passou um ano e sabes quantos me convidaram? Nenhum! Para não falar das festas que dei na minha casa da Quinta da Marinha”, explicou.

“Chego aos 80 anos a dar graças a Deus, porque tenho muita fé. Sou uma mulher sozinha e quem esteve sempre comigo foi Deus. Não sou de pedir, só agradeço e faço-o todos os dias quando me levanto. Cheguei a uma altura da vida em que só faço o que quero. Antes, não gostava de usar a palavra “não”, então dizia a tudo que sim e fazia grandes fretes. Agora dizem-me: “O Lili, mas porque é que não vens?”. “Olha, queridinha, porque não me apetece”. Acho que é um estatuto que a vida me deu”, acrescentou.