Foi
assim, às três da tarde, que celebrei do
terraço da minha humilde mansarda, em pleno coração da cidade de Lisboa, 0 46º
aniversário do 25 de Abril, cantado alguns estrofes do coro de Grândola, Vila Morena
– De Zeca Afonso
Terra
da fraternidade
O
povo é quem mais ordena
Dentro
de ti, ó cidade
Dentro
de ti, ó cidade
O
povo é quem mais ordena
Terra
da fraternidade
Grândola,
vila morena
Em
cada esquina um amigo
Em
cada rosto igualdade
Grândola,
vila morena
Terra
da fraternidade
Terra
da fraternidade
Grândola,
vila morena
Em
cada rosto igualdade
O
povo é quem mais ordena
À
sombra duma azinheira
Que
já não sabia a idade
Jurei
ter por companheira
José
Afonso OS HERÓIS DE ABRIL NÃO PODEM SER IGNORADOS OU ESQUECIDOS - Assim também o diz esta bela evocação de Euclides Cavaco
Irmão
da fraternidade una e do amor universal,
Mesmo que um mar de cinzas te pareça à tua volta
A vida do homem é semelhante à dum prado a florir
Que, em cada nova Primavera floresce e volta a sorrir
Sim, no aparente deserto sombrio e de ansiedade Não desanimes, continua de alma serena e silenciosa
Há que acreditar nos alicerces do futuro da nova
cidade Pois no cais da vida, há sempre gente à espera de
viajar Irmão, não dês por inútil teu sacrifício, até ele
se ancorar
Hoje passam
46 anos sobre o 25 de Abril – Numa circunstância em que, os velhos do Restelo,
nos queriam impor uma paralisia e um isolamento ainda maior: ou seja, que a
Casa da Democracia, Assembleia Nacional, estivesse encerrada e que o Povo
Português se rendesse á fatalidade imposta pela epidemia.
A FESTA DA GRÂNDOLA VILA MORENA NÃO PODE SER CANTADA NA RUA - Mas aqui lhe
deixo o registo, em vídeo, de um dia de festa do 25 de Abril no coração de
Lisboa, no Rossio
É destacado
pela imprensa que, "Marcelo Rebelo de Sousa assegura que nunca teve dúvida
nenhumas em comparecer na sessão parlamentar de hoje.
"O Presidente de República nunca hesitou um segundo em aqui vir",
diz, afirmando que toda a polémica resultou apenas de "pulsões
efémeras" e "passageiras".
Marcelo elogiou também a decisão da AR de se manter em funcionamento,
apesar de todas as pressões em sentido contrário.
Recordando que o país está sob tutela de um estado de emergência que dá ao
Governo poderes excepcionais, o PR salienta que, por isso mesmo, "maiores
devem ser os poderes da Assembleia da República."
“Seria verdadeiramente incompreensível e vergonhoso era haver todo um país
a viver este tempo de sacrifício e a Assembleia da República demitir-se de
exercer todos os seus poderes, numa situação em que eles são mais do importantes
que nunca”, sublinha ainda.
Pelas 11h50, o Presidente da República termina o seu discurso com uma nota
de esperança: Vamos vencer!".
25deAbril 1974 - 46 anos depois
- Evocar "a vitória da Inteligência da comunidade
sobre a opressão, sobre a ignorância e
sobre a miséria económica, social e política da maioria do
seu povo. Celebrar o 25deAbril significa
também comemorar o fim da PIDE, da Legião, da Censura, da guerra colonial e dos
abusos fascistas da ditadura"
"
Evocar
Abril é também lembrar a libertação dos povos africanos do colonialismo
fascista e de uma guerra que deixou para trás milhares de vitimas em
ambas as partes – E de um Portugal, em que só os privilegiados, poderiam ter
acesso à saúde e ao ensino médio ou superior.
Em ambas das partes do
conflito - Numa guerra que haveria de prolongar-se por mais 13 anos, até 1974,
e deixar um rasto de 8 600 mortos entre os mobilizados . Destes, 3 736 nunca
retornaram a Portugal, nem sequer puderem ser chorados junto aos seus corpos
pelos seus entes queridos . - Por isso, essa memória não pode ser esquecida,
seja em que circunstância for
«Com a revolução de 25
de Abril de 1974, os portugueses iniciaram o caminho da liberdade e da
democracia e abandonaram a ideia do império com a libertação das colónias
portuguesas em África. Quem viveu esse dia jamais o esquecerá e aquilo que era
para ser mais um dia normal transformou-se num marco histórico, com um impacto
tremendo na vida de muitas pessoas. Mas afinal o que aconteceu no dia 25 de
Abril de 74? Esta caça ao tesouro ajudar-te-á a reconstruir os passos da
revolução e a compreender a importância deste dia na História de Portugal.»
Conforme é reconhecido,
e também o pude testemunhar, “em vésperas do 25 de Abril, Portugal
era um país anacrónico. Último império colonial do mundo ocidental, travava uma
guerra em três frentes africanas solidamente apoiadas pelo Terceiro Mundo e
fazia face a sucessivas condenações nas Nações Unidas e à incomodidade dos seus
tradicionais aliados.
“Para os jovens de hoje será talvez difícil imaginar o
que era viver neste Portugal de há vinte anos, onde era rara a família que não
tinha alguém a combater em África, o serviço militar durava quatro anos, a
expressão pública de opiniões contra o regime e contra a guerra era severamente
reprimida pelos aparelhos censório e policial, os partidos e movimentos
políticos se encontravam proibidos, as prisões políticas cheias, os líderes
oposicionistas exilados, os sindicatos fortemente controlados, a greve
interdita, o despedimento facilitado, a vida cultural apertadamente vigiada.
A anestesia a que o povo português esteve sujeito
décadas a fio, mau grado os esforços denodados das elites oposicionistas, a par
das injustiças sociais agravadas e do persistente atraso económico e cultural,
num contexto que contribuía para a identificação entre o regime ditatorial e o
próprio modelo de desenvolvimento capitalista, são em grande parte responsáveis
pela euforia revolucionária que se viveu a seguir ao 25 de Abril, durante a
qual Portugal tentou viver as décadas da história europeia de que se vira
privado pelo regime ditatorial.
UM TRANSMONTANO DE ORIGEM HUMILDE E UMA
VIDA SUBIDA A PULSO - Natural de Picote, concelho de Miranda do Douro - Foi ao então Capitão, Teófilo Bento, a quem coube a arriscada missão de
tomar o controlo da RTP, principal veiculo informativo do regime
fascista – Foram 72 Longas Horas, apoiado por um pequeno grupo de
soldados, apenas vocacionados para os serviços internos do quartel –
Jorge Trabulo Marques - Entrevistado, em 2016, na Feira do livro de Lisboa, - A editar
Teófilo Bento, então Capitão, foi o herói da tomada das instalações da RTP, às 03.05 da manhã do dia 25 de Abril - Foram 72 longas horas, de ansiedade e até de alguma confusão disparos, apoiado por um pequeno grupo das chamadas tropas logísticas, mais conhecidas por “padeiros”, vocacionadas para serviços internos no quartel de que a intervir em operações, portanto, sem a preparação da que têm tropas operacionais. Na breve entrevista que nos concedeu, confessa-nos o que ele considerou ter sido um autêntico “jogo de poker”, tendo a sua vida chegado a estar a linha de fogo por um dos seus próprios soldados, quando uma patrulha da policia de Segurança Pública, logrou entrar por uma das portas laterais da instalações – Horas desgastantes e de risco, que, no final, o levariam a ser conduzido para o hospital ATUAL CORONEL DO EXÉRCITO - UM TRANSMONTANO DE ORIGEM HUMILDE E UMA VIDA SUBIDA A PULSO
Natural de Picote, concelho de Miranda do Douro. – Eis alguns passos da sua vida, contados numa entrevista concedida ao Jornal Nordeste, em 2011
"Até aos seis anos vivi em Picote, depois transferi-me para Sendim, ou seja, os meus pais é que se transferiram. O meu pai era Guarda Fiscal. Podia começar já por dizer que pertencia a uma família em que havia dinheiro, porque a maior parte das famílias, como se sabe, nessa altura, não conhecia a cor do dinheiro.
Eram tempos difíceis nessa altura. O dinheiro era escasso, o que potenciava muitas famílias necessitadas…
UM TRANSMONTANO DE ORIGEM HUMILDE E UMA VIDA SUBIDA A PULSO
Natural de Picote, concelho de Miranda do Douro. – Eis alguns passos da sua vida, contados numa entrevista concedida ao Jornal Nordeste, em 2011
"Até aos seis anos vivi em Picote, depois transferi-me para Sendim, ou seja, os meus pais é que se transferiram. O meu pai era Guarda Fiscal. Podia começar já por dizer que pertencia a uma família em que havia dinheiro, porque a maior parte das famílias, como se sabe, nessa altura, não conhecia a cor do dinheiro.
Eram tempos difíceis nessa altura. O dinheiro era escasso, o que potenciava muitas famílias necessitadas…
UM TRANSMONTANO DE ORIGEM HUMILDE E UMA VIDA SUBIDA A PULSO
Eram famílias necessitadas na generalidade. Em Sendim havia duas ou três famílias ricas, havia depois estas ditas remediadas, em que o chefe de família poderia ser Guarda Fiscal, tinha uma remuneração e, já tinham possibilidades de adquirir coisas com dinheiro que a maior parte das pessoas não tinha. Sem querer, isso faz-me lembrar que, li uma história da evolução económica da Europa, em que dei por mim a fazer uma comparação muito estreita entre a economia, a sociedade da idade média e a sociedade que eu conheci quando miúdo, em Picote e em Sendim. Eram os mesmos instrumentos de trabalho, os mesmos sistemas de troca de bens; trocavam-se sardinhas por ovos, por exemplo. Recordo-me de a minha mãe me contar que levava dois sacos de trigo a Carviçais, primeiro ao Pocinho e depois a Carviçais; isto é, onde chegava o comboio, para trazer sal. Isto, só para dizer, como era a situação nessa altura agora, se quiserem, comecem a fazer comparações com os dias de hoje.
Que outras recordações é que guarda da sua meninice, da sua juventude?
Além das dificuldades referidas que eram muito notórias, principalmente antes de as barragens aparecerem e começaram a dar algum trabalho, o que potenciou que algum dinheiro começasse a circular, fez com que as pessoas despertassem e descobrissem a existência de outros mundos e, também contribuiu para que nos apercebêssemos do mundo fechado em que vivíamos, o que levou, precisamente, a que milhares de transmontanos emigrassem para a França, clandestinamente, isto é, sem autorização. Quando eram apanhados, eram devolvidos, muitas vezes, em condições extremamente difíceis, porque até as pessoas da minha idade se lembram. Chamavam-se passadores as pessoas que auxiliavam esses indivíduos a dar “o salto”, assim se chamava o transferir-se para França, tentando, portanto, ganhar algum dinheiro.
Muitos transmontanos deram “o salto", realmente…
Sim, é verdade! Há pouco disse-me que esta entrevista tinha um nome que era “À procura da Liberdade”; deixe-me falar sobre isso. É evidente que a liberdade, como a fome, como outras situações extremas, como a guerra por exemplo, só quem a viveu… ou melhor, no caso da liberdade, só quem não a teve é que sabe o que é não ter liberdade. Por mais metáforas, por mais palavreado, por mais frases que se utilizem, é difícil caracterizar uma situação extrema e a falta de liberdade é realmente uma situação extrema. Já dei algumas entrevistas em que dizia que, só com o passar do tempo, me fui apercebendo do que era a falta de liberdade; a privação de liberdade para ganhar o seu pão, a sua vida, levou tanta gente a emigrar, clandestinamente, porque não lhes era permitido sair livremente. As pessoas não tinham liberdade para procurar melhores condições de vida.
Senti, por volta dos anos 60, ao acabar o curso na academia militar, onde era aspirante, uma necessidade premente de sair daqui, de conhecer outras culturas e resolvi fazer uma coisa que era habitual: viajar para o estrangeiro, normalmente França, Inglaterra… recorríamos a algumas associações que nos arranjavam trabalho. Trabalhava-se durante as férias o que nos dava o suficiente para viver, não diria que dava para pagar as despesas todas, mas auxiliava muito e era uma nova experiência. Eu fui para Inglaterra. Estamos no ano de 69, precisamente no ano que apareceu a minissaia, tínhamos tido notícia dela, é evidente que em Lisboa não havia, em Portugal não havia mas, tínhamos tido notícia dela. Foi nessa altura que fui para a Inglaterra onde trabalhei num hotel. Inicialmente pensei que era para trabalhar como porteiro para ganhar umas boas gorjetas, mas afinal era trabalho não especializado, internamente, lá no hotel. Foi uma experiência interessantíssima mas, o que mais me impressionou e, era esta a ideia que queria vincular, foi que eu tive a sensação de que tocava na liberdade. A liberdade via-se em tantas coisas… na minissaia, via-se na forma das pessoas trajarem, Londres já nessa altura era um cidade muito cosmopolita, havia indianos, havia tudo. Enfim, faziam o que queriam, cada um vestia-se como queria vivenciando os seus usos e costumes, havia “speakerscorners” onde se reunia muita gente e se falava contra tudo e contra todos. Pegavam no caixote, subiam para cima dele, expunham as suas ideias livremente, de tal maneira que, se tinham audiência estava bem, se não tinham, não havia problema; às vezes, via-se um indivíduo a falar para três ou quatro pessoas, outras vezes a falar para um conjunto de pessoas. Realmente, todas essas coisas e, mesmo a actuação da polícia, ensinavam liberdade.
Assisti, sem querer, a uma cena que me impressionou. Uma altura em que eu passava peloPiccadilly'sCircus, um sítio em que se juntavam os hippies que, também nessa altura, estavam na moda. Eu passava muitas vezes por ali e via esse pequeno largo cheio deles; tinha umas escadas internas e o pessoal sentava-se por ali, de qualquer maneira e, houve um dia em que passei e percebi que devia ter havido uma decisão da polícia para evacuar. Já tinham evacuado, praticamente, a praça toda, estavam apenas dois casais, que estavam instalados, rodeados por dois polícias, notoriamente, a tentar convencê-los a saírem de lá e eles, provavelmente, inventando explicações e mais explicações, estou a dizer inventando, porque eu estive, sem exagero, meia hora a assistir à cena e dizia para mim próprio: isto, em Portugal, seria impossível. Verifiquei, sei lá, qualquer má resposta que ofendeu a polícia, ou que a polícia achou mais incorrecta. Pegaram neles pelas costas e meteram-nos em duas carrinhas e foram embora, primeiro impressionou-me a eficácia da polícia. Isto só para dizer que tudo era diferente e tudo me dizia que era quase como se tocasse a liberdade, o que não existia em Portugal.
Realmente, essa sua experiência deve tê-lo marcado profundamente. Temos, no entanto, que voltar um pouco atrás no tempo para lhe perguntar de que forma o marcou o facto de ter nascido nesta região?
Penso que o ter participado no “25 de Abril” teve um pouco que ver, ou talvez muito, com o ter nascido nesta região. Como disse, sou filho de um guarda-fiscal, sou um filho já tardio, tinha dois irmãos muito mais velhos que, por acaso, estiveram em África mas, tinham regressado antes dos acontecimentos que se verificaram, os acontecimentos relacionados com a guerra ultramarina. O regresso, de pelo menos um deles, deveu-se ao falecimento do meu pai. A minha mãe viu-se com um miúdo de oito anos para criar. A única coisa que sabia fazer era a lida da casa. Como o meu pai era guarda-fiscal e, numa aldeia, isso significava mais que ser remediado, quase significava ser duma classe alta, porque havia dinheiro, a minha mãe fez das tripas coração, virou-se como se costuma dizer. Ela ainda está viva, tem 98 anos, está num lar em Miranda, mas foi sempre uma pessoa que me marcou muito porque fez realmente um esforço fabuloso para conseguir educar-me com aquilo que ficou. Quase diria que teve de inventar formas de fazer dinheiro para me educar. Tive o azar de ser de uma aldeia, de não ter feito o exame de admissão na devida altura, o que me obrigou a ir para um colégio em vez do liceu que ficava mais caro e, assim, estudei em Miranda e diga-se de passagem que ao fim do primeiro ano já estava a dizer que não queria estudar mais, porque via os miúdos que estavam a trabalhar na barragem e não tinham que ir preparar as lições para casa. Aí valeu o meu irmão, regressado de África por causa da morte do meu pai que disse: se tivesses tirado más notas, talvez, assim como tiraste boas notas tens de continuar a estudar. Também lhe devo muito a ele, como é evidente, por causa disso. Fui criado de maneira a perceber as dificuldades que existiam em casa. Fiz o 2.º e 5.º anos, vim fazer exames a Bragança e, depois do 5.º, tive de mudar para o Porto.
Eu não podia vir para o liceu, como disse e tudo isso ficava bastante caro. Fiz os estudos equivalentes ao terceiro ciclo e aí voltei a Bragança. Tive sempre uma ligação com Bragança e quando chegou a altura de ir para a universidade escolhi a academia militar fundamentalmente por questões económicas. Percebia, perfeitamente, que não podia ir para a universidade. Até gostaria de ter ido para engenharia, mas percebia perfeitamente que não tinha condições financeiras para tal. Ouvi dizer que na academia militar pagavam um salariozinho, enfim, davam subsídio, davam alimentação e não pagava pensão. Foi isso que condicionou a minha ida para a vida militar, não foi efectivamente a minha vocação especial. Foi mais uma condição económica que, diga-se de passagem, aconteceu a muita gente que depois veio a participar no “25 de Abril”, vieram a ser capitães de Abril. Temos que nos lembrar que nessa altura já tinha começado a guerra. A frequência na academia era alimentada, fundamentalmente, por classes ricas. Enfim toda a tradição da nobreza, mas quando começou a guerra deixaram isso para os pobres e os pobres preferencialmente, do interior, por isso é que nessa altura a frequência na academia militar era de Trás-os-Montes e das Beiras.as que me está a impressionar - Excerto de
JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA - ENTREVISTA QUE ADELINO PALMA CARLOS ME CONCEDEU EM SUA CASA
Adelino Palma Carlos – Primeiro-ministro do Iº Governo Provisório (de 16 de Maio a 18 de Julho de 1974, nomeado pelo General Spínola – Palma Carlos, falou-me da Revolução de 25 de Abril, que o fez chorar de alegria até às lágrimas e do Governo que formou com a participação de Álvaro Cunhal (um ministro consensual E também do seu ideal republicano. da sua oposição ao Salazarismo e dos revolucionários que defendeu, como advogado. Desde muito novo adepto fidelíssimo do ideal republicano .Como ele soube da Revolução dos Cravos, a sua vida antes depois do 25 de Abril, quando se retirou da política: "Materialmente estou afastado mas fervo a pensar na política. ADELINO PALMA CARLOS - Entrevista para a História de Portugal
Por lapso, na montagem - Ficaram algumas
partes da entrevista repetidas
e outras omissas - Esta
reprodução tem cerca de 30 minutos - A duração, completa na cassete, é de cerca de 40 minutos- Alguns excertos, já foram editadas mas não a totalidade
Professor, advogado e político. Destacou-se como primeiro-ministro do I Governo Provisório -(Faro, 3 de Março de 1905 — Lisboa, 25 de Outubro de 1992 (Faro,
Dou-me a honra e o prazer de me receber em sua casa e de ali me conceder uma interessante entrevista acerca de alguns dos mais importantes passos da sua vida profissional e politica, nomeadamente, como opositor ao regime ditatorial de Salazar, defensor dos presos políticos, da alegria que sentiu - até às lágrimas - quando tomou conhecimento do golpe vitorioso da Revolução do 25 de Abril, assim como de vários episódios relacionados com a sua participação como 1º Ministro do 1º Governo Provisório
Considerado como "personalidade forte, inteligente, culto e de extraordinária capacidade de trabalho, foi primeiro-ministro do I Governo Provisório (de 16 de Maio a 18 de Julho de 1974). Como 11.º bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses teve um importante papel na consolidação institucional e na internacionalização daquela corporação. Foi grão-mestre doGrande Oriente Lusitano, a principal organização da maçonaria portuguesa. E fundador do escritório de advogados actualmente designado de G&F Palma Carlos
COMO ELE VIU A REVOLUÇÃO DE ABRIL
«…fiquei contente!...Chorei, quando soube que era a Revolução!.. Que era para acabar com a ditadura!... Chorei! Chorei comi uma criança!... Não tenho vergonha nenhuma de dizer: chorei!!..
JTM - Entretanto, chegou o 25 de Abril: o Sr. Prof. foi nomeado Primeiro-Ministro!
APC – Olhe… Essa história é engraçadíssima!... Eu não fazia ideia nenhuma de que ia haver a Revolução… Aliás, eu era Presidente das companhias reunidas de gás e eletricidade: tinha sido convidado pelo General Gaspar dos Santos e era Presidente das Companhias… Quando eu vim para as Companhias, encontrei lá instalado, um coronel na Reserva, que era o coordenador de segurança das Companhias de Gás e Eletricidade, da Sacor, da Companhia das Águas, da Companhia Nacional de Eletricidade e da Petroquímica… Bom, esse homem, estava perfeitamente a par de tudo o que se desenrolava!... E até tinha uma coisa engraçada!... Sabendo que eu era uma pessoa, contra a situação, ele recebia todos os panfletos (não sei da onde) que saíam contra a situação e dava-mos para eu ler!... Ele é que fazia propaganda, junto de mim, contra a situação!... E estava sempre a par!... Quando foi da reunião dos capitães, em Évora, na Intentona de Março, ele disse-me: “Isto está mau!!..Agora o Movimento de Oficiais, em Évora!... Não se o que isto vai dar!...
Bem , continuámos, pacatamente!... No dia 25 de Abril de Madrugada!... Estava a dormir!...Aparece-me uma das empregadas, com o telefone, dizendo-me: “Sr. Douro! É o engenheiro da Companhia do Gás, que tem muita necessidade de falara consigo!..” -Então traga lá o telefone!
Era o homem a dizer: “Sr. Presidente! Rebentou a Revolução?!...”
- Rebentou a Revolução?!...
- “Rebentou a Revolução!!”
- E então o coronel, o que é que faz?!...
- “O Coronel, não está cá!... Não se sabe do coronel!...
Telefonei para o coronel, que eu tinha aí o número de telefone dele (que morreu, coitado, dois ou três meses, depois da revolução) … estava a dormir, como um anjo!...
- Então, Sr. Coronel!... Está uma revolução na rua!
- “Esta uma revolução na rua?!...”
- Está!... E então o Sr. não sabe de nada?!...
Está a ver!... Fui eu que informei o Coordenador de Segurança, que tinha rebentado a revolução!...
Bom, eu fui para a Companhia, juntámo-nos lá os Membros da Comissão Executiva, que cá estávamos, que éramos cinco só, e passamos o dia, ali… Veio uma Ordem do Ministério do Interior, por intermédio da Direção Geral dos Serviços Elétricos (a que nós estávamos subordinados) para que se interrompesse a corrente elétrica, lá para cima, par o Parque Eduardo VII… E o Engº da Companhia disse: se nós interrompemos a corrente elétrica, nós ganhamos nada com isso!... Eles têm geradores e continuam a emitir da mesma maneira!
- E então eu disse: há alguma ordem escrita?!..
- Não há nenhuma ordem escrita!
- E então diga-lhe que mandem a ordem por escrito!... Nós estávamos subordinados ao Governo!... Era uma companhia concessionária!... Mandaram a ordem escrita… E então interrompeu!... Até que, às tantas, à tarde, eu mandei ligar!... Porque, já não havia Governo!... Não havia nada!..
Bom, estivemos ali todo o dia, sem saber o que se passava, com a televisão aberta!... Com a telefonia aberta!... Almoçámos, mesmo lá, na cantina da Companhia!. E olhe, nos dias seguintes, fiquei contente!...Chorei, quando soube que era a Revolução!.. Que era para acabar com a ditadura!... Chorei! Chorei comi uma criança!... Não tenho vergonha nenhuma de dizer: chorei!!..
JTM – Depois, foi entretanto nomeado Primeiro-ministro!...
APC – E depois… aí é que a coisa, começa a ter um certo pitoresco, começaram a ouvir dizer-me que eu ia ser nomeado Primeiro-Ministro!... Não sejam tontos!... Porque é que eu havia de ser nomeado Primeiro-ministro?... Que ideia é essa?!...
- Mas eu acho que você é que vai ser o Primeiro-ministro!.. Você é que vai ser o Primeiro-ministro!..
Até, que, um domingo (tenho este telefone, que não está na lista) e ligara-me por este telefone (era confidencialíssimo) as era da Presidência da República, era ali de Belém); era o Capitão António Ramos, a dizer-me: - Ó Sr. Dr.! O Sr. General Spínola, tem muita necessidade de falar consigo!” - Então está bem
Eu conhecia o Spínola, já há bastante tempo: “então quando é que ele quer que eu vá falar com ele?”
- “Amanhã às quatro horas! – No dia seguinte, às quatro horas eu fui lá, e ele disparou:
- Tenho um Governo pronto! Falta-me o Primeiro-ministro!... Você tem de ser o Primeiro-ministro!
- Não me fale nisso!.. Não tenho a minha vida organizada para isso!... Vivo da minha profissão!.. Não pode ser!... Deixe-me pensar!...
- Então pense até amanhã!...
Eu resolvi pensar dois dias mas não pude!... No dia seguinte, telefonava-me ele outra vez!..
JTM – E teve que aceitar!
APC – E tive que aceitar!.. Pronto!...
JTM – Foi um tempo agitado, na altura?
APC – Olhe!... Foi o pior tempo da minha vida!.. Foi o pior tempo da minha vida!... Extremamente agitado!... O Governo era um Governo não homogéneo!... Porque tinham querido fazer um Governo de coligação - Quem fazia o Governo não era o Primeiro-Ministro: o que estava na Lei Constitucional nesse tempo: era o Presidente da República e o Primeiro-Ministro, só fazia trabalhos num Governo, que lhe tinham oferecido!...
E eu dizia: façam um Governo de Gestão, que é o que é preciso, nesta altura.
-“Ah mas é melhor fazer um Governo de coligação….”
- “Então façam um Governo de coligação” – Eu tive lá, desde o Álvaro Cunhal, até esse homem monárquico, que aí anda, o Ribeiro Teles!.. A Pintassilgo!... Estava no meu Governo!..
JTM - Havia então alguma confusão…
APC- Devo-lhe dizer que, nas reuniões do Conselho de Ministros, havia às vezes divergências… Pois cada um tinha a sua opinião sobre os problemas que se colocavam… Havia muitos problemas a resolver... Havia divergências!... Eu tentava soluciona-las mas elas … mas é uma justiça que eu nunca deixo de fazer ao Cunha, é esta: é que, quando a coisa estava numa situação quase de impasse, o Cunhal encontrava sempre uma solução de equilíbrio, que todos acabavam por aceitar!... É um político extraordinário!...
JTM – Acha que o Partido Comunista Português devia ser chamado também a contribuir, também no Governo?
APC – Quando eu era Primeiro-ministro, veio cá, o Mitterrand e o d’Ferry, vieram cá: fora-me visitar. Estava um bocado preocupados por haver comunistas no Governo; era o Álvaro Cunhal e mais o Adelino Gonçalves, Ministro do Trabalho, que era um sindicalista bancário, o Porto, que tinham metido lá… O Mitterrand, às tantas, disse-me: - “mas você não se preocupa pelo facto de ter comunistas no Governo?”
- Bom, não sei porque é que você me faz essa pergunta, quando, você, agora, constitui em França, a União de Esquerda, de Socialistas e de comunistas!... Se você lá, anda de braço dado com eles, não sei porque estranha que eu tenha aqui dois ministros comunista, num Governo!... Onde estão numa minoria flagrante!...
JTM – Olhe, na altura quais foram os problemas mais difíceis que teve de enfrentar nesse período?
APC - Tive logo de entrada uma greve dos correios… Passados, dois ou três dias, não havia correios, não havia telefones, não havia coisa nenhuma… E eu disse: isto não pode ser!... Não podemos estar sem comunicações… Chamei o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, que era o Costa Gomes, e disse-lhe: ó Sr. General! Nós temos de ocupar militarmente os correios para acabar com isso!...
- Oh diabo! Isso é uma coisa complicadíssima!"
NOTAS BIOGRÁFICAS -Adelino Hermitério da Palma Carlos nasce a 3 de Março de 1905, em Faro, vindo a falecer a 25 de Outubro de 1992, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, com a nota final de 18 valores, foi delegado da Faculdade de Direito à Federação Académica. Conclui o doutoramento em Ciências Histórico-Jurídicas, também na Universidade de Lisboa, em 1934. Advogado reconhecido, defendeu inúmeras figuras oposicionistas à ditadura, como Norton de Matos, Bento de Jesus Caraça e Vasco da Gama Fernandes. Foi também professor na Escola Rodrigues Sampaio, no Instituto de Criminologia de Lisboa e, como Catedrático, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, da qual viria a ser director. Foi jubilado em 1975. Em 1949, foi mandatário da candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República. Em 1951 exerceu funções como Bastonário da Ordem dos Advogados portugueses. A 16 de Maio de 1974 é nomeado primeiro-ministro do I Governo Provisório, pedindo a demissão a 18 de Julho desse ano. Em 1975 funda o Partido Social-Democrata Português. Foi mandatário e membro da comissão de honra da candidatura do general Ramalho Eanes à Presidência da República (1979). Pertenceu ao conselho consultivo do Partido Renovador Democrático. Em 1986 recebe a insígnia de Advogado Honorário.Adelino da Palma Carlos | 1905-1992 - Memórias da .
O 23 de Abril celebra o Dia
Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. A data tem como objetivo
reconhecer a importância e a utilidade dos livros, assim comoincentivar hábitos de leitura na
população.Os livros são um importantemeio
de transmissão de cultura e informação, e ainda, elementos fundamentais no
processo educativa – Este ano, pelas razões conhecidas, sem as iniciativas de
anos anteriores
ConheçoJosé Tolentino
Mendonça, desde há vários anos, especialmente comopoeta e escritor , tendo entrevistado algumas
vezes. A última vez que troquei umas palavras com ele foi na feira do livro, em
Lisboa, há uns cinco anos, longe, então, também eu de imaginar que estava
perante um homem que viria a ser um dosCardiais do Vaticano.
O bispo Tolentino Mendonça foi investido cardeal numa cerimónia no Vaticano, no
dia 5 de Outibro, tornando-se no sexto cardeal português deste século e no 46.º
da História, a quem foi atribuída a igreja de São Jerónimo da Caridade, em
Roma.
Referia, então a imprensa, que “ o arquivista e bibliotecário do
Vaticano recebeu o anel e barrete cardinalícios, assim como a bula, numacerimónia na Basílica de São Pedro,
José
Tolentino Calaça de Mendonça, nasceu na ilha da Madeira, em Machico, a 15 de Setembro de
1865.. Estudou Ciências Bíblicas em Roma e vive no Vaticano desde 2018, onde é
responsável pela Biblioteca Apostólica e pelo Arquivo Secreto do Vaticano. Em
2019, foi elevado a Cardeal pelo Papa Francisco. Tem publicado a sua poesia na
Assírio & Alvim e, desde 2017, a sua obra ensaística na Quetzal. Para José
Tolentino Mendonça, «a poesia é a arte de resistir ao seu tempo». Os seus
livros têm sido distinguidos com vários prémios, entre eles o Prémio Cidade de
Lisboa de Poesia (1998), o Prémio Pen Club de Ensaio (2005), o italiano Res
Magnae, para obras ensaísticas (2015), o Grande Prémio de Poesia Teixeira de
Pascoaes APE (2016), o Grande Prémio APE de Crónica (2016) e, mais
recentemente, o prestigiado Prémio Capri-San Michele (2017).
José Tolentino Calaça de Mendonça, foi ordenado padre em 1990 e
bispo em 2018. Biblista, investigador, poeta e ensaísta, foi professor e
vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa e também diretor da Faculdade
de Teologia da mesma instituição em 2018. É comendador da Ordem do Infante D.
Henrique, título que lhe foi atribuído em 2001 pelo ex-Presidente da República
Jorge Sampaio, e da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, esta última atribuída
pelo antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva. No ano passado,
orientou o retiro quaresmal que o Papa Francisco cumpriu em Ariccia, nos arredores
de Roma.
Em julho, aceitou o convite de Marcelo Rebelo de Sousa para
presidir no 10 de junho de 2020, “apesar das funções que exerce na Santa Sé”,
onde é arcebispo titular de Suava. “É um homem do diálogo. É um homem da
cultura, e um poeta sobretudo, mas também filosofo e ensaísta”, referiu na
altura o Presidente da República.
O Colégio Cardinalício conta atualmente com 118 eleitores, 57 dos
quais nomeados pelo Papa Francisco, e 197 cardeais com mais de 80 anos, que não
têm direito a voto num eventual Conclave para a eleição de um novo Papa. Dos
cadeais eleitores, 50 são europeus, 33 americanos e 31 oriundos da África e
Ásia. Portugal teve até hoje 45 cardeais, o primeiro dos quais o Mestre Gil,
escolhido pelo Papa Urbano IV (1195-1264).
O
Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa, já manifestou “o mais
profundo júbilo pela elevação do Senhor Dom José Tolentino de Mendonça ao
Cardinalato”. Numa nota publicada no site oficial da presidência, o Presidente
diz que “tenciona” estar presente na cerimónias de imposição do barrete
cardinalício, afirma que esta nomeação é “o reconhecimento de uma personalidade
ímpar, assim como da presença da Igreja Católica na nossa sociedade, o que
muito prestigia Portugal”. https://expresso.pt/sociedade/2019-09-01-Tolentino-Mendonca-nomeado-Cardeal
Jorge
Trabulo Marques - Jornalista -No dia 17-06-99, assinei um termo de responsabilidade, como um dos voluntários para o
teste de um medicamento pela Glaxo Wellcome, sediada em Algés, através do Hospital dos Capuchos, em Lisboa, creio que um ramo da Glaxo smith kline, companhia farmacêutica multinacional britânica, produtora de produtos
biológicos, de saúde e vacinas, sediada em Londres, Reino Unido e também
com instalações em Algés, Portugal
A Alemanha, através do instituto Paul Ehrlich (PEI), entidade federal alemã de vacinas e biomedicina, anunciou esta quarta-feira (22.04) que dava luz verde para testar em humanos uma possível vacina contra a Covid-19. Há outras vacinas a serem testadas. É, contudo improvável que estejam disponíveis em 2020 -Pormenores detalhados mais à frente sobre a evolução dos vários estudos para se alcançar uma vacina
ESTOU VIVO PORQUE ACEITEI SER COBAIA CIENTIFICA - O meu médico (que tem feito da medicina, um verdadeiro sacerdócio) não me dava mais de um a dois anos de vida e, como o medicamento que tomava, não resultava, disse-me -. Sr Jorge:prepare-se... mas pode ser que apareça algum medicamento - E, graças a Deus, apareceu -Desde então, tornei-me profundamente místico – Passei a vestir túnicas brancas a seguir os passos de peregrino da Luz, como que a imitar os passos de Cristo, nos arredores da minha aldeia, quando ali me deslocava de Lisboa para a antiga casa dos meus pais, nomeadamente pela noite adiante até alvorecer.
A crença no
sobrenatural, a fé religiosa é um grande alento espiritual para o corpo e para
a alma – Vários estudos científicos, garantem que “O paciente com fé tem mais recursos internos para lidar com a doença", mostram que os fiéis são mais felizes, vivem mais e são mais agradáveis ”
,
Em boa parte, foi graças à minha fé,
que logrei resistir 38 dias à deriva numa piroga, e, mais tarde, por motivos de
saúde, quando vi a vida a fugir-me
debaixo dos pés
Não esquecer, que,
foi graças à sua fé, de que nunca abdicaram, que os judeus conseguiram resistir
e sobreviver ao longo dos séculos, pese as ferozes acusações e perseguições de
que foram alvo, tendo mesmo sido
acusados de serem os responsáveis pelas
epidemias que grassavam em 1348/49, sendo muitos queimados nas suas casas,cemitériosprofanados, para já não falar dos hediondos crimes nazis
NÃO SE FAÇAM ACUSAÇÕES INFAMES E INFUNDAMENTADAS – É impensável que alguém deite o fogo à casa do vizinho, desconhecendo que a sua também pode ser arrasada – Os virus são inimigosinvisíveis e não conhecempátria e estão sempre a sofrer mutações ""Quem
foi o culpado pela Peste Negra? Na Europa medieval, a culpa era atribuída aos
judeus com tamanha frequência e brutalidade que é até surpreendente que a
doença não tenha sido chamada de Peste Judaica. No auge da pandemia no
continente, entre 1348 e 1351, mais de 200 comunidades judaicas foram
erradicadas, sendo seus habitantes acusados de difundir a doença ou envenenar
poços.
COMENTÁRIOS ABSOLUTAMENTE DESCABIDOS OU IRRACIONAIS - Os comentários polémicos sobre possíveis testes de uma vacina contra o coronavírus em África geraram críticas em todo o mundo mas são absolutamente infundados e irracionais: provou-se que vivemos numa aldeia global e que as doenças não distinguem raças, cores, credos ou origem
É totalmente inconcebível, o que disse Samuel Eto’o,o camaronês, Didier Drogba, da costa-marfinense, um dos países mais afetados pelo coronavirus-19 - O ex-jogador do Barcelona e do Chelsea, escreveu na sua página de Instagram, que, África não é um laboratório para experimentos, não tomem os africanos como cobaias”,. https://www.noticiasaominuto.com/desporto/1449691/etoo-e-drogba-explodem-com-medicos-e-defendem-africa-filhos-da-p - Mas tem sido na Europa para onde recorrem muitos africanos para tratarem as suas doenças, visto, em muitos dos seus países, dados os fracos investimentos no sistema de saúde, os milhões tomarem outros destinos. O pânico retira a lucidez e a serenidade que requer o combate a um inimigo comum e invisível - Tal é reconhecido, também, por especialistas italianos da área da medicina, onde a controvérsia, a confusão geraram o caos, onde foram subestimados o serviços públicos de Assistência Hospitalar.
Consideram psiquiatras e psicólogos que, "O isolamento, quando é imposto, pode gerar graves distúrbios para quem não o faz por estrita necessidade, pode ser extremamente prejudicial por via do pânico gerado á volta do novo coronavirus – Sendo o 19ª, então por que razão só com este virus é que gerou este pânico?
Não esquecer a mortandade provocada pela gripe sazonal e parece que se pretende envolver tudo na mesma estatística:– “Não devemos esquecer que temos cerca de 60.000 mortes por gripe sazonal todos os anos na Europa, lembrou, em Fevereiro passado, o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) - Estimando.se, que, mais de três mil pessoas terão morrido em Portugal devido à gripe na época passada, .
AS VACINAS NÃO GARANTEM EFICÁCIA ABSOLUTA MAS TÊM CONTRIBUÍDO PARA EVITAR MUITAS MORTES
Já vários países anunciaram a sua determinação em avançar com estudos para
conseguir a tão desejada vacina para o COVID-19 - Porém,
dizem os especialistas que a vacina "será inicialmente testada em 200
voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos. Numa segunda fase os
ensaios vão abranger mais voluntários do mesmo grupo etário, incluindo alguns
com maior risco de infeção ou de desenvolver complicações em caso de contágio
A Alemanha,
através do instituto Paul Ehrlich (PEI),
entidade federal alemã de vacinas e biomedicina, anunciou esta quarta-feira
(22.04) que dava luz verde para testar em humanos uma possível vacina
contra a Covid-19. Há outras vacinas a serem testadas. É, contudo improvável que
estejam disponíveis em 2020.https://www.dw.com/pt-002/covid-19-alemanha-autoriza-testes-de-vacina-em-humanos/a-53211781
,ESTE É O PONTO DA SITUAÇÃO - APRESENTADO NUMA REVISTA DA CIÊNCIA MÉDICA
A vacina será inicialmente testada em
200 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos. Numa segunda fase os
ensaios vão abranger mais voluntários do mesmo grupo etário, incluindo alguns
com maior risco de infeção ou de desenvolver complicações em caso de contágio.
"O teste de possíveis vacinas em
pessoas é um passo importante no caminho até vacinas seguras e eficazes contra
a Covid-19 para a população da Alemanha e do estrangeiro", ressaltou o
instituto.
Vacina em 2020? Improvável…
Anthony Fauci, diretor
do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, disse recentemente que
um COVID-19 pode levar de 12 a 18 meses para desenvolver, testar e aprovar o
uso público. Mas novas vacinas normalmente levam anos para serem aprovadas
- podemos realmente esperar que uma vacina contra o coronavírus esteja pronta
no verão de 2021?
Especialistas disseram
à Live Science que, para qualquer outra vacina , o cronograma seria irreal. Mas,
dada a pressão atual para evitar a pandemia , uma vacina COVID-19 pode estar
pronta mais cedo, desde que cientistas e agências reguladoras se mostrem
dispostas a tomar alguns atalhos.
Eis por que
provavelmente não pode ser desenvolvido antes de 12 a 18 meses.
Testando muitas opções
Atualmente, mais de 60
vacinas candidatas estão em desenvolvimento em todo o mundo e várias já
entraram em ensaios clínicos em voluntários humanos, segundo a Organização Mundial da Saúde .
Alguns grupos visam
provocar uma resposta imune em pessoas vacinadas, introduzindo um vírus
SARS-CoV-2 ou partes do vírus enfraquecido ou morto em seus corpos. As
vacinas para sarampo , gripe , hepatite B e o vírus vaccinia,
que causa varíola, usam essas abordagens, de acordo com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA . Embora
testado e testado, o uso dessa abordagem para desenvolver essas vacinas
convencionais exigia muito trabalho, exigindo que os cientistas isolassem, cultivassem
e modificassem vírus vivos no laboratório.
Esse processo inicial
de criação de uma vacina pode levar de 3 a 6 meses ", se você tiver um bom
modelo animal para testar seu produto", Raul Andino-Pavlovsky, professor
do Departamento de Microbiologia e Imunologia da Universidade da Califórnia,
San Francisco, disse à Live Science.
Dada a atual crise de
tempo, alguns grupos optaram por abordagens mais rápidas, embora menos
convencionais
A primeira vacina COVID-19 a entrar em ensaios clínicos nos
Estados Unidos , por exemplo, usa uma molécula genética chamada
mRNA como base. Os cientistas geram o mRNA no laboratório e, em vez de
injetar diretamente SARS-CoV-2 nos pacientes, introduzem esse mRNA. Por
padrão, a vacina deve levar as células humanas a construir proteínas
encontradas na superfície do vírus e, assim, desencadear uma resposta imune
protetora contra o coronavírus. Outros grupos pretendem usar material
genético relacionado, incluindo RNA e DNA, para construir vacinas semelhantes
que interfeririam com uma etapa anterior do processo de construção de
proteínas.
Mas há um grande
obstáculo para as vacinas de mRNA. Não podemos ter certeza de que eles
irão funcionar.
Até o momento, nenhuma
vacina construída a partir de material genético de germes já recebeu aprovação,
disse à Live Science Bert Jacobs, professor de virologia da Universidade
Estadual do Arizona e membro do Centro de Imunoterapia, Vacinas e Viroterapia
do Instituto de Biodesign ASU. Apesar da tecnologia existir há quase 30
anos, as vacinas de RNA e DNA ainda não combinaram com o poder protetor das
vacinas existentes, informou a National Geographic .
Supondo que essas
vacinas não convencionais do COVID-19 passem nos testes de segurança iniciais,
"haverá eficácia?" Jacobs disse. "Os modelos animais
sugerem, mas teremos que esperar e ver."
"Por causa da
emergência aqui, as pessoas vão tentar muitas soluções diferentes em
paralelo", disse Andino-Pavlovsky. A chave para testar muitos
candidatos a vacina ao mesmo tempo será compartilhar dados abertamente entre
grupos de pesquisa, a fim de identificar produtos promissores o mais rápido
possível, disse ele.
As métricas usadas
para medir a eficácia - se uma vacina gera uma resposta adequada do sistema imunológico de uma pessoa - em
estudos com animais e em ensaios clínicos iniciais também precisam ser
claramente definidas, acrescentou. Em outras palavras, os pesquisadores
devem poder usar esses estudos iniciais para determinar com quais vacinas
avançar, quais modificar e quais abandonar. Todo esse processo - de
laboratório a estudos em animais - pode levar de 3 a 6 meses, disse
Andino-Pavlovsky.
Desafios no desenvolvimento de vacinas
Projetar uma vacina
que conceda imunidade e cause efeitos colaterais mínimos não é tarefa simples. Uma
vacina contra o coronavírus, em particular, apresenta seus próprios desafios. Embora
os cientistas tenham criado vacinas candidatas para os SARS-CoV e MERS-CoV dos
coronavírus, eles não saíram de ensaios clínicos ou entraram em uso público, em
parte por falta de recursos, informou a Live Science anteriormente .
"Uma das coisas
com as quais você deve tomar cuidado ao lidar com um coronavírus é a
possibilidade de aprimoramento", disse Fauci em uma entrevista ao jornal JAMA em 8 de abril . Algumas
vacinas causam um fenômeno perigoso conhecido como aprimoramento dependente de
anticorpos (DEA), que paradoxalmente deixa o corpo mais vulnerável
a doenças graves após a inoculação.
As vacinas candidatas
ao vírus da dengue, por exemplo, geraram baixos níveis de anticorpos que guiam
o vírus para células vulneráveis, em vez de destruir o patógeno à vista, relatou a Stat News . As vacinas
contra o coronavírus para doenças animais e a SARS
humana causaram efeitos semelhantes em animais, por isso há
alguma preocupação de que uma vacina candidata à SARS-CoV-2 possa fazer o
mesmo, de acordo com um artigo publicado em 16 de março na revista Nature . Os cientistas devem
observar sinais de DAE em todos os próximos testes de vacinas com COVID-19,
disse Fauci. Determinar se o aprimoramento está ocorrendo pode acontecer
durante os estudos iniciais com animais, mas "ainda não está claro como
procuraremos o DEA", disse Jacobs.
"Quando existe um
bom modelo animal que apresenta sintomas após a infecção por SARS-CoV-2,
podemos perguntar se a vacinação diminui ou melhora a patogênese", disse
ele. "Estes podem ser estudos de longo prazo que podem levar vários
meses". Os estudos de DEA poderiam ser feitos em paralelo com outros
testes em animais para economizar tempo, acrescentou Andino-Pavlovsky.
Também há outro
desafio.
Uma vacina
bem-sucedida contra o coronavírus reduzirá a propagação do SARS-CoV-2,
reduzindo o número de novas pessoas infectadas, disse Andino-Pavlovsky. As
infecções por COVID-19 geralmente ocorrem nos chamados tecidos da mucosa que
revestem o trato respiratório superior e, para impedir efetivamente a
disseminação viral, "você precisa ter imunidade no local da infecção, no
nariz, no trato respiratório superior". ele disse.
Esses hotspots
iniciais de infecção são facilmente permeados por patógenos infecciosos. Uma
frota especializada de células imunológicas, separada daquelas que patrulham os
tecidos do corpo, é responsável por proteger esses tecidos vulneráveis. As
células imunes que protegem o tecido mucoso são geradas por células chamadas
linfócitos que permanecem próximas, de acordo com o livro " Imunobiologia: o sistema imunológico em saúde e doença "
(Garland Science, 2001).
"É como o
departamento de polícia local", disse Andino-Pavlovsky à Live Science. Mas
nem todas as vacinas levam a uma forte resposta do sistema imunológico da mucosa,
disse ele. A vacina sazonal contra a gripe , por
exemplo, não desencadeia de maneira confiável uma resposta imune da mucosa em
todos os pacientes, o que explica em parte por que algumas pessoas ainda sofrem
da doença respiratória após serem vacinadas, disse ele.
Mesmo que uma vacina
COVID-19 possa dar um salto na resposta imune necessária, os pesquisadores não
sabem ao certo quanto tempo essa imunidade pode durar, acrescentou Jacobs. Embora
a pesquisa sugira que o coronavírus não sofra mutações rapidamente ,
"temos os coronavírus sazonais que chegam ano após ano e eles não mudam
muito ano a ano", disse ele. Apesar de dificilmente mudar de forma,
os quatro coronavírus que causam o resfriado comum continuam infectando as
pessoas - então por que não criamos imunidade?
Talvez haja algo de
estranho no próprio vírus, especificamente em seus antígenos, proteínas virais
que podem ser reconhecidas pelo sistema imunológico e que causam o desgaste da
imunidade. Como alternativa, os coronavírus podem, de alguma forma, mexer
com o próprio sistema imunológico, o que poderia explicar a queda da imunidade
ao longo do tempo, disse Andino-Pavlovsky. Para garantir que uma vacina
possa conceder imunidade a longo prazo contra o SARS-CoV-2, os cientistas terão
que abordar essas questões. No curto prazo, eles terão que projetar
experimentos para desafiar o sistema imunológico após a vacinação e testar sua
capacidade de resistência ao longo do tempo, disse Jacobs.
Em um modelo de mouse,
esses estudos podem levar "pelo menos alguns meses", disse ele. Os
cientistas não podem realizar um experimento equivalente em humanos, mas, em
vez disso, podem comparar as taxas de infecção natural em pessoas vacinadas com
as de pessoas não vacinadas em um estudo de longo prazo.
"Quando você tem
o luxo, olha para isso por cinco anos, dez anos para ver o que acontece",
acrescentou Andino-Pavlovsky.
Atalhos para aprovação
Ao contrário de
um tratamento antiviral para COVID-19 que
pode ser administrado a pacientes já infectados pelo vírus, uma vacina deve ser
testada em diversas populações de pessoas saudáveis.
"Como você dá a
pessoas saudáveis, há uma enorme pressão para garantir que seja absolutamente
seguro", disse Andino-Pavlovsky. Além disso, a vacina deve funcionar
bem para pessoas de várias idades, incluindo idosos, cujos sistemas
imunológicos debilitados os colocam em risco aumentado de infecção grave por
COVID-19.
"Inicialmente,
estudos de segurança serão realizados em um pequeno número de pessoas",
provavelmente menos de 100, afirmou Jacobs. Uma vacina pode ser aprovada
com base nesses pequenos estudos, que podem ocorrer ao longo de alguns meses, e
depois monitorada continuamente à medida que populações maiores são vacinadas,
acrescentou. "Esse é apenas o meu palpite."
Uma futura vacina pode
exigir um ingrediente adicional, chamado adjuvante, que reúna o sistema
imunológico envelhecido em ação, como o encontrado na vacina contra as telhas,
disse Jacobs.
Embora alguns
medicamentos existentes, cujos riscos de segurança os médicos entendam, possam
ser reaproveitados como tratamentos com COVID-19, não existem dados
equivalentes para uma vacina, porque nenhuma vacina contra o coronavírus já foi
amplamente utilizada. Jacobs disse que ele e sua equipe pretendem explorar
uma brecha potencial para desenvolver uma vacina poderosa e rápida. "Usamos
vacinas vivas atenuadas substitutas, onde colocamos partes do SARS-CoV-2 no
vírus vaccinia [que protege contra a varíola], e isso pode ser feito
inicialmente dentro de um mês", disse Jacobs. Em geral, muitos
desenvolvedores de vacinas estão começando do zero.
Apesar dos muitos
desafios à frente, certos atalhos podem permitir que os cientistas tragam uma
vacina COVID-19 mais rápido do que o previsto.
Primeiro, a parceria
com a Food and Drug Administration dos EUA e outros órgãos reguladores pode
ajudar os cientistas a superar os obstáculos logísticos associados aos ensaios
clínicos, como o recrutamento de voluntários saudáveis, disse Andino-Pavlovsky. "Pode
economizar seis meses, fazendo isso", disse ele.
Qualquer vacina
potencial precisará passar por um teste de segurança, conhecido como teste de
Fase 1, que também ajuda a determinar a dose necessária. O próximo passo é
um estudo maior em 100 a 300 pessoas, chamado de Fase 2, que procura alguma
atividade biológica, mas não pode ter certeza se o medicamento é eficaz.
Se um candidato a
vacina solicitar uma resposta imunológica promissora nos ensaios clínicos da
Fase 2, após passar nos testes de segurança na Fase 1, é possível que o FDA
aprove a vacina para uso emergencial "antes do período de 18 meses que eu
disse", disse Fauci. na entrevista do JAMA.
"Se você obtém
anticorpos neutralizantes", que se prendem a estruturas específicas do
vírus e o neutralizam, "acho que você pode seguir adiante", disse
Jacobs. Normalmente, uma vacina entraria nos ensaios clínicos da Fase 3,
que incluem centenas a milhares de pessoas.
Portanto, somando
essas etapas, cada uma das quais provavelmente levará de 3 a 6 meses, é muito
improvável que possamos encontrar uma vacina segura e eficaz em menos de 12
meses - mesmo que muitas dessas etapas possam ser realizadas em paralelo .
Depois vem a questão
de fabricar bilhões e bilhões de doses de uma nova vacina cujos ingredientes
ainda não sabemos. Bill Gates disse que a Fundação Gates financiará a
construção de fábricas para sete candidatos a vacina contra o coronavírus,
equipando os locais para produzir uma ampla variedade de tipos de vacina, informou o Business Insider .
"Embora acabemos
escolhendo no máximo duas delas, vamos financiar fábricas para as sete, apenas
para não perdermos tempo dizendo em série: 'OK, qual vacina funciona?' e
depois construindo a fábrica ", disse Gates.
Mesmo que uma vacina
bastante promissora apareça até 2021 e possa ser produzida em massa, a pesquisa
não terminará aí. "Especialmente com a tentativa de obter algo tão
rapidamente, podemos não conseguir a melhor vacina imediatamente", disse
Jacobs. Idealmente, uma vacina inicial concederá imunidade por pelo menos
um a dois anos, mas, se essa imunidade diminuir, uma vacina mais duradoura pode
ter que ser implantada. Historicamente, as chamadas vacinas vivas
atenuadas que contêm um vírus enfraquecido tendem a ter um desempenho mais
confiável por longos períodos de tempo, disse Andino-Pavlovsky.
"Isso pode ser o
que precisamos a longo prazo", disse ele. E a pesquisa sobre
imunidade a coronavírus deve continuar, independentemente "não apenas do
COVID-19, mas também do próximo coronavírus".