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quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

S. Tomé - Recordando momentos felizes partilhados na vida de três presidentes de S. Tomé e Príncipe - De três das principais figuras nacionais destas maravilhosas ilhas verdes do Equador - Um dos quais é já uma saudade – O meu abraço amigo e votos de dias tranquilos e com saúde aos que ainda vão resistindo às vicissitudes da vida .


Oh!... maravilha dos mais belos  jardins celestes!
- Meu Paraíso Terrestre Encantado! - Possa eu voltar
a ter o prazer de  andarilhar, sentir debaixo  dos meus pés
as areias macias mergulhadas nas quentes ondas que vão e vêm
no seu vai e vem perpétuo, a virem e a recuarem, a desfazerem-se
em marulhos  de espuma efervescente - Ora sopradas por brisas mornas,
a espalharem-se e a desfazerem-se na fímbria branca e azulínea,
ora  atiçadas pelas fortes ventanias dos tornados,
por rajadas de vendavais, seguidas de turbulentas e  iradas vagas!...
- Sem dúvida!... Não há prazer igual!...Pisar  as  praias brancas de areia  fina
das Ilhas de São Tomé e Príncipe  -  É mais de que uma sublime graça divina!



Uma das distintas figuras,  com quem tive a honra e a grata satisfação  de dialogar, antes da independência de S. Tomé e Príncipe e de quem, com igual simpatia e cordialidade, me despedi ao deixar esta maravilhosa Ilha para tentar a travessia oceânica, numa frágil piroga, de S. Tomé ao Brasil -

Mas só, 39 anos mais tarde, o pude voltar aqui a reencontrar e abraçar, concedendo-me a honra e o prazer de me receber na sua residência oficial, no morro da Trindade – Gesto amigo e cordial, que muito me sensibilizou, de particular significado na minha vida profissional e do amor a uma terra, ao seu Povo, pacifico e generoso, a que me sinto ligado por laços de profundo afeto, como se fosse a terra onde nasci, como se fosse também um dos seus filh




Nasceu no dia 5 de Agosto de 1937 em Água Grande – Já lá vão 85 anos mas a vida não se esgota na contagem das gravanas na sua amada ilha mas na forma intensa, sábia, inteligente  e dedicada, como se persegue um ideal, como se dá sentido à vida! – E a do Dr. Manuel Pinto da Costa, tem sido uma vida, particularmente exemplar, dedicada à causa pública, à fundação e aos destinos da sua amada pátria, de quem sente o apelo, de um dever de consciência e de entrega, não olha a sacrifício




Fradique Bandeira Melo de Menezes, nasceu em  Água Têlha, Mé-Zóchi, a 21 de Março de 1942 Foi presidente de seu país desde 3 de Setembro de 2001 até 3 de Setembro de 2011. A 16 de Julho de 2003, enquanto fazia uma visita oficial à Nigéria, o militar Fernando Pereira tentou derrubá-lo mediante um golpe de estado, porém Fradique foi restaurado no poder a 23 de julho do mesmo ano. –



“Nascido numa família de ascendência nobre, mantém a ligação à terra do pai e aos amigos que fez durante o liceu. A família, dita "de pergaminhos" e segundo Pedro de Menezes remontando a Leonor Telles, mulher do rei D. Fernando -  aliás,  Duarte Pio de Bragança deslocou-se a São Tomé para entregar a Fradique de Menezes as "armas" respetivas 





Evaristo do Espírito Santo Carvalho, pais de mais de 20 filhos, meu antigo colega na Brigada de Fomento Agropecuário - Nascido em (Bombom, 22 de outubro de 1942 — Faleceu em Lisboa, em 28 de maio de 2022 - Foi presidente de São Tomé e Príncipe de 3 de setembro de 2016 até 2 de outubro de 2021. Anteriormente, ele foi o primeiro-ministro do país em duas ocasiões em 1994 e entre 2001 e 2002


Conhecemos-nos  desse o tempo em que ambos trabalhávamos na Brigada de Fomento Agro-Pecuária: ele, como chefe de secretaria - num posto a que raros santomenses logravam alcançar - eu, como simples técnico agrícola estagiário


quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Peregrino da terra e do mar me confesso em plena liberdade de solitárias navegações e caminhadas

                                                                Jorge Trabulo Marques

Peregrinando imerso na paz que este meu chão sagrado me dá
Em busca de um invisível Deus que não se vê mas que nos escuta!
Deslumbrado com o fulgor silencioso que nos purifica e liberta!
Sim, aqui, a luz, mesmo que turva pela névoa é sempre purificada!
Sinto pairar em torno de mim e acima dos meus olhos, um fluido
num crescendo volume de imensidade e plenitude de lúcida esfera!
De vibrátil quietude flutuante que se me abre num silêncio musical
Longe do bulício e do tumulto confuso da Terra, de todo o Mundo!
Caminhando por trilhos e caminhos, sem programa e sem destino!
Aspirando o perfume dos fetos, das ervas e das urzes e das giestas!
Que pacifica e tranquiliza em pacifico júbilo melodioso, imortal!
Sobre um chão de pedras, em que, cada um dos meus passos
ganha o alvor sublime de um sentido de eternidade, sem igual!
A sensibilidade perfeita e silvestre dum cristal luminoso e divino!

domingo, 24 de dezembro de 2023

Natal em São Tomé – Dos meninos de rua, como é? - Fazem presépios nos caminhos, mas passam fome - Pobreza alimentar atinge 84% da população, diz estudo – Também já o havia alertado Dom Manuel dos Santos, que, em 2018, criou “A Casa dos Pequeninos” o lar de crianças sem família, projeto financiado pela cooperação da Cáritas Portuguesa


                                                       Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

Um recente estudo que cobriu o ano de 2022, efetuado nas escolas básicas e secundárias, revela que mais de 84% da população são-tomense não tem uma alimentação saudável e equilibrada. Segundo Inês Serrano, do projeto Menutric, este dado é alarmante.– Noticia veiculada, em Novembro passado, pela RFI

Projeto social da igreja católica para crianças em situação de risco, financiado pela cooperação portuguesa que nasceu de "um sonho" de Dom Manuel António, que tinha desde a sua chegada: "Criar condições para essas crianças que estavam acolhidas em condições precárias". Um novo lar para meninos de rua e crianças rejeitadas pelas famílias


Na altura da sua inauguração, confessou que “as crianças da Casa dos Pequeninos são o retrato de um país com problemas sociais. Algumas são órfãs, outras foram abandonadas pelos familiares por serem fruto de uma relação extraconjugal ou de uma gravidez indesejada.

"Essas situações têm a ver com a pobreza que vivemos aqui”, considera Dom Manuel António. O bispo fala em "situações de alcoolismo e famílias desestruturadas” e explica que "estas crianças precisam de ser acolhidas e apoiadas no seu crescimento” .

O  autor do poema “Os Meninos da Minha Rua", Bispo da diocese de STP, de 2006 -2022, que agora lançou um novo Livro – “O que é ser católico?”  uma breve exposição sobre a Fé Católica com respostas às “seitas”  - já havia  reconhecido  que “a pobreza continua a ver-se por todo o lado. Continuo a ver o meu povo sofrer com a pobreza” - Preocupação expressa, em entrevista  à VATICAN NEWS, em Maio de 2018,  por D. Manuel António dos Santos


Um Parque Escolar em São Tomé " - O maior sonho do Bispo D. Manuel A. Santos – Confessou numa entrevista que me concedeu em S. Tomé, em Agosto de 2015

“Porque sou Católico?” - Titulo da  sua mais recenete obra - Uma breve exposição sobre a Fé Católica com respostas às “seitas”


D. Manuel António Mendes dos Santos. atual pároco de Tavira, desde a Páscoa do ano passado, depois dos seus livros de poesia, “Momentos de Verde e Mar”, e “Aqui Onde Estou Os Sonhos São Verdes, apresentou, no passado dia 30 de Novembro, a obra intitulada “O que é ser católico?” - Livro, em que o devotado sacerdote, nos fala de uma sociedade que ainda se identifica como católica, mas que na sua maioria não conhece os seus fundamentos e as verdades da fé começam a tornar-se subjetivas.

Foi também noticiado pela Fundação Histórico-Cultural Oureana, que, D. Manuel António Mendes dos Santo, Capelão Geral da Real Irmandade da Ordem de São Miguel da Ala, na sua passagem por Fátima, apresentou mais um livro da sua autoria e desta vez uma obra muito esclarecedora sobre os princípios fundamentais da Fé Católica e com respostas bíblicas a muitas dúvidas levantadas pelas seitas religiosas que proliferam na nossa sociedade para confusão e engano dos fieis.

Neste livro de 48 páginas com ilustrações, o Capelão Geral da Real Irmandade da Ordem de São Miguel da Ala, explica os Sacramentos, a importância da Bíblia como palavra de Deus e desmistifica crenças populares, bruxedo, magia e as crenças nos sonhos.

Para D. Manuel António é importante que os Católicos tenham pleno conhecimento das verdades fundamentais da Igreja a que fazem e que saibam o que é da Fé e o que é da superstição para termos uma vivência plena na Fé

AS CRIANÇAS ABANDONADAS JÁ TÊM UM LAR - Mas há outras necessidades que urge satisfazer - Na página do Facebook da Casa dos Meninos da Rua, é dito que "necessitamos de um Mini-bus para transportar estas crianças à escola e para outras actividades ligadas ao seu desenvolvimento humano e espiritual. O Mini--bus custa, em preço de fábrica, 28.235,00 Euros, a que temos de juntar 2.500,00 euros para

D. Manuel António Mendes dos Santos, sem dúvida, um olhar atento e uma voz amiga do povo são-tomense, um “veterano” de África e destas ilhas, - Bispo diocesano de São Tomé e Príncipe, desde sua nomeação em 1 de Dezembro de 2006, pelo Papa Bento XVI

Demitiu-se, em Julho de 2022, depois de 15 anos à frente da diocese de STP. Na conferência, então proferida, deu a conhecer as razões da sua demissão que, conforme explicou, se prendem com o cansaço depois de 15 anos à frente dessa Diocese. - Garantiu que renunciou ao cargo por causa do cansaço: “chegou ao momento em que me sentia profundamente cansado com dificuldade para continuar lutando”.

O presépio natalício, vulgarmente conhecido pelo “Passo”, é uma das referências culturais mais antigas da Ilha de São Tomé, criada desde o tempo colonial – Feitos com pauzinhos cortados de andala com o machim (das folhas de palmeiras) e vergas de canas de bambu, enfeitadas com algumas flores da floresta,  imitando pequenas ermidas ou a igreja da Sé, construídas junto às modestas cubatas à beira da estrada, sobretudo à medida que se deixava a cidade, a capital e se penetrava no interior da Ilha, alumiadas por tochas de óleo de palma em pedaços de mamão, iluminando  a Noite de Natal  - Que se prolongavam durante a quadra natalícia

DOM MANUEL DOS SANTOS  – ORIUNDO DE UMA  HUMILDE FAMÍLIA BEIRÂ, O  5º  DE 9 FILHOS – “TODOS VIVOS!  - GRAÇAS A DEUS”


D. Manuel António Mendes dos Santos, bispo diocesano de São Tomé e Príncipe, desde 1 de Dezembro de 2006, que faz parte da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe. 

Sacerdote claretiano desde 1985, um olhar atento e uma voz amiga do povo são-tomense, um  “veterano” de África e destas ilhas, que já conhece desde Dezembro de 1993 .  

Natural da Beira Alta, da pequena aldeia de São Joaninho, concelho  de Castro Daire, distrito de Viseu. De origem humilde, o 5º de uma família de nove irmãos, ainda  vivos.

             
“Sou da Beira, de facto: de São Joaninho de Castro Daire, distrito de Viseu. Sou o 5º de nove filhos, vivos ainda, graças a Deus.

Aos 11 anos fui para o seminário de Resende, do seminário de Lamego. Saí de lá aos 18 anos para entrar na Congregação dos Missionários Claretianos; ordenado padre, em 1985, na minha terra, por Dom António Xavier Monteiro, que era então o Bispo de Lamego,

Adicionar legenda
Após a minha ordenação, fiquei a trabalhar nos Carvalhos, durante 9 anos. Em Novembro de 1993, vim para África; estive um mês em Luanda e “aterrei” em 6 de Janeiro de 94 nas terras de São Tomé. Foi então que pela primeira vez pisei o território são-tomense. Impressionou-me, na altura, logo o verde desta Ilha: de facto, era um verde tão intenso, que, um ano e meio depois, quando regressei a Portugal,   vi que não havia comparação possível, com os verdes desta terra..

 

sábado, 23 de dezembro de 2023

Celebração do Solstício do Inverno 2023 Chãs- V.N de Foz Côa - Com um poema do saudoso poeta Manuel Daniel e de Maria Assunção Carqueja – Esta a noite mais longa do ano no hemisfério Norte – Recordamos-lhe belos momentos vividos em anos anteriores – Que viva estes dias com muita alegria e felicidade e que o Novo Ano lhe seja também muito feliz e risonho

           O "STONHENGE PORTUGUÊS" - EXISTE E SITUA-SE NO MACIÇO DOS TAMBORES-MANCHEIA - Com alinhamentos sagrados para todas as estações do ano


 

Jorge Trabulo Marques 

Nos arredores da aldeia de Chãs, também existem dois alinhamentos solsticiais pré-históricos assinalando a entrada do Inverno, além dos alinhados com os equinócios da Primavera e do Outono e do Solsticio do Verão

Não me tendo sido possível deslocar-me à minha aldeia. Recordo-lhe algumas imagens de celebrações, que ali já realizámos, em manhãs geladas e de intenso nevoeiro

O solstício de inverno marca oficialmente a chegada da estação mais fria do ano: depois do outono – É celebrado desde a Antiguidade, o solstício de inverno ocorre uma vez por ano, entre 21 e 22 de dezembro.

                                     video editado em Dezembro de 2012

 

É o dia mais curto do ano. Precisamente devido à posição da Terra em relação ao Sol, as horas de escuridão excedem largamente as horas de luz. Refere-se ao momento em que o Sol, no seu movimento aparente ao longo da elítica, atinge o seu ponto de declinação mínima. Isto resulta numa condição singular: a do dia mais curto do ano, em que as horas de escuridão excedem as de iluminação solar no hemisfério norte, enquanto no hemisfério sul é precisamente ao contrário

Em Setembro de 2015, celebrámos o Equinócio do Outono, com a presença do então Bispo da Diocese de S. Tomé e Príncipe, Dom Manuel dos Santos  https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2013/12/solsticial-invernal-calendario-pre_31.html

 

No Monte dos Tambores (maciço granítico, vulgarmente   conhecido por As Fragas dos Tambores), existem alinhamentos sagrados com os calendários pré-históricos de todas as estações do ano - Todavia, a celebração principal é a que decorre no Solstício  do Verão  - No Solstício do Inverno, dadas as adversidades climatéricas, e também a sua instabilidade, deixamos a peregrinação ao critério de  quem ali deseje deslocar-se

Além dos calendários solares, alinhados com os equinócios da Primavera e do Outono e do Solstício do Verão,  existem  também dois alinhamentos sagrados com o solstício do Inverno - Um dos quais descoberto por Albano Chave, em 2013, a cuja pedra deu o nome das portas do sol. O outro alinhamento, descobrimo-lo , no ano seguinte, em que, os raios se espalham em perfeito alinhamento com a crista de uma pedra de forma fálica, a que demos o nome de Pedra Phallus impudicus, devido à existência na área de cogumelos com essa configuração, que se ergue  junto ao castro do Curral da Pedra, nos arredores de Chãs, Foz Côa, área inserida no perímetro do Parque Arqueológico do Vale do Côa 



Não tinham relógios nem calendários, como hoje os temos, mas nem por isso deixavam de saber quando uma estação terminava e outra começava. Erguiam enormes blocos ou aproveitam-se de outros já existentes e adaptavam-nos para as suas observações astronómicas. Fazendo deles, além de verdadeiros monumentos, também os seus locais de culto e de cura. Muitos caíram no esquecimento ou foram destruídos. Porém, outros, ainda subsistem em vários pontos do Globo: o mais famoso é Stonehenge e, em Portugal, os templos do sol, no maciço dos Tambores, aldeia de Chãs, onde são celebrados os ciclos do ano e evocados, tempos idos.


O SOLSTÍCIO DO INVERNO - NAS PORTAS DOS TEMPLOS DO SOL - NO PLANALTO DOS TAMBORES - DESCOBERTO, OBSERVADO E ESTUDADO POR ALBANO CHAVES - Já conhecíamos os alinhamentos com os Equinócios da Primavera e do Outono e o Solstício do Inverno - única dúvida que havia, finalmente foi desfeita.

Tal como foi dito neste blogue, anterior site site, https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2012/03/1-solsticio-do-inverno-nos-templos-do.html a descoberta do alinhamento solsticial de Inverno nas Portas do Sol, foi observada pelo Dr. Albano Chaves – O seu desenvolvido estudo, também já publicado em Inglaterra, numa revista sobre astroarqueológica, é realmente um valioso contributo para o conhecimento e investigação do património histórico na aldeia de Chãs, no termo da qual se situam as famosas gravuras paleolíticas da Quinta da Barca . Com tão interessantíssimo trabalho de investigação, concluía-se, assim, que, no planalto do Maciço dos Tambores, conquanto não houvesse  os  artistas, do mesmo  gabarito dos  que povoaram o  Vale do Côa, mas verdadeiros astrónomos ou cultuadores do sol e dos ciclos das estações



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EMOÇÕES INESQUECÍVEIS 


Veja como viu o fenómeno, Albano Chaves:"Não consigo descrever a sensação e a emoção que senti ao ver o Sol surgir, efectivamente, pela fenda que designei por 'Porta do Sol'. Eu tinha fortes suspeitas de que isso aconteceria e os cálculos dos engenheiros António e Miguel Lázaro assim o confirmaram, mas... como S. Tomé, quis ver para crer, quis testemunhar pessoalmente o acontecimento. Aquele primeiro momento em que a esfera solar, amarela e fulgurante, emergiu no fundo da abertura, fez-me levantar os braços e bater palmas. A emoção não esmoreceu ao seguir o movimento do Sol, elevando-se no firmamento numa trajectória inclinada para a direita. O nevoeiro que, como algodão em rama, enchia o Graben atrás de mim, trouxe-me por momentos algumas preocupações, porque por vezes também cá em cima passavam ténues manchas de nevoeiro. O nevoeiro ia subindo encosta acima, disso não restavam dúvidas, mas nessa corrida entre o surgir do Sol e o afogamento do planalto em espesso nevoeiro, o Sol venceu. Gloriosamente! Depois, como que sentindo-se vencido, o nevoeiro foi-se dissipando.
A observação do nascer do Sol neste local poderá para muitos ser uma experiência mística, pois todo aquele afloramento granítico parece ter sido ali colocado para receber o Sol, ou, numa outra perspectiva, para parir o Sol nascente no primeiro dos dias em crescimento. É um duplo nascimento: do Sol, nesse dia, e da criança que, dia após dia, não deixará de crescer até ao Solstício de Verão.
A deslocação lateral para a observação deste fenómeno é confortável, porque a 'Porta do Sol' não é um ponto, mas sim uma abertura com quase 2 metros de largura, o que permite que uma fila dupla de pessoas colocadas lado a lado, ombro a ombro, ao longo de várias dezenas de metros sobre a linha CD testemunhe o fenómeno em simultâneo.
Passado o inicial deslumbramento causado por este impressionante espectáculo natural, o sacerdote, solitário, na Fonte da Tigela, encerra as cerimónias de acolhimento do Sol"