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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

VOGANDO A COBERTO DA NOITE E À FLOR DO MAR..




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AOS NÁUFRAGOS DE TODOS OS TEMPOS.

Eu, humilde navegante e aventureiro,
em viagens sob azuis de além mar,
e em águas erguidas em revolta,
ou em podres calmarias de inquietar,
aqui vos evoco, vos recordo,
como quem conhece a ânsia da partida
e, depois, em noite infinda, em noite morta,
apenas tem por companhia mar e céu
em negro mar de véu e tristeza infinita,
enfim, a cruel certeza de quem não volta!

Náufragos! Dos tempos idos e da actualidade
de odisseias ignoradas e esquecidas!
Heróis sem nome, sem pátria e sem fronteiras,
que do fluxo e refluxo das marés fizestes as vossas veias!...
Viajantes transitórios do mar passado e do mar actual!
Gente tisnada e crespada por mil sóis, ventos uivantes,
diluvianas chuvadas!
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Gente a quem a imensidade incerta devolveu a inocência
mas cuja sorte a condenou ao suplício da mais atroz morte!
Gente limpa de olhos e de alma de tanto olhar o mar e o céu!
- Todavia, gente que a ira das tormentas e a audácia da aventura
fizeram com que a fundura do abismo fosse a própria sepultura!...

Irmãos! Aqui vos evoco e me vergo em turbado pranto
evocando o plangente canto de poetas marinheiros
trinando a dolente lira de tão triste ventura e negro fadário
Que, em infindável rosário de mares estranhos, medonhos, irados,
vosso corpo vivo arremessaram, sorveram, para sempre sepultaram!

Aqui vos recordo com lágrimas de dor e mágoa pura
por tão absurdo golpe e duro sofrer - por tanta desventura!...
Não, não venho dizer-vos outros versos! Versos a valer?!...
Estes, perderam-se-me no mar! - Ficaram-me por lá todos!
Além disso, senti-os demais para agora os poder dizer!
Senti-os no interior das trevas nas muitas coisas tristes que não vi
ou vagamente descobri, mas profundamente senti! - Senti-os
também nas muitas alegrias, que intensamente vivi
e claramente vi com olhos de ver!

Tão pouco, venho acalentar
vossas tão martirizadas almas - Não!
Porque, agora, o que as vossas almas mais querem,
é que a memória não se apague, é paz e descanso eterno!
- Bastou-vos o percurso lúcido através da voragem
daquele rouco e tumultuoso inferno!
Aliás, de versos, também, cada alma,
por si e à sua maneira, os viveu
a transbordar de mar e do céu!


















Na verdade, venho elevar as mãos aos céus ...
E rezar as piedosas preces
que não pudestes terminar! - As
mesmas orações que, por tão sentidas
e sofridas, estampadas ficaram para a eternidade
no frio desvario do vosso último olhar
quando o abismo já vos sorvia e fundia!
Mas que, as longínquas estrelas do Universo,
atentas e vigilantes no seu contínuo cismar,
imersas no seu radioso brilho,
até hoje, puderam guardar.

Vou, pois, concentrar-me
no intransponível centro da imensa abóbada
que, embora desmoronando-se, em diluídas formas,
permaneceu impassível, surda e silenciosa
nos confins longínquos do amortalhado céu,
onde, ainda agora, sob os vultos do brumoso manto,
ecoam, penso eu, sumidos brados, ecos dispersos,
vagidos e gritos do vosso exaurido pranto

Vou pois escutar-vos e rezar!...
...por todas as vidas que a fúria e o desamor do mar
em fundas entranhas iradas, asfixiou e engoliu!!
E também agradecer ao Deus Criador,
com exaltado reconhecimento e fervor,
de alma e corpo escancarados, tal como,
então, perdido, no mar vogava, Louvando-O,
Bendizendo-O, em salmos esparsos
ou simples palavras soltas e  ditas,
apenas pelo surpreendente milagre - Oh Olhar Divino!
de me levares a terra firme e ainda hoje estar vivo!
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Partida da piroga para ser carregada a bordo do pesqueiro americano Hornet, onde seria pintada de azul e vermelho pelos marinheiros, com vista a reforçar a sua resistência.  E ser largada a sul de Ano Bom, na corrente equatorial. O que não aconteceu. O comandante deixou-me junto a esta ilha e um pouco  a Norte, colocando-me neste  perturbador dilema: ou ficava a trabalhar a bordo e deitava a canoa borda fora ou íamos os dois - Optei por irmos os dois, por não abandonar a minha canoa. À noite surgiu a tempestade, tendo perdido quase tudo.  Acabei por viver a situação de um náufrago - Na verdade, também era o que pretendia,  um dos objectivos dessa minha aventura era juntamente reforçar as de teses de .Alain Bombard, o náufrago voluntário .. Por isso, aqui dedico estes versos a todos quantos sofreram o mais absoluto abandono e solidão do mar .Mais deles perdidos para sempre



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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

TITANIC - A HOMENAGEM SENTIDA AOS QUE PARECERAM A BORDO E AOS QUE SOFRERAM A ANGÚSTIA DA ESPERA ATÉ SEREM SOCORRIDOS...

Só o náufrago, o que sobrevive pode revelar o que é sentir a vida que a todo o instante pode desaparecer no marulho das vagas do mar – Tive essa experiência, ao longo de 38 dias numa frágil piroga, graças a Deus sobrevivi



      AO MENOS QUE OS SEUS DESTROÇOS SEJAM RESGATADOS DO FUNDO DAS GÉLIDAS ÁGUAS PARA QUE O TEMPO NÃO APAGUE A MEMÓRIA DOS GRITOS DAQUELES QUE SE AFOGARAM A BORDO





No domingo passado fui visitar a magnifica exposição do Titanic que é apresentada no edifício da Estação do Rossio, em Lisboa - Percorri-a demoradamente, em religioso silêncio e meditação.





Quando de lá saí e fui assinar o livro de honra, não me contive em emoção e lágrimas. Tanta memória aquelas imagens e objectos me trouxeram! Tan
tas visões! Tantas recordações que pude ir buscar também ao meu passado de náufrago! - Foi, como que, se eu, subitamente, também tivesse feito parte daquela fatídica viagem - E, todavia, as minhas viagens, as minhas aventuras, foram bem diferentes: não a bordo de um gigantesco navio mas no estreito côncavo de frágeis pirogas, tendo apenas uma modesta bússola para me orientar. Face à impressão causada por aquela exposição e aos múltiplos sentimentos que me provocou, eis por que me dei a escrever os singelos versos ( ou mais propriamente textos em forma poética) e que aqui tomo a liberdade de reproduzir - Estou certo que compreenderão o motivo por que o faço.



ERA ENTÃO UM ESBELTO E MODERNO NAVIO…HOJE NÃO É MAIS QUE UM DOS MUITOS DESTROÇOS QUE JAZEM E APODRECEM NO FUNDO DOS ABISMOS…

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Grita-se aos gélidos céus! Implora-se  compaixão!
Ouvem-se gritos lancinantes! Ecos de vozes,aturdidas!
Vozes desesperadas, suplicando piedade às alturas, a Deus!
Almas aterrorizadas, aflitas, ante a 
negra e vasta imensidão!
Que o mar abafa, mergulha, envolve e afoga em negro turbilhão!


Cenário sideral! - Fantasmagórico! irreal!
Gélida e diluída imagem de aflição e tragédia! 
Escurissimamente ondulante, indistinta, pavorosa e  informe!
Aquele magnífico navio - que à luz do dia - parecia glorificar...
Os mares e os céus!...É agora mero brinquedo partido e a pique!

Massa gigante esquecida, vulto perdido, que se afunda e perde!
Grotesco e sombrio volume de ferros,rangendo num mar cruel! 

Tudo se confunde e dilui na mesma vertigem povoada de aflição e pavor! 
Imersa de tumulto, de  múltiplos rumores! - Sufocada de desespero e solidão!...
Em redor - nos gélidos mares! - corre e rumoreja, uma aragem solta de cinza e desamor!
Perpassada de terríveis presságios!... De lágrimas que se perdem lavadas de áspero gelo e sal!

Plangente e chorosa!... - De imenso abandono e esquecimento, horrivelmente  afogado e triste!
Nos vivos, paira o pesadelo sobre o mar! - O espelho da angustiosa aflição, desespero e morte! 
Dos corpos, que bóiam afogados à superfície das gélidas águas?!... Nem o menor vagido ou voz! Já não fazem parte deste mundo! - Afogaram-se!... Alguns vão rolando  ao fundo dos abismos!
São o vulto fugidio das liquidas sombras! - Cadáveres submersos! Nada mais  têm para contar 







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Cenário gélido e perturbador! - Oh  - e até os céus!
Dos mais altíssimos, indiferentes e  impiedosos céus !.. 

Donde ainda brilham escassas e  longínquos estrelas no infinito!
Do alto nada mais sobra ou resta que a sideral e surda mudez!
Embora - aqui e além -  sobre a imensa e negra vastidão ! 
Se rasguem, diluam  ou cerrem  abertas de estranhissima claridade!
A dissipar a escorrência espessa que rodopia  em negro  e gelado torvelinho! 

SOLIDÃO, O VAZIO E A MORTE!...


Para onde quer que se olhe, não há vivalma!
Ninguém acorre em socorro!... Nenhum farol se avista!…
Nem uma pontinha de luz se descobre!...
Até as estrelas, que, lá no alto,
costumam ser tão rutilantes, não brilham!
Parecem agora ainda mais longínquas, distantes!
- Estão apagadas, escondidas!... Sumiram-se!
E, mesmo os que sobrevivem e vogam à sorte,
para eles, até parece que já nada existe! 

- Senão o vazio, o abandono e a morte!.

Jorge Trabulo Marques


 


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domingo, 26 de julho de 2009

ANTES DE HAVER LUZ, A IDEIA DE LUZ BRILHAVA, EM DEUS QUE A PENSAVA...



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 .LINKS PARA MAIS FÁCIL ACESSO A OUTRAS POSTAGENS:***ROCEIROS COMANDADOS POR TENENTE-CORONEL SPINOLISTA - POR POUCO NÃO PROVOCARAM UM SEGUNDO MASSACRE DO BATEPÁ 

ESPIA “MATA HARI*****SÃO TOMÉ E A GUERRA DO BIAFRA******CIA EM SÃO TOMÉ,.************* 36 ANOS DE INDEPENDÊNCIA ****** NÁUFRAGO POR VONTADE PRÓPRIA*******(2)SÃO TOMÉ  E PRÍNCIPE -ANTIGAS ILHAS ASBEN E-NAUFRÁGIO  .****36 ANOS DE INDEPENDÊNCIA****(1)SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - ANTIGAS ILHAS POVOADAS POR CANOAS AFRICANAS..*****23º DIA À DERIVA NO GOLFO DA GUINÉ****SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E A MATANÇA DOS ESCRAVOS****"22º DIA DE MAR,11 DE NOVEMBRO EM TERRA*****"COM A FÚRIA DOS VENTOS PORCELOSOS*****HOJE É DIA DA INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA:****CANCÃO DO MAR****PEREGRINO DA LUZ NA TERRA E NOS MARES****QUANDO OS TUBARÕES ATACAM****VOGANDO A COBERTO DA NOITE E À FLOR DO MAR.******TITANIC - A HOMENAGEM******MARES DE ONTEM, DE HOJE E DE SEMPRE.****ANTES DE HAVER LUZ, A IDEIA DE LUZ BRILHAVA*****PERDIDO NO GOLFO DA GUINÉ:*****POETAS!... VINDE VER O MAR!***** SÃO TOMÉ - NIGÉRIA******NO MAR DOS TORNADOS E DOS TUBARÕES -*******HISTÓRIA SINGULAR DE UM NAVEGADOR SOLITÁRIO***** ATITUDE DE JORGE MOYSÉS TEIXEIRA. COIMBRA******ESCALADA VERTICAL DO PICO CÃO GRANDE* ****AZEREDO PERDIGÃO, O QUE ME REVELOU **

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SÓ O MAR A BRAMAR, A BRAMAR!...

Ó minha saudosa e branca aldeia!
Dos longos dias triunfais da minha infância!
Oh, quanto vos recordo!
Quão longe, agora, estais da minha beira!
Quanta saudade vai no meu coração!
Quanto, em vão, agora me lembrais!...

Ó vasta solidão Ó imenso mar!!...
Ó inclemente Sol dos altos céus!
Ó Vós, que lá de tão alto me olhais!
Ó Deus do Mar e dos Céus!
Aonde, agora, minha barca me levais?!...

Onde está o altivo campanário
da antiga igreja?!... O adro, o negrilho?!...
Onde estão os trilhos das Quebradas,
As ondulantes searas?!... Os dourados
montes de centeio e de trigo?!...,

E a nossa ribeira com os dourados milheirais!
O marulhar verdejante dos choupos,
O cantar das cotovias e dos pardais!?...
- As suaves noites de Verão
banhadas de luar prateado!
Onde está o lindo vale
com as espigas de milho dourado?!
Onde está agora tudo isso?!...
Ó minha querida aldeia,
em que ponto do mar me encontro,
em que distante ponto do horizonte
agora eu de vós estou e de mim estais?!!...

Ó erma vastidão!... - Tenebrosos Mares!
Ó impiedosos Céus!!... Tende, de mim, piedade!
Tende, de mim, compaixão!... - Estou convosco, sozinho!!...
Ó Deus Meu! - Onde estais?!... A que erma direcção
e por que errático caminho - Ó Mar! Ó Céus! -
À toa derivo, perdido e solto, agora me levais?!!...

Jorge Trabulo Marques



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domingo, 19 de julho de 2009

“MAR DO SAL DA VIDA E DAS SEPULTURAS POR ABRIR MAS SEMPRE PRONTAS"PORQUE ME ACEITASTE NAS TUAS ONDAS SE NASCI MAIS PERTO DOS RIOS E TÃO LONGE DE TI?!

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“Mar das altas vagas espraiadas,
Mar que respiras com longas e convulsivas exalações
Mar do sal da vida e das sepulturas por abri mas sempre prontas,
Mar que uivas e cinzelas as tempestades, mar caprichoso e requintado,
Eu faço parte de ti, sou de uma e todas as fases."

Walt Whitman
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 (...)
E eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda de inconsciente
A qualquer mão nocturna que me guia

Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nado existo como a terra fria

Fernando Pessoa


Sou dos que procurou na vasta planície dos mares, os caminhos solitários que nos conduzem da luminosa claridade do dia à noite mais imensa e profunda, e, sob o olhar vagabundo e mergulhado nas trevas, a Luz que ilumina e poderá revelar a Verdade Eterna!...




L*


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Depois de ter procurado o genuíno Deus na solidão dos mares ( e julgo tê-lo encontrado - ou pelo menos a consciência de me ter ajudado a descobrir o sentido da vida!) enfrentando tempestades, superando podres calmarias, a fome, a sede, enfim, arrostando as maiores vicissitudes e perigos vários (longe, muito longe, do meu país e da terra que me viram nascer), eis porque, após o meu regresso das lindas Ilhas de São Tomé e Príncipe - deixando para sul o imenso Golfo - me voltasse, não para os vastos e desconhecidos horizontes marinhos, mas de novo para os lugares abençoados do meu berço! Planáltico granítico, onde se circunscrevem, puros e largos espaços, que, desde criança, se me tornaram bem familiares - Cedo aprendi a amá-los e a conhecê-los! Palmilhando-os, porém, quantas vezes descalço, por caminhos e atalhos de fragas e de abrolhos!...

São, pois, estes os sítios mais queridos e abençoados da minha vida! Para onde me dirigi após longa ausência e onde fui retomar a minha sempre insatisfeita e persistente ânsia de procura do divino.

Esse é o meu retiro predilecto, o lugar eleito das minhas fugas da cidade para o campo, onde peregrino, sempre que posso, nos meus devaneios espirituais. Pois é lá, ante a vasta linha daqueles largos horizontes, que eu sinto, bem presente, o vibrar da minha identidade, a suave harmonia das minhas raízes, o genuíno pulsar da minha origem, desde o seu lado mais ancestral até ao mais próximo. Porém, mais de que o torrão que me viu nascer, o que ali revejo e descubro, a cada passo, é a visão de um lugar sagrado, cenário eminentemente espiritual, que convida à contemplação e à purificação do corpo e da alma - À inexplicável percepção de quem tem o privilégio de pressentir ou de escutar um hino de serenidade e de louvor a Deus!

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