Desde
o dia 4 de Janeiro, de 2004 - por força de promulgação da Assembleia Nacional, - que o dia de hoje, passou a ser o primeiro feriado
do ano, com mais forte simbolismo histórico nas maravilhosas Ilhas Verdes do
Equador, destinado a recordar e a homenagear o Rei
Amador, uma das figuras mais emblemáticas da luta pela libertação dos escravos
e do combate à ocupação colonial. Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação, Investigação e análise
4 de Janeiro 2009
4 de Janeiro 2017
Depois deste
feriado, segue-se o 3 de Fevereiro, instituído logo a seguir
à Independência, lembrando os mártires do massacre
do Massacre de Batepá – Em 12 de Julho, é o que assinala as comemorações da
Independência de S. Tomé e Príncipe, com cerimónias que tradicionalmente têm
decorrido na mesma praça onde as duas antigas colónias portuguesas, foram
proclamadas independentes.
Há
oito anos, a efeméride foi então assinalada, com a inauguração de um
busto colocado no jardim do Arquivo Histórico de São Tomé e do lado esquerdo da entrada principal deste edifício: era
então, Presidente da República, Fradique Menezes, o grande entusiasta pela
iniciativa, que foi calorosamente bem acolhida pela população – O
busto passou a ser uma referência na toponímia histórica da cidade santomense:
pois, embora talhado de forma simples, sem o uso de materiais nobres, foi
artisticamente bem moldado e concebido, denotando conter os traços
fisionómicos que, de algum modo, lhe conferissem uma certa matriz fisionómica
do típico santomense adulto e ancestral
NÃO
SE COMPREENDE A RAZÃO PELA QUAL O BUSTO FOI DESVIADO DO LOCAL E ALTERADOS
ALGUNS DOS SEUS TRAÇOS - Será que levou sumiço e trocado por outro?
Em Nov de 2014 - Opiniões de dois santomenses
ATENTADO AO PATRIMÓNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO SANTOMENSE
4 de Janeiro 2017
Nov 2014
Já não
parece o mesmo: de duas uma: ou foi decapitado e levado não se sabe para onde
ou alterados os traços da sua fisionomia, quer na forma do crânio, quer na cor
inicial – Seja de um modo ou de outro, fosse qual fosse o
intuito, não deixa de ser um procedimento de mau gosto, uma vez que
os bustos, depois de colocados no seu pedestal, é para perdurarem no
tempo e não para serem substituídos à mercê dos meros oportunismos e
caprichos políticos de circunstância:
Em
Fernão Dias, havia por lá algo, muito tosco e inacabado, pretendendo perpetuar
a memória dos que ali foram acorrentados e perderam a vida,
no famigerado campo de concentração dos massacres do Batepá, tendo
sido inaugurado, o ano passado, um obelisco à altura de
recordar a tão dramática ocorrência. Porém, este não era o caso –
Mas, pelos vistos, a orientação do poder governativo, atual, é mexer-se em tudo
– O mau é que, mais das vezes, tem sido para deixar ainda pior do que
estava.
MAIS APELO À CONOTAÇÃO POLITICA DE QUE HISTÓRICA – “Rei Amador inspiração para
resolver os problemas do país” - Diz o Ministro da Educação, Cultura e Ciência
4 de Janeiro 2017
S. Tomé Nov 2014
Segundo referem
notícias, a cerimónia, que hoje decorreu, junto ao busto do Rei
Amador, teve como pretexto, servir de inspiração para resolver os problemas do
país. - Declarou, Olinto Daio, que ali foi depositar uma coroa de flores, tendo
afirmado acreditar “que a figura do
Rei Amador e tudo aquilo que este representa para o povo e a cultura
são-tomense pode ser inspiração para a resolução dos problemas que afligem o
país"
(..) «O seu simbolismo pode ajudar-nos a
ultrapassar os obstáculo. Os obstáculos não devem ser oportunidades para
desistirmos dos nossos sonhos. Amador mostrou-nos que é possível, se ele
conseguiu com um grupo de pessoas mudar o status quo, nós também podemos mudar
as coisas», afirma.
Convicção do ministro de um país, que há 40 anos luta para se afirmar
enquanto nação em desenvolvimento. Crises políticas, escândalos financeiros,
projetos que não saem do papel entre outros entraves, teimam em manter o
arquipélago num estágio em que só pode contar com ajudas externas.
A propósito do lendário Rei Amador e da origem do povoamento das Ilhas do Golfo da Guiné, passo a transcrever alguns excertos do que publiquei neste site, há seis anos:
AMADOR - FIGURA INCONTORNÁVEL DO PASSADO
HISTÓRICO DAS ILHAS VERDES DO EQUADOR - - A origem ancestral dos réis e
imperadores não é exclusivamente europeia - Nem foi tão pouco no chamado velho
continente que começou, quando o Egipto já tinha imperadores - SIM, NUM TEMPO
EM QUE, QUASE TODA A EUROPA AINDA VIVIA PRATICAMENTE MERGULHADA NA PENUMBRA PELA ERA DA
PEDRA
A origem ancestral dos réis e
imperadores não é exclusivamente europeia - Nem foi tão pouco no chamado velho
continente que começou - Quando o Egipto já tinha imperadores, AINDA QUASE TODA
A EUROPA VIVIA PRATICAMENTE NA ERA DA PEDRA
Todas as ilhas do Golfo eram habitadas e há muito povoadas. Tinham os seus líderes ou réis - Se, Amador, não era rei(no sentido tradicional do termo), isso pouco importa;fora um grande líder!. E os líderes não surgem sem uma aprendizagem de raiz, desinserida do seu meio.
Cronologia: "1586 - Francisco Figueiredo é o primeiro governador de S. Tomé. Governa sobre a cinza de incêndios feitos pelos "angolares" (...) Aliados aos escravos das fazendas, chegaram a fazer fugir para o Brasil donos de herdades."
Os "angolares" rotulados pelo colonialismo como originários de um naufrágio, "que vindo de Angola deu à costa em uma praia do sueste da ilha, muito antes de 1574" - Outros defendem que foi nas Sete Pedras (aliás, dez ilhotas) então, ali, era mesmo impossível atingir a costa a nado - Quando, afinal, de lá partiram tantos carregamentos - Vindos de vários sítios e das mais diversas etnias - Com certeza que não falavam todos a mesma língua. E porque razão o "angolar" não é um dialecto?...
Se se desse a circunstância de serem provenientes de um simples barco de negreiros (com um índice de moralidade tão alargada), alguma vez seriam capazes de, em tão pouco tempo, se distinguirem dos demais (que também vinham do Congo e de Angola, dos mais diversos lugares da costa) e assumir a liderança?!... -
Mesmo, numa ilha, tão pequena (com uma superfície reduzida a 964 Km, sendo quase 2/3 impenetráveis) - mantiveram-se afastados dos colonos e até do maior grupo étnico?.. - Formando um povo autónomo, com uma identidade própria, que jamais se vergaria ao domínio colonial.
O POVOAMENTO PRIMITIVO DAS ILHAS, DIFICILMENTE PASSARIA DESPERCEBIDO A OUTRAS ETNIAS DO CONTINENTE AFRICANO - PASSADA A NOTICIA, NÃO TARDARIAM A IR NA ESTEIRA OUTROS GRUPOS DE AVENTUREIROS
TANTO OS "ANGOLARES" COMO OS "FORROS"DEVEM TER EM COMUM O MESMO PASSADO ANCESTRAL - EM AMBAS AS ETNIAS, DEVE CORRER SANGUE NAS SUAS VEIAS DOS PRIMEIROS AVENTUREIROS, QUE SE FIZERAM AO MAR.
Além dos "angolares é de admitir a existência de outros grupos étnicos, anteriores à descolonização, que teriam sido completamente desmembrados da sua frágil organização ancestral - Pelo que estou em crer que, entre, os chamados "forros", deverá correr também muito do sangue dos corajosos pioneiros, que ali desembarcaram pela primeira vez - Descendentes dessa gesta heróica, oriundos das praias onde, em tempos recuados, terão partido os seus ancestrais.
A HISTÓRIA É OMISSA - SÓ CONTA A VERSÃO DO COLONIZADOR BRANCO - SEJA COMO FOR, A COSTA AFRICANA, HÁ MUITOS SÉCULOS QUE NÃO ERA UM LITORAL DESCONHECIDO - ASSIM O ATESTAM AS CARTAS QUE PERMANECIAM PERDIDAS NAS PRATELEIRAS DOS ARQUIVOS
OS RELATOS DOS HISTORIADORES SÃO CONTROVERSOS - ALIÁS, NEM PODERIA ESPERAR-SE OUTRA COISA:O Povo era escravo e analfabeto - Pelo que, só a versão colonial ficava para a posteridade, a que convinha: a que enaltecia os feitos dos colonizadores.- Há porém uma certeza incontornável: : AMADOR É HOJE A MAIOR FIGURA HISTÓRICA E LENDÁRIA DAS ILHAS DE S.TOMÉ E PRÍNCIPE – E A VOZ DO POVO, TAL COMO A VOZ DE DEUS, NUNCA SE ENGANA..
SIMPLESMENTE O MITO OU O REBELDE QUE SE AUTO-PROCLAMOU REI –TRANSPARECE UM FACTO INCONTORNÁVEL:Se o Rei Amador ostentava ou não o ceptro à maneira dos réis colonialistas,tal como o concebia o ponto de vista e sectário dos historiadores, súbditos desses mesmos interesses, pois bem, Amador, fora um grande soldado e comandante.As revoltas não foram inventadas: para existirem, tinha de haver alguém a comandá-las, a impor a autoridade e a merecer o respeito e obediência gerais - Ora, tais qualidades, só poderiam advir de quem conhecia os segredos da floresta e já lá estava há muito mais tempo
Embora, com forças em maior número de que os ocupantes, eles, os escravos, comandados por Amador, representavam o lado mais fraco da barricada - Não dispunha das armas dos invasores (talvez só de uns arcos de flechas e zangais) mas tinha a seu lado a voz da razão, uma imensa vontade de libertar o seu povo e os companheiros do mesmo infortúnio e sob a mesma cruel ameaça e opressão.
De facto, sobre o passado do Rei Amador, correm as mais díspares versões - mas, se formos a ver, o mesmo se passa até com os nomes dos "descobridores das Ilhas. Para facilitar as coisas, convencionaram-se datas e foram-se buscar nomes - Sim, convenhamos: alguma vez o colonialismo podia falar de "descobertas" sem apontar os seus heróis?!...
Porém, idêntica sorte não tiveram os milhões de mártires, os heróis que foram brutalmente atirados ao mar ou que morreram sufocados em porões fétidos e acorrentados. Salvo raras excepções, os pobres dos escravos, eram simplesmente relegados para a categoria do Zé Ninguém, dos carne para canhão.
Aliás, tal comportamento também fora extensivo à raia miúda dos colonizadores, sobretudo aos forçados, que para ali iam desterrados a cumprir as suas penas - há quem diga que era a opção que lhe restava para escaparem à pena de morte; mas não creio que todos fossem voluntários – O que passou à posteridade,foram apenas os nomes dos pilotos das caravelas(e nem todos) ou dos barcos negreiros, que se notabilizaram e donatários e governadores – Quem é que hoje aponta um dos milhares de nomes da raia miúda sacrificada?
Fosse o negro mais ousado e temerário, continuaria a ser sempre negro e escravo;aliás, tal mentalidade, ainda ali pude testemunhar, enquanto empregado da roça e já haviam passado alguns séculos sobre as rebeliões de Amador - Acho que, o colonialismo em São Tomé e Príncipe, foi das colónias onde a sua violência mais tempo se perpetuou. Aos escravos (designados, mais tarde, por serviçais), só restava a fuga para o mato.
O colonialismo, moldado e inspirado pelas cruzadas cristãs (cruz numa das mãos e espada na outra), manteve a mesma face, cruel, prepotente e abusadora, da mesma forma, inalterável ao longo dos séculos, tal como, em Roma, se mantiveram os dogmas do Vaticano.
A PRÓPRIA IGREJA - ATRAVÉS DA COMPANHIA DE JESUS - TAMBÉM (ELA PRÓPRIA) SE DEDICAVA AO MESMO HORRENDO MAS LUCRATIVO NEGÓCIO
BREVE CRONOLOGIA:
1600 - A partir desta data, os Jesuítas , que se tinham estabelecido em Angola, concentrarão os seu esforços em Luanda, onde fundarão um colégio.
Paralelamente, envolver-se-ão no comércio de escravos - a Companhia de Jesus dispôs dos seus próprios barcos no Brasil -, alegando que a melhor forma de converter um negro era a sua venda para as plantações da América do Sul, que a Companhia de Jesus igualmente detinha, onde melhor poderiam ser introduzidos na Cristandade.
O ANTROPÓLOGO, HISTORIADOR E SOCIÓLOGO ALEMÃO GERHARD SEIBERT CONSIDERA O REI AMADOR, O LÍDER DA GRANDE REVOLTA DE ESCRAVOS DE 1595, UMA FIGURA EMBLEMÁTICA NA HISTÓRIA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE -
Seibert, que é doutorado em Ciências Sociais, pela Universidade de Leiden e possui a licenciatura em Antropologia Cultural, pela Universidade de Utreque, igualmente na Holanda (entre outros cursos, inclusivamente no seu país) é um dos mais prestigiados especialistas na sua área, já publicou vários estudos sobre África, nomeadamente, sobre São Tomé e Moçambique, é docente na Universidade Nova de Lisboa, tem um vasto currículo, que pode ser consultado em:Karl Gerhard Seibert
GERHARD SEIBERT, DIZ QUE EXISTE UM DOCUMENTO NO VATICANO, QUE FALA DE AMADOR –
“No ano de 1595 um preto da ilha de São-Tomé, chamado Amador, se levantou com os homens da sua cor, e se proclamou Rei da mesma ilha, cometendo os excessos que eram de esperar de uma besta feroz”.
Numa comunicação que fez, em Janeiro último, proferida na CACAU, Gerhard Sibert, dá conta de dois documentos, sobre a revolta dos escravos em 1595, “considerados históricos e fontes primárias, Ambos, na sua opinião, dizem muito pouco sobre a pessoa de Amador - Eis um excerto do que transmitiu:
........... “Não se sabe nada sobre o seu passado nem sobre a sua vida pessoal. Não existe nenhuma gravura ou pintura de Amador. O manuscrito de Rosário Pinto diz apenas que era escravo de Bernardo Vieira, enquanto o documento do Vaticano afirma que o nome do seu dono era Dom Fernando. Segundo Caldeira (2006:73) este nome pode ser uma confusão com o nome do então governador Fernando de Meneses. No início da revolta, Amador auto-proclamou-se “Capitão General de Guerra e Rei nomeado absoluto, com poder de dar liberdades a todos os cativos.”[15] O manuscrito de Rosário Pinto não refere a nenhuma data sobre a morte de Amador, enquanto o documento do Vaticano relata que, depois de ter sido traído e preso, foi executado e esquartejado em 14 de Agosto de 1595.[16]”- O texto completo está acessível em .. Rei Amador, história e mito do líder da revolta de escravos em São
SÓ O FACTO DO NOME DE AMADOR SER REFERENCIADO NO VATICANO, DIZ MUITO - É SINÓNIMO DE QUE NÃO FORA COMPLETAMENTE IGNORADO PELA IGREJA E O PARCEIRO COLONIALISTA - ALGUMA IMPORTÂNCIA TEVE!-
NÃO CONFUNDIR YOAN GATO, COMO AMADOR, DE SEU NOME Bernardo Vieira - Ao qual o colonialismo, terá chamado de Rei Amador, no sentido pejorativo para diminuir a sua memória ou, talvez, como o rei inesperado, vindo do mato, desconhecido dos ocupantes.
Anteriormente, às façanhas do bravo Amador, existiu um não menos valoroso guerreiro - Yoan Gato,porventura nome judaico de Yôḥānān - (em galês é Ioan). Oriundo (creio eu) de mestiçagem das crianças judias, que foram enviadas à força para São Tomé - Estou mais inclinado que tivesse sido ou um desses inconformados seres humanos (já velho e cego, como referem alguns autores) ou então um filho dessa mestiçagem forçada -
Quando Yoan Gato foi morto, se era oriundo das crianças embarcadas naqueles anos, em 1430, teria entre 40 a 50 anos. Ou seja, mesmo diminuído fisicamente, ainda encontrou coragem e forças para se enfrentar os povoadores da cana do açúcar. - E tudo isto, , não muito depois de Álvaro de Caminha, em 1493, ter sido nomeado donatário da ilha de S. Tomé por D. João II -
De recordar que, entre 1492 e 1496, D. João II ordenou o envio de alguns milhares de crianças arrancadas aos seus pais. De tal modo, foi a pretensão do reino em mestiçar e colonizar, que as duas ilhas chegaram a ser apontadas como "um laboratório experimental, no qual se configurou uma miscigenação ético-social jamais vista anteriormente"..DE EXILADOS HISPANO-LUSITANOS À ILHA DE SÃO TOMÉ
NA CRONOLOGIA DA ESCRAVATURA, EXISTE ESTE REGISTO:
1530 - Revolta contra o esclavagismo e os portugueses em S. Tomé. É dirigida por um velho cego (Yoan gato)
1596 - Amador, chefe dos "angolares" de S. Tomé é preso e supliciado á morte. In. Portugal e a Escravatura em África
MELHOR QUALQUER DOCUMENTO COLONIALISTA OU DO VATICANO, É A MEMÓRIA ORAL DE UM POVO - ESSA É INTRÍNSECA, CORRE-LHE NAS SUAS PRÓPRIAS VEIAS.
Em 1964, quando trabalhei na Roça Ribeira Peixe - onde a maioria dos trabalhadores eram "angolares", recordo-me, muito bem, de como se referiam à memória do seu rei.
Se o domínio colonial escravizava aqueles que eram simplesmente mão-de-obra escrava, carne para canhão, maior violência exerceriam sobre aqueles que ousam fomentar e comandar as revoltas: basta recordar as lutas pela independência e os mártires que o regime colonial-fascista enviou para o Tarrafal.
Ao Rei Amador (a que alude o dito documento do Vaticano), pois claro, poupado ao o enforcamento imediato, para não se transformar no herói à frente dos seus homens, causando ainda novas revoltas, sim, pior do que a morte imediata, só o desterro, a humilhação, para ser escravo do Rei - .Se dúvidas existisse, e aí está o documento que as desfaz - Para o deixarem morrer longe da sua ilha, humilhado e num meio que lhe era estranho e hostil. - De um modo ou de outro, ou em São Tomé ou como criado do reino, em Portugal, foi um mártir.
O COLONIALISMO SEMPRE PROCUROU HUMILHAR E ANIQUILAR OS LÍDERES AFRICANOS – FOI O QUE FEZ TAMBÉM COMGungunhana
.
"...em 27 de Dezembro de 1895 quando Mouzinho de Albuquerque aprisionou o régulo Gungunhana, num episódio por demais conhecido em que para o humilhar mandou o poderoso régulo sentar-se no chão, levando-o preso para Lourenço Marques e mais tarde para Lisboa"D.Carlos I-33º Rei de Portugal: Acontecimentos no ano de 1896
OS POVOS AFRICANOS FORAM VÍTIMAS DO COLONIALISMO - MAS TAMBÉM DE LUTAS TRIBAIS, QUE PERSISTEM NA ACTUALIDADE - TODOS OS HABITANTES DAS ILHAS DO GOLFO ENTRONCAM NUM PASSADO COMUM - O DA ORIGEM DA SUA GESTA HERÓICA ATRAVÉS DO GRANDE GOLFO! - Desde a Ilha mais próxima - a de Bioko - até à mais meridional e afastada do grande continente africano.
Na verdade, basta ir ao fundo da história para ver como os "angolares, ao longo dos tempos, reagiram à ocupação colonial, chegando a obrigar o invasor a mudar a capital para a Ilha do Príncipe. E não foi muito depois da ocupação. Tinham o seu rei e a sua organização social e uma língua não crioula .
Ciosos dos seus costume, não se vergaram aos ocupantes da terra, procurando preservar a sua identidade.
Nunca aceitaram, com bons olhos que o branco pudesse servir-se da suas jovens mulheres. Conheci o administrador de uma das principais roças que, de quinze em quinze dias, tinha uma menina (ainda menor) à disposição para lhe tirar o "cabaço". Fazia-o sem o menor pudor e vergonha.
Os "angolares" vivem sobretudo da pesca, nas suas aldeias situadas junto à orla marítima. No meu ponto de vista, eles são os descendentes dos primeiros povoadores da Ilha de São Tomé. Se bem que seja de admitir, como atrás referi, que outras etnias, em vez de uma, igualmente se estabelecessem em São Tomé e nas restantes ilhas, através das suas canoas, sulcando o braço do golfo, que separa as ilhas do continente africano - Por exemplo, no Príncipe, prevalece a etnia Moncó. Em ambas as ilhas, existem também os "tongas", filhos dos serviçais com o forros, ali nascidos - Mas não é de pôr de lado a hipótese do colonialismo ter varrido com as tradições e o passado de outros grupos étnicos.
Ano Bom a ilha mais meridional do Golfo da Guiné, há muitos traços comuns (anatómicos e da própria língua) com o Forro de São Tomé - Na Ilha de Bioko (ex Fernão de Pó), Durante o chamado "reinado do terror", o ditador Francisco Macías Nguema "liderou quase um genocídio da minoria bubi do país, que formavam a maioria na ilha de Bioko e trouxe muitos habitantes de suas próprias tribos, os Fangs para Malabo"
Em São Tomé, resistiram os "Angolares" - O que não significa que, entre os Forros e Mocós, não haja, ainda hoje, muitos descendentes dos primitivos povoadores da canoas, não exclusivamente originários dos navios negreiros, vindos das sucessivas levas de escravos para as plantações, que depois sofreram a aculturação (entre as várias proveniências) e até a mestiçagem dos colonos.A história colonial pretendeu associar a origem dos "Angolares" a um hipotético naufrágio de um barco negreiro, ao largo das Sete Pedras, ao sul de São Tomé. Mas isso é uma criação absolutamente fantasista e destituída de qualquer fundamento histórico.
E, em ambas as ilhas, existem os "tongas", filhos dos serviçais com o forros, ali nascidos - Não é, pois, de excluir a hipótese do colonialismo ter varrido com as tradições e o passado de outros grupos étnicos - Retalhou regiões e dividiu etnias para reinar.
Sei muito bem como é aquele mar,quando ali estive como empregado de mato na Ribeira Peixe. Aquela zona ao sul é muito batida pelo vento. Mar geralmente encapelado e onde abundam muitos tubarões brancos, que são extremamente perigosos - mas não só esses. A nado não teriam quaisquer hipóteses de salvação. E as Sete Pedras (onde os tais compêndios dizem que naufragou o barco negreiro) ainda ficam razoavelmente afastadas.
E, depois, onde é que estava a resistência? de pessoas sub-alimentadas, que eram transportadas, como animais, acorrentadas, em porões fedorentos e atestados, onde mal poderiam respirar?.. -Veja nesta postagem A MATANÇA DOS ESCRAVOS o que, um piloto inglês, fez a um grupo de escravos, que haviam partido de São Tomé para as Américas - mandou-os atirar ao mar! - Sem dó nem piedade
Claro, que os navegadores portugueses, quando desembaraçaram, lá para os lados de Ponta Figo, no recanto de uma pequena enseada Anambó, a noroeste da ilha, despida de areia fina, pedregosa, repleta de gogos e ladeada por luxuriante floresta cerrada, dificilmente iam ser recebidos de braços abertos -
Compreende-se que, ninguém que ali vivesse embrenhado por detrás do denso arvoredo, num sossego talvez milenar e verdadeiramente paradisíaco, se disporia a dar as boas-vindas ou tão pouco a mostrar-se a estranhos! - Que talvez lhes parecessem verdadeiros extra-terrestres.
INVESTIGAÇÃO GENÉTICA DE "FORROS" "ANGOLARES" – DEVIA SER TOMADA EM CONSIDERARÃO MAS NÃO É TRABALHO FÁCIL
Diz um estudo (já elaborado em 2007) pelo Laboratório de Genética Humana da Universidade da Madeira (Portugal), que, o perfil genético nos forros e angolares, etnias mais importantes em São Tomé e Príncipe. Nos forros, a mais antiga etnia, a ascendência europeia é de 17,7 por cento, enquanto nos angolares, composta por descendentes de escravos da costa oeste africana e com maior poder, é de 8,2 por cento., uma vez que segundo a investigadora estes são muito resistentes ao cruzamento com outras populações, sendo os forros mais abertos.
Rita Gonçalves explicou que os "angolares" são muito resistentes ao cruzamento com outras populações, sendo os forros mais abertos
EVIDÊNCIAS INDISCUTÍVEIS
Das costas dos Camarões e até da Nigéria avista-se a Ilha Bioko , da República da Guiné Equatorial, antiga Ilha Fernão de Pó., que tem o Pico Basilé (anteriormente chamado Pico de Santa Isabel), com 3011m de altitude, com continuação na dorsal que se estende pelo continente, que faz parte da Linha vulcânica dos Camarões, .onde desponta o famoso Monte Camaroes, com uma altitude de 4.095 m acima do nível médio do mar . Aliás, todas as Ilhas Golfo da Guiné .são de origem vulcânica e estendem-se no mesmo enfiamento, com cerca de 2000 km de comprimento, incluindo o Monte Camarões, no continente..
......
A ilha de Boko, situada na plataforma continental (baía Bonny ou de Biafra, Golfo da Guiné , fica a 32 Km da costa de Camarões, a uma distância relativamente curta, logo, pois, facilmente, avistável
Havendo mesmo quem defenda que esta ilha "estivesse ligada a África na última era glacial (há cerca de 10 mil anos), o que explica o facto de a sua flora ser muito similar à do continente "Tomé e Príncipe - Fauna e Flora.
A ser verdade, significaria que o povoamento, nessa ilha, poderia confundir-se com as movimentações de antigos grupos étnicos nessa região. Porém, outros estudiosos, actualmente, já aceitam,(o que aliás se infere na própria cartografia antiga) que a"colonização humana da ilha vem dos séculos V-VI, aproximadamente, de pequenos embarques a partir de vários pontos ao longo da costa do golfo" - Ou seja, desde que os cartagineses ali teriam chegado, na célebre expedição ao longo da costa da África por Hanno no final do século VI aC
É minha convicção de que o início do povoamento (em todas as ilhas) nada tem a ver com navegações exteriores à própria África - Tenho essa ideia desde há 40 anos.As canoas vão a todo o lado. O Golfo da Guiné há muito que era percorrido por enormes canoas. As que eu vi na costa nigeriana, maravilharam-me: pela sua perfeição e tamanho.
Nas zonas costeiras tropicais ou equatoriais constroem-se pirogas em grandes troncos de árvores que nada ficam a dever, em segurança, aos veleiros da actualidade. O alemãoHannes Lindemann -nos anos 50, atravessou o Atlântico, de Las Palmas às Antilhas (Saint-Coix), a bordo de uma piroga construída na Libéria.E, na Idade Média, deu à costa espanhola, "um homem vermelho e estranho" num "tronco de árvore", que se supõem ter sido o primeiro homem a fazer a travessia sozinho de América para o velho continente. O facto é referido por Jean Merrien no seu livro "Os Navegadores Solitários"
OS VOOS DAS MIGRAÇÕES DAS AVES E O AVISTAMENTO DAS ILHAS OU DA COSTA
O primeiro sinal, a quem está no alto mar, de que se aproxima de terra é-lhe dado pelas aves. Há aves que passam a vida nos mares e só se aproximam do litoral, quando vão nidificar. Pousam nos destroços e flutuam sobre as ondas: algumas chegaram a pernoitar na minha canoa. Há outras, porém, que vão de manhã e regressam ao fim do dia. E percorrem grandes distâncias.
(com os pescadores na Praia Gambôa)
Constatei esse facto na aproximação à Ilha do Príncipe: foi a direcção dos seus voos que me deu a primeira indicação, que me estaria aproximar de terra - Naturalmente, que as populações que vivem junto às áreas costeiras - e então em zonas onde o equilíbrio ecológico não tenha sido ofendido ou quebrado o elo e a tranquilidade com natureza, mais se dão conta desse fenómeno. Julgo que essas observações não passaram despercebidas aos antigos povos daquela região: ou para se dirigirem a terra ou para saberem onde é que se erguiam as ilhas.
Por outro lado, da Ilha de Bioko, depois de um tornado, quando o céu fica limpo e dos pontos altos, avista -se a Ilha do Príncipe. E, igualmente, das partes mais altas desta ilha, e com tempo limpo, a Ilha de São Tomé. De resto, as ilhas elevam-se como presépios erguidos aos céus. O que significa que a sua existência, acabaria por ser do conhecimento das populações autóctones ribeirinhas
.
As ilhas sempre exerceram, em todos os povos, um natural e irresistível fascínio. Não se julgue que os africanos, lá por viverem em perfeita comunhão com a natureza e o seu meio, eram seres inferiores e que iam ficar insensíveis à sua majestosa atracção e encanto. A pensar-se assim, seria pois, mais um preconceito, igual a tantos outros, com que os europeus (usando a força das armas) os escravizaram ao longo de quase cinco séculos" 21/12/2011 Excerto de são tomé e príncipe - ilhas asben e sanam, povoadas por canoas .
«A POLITICA PORTUGUESA FACE AO “REINO ANGOLAR DE S. TOMÉ»
Num
extenso artigo publicado, no Diário de Notícias, em 1992, o escritor e poeta
santomense, descendente da família do
último Rei dos Angolares, referindo-se ao “reino angolar” e ao Rei Amador, a dado passo, escrevia o seguinte: “ Calcula-se
que por volta de 1540, cerca de 70 anos após a descoberta da Ilha, naufragou
junto das Sete Pedras, um navio transportando cativos destinados a serem
vendidos como escravos.
Esta
gente (….) foram estabelecendo os seus quilombos pelas encostas sempre verdes
que bordejam a formosa Angra de S. João, na parte meridional da ilha., onde os
colonos não haviam chegado. Vivendo de uma actividade meramente recolectora ou da pesca, haviam aberto
muitos mais estreitos caminhos pelas serranias, criando o seu “habitat”
próprio, multiplicando o seu número graças à extraordinária fecundidade das
suas mulheres.
Os
portugueses só deles tiveram conhecimento em 1574, ano em que os angolares atacaram e saquearam diversos engenhos de açúcar.
Segundo alguns cronistas as hostilidades cometidas por aquele povo forçaram os
colonos a transferir-se com casas e cabedais do estabelecimento no Brasil, que
começava a ter a forma de estabelecimento regular. Parece portanto que os
portugueses não só foram colhidos de surpresa, por julgarem a ilha desabitada,
como não estavam militarmente preparados para desencadear uma acção punitiva
que silenciasse os inesperados agressores, pois só cento e vinte anos mais
tarde, veio a ser organizada uma ofensiva em profundidade.
(…)
Alguns historiadores consideram que “ a guerra do mato” teria durado 120 anos ,
desde o primeiro ataque dos angolares até à expedição punitiva ordenada pelo capitão-general
Ambrósio Pereira de Berredo e Castro. Não resta dúvida de que, durante esse
período ocorreram assaltos dos angolares, mas não parece conformar-se ter havido “uma guerra do
mato” tendo por objectivo a ocupação do território dos revoltosos . Embora o
Bispo de S. Tomé, D. Martinho de Ulhoa, se refira numa carta de 1564, à
revolta dos negros do mato, só em Março de 1591, é concedido ao capitão da ilha
um alvará permitindo aos condenados que quisessem participar na “guerra do mato”
a comutação de pena em serviço militar. Mas a representação dos negros do mato,
com vista à sua completa extinção,
apenas parece referida em 1593, no requerimento do capitão Vasco de Carvalho de
Sousa, entendendo-se que deveria ser estabelecida uma táctica conveniente para
o efeito. Não havendo reflexos práticos desta orientação, pois apenas em 1693,
perante um novo ataque dos angolares às fazendas próximas para roubarem mulheres,
foi finalmente ordenado um ataque em profundidade, levado a afeito com êxito ,
pelo “capitão-mor-dos-matos”, Mateus Pires. Este êxito não se traduziu ,
todavia, numa ocupação do território angolar. Um acordo parece ter sido
estabelecido, pois o capitão dos “matos” retirou-se com as suas tropas e alguns
prisioneiros. Daí em diante cessou a agressividade dos angolares, que, a partir
de então, estabeleceram relações
comerciais com os Portugueses, embora mantendo a sua estrutura sociopolítica em
território não contestado. Durante quase dois séculos os angolares viveram pacificamente “ exportando” madeiras ,
criando porcos e cultivando bananeiras mantendo-se numa coexistência pacifica mutuamente
consentida.
(…)
A partir de então o seu rei recebeu a patente de “capitão dos angolares”,
ficando responsável pela autoridade e pela ordem perante o rei de Portugal. Ora o governador
de então, Ambrósio Pereira de Berredo e
Castro, que tinha o titulo de capitão-general, trataou o chefe angolar com honra semelhante, reconhecendo o poder
que aquele já tinha: o de ser responsável perante o seu próprio povo pela
manutenção da ordem nos seus
territórios.
Salvo,
evidentemente, as devidas proporções, a atitude desse governador, tido por
homem benigno, honrado e muito interessado no “bem público e melhoria da sorte
dos povos”, tem certas semelhanças com a posição dos portugueses em relação ao
reino do congo. Após a descoberta da região do Zaire, os monarcas lusitanos
trataram o Manicongo como” irmão real”,
respeitando-lhe a autoridade e domínios.
(…)
Reconhecida assim ao chefe angolar esta paridade
hierárquica pôde aquele povo viver autonomamente
durante 185 anos, dispondo de organização política própria servida por
respeitadas personalidades que
envergavam vestimentas militares especiais de acordo com as patetes atribuídas
pelo seu incontestado rei” – Excerto do poeta e escritor santomense, Ferreira
da Costa, sob o título A política portuguesa, face ao “reino angolar” de S.
Tomé
DE
SEGUIDA – ALGUNS EXCERTOS DE OUTRO TRABALHO ACERCA DA MINHA INVESTIGAÇÃO SOBRE O
POVOAMENTO DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE
Comunicação feita pelo Prof Doutor Armando Cortesão - no Grupo de Estudos de História Marítima, Lisboa, em 15 de Maio de 1970.
"Todos os historiadores que se ocupam do «descobrimento das ilhas de S. Tomé e Príncipe» concluem que não se sabe ao certo quem foram os descobridores nem a data da descoberta; parece que ninguém se sente à vontade ao tratar do assunto - o que quase sempre acontece com o descobrimento das ilhas da parte oriental do Atlântico."
Pormenores mais à frente
Descobrimentos
de S. Tomé e Príncipe – “Não se sabe ao certo quem foram os descobridores nem a
data da descoberta” A resposta poderá estar numa antiga inscrição gravada numa
rocha, situada na orla marítima “Bien Faire” (Bem Fazer) a famosa
divisa do Infante D. Henrique - Ministério da Educação, Cultura e Ciência
de STP, interessado em estudar o achado Descoberta de antiga inscrição
numa pedra, na orla marítima, que poderá ter sido feita por
navegadores portugueses das caravelas, atendendo às excelentes condições de
aportagem do local - Outros achados em pedra poderão também relançar a
origem do povoamento ancestral da Ilha através de canoas ou por outras
embarcações – “Angolares” os temários do mar, vindos nas suas
canoas do sul do Reino do Congo?
Fra Mauro - 1459
A pedra foi encontrada por mim e pelo santomense Cosme Pires dos Santos, em Agosto, do ano passado. num dia em que, ambos, percorremos, várias áreas da orla marítima, com o objetivo de encontramos eventuais vestígios arqueológicos – Tanto anteriores à colonização, como a partir desse período.
O referido achado, que na altura me deixou bastante intrigado, por se tratar de uma inscrição antiga mas com letras do nosso alfabeto, só passou a dar-me algumas pistas da sua origem, quando, ao ler, um estudo de Armando Cortesão, ali se faz referência à divisa do Infante
Daí admitir poder tratar-se de uma antiga inscrição (parcial), da divisa do Infante D. Henrique, atual divisa da Escola Naval “TALANT DE BIEN FAIRE” –– A pedra, em basalto, já está muito esboroada e desgastada, faltam-lhe alguns pedaços, pelo que, a inscrição, já não está completa – Mas, atendendo ao aspeto antigo da inscrição, depreende-se que seja a celebre divisa do Infante Dom Henrique - De momento, achou-se prudente não identificar publicamente o local.
O ACHADO HISTÓRICO QUE FALTAVA -
Pedra de Dighton
Quando os primeiros navegadores portugueses chegavam a uma terra até então desconhecida costumavam gravar nalguma grande árvore ou pedra «este motto do Infante, Talent de Bien Faire» diz Armando Cortesão – –– Depois de um antiga espada e um antigo punhal, eis alguns carateres da famosa divisa do Infante D. Henrique - Não é a lendária “Pedra de Dighton”, com inscrições atribuídas a Corte Real, nas costas da Nova Inglaterra, em 1511, mas poderá vir a sê-lo no futuro.
-
A DIVISA DO INFANTE GRAVADA PELOS NAVEGADORES PORTUGUESES NO TRONCO DAS ÁRVORES OU NAS ROCHAS
Como é reconhecido, a tendência do homem deixar sinais da sua presença, através de gravuras ou outro tipo de inscrições, é tão velha, como a natureza humana - Os animais (cães e lobos) urinam junto das árvores ou pedras para ali marcarem o seu território – No fundo, é uma tendência dir-se-ia instintiva da preservação da espécie
A ideia de que, os portugueses, levantavam padrões, nas terras que descobriam, tal não corresponde inteiramente à verdade – Esses marcos, vieram posteriormente às descobertas e ao inicio da colonização - Eles usavam outras formas mais simples para indicarem a sua passagem: inscrições nos troncos de árvores ou nas rochas
Quando se aborda esta questão apenas se faz alusão a árvores, esquecendo-se de que a gravação numa pedra – tal é o caso da famosa pedra de Corte Real, - é bem mais duradoura.
"Desde as primeiras expedições dos catalães e portugueses, tinham os navegantes o costume de gravar os seus nomes em árvores, destacando as espécies baobá (Adansônia digitata) e a dracena (Dracaena draco), que, obviamente, não é o conhecido arbusto ornamental. Nem sempre o faziam por veleidade ou vão desejo de glória; muitas vezes a inscrição era para eles uma espécie de marco, algo como um símbolo de posse, um meio de assegurar à sua pátria os direitos de primeiro colonizador. Os navegantes portugueses escolheram, com freqüência, para este fim, a bela divisa do infante D. Henrique, duque de Vizeu: Talent de bien faireb.as inscrições feitas nas cascas das árvores
"A História das Navegações Portuguesas tem pecado por ter sido escrita, por vezes, por quem desconhecia Arte Náutica - dizia Sacadura Cabral (…) por estranhos às «coisas do mar» como eram quase sempre, cronistas e historiadores . Incapazes de se imaginarem a navegando dentro dos navios antigos. Eles fiavam-se nas versões que corriam, contadas por mareantes românticos, que acrescentavam um «ponto» ao seu «conto». -
TALANT DE BIEN FAIRE quer dizer talante, desejo ou vontade de bem fazer, e exorta um esforço pessoal de perfeição. Não tem nada a ver com a corrupção que, por facilidade, se dá à palavra “talant”, substituindo-a por “talent”, cujo sentido apontaria para uma qualidade própria intrínseca e independente da vontade ou do esforço de quem a possui. Divisa - Talant de Bien Faire - Escola Naval - Marinha
DESCOBERTAS DE GRAVURAS RUPESTRES E UMA ESPADA E UM PUNHAL, ANTIGOS – EM ANAMBÓ – JUNTO AO PADRÃO DOS DESCOBRIMENTOS – ACHADOS DE INTERESSE ARQUEOLÓGICO
Não sendo arqueólogo, estou, desde há vários anos, ligado à descoberta dos calendários pré-históricos dos Tambores, nos arredores da minha aldeia, cujas imagens já correram mundo. Além disso, jána década de noventa, contribuí para descoberta de algumas gravuras rupestres do Vale do Côa -Isto para já não falar das várias travessias solitárias que empreendi em frágeis pirogas para comprovar a possibilidade do povoamento inicial ter sido realizado por canoas, à semelhança das remotas ilhas do Pacífico
Ao longo da costa africana, já haviam navegado fenícios e árabes e o Infante D. Henrique, estava bem informado. A história nem sempre é um relato fidedigno dos factos. "Se o Infante D. Henrique e os dirigentes portugueses que se lhe seguiram proibiram a venda de caravelas ao estrangeiro, mandava a lógica que se opusessem igualmente à saída de capitães, pilotos, cosmógrafos(...) e com eles dos roteiros para as novas terras, das cartas de marear e de tudo que ensinasse a nova ciência da posição e da direcção do navio e, mais que tudo, da do sol ao meio dia." - In "DÚVIDAS E CERTEZAS NA HISTÓRIA DOS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES" Luís de Albuquerque
Não haja, pois, ilusões, quando o Infante D. Henrique fundou a Escola de Sagres, ele já tinha recolhido abundante informação de uma grande parte da costa de África: pelo menos, até ao Golfo da Guiné.
NÃO ESTÁ PROVADO QUE, ANAMBÓ, TIVESSE SIDO O LOCAL ONDE DESEMBARCARAM PELA PRIMEIRA VEZ OS NAVEGADORES PORTUGUESES – NEM SE SABE ONDE TERÁ SIDO – MAS FOI AQUI QUE A COLONIZAÇÃO COMEÇOU
Em virtude de contrariedades ou vicissitudes de vária ordem, somente, anos mais tarde, após o primeiro desembarque dos navegadores portugueses, em 1493, as ilhas começaram a ser colonizadas a partir de um local a que chamaram de Água-Boa, que, com o tempo passou a ser designado Água-Ambó, por ali passar uma ribeira de água potável e de fácil acostagem, embora povoado por uma orla pedregosa e sem areia, mas que se estendia por uma superfície plana, das poucas existentes na costa voltada a norte e noroeste -Mais tarde mudaram-se para a Baía Ana de Chaves, formando ali uma pequena povoação, com aproveitamento das terras vizinhas, justamente onde se situa actualmente a cidade de S. Tomé
NAQUELA ÉPOCA A PALAVRA DESCOBRIR, SIGNIFICAVA EXPLORAR O QUE JÁ ERA CONHECIDO
Não há certezas quanto à data exata da descoberta das ilhas - Diz Luís de Albuquerque: Sabe-se por exemplo que João de Santarém, Pêro Escobar, Fernão do Pó, Lopo Gonçalves e Rui Sequeira estiveram ao serviço de Fernão Gomes. Mas não há registos que nos permitam dizer com segurança qual deles, em que ano, descobriu o quê." - Admite-se, no entanto, que, a Ilha de S. Tomé, teria sido descoberta em 21 de Dezembro de 1471, e, um ano depois, em 17 de Janeiro, a Ilha do Príncipe – Por outro lado, também já, o Almirante Gago Coutinho, em “A Náutica dos Descobrimentos, aludia à palavra “descobrir”, acerca dos “factos náuticos que procederam à Viagem de ´Álvares Cabral, ao Brasil, citando o livro “Esmeraldo”, referindo que naquela época, a palavra descobrir, tem o sentido de explorar uma costa que já fora achada antes de 1948”, de “uma exploração, confiada a Duarte Pacheco.
Coronel Victor Monteiro - Gravuras rupestres
De um modo geral, salvo os historiadores, que não se limitam a transcrever a tese oficial colonial, que entendeu, arrumar factos históricos ao seu jeito, “todos os historiadores que se ocupam do «descobrimento das ilhas de S. Tomé e Príncipe» concluem que não se sabe ao certo quem foram os descobridores nem a data da descoberta; parece que ninguém se sente à vontade ao tratar do assunto - o que quase sempre acontece com o descobrimento das ilhas da parte oriental do Atlântico. – Diz Armando Cortesão em “Descobrimento e Cartografia das Ilhas de S. Tomé e Príncipe
“Convém notar”- refere o mesmo investigador - “ que desde já e sempre que se aborde tão delicado e controverso assunto, qual o significado a dar à palavra descobrimento, quando se trata de novas terras e em especial no século XV. Já vários historiadores se têm referido ao problema e dele me ocupo mais de espaço no vol. III da minha História da Cartografia Portuguesa, que estou a escrever e cujo vol. II (…)”
“A meu ver as palavras descobrimento e suas derivadas de princípio significavam que a terra respectiva foi reconhecida, provavelmente redescoberta, tornando-se conhecida de todo o Mundo, estabelecendo-se entre ela e a Europa relações normais, isto é, viagens frequentes, povoamento, colonização, relações comerciais, etc. É aquilo a que se pode chamar descobrimento oficial, como sugeriu o saudoso Com. Fontoura da Costa. - Excerto 04/03/2016Descobrimentos de S. Tomé e Príncipe - odisseias nos mares e terras
ESPANTO E INCREDULIDADE AOS FAMILIARES QUE ALI FORAM DEPOSITAR UMA COROA DE
FLORES - Os familiares que acompanhámos guardam pelos
resultados da autópsia mas para já pareceu-nos não excluírem as mais díspares
ilações
Uma das encostas do Monte Abraão - com subidas ou descidas que requerem
esforço, pouco aconselháveis a cardíacos
o
Estando tão diminuído fisicamente, custa-lhes
acreditar que, por sua vontade própria, tivesse subido aquela colina do
Monte Abraão e depois ter ainda entrado naquele tão cerrado e
agreste mato - A fazer o que?... Fazer as necessidades fisiológicas?...E
depois, , devido a quebra de tensão e outras complicações cardíacas, ter ali
desfalecido?!... É uma hipótese, que também questionamos. De facto,
há um pequeno carreiro que sai de um caminho público; só que, onde o corpo foi
encontrado, é mata densa, não é clareira, pelo que esta probabilidade, acaba
por não ter consistência.
Coroa de flores depositada por familiares na tarde do dia 9
Vimos que o sentimento era realmente de profunda consternação, de pasmo e choque,
quando chegaram ao sitio onde o corpo havia sido encontrado no passado dia 3, em
avançado estado de decomposição, um mês depois de ter saído da casa de seu
irmão, a 4 de Novembro, num dos bairros de Monte Abraão Quem trazia a coroa de flores na mão, que era
um dos filhos que veio propositadamente de S. Tomé, ficou como que
paralisado, quase em pose de estátua,
com os olhos rasos de lágrimas,
incredulamente debruçado sobre as ervas, a mancha escura e os vestígios onde o corpo
ficara estendido, completamente exposto
à agressividade das condições
atmosféricas e no meio daquele espesso carrasqueiral – Vimos que lhes custava a
acreditar que, Armindo Aguiar, ali tenha ido com o seu próprio pé.
Ao fim da tarde do dia 8,
foi depositada uma coroa de flores por familiares de Armindo Vaz Rodrigues
Aguiar, de 69 anos de idade, que nos telefonaram para os acompanharmos ao
local, onde o corpo foi encontrado, pedido este a que naturalmente nos
prontificamos, sem a menor hesitação. Porém, o que vimos nos rostos que
acompanhávamos, foi realmente a imagem de um grande choque, de um profundo
desalento e da incredulidade - Não querendo acreditar que ele - caminhando tão
devagarinho e com os seus problemas
físicos nas pernas - , pudesse subir
aquele monte e depois ter entrado para o
interior daqueles densos e espinhosos
arbustos, em local ermo, num mato espesso e tão agreste, cheio de cardos e de
paus cruzados e afiadíssimos, devido a
vestígios de antigos incêndios, sim, e ali
ter acabado os seus dias de forma tão insólita, abandonada e silenciosa.
Os restos das fitas com que fora isolado o acesso ao local
Pudemos testemunhar, realmente,
momentos de uma profunda tristeza, estupefação e pesar, de um angustiante e
doloroso silêncio, mas sobretudo de dúvida e incredulidade – E, se não fossem
os dois pares de luvas, que ali ainda encontravam e as fitas cortadas da policia,
à entrada do local, dificilmente podiam admitir que, as autoridades, dali
tivessem retirado o corpo de Armindo Aguiar- Que alguma vez ele para ali se tivesse dirigido por sua livre vontade.
SÓ QUANDO SE REZOU UM "PAI NOSSO" É QUE SE QUEBROU ALGUM SILÊNCIO
Mudez, visível sofrimento e silenciosa comoção em cada um dos rostos . Era das tais circunstâncias em
que o coração pulsa tanto que emudece a voz . Questionávamos com algumas
perguntas mas ninguém respondia. Senão
meras expressões, de “não pode ser, meu Deus”!... "Ele não pode ter vindo para aqui sozinho!" - Para aliviar tão manifesto impasse, sugerimos para que fosse rezado
uma Pai Nosso pela sua alma – Só então
se ouviram palavras de sentida e
religiosa reflexão, com lágrimas a
toldarem os olhos e a correrem pelas faces, sim, ante tão solitário, ermo e
agreste mato envolvente - Eram três
pessoas: um dos filhos, jovem empresário em S. Tomé, uma senhora, na casa dos
cinquenta anos e mais um jovem, estudante universitário, ambos primos do filho,
que ali se deslocara. – O filho, durante
o regresso, remetera-se igualmente a um profundo silêncio: não disse uma única
apalavra.
GOVERNO SANTOMENSE DEVIA PROMOVER A TRANSLADAÇÃO DO CORPO PARA A SUA PÁTRIA MAS DIFICILMENTE O FARÁ PORQUE O DINHEIRO SÓ DÁ PARA AS PASSEATAS Ao menos que lhe sejam propiciado um funeral condigo, seja publico ou privado - Mas, tratando-se de um dirigente politico, de uma figura histórica, devia ser transladado para S. Tomé e ter um funeral com honras nacionais - Mas, dificilmente, o atual Governo terá a humildade e a generosidade de promover essa transladação - No entanto, estando atualmente, em Portugal, o Sr. Primeiro-ministro, a passar mais uns dias de férias com a esposa, que pelo menos de digne ir ao funeral.
PERDA INCONSOLÁVEL
PARA O RESTO DAS VIDAS DOS SEUS ENTES QUERIDOS - UM DOS FILHOS - O QUE VEIO DE S. TOMÉ - ESTEVE NO LOCAL - ELE É QUE NOS CONTACTOU
Um dos familiares - o filho que viera de S. Tomé - declarou-nos que, ao ser
alertado da estranha ocorrência, de imediato procurou apanhar o primeiro avião - Não o tendo conseguido logo, visto ter a lotação esgotada. Porém, ao chegar a Portugal, disse-nos que não
mais teve um minuto de tranquilidade - Alugou uma viatura, tendo percorrido,
nas suas diligências, alguns milhares de quilómetros, numa busca incessante,
mal dormindo
Dirigiu-se a uma esquadra da PSP,
daquela área, dando-lhe conhecimento da ocorrência - Depois também foi à
Embaixada de STP, tendo esta enviado comunicados para várias associações. -
HÁ UM MISTÉRIO PROFUNDO EM VOLTA DO SEU DESAPARECIMENTO -EIS O QUE AQUI POSTAMOS,
DIA 8 - APÓS A NOSSA NOTÍCIA A 11 DE NOV
Finalmente, quase um mês depois, apareceu o cadáver do cidadão santomense, Armindo Vaz Rodrigues Aguiar, de 69 anos de idade, distinto professor universitário e antigo dirigente do PCD, que veio para Portugal, em 19 de Março do corrente ano, para tratamento médico hospitalar, ao abrigo do Acordo de Cooperação Bilateral, e, que, desde o passado dia 4 de Novembro, não mais voltara à residência, onde estava alojado, muito perto do local, onde o seu corpo foi agora encontrado
.Estivemos lá ontem, dia 7 de Novembro, precisamente no sítio onde o seu
corpo havia sido encontrado por um morador daquela zona, entre as onze e o meio-dia de domingo, dia 3, quando ali
passeava com o seu cão ou andava por ali à caça, uma vez que a mesma é autorizada nesse dia e às quinta-feiras, tendo dado imediato conhecimento às autoridades.
Na página do Facebook, temos recebido vários comentários, nomeadamente sobre as estranhíssimas condições em que apareceu o seu, inevitavelmente, o que nos leva a colocar esta pergunta: como é que um cadáver aparece num sítio tão agreste ede mato cerrado? .. Naturalmente que só as conclusões cientificas da autópsia, poderão contribuir para a formulação de alguma resposta
Armindo Aguiar: "Vivo ou morto ou homem tem que aparecer” – Confessava-se-nos, no passado dia 1 de Novembro, um parente do falecido, que vive em Londres - Afinal, o corpo apareceria dois dias depois, mas já morto, domingo dia 3, por volta do meio dia, em avançado estado de decomposição, ladeado por um par de sapatos, nas mais estranhíssimas condições, no meio de um espesso silvado do Monte Abraão, relativamente próximo da casa do irmão materno - Mesmo que, o inditoso Armindo Aguiar, tivesse perdido a memória, por manifesta desorientação, devido a eventual perturbação psicológica ou de uma outra qualquer doença, como chegou aventar-se, não ia subir a encosta limpa e desmatada e depois desejar infiltrar-se num mato espesso, cheio de espinhos das carrasqueiras - No entanto, há uma outra hipótese, que nos parece plausível - Veja porquê:-
Na realidade, o cabeço do Monte Abraão, no topo da colina e algumas quebradas, é uma área apelativa ao veraneio e à contemplação, um lugar histórico, com uma das antas mais antigas da Península Ibérica, donde se desfruta uma impressionante paisagem, muito frequentada pelos amantes da natureza - E, num eventual passeio àquela área, por parte de Armindo Aguiar, dado morar ali relativamente perto, às tantas ter sentido necessidade de "ir ao mato", e, depois, ao querer erguer-se ter tido uma paragem cardíaca e já não ter tido forças para se levantar - E, tanto quanto apurámos, os prognósticos médicos, aconselhavam-no a seguir cuidadosa e atenta disciplina na medicação, o que parece que nem sempre terá lavado à risca - Mas é prematuro fazer qualquer juízo, senão discorrer e questionar.
Este o trilho que Armindo.Aguiar tomou e não mais voltou
Na verdade, existe um pequeno carreiro que conduz até ao silvado onde foi localizado o corpo, que supusemos ter sido aberto na altura da remoção do cadáver. Porém, analisando melhor o filme posteriormente, parece que já existia - Mas o que também nos deixa bastante intrigado é que,se fosse para ali fazer as necessidades, ele não tinha espaço para o fazer, visto não se tratar de nenhuma clareira mas de espesso matagal
FUNERAL PODERÁ SER SEGUNDA OU TERÇA-FEIRA PARA O CEMITÉRIO DE BENFICA
Dr. Paulo Marques - morador em Monte Aragão . surpreendido
A autopsia já foi realizada pelo Instituto de Medicina Legal, que colocou a corpo à disposição dos familiares, desde terça-feira - segundo a informação que nos foram prestadas por este Instituto, não tendo fornecido mais detalhes. os quais ficarão a cargo da secção de Homicídios da PJ.
No telefonema, que fizemos para Leonel Aguiar, dando-lhe conhecimento desta informação, disse-nos que era intenção da família, tornar pública a marcação do funeral. - Estando à espera de alguns acertos com a Agência funerária, admitindo que o mesmo se realize na próxima segunda ou terça-feira para o cemitério de Benfica - . CADÁVER DESFIGURADO - IDENTIFICAÇÃO ATRAVÉS DO VESTUÁRIO E DOCUMENTOS NOS BOLSOS DO CADÁVER
Segundo o que pudemos apurar, o reconhecimento inicial, só foi possível através do vestuário e, pelo que depreendemos, por alguns documentos pessoais, que estariam nos bolsos. - A investigação, que começou por estar a cargo da Brigada de Desaparecidos da Polícia Judiciária de Lisboa, transitou para a secção dehomicídios da mesma instituição policial, que procederá às necessárias investigações, nomeadamente com o recurso aos resultados científicos daautopsia
Soubemos, também, por fonte da
investigação, que a área silvestre, onde o corpo foi localizado,
já havia sido batida por elementos da investigação policial,
recorrendo a cães das brigadas, porém, as condições atmosféricas,
nomeadamente, as chuvas que se têm feito sentir, terão dificultado as operações
de busca.
LUVAS BRANCAS NO SITIO ONDE O CORPO FOI REMOVIDO E AINDA AS FITAS COM QUE A POLICIA VEDOU O ACESSO AO LOCAL .
Sítio onde o corpo foi encontrado
Esta era a questão, que colocara neste site, no passado dia 11 de Novembro, que ainda continua a colocar-se: - O que terá acontecido à vida do político e cidadão santomense, Armindo Vaz Rodrigues Aguiar, que, se deslocara a Portugal por razoes de saúde e que, desde o passado dia 4, nunca mais foi visto, em Monte Aragão, onde residia, esta é a angustiosa e perturbadora interrogação que prevalece no espírito, quer de familiares e amigos, como na população em S. Tomé e Príncipe, atendendo ao seu notável currículo intelectual e político., às gerais simpatias e admiração, de que goza no seu país.
Contactamos o jornal Correio da Manhã e o Publico, mas nenhum destes jornais deu qualquer noticia acerca do seu desaparecimento - À media portuguesa, comprometida, não lhes interessa dar noticias negativas. - Entretanto, soubemos, que na passada, segunda.feira, o CM dera uma pequena noticia, referindo que tinha aparecido um corpo, em estado avançado de decomposição, no Monte Abraão, tendo ao seu lado um par de sapatos - Mas sem adiantar mais pormenores. Por seu turno, a imprensa santomense (rádio e televisão) ignorou as preocupações dos familiares e só agora deu a noticia da sua mort
No local, e para nosso maior espanto,
além da mancha, perfeitamente visível onde o cadáver esteve estendido e dos
arbustos, recentemente derrubados para remoção do mesmo, ainda se
encontravam dois pares de uvas de plástico entre as ervas,
Um dos caminhos ao lado onde o cadáver foi encontrado
Porém, cremos que bem mais chocante teria sido a imagem, que se
deparara aos olhos, para quem visse o horrível achado:
ou seja, um corpo putrefacto e desfigurado, por entre aquele cenário
de uma espessa floresta de arbustos mais queimados de que verdes.
Realmente, embora não sendo perito
em criminologia, colocou-se-nos, no entanto, imediatamente ao espírito, esta pergunta – e até ao jovem morador, que ali me acompanhou, com o
seu cãozinho: e nestes termos: como é que um cadáver
aparece num sítio tão agreste, ermo e de mato cerrado?...Naturalmente que as conclusões da autopsia e outras investigações periciais, poderão dar alguma tresposta - Se bem que, mesmo assim, dadas as condições solitárias em que o corpo ali foi encontrado, dificilmente algum dia encontrarão a desejável resposta - E permanecerão sempre no domínio dos mistérios, que tanto envolvem os caminhos da vida como da morte - Todavia, tratando-se de um dirigente politico, de uma figura pública, o povo santomense exige ser informado e esclarecido.
O CORPO JÁ FOI AUTOPSIADO E PODE SER RECLAMADO QUANDO A FAMÍLIA O QUISER SEPULTAR OU TRANSLADAR PARA A SUA PÁTRIA
Foi neste mato do lado direito
É sabido que, os grandes homens, regidos por bons princípios, as pessoas sensíveis, generosas e sérias, nem sempre são facilmente compreendidas, tanto por aqueles que lhe estão próximos, como por outras pessoas - Pelos vistos, terá sido a sina de Armindo Aguiar:
Armindo Rodrigues, uma voz corajosa e frontal, com certeza que não deixaria de sentir, com angustiosa preocupação, o nepotismo e o desnorte, que marca a atual governação do seu país terão naturalmente contribuído para fragilizar ainda mais a sua saúde.
Em 10
de Junho de 2013 - O
partido da convergência democrática, liderado Armindo Aguiar, esteve na Procuradoria Geral da República,,
para processar criminalmente o ex-Primeiro Ministro Patrice Trovoada, por
lavagem de dinheiro. O recibo de transferência em dinheiro vivo de 624 mil e
600 euros, publicado pelo Téla Nón é um dos elementos de prova apresentado pelo
PCD. - Armindo Aguiar e Edite Salvaterra, são os
dois membros da direcção do partido PCD, que foram entregar a queixa crime
movida contra o ex-Primeiro ministro Patrice Trovoada. https://www.telanon.info/politica/2013/06/10/13461/pcd-avancou-com-queixa-crime-contra-patrice-trovoada/
Diz-nos um parente, que vive em Londres, com quem dialoguei dois dias antes do aparecimento do cadáver: "Tanto é que vivia na casa de uma sobrinha salvo o erro.. com filhos em Lisboa" Sim, na casa do seu irmão materno
Uma das duas luvas deixadas pela remoção do cadáver
De recordar, que, Armindo Aguiar, é possuidor de um notável currículo académico e politico, pois, além de ter sido um dos ativistas da Associação Cívica Pró-MLSTP, é também um dos fundadores e, atualmente, membro da Comissão Política do PCD. – Professor de História, Investigador em Ciências Sociais -Diretor da Cultura; Coordenador do Centro de Estudos de Ciências Sociais no Ministério da Educação, Cultura e Formação; Secretário de Estado de Trabalho e Administração Territorial , no Ministro da Administração Pública, Reforma do Estado e Administração Territorial – E também-Ministro da Administração Territorial, Cultura e Comunicação Social
FOMOS NÓS QUE INICIALMENTE ALERTAMOS A POLICIA JUDICIÁRIA
De:Direccao UIIC Enviada:segunda-feira, 14 de Novembro de 2016 21:42 Para:UIIC Central; UIIC Tratamento Cc:Secretariado UIIC Assunto:FW: (2)- COM FOTO - CIDADÃO SANTOMENSE DESAPARECIDO, EM PORTUGAL, DESDE O DIA 4 DESTE MÊS DE NOVEMBRO
Venho por este meio levar ao conhecimento dos vossos serviços de investigação – admitindo que a ocorrência não tenha ainda sido formalmente apresentada – do desaparecimento do cidadão santomense, "Armindo Vaz Rodrigues Aguiar, de 69 anos de idade, que veio para Portugal, em 19 de Março do corrente ano, para tratamento médico hospitalar, ao abrigo do Acordo de Cooperação Bilateral, no domínio da Saúde, existente entre o Estado Português e o Estado São-tomense, conforme comunicado da Embaixada de S. Tomé e Príncipe, em Lisboa. – Mas, a avaliar pela informação que pude recolher através do vosso Piquete de Serviço, não consta, nos seus ficheiros de investigação, o nome do referido cidadão, motivo pelo qual tomei a iniciativa de fazer a presente exposição – Excerto
De: (…) Enviada: quarta-feira, 16 de Novembro de 2016 18:28 Para: (…) Assunto: RE: (2)- COM FOTO - CIDADÃO SANTOMENSE DESAPARECIDO, EM PORTUGAL, DESDE O DIA 4 DESTE MÊS DE NOVEMBRO
Exmo Srº Jorge Trabalo Marques,
(…) sou Inspector da Brigada de Desaparecidos da Polícia Judiciária de Lisboa, venho por este meio pedir o contacto de V. Exa., a fim de poder conversar e trocar alguma informação acerca do desaparecimento do Sr. Armindo Vaz Rodrigues Aguiar.
Com os melhores cumprimentos,
MONTE ABRAÃO, EM
SINTRA – ANTIGO LOCAL DE CULTO – Chamam os deuses cedo aqueles que se sentem seus amados filhos - E, pelos vistos, Armindo Aguiar foi chamado por Deus, num antigo local
sagrado - Sinceramente, depois de profunda reflexão,
conclui que terá sido por morte natural - Pena que tivesse ficado
tanto tempo exposto a céu aberto - Mas se assim aconteceu, Deus assim o quis e o chamou.
Anta do Monte Aragão - 09-12-2016
“O local denominado
actualmente de Monte Abraão era o local escolhido para a adoração dos
illuminati, desde tempos imemoriais. Há quem defenda, que o nome de Queluz terá
origem no Monte da Iluminação, hoje denominado de Monte Abraão. Mas também esta
denominação está longe de ser recente, antes assentando na crença de que Abraão
teria passado por ali. Existem, por outro lado, as antas que terão entre 4.600
a 4.100 anos, testemunhando o povoamento deste local desde tempos
pré-históricos. Porém durante o Séc. V da nossa era, Roma determinava a
destruição de todas as edificações pagãs detectadas. Entre elas, os dolmens.
Pensa-se que é por isso, que muitas mesas se encontram arreadas, que noutros
locais houve obstrução de acessos e que em outros ainda, os referidos monumentos
foram encimados com cruze”
“Viveu no
Monte Abraão o poeta português Ruy Belo, onde faleceu. Viveu em Monte
Abraão o Visconde Engº Francisco Lancastre de Almeida Garrett, onde faleceu.
Grande benemérito desta localidade, doou vários terrenos para equipamentos
sociais. Nesses terrenos foram construídas: a Igreja de Nossa Senhora da Fé, a
Estação da CP de Monte Abraão, a Escola EB1 nº 1 de Queluz (Monte Abraão)e a a
Escola EB 2.3 Ruy Belo. Existe ainda um terreno onde irá ser construído o
Centro Comunitário de Monte Abraão (Bairro dos Desalojados).- Excerto Monte Abraão
Os melhores templos a Deus são a céu aberto
“A Anta do
Monte Abraão é constituída por uma câmara com 3,6 metros de diâmetro, assente
na rocha, restando seis esteios e o chapéu, há muito tempo caído, e um corredor
com 2 x 8 metros , orientado a Este. Constitui a anta mais bem conservada de
toda a região de Sintra, e aquela que tem talvez um acesso mais fácil em termos
de visitas. Uma característica deste monumento funerário é que as pedras usadas
na sua construção são dos arredores, não tendo sido aproveitadas as existentes
no local (que ainda abundam, na pedreira ainda existente naquele local). O solo
também terraplanado foi preparado para a edificação do dólmen. Do seu espólio
faz parte uma indústria lítica variada, constituída por placas de xisto,
cilindros de calcário, pontas de seta, etc., alguma cerâmica e ossadas humanas.
Parte destes materiais encontra-se no Museu dos Serviços Geológicos de
Portugal. É classificada como Monumento Nacional por Decreto de 16/6/1910, DG
136 de 23 de Junho de 1910. O acesso faz-se pelo centro de Monte Abraão,
subindo ao cume do monte. Fica a cerca de 200 metros a norte do marco
geodésico, junto a uma pedreira abandonada. Monte Abraão
(...) "O primeiro dos três
sepulcros constituintes desta necrópole megalítica, a "Anta de Monte
Abrãao", foi, como já referimos (vide supra), descoberta no século XIX por C. Ribeiro, tendo
sido cronologicamente atribuída por alguns autores aoCalcolítico
Inicial(entre c. de 2700/2500 e c. de 2300 a.C.)
da região estremenha (JORGE, S.O., 1990, p. 184). Ainda são visíveis os traços
da câmara sepulcral original de configuração poligonal, com mais de três metros
e meio de diâmetro, erguida directamente sobre a rocha, remanescendo seis dos
esteios que a compunham originalmente. – Excerto deAnta da Estria
"O HOMEM TEM QUE APARECER VIVO OU MORTO" - Apareceu morto
Todavia, tem havido também pessoas da família,
preocupadíssimas que me perguntaram, no dia anterior ao que foi encontrado o
seu corpo: -
Sex 13:12
Bom dia, td b? Escrevo-lhe para
saber se há novidades do Dr. Armindo Aguiar:
Infelizmente, da PJ a
quem comuniquei oficial o desaparecimento, não há novidades - A esperança é
sempre a última coisa a morrer mas, pelo que depreendo, está cada vez mais
distante
Infelizmente sim. Na verdade o
homem tem que aparecer e pelo doloroso que seja: " vivo ou morto"
Sim, quando tiver
novidades eu digo-lhe, além de que também os tornarei publico
Mas a situação exige uma máxima força
estando em (…) tenho pouca margem de
manobra
Sim, quando tiver novidades eu digo-lhe, além de que
também os tornarei publicas
Sim, de todos nós - Mas confesso-lhe que estou muito
desapontado - Há um mistério profundo em volta do seu desaparecimento
Vida difícil . que Patrice desconhece
Que mistério meu Amigo?
Não me pergunte porque
- Só penso que ele existe, é tudo quanto lhe posso dizer
Mas o problema que tenho colocado
nestes dias é o seguinte: desconhecendo o critério fora do campo policial que
esta em curso - pk não se mobiliza as pessoas para um apanhado serio do homem
Estou falando de uma organização a partir da embaixada
-
No último caso os
seus restos mortais que derem regressar a STP para ser enterrado
Sabe (…) : não creio
que se adiantasse alguma coisa, mobilizando as pessoas ou mesmo a embaixada: a
única coisa que poderia ter efeito era que, alguém muito querido desse uma
entrevista na RDP-África e na Rádio Nacional, de modo a sensibilizá-lo a voltar
ao lar; pois, estando vivo, dificilmente deixaria de escutar alguma destas estações
na casa que lhe desse abrigo
Ele não foi para
nenhuma cabana do mato.
Pois,
estando vivo, dificilmente deixará d ouvir alguma destas estações"
bem pensado
Assim sendo, vejam se
fazem visitas em pessoas em que ele tivesse muita confiança, que o pudessem
albergar - Este é o melhor caminho
para rapidamente se saber: mas também lhe asseguro, que, se até ao Natal, não
houver resposta alguma do seu paradeiro, é melhor rezar uma missa pela sua alma
Se ele estiver vivo, ele
aparece por esta altura .O coração não ia
resistir às saudades da família
(..)
SEG 16:13
Fiquei sabendo q o Dr Armindo foi
encontrado morto mas sem pormenores do porquê, onde, como, quando?
Boa tarde
Agostinho - Infelizmente a notícia não me surpreende - Vou telefonar para a PJ
a ver se consigo mais pormenores
Já tenho a confirmação
-PJ procede a investigações no terreno
obrigado ... mas
relativo ao corpo, aonde foi encontrado e como?
No mato perto de sua
casa
A Policia não quis adiantar mais pormenores
Vou apurar .O inspetor com quem tenho contactado está no local e não me deram mais
pormenores - Foi encontrado onte