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sexta-feira, 8 de julho de 2022

Morreu em Barcelona, José Eduardo dos Santos, ex-Presidente de Angola, aos 79 anos ... Triste sina a de dois presidentes angolanos, ambos morreram fora do seu país - Agostinho Neto, que proclamou a independência nacional a 11 de Novembro de 1975, morreu por doença, em Moscovo, na ex-(URSS), no dia 10 de Setembro de 1979 , em condições que geraram muitas interrogações. Agora, parece suceder o mesmo com o homem que lhe sucedeu

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista

Morreu o antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos -  A noticia foi divulgada pelo Governo liderado por João Lourenço, no Jornal de Angola, nestes termos: 

 " O  Executivo da República de Angola leva ao conhecimento da opinião pública nacional e internacional, com um sentimento de grande dor e consternação, o falecimento de Sua Excelência o ex-Presidente da República, Engenheiro José Eduardo dos Santos, ocorrido hoje às 11h10 , hora de Espanha certificada pelo boletim médico da clínica, em Barcelona, após prolongada doença.

O Executivo da República de Angola inclina-se, com o maior respeito e consideração, perante a figura de um Estadista de grande dimensão histórica, que regeu durante muitos anos com clarividência e humanismo os destinos da Nação Angolana, em momentos muito difíceis.  Apresenta à família enlutada os seus mais profundos sentimentos de pesar e apela à serenidade de todos neste momento de dor e consternação.

O Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, já enviou as condolências ao Presidente da República, João Lourenço, na sequência da morte do antigo chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, ocorrido em Espanha, Barcelona.

São Tomé, 10 Jun 2022 ( STP-Press ) O Presidente da República, Carlos Vila Nova, o Presidente do Parlamento, Delfim Neves e Primeiro-Ministro, Jorge Bom Jesus,  manifestaram profunda dor e consternação pela morte de José Eduardo dos Santos, ex-Presidente de Angola, tendo, o Chefe de Estado são-tomense sublinhado que “São Tomé e Príncipe chora com a República irmã de Angola a perda de um amigo destas ilhas…”.



Tchizé dos Santos, filha do ex-presidente angolano, ​​requereu, na sequência da denúncia apresentada segunda-feira aos Mossos de Barcelona pelos supostos crimes de tentativa de homicídio, omissão do dever de assistência, lesões por negligência grave e divulgação de segredos por pessoas próximas a ele, ao centro médico Teknon que o corpo do ex-presidente seja preservado e que não seja entregue até que seja realizada a autópsia atempada, , refere um comunicado assinado pela equipa de advogados em nome de Tchizé.

José Eduardo dos Santos estava internado nos cuidados intensivos de um hospital em Barcelona, depois de ter sofrido um AVC. Deixou o poder em 2017, ao fim de 38 anos, o que ainda hoje o torna um dos chefes de Estado que mais tempo ficou no poder em África.
A notícia foi avançada pela Presidência de Angola, num comunicado publicado na sua página de Facebook. Há vários anos que o político angolano vinha recebendo tratamento ao cancro de que padecia na cidade espanhola, o que o levou mesmo a mudar-se de Luanda em 2019, quase dois anos depois de deixar a presidência.

Na biografia oficial, é referido, que, José Eduardo dos Santos, cujo nome de batismo é José Eduardo Van Dunen- Presidente de Angola de 1979 a 2017  comandante-em-chefe das Forças Armadas Angolanas (FAA) e presidente do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA), o partido que tem governado Angola desde que obteve independência em 1975, nasceu onde hoje é o bairro de Sambizanga em Luanda.[10] É filho de Avelino Eduardo dos Santos, calceteiro, e de sua mulher Jacinta José Paulino..

Frequentou a escola primária em Luanda onde também fez o ensino secundário no Liceu Salvador Correia,que hoje se chama Mutu-ya-Kevela.


Carreira militar
Durante os estudos, José Eduardo dos Santos juntou-se ao MPLA quando este foi constituído em 1958, o que marcou o começo da sua carreira política.
Após a eclosão, em Luanda, da luta contra o poder colonial português, em 4 de fevereiro de 1961, José Eduardo dos Santos abandonou em novembro desse mesmo ano Angola, e passou a coordenar na segurança do exílio a atividade da Juventude do MPLA, organismo do qual foi um dos fundadores e durante algum tempo vice-presidente. Eduardo dos Santos partiu para o exílio ao país vizinho República do Congo. Integrou, em 1962, o Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA), braço armado do MPLA, e em 1963 foi o primeiro representante do MPLA em Brazavile, capital da República do Congo. Em novembro do mesmo ano, beneficiou de uma bolsa de estudo para o Instituto de Petróleo e Gás de Bacu, na antiga União Soviética, tendo-se licenciado em Engenharia de Petróleos em junho de 1969.
Ainda na URSS, depois de terminados os estudos superiores, frequentou um curso militar de Telecomunicações. Isso o habilitou a exercer, quando voltou para Angola (em 1970), funções nos Serviços de Telecomunicações na 2.ª Região Político-Militar do MPLA, em Cabinda de 1970 a 1974.
Em 1970 Angola ainda era um território Português conhecido como Província Ultramarina de Angola e Eduardo dos Santos desempenhou um papel significativo na luta pela independência de Angola.

Em 1974, foi promovido a sub-comandante do serviço de telecomunicações da segunda região. Ele serviu como representante do MPLA para Jugoslávia, a República Democrática do Congo e a República Popular da China antes de ser eleito para a Comité Central[18] e Politburo do MPLA em Moxico em setembro de 1974


terça-feira, 5 de julho de 2022

Cabo Verde, está de Parabéns! Comemora hoje o dia histórico 5 de Julho de 1975 – O dia, em que, há 47 anos, foi proclamada a sua independência - 47 anos da independência de Cabo Verde com apelo à resiliência perante desafios


Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Com imagens e um video das visitas, que, em Julho de 2015, o então Presidente Carlos Fonseca, fez a S. Tomé e Principe,  e , no ano seguinte, em finais de Fevereiro de 2016,  José Maria Neves, então na qualidade de PM,
  atualmente o presidente de Cabo Verde, desde Novembro de 2021















A 5 de julho de 1975, foi proclamada a independência de Cabo Verde, território colonizado pelo império português a partir de meados do séc. XV. O surgimento do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) serviu para congregar e lutar pelas aspirações autonomistas e independentistas nos territórios insulares de Cabo Verde e da Guiné-Bissau a partir de1956. Com o advento do 25 de Abril e, por conseguinte, o fim da Guerra Colonial, a independência do arquipélago viria a concretizar-se a 5 de julho de 1975.

O arquipélago foi descoberto em 1460 por Diogo Gomes ao serviço da coroa portuguesa, que encontrou as ilhas desabitadas e aparentemente sem indícios de anterior presença humana. . O país é membro da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental

De 10 a 16 de  Julho do 2015, S. Tomé e Principe, recebeu a visista do Presidente  Jorge Carlos Fonseca, que  se associou às comemorações do 40º aniversário, que, depois, de 21 a 24 de Janeiro último foi correspondida pela visita do então Presidente Manuel Pinto da Costa, a Cabo Verde 

Na  recepção do Palácido do Povo, em S. Tomé,  ambos não deixaram de sublinhar, nas suas visitas, que  o reforço dessa aproximação entre Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, se deve à existência de uma expressiva comunidade de cabo-verdianos e seus descendentes, radicados naquele país”,

NESTE  VIDEO  - "Cabo Verde é outra coisa!... Cabo-verdiano está em todo o mundo e é um povo com alma grande!” –Palavras do ex-Presidente Jorge Carlos onseca, na sua visita oficial a S. Tomé e Príncipe, onde participou nas comemorações do 12 de Julho de 2015, após o 5 de Julho ter contado com a presença do então Presidente de STP, Manuel Pinto da Costa 

"Cabo-Verdiano é Cabo-Verdiano igual em toda a parte – Também mo disse, o saudoso cantor Bana, cujas palavras da entrevista que me concedeu, recordo na parte final deste video


Em S. Tomé, Como PM, em 2016
Cabo Verde celebrou o 47° aniversário de independência e, pela primeira vez, José Maria Neves discursou na sessão solene comemorativa enquanto Presidente da República. Neves reconheceu a luta dos jovens do passado pela independência de Cabo Verde e desafiou a todos a enfrentarem os problemas do país.



Esta nossa Independência bem-sucedida são tónicos para enfrentar os desafios do presente, como a seca, as mudanças climáticas e ainda excessiva dependência e outras debilidades que afectam particularmente a juventude, como são os casos do desemprego, das assimetrias regionais e da perda de população que ocorre nas ilhas mais periféricas, ou ainda, da emigração qualificada. Se ‘as estiagens já não nos metem medo’, urge então termos a audácia, o engenho e a perseverança para ultrapassarmos novas barreiras, pois que ao longo da nossa história elas se vão renovando e nada nos tem sido fácil. O certo é que o heróico povo cabo-verdiano tem sabido superá-las, em batalhas árduas e esforços obstinados” diz José Maria Neves. - Escreve  Odiar Santos em  RFI 

Jorge Carlos Fonseca é a imagem que facilmente se confunde com o rosto simples e ao mesmo tempo sentida e sofrida do homem do Povo: sobretudo quando vai ao seu encontro em mangas de camisa e a sua roupa não contrasta com o do cidadão comum: pelo contrário,   é um dos seus: no falar do seu dialeto, no vestir, no abraçar, no beijar, no sentir, até na exuberância do momento de alegria ou da lágrima que escapa quando o coração cede ao sentimento e às imensas saudades da sua amada ilha – Tudo isso lhe vimos no encontro que teve com a comunidade cabo-verdiana  à antiga roça colonial, Água Izé, a cuja visita se seguiu apresentação do seu livro, Magistratura de Influências, no Espaço Cacau, na capital do país.

No ano seguinte, em 25 de Fevereiro de 2016, foi a vez do então Primeiro Ministro de Cabo Verde, atual Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Pereira Neves, visitar S. Tomé e Príncipe, que aproveitou para se encontrar com a comunidade naquela antiga roça colonial, onde foi também calorosamente acolhido

Considerado, já nesse período,  como o melhor Primeiro Ministro de um país africano pelas várias instâncias internacionais. 

"Durante o seu mandato Cabo Verde foi contemplado com o programa do amerícano Millennium Challenge Account [MCA], como apresentou bons trabalhos usando esse dinheiro, Cabo Verde voltou a ser contemplado com mais um pacote do mesmo programa.


No encontro que teve como então PM Paytrice Trovoada, José Maria Neves afirmou que Cabo Verde está a desenvolver relações sólidas e a repensar novas áreas de cooperação com São Tomé e Príncipe. " Estamos a encontrar novas áreas de cooperação, desde a formação profissional, ensino superior, ciência e inovação, pescas e agricultura".


Mar ê morada d'sodade"

O mar é o imenso túmulo  para os que neles se perdem  - Sim, e é a  “morada de saudade”  para os que ficam longe dos seus entes queridos e não os podem abraçar – Sobretudo para os ilhéus, que vivem rodeados do imenso azul do céu e do mar – Para os continentais, que não vivem no litoral, o pôr-do-sol, significa o fim do dia mas não o limite intransponível. Já que,  para lá do horizonte a poente, há sempre outros horizontes e outras terras, o chão firme. O mesmo não o podem dizer os habitantes das ilhas: mar é mesmo “morada de saudade”


Que o diga, o sentimento e a emoção da diáspora cabo-verdiana; aliás, tanto dos que partem como dos que ficam   - Para quem a palavra sodade” é muito mais que a portuguesíssima palavra saudade – Consubstancia algo muito mais profundo: a dureza de uma vida difícil, em ilhas, onde a natureza é demasiado nua  e madrasta, fustigando-as de prolongadas secas, que estiolam toda a vida vegetal  - E, então quando à falta de chuvas, se juntava o drama da fome – sobretudo naqueles tempos em que as ilhas eram apenas olhadas como exportação escrava de mão-de-obra, de emigrações massivas, designadamente para as Ilhas de S. Tomé -


Jorge Fonseca, já não é presidente, mas estará, naturalmente,  também neste dia muito feliz e muito contente – Aqui recordo algumas imagens da sua visita oficial a S. Tomé e Príncipe, num encontro com a comunidade cabo-verdiana, na antiga roça Água Izé, em Julho de 2015, a cuja visita se seguiu apresentação do seu livro, Magistratura de Influências, no Espaço Cacau, na capital do país.

Jorge Carlos Fonseca, foi presidente da República de Cabo Verde entre 2011 e 2021, apoiado pelo Movimento para a Democracia (MpD) e reeleito nas eleições presidenciais de 2016, também apoiado pelo Movimento para a Democracia (MpD). Autor de uma vasta obra científica nas áreas do Direito Penal, Processual Penal e Constitucional, e ainda livros e mais de 50 trabalhos doutrinários em revistas.


Jorge Carlos Fonseca,  é também um poeta, um profundo intelectual - Desde os tempos da resistência ao colonialismo : autor de "O Silêncio Acusado de Alta Traição e de Incitamento ao Mau Hálito Geral", publicado,  "nos longínquos finais dos anos 70" – Sim, além de poeta e político, é também um distinto jurista e professor universitário das Ilhas cabo-verdianas.

ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS DO ATUAL GOVERNANTE CABO-VERDIANO
José Maria Pereira Neves (Santa Catarina, 28 de Março de 1960)

Foi deputado da Assembleia Nacional (A.N.) de 1996 a 2000, eleito pelo Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), à época na oposição, pelo Concelho em que nasceu. Como membro da A.N., ocupou os cargos de 2.º Vice-Presidente da Assembleia e Diretor da Comissão Especial para a Administração Pública, Governo Local e Desenvolvimento Regional.
Nas eleições autárquicas de março do ano 2000, Maria Neves foi eleito Presidente da Câmara (equivalente ao cargo de Prefeito Municipal, no Brasil) do Concelho de Santa Catarina, cuja sede é a cidade de  Assomada, , segunda maior cidade da Ilha de Santiago e sua terra natal.
Após ter sido eleito Presidente do PAICV em junho de 2000, seu partido saiu-se vitorioso das eleições legislativas de 14 de janeiro de 2001, contra o partido no poder, o MpD – Movimento para a Democracia. Como resultado, José Maria Neves foi designado Primeiro-Ministro de Cabo Verde pelo Presidente da República, e assumiu o cargo em 1.º de fevereiro de 2001. Novas eleições legislativas foram realizadas em 22 de janeiro de 2006, e, tendo seu partido vencido novamente, foi ele reconduzido à Chefia do Governo de Cabo Verde no dia 7 de março de 2006, para mais um mandato de cinco anos. – Excerto de José Maria Neves 



segunda-feira, 4 de julho de 2022

Jorge Bom Jesus - 2ª Parte da entrevista ao PM de S. Tomé e Príncipe, -"Fomos superando as várias crises"...De facto, é um governo que conseguiu sobreviver... A herança do governo anterior não foi fácil… Ainda se lembram da falta de energia, dos problemas salariais. Problemas que nós herdamos… Fomos superando paulatinamente.

Entrevista conduzida pelos jornalistas Jorge Trabulo Marques  e Intermamata - Repórter da STP-Press - Na postagem anterior veja o video e os pormenores da 1ª parte da entrevista https://canoasdomar.blogspot.com/2022/07/jorge-bom-jesus-os-oceanos-andam.html

 De facto, é um governo que conseguiu sobreviver!... Nós vamos chegar ao fim da legislatura!... E quero-vos dizer que não foi fácil!... Muita gente apostava o contrário: era difícil prever que este governo conseguisse sobreviver de uma maioria tão tangente e num mosaico de coligação, que conseguisse chegar ao fim; simplesmente estamos a conseguir


Afirmou no hall de um hotel de Lisboa, o Primeiro-Ministro, Jorge Bom Jesus, no último dia da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, coorganizada pelos governos de Portugal e do Quénia, em declarações aos jornalistas, Jorge Trabulo Marques e Intermamata, repórter da STP-Press,

Referindo que "a herança do governo anterior não foi fácil… Ainda se lembram da falta de energia, dos problemas salariais. Problemas que nós herdamos… Fomos superando paulatinamente.

Como se não bastasse, foi um governo num período de todas as contrariedades… Desde logo a pandemia, que demorou dois anos; as intempéries; as pontes, entre outras… Portanto, fomos superando essas várias crises, tentado fazer o melhor que nos podíamos, dentro desse quadro difícil… E, enfim, não fizemos o que desejaríamos, mas o que nos foi possível –



Quanto às relações institucionais com o atual Presidente, respondeu-nos que, tanto com o atual Presidente, como com a que com o saudoso, que têm sido cordiais, são bastante aceitáveis, até porque, todos nós estamos a concorrer para aquilo que são os desígnios do Estado e do Povo de S. Tomé e Príncipe: que é o bem-estar e o desenvolvimento de todos os órgãos de soberania. 

Apesar da sua independência, existe uma interdependência, uma convergência nesse sentido: seja a Assembleia Nacional, seja a Presidência , a Justiça, e, nós que somos o Executivo, temos que nos juntar, darmos as mãos para resolver os problemas ingentes que S. Tomé e Príncipe  possui: 

- Como sabe, problemas estruturais, os problemas da pobreza, os problemas económicos e financeiros num contexto cada vez mais difícil!,… A  guerra na Ucrânia, a subida dos preços dos cereais!... Do Combustível… Da energia!... Dos transportes!... Falámos há pouco tempo da pirataria no Golfo da Guiné, que faz aumentar ainda mais o custo dos contentores e dos barcos!... Porque, hoje, as própria seguradoras exigem muito mais verbas.. Portanto, tudo isso acaba por ter um impacto na vida e na politica   são-tomense

S. Tomé -Maio 2019
Lisboa . Junho 2019

À tão sensível questão  dos baixos salário, que  colocámos, ao PM, Jorge Bom Jesus, começou por frisar,  que, de facto, o custo de vida não para de subir, de aumentar!... Até porque estamos a falar de um país que exporta muito pouco!,,, Eu diria quase nada e importa praticamente tudo!... E tudo é comprado no mercado onde os preços não  param de subir, de aumentar!.. Portanto, há uma inflação visível à população, que exige, sobretudo,  aumento de salários… Alguns estão já congelados há muito tempo e há uma grande pressão sobre o Governo

O que nós fizemos no quadro da mitigação do quadro da pandemia, não tendo conseguido um reajusto revolucionário – pois era preciso reformular toda a pirâmide dos salários com muitos subsídios  e proceder a uma reforma salarial muito profunda, nós estamos a proceder a um aumento faseado: começamos agora por o aumento dos salários mais baixos, que eram de mil e cem dobras  e nós procedemos a um aumento de mil e quatrocentas dobras, a que nós chamamos de um suplemento salarial para essas classes que auferem os salários mais baixos; de forma a que, dora avante, possam auferir  duas mil e quinhentas dobras, o equivalente a 100 euros


Sobre o funcionamento da democracia, de que, S. Tomé e Príncipe,  tem sido um caso exemplar em África, salvo um certo período, algo mais conturbado, o  PM Jorge Bom Jesus, concordou com a nossa observação dizendo que, realmente, a cultura democrática, “ é qualquer coisa que nos deve orgulhar, porque nada justifica  a razão da força!... Penso que o Povo é quem mais ordena e é preciso, de quatro em quatro anos, dar a voz à população para julgar  o trabalho dos políticos que têm por obrigação fazer o melhor.. O politico está ao serviço do Povo!... Nós somos os servidores!  E penso que, qualquer politico, que se preze, tem de fazer o melhor para o seu país!... Nem sempre é possível mas é preciso continuar a desafiar e tentando

Em resposta, ao pedido de uma mensagem à comunidade santomense  no exterior,  proposta pelo repórter Intermamata, o Chefe do Governo aproveitou “para felicitar a diáspora da nossa comunidade… Dizendo-lhe que faz parte das nossas ilhas!... Eu diria, até, que nós temos S. Tomé e Príncipe e, a nossa diáspora , é a nossa terceira Ilha e, o santomense,  lá onde estiver, independentemente da localização, a sua contribuição é sempre válida, é sempre a bandeira  de S. Tomé e Príncipe, que é içada cada vez que as competências santomenses se exprimem. É por isso,, que nós dizemos a casa santomense, que é preciso   lutarmos! Trabalharmos muito!... Buscarmos excelência!... Temos que ser muito bons!... Porque, sobretudo nós, os pequenos países, temos que sonhar grande para sermos um pouco maiores!... Só assim é que os grandes nos poderão respeitar

Confessou que nasceu no Riboque da parte paterna e outra parte materna de Changra,  de Santo Amaro

Por fim, ao pedir-lhe que fizesse um balanço da sua atividade politica nos últimos quatro anos, respondeu-nos: “Eu penso que – modéstia à parte, o balanço é positivo, sobretudo quando nós comparámos a dificuldade do percurso!...  As contrariedades!... Os contratempos!...  E aqui, toda a gente sabe do que estou a falar!... Da pandemia!... As intempéries!... Os preços da guerra!... Tudo isso…

Bem, estamos a falar de factos… Isto ao nível internacional, àquilo que se passou no mundo!... Mas também internamente!... Nós herdamos constrangimentos de mais de quatro décadas!... Os problemas estruturais! Que um Estado frágil, em desenvolvimento, tem há muito tempo!... Basta relembrar que, S. Tomé e Príncipe, vem de cerca de 20 Governos!... Portanto, fomos superando!,.. Esta pobreza, quase  crónica!... Enfim, o Governo tentou!.. Tentou!... Em problemas de dívidas!... Em problemas energéticos! De infraestruturas, entre outros!,,,

E penso, que, estando a chegar ao final de uma legislatura, colocámos também a nossa pedra, o nosso tijolo na construção de S. Tomé e Príncipe. E penso que demos alguns passos em frente!

2016- Baía Ana Chaves 

Quem viu a cidade  de S. Tomé, sensivelmente  há 4 anos atrás – estou a falar em 3 Dezembro de 2018, quando nós entramos – tínhamos a cidade completamente esburacada!...Desfigurada!... Hoje  as coisas mudaram bastante!

Em termos de liberdade de expressão!... Penso que, hoje, o santomense se sente muito mais 

Obras que há muito se impunham

livre de expressão! Das suas ideias!... E penso, que, nalguns casos, a liberdade até roça a libertinagem!... Que é preciso corrigir!... Nós também não podemos deixar descambar a democracia!... A democracia não é libertinagem, não é anarquia!.., Mas, enfim, é um país  muito mais livre!... Nós encontrámos um país muito crispado!... De gente com medo de falar!... Enfim, são factos que nós temos como ativos  deste Governo!

Mas também ao nível social!... Como disse, houve vários investimentos! Vamos aumentar agora os salários!... Houve investimento ao nível das 16 famílias renumeradas, que auferem 1800 dobras de dois em dois meses!... Portanto, isto significa para o Governo, uma injeção na economia, de dois em dois meses, de um milhão e duzentos mil dólares!... Mas também ao nível do empreendedorismo, entre outros, o balanço no computo geral é encorajador.

 


 
BIOGRAFIA  -Confessou-nos que nasceu no Riboque, no histórico bairro de capital, com origem da  parte paterna e outra parte materna de Changra,  de Santo Amaro, em 26 de Julho de 1962 -  De seu nome completo, Jorge Lopes Bom Jesus  acadêmico, linguista e político santomense, membro do MLSTP-PSD 

Entre 2008 e 2010, sob o governo de Rafael Branco, foi Ministro da Educação e Cultura e de 2012 a 2014 atuou como Ministro da Educação, Cultura e Ciência no governo de Gabriel Costa- Líder da oposição  entre julho e novembro de 2018, tornou-se primeiro-ministro do seu país em 3 de dezembro do mesmo ano

Na juventude rumou para a Europa onde formou-se em literatura francesa e portuguesa, com mestrado em língua portuguesa e especialização em literatura africana pela Universidade de Toulouse, na França.

Na Faculdade de Letras da Universidade do Porto concluiu as especializações em pedagogia do francês como língua estrangeira e pedagogia da língua portuguesa. Ainda possui PhD em administração pública pela Universidade de São Tomé e Príncipe.

Sua carreira profissional inclui os cargos de assessor do Ministro da Cultura e Informação, Diretor Geral de Educação e Treinamento, Secretário Geral da Comissão Nacional para a UNESCO, Diretor de Planejamento e Inovação Educacional, diretor da Biblioteca Nacional de São Tomé e Príncipe, Diretor da Escola de Formação de Professores e Educadores (EFOPE; atual Instituto Superior de Educação e Comunicação da Universidade de São Tomé e Príncipe), Presidente da Aliança Francesa e vários anos como professor


domingo, 3 de julho de 2022

Jorge Bom Jesus – Os oceanos andam doentes por incúria dos homens...1ª Parte da entrevista do Primeiro-Ministro, de S. Tomé e Príncipe – A exploração do petróleo, nas águas do seu país, “tanto pode ser o paraíso como o inferno” Entre as várias questões colocadas no último dia da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, em Lisboa

O Jornalista Jorge Trabulo Marques  e  o repórter santomense, Intermamata - Entrevistaram Jorge Bom Jesus, num hotel em Lisboa -  Por aquilo que me dizem, os trabalhos de perfuração no bloco Jaca, estão a decorrer a bom ritmo mas temos que aguardar com serenidade os resultados, dentro dos próximos 30 dias." - Palavras de Jorge Bom Jesus - Veja os videos - Entrevista repartida por dois videos -  Na postagem seguinte editaremos a 2ª parte


 

 

 A exploração do petróleo, nas águas do seu país, “tanto pode ser o paraíso como o inferno”  Continuam as primeiras perfurações, ainda sem resultados -  Esta e outras questões, que aqui lhe oferecemos na 1ª parte de uma extensa e interessante entrevista que nos concedeu no último dia da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas,  em Lisboa, a propósito do  balanço que fez da sua participação

 

 Em declarações aos jornalistas, Jorge Trabulo Marques e Intermamata, repórter da STP-Press,  o chefe do Governo Santomense, fazendo o balanço da sua estadia, começou por sublinhar que esta Conferência, que encerrou esta sexta-feira, no Parque das Nações, em Lisboa, interessa ao seu país,  que é composto por 99,5% de superfície líquida e apenas 05% de terra, nas duas ilhas que erguem no vasto Golfo da Guiné

Tendo frisado que “os  oceanos andam doentes por incúria dos homens. E, quando os oceanos estão doentes a saúde humana também corre perigo  e não está de boa saúde, de certeza”

O Chefe do executivo são-tomense, que, na abertura da referida Conferência, havia manifestado várias preocupações no domínio da proteção do ecossistema e da biosfera, incluindo a proteção da sua orla marítima, possuidora de uma vasta zona económica exclusiva que é 160 vezes superior ao da superfície terrestre, dispondo de importantes potencialidades para o seu desenvolvimento económico e social, associados a uma economia dos oceanos”, tendo aproveitado para alertar e pedir apoio . à comunidade internacional para começar a ver São Tomé e Príncipe com olhos de ver, no sentido de tudo fazer para apoiar o país a estar material, financeira e institucionalmente à altura das suas potencialidades oceânicas e das metas fixadas neste sentido”,

Em resposta à questão, que lhe fora colocada pela escassez de pescado na plataforma marítima, sentida nomeadamente pelos pescadores das canoas, por via  de frotas estanheiras, Jorge Bom Jesus, reconhece  necessidade de uma maior fiscalização  com as frotas, que pescam nas águas do país,  tendo sido assinado um acordo de modo  a que “os nossos marinheiros” possam proceder a essa fiscalização, o que não acontecia no passado, reconhecendo que há alguma melhoria

 E também concordou que o trabalho “numa perspetiva de cooperativa” é mais seguro e mais eficiente, citando já os exemplos das cooperativas existentes no sector de agricultura 

Quanto à exploração do petróleo,  afirmou que, depois de 20 anos na zona conjunta com a Nigéria,  que ainda continua num estado de alguma letargia, estamos a dar alguns passos de perfuração pelas empresas Galp e Shell, no bloco jaca

“Por aquilo que me dizem, os trabalhos estão a decorrer a bom ritmo mas temos que aguardar com serenidade os resultado, dentro dos próximos 30 anos. De cabeça erguida e sem grande euforias, porque, de facto, precisamos dos recursos do petróleo para aplicar noutras áreas de desenvolvimento, na agricultura, os serviços, a  pesca, entre outros, mas sempre muito atentos e de forma ponderada, porque, como sabem, o petróleo pode ser o paraíso ou o inferno também”

Estas e outras questões, que poderão escutar na primeira parte da  interessante entrevista, que nos concedeu o PM Jorge Bom Jesus, a quem agradecemos, uma vez mais, a gentileza das suas declarçõess´