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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Dirigente politico santomense, desaparecido em Portugal - Armindo Aguiar ex-líder do PCD, que acusou, em 2013, Patrice Trovoada de lavagem de dinheiro, desde o dia 4 que não voltou à sua residência em Monte Abraão - A Embaixada de S.T. P., em Lisboa, em comunicado distribuído, já confirmou o facto - : Suicídio, Acidente - Morte Súbita - ou Homicídio, interrogações que se colocam em S. Tomé e Príncipe, com a divulgação do estranho caso, nas redes sociais








Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação e analise  (Atualização da Noticia) - Corpo Levado para o Instituto de Medicina Legal para ser autopsiado  e serem apuradas as causas da sua morte-  -  Infelizmente confirma-se a morte de Armindo V Aguiar Rodrigues -  Mais pormenores também neste site - em http://canoasdomar.blogspot.com/2016/12/armindo-aguiar-o-corajoso-e-iluminado.html

Monte Abraão

Tivemos a confirmação de que o seu corpo foi encontrado morto, domingo dia 4 de Dezembro, por volta do meio-dia, em avançado estado de decomposição no meio de um silvado, em área de mato, relativamente próximo da casa  de seu irmão, Monte Abraão, Sintra, onde residia - A polícia judiciária foi alertada por elementos da PSP, que depois se  deslocou ao local a fim de proceder a investigações

Segundo o que pudemos apurar,  o reconhecimento do cadáver só foi possível através do vestuário e, pelo que depreendemos,  por alguns documentos pessoais, que estariam nos bolsos. O corpo, que já  foi conduzido  para ser autopsiado, no Instituto de Medicina Legal,  aparentemente não apresentava sinais de violência  - No entanto,  o caso transitou da Brigada de Desaparecidos da Polícia Judiciária de Lisboa para a  secção de homicídios da Policia Judiciária,, que procederá às necessárias investigações, nomeadamente com o recurso aos resultados científicos da autopsia   

Soubemos, também, por fonte da investigação, que a área silvestre, onde o corpo foi localizado,  já havia sido batida por elementos da investigação policial, recorrendo  a cães das brigadas, porém, as condições atmosféricas, nomeadamente, as chuvas que se têm feito sentir, terão dificultado as operações de busca. Quando tivermos mais pormenores, daremos conhecimento neste blogue




Sitio onde foi encontrado o corpo 

Os meus sentidos pêsames à família enlutada, certo de que, na sua amada terra, os santomenses não deixarão de sentir a perda de um dos seus mais distintos e amados filhos, chorando lágrimas de comoção e de saudade

Fomos nós que, inicialmente demos conhecimento formal  à PJ do seu desaparecimento

De: Direccao UIIC
Enviada: segunda-feira, 14 de Novembro de 2016 21:42
Para: UIIC Central; UIIC Tratamento
Cc: Secretariado UIIC
Assunto: FW: (2)- COM FOTO - CIDADÃO SANTOMENSE DESAPARECIDO, EM PORTUGAL, DESDE O DIA 4 DESTE MÊS DE NOVEMBRO

Venho por este meio levar ao conhecimento dos vossos serviços de investigação – admitindo que  a ocorrência não tenha ainda sido formalmente apresentada – do desaparecimento do cidadão santomense,  "Armindo Vaz Rodrigues Aguiar, de 69 anos de idade, que veio para Portugal, em 19 de Março do corrente ano, para tratamento médico hospitalar, ao abrigo do Acordo de Cooperação Bilateral, no domínio da Saúde, existente entre o Estado Português e o Estado São-tomense, conforme comunicado da Embaixada de S. Tomé e Príncipe,  em Lisboa. – Mas, a avaliar pela informação que pude recolher através do vosso Piquete de Serviço, não consta, nos seus ficheiros de investigação, o nome do referido cidadão, motivo pelo qual tomei a iniciativa de fazer a presente exposição – Excerto

De: (…)  Enviada: quarta-feira, 16 de Novembro de 2016 18:28
Para: (…)
Assunto: RE: (2)- COM FOTO - CIDADÃO SANTOMENSE DESAPARECIDO, EM PORTUGAL, DESDE O DIA 4 DESTE MÊS DE NOVEMBRO
Exmo Srº Jorge Trabalo Marques,
(…) sou Inspector da Brigada de Desaparecidos da Polícia Judiciária de Lisboa, venho por este meio pedir o contacto de V. Exa., a fim de poder conversar e trocar alguma informação acerca do desaparecimento do Sr. Armindo Vaz Rodrigues Aguiar.
Com os melhores cumprimentos,

 O INSÓLITO SILÊNCIO DE UMA VOZ INCÓMODA 

S
ó faltava mais este misterioso desaparecimento, num momento  de grave crise  politica e social  na Governação das Ilhas  - Com o atual Primeiro-ministro, ausente no estrangeiro , cofres públicos sem dinheiro para  salários e  greves prestes a saírem à  rua –. Japão socorre com generosa dádiva de mais arroz mas o governo está desacreditado: deixou estragar anterior oferta 


Facebook -Deodato Capela Algumas correcções: ULTIMA MORADA : MONTE ABRAÃO - SINTRA - PORTUGAL. O Dr. Armindo Aguiar sofre de doença que nos últimos anos tem deteriorado mais a sua memória, possivelmente alzheimer. Informações adicionais: (Saiu de casa e não regressou, deixou ficar a carteira e telemóvel na embaixada em Lisboa.)

DESAPARECIMENTO MISTERIOSO – SE BEM QUE COM ALGUMAS PROVÁVEIS CAUSAS

DESAPARECIMENTO MISTERIOSO – SE BEM QUE COM ALGUMAS PROVÁVEIS CAUSAS 


O que terá acontecido à vida do político e cidadão santomense, Armindo Vaz Rodrigues Aguiar, que, se deslocara a Portugal por razoes de saúde e que, desde o passado dia 4, nunca mais foi visto, em Monte Aragão, onde residia, esta é a angustiosa e perturbadora interrogação que prevalece no espírito, quer de  familiares e amigos, como na população em S. Tomé e Príncipe, atendendo ao seu notável currículo intelectual e político., às  gerais simpatias e admiração, de que goza no seu país.

Contatamos o jornal Correio da Manhã e o Publico, mas nenhum destes jornais deu qualquer noticia acerca do seu desaparecimento - À media portuguesa, comprometida, não lhes interessa dar noticias negativas. - Entretanto, soubemos, que na passada, segunda.feira, o CM dera uma pequena noticia,  referindo que tinha aparecido um corpo, em estado avançado de decomposição, no Monte Abraão, tendo ao seu lado um par de sapatos - Mas sem adiantar mais pormenores. 

Nas redes sociais, tem havido vários apelos, desde familiares a amigos, com vista a encontrarem-se pistas do eventual paradeiro ou do que, efetivamente, terá acontecido a Armindo Rodrigues: Um dos apelos, é justamente nestes termos:  “ Meus: necessito da vossa ajuda a localizar o meu primo Armindo Vaz Rodrigues Aguiar de 69 anos, que desapareceu na passada sexta feira, dia 4 de Novembro na zona de Monte Abraão, Sintra. A polícia e os hospitais já foram contactados e ate agora nada. Ele tem problemas cardíacos, diabete e falhas de memória, consequências da doença. Caso o encontrem, por favor comunicar a policia ou qualquer um de nos aqui no facebook - . Desde já, agradeço a vossa ajuda. Carla Cristina Teixeira Jamba.
 

São muitas as dúvidas e as interrogações, que se levantam à volta do estranho desaparecimento de Armindo Aguiar – E também diversas as possíveis causas: desde  ter sido vitima de maquiavélica cilada, acometido de morte súbita em ermo local e sem assistência,  a  suicídio,  em virtude de profunda depressão que  estaria atravessar por razoes passionais  mas também pela grave instabilidade política,  económica e social, que o seu pais atravessa; pois, como é sabido, Desemprego leva à depressão e causa 20% dos suicídios no mundo  - E, naturalmente, que, um patriota santomense, com o perfil de Armindo Rodrigues, uma voz corajosa e frontal, que não terá deixado de sentir , com angustiosa preocupação,   o nepotismo e o desnorte, que marca a  atual governação do seu país – E, logo, , num meio pequeno e pobre, onde os principais empregos  estão dependentes do poder politico dominante, pior ainda.Ele poderá não precisar de emprego, pois é um quadro superior, com méritos afirmados, mas compreenderá, certamente, que ninguém pode ser verdadeiramente feliz quando à sua volta reina a  miséria e as privações.

De recordar, que, Armindo Aguiar, é possuidor de um notável currículo académico e politico, pois, além  de ter sido um dos ativistas da Associação Cívica Pró-MLSTP, é também um  dos fundadores e, atualmente, membro da Comissão Política do PCD. – Professor de História, Investigador em Ciências Sociais -Diretor da Cultura; Coordenador do Centro de Estudos de Ciências Sociais no Ministério da Educação, Cultura e Formação; Secretário de Estado de Trabalho e Administração Territorial , no Ministro da Administração Pública, Reforma do Estado e Administração Territorial – E também-Ministro da Administração Territorial, Cultura e Comunicação Social

Estranho desaparecimento,  que ainda se torna mais inquietante, numa altura em que, o pequeno arquipélago,  atravessa uma profunda crise politica, social e económica, com os cofres  do Ministério vazios para pagar salários e PM ausente no estrangeiro: Há dinheiro para ele viajar a torto e a direito mas não há para pagar uns miseráveis 40 euros mensais! - Ainda por cima, muitos destes funcionários, têm que se apresentar vestidos e calçados como se fosse executivos e com ordenados de fome. 

 COMUNICADO DA EMBAIXADA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE, EM LISBOA 
Prezados concidadãos, 
O cidadão são-tomense Armindo Vaz Rodrigues Aguiar, de 69 anos de idade, encontra-se cm Portugal, desde 19 de março do corrente ano, para tratamento médico hospitalar, ao abrigo do Acordo de Cooperação Bilateral, no domínio da Saúde, existente entre o Estado Português e o Estado Sâo-Tomense. 
No entanto, esta Embaixada foi informada que o referido cidadão, cópia da foto em anexo, ausentou-se do local de residência na Freguesia de Monte Abraão, Concelho de Sintra. e encontra-se cm parte incerta desde o dia 04 de novembro. Os familiares têm estado a encetar diligências julgadas pertinentes junto de instituições sobre o seu paradeiro mas que ainda não surtiram o efeito. 
Em face disso, vem esta Embaixada informar e solicitar também o apoio das Associações o especial obséquio no acionamento de meios disponíveis que contribuam para a localização do referido compatriota. 

A Embaixada ela República Democrática de São Tomé e Príncipe aproveita a oportunidade para atempadamente agradecer toda a colaboração e reiterar às Associações os protestos da sua mais elevada consideração


"Ex-primeiro ministro são-tomense acusado de lavagem de dinheiro – Em Portugal a acusação foi ignorada mas houve imprensa on line, que não deixou escapar a gravíssima acusação.

Nessa altura, em Junho de 2013, já o Governo de Patrice Trovoda, havia sido demitido  e   o  próprio PM,  regressado à sua milionária residência, em Cascais.

Eis o que então declarou à imprensa,  Armindo Aguiar, um dos dirigentes do PCD, que agora se encontra  desaparecido, à saída da Procuradoria-Geral da República (PGR):  -  referindo que existem "fortes indícios" de lavagem de dinheiro envolvendo o ex-primeiro-ministro Patrice Emery Trovoada e o banco comercial de capitais gaboneses BGFI Bank, instalado na praça financeira do arquipélago. " Terá [Patrice Trovoada] transferido para a república gabonesa a quantia de 624 mil euros, ora quando o país tem dificuldades todos os atos de corrupção devem combatidos

Ao pedido dirigido à PGR, Armindo Aguiar anexou um documento com timbre e selo branco do gabinete do primeiro-ministro e uma suposta assinatura de Patrice Trovoada. "Esperemos que a Procuradoria da República apure a verdade desses factos", acrescenta Aguiar. http://www.dw.com/pt-002/ex-primeiro-ministro-s%C3%A3o-tomense-acusado-de-lavagem-de-dinheiro/a-16877146

Forte suspeita de lavagem de dinheiro recai sobre o ex-Primeiro Ministro Patrice Trovoada” – Noticiava o Téla Nón, uma das raras vozes da imprensa santomense, veio igualmente denunciar dar pormenores dos fundamentos acusação, nomeadamente, com a indicação do recibo que denuncia o eventual ilícito da transação
 
Referindo o seguinte: O ex-Primeiro Ministro Patrice Trovoada, poderá ser alvo de um processo crime por alegada lavagem de dinheiro na ordem de 624 mil e 600 euros.  Face a persistente denúncia por parte do actual governo de que a lavagem de dinheiro cresceu no pais, o Téla Nón investigou e encontrou indícios que alegadamente envolvem o ex-Primeiro Ministro.
Num recibo emitido no dia 28 de Março de 2012, e assinado pelo ex-chefe do Governo, de acordo ao que se pode ver no documento, 624 mil e 600 euros em espécie foram entregues em São Tomé, ao senhor Henry Claude Oyma do BGFI Bank de Libreville – Gabão.

A pessoa em causa também assina o recibo confirmando a recepção do montante em cash. Levou o dinheiro para o Gabão, para ser depositado na conta número 81011146011-03, devidamente especificada no recibo. – Mais pormenores em http://www.telanon.info/politica/2013/06/07/13443/forte-suspeita-de-lavagem-de-dinheiro-recai-sobre-o-ex-primeiro-ministro-patrice-trovoada/

“Armindo Aguiar e Edite Salvaterra, são os dois membros da direcção do partido PCD, que foram entregar a queixa crime movida contra o ex-Primeiro ministro Patrice Trovoada. «Estamos aqui para apresentar uma queixa crime, contra o ex-primeiro ministro, por um crime que tudo indica ele cometeu, porque há indícios. Isto é do domínio público, porque está publicado no Jornal Digital Téla Nón, em que ele transferiu para a República Gabonesa a quantia de 624 mil e 600 euros, qualquer coisa como 15 mil milhões de dobras», referiu Armindo Aguiar, que falou em nome do PCD. http://www.telanon.info/politica/2013/06/10/13461/pcd-avancou-com-queixa-crime-contra-patrice-trovoada/

OUTROS IMBRÓGLIOS 


É DITO QUE mandou emprestar 30 milhões de dólares à empresa chinesa China International Fund Limited,  - Empréstimo  realizado a margem de todas as leis da República, com destaque para a Lei-quadro da Dívida Pública, que tem como um dos objectivos regular os processos de endividamento público, garantindo as necessidades financeiras do Estado Patrice mandou emprestar 30 milhões de dólares a uma empresa .

UM PAIS DESGOVERNADO E À DERIVA


Num cenário de descontentamento popular e de grande instabilidade social,   em que se antevêem  dias difíceis e turbulentos nos dois últimos meses do ano, que poderão ditar a completa desacreditação  do Governo , junto na opinião pública -. Pois, mesmo que não houver  dissidências parlamentares e,  valendo-se  o Governo, do suporte da maioria absoluta, já não há “milongo” milagroso, que lhe possa valer para credibilizar quem passa mais tempo fora do pais que a resolver as graves carências da população - Ele não costuma anunciar as passeatas, fá-las sempre pela calada  mas creio que já não ilude quem esteja minimamente atento a essas jogadas, que deverão envolver certamente mais os seus interesses pessoais do que os da Nação Santomense 

Vida difícil . que Patrice desconhece

Dizem-nos, quem vive em S. Tomé, que “O País parece que não tem Governo. PM está sempre fora. O Presidente Evaristo Carvalho não se faz sentir, tendo já desabafado  que se encontra preso com janelas abertas. dado o colete de sete varas em que, ao aceitar o papel de pau mandado - se foi enfiar.

Vozes mais otimistas, admitem que a salvação de Patrice Trovoada,  numa altura, em que se avizinham aumentos de impostos e de combustíveis, em que, os dinheiros nos cofres do Estado, estão vazios, com salários  por pagar vai para mais de um mês (e veja-se quem pode governar-se com salários mínimos de 40 euros mensais?),sim, que, a única tábua de salvação  poderá ser mais uma generosa dádiva alimentar do governo japonês, que acaba de assinar  - Mas é tarde demais

Depois de tantos erros, pouco ou nada poderá beneficiar, politicamente, com o  recente  acordo de ajuda alimentar de três mil toneladas de arroz, avaliado em mais de 1,7 milhões euros, referente ao ano fiscal de 2016, assinado pelo ministro Urbino Botelho, em representação do governo são-tomense e pelo embaixador do Japão, Massaki Sato que rubricou pelo executivo nipónico”


OFERTA DO GOVERNO JAPONÊS, DITADA MAIS  POR QUESTÕES HUMANISMO SOCIAL DE QUE PARA FAZER JEITO ÀS DESASTROSAS POLITICAS DE PATRICE TROVOADA
.
Governo japonês, que, em  16/12/2014,  decidira reduzir em 30% a ajuda alimentar em arroz a São Tomé e Príncipe, por alegada má gestão das receitas de venda desse produto., no entanto, nem assim, deixou de continuar a dar a sua cooperação – Mas, pelos vistos, mais por razões, de caris profundamente humanitário, de que para agradar a um Governo, incompetente e corrupto.  
Há vários anos que o Japão concede ajuda alimentar em arroz ao arquipélago e o produto da venda serve para financiar obras sociais. Patrice Trovoada garante que a redução dessa ajuda “só prejudica as pessoas de baixo rendimento”, sendo que o arroz é dos produtos mais consumido pela população são-tomense. http://observador.pt/2014/12/16/japao-reduz-ajuda-alimentar-sao-tome-e-principe-em-30-partir-de-2015/

GOVERNO PREFERE DEIXÁ-LO APODRECER NOS ARMAZÉNS HÚMIDOS ALFANDEGÁRIOS, PRIVILEGIANDO AS LOJAS DOS ESTRANGEIROS QUE O RODEIAM DE QUE PERMITIR A  CIRCULAÇÃO NOUTRAS LOJAS DO POVO

O Governo Santomense, no princípio deste ano, havia recebido 1800 toneladas de arroz, ofertadas pelo Japão. Todavia, constou-se que a maior parte desse arroz, teria acabado por apodrecer e tornar-se impróprio para consumo, garantindo que  ia corresponder  às exigências de  uma gestão criteriosa da ajuda alimentar – Mas tal não sucedeu.

Tal como então, sublinhava, o Télaa. Nón, o “Arroz do Japão que é vendido por treze mil dobras o quilo, cerca de 53 cêntimos do euro, é o mais consumido pelo povo, e contribui para resolver problemas básicos do próprio povo. «O objectivo da ajuda é de contribuir para a segurança alimentar em São Tomé e Príncipe, e reduzir a pobreza através do financiamento do processo económico, utilizando de forma benéfica o fundo de contra-partida da venda do arroz», explicou Madoka Funatsu, Primeira Conselheira da Embaixada do Japão. http://www.telanon.info/sociedade/2016/01/21/20975/ajuda-alimentar-do-japao-financia-centro-de-producao-de-oxigenio-para-hospitais/

domingo, 6 de novembro de 2016

S. TOMÉ – XIX - ROUBADO DAS ROÇAS - 1º Visconde de Malanza, (1845/1905) Jacinto Carneiro de Sousa, filho do 1º Barão de Água Izé – : “Um dia foi a Inglaterra e quis viajar como um príncipe branco: comprou um Yacht de luxo para ir a S. Tomé. Na volta não havia carvão a bordo e deitaram-se a queimar a madeira entalhada, os doirados do barco,... Quando chegou a Lisboa vendeu o barco por uma côdea”. – Quis fazer vida de luxo junto da frívola e corrupta nobreza e burguesia de Lisboa e Cascais, tramou-se. Até o rei D. Carlos, acabaria por ser assassinado, anos mais tarde, vitima dos vícios que alimentou e do descrédito em que caiu a casa real

Visconde de Malanza com familiares e amigos
Barão de Água Izé
Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador

Foi um dos roceiros mais importantes de São Tomé, participou na Exposição Insular e Colonial, realizada no Porto no Palácio de Cristal em 1894, com produtos produzidos na Roça de Porto Alegre, pelos quais foi agraciado com várias medalhas de Ouro e Prata. No final da exposição, os produtos nela expostos foram ofertados à Rainha D. Amélia 

«Morreu um dia d'estes um preto riquíssimo, que quis por força passar por branco, o que lhe custou  os olhos da cara … Se teima em viver  mais algum tempo acabava a pedir. Rodeara-se d'uma corte  que lhe custava caríssima: lisonjeavam-no e rapavam-lhe o cofre até ao fundo» –

Diz, Raul Brandão, em MEMÓRIAS, 1910  –  Descrição inserida, em forma diarística,  no contexto referente ao  ambiente dos costumes, frívolos, corruptos e viciosos, que, nos finas do século  XVIII e princípios do século XIX, caracterizavam a nobreza ou  da gente que fingia de nobre , da ostentação da burguesia vaidosa e dos fidalgos hipócritas e ignorantes,  que se movimentavam entre os salões de festas e bailes ou iam exibir-se nos camarins e corredores do Teatro S. Carlos, em Lisboa ou em  Cascais, “ Alimentado a futilidade, o mexerico, a extravagância - Ambiente fútil e dissoluto que  acabaria por contribuir para o descrédito e  a queda da monarquia, com o assassinato de D. Carlos, a tiro de pistola, no Terreiro do Paço 

Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria

“Jacinto Carneiro de Sousa, 1º Visconde de Malanza, (1845/1905), fidalgo cavaleiro da Casa Real, nasceu na Ilha do Príncipe, filho de João Maria de Sousa Almeida, 1º Barão de Água Izé. Em 1852 vem para Lisboa estudar no Colégio de Nossa Senhora da Conceição. Herda de seu pai em São Tomé, os prazos: Alto Douro e Monte Belo, casa-se com a sua sobrinha Dona Pascoela Correia de Almeida. O título “Malanza”, refere-se a um dos lugares mais agradáveis da Fazenda Porto Alegre, fundada por Jacinto Carneiro de Sousa no extremo meridional da ilha de S. Tomé. "http://grandmonde.blogspot.pt/2006/12/do-baro-de-gua-iz-ao-visconde-de.html

MAIS TARDE VOLTA A PORTUGAL MAS JÁ NÃO REGRESSA A SÃO TOMÉ 

Mais tarde, após o seu regresso a S. Tomé, voltou à capital do Império para fazer figura - Viajou da sua maravilhosa ilha para se ir meter na boca do lobo: levado pela vaidade e por uma certa ingenuidade que ainda hoje se reflete no olhar das  crianças santomenses: - Mostrar a sua riqueza, junto de uma fidalguia e burguesia, que de ingénua nada tinha, mas calculista e hipócrita,   tramou-se: já nem sequer chegou a regressar à sua ilha:

Ainda antes  de morrer: - "Os brancos ficaram-lhe com as roças,  e as propriedades de S. Tomé  foram transferidas para uma sociedade por cotas. É o que consta por aí, enquanto o negralhão estoira com uma pneumonia dupla  - e lá em casa  se toca desaforadamente piano com as janelas abertas de par em par”

Baía de Água Izé 
Bisneto do Barão de Água Izé

Pelos seus relevantes serviços prestados na agricultura, havia recebido o título Visconde de Malanza - Pelas mesmas razões, também já o seu pai, João Maria de Sousa Almeida,(12-03-1816 - 17.10.1869),  havia sido distinguido  como o 1º Barão de Água Izé e Conselheiro do Reino - Era proprietário em S. Tomé e Príncipe e no distrito de Benguela, assim como em Castelo do Sul e Alto Douro, O poeta agricultor, a quem, em 1855, se ficou a dever a   introdução   a cultura do Cacau em S. Tomé, importando-o da Ilha do Príncipe, para onde havia  sido levado do Brasil, pelo então Governador Manuel Ferreira Gomes A que me referi neste site, em  site - http://www.odisseiasnosmares.com/2016/04/barao-de-agua-ize-nasceu-ha-200-anos-12_81.html

Pena, no entanto, que aquela que começara por ser designada como a árvore dos pobres, com o decorrer do tempo, viesse a tornar-se a árvore das patacas dos ricos  - Pois não tardou que  a maior parte das terras que,  até 1872, eram propriedade dos nativos,  passassem para os roceiros colonos, sob as mais diversas ciladas ou artimanhas - Foi do que não se livrou o Visconde de Malanza, Jacintho Carneiro de Sousa e Almeida - De resto, sorte idêntica tivera também,   Maria Correia, (1788 a 1861)devido a uma certa vida faustosa e às cobiças que a traíram, a que já nos referimos neste site  conhecida  como a  princesa negra  da Ilha de Príncipe., cuja herança foi  fora objeto de cobiça. http://www.odisseiasnosmares.com/2016/05/principe-e-sua-princesa-negra-d-maria.html

VILA DE MALANZA -  O POVOADO QUE DEU TÍTULO A VISCONDE  

Tal como já tive oportunidade de referir, em anterior postagem,  num país europeu, onde a maioria das principais cidades têm mais população  de que a Ilha de S. Tomé, Malanza não passava de um simples e modesto aglomerado de casas de madeira - Porém, se há vila, em S. Tomé, com história, é a Vila de Malanza -  nome advém-lhe do rio, que a atravessa, ao desaguar no mar – E foi o título dado ao Visconde de Malanza, de seu nome Jacintho Carneiro de Sousa e Almeida, filho do 1º Barão de Água Izé e Conselheiro, João Maria de Sousa Almeida – Tal como é dito por Manuel Ferreira Ribeiro, no pequeno livro”1º Barão d’Água Izé e seu filho Visconde de Malanza, “o título Malanza, refere-se   a  um dos lugares mais agradáveis da Fazenda de Porto-Alegre, fundada pelo nobre Visconde no extremo meridional da Ilha e que representa um valioso serviço por ele feito a S. Tomé.

Foi este ousado agricultor quem lançou as bases da colonização  ao sul e Sudoeste da Ilha. E todas as terras, de floresta seculares, que por ali existiam sem exploração alguma, foram transformadas em belas plantações,  e foi dotada toda esta região inculta de notáveis fazendas ou lindas quintas agrícolas ou tropicais, que fazem o encanto de todas aqueles que as têm visitado.

E, na fazenda Porto-Alegre, introduziu o nobre visconde melhoramentos excepcionais.
Montou serrarias a vapor, construiu um caminho de ferro, lançou uma boa ponte sobre o Malanza, preparou uma ampla piscina – a primeira da ilha de S. Tomé – e abriu um campo de aclimatação, aonde trouxe as melhores plantas úteis tropicais.

A sua fazenda de Porto-Alegre, é, sem a menor dúvida, uma das maiores e das mais bem expostas de toda a ilha. E, por isso mesmo, constituiu uma região cacaueira por excelência.

(…) Não havia na Ilha de S. Tomé meios de transportes fáceis e seguros, em volta da ilha, lutando assim os novos agricultores estabelecidos ao Sul, com grandes embaraços, e então adquiriu  o belo vapor Malanza, oferecendo fácil e rápida viagem aos que se dirigiam às fazendas, para as quais só podia aproveitar a via marítima.
Foi o nobre Visconde o primeiro agricultor de S. Tomé que me navio próprio – no Yatche Vá-Inhá  - fez a travessia daquela ilha a Lisboa.

Por muitas vezes, em terra e n mar, deu provas de grande coragem apresentando-se sempre nos grandes perigos, com o maior sangue frio.

Na exploração agrícola que iniciou no sudoeste da Ilha, e à qual chamou tantos europeus, revelou tal tenacidade de carácter  e tão viva fé no trabalho, que poderia invocar-se esse arrojado empreendimento como uma das suas maiores glórias.
Nos serviçais e trabalhadores tem amigos e é sempre dia de grande festa em Porto-Alegre aquele que faz reunir todas as crianças. Mostra assim o vivo interesse que nel desperta a população trabalhadora, distinguindo, com singular afecto os que foram seus companheiros nos rudes trabalhos agrícolas, que primeiros se fizeram  nas fazendas de S. Miguel e Porto Alegre,

Contra a praga dos ratos, que tão grande prejuízo causa  à agricultura, mandou vir do Instituto Pasteur, em julho de 1895, o veneno que mais se recomenda para o destruir"

VOLTADA A SUL E  QUASE SOBRE A LINHA DO EQUADOR 



NUM QUASE FIM DE TARDE  - Recordações de histórias do Pico Cão Grande, de caçadores de porcos e de heróicas provas de sobrevivência de pescadores  

Quem for a S. Tomé, com intuito de conhecer as suas mais belas paisagens e maravilhosas praias, dificilmente deixará de ir ao Sul -  Existe uma estrada alcatroada, que lhe proporcionará as mais fascinantes surpresas, e é das melhores vias, atualmente existentes na Ilha  - Umas vezes, lado a lado com o oceano equatorial, outras, com  as curvas mais imersas pela florestas, sim, há muitas curvas e contracurvas, esse é o desfio com o qual tem de saber lidar o viajante de carro,  mas é um desafio deveras aliciante e encantador.

No meu caso, ir ao Sul, 40 anos depois de meus olhos terem deixado de contemplar o Pico Cão Grande e toda a majestosa floresta do obó envolvente, impunha-se como que uma peregrinação sagrada e obrigatória – Mas eu ainda fui mais a sul, pois desloquei-me até à Vila Malanza, graças à cortesia de bons amigos  - o português, Manuel Gonçalves e, posteriormente, do Coronel Victor Monteiro.


E que maravilhoso fim de tarde, ali não desfrutei!...  Pese o facto do céu se encontrar muito nublado, o que é normal numa das zonas mais pluviosas de S. Tomé, mormente na Época das Chuvas, que foi justamente o que sucedeu na minha deslocação, nos finais de Outubro, de 2014.

Há quem  passe pela estrada a fora, que corta a pequena vila e se limite ao olhar as pessoas, as casas, as canoas da praia, mas talvez sem olhos de ver: tira foto, mesmo de dentro do carro e toca a girar - Com aquele  olhar apressado do viajante de carro, que é geralmente dominado pela avidez da descoberta, mas, no fundo no que pensa  é desbundar quilómetros, atrás de quilómetros, sem nunca se dar por satisfeito.

Não foi o meu caso: -  pedi ao meu companheiro de viagem, que tinha alugado o jipe, que me deixasse ali  para eu dar um saltinho até à praia para falar com os pescadores, enquanto ele ia até Porto Alegre, já que esse era o principal objetivo do seu roteiro.

E, por lá fiquei, não muito tempo, porque, no Equador, o dia começa cedo mas a tarde escoa-se rapidamente. Mas foi o tempo suficiente para ali passar uns momentos inesquecíveis, convivendo com  velhos lobos do mar, caçadores de porcos e  no meio de revoadas de alegres e risonhas crianças, trazendo à memórias as  aventuras da  minha escalda ao Pico Cão Grande e no mar – Veja o vídeo e verá como alegres e hospitaleiras são estas gentes do Malanza – De resto, cordialidade e simpatia, é apanágio de quem aqui nasceu e aprendeu a conviver com as mais deslumbrantes maravilhas da Natureza .

TANTO NAS ILHAS VERDES DO EQUADOR, COMO DA CAPITAL DO REINO A CASCAIS  – OS MESMO SURRIPIANÇO INSTITUÍDO PELOS PARASITAS DO COSTUME

Naquela época, o ambiente, de usurpação, que se verificava nas duas ilhas do império colonial português, situadas no Golfo da Guiné,  não era muito diferente da vaidade e do  parasitismo, ostentado em Lisboa, Sintra e Cascais, que rodeava a família real, tal como  demonstrarei mais adiante, valendo-me de excertos do diário de Memórias, de Raul Brandão, bem de outros elementos  extraídos de um estudo de Carlos Agostinho das Neves - S- Tomé e Principie - Na Segunda Metade do Século XVIII 

Março 1904  - MEMÓRIAS – de Raul Brandão

"Morreu um dia d' estes um preto riquíssimo, que quis por força passar por branco, o que lhe custou  os olhos da cara .. Se teima em viver  mais algum tempo acabava a pedir. Rodeara-se d'uma corte  que lhe custava caríssima: lisonjeavam-no e rapavam-lhe o cofre até ao fundo. Depois inventavam-lhe processos, depois demandas…Depois sopravam-lhe à vaidade incomensurável. E o pretor-sorria, o preto dizia- sempre que sim. Tinham-no casado com uma linda rapariga branca – e o preto, à farta, pagara tudo, dotara tudo, a noiva, os pais da noiva, os parentes da noiva… E cada vez mais brancos lhe faziam a corte e o enredavam numa vasta teia de interesses, com muitas zumbaias e papel selado.
Um dia foi a Inglaterra e quis viajar como um príncipe branco: comprou um Yacht de luxo para ir a S. Tomé: cinquenta contos. Na volta não havia carvão a bordo e deitaram-se a queimar a madeira entalhada, os doirados do barco, as portas, os salões,  as molduras. E o preto sorria. Quando chegou a Lisboa vendeu o barco por uma côdea.

Rodearam-no mais brancos, apareceram-lhe mais brancos infatigáveis, pressurosos, obsequiadores. E mais papel selado, mais contratos e procurações para assinar – o enredo, a teia subtil em que o negralhão foi arrasado e  envolvido, o verdadeiro, o autêntico drama, enfim, do preto que quer ser branco… Se ele tinha por acaso um sobressalto, falavam-lhe logo à vaidade ou davam-lhe noticiam d’uma coisa que se chama o Código, a Lei, à Fórmula, e o preto, que não compreendia e que se sentia feliz, submetia-se sem contestar, com uma grande satisfação por fazer parte d’esta raça ilustre e respeitada de brancos, por ser Visconde, por pertencer à Corte e à alta sociedade elegante.

….Antes  de morrer lá lhe deram o último golpe – de preto. Os brancos ficaram-lhe com as roças,  e as propriedades de S. Tomé  foram transferidas para uma sociedade por cotas. É o que consta por aí, enquanto o negralhão estoira com uma pneumonia dupla  - e lá em casa  se toca desaforadamente piano com as janelas abertas de par em par.

LUXO E DEVASSIDÃO - DESDE A NOBREZA À CORTE  - ONDE O VISCONDE SANTOMENSE  SE FOI METER....

Agora atente.se nas notas seguintes, extraídas do mesmo livro, 1º volume de Memórias, de Raul Brandão, que poderão, de algum modo, dar-lhe o contexto do ambiente social em  que o Visconde de Malanza, foi roubado  das suas roças,

 "Cultivam só o corpo diplomático e a religião; vestem bem, jogam bem,  jogam muito, dançam  muito e bem, e flirtam  na perfeição. Voltam ao ostracismo algumas palavras que nós dizemos e que são possidónias como: chávena, trem farmácia, carnaval, etc,etc,etc.Tratam-se todos por “você”; alguns têm muita piada  e usam todos um ar muito chateado (É da praxe o calão). A “smart” diverte-se   mas não sabe sorrir.

Esta sociedade, que anda todos os dias nos jornais, vem do alto  até baixo, da aristocracia  ao povo, forma uma lista infindável, tem um cronista  célebre, e pode ser vista  

(...) A sociedade lisboeta tinha dois pontos principais de contacto – Cascais e o teatro  de S. Carlos. Era aí que os ricos, ou os que aparentavam impor-se a certa roda, que dificilmente os recebia

(…)Cascais,  com a adjacência dos Estoris,  - diz-me um frequentador – era a corte da intimidade , em robe-de-chambre, mais fáceis as relações, mais acessíveis e amáveis, tu cá, tu lá. Quase toda a gente do rei, que ia para lá cedo por meados de Setembro, cansados de Sintra nde D. Carlos, raro pernoitava, fugindo a pretexto de tudo e de nada, á convivência da rainha e da Figueiró. A separação do rei  e da rainha, segundo me informaram , proviera de uma certa dama, que lançou entre eles sizania. Conhecia ainda linda e elegante, um pouco roliça, de olhos aveludados e lábios vermelhos: nos últimos anos  engordara, e banalizara-se. Tinha a fúria do domínio, e rodeava uma corte  de corte de gente em que ela mandava e da qual fazia parte um diplomata mais tarde em evidência. Passava por ter relações anormais com a rainha… O marido, pouco esperto, só tinha como ideal ser ministro plenipotenciário e par do reino.

Em Cascais, não se vulgarizava. Saía a cavalo enquanto pôde montar . Tinha varizes nas pernas – informou um dia o D. Afonso. (…) Dava as suas receções  à tarde, principalmente  em véspera de festa, para serem apresentadas pessoas que desejavam r aos bailes, e que em Cascais mais facilmente obtinham  o convite  e apresentação indispensável (…)

O D Carlos fazia vida higiénica de madrugada, tirava fotografias , pintava ligeiramente algumas marinhas, sentindo o mar. Logo de manhã, saía de cavalo, com chuva ou com sol ou ia à procura de senhoras que ele perseguia. Tivera, pelo menos um ano, numa vila do Monte Estoril, uma amante, mas isso não o dispensava  de querer que o julgassem  homem de boas fortunas. Escrevia a miúdo a outras damas, em caligrafia disfarçada, cartas em prosa e em verso à mistura, quase sempre em francês. Eram muito tolas. Vi algumas e podia ter guardado uma, que rasguei. Serviam-se de alcoviteiros ilustres, que o faziam encontrado  com as mulheres  que lhe agradavam. Outro chegou a dar um baile, para que o rei conhecesse uma senhora da burguesia media de quem andou anos.

Iam ao Sporting Clube, mais conhecido pela Parada, jogar o ténis. Não havia escolha nos parceiros. O almirante Capelo, o explorador, ficava com o sobretudo do rei no braço, enquanto ele jogava. D. Carlos era um tímido, falava pouco. Numa olhava de frente: os seus pequenos olhos evitavam sempre os dos outros

A Parada era a capital do reino de Cascais. Ali se reunia a flor da aristocracia  e o ingresso não era fácil.. como sócio. Só nos últimos tempos é que o Tompson, a quem chamavam moço fidalgo, facilitou a entrada . Aos domingos davam-se salsifrés à noite, e todos os anos um grande baile, a que assistia o rei, que distribuía os parceiros e dançavam uma contradança. A rainha, se ia, não se demorava. Nos dias da semana , poucas pessoas lá estavam , preferindo os casinos à beira-mar, principalmente o Estoril.

O rei, todas as tardes, ia para a Boca do Inferno e quedava-se ali, se encontrava algumas senhoras que o interessassem. Por isso chegaram a chamar ao D. Carlos  o balão cativo…
O rei  mal recebia os ministros, de que se desfazia  logo que lhe era possível. Não se demoravam em Cascais, não os convidava para assistir sequer, às partidas. Teve d’uma vez com o Soveral. Não lhe conheci nenhum outro.

(…) Em Cascais era difícil chegar a vias de facto com uma mulher. Meio pequeno, coscuvilheiro, maldoso, maldizente. Não se falava senão  nesta ou naquela , em escândalos, repetindo-se os ditos de ouvido para ouvido ou acentuando-se as infâmias. A. M… foi apanhada no pinhal  numa atitude equívoca… A. S…. faz namoro  descarado ao rei… Mas as coisas arranjavam-se para Lisboa. Vinham ao dentista, às compras, etc. A forçada e grande intimidade  estabelecida, de manha na praia , à tarde na Boca do Inferno , onde toda a agente ia , apesar do vento e da poeira, na Parada ou à boquinha da noite no passeio Maria Pia, junto à cidadela onde às vezes fazia uma ventania infernal, à noite nos casinos  ou nalguma partida de bridge, a vida quase em comum e os namoros travados , no ar do mar  que desequilibrava os nervos e torna os amores exigentes, fizeram tecer muitas aventuras  escandalosas. Um ainda fugiu a tempo com a mulher, que, já madura, esteve em vésperas de cair… Nunca mais voltou a Cascais.

As ceias nos bailes eram pugnas. Vi isto até no Paço. Uma descendente de D. João IV, via-a eu agarrar-se  a um bufete, com unhas e dentes. Em certas casas, as ceias nunca chegavam. Uma madrugada, num baile do M…chegou a iniciar-se  a luta… A alta sociedade era, em regra, pelintra. As grandes famílias tinham gasto as fortunas, e muitas não queriam, ou não podiam, dar bailes. Só tinham dívidas. Não era possível deixar  de ir a S. Carlos e de satisfazer outras exigências . Havia-os com atrizes  com dezasseis anos de assinatura… Fora o Palmela e poucos mais, não recebiam porque de todo não podiam. E, se o faziam, era sem cerimónia. Não havia dinheiro! Não havia dinheiro!

Descaíam muito os fidalgos, mas obstinavam-se  sempre em parecer. Um oficial jogador e pai de uma série de filhos, mandava o miúdo incomodar D. Carlos….Todos os seus fâmulos lhe extorquiam dinheiro quanto podiam. Choravam, punham-se de joelhos, contavam-lhe misérias reais  ou falsas. Tive, em Cascais, semanas uma arca com prata para fugir a uma penhora iminente… Um grande fidalgo, no fim de algum tempo, despediu os criados – mas nunca pagou a nenhum. Outro chegou a não ter que jantar, porque o merceeiro não lhe fiava, mas bebia todos os dias garrafas de champanhe.
Havia mancebias antigas e tão respeitáveis , com o casamento, assim, por exemplo, F… e F… Já ninguém convidava uma sem o outro.

Quer que também lhe fale da gente que fingia de nobre , da burguesia vaidosa e que fazia mexerico para ser convidada? A mulher de um grande industrial conseguiu entrar na casa de um fidalgo, onde ia toda a gente, da grande e da baixa. Convidou-a para o jantar, para o teatro e nadava contente como um cuco. Um dia não a convidou mais. Chorou. Isto foi-me afirmado  por uma amiga que o viu. Era uma dama, muito linda, com um soberbo colo, mas com o cérebro de uma arara.

Aí fica o quadro levemente esboçado  por um frequentador de Cascais. Tudo isto é frívolo e trágico. Lembremo-nos que desta maledicência, dos ditos destas bocas que sorriem, da ninharia e do encanto,  se gerou parte da atmosfera  donde devia sair o descrédito da rainha e do assassinato do rei.

(…) A politica portuguesa  chegara a estar apenas nas mãos  e dependente da vontade dos chefes. O José Luciano dizia – O meu partido não é  que  me leva ao poder  -sou eu que levo o meu partido ao poder (…) Alguém jamais se filiou jamais num destes partidos  por principio, por ideal? Ou foi por interesse, e, mais simplesmente, por simpatias pessoais

 EM S. TOMÉ E PRINCIPIE - "OS CONFLITOS SOCIAIS"

(...) Em “S. Tomé e Príncipe, sede do governo da capitania, quer as mais altas autoridades estivessem em S. António ou em S. Tomé, as suas rivalidades eram constantes. Esse facto gerava tal anarquia, que propiciava a proliferação da delinquência e da criminalidade, chegando ao ponto de circularem boatos referindo que os governadores e ouvidores eram assassinados quando tentavam opor-se aos interesses dos moradores mais importantes e ambiciosos 

Por outro lado, o desejo de um rápido enriquecimento levava os governadores e seus subalternos a efectuar roubos, chantagens, extorsões, vendas de cargos e a colocar os seus amigos e parentes em lugares cimeiros da fazenda real, tudo executado sob um clima de terror e de torturas. No limiar da década de cinquenta, o ouvidor-geral, Cristóvão Alves de Azevedo Osório, era acusado por um morador de não ter limites nas suas ambições, por efectuar prisões arbitrárias, substituir os oficiais de acordo com os seus interesses, estimular um motim dos padres e extorquir escravos aos moradores, que depois remetia para as suas fazendas no Brasil 

Por seu turno, o morador que acusara Cristóvão Osório, Domingos Pires Ribeiro, não só servia o cargo de provedor da fazenda, como acumulava essa função com a de procurador de numerosos navios do comércio da Mina com graves prejuízos para a fazenda (33). Os governadores não perdiam tempo a saquear a fazenda. Um exemplo disso, foi o caso de João de Azambuja, que mal chegou a S. Tomé, em 1779, ordenou ao capitão-mor que lhe comprasse toda a prata do falecido ouvidor-Constantino José da Silva que se achava no cofre dos ausentes, tudo executado numa arrematação fraudulenta. O mesmo governador servia-se dos soldados para lhe fazerem pescarias que comprava por um terço do seu valor, punindo severamente os faltosos, mandando-os açoitar de manhã e de tarde durante vários dias. Se porventura lhe levavam uma reduzida quantidade de peixe, ordenava aos soldados da sua guarda que lhes batessem com o peixe na cara, e depois lho pendurassem ao pescoço, ficando assim até apodrecer completamente 

O poder ilimitado das autoridades permitia a execução de actos como o sequestro e a tortura de pessoas. Queixando-se ao monarca, uma viúva, Jerónima Afonso, alegava ter sido vítima de prisão arbitrária efectuada pelo sargento da fortaleza de S. Sebastião, que a torturou durante várias horas para que dissesse aonde se encontrava uma sua escrava, que o mesmo pretendia matar . Tudo se fazia para satisfazer pequenas vinganças. Os moradores acompanhados dos seus escravos assaltavam as casas dos que se lhes opunham, fazendo justiça privada. Esse tipo de levantamentos era, segundo Caetano de Mesquita, bastante frequente e mantinha os juízes aterrorizados
O governador Azambuja, para dar satisfação às suas paixões, não hesitava em mandar prender os próprios oficiais, acorrentando-os na fortaleza sem qualquer acusação. E para que fossem soltos, mandava-lhes rascunhos de petições que deviam assinar, em que se declaravam culpados de certos delitos. Perseguiu violentamente uma viúva por esta ter recusado o casamento de sua filha com um sobrinho seu, chegando a mandar prendê-la durante doze dias, bem como muitos dos seus escravos 

Também Varela Barca se queixara à rainha, de que apesar de ter absolvido um réu e ter notificado o facto ao sargento-mor, o governador mandara-o açoitar publicamente (39). Era tal o clima de terror que o governador Leote infundia, tanto aos eclesiásticos como aos oficiais civis e militares, que ninguém se sentia seguro nos seus cargos. Mandava · prender e degredar os oficiais superiores, acção que chegou a praticar com o prefeito dos capuchinhos italianos 

O ambiente de anarquia e instabilidade social facilitava as fugas de numerosos escravos para o interior das ilhas, onde se constituíam em bandos e assaltavam as roças; permitia a ociosidade, a prepotência e a criminalidade. Era constante a fuga dos degredados e de outros habitantes para o Brasil e outras paragens do continente americano, em navios portugueses e estrangeiros 

Acusavam-se os pretos e mestiços de levarem uma vida dissoluta e preguiçosa e, imitando-os, também assim procediam os escravos. A maior parte dos senhores não saia da cidade, deixando a cultura das suas terras a cargo dos escravos, e-sempre que algum senhor mais cuidadoso os obrigasse a trabalhar, fugiam para o interior das ilhas. Também os degredados que ali permaneciam eram de pouca utilidade visto não terem levado consigo as suas ferramentas de trabalho. Na opinião de Caetano de Mesquita faltavam brancos que reduzissem os escravos à obediência e fizessem trabalhar os forros 

Já na década de cinquenta, descreviam-se as ilhas como em estado de profunda convulsão e completa ruína. Nem a igreja constituía excepção (43). A câmara, o capitão-mor e os principais moradores do Príncipe estavam em tal liberdade, que se recusaram a obedecer às autoridades ainda sediadas em S. Tomé. Chegaram mesmo a ajustar retirarem-se da povoação para as suas roças quando o ouvidor se deslocasse ao Príncipe a fim de lhe não permitirem o exercício do seu. cargo 
Com o objectivo de pôr cobro a algumas das referidas situações, Vicente Gomes Ferreira experimentou impedir a comunicação entre as duas ilhas e determinou que ninguém podia deslocar-se sem a sua autorização, devendo cada um permanecer na ilha da sua naturalidade. Esta medida provocou naturalmente uma forte contestação. Também João de Azambuja tentou prender todos os delinquentes bem como os escravos fugitivos com o intuito de restabelecer a ordem e a autoridade. Determinou, para o efeito, que todos os forros que vivessem nas zonas do interior se concentrassem nos povoados das suas freguesias e aí construíssem as suas casas. Instalou uma companhia militar em cada povoado e determinou que todos os indivíduos aptos se alistassem. Estabeleceu que em cada povoado deveria funcionar uma escola, onde as crianças aprendessem as primeiras letras e todas as noites se difundisse o catolicismo. Deveriam frequentar a igreja todos os domingos e dias santos. Essas medidas, na opinião da câmara de S. Tomé, permitiram ressuscitar o catolicismo

Para Frei Boaventura de Veneza, prefeito dos capuchinhos italianos, as acções do governador Azambuja tinham sido mais um acto despótico que sensato, uma vez que, para impôr os seus objectivos mandara destruir as plantações dos forros e tomar-lhes as suas criações à força, bem como queimar muitas casas, nas quais arderam numerosas imagens de Cristo
Em todo o processo de conflitualidade que se vivia em S. Tomé e Príncipe na 2.ª metade do séc. XVIII, merece especial relevo o que opunha os habitantes de diferentes raças. Na base desses conflitos estavam, a maior parte das vezes, as disputas por cargos de maior importância" - Excerto  - Carlos Agostinho das Neves - In S. Tomé e Pirncipe - Na Segunda Metade do Século XVIII