expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

domingo, 27 de outubro de 2019

Em novembro, dose dupla de OuTonalidades musicais, no Espaço d'Orfeu, em Portugal

O circuito musical, teve início em 21 de setembro  e irá decorrer até 21 de março de 2020, com concertos em diversos pontos do país e várias extensões internacionais.
"A 23ª edição do OuTonalidades - circuito português de música ao vivo, que decorre por todo o país, terá duas datas a passar pelo Espaço d'Orfeu, em Águeda: a 1 de novembro, com o italiano Arsene Duevi e, a 22 novembro, com o espanhol Pipo Romero. Os bilhetes estão à venda no local e a entrada é livre para Sócios, Amigos e Alunos d'Orfeu AC.

Arsene Duevi é um músico, cantor, compositor e etnomusicólogo natural de Togo, mas radicado em Milão desde 2002. Numa viagem pela raiz das sonoridades africanas, canta-nos mensagens de esperança e de celebração da vida, defendendo a fraternidade e a persistência, contra a corrupção do dinheiro. Para além do Espaço d'Orfeu (a 1 novembro), Duevi estará também no Cineteatro Alba, em Albergaria-a-Velha, a 31 de outubro. A vinda a Portugal do músico italiano resulta de uma aliança do circuito OuTonalidades com a associação italiana Musicamorfosi.
A 22 de novembro, é a vez de Pipo Romero (Espanha) subir ao palco OuTonalidades no Espaço d'Orfeu. Pipo é um compositor e guitarrista natural de Cádiz, Andaluzia. Já trabalhou, como músico e produtor, com vários grupos espanhóis. No entanto, a sua verdadeira paixão emerge quando consegue encontrar uma nova forma de fundir, através da guitarra clássica, todas as influências musicais que o têm acompanhado desde a infância, do clássico ao flamenco, passando pelo jazz. O seu som único passará também pelo Cineteatro Alba a 21 novembro e pela ACERT, em Tondela, a 23 novembro. Estas datas são também fruto de outra aliança do OuTonalidades, desta vez com o circuito espanhol AIEnRUTa.  

FONTE - [LUGAR AO SUL] Fwd: Espaço d'Orfeu recebe dois concertos OuTonalidades em novembro!






sábado, 26 de outubro de 2019

Nuno Rebocho – “A Ilha do Amianto” – O mais recente livro do jornalista, poeta e escritor – Lançamento em Lisboa, Rua da Emenda, dia 29

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

A Ilha de Amianto", editado pela "Apenas Livros, vai ser apresentado por Mário Máximo, n´A Cooperativa (Rua da Emenda, 72, em Lisboa) a partir das 18h 30m da próxima Terça-Feira, 29 de Outubro, numa iniciativa conjunta do Centro InterCulturaCidade, a editora Apenas Livros e o Circuito Cultural Lusófono, integrada na "Semana do Livremente" (promovida pela Junta de Freguesia da Misericórdia

Nuno Rebocho é jornalista, poeta e escritor, nasceu em Queluz, em 1945, Portugal, cresceu e estudou em Moçambique, viveu longos anos em Cabo Verde. Participou activamente na luta contra a Estado Novo de Salazar, chegando a ser preso durante cinco anos, por motivos políticos, na cadeia do Forte de Peniche.

Ex-jornalista da imprensa escrita e da rádio, tanto em Portugal como em Cabo Verde, desempenhou funções de chefe de redação da RDP Antena 2. Foi adjunto do Ministério da Habitação, Obras Públicas e Transportes do VI e VII Governos Constitucionais de Portugal e assessor da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, em Cabo Verde. É Cidadão Honorário da Cidade Velha e nomeado assessor lusófono da Korsang di Melaka.
É autor de uma vasta obra publicada em Portugal, Cabo Verde, Brasil, Espanha e Argentina.


Nas suas peregrinações pelo mundo, o autor relata assim a sua chegada à Córsega: um dos poemas do seu livro “A Ilha de Amianto”.

A Ilha de Amianto", editado pela Apenas Livros, vai ser apresentado por Mário Máximo, n´A Cooperativa (Rua da Emenda, 72, em Lisboa) a partir das 18h 30m da próxima Terça-Feira, 29 de Outubro, numa iniciativa conjunta do Centro InterCulturaCidade, a editora Apenas Livros e o Circuito Cultural Lusófono, integrada na "Semana do Livremente" (promovida pela Junta de Freguesia da Misericórdia


Nuno Rebocho é jornalista, poeta e escritor, nasceu em Queluz, em 1945, Portugal, cresceu e estudou em Moçambique, viveu longos anos em Cabo Verde. Participou activamente na luta contra a Estado Novo de Salazar, chegando a ser preso durante cinco anos, por motivos políticos, na cadeia do Forte de Peniche.

Ex-jornalista da imprensa escrita e da rádio, tanto em Portugal como em Cabo Verde, desempenhou funções de chefe de redação da RDP Antena 2. Foi adjunto do Ministério da Habitação, Obras Públicas e Transportes do VI e VII Governos Constitucionais de Portugal e assessor da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, em Cabo Verde. É Cidadão Honorário da Cidade Velha e nomeado assessor lusófono da Korsang di Melaka.
É autor de uma vasta obra publicada em Portugal, Cabo Verde, Brasil, Espanha e Argentina.


O PLANETA INVISÍVEL

o planeta invisível. a bruma come
o tempo mas a bexiga natatória dos sentidos garante a realidade. à tona das rugas
(quando, onde) onde o silêncio silfa
como olhos na barriga da memória descubro a confusa mancha
das coisas por acontecer. aos poucos,
no jeito de desarvorar roupas,
a montanha sacode a névoa.
a ilha poisa sobre o mar.

o planeta visível. permanece a ausência quando os olhos se atarefam na manhã. olhos que iniciam a timidez dos gestos
e definem missões para os momentos. por exemplo: além uma cidade, um monte. além o casario arrepela-se de lixeiras
e as gaivotas triunfam sobre os restos. esta é a ilha. os contornos encerram nítidos
os olhos das ausências. então, o silêncio guardado nas orelhas uiva como apelo.
a ilha descobre-se. e o mar acaba.


OUTRAS NOTAS BIOGRÁFICAS DE NUNO REBOCHO E DA SUA OBRA - Iniciou sua carreira na página juvenil do Diário de Lisboa, em 1963. Foi redactor da revista O Tempo e o Modo e da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, porém só viria a ingressar no jornalismo profissional em abril de 1974 em jornais diários como o Jornal Novo, Tribuna, jornal da cidade do Porto, A Tarde", "Jornal de Economia", "O Século"; e em semanários - "Vida Mundial", "Novo Observador", "O Sinal", "Dez de Junho", "Ideal". E também em revistas especializadas - "Pesca & Navegação", "TT-Todo o Terreno", "Motor" (foi director do suplemento de Turismo). Presença activa na imprensa regional - "Notícias da Amadora", "Comércio do Funchal", foi chefe de redacção de "Aponte" (Montijo) e "A Nossa Terra" (Cascais). Desempenhou funções diversas - redactor principal, chefe de secção, sub-chefe de redacção, chefe de redacção. Em 1989 enveredou pelo jornalismo radiofónico, colaborando com Moliceiro FM (Aveiro), cronista da Rádio Comercial (prograna de Turismo, de Carlos Amorim; programa de Rui Castelar) e de comentador. Ingressou na RDP (Radiodifusão Portuguesa), destacado para a Guarda durante um ano. Depois, foi editor, chefe do departamento de Informação Especial. Actualmente é chefe de redacção da RDP - Antena 2. Integrou conselhos de redacção e a Comissão de Trabalhadores da empresa radiofónica. Em Cabo Verde, colaborou com o semanário "Horizonte", com "Expresso das ilhas" e com "Liberal on-line" (de que é delegado em Lisboa). Integrou os órgãos dirigentes da AJEPT, Associação de Jornalistas Portuguesees de Turismo. Participou com poesia no tríptico de serigrafias de Silva Palmeira "A Lisboa", Centro Português de Serigrafias. Lisboa 1997. Foi comissário da Bienal do Mediterrâneo, Dubrovnik, Croácia, 1999. Animador cultural, organizou A Festa da Poesia, na Galeria Artdomus, S. Pedro de Sintra em 2000-2001; As Noites da Liberdade, na Biblioteca Museu da República e Resistência, Lisboa em 2005; A Poesia à Mesa, no restaurante Panela de Barro, Carnaxide em 2006. Foi vice comissário da Festa da Poesia - Encontros de Poetas Portugueses, na Figueira da Foz em 2003/4/5. Organizou o Dia Mundial da Poesia, em 2006, em Penamacor. Participou nas Jornadas Poéticas de Artiletra (Cabo Verde), 2007; em Correntes d'Escrita, Póvoa do Varzim, 2007; na I Bienal de Cultura Lusófona-Encontro de Culturas, Malaposta-Odivelas 2007. É membro efectivo da AVSPE (Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores).
Obras  -Romance -A Segunda Vida de Djon de Nha Bia (2010)

Poesia - Breviário de João Crisóstomo (1965); Uagudugu (1994); O Onanista (1994); Um Poema a Lenine (1994);Manifesto (Pu)lítico (1995); Memórias de Paisagem (1996); A Invasão do Corpo (1997); Santo Apollinaire, meu santo (1997); Xblung Cascais (1997);; A Nau da India (1999); A Arte de Matar (2001)
Cantos Cantábricos (2002); Poemas do Calendário (2003); Manual de Boas Maneiras (2005); A Arte das Putas (2006); Colectâneas e Antologias; Desintegracionismo (1965)
Um Embrulhe Xê D'Area (1998) https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuno_Rebocho









sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Poesia de Conceição Lima - Continua ser tema de estudos académicos em várias universidades - Nomeadamente, Brasil, EUA, Portugal e Itália

Jorge Trabulo Marques - Jornalista -


Trata-se, com efeito, de “uma obra poética que tem sido  objeto de vários estudos de Mestrado e de doutoramento em universidades portuguesas. italianas, dos EUA  e brasileiras.” 

Sem dúvida, uma presença simpática e respeitável, possuidora de um currículo jornalístico de alto gabarito  - Conceição Lima esteve 15 anos a viver em Londres, onde  se licenciou em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King"s College, obtendo o grau de mestre em Ciências Políticas e Estudos Africanos pela School of Oriental and African Studies, tendo exercido a atividade de jornalista e  produtora dos serviços em Língua Portuguesa da BBC 

Conceição Lima, que,  nas maravilhosas ilhas do equador é mais conhecida por São de Deus Lima,  creio que em resultado da  admiração, do carinho e da popularidade, que goza no seu país, é o nome mais traduzido da literatura são-tomense, nomeadamente nas línguas alemã, árabe, francesa, italiana,  galega, espanhola, inglesa, servo-croata, turca e shona. 

Autora de três livros de poesia, publicados pela Editorial Caminho, um dos quais, “A Dolorosa Raiz do Micondó’’,  foi  lançado pelo Ministério da Educação do Brasil com uma tiragem de 32 mil exemplares.


07/04/2017 "Eu viajei para a capital homónima do país em busca de outro poeta: Conceição Lima, herdeira de Aimé Césaire, “filha” de Sophia Mello de Breyner Andersen e contemporânea de Paula Tavares. Apesar do verdadeiro absurdo da categoria “literatura africana”, representando 55 estados-nação e mais de 2.100 idiomas vivos, Lima é, para mim, o maior poeta contemporâneo do continente. https://www.poetryfoundation.org/harriet/2017/04/sao-tome-notebook

"Neste artigo, discuto a poesia da poeta de San Tomé Conceição Lima. Em particular, concentro-me em seu tratamento da ilha como uma forma abtrata e uma realidade empírica. Ofereço leituras de uma ampla seção transversal da obra de Lima e defendo que, para ela, a ilha acaba por representar o lar.

A ilha da Conceição Lima
Poesia  - Por JOANA CASTAÑO
Universidade de Oviedo

 Resumo: Neste artigo, focalizo a poesia de Conceição Lima, nascida em
Santana, São Tomé, em 1961. Analiso a relação entre a voz poética
e a ilha, bem como as imagens concebidas na obra de Lima, que explora
as consequências da nacionalidade. De especial interesse é o tratamento que Lima faz da ilha como uma forma abtracta e uma realidade empírica. Através das leituras de uma ampla seção transversal do trabalho de Lima, argumento que, para ela, a ilha vem para representar o lar.

(...) Um símbolo comum, a ilha assume uma dimensão única em Conceição
O trabalho de Lima, às vezes mencionado empiricamente, às vezes uma "ilha da imaginação ”(Macedo 9) coincidindo com uma fundação e um lugar íntimo, pelos quais termos como "mátria", "casa", "útero da casa", "país", "praça", "raiz" e A raiz do micondó é invocada. Eles indicam uma “busca identitária do sujeito poético que recupera um local de origem, que também é o lugar de enunciação a partir do que o sujeito poético coloca sua voz e inicia sua narrativa ”(Ribeiro
200) As referências espaciais são abundantes, assim como as pessoais. – Excertos de   - ‎2016 - ‎The Island in Conceição Lima's Poetry | Journal of Lusophone  
25/06/2019(PDF) The Island in Conceição Lima's Poetry - ResearchGate"

A obra de Conceição  Lima é povoada de semas que evocam os fantasmas deixados como herança do período colonial. Entretanto, como se quase se desculpasse, a poetisa fornece-nos um roteiro literário que parte, então,  da descrição  paradisíaca das paisagens de suas ilhas.- Escreve Marcela de Paula, em  “Literaturas no Atlântico Sul: o caso da formação da literatura em São Tomé (e  seus refluxos no Brasil) 

Da lisa extensão  dos areais
Da altiva ondulação dos coqueirais
Do infindo aroma do pomar
Do azul tão azul do mar
Das cintilações da luz no poente
Do ágil  sono da semente
De tudo isto e do mais  -
Ða redonda lua, orquídeas mil, os canaviais -
de maravilhas tais
falareis vós.

Eu direi dos coágulos que mineram
a fibra da paisagem
do jazigo nos pilares da Cidade
e das palavras mortas, assassinadas
que sem cessar porém renascem
na impura voz do meu povo.


Os poemas de Lima funcionam como "estelas funerárias"  e como tais, partindo do pensamento de Jacques Le Goff, cumprem múltiplas funções  de "perpetuação de uma memória" Monumentos que, ao mesmo tempo que representam túmulos familiares, também narram e documentam a vida do morto. Podemos observar nos poemas de Lima que, através da escrita, os mortos recebem os túmulos  que não  haviam conseguido nos momentos "de choro e de partilha das memórias dos defuntos"

Porque eles vêm e vão mas não   partem
Eles vêm e vão mas não  morrem.
Permanecem e passeiam com passos tristes
que assombram o barro dos quintais
e arrastam a indignidade da sua vida e sua morte
pelo ermo dos caminhos com um peso de grilhões.
Ás vezes, sentados sob as ãrvores, vergam a cabeça e choram.
Erguem-se depois e marcham com passos de guerrilha
Não abafem o choro das crianças, não fujam
Não incensem as casas, não ocultem a face
Urgente é apelo que arde por onde passam
Seus corações  deambulam à sombra nas plantações

O sofrimento causado pelo colonialismo produziu fantasmas ,onde os escravos do Império, mesmo mortos, continuaram a vagar pelos lugares. A morte não  trouxe paz e os fantasmas tão pouco foram - nem podem nem devem ser - exorcizados ("Não abafem o choro das crianças não fujam/ Não incensem as casas, não ocultem a face"), pois a eles cabem o papel de resgate da memória e, consequentemente, se deve aprender a conviver com as sombras do passado e, mais do que isso, escutá-las, porque  é urgente "o  apelo que arde por onde passam". Tal apelo dos "fantasmas" é  reverberado pela escritura e, apenas ela, pode dar um tumulo digno a eles

Para Gagnebin, túmulo e palavra se revezam quando nos referimos à memória . Ambos se fundam na " luta contra o esquecimento”, distinguindo implicitamente a força deste último: o reconhecimento do poder da morte" . É necessário, neste caso, continuar o contato com os mortos. Escritura e perecimento reencontram-se no poema, portanto, para manter a memória de um inteiro povo e dar uma sepultura aos indivíduos

Com Sofia de Mello Breyner
Por isso não os confundo com outros mortos
apaparicados com missas, nozados, padres-nossos.
Por remorso, temor, agreste memória
Por ambígua caridade, expiação  de culpa
aos mortos-vivos ofertamos a mesa do candjumbi
feijão-preto, mussambê,  puíta, ndjambi.
Para aplacar sua sede de terra e de morada
Para acalmar a revolta, a espera demorada.

Para os seus "mortos-vivos", Lima dedica um ritual fúnebre adequado ao povo africano para desmistificar a eficácia dos discursos mortificadores da experiência. Lembramos que o discurso colonial configura-se sob o "estado de exceção “e se baseia na extenuação  do registro da experiência e sua incidência na lógica do poder/violência. Ressaltando a figura dos "mortos-vivos" Lima nos faz recordar a figura emblemática do "muçulmano", relatada por Primo Levi que designava  os mortos-vivos nos campos de concentração. É  o processo mais uma vez de coisificar o que permite ao sujeito a manutenção  da sua estrutura fantasmagórica, onde as estratégias do poder negam ao subalterno a presença e a palavra, impossibilitando a relato com o Outro

Excertos de  - Literaturas no Atlântico Sul:o caso da formação da literatura em São Tomé (eseus refluxos no Brasil) Marcela de Paula https://www.academia.edu/33821847/Literaturas_no_Atl%C3%A2ntico_Sul_o_caso_da_forma%C3%A7%C3%A3o_da_literatura_em_S%C3%A3o_Tom%C3%A9_eseus_refluxos_no_Brasil_

Conceição Lima e a poesia na pós-independência em São Tomé

Roberto Pontes, da Universidade Federal do Ceará, aborda também a poesia de Conceição Lima, num extenso e aprofundado  artigo que trata da literatura contemporânea de São Tomé e Príncipe, no qual analisa a poesia de Conceição Lima, citando os livros, “O Útero da Casa” (2004), e “A dolorosa raiz do Micondó (2006), no contexto da pós-independência.
Depois de recordar a sua interessante biografia, diz que  os poemas de Conceição Lima reunidos nesses dois volumes tanto podem ser considerados à luz do primeiro sentido quanto do segundo, porque, se por um lado os versos da autora defendem uma postulação, se inserem numa disputa e requerem determinado modo de interveniência na vida social através do exercício lírico, por outro estão à procura, à cata, em busca, e, portanto demandam uma forma de ser muito própria do país ilhéu denominado São Tomé e Príncipe, fisicamente encravado na África Central Ocidental (MURRAY, 1997, p. 162-163).
A postulação poética pulsante nos dois livros indicados é realizada pela autora quando remonta ao passado seu e de seu povo, que foram marcados fundamente pela ação colonialista. Sua matéria lírica é extraída de uma mentalidade etnicamente incorruptível e de uma memória coletiva de raiz arcana.


Exemplos de aproveitamento do próprio passado, como matéria lírica, são dois poemas: ―Mátria‖ e ―A casa‖. Façamos a leitura do primeiro: Mátria Quero-me desperta se ao útero da casa retorno para tactear a diurna penumbra das paredes na pele dos dedos rever a maciez dos dias subterrâneos os momentos idos Creio nesta amplidão de praia talvez ou de deserto creio na insônia que verga este teatro de sombras E se me interrogo é para te explicar riacho de dor cascata de fúria pois a chuva demora e o obô entristece ao meio-dia Não lastimo a morte dos imbondeiros a Praça viúva de chilreios e risonhos dedos Um degrau de basalto emerge do mar e nas danças das trepadeiras reabito o teu corpo templo mátrio meu castelo melancólico de tábuas rijas e de prumos (LIMA, 2004, p. 17-18). Os versos desse primeiro poema nos colocam ante o telúrico vínculo do ânimo lírico aferrado à terra-mãe, no caso a Mama África. Seu título é muito expressivo porque se os dicionários registram o adjetivo mátrio, criado no século XVII pelo Pe. Antônio Vieira, por analogia com pátrio, não acolhem o uso de mátria como substantivo, na perfeitamente cabível analogia com pátria. O poema, portanto, fala sobre a pátria, mas esta se confunde com a casa que, personificada, tem útero onde se surpreende a ―diurna penumbra/ das paredes‖ e ―a maciez/ dos dias subterrâneos/ os momentos idos‖. A casa a que o eu lírico retorna tem, pois, a mesma ambientação e mesma propriedade do útero materno.- Excerto de file:///C:/Users/HP/Downloads/8688-21249-1-SM.pdf

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Pneumonia mata um português a cada 90 minutos - Felizmente sou um ressuscitado - Tive alta na segunda-feira após descida aos escombros de um inesperado pesadelo pneumónico – Passei por três hospitais – Em Santa Maria, perdi uma manhã; não fui internado por alegada falta de camas.- Depois, só ao fim do dia fui consultado em S. José e daqui transferido quase à meia-noite para os Capuchos onde permaneci internado oito dias


É referido que “A Pneumonia é não só a principal causa de internamento hospitalar em Portugal, como também uma das doenças mais mortíferas para os portugueses. https://www.medis.pt/mais-medis/saude-e-medicina/pneumonia-causas-sintomas-e-prevencao/

Cemitério da minha aldeia - Espera a minha vez 
"Portugal é o país europeu com maior taxa de mortalidade por pneumonia, com valores Portugal, a Eslováquia e o Reino Unidos têm as taxas mais elevadas de mortalidade por pneumonia, enquanto a Finlândia, a Grécia e a Áustria têm as taxas mais baixas”, resume o relatório anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico sobre saúde e mortalidade superiores a 57 mortes por cada 100 mil habitantes. https://observador.pt/2018/11/22/portugal-e-pais-europeu-onde-mais-se-morre-de-pneumonia/

Pneumonia mata um português a cada 90 minutos  -  (...) E é no interior do país que se verifica tanto uma maior taxa de mortalidade como de internamentos. O cenário, negro, e que persiste de ano para ano, é explicado pelo Observatório Nacional das Doenças Respiratórias,  - De acordo com o documento, a que o JN teve acesso, dos 13.474 óbitos por doenças respiratórias registados em 2016, 44,6% foram por pneumonia, com a taxa de mortalidade dos doentes internados a fixar-se nos 20% https://www.jn.pt/nacional/pneumonia-mata-um-portugues-a-cada-90-minutos-10316006.html

PODIA TER SIDO FATAL   - MAS JÁ ME VOU ACOSTUMANDO A SOBREVIVER A VÁRIAS ADVERSIDADES E A TER SETE VIDAS 



Gentileza do foto-jornalista e meu bom amigo   Arlindo Homem - Com o seu telemóvel




Eu podia ter sido uma das milhares de vitimas – Felizmente, lá me safei – Perdi a respiração nasal e oral e perdi a fala – Valeu-me o que disse um técnico que me fez as radiografias: você tem uns grandes pulmões; deve ter sido atleta!  Mas tem aqui uma manchinha que não é bom sinal - Sim, fui desportista sulcando mares e escalando,  em terra, um pico vertical  -  Não se enganou; levo um estilo de vida mais espiritual de que mundano - Creio que esta tem sido  a principal força que me tem feito resistir a várias vicissitudes - Pois até já fui cobaia médica, aceitei fazer parte de um ensaio clinico,  quando as hipóteses de sobrevivência eram muito limitadas.

Estou certo que se não tivesse ido nessa manhã para o hospital e recebido carradas de antibióticos, como ainda estou a ser medicado, respiração assistida e soro fisiológico que podia ter morrido, tal era o sufoco que me atormentava – A equipa que me assistiu foi excecional - 


Acidente no Pico Cão Pequeno, em S. Tomé - Março 2016


Mas eu sempre me habituei a ter sete vidas, a resistir com infinita paciência, estoicismo a todas as adversidades-  Creio que este foi mais um episódio.


Felizmente, não sou fumador nem consumidor de álcool –Tenho cuidados especiais com alimentação. Mas durmo pouco e esforço-me demais no trabalho fotográfico e jornalístico, se bem que por mera carolice  – Ceio ter sido esta a eventual  causa, devido a várias horas na cave de um hotel repleto de pessoas e de repórteres  ao longo de várias horas. Entrei com uma ligeira constipação e saí de lá ao principio da madrugada com a sensação de um agravado mal-estar -   Medicado no dia seguinte no posto clínico da Casa da Imprensa, ao que parecia ser um estado de constipação temporário, foi-se agravando até acordar asfixiado.



“Você tem uns grandes pulmões, deve ter sido atleta mas tem aqui uma pequena mancha”, argumentou o técnico dos exames ao tórax no Hospital de São José – Sim, terá sido esse o facto que me libertou de morte certa e também a pronta e eficiente assistência da Dra. Catarina Espírito Santo e da sua equipa. 

Pese o contratempo de uma manhã no Hospital de Santa Maria – Recebi aqui oxigénio   e soro fisiológico e fui submetido a vários exames  de forma ponta e dedicada, simpática. Mas não fui medicado nem me foram transmitidas as causas do meu estado de saúde - Transferiram-me para S. José por alegada inexistência de condições de internamento - Pelo que, somente  ao fim do dia, pude ser consultado - Nesse entretempo, podia ter ido desta para outra - Era uma das centenas de doentes em espera - Infelizmente, os corredores estavam cheios e viam-se rostos doentes em vários sítios; uns sentados outros em macas. 


Hospital Ayres Meneses - S. Tomé

Com efeito, depois de   ter estado várias horas no Hospital de Santa Maria, sou então transferido de ambulância, creio que depois de uma da tarde  - por alegada incapacidade de internamento -  para o Hospital de  S. José, onde fui colocado, depois de ter esperado pela minha vez na triagem,  na lista de espera dos ambulatórios, num estado de enorme desespero, de quase asfixia pulmonar, não podendo falar nem respirar nem pela boca - para onde afluía um pastoso catarro  - nem pelo nariz em permanente escorrimento nazal. Impossibilitado de ingerir quaisquer alimentos sólidos ou líquidos:
comprei um pacote de sumo numa das máquinas, pois a sede também me atormentava, porém, mal o levei à boca, de imediato fui acometido de acessos de tosse e vómitos violentos. 

Seriam aí quase aí umas 19 horas  do dia 14, quando finalmente comecei  a ser assistido – E, digamos, de forma amável, dedicada e humana pela Dra. Catarina Espírito Santo e a sua equipa 
Por volta da meia-noite sou então transferido de ambulância para ser internado no serviço 2-5 do Hospital de Santo António dos Capuchos, no qual sou assistido, igualmente.  pela mesma médica e a sua equipa, a quem aproveito para expressar, publicamente, os meus sinceros agradecimentos como se empenhou em prestar-me a devida assistência até me ser concebido alta, nesta última segunda-feira,  por volta das 2 horas, do dia 21

O que aparentemente pareciam sintomas de uma simples constipação, tendo mesmo sido medicado para o efeito no posto clínico da Casa da Imprensa, em menos de uma semana, descambou para um  crescente estado de cansaço e de perturbadora asfixia com perda de voz, fossas nasais em escorrimento permanente, garganta arder ao mesmo tempo que uma pastosa espuma (catarro) refluía até à boca, impedindo-me de cuspir e de pronunciar uma palavra, de respirar normalmente ou de poder ingerir quaisquer líquidos ou alimentos. Com acessos de tosse que pareciam estoirar-me o peito e dos pulmões - A minha comunicação fazia-se por escrito.


São Tomé acolhe corrida internacional maratona de 200 Km com mais de 60 atletas estrangeiros – As Ilhas Verdes do Equador têm sido um viveiro de bons atletas


A atleta, Naide Gomes, nascida em São Tomé e Príncipe, que correu com as cores da bandeira portuguesa, vencendo vários prémios, é outro dos excelentes exemplos de sucesso, fora do seu pais – Daí a vontade manifestada, segundo  declarou à  Lusa, de pretender abrir uma escola de atletismo no país de origem para ensinar aos jovens tudo o que aprendeu. "Faz parte dos meus sonhos, quem sabe, um dia poder também abrir uma escolinha de atletismo 'Naide Gomes' em São Tomé e Príncipe e poder ensinar aos miúdos aquilo que aprendi ao longo da minha carreira, que não foi pouco", disse numa entrevista à Lusa.
A ex-atleta de 35 anos despediu-se no dia 26 de Março de 2015,  da carreira no atletismo, em que se destacou na disciplina de salto em comprimento. https://www.publico.pt/2015/07/20/desporto/noticia/naide-gomes-quer-abrir-escola-de-atletismo-em-sao-tome-e-principe-1702539

EXCELENTE INCIATIVA PARA PROMOVER A MODALIDADE DO ATLETISMO E  AS BELEZAS NATURAIS DE S. TOMÉ E PRINCIPE 

É noticia de que, São Tomé e Príncipe será palco já em fevereiro de 2020 da internacional corrida-maratona de 200 quilómetros com mais de 60 atletas oriundos de 25 países, – tal como assegurou o responsável da organização Stefan Betzelt a saída da audiência com ministro do Desporto, Vinício de Pina.
Stefan Betzelt, director da Global Limits, a organizadora do evento, assegurou que os 200 quilómetros desta ultramaratona serão percorridos em seis dias por etapas antecipadamente definidas de 30 a 65 quilómetros por dias, passando por várias localidades de São Tomé, incluindo ilhéus das Rolas, por onde passa a linha do equador.
Intitulada “the hemisphere crossing” [Cruzando o Hemisfério], a mega corrida é organizada pela Global Limits em parceria com Mucumbi Explore e o ministério da Juventude, Deporto e Empreendedorismo.
Em declarações a imprensa, o ministro Vinício de Pina considera de além de “ganho a nível do desporto”, esta corrida de cariz internacional organizada pela Global Limits contribuirá significativamente para a “promoção do turismo nacional” uma vez que conta reunir mais de 60 atletas provenientes de 25 países dos quatro cantos do mundo.
Além de dois são-tomenses, esta maratona de seis dias contará com atletas dos EUA, Alemanha, Inglaterra, França, Suíça, Grécia, Netherlands, Irlanda, Singapura, Japão, Venezuela, Irlanda, Austria, Espanha, México, Coriea, Guyana, Canada, Cayman Islands, Itália, Hong-Kong, Brasil, Argentina, Dinamarca, Nova Islândia, Africa do Sul.




Rute Norte em STP – 550 km de bicicleta, 29 dias – Ainda as suas crónicas pela Lagoa Amélia e Cascata de S. Nicolau



















Para melhor se conhecer S. Tomé e Príncipe, de facto, não há como que andarilhar a pé ou de bicicleta, tal o exemplo revelado pela cidadã e desportista portuguesa, Rute Norte –  Os populares motoqueiros, a bem dizer, chegam a todo o lado, subindo e descendo veredas inóspitas, mas conspurcam os ares com o cheiro do combustível e com a poluição sonora   - A bicicleta não entra facilmente na brenha densa da floresta mas dá um grande jeito pelos caminhos mais estreitos. :

Nesta sua crónica, a Rute fala das suas deslocações  ao Jardim Botânico e à Cascata de São Nicolau, sítios obrigatórios do roteiro turístico e, de entre pormenores, dos famosos caracóis gigantes, que eu costumava encontrar nas digressões com a minha equipa â escalada do Pico Cão Grande – Naquela altura estava mais em voga o consumo de carne de macaco de que propriamente a dos caracóis. Hoje, receia-se comer a dos macacos, por via das ébola e ataca-se o pachorrento caracol

Aqui lhe deixo algumas fotos e excertos de mais uma das suas surpreendentes crónicas, que o Téla Nón, também editou  Em  https://www.telanon.info/turismo/2019/10/22/30242/rute-norte-em-stp-550-km-de-bicicleta-29-dias/

"Quando me fui embora da Cascata, estavam a chegar 3 carros com turistas.

Esta povoação chama-se Nova Moca e está muito perto da Cascata de São Nicolau. São 10h44, e agora vou à Lagoa Amélia. Está decidido. Mais outra grande subida. O GPS diz que são 9 km e 500 metros de subida. A subida do Gaspar, por exemplo, na ilha do Príncipe, era 190 metros. Mas se agora fiz 14 km sempre a subir (incluindo o desvio pela Roça Monte Café) agora faço mais 9 km, porque certamente não vou voltar aqui, não vou voltar a fazer esta subida toda desde Belém para chegar a esta zona. E quando regressar ao hotel será tudo a descer, é só sentar-me na bicicleta e deixar-me ir; e posso almoçar antes aqui no restaurante-museu. Vamos a isto, Rute, força, mexe-te!

As crianças chamam-me “Branquinha! Branquinha!”, mas os adultos repreendem-nas. Este rapaz veio ver o que se passa, com tamanha agitação entre as crianças. Chama-se Arcelino, é guia turístico (apresentou-se) e conhece o Célio Santiago.
Quer as senhoras da foto anterior, quer o Arcelino, dizem-me que a Lagoa Amélia é muito longe e que leva duas horas a pé desde o Jardim Botânico. E que eu devo levar calças. (Mal sabem eles que eu não uso calças, e o que já passei no Pico do Príncipe…).
O GPS diz que são 5,2 km e 330 metros de subida até ao Jardim Botânico, desde a Cascata. Fiquei indecisa sobre o que fazer. Vai chegar a hora de almoço, e pelo andar vai chegar a hora do lanche, e eu nos caminhos da Lagoa Amélia.
Pronto, desisti e voltei para trás.

Mas eu não quero ir embora já. São 11 da manhã, posso ir até ao Jardim Botânico, e depois almoço aqui no restaurante-museu. “Ai!…” – disse alguém neste grupo, quando me viu virar a bicicleta para trás. (“Ela decidiu qualquer coisa…”) Até me ri. Pois decidi ir ao Jardim Botânico.~
Tudo fica molhado com este nevoeiro. Eu também protegi o telemóvel, que ainda não recuperou da chuvada do Príncipe, quanto mais encher-se já de humidade outra vez.

Cheguei ao Jardim Botânico! São 11h45 e tenho 19,5 km. Levei 45 minutos a subir, portanto. Desde Belém até aqui são 870 metros de subida total. Mais um pouco e fazia o mesmo do Pico do Príncipe. A diferença é que agora não vou mexer uma palha para descer, sento-me e pronto, é a bicicleta que me leva. (E não andei num emaranhado de florestas e cobras!!) (Que pena…).

Está frio! Eu venho quente da subida, mas agora irei arrefecer. Trato de vestir a camisola de manga comprida que trago na mochila. Estava eu nestas lides quando apareceu a Isilda, nesta foto. Trabalha aqui no jardim botânico, trata da limpeza do jardim, e é guia. Indicou-me que estamos a 1.125 metros de altitude. Salvo erro foi este número que a Isilda me disse. Quem nos tirou a foto foi um rapaz santomense que é guia turístico e que trouxe aqui um casal de turistas no seu jipe. Deveria estar a aguardar por eles. Eu não estou com um ar muito convencido a vê-lo tirar a foto, porque a máquina não estava a conseguir focar, com este nevoeiro, e estava a recusar-se a tirar a foto. O rapaz não conseguia tirar a foto, foi à terceira ou quarta tentativa.


Sinto-me numa autêntica twilight zone, neste nevoeiro silencioso.

Esta placa fala sobre a Lagoa Amélia: (passo a transcrever):

Segundo contos populares, Amélia, uma jovem portuguesa, teria desaparecido na Lagoa Amélia, daí deriva o nome. A Lagoa Amélia é uma antiga cratera de vulcão situada a 1.450 metros de altitude no Parque Natural Obô, e dista duas horas de marcha a partir do jardim botânico de Bom Sucesso. As beiras apresentam uma associação botânica única formada por Begonia baccata e Cyathea manniana.

Hoje em dia, uma grande parte da cratera está a ser invadida por um arbusto. Nestes termos, este ecossistema natural poderá desaparecer se não forem tomadas medidas para controlar o fenómeno. Isto mostra-nos de facto que os ecossistemas são complexos e em evolução constante. Atualmente a cratera está coberta por uma camada de ervas baixas e hospeda numerosas plantas muito raras da flora de São Tomé. Este tipo de vegetação apresenta uma fisionomia muito parecida com aquela que cobre o cimo do Pico de São Tomé.

Búzio d’Obô. (Recordo que “Obô” significa floresta densa). Este búzio é uma espécie endémica de São Tomé e Príncipe, ou seja, só existe aqui e em mais lado nenhum no mundo. É um caracol gigante africano. O seu nome científico é Archachatina bicarinata, e vive nas montanhas da floresta tropical primária. Devido à perda de habitat, à coleta em massa das conchas, e à sua apanha para alimentação, este caracol gigante é uma espécie em declínio, classificada como vulnerável.¹

Estes animais têm hábitos noturnos, são polífagos (ou seja, têm uma fome insaciável) e hermafroditas, produzindo grandes quantidades de ovos, sendo muito procurados para fins medicinais, ornamentais, como animais de estimação e, por fim, pelo considerável valor, sobretudo no território africano, como recurso alimentar.

Este caracol gigante – Archachatina bicarinata – tem sofrido um declínio acentuado em ambas as ilhas – Príncipe e São Tomé – nas últimas décadas. A introdução do caracol gigante do oeste africano Archachatina marginata, ou búzio-vermelho, está entre as prováveis causas deste declínio. O búzio-vermelho existe em quase todo o país, preferindo plantações e florestas secundárias de baixa altitude, e evitando as zonas de floresta nativa. Já o endémico búzio-d’Obô encontra-se restrito às florestas nativas mais remotas. O invasor encontra-se maioritariamente em áreas mais degradadas, ocupando uma proporção muito mais significativa das ilhas.

A população atual do búzio-vermelho é composta por uma elevada proporção de juvenis, em contraste com a do endémico, em que claramente predominam os adultos.
Existem também diferenças nos padrões de atividade diária de ambas as espécies, com o endémico a ser principalmente diurno e o invasor a preferir estar ativo durante a noite. Os estudos sugerem que o declínio acentuado do búzio-d’Obô pode estar relacionado com a introdução do búzio-vermelho nas duas ilhas.²