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domingo, 26 de dezembro de 2021

NATAL – Pela Voz de JOÃO VILLARET -1913-1961 - Resgisto oferecido pelo autor do poema, Monsenhor Moreira das Neves

 JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA




Gravação que me foi oferecida pelo autor do poema – Meu saudoso amigo, Monsenhor Moreira das Neves – Nos arquivos da RTP, também existe uma gravação - Mas esta não teve essa origem - Poema dedicado ao nascimento de Jesus Cristo, declamado na Noite de Natal de 1947, aos microfones da Emissora Nacional, no programa "A Poesia Eterna de Natal" -

Na mesma cassete, que ainda consta nas memórias do meu vasto espólito gravado de Repórter da RDP-Rádio Comercial, figura também o registo declamado do belo poema "A Sua Mãe Naquele fim de tarde dolorida", igualmente de autoria de Moreira da Neves - Mas deste não há outro registo senão o que também me confiou, que já editei neste blogue e no Youtube . Pois o poema Menino de Sua Mãe, de Fernando Pessoa, é outro. https://www.youtube.com/watch?v=h7yQu6-DhSA

De recordar que a mesma cassete, havia sido oferecida pelo pianista Carlos Villaret, a Moreira das Neves, visto ambos serem muito amigos -

Carlos Villaret, irmão de João Villaret, tocava magnificamente, pelo que, o seu talento, era muito admirado e solicitado – Além de lhe servir de apoio musical, acompanhando-o nas calorosas declamações, sim, quer nos espetáculos do teatro, quer depois quando surgiu a televisão, nos anos 50, quando passou assinar um programa semanal com o seu nome., tinha lugar cativo no salão do Hotel Avenida Palace, na época o melhor hotel da cidade , onde dava largas à sua criatividade e ao fulgor das suas extraordinárias capacidades artísticas, com um reportório diversificado, quer no domínio das improvisações, quer nos temas clássicos mais em vogas, nacionais ou estrangeiros. - Um extraordinário pianista, que infundia simpatia e simplicidade e de quem hoje não se fala, optando-se por lembrar apenas o maestro António Melo -

Também me deu a honra e o prazer de me receber em sua casa, a mesma, que chegara a ser compartilhar com João Villaret, num antigo prédio da baixa pombalina, para os lados da praça da Ribeira.

Ator, declamador e encenador de excecional talento– Nele a gordura não era mera espessura mas notável empatia, génio, sedução e formosura. Sem dúvida, uma das mais carismáticas figuras portuguesas do cinema e do teatro declamado, em comédias, revistas e nos filmes em que participava, mas, inigualável, especialmente, na arte de dizer poesia Com récitas, tanto em Portugal, como nas ex-colónias, Espanha, Brasil e Argentina

A memória de João Vilaret, ficou associada ao Teatro Villaret e na toponímia de escolas e a ruas – O auge da sua fama, surgiu com o aparecimento da televisão, nos anos 50, em Portugal, onde o ator passou a assinar um programa semanal com o seu nome, que lhe granjeou um vasto e fiel auditório, através do qual contribuiu para incentivar e popularizar o gosto pela poesia e ao mesmo tempo dar a conhecer e muitos dos nossos poetas, que,por via do analfabetismo, então reinante, escapavam ao conhecimento geral, tal como, Fernando Pessoa e Miguel Torga, que na altura apenas eram conhecidos nos grupos literários, e de lhes dar projeção ao lado de Camões, José Régio, António Botto, Augusto Gil, entre outros.

De seu nome completo João Henrique Pereira Villaret nasceu a 10 de maio de 1913, em Lisboa, faleceu, ao 48 anos, no dia 21 de Janeiro de 1961 - . "Depois de ter terminado o Liceu, dedicou-se ao teatro, tendo estado ligado à revitalização do teatro nacional. Gradualmente, ganhou fama de declamador pelo que causou algum escândalo quando decidiu, em 1941, enveredar pelo teatro de revista, provando em êxitos sucessivos que era possível conciliar o género dramático e o de revista

Monsenhor Moreira das Neves, que me deu a honra de me receber na sua residência de me conceder várias entrevistas, cujos registos ainda guardo meu arquivo de repórter da RDP-Rádio Comercial, de seu nome completo, Francisco Moreira das Neves, natural de Gandra (Paredes), 18 de novembro de 1906, falecido em - 31 de março de 1992), - Sacerdote, escritor, jornalista e poeta português.

Foi subdiretor do jornal Novidades até 1974 (colaborador do jornal desde 1934.[5]), um dos diretores da editora União Gráfica[6], cofundador da Rádio Renascença (Emissora Católica Portuguesa), havendo colaborado também na RTP.

Considerado um excelente crítico da literatura portuguesa do século XIX .”Quer como conferencista ou jornalista era sempre um padre a actuar” – avançou o director deste órgão de Comunicação Social. A sua obra poética transmitia a “sua personalidade e a seu carácter de homem religioso” Ficou célebre por um estudo das ideias de Guerra Junqueiro.

Foi um dos principais colaboradores do Cardeal Cerejeira, de quem foi biógrafo

Entre as suas realizações encontra-se o grande impulso que deu às comemorações do Duplo Centenário da Independência de Portugal, em 1940 que teve o propósito de evocar a data da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640) , após ter escrito no final de 1939 o seu artigo «Uma Cruz basta para dizer, na História, quem é Portugal»[ campanha essa que originou grande quantidade de cruzeiros e outros pequenos monumentos existentes em todo o país sob essa égide patriótica, em particular na sua terra natal Gandra, onde foram construídos dois cruzeiros.

 

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

S. Tomé e Príncipe - NATAL NA ILHA À LUZ DA VELA OU DA LAMPARINA - Na grande maioria dos lares, a iluminação ainda é artesanal - O Governo promete prosseguir com a eletrificação em todo o país


JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA



NATAL À LUZ DA VELA  - Na esmagadora maioria dos lares, a iluminação ainda é artesanal  - O Governo promete prosseguir com a eletrificação em todo o país   

É noticia de que, o Primeiro-ministro são-tomense, Jorge Bom Jesus, anunciou, em São Tom, que vai prosseguir com a política de distribuição de energia elétrica para localidades mais recônditas do país.https://www.stp-press.st/2021/12/23/governo-vai-prosseguir-com-a-eletrificacao-de-todo-o-pais/

A MINHA SAUDAÇÃO -  Ao Povo pacífico e generoso de São Tomé e Príncipe -  Ao seu Presidente, Carlos Vila Nova  e ao Primeiro-Ministro, Jorge Bom jesus, aos   antigos chefes de Estado e  Governantes, bem como aos poetas, jornalistas e homens de letras, ao "Povo Piqueno" a todos, sem exceção. aos muitos amigos que ali deixei, os meus votos de progresso, bem-estar, tranquilidade e muitas alegrias e momento felizes

Natal em São Tomé  - O “Passo” – Com Poema de Alda Graça do Espírito Santo  -  Sim, recordando o tradicional presépio  que as crianças constroem junto às suas humildes cubatas e ao longo dos caminhos e estradas  - Tecidos com esmero e carinho, pelos dedos das crianças,  com pauzinhos cortados de andalas (das folhas de palmeiras) e vergas de canas de bambu, enfeitados com algumas flores da floresta,  imitando pequenas ermidas ou a igreja da Sé,  alumiados por tochas de óleo de palma em pedaços de mamão, iluminando  a Noite de Natal  - Que se prolongavam durante a quadra natalícia

Sim, os tais presépios genuínos do Povo que eu conheci nos anos 60 e 70 e cantados por Alda da Graça Espírito Santo, - Naquele seu lindo poema, "Natal na Ilha", a par   da celebração do dia “dá chinja” da  festa da família na Quarta-feira de cinzas. Os costumes, como em qualquer lado, vão-se alterando e ajustando aos novos tempos.  



NATAL NA ILHA

Ao cair da tarde, pelas estradas da Ilha
Cabaninhas de andala
Tecidas por dedinhos de garotos,
É a nota tocante do Natal.
Uma tocha de mamão
É o luzeiro no caminho
Alumiar o “passo”.

Mas o exotismo dos trópicos
Descendo pelo calendário dos festejos
Faz do “Dá chinja” a festa da família.
Quarta-feira de cinzas
É cara ao coração da nossa gente,
Onde se sente a ausência dos finados.
Na hora do “angu”,
Do clássico calulú de Peixe
Todos se juntam,
Nas roças, nas grutas, nos ermos mais perdidos,
Em redor da mãe velhinha,
Da avó da carapinha branqueada
Na tradição festiva do “Bocado”.
P’las mãos dessa velhinha solene
todos, todos, recebem p’la mesma colher
Numa união feliz e africana
A primeira colherada
Do menú familiar.
E só então, a refeição começa.
A toda a hora pelo dia  fora.
Vem chegando gente
Pró sagrado “Bocado”
Do avô extinto do ano que passou
E da filha arrancada à vida
em plena mocidade.

Cinzas…. Natal…
Exotismo dos trópicos?
- Uma pergunta e uma resposta que pairam nos ares

Alda Graça do Espírito Santo



Alda Espírito Santo, poeta, professora e jornalista, também conhecida por Alda Graça, nasceu em 30 de abril de 1926, na cidade de São Tomé, capital do Arquipélago de São Tomé e Príncipe. Alda Neves da Graça do Espírito Santo, filha de uma professora primária e de um funcionário dos Correios, ainda nova faz seus primeiros estudos em São Tomé, Em meados de 1940, muda-se com a família para o norte de Portugal, anos depois a família muda-se para Lisboa onde Alda inicia seus estudos universitários. 1950: No início dessa década, morando em Lisboa com a família, Alda Espírito Santo faz contato com alguns dos importantes escritores e intelectuais que viriam a ser os futuros dirigentes dos movimentos de independência das colônias portuguesas de África, como Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Agostinho Neto, Francisco José Tenreiro, entre outros. A casa de sua família, no número 37 da Rua Actor Vale, funciona como local de encontros do CEA (Centro de Estudos Africanos). Os encontros regulares na casa de Alda promoviam palestras sobre temas diversos como Linguística, História e também sobre a consciência cultural e política acerca do colonialismo, do assimilacionismo e da defesa do colonizado. Na mesma época, Alda Espírito Santo frequenta a CEI (Casa dos Estudantes do Império). Algum tempo depois, abandona o curso universitário por razões políticas e também financeiras. 1953: Em janeiro, regressa a São Tomé e Príncipe, onde atua como professora e jornalista. Nesse mesmo ano, escreve o poema “Trindade” que denuncia o massacre ocorrido em 5 de fevereiro em Trindade (São Tomé e Príncipe). 1975: Após a independência de São Tomé e Príncipe, ocorrida em 12 de junho, Alda Espírito Santo ocupa vários cargos sucessivos no governo da jovem nação, entre os quais os de Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura, Presidente da Assembleia Nacional e Secretária Geral da União Nacional de Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe. Nesse ano, em novembro, compõe a letra do Hino Nacional de São Tomé e Príncipe, intitulado “Independência Total”. 1976: Publica um livro de poemas intitulado O jogral das Ilhas. 1978: Publica o livro  de poemas É nosso o solo sagrado da terra, que reúne uma coletânea dos poemas produzidos por Alda entre os anos de 1950- 1970. 2010: Em 9 de março em Luanda (Angola), falece a poetisa Alda Espírito Santo por complicações na saúde. O governo santomense decreta luto oficial de 5 dias. Vidas Lusófonas - Alda Espirito Santo


terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Ilha de São – Descoberta neste dia, em 21 de Dezembro de 1470 - Há 551 anos -ILHA DE NOME SANTO Adotado por corresponder ao dia do apóstolo São Tomé. - Os primeiros navegadores portugueses, inscreveram numa pedra a divisa do Infante Dom Henrique -

 JORGE TRABULO MARQUES - Jornalista e Investigador

Foi João de Santarém, em conjunto com Pêro Escobar e Fernão do Pó, que descobriram as quatro ilhas, que se erguem no  Golfo da Guiné: - A Ilha de São Tomé foi descoberta em 21 de dezembro de 1470. A Ilha do Príncipe, em 17 de janeiro de 1471. 

A Ilha  de Ano Bom, a 565 km a sudoeste da parte continental da Guiné Equatorial e a cerca de 200 km a sul de São Tomé, foi descoberta  por volta de 1475, no 1º de janeiro, de dia de ano-bom - A Ilha de Fernando do Pó, atual Bioko,  foi descoberta pelo navegador do mesmo nome; admite-se que tenha sido em 1472 - Estas duas Ilhas, foram  possessão portuguesa entre 1474 e 1778, ano em passaram para a Coroa Espanhola,   pelo Tratado de El Pardo em troca de terras espanholas na América do Sul, que seriam posteriormente anexadas ao Brasil 

Mas não foi  no sítio onde se encontra o Padrão dos Descobrimentos, em Anabô, onde é suposto, anos mais tarde, ter começado a colonização e a exploração do açúcar, mas na Lagoa Azul, um pouco mais a sul daquela área, na pequena enseada de águas profundas e abrigada dos ventos

Estive no local do Padrão dos Descobrimentos, em Anabô,  há 52 anos a erguer a bandeira Portuguesa - Não tanto pela colonização posterior mas orgulho-me dos feitos dos bravos marinheiros portugueses, que, em frágeis caravelas, partindo de um pequeno país, que não ultrapassava um milhão de habitantes, demandaram por mares desconhecidos, deram a conhecer ao mundo novas terras, navegaram por todos os oceanos, mais deles perdendo a vida em dramáticos naufrágios

Admiro a coragem dos marinheiros portugueses mas questiono a colonização e os seus métodos - Há precisamente 51 anos, nas comemorações do V Centenário , fiz a ligação de canoa da capital da Ilha à praia onde se diz terem chegado as primeiras caravelas, desfraldando a bandeira portuguesa

O facto mereceu relevo na imprensa local, o mesmo não sucedeu quando, um mês depois parti de canoa clandestinamente de S. Tomé ao Príncipe, tendo sido espancado e preso pela PIDE - 

Em Novembro de 2014, voltei lá, mas agora com as duas bandeiras: a de S. Tomé e Príncipe e a de Portugal. Sim, depois de ter feito a travessia de canoa de S. Tomé à Nigéria, em 13 dias, e tentado a travessia oceânica, que, embora não o tendo conseguido, acabei por viver a experiência de náufrago, ao longo de 38 dias, após o que acostei na Ilha de Bioko.longo de 38 dias, após o que acostei na Ilha de Bioko.


Tal como é reconhecido: “quando os primeiros navegadores portugueses chegavam a uma terra até então desconhecida costumavam gravar nalguma grande árvore ou pedra «este motto do Infante, Talent de Bien Faire» diz o historiador Armando Cortesão

 Ermelinda de Jesus Lima,Coronel Vitor Monteiro e  Alexandre Sousa

Foi justamente no topo da colina, desta baía, que, em Agosto de  2015, pude descobrir, com o São-Tomense, Cosme Pires dos Santos, antigo companheiro nas escaladas ao Pico Cão Grande, quando ali ambos procurávamos  eventuais vestígios históricos e arqueológicos, anteriores à colonização, sim, uma pedra gravada com a divisa do Infante D. Henrique, que, infelizmente, quando ali voltei em 2019, já estava desfeita. Tendo sido testemunhada por várias pessoas amigas e entidades - Nomeadamente, Evaristo Carvalho, meu antigo camarada na Brigada de Fomento-Agro-Pecuário, que, uns meses depois, viria a ser eleito Presidente da República Democrática de STP






O Diretor Geral da Cultura, Nelson Campos, acompanhou -me ao local para conhecer o achado e proceder  às diligências, que forem necessárias, para o preservar e estudar mais detalhadamente - Infelizmente, além de não se terem feito essas diligências, acabou por ser destruída 


Depois de um antiga espada e um antigo punhal, eis alguns carateres da famosa  divisa do Infante D. Henrique - Não era a lendária “Pedra de Dighton”, com inscrições atribuídas a Corte Real, nas costas da Nova Inglaterra, em 1511, mas nem por isso deixava de ter menos importância.




Com o Cosme Pires dos Santos
O referido achado, que na altura me deixou bastante intrigado, por se tratar de uma inscrição antiga mas com letras do nosso alfabeto, só passou a dar-me algumas pistas da sua origem, quando, ao ler, um estudo de Armando Cortesão, ali se faz referência à divisa do Infante

Daí admitir poder tratar-se de uma antiga inscrição (parcial),  da divisa do Infante D. Henrique, atual divisa da Escola Naval “TALANT DE BIEN FAIRE” –– A pedra, em basalto, já está muito esboroada e  desgastada, faltam-lhe  alguns pedaços, pelo que, a inscrição, já não está completa – Mas, atendendo ao aspeto antigo da inscrição,  depreende-se que seja a celebre divisa do Infante Dom Henrique   - De momento, achou-se prudente não identificar publicamente o local.


O “talant de bien faire” ficou gravado no túmulo do Infante, no Mosteiro da Batalha, e popularizou-se, sobretudo, quando em 1839, Ferdinand Denis encontrou na Biblioteca Nacional de Paris um códice encabeçado pelo título Cronica dos feitos notavees que se passarom na conquista de Guinee por mandado do Iffante dom Henrique [Crónica da Guiné]. No meio dos respetivos fólios, encontrava-se uma imagem dobrada representando um homem de chapelão, que se identifica habitualmente com o Infante D. Henrique, e, na parte inferior da folha, pode ler-se a referida expressão “talant de bië faire” (com o sinal de nasalação do “e” que hoje se substitui pela inclusão do “m” final). Divisa - Talant de Bien Faire - Escola Naval - Marinha

A palavra francesa “talent”, que se traduz em português por talento, tem origem numa expressão grega (tálantom) que indica “prato da balança”, peso ou valor. Assumiu a versão em latim de talentum, com sentido semelhante, e passou para o português para designar valores ou méritos intrínsecos de alguém. “Talant”, por outro lado, é uma palavra que existiu no dialeto provençal com um sentido de “desejo” ou “vontade”. Entrou na língua francesa e confundiu-se durante alguns séculos com “talent” (usado com duplo sentido), mas perdeu o significado provençal a partir do século XVII e desapareceu do uso corrente

É dito pelos historiadores, que, ambas as ilhas de São Tomé e Príncipe, esta descoberta no mês seguinte, em 17 de Janeiro de 1471, e  que distam cerca de 140 km uma da outra e cerca de 250 e 225 km da costa noroeste do Gabão, respetivamente, se encontravam desabitadas até à sua descoberta pelos João de Santarém e Pedro Escobar Gradualmente colonizadas pelos portugueses ao longo do século XVI

A colonização teve início em finais do mesmo século conduzida pelo capitão João de Paiva que introduziu engenhos de açúcar. O povoamento mais acentuado foi feito mais tarde por Álvaro Caminha, com o envio de cristãos-novos resultantes da inquisição em Portugal. A eles foram-se adicionando contingentes de escravos vindos das costas africanas para o cultivo da cana-de-açúcar.

A religião católica esteve presente desde o início e, em 1534, o Papa de então, Paulo III, mandou constituir uma diocese, de rito latino, para o arquipélago.

Em 1567, São Tomé foi saqueada por corsários franceses. No final do século 16, a sublevação de escravos, liderados por Amador, provocando abandonasse a ilha e se dirigissem   para o Brasil.

Em 1599, os holandeses atacaram São Tomé e Ano Bom. Em 1641, os holandeses ocuparam São Tomé, mas portugueses recuperaram a Ilha em 1644. Em 1709, corsários franceses ocuparam a Cidade de Sã

NAQUELA ÉPOCA A PALAVRA DESCOBRIR, SIGNFICAVA EXPLORAR O QUE JÁ ERA CONHECIDO

Não há certezas quanto à data exata da descoberta das ilhas - Diz Luís de Albuquerque: Sabe-se por exemplo que João de Santarém, Pêro Escobar, Fernão do Pó, Lopo Gonçalves e Rui Sequeira estiveram ao serviço de Fernão Gomes. Mas não há registos que nos permitam dizer com segurança qual deles, em que ano, descobriu o quê." - Admite-se, no entanto, que, a Ilha de S. Tomé, teria sido descoberta em 21 de Dezembro de 1471, e, um ano depois, em 17 de Janeiro, a Ilha do Príncipe – Por outro lado, também já, o Almirante Gago Coutinho, em “A Náutica dos Descobrimentos, aludia à palavra “descobrir”, acerca dos “factos náuticos que procederam à Viagem de ´Álvares Cabral, ao Brasil, citando o livro “Esmeraldo”, referindo que naquela época, a palavra descobrir, tem o sentido de explorar uma costa que já fora achada antes de 1948”, de “uma exploração, confiada a Duarte Pacheco.

De um modo geral, “todos os historiadores que se ocupam do «descobrimento das ilhas de S. Tomé e Príncipe» concluem que não se sabe ao certo quem foram os descobridores nem a data da descoberta; parece que ninguém se sente à vontade ao tratar do assunto - o que quase sempre acontece com o descobrimento das ilhas da parte oriental do Atlântico. – Diz Armando Cortesão em “Descobrimento e Cartografia das Ilhas de S. Tomé e Príncipe

“Convém notar”- refere o mesmo investigador - “ que desde já e sempre que se aborde tão delicado e controverso assunto, qual o significado a dar à palavra descobrimento, quando se trata de novas terras e em especial no século XV. Já vários historiadores se têm referido ao problema e dele me ocupo mais de espaço no vol. III da minha História da Cartografia Portuguesa, que estou a escrever e cujo vol. II (…)”

“A meu ver as palavras descobrimento e suas derivadas de princípio significavam que a terra respectiva foi reconhecida, provavelmente redescoberta, tornando-se conhecida de todo o Mundo, estabelecendo-se entre ela e a Europa relações normais, isto é, viagens frequentes, povoamento, colonização, relações comerciais, etc. É aquilo a que se pode chamar descobrimento oficial, como sugeriu o saudoso Com. Fontoura da Costa.

De tudo ou quase tudo o que foi descoberto, isto é, descoberto oficialmente, se pode dizer que foi redescoberto. João de Barros, cronista sério e quase sempre fidedigno, diz «terem os nossos mais terras descobertas no tempo de D. Afonso V do que achamos na escritura de Gomes Eanes de Zurara»,

“O descobrimento das ilhas do Golfo da Guiné está mal referenciado na documentação antiga e tem-se sugerido que ocorreu no contexto da exploração realizada por João de Santarém e Pêro de Escobar no golfo da Guiné, durante a qual se destacou a já referida descoberta da costa da Mina em Janeiro de 1471. Perante as dificuldades em ajustar a cronologia do descobrimento das três ilhas aqui em causa afigura-se-nos mais credível a aceitação da hipótese de os descobrimentos das ilhas de São Tomé e Príncipe terem ocorrido respectivamente em 21 de l Dezembro de 1478 e 17 de Janeiro de 1479, Tendo esta última ilha sido denominada inicialmente por a Santo António (Abade) ou Santo Antão, dia deste santo, passando depois a ser designada por «Príncipe», visto ter sido descoberta sob a égide do então príncipe D. João e futuro rei D. João II (desde 1481), pois desde Maio de 1474 era ele quem estava encarregado dos Descobrimentos. A fundamentar a verosimilhança da proposta destas datas, que foi avançada por Viriato Campos, está a circunstância de tais ilhas terem sido por certo aquelas que são mencionadas no Tratado de Alcáçovas assinado entre Portugal e Castela em 4 de Setembro de 1479. Neste documento tais ilhas estarão referidas, sem menção dos seus nomes" 


É referido, por Gerhard Seibert, antropólogo, investigador e docente universitário, autor do livro Camaradas, Clientes e Compadres, num intressante estudo divulgado em “Colonialismo em São Tomé e Príncipe: hierarquização, classificação e segregação da vida social”,  que, “durante o colonialismo em São Tomé e Príncipe, a hegemonia portuguesa não foi total, mas às vezes contestada ou frágil, sobretudo entre os dois períodos em que a presença portuguesa foi fraca. Durante o colonialismo moderno, a hierarquia social era mais consolidada, enquanto havia mais segregação entre as várias categorias. Em comparação, por razões históricas e econômicas, a sociedade crioula cabo-verdiana foi sempre mais homogênea do que a de São Tomé e Príncipe, sobretudo depois do século XIX. Nesse século, o restabelecimento da economia de plantação nas ilhas no Golfo da Guiné resultou também em mudanças demográficas consideráveis devido à imigração massiva de contratados de Angola, Cabo Verde e Moçambique, que durante muitas décadas ultrapassaram a população nativa em número

.O povoamento efetivo de São Tomé começou em 1493. Inicialmente o arquipélago foi povoado por duas categorias principais, colonos brancos e escravos africanos, que primeiro foram trazidos do vizinho reino do Benim, no delta do Rio Niger, e desde o início do século XVI também dos reinos do Congo e do Ndongo (Angola). Os escravos do Benim falavam edo, pertencente às línguas Benue-Congo ocidental, ao passo que os do Congo e de Angola falavam línguas banto (Benue-Congo oriental), kikongo e kimbundu, respetivamente. Essa situação linguística reete-se na gênese dos três crioulos das ilhas.1 A mestiçagem genética deu origem a uma terceira categoria, os mestiços. A alforria de escravos resultou na emergência de uma quarta categoria de negros livres, os chamados forros. Ao longo do tempo, outros escravos alforriados foram sucessivamente integrados na categoria dos forros, os crioulos maioritários de São Tomé

.Os moradores de São Tomé envolveram-se no tráfico de escravos e estabeleceram a primeira economia de plantação nos trópicos, baseada na monocultura de cana-de-açúcar e no trabalho escravo. A fuga dos escravos das fazendas de açúcar foi um fenômeno recorrente durante a primeira colonização de São Tomé. A topografia montanhosa da ilha e uma densa foresta tropical no seu interior facilitaram o estabelecimento de uma comunidade de quilombolas no sul da ilha. O isolamento relativo dessa comunidade, que viveu principalmente da pesca, da colônia no norte da ilha durante mais de dois séculos resultou na existência de um grupo minoritário distinto em termos culturais e linguísticos, os angolares.

Uma segunda colonização do arquipélago, possibilitada pela introdução do café e do cacau do Brasil, começou na segunda metade do século XIX, quando a economia de plantação foi reestabelecida. Essa recolonização foi marcada por um maior inuxo de colonos brancos, uma marginalização dos forros e, devido à abolição da escravatura, em 1875, pela introdução de uma nova categoria, os erviçais que vieram de Angola, Cabo Verde e Moçambique. De 1926 a 1961, os contratados de Angola e Moçambique foram classicados legalmente como indígenas, enquanto os de Cabo Verde e os nativos de São Tomé e Príncipe nunca foram submetidos a esse estatuto discriminatório.2 Além disso, os contratados africanos viveram espacialmente separados da população crioula nas plantações e foram excluídos da participação na sua vida social https://www.researchgate.net/publication/327596529_Colonialismo_em_Sao_Tome_e_Principe_hierarquizacao_classificacao_e_segregacao_da_vida_social





Manuel Pinto da Costa e “As três camisas de força” – “ESCRAVATURA, COLONIALISMO, DEMOCRACIA!! – Postas a nu pelo Ex-Presidente de S. Tomé e Príncipe

 JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA 

O antigo Presidente São-tomense, Manuel Pinto da Costa,  designado, em Abril 2021 para integrar e presidir a comissão de elaboração da obra literária que relatará a história de luta anticolonial dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, PALOP, que diz ter aceite como  “um desafio imenso e mobilizador que tem pela frente”, sim, ao patriota santomense, cofundador do MLSTP, que presidiu aos destinos do seu País por duas vezes, nomeadamente, de 1975 a 1991 e de 2011 a 2016, pelos vistos, não lhe vão faltar argumentos para levar a cabo a hercúlea e significativa tarefa,  pois até já começou a dar bem fundamentados sinais, em artigos de opinião, de que há matéria, mais de que suficiente,  para vir a subscrever obra de vulto e de peso.  

Para já,  fazendo-o com o intuito de “ provocar unicamente outras reflexões sobre um assunto” que lhe “ parece  importante para a vida futura de um país como STP. Considerando, que,  “para melhor servir a sociedade as elites políticas de STP têm que aprender a conhecer e amar o seu país e gostar das suas gentes.

Têm que se esforçar para se libertar das sequelas herdadas do passado colonial, dos seus complexos recalcados. Não envergar o “pronto á vestir” sem primeiro conhecer as medidas exactas do seu corpo, é esta a palavra de ordem

Tendo, no entanto, constatado, para sua tristeza e  desapontamento, que “os comentadores estavam mais preocupados em aproveitar a oportunidade para estourar o fel, do que pelo menos, para se esforçar por entender o propósito da mensagem. Alguns até se apressaram a classificar a reflexão como “uma tentativa para justificar o fracasso pós-independência”, quando na verdade, o principal objectivo, com a publicação da reflexão, era, e é, convidar os eleitores a acompanharem com precaução a evolução do mundo moderno, para melhor nos apercebermos das múltiplas armadilhas secretas nelas disseminadas pelas potências dominantes. Porque seria imperdoável esquecer que durante vários séculos fomos dançando, descalços, ao som dos ritmos impostos pelas potências dominantes.

E são, justamente algumas pesagens desses dois  interessantíssimos artigos de opinião, que teve a gentileza de me enviar, que tenho a honra e o prazer de também divulgar no meu blogue canoasdomar.blogspot.com e no facebook

Ao ler no TÉLA NÓN a informação:PNUD FINANCIA ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS em STP,” lembrei-me da declaração feita pelo ilustre Secretário Geral da UCCLA e também publicado no TÉLA NÓN. Na referida declaração feita no dia 25 de Maio, dia de Africa, o Senhor Secretário Geral, a dado passo da sua intervenção e em alusão ao processo democrático em curso nesse continente, afirmou, cito: Há que, porém, fazer notar que as eleições democráticas em Africa estiveram longe de conduzirem à estabilização política dos países, como a realidade veio a evidenciar…Isto porque não se teve em atenção que a realidade diferenciada dos países não deveria, nem poderia, impor a transposição mecanicista da democracia, sem consideração pela especificidade concreta dos destinatários”.”Fim da citação.

Até aqui ,de acordo consigo

Sr. Secretário Geral .O Senhor deve ,no entanto, ter-se esquecido que a referida transposição mecanicista não foi feita com a preocupação de beneficiar aos destinatários. Ela não representa senão a fase de execução de uma estratégia previamente concebida, elaborada e já em vias de execução nos chamados países do terceiro mundo.Mas a mesma só começou a ser implementada com alguma aceleração a partir dos anos noventa do século passado nos países do “terceiro mundo” e, sobretudo, nos países africanos.

A sua implantação foi facilitada pelo regresso em força do mundo unipolar, resultante da desagregação da União Soviética e do consequente desmoronamento do bloco dos países socialistas da Europa.

Ao longo da História universal as potências dominantes impuseram aos territórios africanos conquistados TRÊS TIPOS DE CAMISAS DE

FORÇA:ESCRAVATURA, COLONIALISMO, e, depois da independência, a DEMOCRACIA. O objectivo principal foi, e continua a ser, assegurar, por um lado, o controlo da exploração das principais fontes de matérias primas e, por outro, mercados para os produtos manufacturados, vitais para a sua sobrevivência como potências dominantes

Recapitulando: as três Camisas de Força são:

ESCRAVATURA, COLONIALISMO, DEMOCRACIA

.A primeira camisa de força imposta aos africanos foi a ESCRAVATURA. A abolição da escravatura resultou essencialmente, como é sabido, das mudanças históricas ocorridas nas potências dominantes, com a revolução industrial e o reforço do poderio das burguesias nacionais que, por razões económicas, não estavam interessadas na exploração do trabalho da mão-de-obra escrava.A nova força social então dominante, a BURGUESIA estava mais interessada na compra da força de trabalho de” homens livres”, desprovidos dos meios de produção e possuindo como único meio de sobrevivência, a sua força de trabalho. Entretanto nos territórios africanos, aos escravos libertos “mudaram-lhes a camisa” e passaram a trabalhar com o estatuto de CONTRATADOS, uma forma deslavada da escravatura. Em 1917, com a revolução bolchevista na Rússia, as potências dominantes do Ocidente sofreram um primeiro abalo. E com a derrota da Alemanha nazi e o surgimento do novo bloco de países socialistas, o mundo bipolarizou-se, favorecendo assim a criação de condições objectivas e subjectivas favoráveis á intensificação da luta de libertação nos territórios então colonizados. 

As independências dos territórios colonizados, sobretudo em Africa, aceleradas a partir dos anos 60 do século passado, num mundo então bipolarizado e mergulhado numa luta hegemónica entre os dois blocos, constituíam sérios motivos de preocupação das potências dominantes do “primeiro mundo”. E perante a rápida evolução da luta de libertação nos territórios coloniais ,as potências dominantes, para melhor protegerem os seus interesses, entenderam que seria estrategicamente mais acertado negociar com os movimentos de libertação nacional , até então catalogados pelos mesmos de movimentos terroristas, e negociar sobretudo, defendiam os mesmos, com os Movimentos de Libertação mais representativos, com aqueles que tinham“mais povo”. Conquistada a independência, os novos países africanos, a maioria, com o acordo tácito das próprias potências coloniais, optaram por um regime de Partido único

O Poder colonial estava esperançado nos efeitos desestabilizadores das “prendas “envenenadas que  deixava como herança ao novo Poder, ás forças nacionalistas.

Com efeito, durante a colonização, as potências coloniais manipularam e fomentaram artificialmente rivalidades tribais, com o objectivo de dividir para melhor reinar. Como consequência dessa operação , até a data ,na maioria dos países africanos, o sentimento de pertença tribal ainda prevalece sobre o nacional, o que vem dificultando sobremaneira ,na maioria desses países independentes, o indispensável entendimento entre as forças políticas nacionais ,de modo a estarem mais bem preparadas para enfrentar com sucesso a luta contra a pobreza, pelo desenvolvimento nacional.

A verdade é que, sob pressão da luta de libertação, não restava ás potências coloniais, no mundo bipolarizado ,outra alternativa .Receavam, no entanto, que os países outrora colonizados, sob a influencia do novo bloco socialistas, e ainda motivados pelas cargas do passado, pudessem por em perigo os seus interesses vitais nas antigas colónias. Havia que reagir rapidamente e de forma concertada. E foi o que aconteceu.

Com efeito, a TERCEIRA CAMISA DE FORÇA “pronto a vestir,” imposta aos países outrora colonizados, não resultou de uma qualquer evolução interna das sociedades nesses países. 

A TERCEIRA CAMISA DE FORÇA é, sem dúvidas, um instrumento de estratégia das potências dominantes que aprenderam com a prática ,que os intermináveis golpes de Estado, tantas vezes incentivados e apoiados por elas, já não eram suficientes para manter no poder regimes favoráveis a manutenção dos interesses vitais da Metrópole.

A implantação da TERCEIRA CAMISA DE FORÇA”pronto a vestir” nos países do chamado terceiro mundo, sobretudo em Africa, tinha como principal objectivo amarrá-los ideologicamente. Essa operação ficou facilitada com a nova relação de forças surgida com o desmoronamento do bloco dos países socialistas da Europa ,por um lado e, por outro, pelo recrudescimento da luta interna pelo poder, entre os  Partidos políticos.Com a implantação da DEMOCRACIA ,sobretudo em Africa, estava inaugurada outra forma de luta,”mais civilizada, “entre os diferentes grupos de interesses ,em substituição da luta tribal.

O que é verdade incontestável é que a democratização é um processo universal.Resta no entanto saber se, na maioria dos países do “terceiro mundo,” estariam criadas condições objectivas e subjectivas suficientes que lhes permitam vestir, sem percalços, a terceira camisa “pronto a vestir. A maioria dos países africanos, outrora colonizados, ainda não está nem estruturalmente, nem economicamente, nem politicamente devidamente preparada para envergar, livre de consequências adversas, a TERCEIRA CAMISA DE FORÇA “pronto á vestir”. .

Há, no entanto, que assinalar que o mundo unipolar reinstalado desde o fim dos anos oitenta do século passado, com a desagregação da União Soviética e o consequente desmoronamento do bloco dos países socialistas da Europa ,por um lado, assim como com a consolidação dos Estado Unidos de América como potência hegemónica, por outro, entrou em agonia, evoluindo aceleradamente para o seu fim. Paralelamente estamos perante o gradual surgimento e consolidação de uma nova ordem mundial, com o surgimento de um mundo multipolar. 

A nova relação de forças daí resultante está criando condições mais apropriadas e favoráveis a implantação, sem imposições de terceiros, da DEMOCRACIA nos países africanos. Creio que, devidamente configurada e adaptada ás realidades objectivas e subjectivas prevalecentes em cada um dos países destinatários,  a TERCEIRA CAMISA DE FORÇA, a DEMOCRACIA poderá vir a transformar-se num importante instrumento de mobilização nacional de toda a sociedade, garantindo desse modo, e no respeito pelas diferenças ,a indispensável participação organizada de todos os cidadãos nacionais no tão desejado processo de desenvolvimento nacional. 

A Democracia poderá vir transformar-se num instrumento eficaz e indispensável para fazer crescer e desenvolver de forma sustentável a sociedade nos países outrora colonizados.

Talvez não seja demais relembrar, ao encerrar, que a DEMOCRACIA, na maioria esmagadora dos países europeus do Ocidente, não caiu de paraquedas Foi o resultado de um longo processo de evolução cheio de contradições, com guerras e revoluções. O caminho foi longo e ainda hoje com alguns espinhos. É evidente que, nas actuais do mundo moderno, os países outrora colonizados não terão nem que declarar guerras nem fazer revoluções para chegarem á DEMOCRACIA .Submetidos durante séculos a várias formas de opressão, os povos dos países do “terceiro mundo” saberão escolher com segurança o caminho da LIBERDADE.Só têm que proceder a múltiplas reformas de modo a estarem em devidas condições estruturais e políticas para poderem usufruir dos benefícios da DEMOCRACIA.

MANUEL PINTO DA .COSTA

para isso: A LUTA CONTINUA