Prosseguem os debates, subordinados ao tema salvar os
Oceanos, Proteger o Futuro“. Uma iniciativa das Nações Unidas , coorganizada pelos governos de Portugal e do
Quénia, que terminará no próximo dia 1 de Junho com intuito de mobilizar, criar e promover soluções que
permitam alcançar os 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável antes de 2030.
Que decorre maioritariamente no Altice Arena, Parque das Nações,
agregando três centenas de outros
eventos - Acontecimento que tem atraído milhares de visitantes mas também
de jovens ativistas em defesa dos oceanos e sob as mais variadas questões.
No período da
manhã, desta terça-feira, o
primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Jorge Bom Jesus, pediu mais apoio da
comunidade internacional para promover a economia azul e "corrigir o
défice" de emprego no país.
O chefe do
Governo são-tomense, que, em Março passado, durante o encerramento da
semana nacional da economia, já havia afirmado que a transição do
país para economia azul é "irreversível", prometeu o engajamento do Governo para que a economia azul seja
realidade no arquipélago, assegurando que é um processo irreversível
apoiado pela FAO, pedindo também mais apoio da comunidade internacional
para promover a economia azul e "corrigir o défice" de emprego no país.
Diz o site das Nações Unidas, que, "na Conferência
dos Oceanos, em Lisboa, o chefe do governo são-tomense destacou áreas por
abordar como investimento, parcerias, novos empregos e crescimento
sustentável
Que possa dotar o país de uma macro visão estratégica
prospetiva, e de uma linha de rumo consensual, capaz de ser anuída pelas diferentes
sensibilidades políticas da nossa sociedade, visando almejar um futuro
promissor e melhor para todos em nome do desenvolvimento seja um desígnio
fundamental de todo o são-tomense que se preze como verdadeiro patriota .”
A segurança
alimentar, a saúde ambiental e o desenvolvimento devem ser priorizados no plano
iniciado há cinco anos, ao lado da necessidade de se mitigar riscos
climáticos.
São Tomé e Príncipe deu início em 2017, com o apoio técnico da
FAO, a um importante processo que visava no essencial moldar e trilhar de forma
sustentada a transição da nossa recorrente economia tradicional em direção a
uma economia azul.”
Mesmo com a
estratégia de transição rumo à economia azul, o primeiro-ministro disse que a
transição no arquipélago carece de apoio para uma melhor proteção dos
ecossistemas marinhos.
Zona exclusiva
O país tem uma
zona económica exclusiva 160 vezes maior que a terra destacando potencial para
o desenvolvimento econômico e social associados à economia azul. Este ano, São
Tomé e Príncipe realizou um evento nacional para definir prioridades.
A atuação das
autoridades requer recursos adaptados a “condições e modalidades para
capacidades ara objetivos da estratégia e para corrigir défice em matéria de
emprego e capacidade de empreender da juventude, homens e mulheres.”
O chefe do
governo de São Tomé e Príncipe defendeu ainda a proteção dos oceanos, que
considera “pulmões azuis do planeta”. Por isso, falou em uma economia
sustentável dos mares otimize o investimento em diferentes setores.
Para São Tomé e
Príncipe, o evento é uma “excelente oportunidade para divulgar para a
comunidade internacional a reafirmação do firme compromisso e o engajamento das
autoridades do país na proteção aos oceanos.
O governo
destacou que, após a aprovação da lei da estratégia da economia azul “nada será
como dantes”. Ele pediu que o mundo não se esqueça ainda de apoiar o combate à
pirataria no Golfo da Guiné que deve ser feito de uma forma integrada.
Abriu esta segunda feira a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, com a
participação de 140 países entre os quais 25 chefes de Estado e de governo e
uma centena de ministros, coorganizada pelos governos de Portugal e do Quénia,
com o objetivo de mobilizar esforços para criar e promover soluções que
permitam alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável antes de 2030.
Todos os anos aparecem no mar 11 milhões de toneladas de plástico. É uma
ameaça à biodiversidade e um dos temas em discussão na Conferência dos Oceanos
das Nações Unidas, que decorre em Lisboa.
"Os oceanos cobrem 70% da superfície da Terra e são o lar de cerca de
80% de toda a vida terrestre, fazendo-os a maior biosfera do planeta. Geram 50%
do oxigénio que necessitamos, absorvem 25% de todas as emissões de dióxido de
carbono e capturam 90% do calor adicional gerado por essas emissões. Não são
apenas os "pulmões do planeta", são também o maior filtro de carbono,
um amortecedor vital contra os impactos das alterações climáticas.
Na véspera, o Presidente da República Portuguesa, ofereceu um jantar na
Cidadela aos Chefes de Estado e de Governo presentes em Portugal para a
Conferência dos Oceanos da ONU 2022.
São Tomé e Príncipe, fez-se representar pelo PM Jorge Bom Jesus; a Guiné
Equatorial pelo Presidente Obiang, que deverá ser recebido pela CPLP, na manhã
de terça-feira; Angola pelo Presidente João Lourenço, que destacou o
"grande esforço de cooperação" que os países lusófonos, todos países
costeiros e insulares, têm jeito para assumir protagonismo na defesa dos
oceanos. Cabo Verde pelo Ministro da Economia e Emprego, José da Silva
Gonçalves. Moçambique pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Verónica Macamo.
C
Com mais de 70 mil km² de extensão marítima, Timor-Leste, que integra o
chamado Triângulo de Coral, marcado pela riqueza em biodiversidade e recursos
naturais, faz-se representar, pelo presidente do Timor-Leste, Xanana Gusmão,
além do primeiro-ministro e a chefe da pasta dos Negócios Estrangeiros.
A delegação brasileira está representada pelo ministro do Meio Ambiente,
Joaquim Leite, e tem uma comitiva de 40 pessoas, entre funcionários do
ministério e ambientalistas envolvidos com a proteção dos oceanos.
A abertura foi presidida pelo Presidente da República e o Secretário-geral
da ONU, tendo Marcelo Rebelo de Sousa afirmado que este encontro acontece no
momento certo, tendo António Guterres, lançado o aviso de que não é possível
ter um “planeta saudável, sem um oceano saudável”.
O Presidente da República sublinhou que o encontro acontece no momento
certo e lembrou que Portugal é o que é graças aos oceanos. Marcelo Rebelo de
Sousa acrescentou que é preciso “recuperar o tempo perdido e dar uma
oportunidade à esperança”.
O secretário geral das Nações Unidas, António Guterres, no seu discurso de
boas-vindas aos participantes, alertou que não é possível ter um “planeta
saudável, sem um oceano saudável”.
O chefe da ONU disse que partilha com os seus concidadãos portugueses uma
especial afinidade com o mar. Ele citou o poeta Fernando Pessoa: “Deus quis que
a terra fosse toda uma, que o mar unisse, já não separasse. Faço, pois, votos
para que esta Conferência represente um momento de unidade e aproximação entre
todos os Estados-membros, gerado em torno dos assuntos do mar e da proteção e
preservação dos Oceanos.”
Mudar a Maré - António Guterres lamentou que o oceano não foi valorizado e
atualmente, o mundo enfrenta o que ele chama de “Emergência Oceânica”. Para
isso, é preciso “mudar a maré”, uma vez que “o aquecimento global está levando
as temperaturas do oceano a níveis recorde, criando tempestades mais frequentes
e mais fortes”.
O secretário-geral citou vários problemas: aumento do nível do mar,
acidificação dos oceanos, branqueamento dos corais, degradação de manguezais e
poluição. Guterres afirmou que “quase 80% das águas residuais são descartadas
no mar sem tratamento” e por ano, “8 milhões de toneladas de plástico vão parar
nos oceanos”.
O chefe da ONU pede “ação drástica” para que o volume de plástico não
supere o total de peixes nos oceanos em 2050. Na abertura da Conferência dos
Oceanos, o secretário-geral mencionou também o problema da pesca excessiva, que
está “acabando com os estoques de peixes” e fez um apelo aos governos, ao
lembrar “não ser possível ter um planeta saudável sem um oceano saudável”.
Precisamos de uma agenda global dos oceanos focada em soluções práticas
baseadas na ciência» - Defendeu António Costa-
"Estamos aqui, Estados, organizações internacionais, comunidade
científica, ONG’s, empresas, para assumirmos os Oceanos como uma causa global
no combate às alterações climáticas, na promoção da biodiversidade, no
desenvolvimento sustentável, e na garantia da segurança marítima e da liberdade
de circulação», disse o Primeiro-Ministro, António Costa, na cerimónia de
abertura da 2.ª Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, coorganizada por
Portugal e pelo Quénia, na Altice Arena, em Lisboa.
Solstício de Verão, no Hemisfério Norte, que este ano ocorreu no dia 21 às 10 14, assinala o início da estação mais quente do ano, pelo que, geralmente, o dia é motivo de celebração. E o exemplo, mais mediático, é o que ocorre ao nascer do sol, nas históricas ruínas de Stonehenge, em Wiltshire, no Reino Unido, onde se renuem milhares de pessoas.
Solstício de Verão, o dia mais longo do ano para o Hemisfério Norte, e que marcará o início da estação estival, ocorreu às 10 h 14, dia 21 de junho, em Portugal – Entrou molhado em muitos pontos do nosso país
VIDEO DAS VÁRIAS SESSÕES EVOCATIVAS
São conhecidos por alinhamentos sagrados, ou calendários pré-históricos – Em Portugal, nos arredores da aldeia de Chãs, concelho de V. N de Foz Côa, no chamado maciço granitico dos Tambores, existem vários desses monumentos megalíticos alinhados com o primeiro dia das quatro estações do ano: a pequena gruta em semi-arco do Santário rupreste ou a Pedra de Nª Srâ da Cabeleira, e travessada pelos raios solares do nascer do sol nos equinócios . A denomidada Pedra do Sol ou Pedra do Solsticio, está apontada com os úiltimos raios solares do maior dia di ano - Havendo ainda mais dois desses monumentais megaliticos direcionadas com o Solsticio do Inverno e os Equinócios.
No entanto, para que possam ser observados é fundamental que o céu esteja limpo e descoberto de nuvens - Não foi isso que sucedeu: as previsões do IPMA, dias antes e de véspera, anunciavam para o primeiro dia de verão, períodos de céu muito nublado, aguaceiros nas regiões do Norte e Centro e Alto Alentejo e vento fraco a moderado do quadrante oeste, soprando por vezes forte nas terras altas.
Imagem do alinhamento num dos anos anteriores
Não choveu, mas o céu manteve-se muito cinzento e nublado. Apesar disso, conquanto o astro solar não nos revelasse o seu nostálgico esplendor à hora do sol-posto, com os seus raios projetando-se alinhados sobre a crista da esférica Pedra do Solstício, mesmo assim, dir-se-ia que S. Pedro, nos poupou das chuvas que caíram noutras bandas, senão apenas com uns leves pingos, já no regresso quando deixávamos estes belos, sagrados e amplos espaços e nos dirigíamos de novo ao adro da igreja para terminarmos as evocativas sessões solsticiais no salão da Junta de Freguesia com um recital de violino por Raquel Cravino, que, devido à instabilidade do tempo, se optou por se realizar em lugar coberto
Vereadora Ana Filipe impondo o colar dos Templos do Sol a Mirian
Jorge Trabulo Marques - Jornalista e coordenador dos eventos - Não perca também O SOL em Chãs - Imagens com história - Vistas pela mestria do antigo repórter da Reuters, José Manuel Ribeiro, na sua deslocação à celebração do Solstício do verão - Clike e veja as belíssimas imagens com história https://www.idyllmeraki.com/post/o-sol-em-ch%C3%A3sa quem se deve a divulgação das primeiras fotos e a noticia de um destes templos solares para os mais diversos quadrantes do mundo - E a quem renovamos daqui um grande abraço amigo
Solstício do Verão 2013 - Pedra do Sol Chãs Véspera
Vereadora Ana Maria Filipe - lendo um poema
Tal como estava previsto, foi prestada uma singela homenagem de reconhecimento ao Prof. Adriano Vasco Rodrigues - 94 anos, completados em Maio passado - ao distinto nativo de Longroiva, concelho de Mêda, primeiro investigador a debruçar-se sobre a importância de um dos templos solares, existentes nesta área, ou seja, o Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora no seu estudo, publicado em 1983, sobre a história remota do concelho de Mêda, ao qual, em tempos, a freguesia de Chãs., já pertenceu, sim, ao nosso prezado amigo, figura muito admirada em todo o distrito da Guarda, prestigiado Arqueólogo, Etnógrafo e Historiador, que, por motivos de saúde, dada a sua avançada idade, não pôde estar presente , como era seu desejo, mas que se fez representar por sua filha Miriam Rodrigues, acompanhada de seu querido esposo
Prof. Adriano Vasco Rodrigues, 94 anos, natural de Longroiva. Mêda, mas com raízes maternas nesta histórica vila raiana portuguesa
Adriano V Rodrigues 2014
Personalidade bem conhecida e muito estimada no nosso distrito, a quem se deve o primeiro estudo do mítico monumento - Uma referência emblemática na investigação histórica, arqueológica e antropológica regional, nacional e internacional
Possuidor de uma notável biografia - Sendo autor de obras e estudos de investigação histórica, artística e arqueológica, tendo contribuído para um maior conhecimento ao nível da arqueologia peninsular através de obras como “Arqueologia da Península Hispânica” ou “História Geral da Civilização”
.
Adriano Vasco Rodrigues e o pastor Miguel - 1995
O trabalho de investigação desenvolvido tem sido reconhecido a nível internacional, participando em colóquios e seminários europeus. Entre 1959 e 1964, foi coordenador do curso de Arqueologia Hispânica na Universidade do Porto. É membro da união europeia de conselheiros técnico-científicos e investigador do centro de estudos africanos da Universidade do Porto. Em 1996 foi condecorado com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, tendo recebido medalhas de mérito da cidade do Porto, da Guarda e do município de Almeida. A sua vida tem sido repartida entre a investigação e a docência, nomeadamente em Portugal, Angola e a Bélgica, onde dirigiu a Schola Europaea.
A última visita do Prof. Adriano Vasco Rodrigues, a este local, ocorreu em 23 de Setembro de 2014, na celebração do equinócio do Outono, na homenagem que então prestamos à poetiza Maria da Assunção Carqueja, à saudosa e sua muito querida esposa, antiga diretora do Centro de Docência Científica do Instituto de Investigação Científica de Angola. Metodóloga, e, posteriormente, Técnica Científica da União Europeia na área da Filosofia da Schola Europaea.
PRESENÇA ENTUSIÁSTICA E AMÁVEL DE DOIS DEVOTADOS SACERDOTES
Padre Diogo Martinho
Padre Adelino Ramos
De realçar, também, as presenças dos sacerdotes, Diogo Dias Martinho, da paróquia de Foz Côa e Manuel Adelino Ramos Abrunhosa, da paróquia de Moimenta da Beira, que prometeu aqui voltar E cujas sábias palavras solidárias, gestos e sorrisos solidários de ambos, muito nos estimularam e confortaram.
“Não fiquem tristes por haver pouca gente das Chãs neste acontecimento, porque, as coisas místicas, são mais valorizadas por quem é nómada! Sempre!... Declarou o Padre Diogo Martinho, no encerramento da celebração, nas suas reflexões, lamentando não ter podido vir mais cedo, em virtude de compromissos pastorais, referindo que essa busca do misticismo se passou com “com o povo bíblico, no antigo testamento: um povo que não tinha terra... Esta a minha primeira reflexão. E, nesse sentido, queria também apresentar três pessoas da minha terra e que são nómadas e, que, por isso, estão aqui: são dois irmãos: o tio Agostinho, que namora com uma tia minha- É o Elido, que é o meu ano, e o Marcelo, que nasceu em Angola; somos da mesma turma em Castro Daire . E, portanto, estão aqui a trabalhar! São nómadas!
E, outra reflexão: talvez tenha sido um dia em que o sol não se apresentou como estaríamos à espera! Para tirarmos aquelas fotografias, como desejaríamos! Onde não deu para nos deslumbrarmos com aquele jogo de sombra, sol, luz e treva, como já vi… Não deu para apreciar o sol, que é sempre nesse sentido
Antes de nos sentarmos, estávamos a falar com um senhor daqui, que quem vem aqui é uma coisa muita pagã! Daqueles sacríficos! Mas afinal é uma coisa muito espiritual que tem a ver muito com o cristianismo … E nós identificamo-nos como o sol como Jesus Cristo! Que vem do alto!... Ora, este sol que vem do alto, não nos pôde presentear hoje, mas estivemos lá ! tivemos aqui o presente da música, que também nos salva -
Foram lidos poemas de Maria da Assunção Carqueja, natural de Moncorvo, saudosa esposa do Prof. Adriano Vasco Rodrigues, que ali acompanhou o seu marido em 2006, bem como dos poetas Manuel Daniel, natural de Mêda, de Amadeu Ferreira, concelho de Miranda do Douro, Orlando Marçal, de Foz Côa, já falecidos. - - E dos poetas vivos: Manuel Alegre, natural de Águeda e de Hamilton Tavares, natural do nosso concelho
Não esteve muita gente, é certo, mas os poucos que estiveram, valeram por muitos: vibraram de entusiasmo com o ar puríssimo que se respira através destes, amplos e magníficos espaços, com o pulsar das energias telúricas do elemento terra, que os peregrinos recebem da beleza destes sagrados lugares, tão majestosamente plenos de misticismo, ancestralidade, onde a beleza agreste dos fraguedos do granito se harmoniza com a fertilidade do vale sobranceiro ou das encostas xistosas e aparentemente quase nuas da outra margem, que se abrem como um vasto e magnífico panorama bíblico
Aqui renovo, pois, o nosso mais caloroso e sincero agradecimento ao nosso município, à junta de freguesia por nos ter proporcionado o salão nobre e a todos os que nos deram o prazer, a alegria e a honra da sua presença -Além da amável e inexcedível habitual colaboração de António Lourenço, José Lebreiro, Agostinho Soares, assim como, nomeadamente, do repórter fotográfico José Ribeiro, a quem devemos a divulgação das primeiras imagens dos templos do sol para os mais diversos quadrantes do mundo, através da Reuters, e, naturalmente, de todos os demais peregrinos, designadamente Carlos Palma e Virgílio Guerreiro, que se deslocaram das proximidades da capital para ali se associarem à nossa tradicional saudação à despedida do maior dia do ano.
Virgílio Guerreiro, é maquinista da CP - E aproveitou para ali deixar também um gesto singular e muito caloroso da sua passagem, inscrevendo em duas cascas de árvores, dois belos poemas inspirados na espiritualidade das energias do lugar, que haveria de encostar ao misterioso nicho da Pedra da Cabeleira de Nª Srª e no sopé da Pedra do Solsticio
Balada dos aflitos - Poema de Manuel Alegre, do livro “Nada está escrito” -Lido numa das sessões da celebração do Solstício do Verão, no passado dia 21, Face à instabilidade das condições atmosféricas, uma parte das cerimónias teve de ser realizada no auditório da Junta de Freguesia, nomeadamente alguns dos poemas, que ali não puderam ser lidos- E que contamos vir a editar -
PEDRAS QUE NÃO SÃO APENAS PEDRAS - TÊM HISTÓRIA E TRANSMITEM ENERGIA - SITUAM-SE EM LUGARES ESPECIAIS DA TERRA, TAL COMO O TRIÂNGULO DE FÁTIMA, SÃO LOCAIS DE CURA -
Os calendários solares, aqui existentes, fazem parte dos chamados alinhamentos sagrados, com a mesma orientação de muitas igrejas da antiguidade, ou, recuando ainda mais no tempo, tal como outros observatórios pré-históricos, que ainda perduram em várias partes do mundo - São locais de cura, atravessados por linhas ou energias geodésicas especiais, que os saberes e a experiência de antigas civilizações, que viviam em estreita ligação com a Natureza, escolheram para seu benefício próprio e, ali, se dirigirem às suas divindades. De referir que as duas vertentes do vale são atravessadas pela falha sísmica do “graben" de Longroiva, nome de antiga vila de origem celta ,a que a freguesia de Chãs, já pertenceu, e onde existe uma das mais antigas estâncias termais do país.
TOM GRAVES, AUTOR DO LIVRO AGULHAS DE PEDRA – A ACUMPUCLTURA DA TERRA – JÁ ESTEVE NOS TEMPLOS DO SOL
Deslocou-se da Austrália, expressamente para estudar os dois alinhamentos. E concluiu que ambos os monumentos se se situam em sítios para onde convergem vários veios de água. Graves, defende que os lugares sagrados são centros para os quais muitas das linhas de água convergem umas com as outras e também com os centros padrões de linhas acima do solo, à semelhança do que acontece com as artérias do corpo humano.
Jorge Trabulo Marques . - Jornalista e coordenador dos eventos
Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador - Coordenador dos eventos
Gaitarolas de Sreikibeta
O Solstício de Verão, o dia mais longo do ano para o Hemisfério Norte, e que marcará o início da estação estival, ocorre às 10 h 14, dia 21 de junho (terça-feira) em Portugal - Vai ser celebrado a partir das 18 horas, desde o adro da igreja da aldeia em direção aos monumentais calendários pré-históricos, com o tradicional cortejo celta, composto por personagens envergando túnicas brancas, representando o papel dos lendários sacerdotes druidas, lembrando os seus antigos rituais ou tradições, ação evocativa esta abrilhantada pelos Gaitarolas de Strekibeta, grupo de gaiteiro de Miranda do Douro - Evento que conta com o inestimável apoio da Câmara Municipal de V. N. de Foz Côa, além do que se espera vir a ser prestado pela Junta de Freguesia
Prevista uma singela homenagem no Santuário Rupestre daPedra da Cabeleira de Nª Srª ao Prof. Adriano Vasco Rodrigues, ao, prestigiado Arqueólogo, Etnógrafo e Historiador, agora com 94anos, a quem se deve o primeiro estudo do mítico monumento Uma referência emblemática na investigação histórica, arqueológica e antropológica regional, nacionale internacional
A sua última visita a este local, ocorreu em 23 de Setembro de 2014, na celebração do equinócio do Outono, na homenagem que então prestamos à poetiza Maria da Assunção Carqueja,à saudosae sua muito querida esposa, antiga diretorado Centro de Docência Científica do Instituto de Investigação Científica de Angola. Metodóloga, e, posteriormente, Técnica Científica da União Europeia na área da Filosofia da Schola Europaea. –
Prevista a leitura de poemas de Maria da Assunção Carqueja, natural de Moncorvo, saudosa esposa do Prof. Adriano Vasco Rodrigues, que ali acompanhou o seu marido em 2006, bem como dos poetas Manuel Daniel, natural de Mêda, de Amadeu Ferreira, concelho de Miranda do Douro, Orlando Marçal, de Foz Côa, já falecidos. - - E dos poetas vivos: Manuel Alegre, natural de Águeda e de Hamilton Tavares, natural do nosso concelho - Se houver disponibilidade, poderão ser lidos também poemas de outros autores - Ao som dos acordes da violinista Raquel Cravino, docente de violino no Conservatório de Música da Metropolitana e na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa -Ao som dos acordes da violinista Raquel Cravino, docente de violino no Conservatório de Música da Metropolitana e na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa
PROGRAMA - Celebração do Solstício do Verão – No "Stonehenge português" - On the Stone of the Summer Solstice, na Pedra do Solsticio, em Chãs. V.N. de Foz Côa, com festejos à despedida do pôr-do-sol no dia maior do ano - Nesta coordenada - 40º 59' 39.94'' N - 7º 10' 35.46'' W. 17.30 Horas – Em Chãs - Arruada pelos Gaitarolas de Strekibeta, grupo de gaiteiro de Miranda do Douro, nas ruas da aldeia - 18.00 – Partida do cortejo celta do adro da igreja 19.00
– visita à Pedra da Cabeleira de Nª Srª Das 19.45 às 20.45 –
Celebração do dia maior do ano na Pedra do Solstício, com a leitura de
poemas a condizer com o espírito da estação -21.00 horas – Última sessão de poesia, no Altar dos Poetas
O
Vale do Côa, não é só já famoso pelas suas gravuras rupestres mas
também por dois magníficos templos solares, já apontados por estudiosos
como a Rota do Sol ou o “Stonehenge Português” – Um é a Pedra do
Sol ou Pedra do Solstício, um enorme monólito; o outro, é o Santuário
Rupestre da Cabeleira de Nossa Senhora, apontado aos equinócios da
Primavera e do Outono, classificado, há vários anos, pelo historiador
Adriano Vasco Rodrigues, como antigo local de culto do crânio e de
sacrifícios, e, posteriormente, em 2002, como um verdadeiro calendário
astronómico primitivo –
No
interior do seu recinto amuralhado, celebrou-se, no passado dia 21 de
Março, o Equinócio da Primavera. – Agora é a vez de saudarmos o dia mais
longo do ano
Depois de uma arruada pelas ruas da aldeia, que terá início às 17, 30 horas, pelosGaitarolas de Strekibeta,seguir-se-á às
18 horas, o cortejo celta, pelo antigo caminho romano, desfilando até
ao Maciço dos Tambores, já conhecido pelo planalto dos Templos do Sol,
por aqui se situarem alguns dos mais belos calendários solares da
humanidade, erguidos pelos povos, que, nos períodos do Neolítico e Calcolítico, por
aqui se refugiaram, se abrigaram, de que existem abundantes vestígios,
cultuando os seus deuses, festejando e orientando a sua vida, simples e
humilde, em estreita ligação com a natureza e o ritmo das estações do
ano
Com a
primeira paragem no altar sacrificial da Pedra da Cabeleira de Nª Srª, onde
será prestada uma singela Homenagem ao Professor Adriano Vasco Rodrigues e,
deste santuário rupestre, rumando à Pedra do Solstício, onde, às 20.45, os
participantes, poderão testemunhar a passagem dos raios solares sobre a
crista do esférico megálito,. justamente no momento em que o sol se
despede do maior dia do ano, na margem esquerda da colina sobranceira ao
magnifico vale da ribeira centeeira, ao som do grupo de gaiteiros e acordes de
violinos, que servirão de acompanhamento a momentos de poesia . Neste
lugar, e, por último, na Pedra dos Poetas.
De facto, foram os seus valiosos contributos científicos, nomeadamente o seu estudo do Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, que me levaram a questionar, se não haveria por ali, algo mais – algo maravilhoso - , escondido
pela poeira das eras, e ainda por desvendar. E não estava enganado.
Depois de tanto matutar e de tantas voltas por aqueles lugares, direi
mesmo, de inúmeras peregrinações (direi mesmo, desde os tempos do pé
descalço), por fim, lá deparei com a última decifração do enigma da
Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora
E
tudo isto, em boa parte, graças ao génio inspirador de Adriano Vasco
Rodrigues. É que ele, além de ser um comunicador nato, por excelência,
cuja palavra é sempre um grato prazer escutar, tem o dom de infundir o
saber e o entusiasmo pelas coisas do passado – Obrigado Prof. Adriano
Vasco Rodrigues – Que os deuses antigos o inspirem e sejam os seus
divinos protetores. Lhe proporcionem ainda muitos anos de vida – Com
saúde, e a alegria que lhe conhecemos. Pois certamente que ainda haverá
muitos segredos arqueológicos que esperam por si.
Embora tendo nascido no hospital da Guarda, cidade
capital do nosso distrito, onde sua mãe, foi professora
e enfermeira, sim, tal como ele recorda, que «dedicou a sua vida aos outros»,
bem como o pai, que até «aprendeu a dar injeções para também poder socorrer» e esta
cidade representasse para si “um ideal de vida e um ideal de
solidariedade», fazendo alusão aos tempos em que «havia umas cinco ou seis mil
pessoas» razão pela qual o município já o distinguiu com a medalha de mérito do
IPG e medalha de ouro da cidade, considerando-o um símbolo do guardense
devotado à causa da sua terra». a verdade é que a sua origem é de Longroiva, onde
foi gerado e cresceu, freguesia que ele bem conhece e tem estudado e onde tem parte
das suas raízes familiares e ancestrais,
tendo também já sido agraciado pela Câmara Municipal de Mêda , com a medalha de Mérito Cultural e o seu nome dado a
uma rua
“O território delimitado pelos concelhos de Meda e de
Vila Nova de Foz Côa é de comprovada antiguidade, oferecendo por vezes
surpresas e imprevistos arqueológicos. Há mais de 50 anos que venho estudando a
Pré-História desta região, tendo em 1956 encontrado testemunhos da presença do Homem do Paleolítico, num abrigo conhecido por Gruta do
Cavalinho, onde estava representada a gravura de um cavalo. Esta gruta situa-se
perto da Ribeira Teja, na freguesia do Poço do Canto, Meda. Outros testemunhos
da arte paleolítica vieram juntar-se a este, principalmente no Vale do Côa e
mais a norte do Douro e Vale do Sabor.
Em 1957, tive
oportunidade de estudar a fraga conhecida com o nome da Cabeleira de Nossa
Senhora, que classifiquei como santuário pré-histórico, integrado
cronologicamente na revolução neolítica. Pelas suas características sugere a
existência de um culto ao crânio, característico, na Península Hispânica, da transição
do Paleolítico para o Neolítico, segundo o Prof. Pericot. A identificação com
uma entidade feminina, que sofreu consagração à Virgem Maria, acompanhada de
lenda popular, sugere um culto inicial à Deusa Mãe, símbolo da fertilidade
O jornalista Jorge
Trabulo Marques, natural das Chãs, do concelho de Vila Nova de Foz Côa, que
meritoriamente tem pesquisado toda esta área, levantou o problema de se tratar
de um calendário solar, tendo o homem pré-histórico aproveitando este monumento
natural e adaptando-o, como se comprovou pela presença da pedra, que atrás
referi. Esta hipótese não foi levantada despropositadamente, pois está
comprovado por testemunhos de períodos coevos em que foram levantados
calendários relacionados com a marcação de solstícios de Verão e de Inverno. O
culto ao Sol é fundamental nas sociedades primitivas e o conhecimento do
calendário das estações para poderem fazer as sementeiras. O culto à Deusa Mãe
e ao Sol dos primeiros agricultores está relacionado.
Adriano Vasco Rodrigues - Diretor Jubilado da Schola Europaea , U.E. Bélgica.
Ex-Professor Associado da Univ. Portucalense. Trabalhou em Angola, na década de
1960/70 como Inspector Provincial Adjunto da Educação e colaborou com o
Instituto Superior de Investigação Cientifica de Angola. Estas funções
levaram-no a percorrer de automóvel mais de trezentos mil quilómetros naquele
território, adquirindo profundo conhecimento. Além de responsável pela
planificação de cursos de aperfeiçoamento e atualização de docentes do Ensino
Secundário e Básico, realizou prospeções e escavações arqueológicas e
subaquáticas no mar de Luanda e também estudos no Deserto do Namibe. Organizou
com a Dr. Maria da Assunção Carqueja Rodrigues, sua Esposa, a secção de
arqueologia do Museu de Angola e a primeira carta da Pré-história daquele país.
Publicou trabalhos sobre educação, pré-história, arqueologia e arte africana,
relacionados com Angola. É autor do livro de memórias, De Cabinda ao
Namibe,(2010- seg.Edi. 2011)
O
aprofundamento das questões arqueológico-históricas levam-no a elaborar
a 1ª. Carta Pré-histórica de Angola, tendo realizado escavações,
nomeadamente nas ruínas de um antigo embarcadouro de escravos para o
Brasil, e no deserto do Namibe, onde localizou os destroços de uma
embarcação da carreira das Índias
O STONEHENGE PORTUGUÊS
Enquanto
em Stonehenge, os neodruídas e milhares de seguidores e de curiosos, se
reúnem à volta do famoso círculo de pedras, por trás da famosa Heel
Stone, ao nascer do sol, para saudarem a entrada do dia maior do ano, em
Portugal, o Verão, é festejado, ao pôr-do-sol, junto a um antigo altar
de pedra localizado no patamar da uma impressionante vertente rochosa,
numa das faldas de zona castreja, conhecida pelo castro do Curral da
Pedra
O convite é dirigido não só à
população da aldeia e às gentes do concelho e redondezas, convidando-as evocar as festas dos ciclos da
natureza dos seus antepassados, e fazendo com que as mesmas continuem a fazer
parte do seu património cultural, comotambém a todos
aqueles que se interessem pelo estudo e pesquisa do passado longínquo da
História do Homem e das particularidades desta região, cheia de
misticismo e de um passado riquíssimo, contribuindo com o seu testemunho e
partilhando num acontecimento de rara beleza e significado.
ALINHAMENTO SAGRADO COM O PÔR-DO-SOL NO SOLSTÍCIO DE VERÃO
Esta extraordinária imagem,configurando uma gigantesca esfera terrestre ou a esplendorosa configuração de um enorme globo solarprojectando
os seus dourados raios, a poente, foi registada, pela primeira vez,
cerca das 20.45 horas do dia 21 de Junho de 2003 e poderá ao fim do dia
mais longo do ano e à mesma hora, caso as condições atmosféricas o
permitam.
A partir do ponto onde o sol então se pôs ( evoltará a pôr-se) começa o Verão e, de igual modo,a
grande estrela-fiel inicia o movimento aparente da sua declinação para o
Hemisfério Sul – E, até atingir esse ponto extremo, no Solstício do
Inverno, distam vários quilómetros: ou seja, desde o ponto do horizonte,
onde ele se vai pôr, emperfeito
alinhamento com a crista do esférico bloco e o centro do pequeno
círculo que se encontra cavado, a alguns metros a oriente, na mesma laje
da sua base de apoio.
TALVEZ DOS ÚNICOS OU POUCOS LUGARES DA TERRA ONDE AINDA PERSISTEM ALINHAMENTOS SAGRADOS COM TODAS AS ESTAÇOES DO ANO
Local mágico, pleno de história e de misticismo,
dos tais lugares da terra onde a beleza e o esplendor solar podem
repetir-se à mesma hora e com a mesma imagem contemplativa de há vários
milénios pelos povos que habitaram a área.
São
conhecidos por alinhamentos sagrados, remontam ao período megalítico e
existem em várias partes do mundo, mas sobretudo na Europa. Sendo o mais
famoso o Stonehenge. Muitos destas gigantes estruturas estão em
perfeito alinhamento com os corpos celestes, especialmente com os
Equinócios e os Solstícios - Perpetuam memórias de verdadeiros
calendários astronómicos, que antigas civilizações elegeram como
especiais locais de culto – No maciço dos Tambores
Vamos celebrar o Solstício de Verão 21-06-22 – Com o PROF. ADRIANO VASCO RODRIGUES – Arqueólogo, Etnógrafo e Historiador, 94 anos Referência emblemática no distrito da Guarda, volta a dar-nos o prazer e a honra de partilhar connosco a sua amável presença e sabedoria nos sagrados calendários solares pré-históricos do maciço dos Tambores, chãs- Foz Côa, na próxima terça-feira, a partir das 18 horas -
Adriano Vasco Rodrigues é uma referência nos Templos do Sol. Aqui recordamos, neste vídeo, alguns dos momentos na celebração do Equinócio do Outono, em 23 de setembro de 2014, quando ali prestamos uma singela homenagem à poetiza Maria da Assunção Carqueja, à saudosa e muito querida sua esposa, ao som do virtuosismo da violinista ucraniana, Olena Sokolovska e de Pedro Ospina, natural da Colômbia, guitarrista e compositor do grupo Alé&Olé, ambos residentes na cidade da Guarda
Este evento conta com o precioso apoio do município, e a participação dos Gaitarolas de Strekibeta, grupo de gaiteiros de Miranda do Douro - Ao som dos acordes da violinista Raquel Cravino, docente de violino no de Música da Metropolitana e na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, que servirão para acompanhar os momentos de poesia, ambas as participações, ficam a dever-se ao precioso apoio do nosso município.
.Foi o Prof - Adriano Vasco Rodrigues, que, em 1982, no seu estudo, publicado em 1983, sobre a história remota do concelho de Mêda, ao qual, em tempos, a freguesia de Chãs. trouxe à luz do conhecimento científico o Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, no Monte dos Tambores, em Chãs, nos arredores da minha aldeia.
Por essa altura, o atual professor da universidade portucalense, incumbido de elaborar uma monografia sobre a História Remota de Meda, apresenta à estampa a primeira alusão ao imponente megálito, ao qual, uns vinte anos antes, se deslocara com um grupo de amigos. É certo que o povo já tecia à volta do misterioso fraguedo, as mais díspares lendas e conjeturas. Sim, havia o pressentimento de que não era uma pedra qualquer. Dizia-se que a sua gruta havia servido de abrigo a Nossa Senhora, ao fugir do Egipto, com o menino Jesus ao colo para evitar ser degolado pelo Rei Herodes. E que, ao encostar os seus cabelos, no pequeno nicho, que se situa logo à entrada do pequeno portal que a atravessa, os mesmos cabelos negros, se haviam gravado para sempre, como que a perpetuar a sua apressada e atribulada viagem – Pois é, as lendas, por vezes, têm o seu cunho de verdade, outras, é necessário ir mais longe: decifrar-lhes como que os seus códigos. Foi o que fez o Prof. Adriano Vasco Rodrigues.
“Em 1957, tive oportunidade de estudar a fraga conhecida com o nome da Cabeleira de Nossa Senhora, que classifiquei como santuário pré-histórico, integrado cronologicamente na revolução neolítica। Pelas suas características sugere a existência de um culto ao crânio, característico, na Península Hispânica, da transição do Paleolítico para o Neolítico, segundo o Prof. Pericot. A identificação com uma entidade feminina, que sofreu consagração à Virgem Maria, acompanhada de lenda popular, sugere um culto inicial à Deusa Mãe, símbolo da fertilidade”.
Pois bem, creio que, se não fosse, o Prof. Adriano Vasco Rodrigues, ter-lhe atribuído valor arqueológico, nem sei mesmo se esta pedra, ainda hoje estaria no mesmo sítio. É que, quando eu era garoto, a laje em que assenta, só não foi toda cortada a fogo de pedreira, talvez por uma qualquer intervenção miraculosa.
"O jornalista Jorge Trabulo Marques, natural das Chãs, do concelho de Vila Nova de Foz Côa, que meritoriamente tem pesquisado toda esta área, levantou o problema de se tratar de um calendário solar, tendo o homem pré-histórico aproveitando este monumento natural e adaptando-o, como se comprovou pela presença da pedra, que atrás referi. Esta hipótese não foi levantada despropositadamente, pois está comprovado por testemunhos de períodos coevos em que foram levantados calendários relacionados com a marcação de solstícios de Verão e de Inverno. O culto ao Sol é fundamental nas sociedades primitivas e o conhecimento do calendário das estações para poderem fazer as sementeiras. O culto à Deusa Mãe e ao Sol dos primeiros agricultores está relacionado.
BIOGRAFIA - Adriano Vasco Rodrigues - Diretor Jubilado da Schola Europaea , U.E. Bélgica. Ex-Professor Associado da Univ. Portucalense. Trabalhou em Angola, na década de 1960/70 como Inspetor Provincial Adjunto da Educação e colaborou com o Instituto Superior de Investigação Cientifica de Angola. Estas funções levaram-no a percorrer de automóvel mais de trezentos mil quilómetros naquele território, adquirindo profundo conhecimento. Além de responsável pela planificação de cursos de aperfeiçoamento e atualização de docentes do Ensino Secundário e Básico, realizou prospeções e escavações arqueológicas e subaquáticas no mar de Luanda e também estudos no Deserto do Namibe. Organizou com a Dr. Maria da Assunção Carqueja Rodrigues, sua Esposa, a secção de arqueologia do Museu de Angola e a primeira carta da Pré-história daquele país. Publicou trabalhos sobre educação, pré-história, arqueologia e arte africana, relacionados com Angola. É autor do livro de memórias, De Cabinda ao Namibe,(2010- seg.Edi. 2011)
O aprofundamento das questões arqueológico-históricas levam-no a elaborar a 1ª. Carta Pré-histórica de Angola, tendo realizado escavações, nomeadamente nas ruínas de um antigo embarcadouro de escravos para o Brasil, e no deserto do Namibe, onde localizou os destroços de uma embarcação da carreira das Índias