expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

domingo, 24 de abril de 2022

Cidade São Tomé – A capital multicultural das Ilhas Verdes do Equador, celebrou os 487 anos de sua elevação a cidade – A “Poson” que recebeu a visita do Príncipe Real Luís Filipe de Bragança, em Julho de 1907 - Porventura, tendo ainda conhecido o último Rei dos Angolares, o Capitango, Simão Andreza, ou então dele ouvido falar

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

O estatuto à cidade do nome do apóstolo S. Tomé,  foi-lhe atribuído por Carta Régia do Rei de Portugal Dom João III, em 22 de Abril de 1535 - A história nunca pode ser riscada ou apagada do tempo e da vida - Sejam quais forem as origens, as suas transformações ou adversidades: há que recordar as suas páginas - Os seres humanos, que surgiram na África Oriental há cerca de 2,5 milhões de anos, seja em que ponto for da Terra, são fruto de uma amálgama de origens, de cruzamentos, de fatores, que advém de um ínfimo mas milagroso acaso.


Parabéns ao município da capital pela comemoração da efeméride, que aproveitou para distinguir duas importantes figuras santomenses

Em 1641, os holandeses ocuparam São Tomé, mas os portugueses recuperaram a Ilha em 1644. Em 1709, os corsários franceses ocuparam a Cidade de São Tomé por quase um mês. Em 1753, a capital foi transferida para Santo António, na Ilha do Príncipe. A capital retornou para São Tomé em 1852.


Recebeu a visita do Príncipe Real Luís Filipe de Bragança, em Julho de 1907, na primeira visita de um príncipe as colónias portuguesas de S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, e ainda as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul, quando regressava passou por Cabo Verde. - – Que, certamente, não deixaria de ter ouvido falar daquele que viria a ser o último rei dos angolares, do último capitão (capitango) dos Angolares, Simão Andreza, considerado como o rei da etnia angolar  – Ou mesmo de o ter conhecido. Não se sabe exatamente a data do seu falecimento, mas  diz-se que faleceu no principio do século XX, sem deixar descendentes.

Gerhar Seibert, antropólogo e investigador do antigo Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), em Lisboa, de 1999 a 2008, e do ex-Centro de Estudos Africanos / ISCTE -, no seu estudo intitulado  ..”A Questão da Origem dos Angolares deSão Tomé, refere que

Segundo a maioria dos autores, os Angolares teriam saído do mato pelaprimeira vez em 1574, trinta anos após o alegado naufrágio, quando começaram aassaltar as plantações e a própria cidade https://www.academia.edu/46472410/A_Quest%C3%A3o_da_Origem_dos_Angolares_de_S%C3%A3o_Tom%C3%A9

Dellfim Neves 
Jorge Bom Jesus 

COMEMORAÇÃO QUE DISTINGUIU DUAS FIGURAS SANTOMENSES DA ATUALIDADE

 A efeméride foi assinalada pelo presidente da Câmara Distrital de Água Grande, José Maria Fonseca, que decidiu homenagear o presidente da Assembleia Nacional,Delfim Neves e o Primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, com a entrega da chave da cidade de São Tomé, capital

José Maria Fonseca 

Segundo refere o Télanon,  “as cerimónias decorreram na última quinta-feira e sexta-feira, nos gabinetes de trabalho dessas figuras, respectivamente, na Assembleia Nacional e no Palácio do Governo.

Linda e banhada pelas águas do oceano atlântico, a cidade de São Tomé nasceu como resultado de cruzamento de gentes da Europa e da África.

E na sequência disso, foi ganhando relevância no contexto africano em plena era colonial, albergando a primeira Santa Casa da Misericórdia portuguesa em África, como também foi o espaço que acolheu a primeira e a maior diocese do reino português em África, afirmou Albertino Bragança.


De acordo com este homem da cultura, “o processo amplamente ilustrativo do desejo dos Papas de Roma e dos Reis de Portugal de fazerem de São Tomé um centro irradiador de religião e cultura para toda a África e assim dotarem a capital de tais riquezas e objectos de culto, que São Tomé se podia chamar “Roma do Ocidente Austral Africano”, tal como Goa “Roma do Oriente”, relatos do século XVI, trazidos ao presente numa investigação de Albertino Bragança.

A cidade de São Tomé, hoje, além de ser o centro onde gravita toda raça de gente, nacionais, estrangeiros, europeus e africanos, alberga actualmente mais de 20 mil pessoas.s.

Com suas casas de média altura (próprias do período colonial), salvo um ou outro prédio de meia dúzia de andares que hoje dão algum sinal de modernidade”

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Petróleo em S. Tomé e Príncipe? - Desde a colonização, que se fala na sua exploração – Desta vez, parece que é de vez - Crise internacional aguça o apetite e apressa o furo: Tema da agenda do P.M. Jorge Bom Jesus, em Cabo Verde e agora do P.R. Carlos Vila Nova, na sua visita oficial à Guiné Equatorial

Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Desde 1970


Desde a colonização, que se fala na sua exploração – O pequeno país das Ilhas Verdes do Equador, com pouco mais de 200 mil habitantes no Golfo da Guiné, que,  na virada do século, em 2001,  descobriu estar envolvido por um manto de petrodólares, em águas profundas, com reservas estimadas em 11 bilhões de barris de óleo bruto, sendo então dito  poder vir a  tornar-se uma espécie de Brunei do golfo da Guiné e a produzir perto de 80 mil barris por dia, com promessas de que  Estado iria receber 113,2 milhões de dólares pelas concessões — isto é, três vezes mais que seu PIB - Produto Interno Bruto

Porém, como é do conhecimento público, tal não aconteceu por via de sucessivas crises políticas, concessões geopolíticas e outros factos, que degradaram o ambiente social e político. num meio tradicionalmente pacífico.

Mas desta vez, parece que é de vez: a primeira perfuração deverá começar no final deste mês a  uma profundidade de 2.500 m e numa extensão cinco vezes maior  às duas ilhas, a cerca de 100 quilómetros do litoral do país pelo consorcio constituído pelas perolíferas anglo-holandesa Shell e a portuguesa Galp no bloco petrolífero no bloco 6 da Zona Económica Exclusiva, que detêm cada uma, 45% de interesse participativo nesse bloco e o Estado são-tomense, 10%, anunciou fonte oficial.

O primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, na recente visita oficial  que fez a Cabo Verde, numa declaração conjunta no Palácio do Governo com o homólogo cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, afirmou  que "há grandes expectativas" com a exploração petrolífera em águas do país. Admitiu  ser “um furo de sucesso e um motivo de esperança para o país”, que precisa de um “financiamento adicional” para a sua economia Temos 160 vezes mais de mar do que a própria terra e além dos recursos piscatórios, prometendo  partilhar "os ganhos" com Cabo Verde.

Agora, é também o Presidente da República, Carlos Vila Nova, que, ontem chegou a Malabo, capital da Guiné Equatorial, para uma visita oficial de três dias, onde foi recebido na sala dos embaixadores do Palácio do Povo, pelo Presidente Obiang Nguema Mbasogo, que  o felicitou “pela brilhante vitória nas eleições presidenciais do seu país e desejou-lhe sucesso no seu mandato”.

A visita do novo Chefe de Estado faz parte da vontade política de ambos os governos de continuar fortalecendo os laços de amizade, cooperação e boa vizinhança entre as duas nações, a fim de diversificar a cooperação em setores de interesse comum em benefício recíproco, foi salientado pela imprensa guiné-equatoriense  – E, um dos  sectores é justamente o reforço da cooperação bilateral baseado essencialmente na área do petróleo, da educação e ao nível da saúde, tal como declarou momentos antes de deixar S. Tomé  

Foi noticiado pela Agência STP-Press, que “o navio-sonda que deverá efetuar o primeiro furo petrolífero no bloco 6 da Zona Económica Exclusiva (ZEE) deve chegar a São Tomé e Príncipe no final deste mês, – revelou a Rádio Nacional do país.

Com o primeiro furo, reprogramado já para o próximo mês de Maio, o navio-sonda, munido com equipamentos de primeira geração concentrar-se-á nas ilhas de São Tomé e Príncipe na perspetiva de se encontrar o petróleo comercializável.

O resultado desta perfuração vai determinar ações futuras, assegurou por sua vez, Vanessa Gasparinho, também, da GALP, em Dezembro último, em São Tomé.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

NÁUFRAGOS DO TITANIC - A Singela Homenagem de quem viveu como eu o sufoco aflitivo das ondas - Foi na noite de 14 de abril de 1912, às 23horas 40 m, durante sua viagem inaugural, entre Southampton, na Inglaterra, e Nova York, nos Estados Unidos, que o navio Titanic chocou com um iceberg no Oceano Atlântico com mais de 1 500 pessoas a bordo e o afundou na madrugada do dia seguinte

Jorge Trabulo  Marques - Jornalista - A singela homenagem em expontâneos versos 

Repousa a 3.800 metros de profundidade - Sob as coordenadas
41º 43' 35" N, 49º 56' 54" W

 

Náufragos do desespero!
das inumeráveis viagens inacabadas,
dos inarráveis rumos que foram traçados
e dramaticamente, riscados,
abruptamente destroçados, 
afundados no torvelinho das águas!..

Tal como vós, também um dia parti de um porto,
de um indistinto porto tracei meu rumo,
perdi-me, voguei errabundo, fui náufrago!...
Vivi todas as  sensações e emoções do mundo,
como só talvez as  viva intensamente 
quem se abra de corpo aberto
e coração fundido à pulsação
desse plangente limite,
viscoso, movediço, sorvente!
-  Na tumultuosa e erma vastidão! 



  Naufraguei!...
Vi-me ignorado  de toda a palavra,
irradiado do próprio sonho,
felizmente resisti  e sobrevivi!
Náufragos, irmãos meus!
Afinal, irmãos de todos os homens,
de todos os seres e de todas as coisas! 
Ricos ou pobres - O sufoco do mar não os distingue,
engole-os e traga-os a todos por igual.

Tal como vós, ó náufragos do Titanic,
 fiz do meu pequeno barco
não a mansão luxuosa 
mas o mesmo lar no grande mar!...
e, através das suas ondas,
rugidoras de presságios,
se não tive a  vossa sorte,
quantas vezes naveguei e aspirei,
em cada espuma,
em cada noite cerrada,
em erma bruma,
um perfume salgado de morte!...




Eu, que sozinho voguei  
sob noites equatoriais povoadas de assombro e trevas
e habituei  meus olhos e  meu  instinto  
a ver o  que as sombras, as névoas,
os nevoeiros nocturnos ocultam ou encobrem,  
sim, ainda mesmo agora 
- à distância do espaço e do tempo - 
,claramente ainda diviso  o pronúncio sinistro 
das mais trágicas horas de luto!... Distingo o perfil  inconfundível 
 de esbelto  e moderno navio - O seu  vulto ainda navegando 
e sulcando a superfície denegrida das águas! 
Sim, como que a antevendo  o sinistro momento, 
que vai anteceder o brutal choque com o Icebergue,
ao pavoroso afundamento que vai seguir-se por escassas horas.

Entretanto, vendo o desespero dos que saltam para o mar, 
que em vão procuram agarrar-se às bóias  ou dos que são descidos
precipitadamente para as escassas baleeiras que foram arreadas.
Mesmo assim, choram, gritam, gesticulam e imploram protecção divina!

Vendo tão claramente o drama, que até me parece
que esta minha emocionada visão, é  de quem lá esteve,
não fruto da minha imaginação! - Que eu sou também
 um dos seus náufragos que  mergulha no mar e se salva!

Sim, neste momento em que as palavras 
se soltam livre e espontaneamente da minha mente,
eu nem sei se não serei mesmo, mais do que o poeta 
ou a figura encarnada de um feliz sobrevivente, 
alguém que, tendo lá estado, sobrevivido ou morrido afogado, 
porém, passados tantos anos, em vez de ter ficado até uma velhice senil,
tenha cedo partido para a eternidade e ressuscitado - Se calhar é isso mesmo.

Mas, seja como for, ainda diviso, ainda revejo, todos os momentos
 do prenúncio e do seu afundamento - O casco e as  linhas aprimoradas
que lentamente se afundam e suspiram, que lentamente soçobram e  asfixiam,  
que lentamente mergulham, vergam e se  revolvem na líquida massa negra azulada,
movediça, ondulada e informe, coalhada de pedaços de gelo do mesmo icebergue, 
que depois de lhe deferir  duro golpe fatal, ali mesmo o vai sepultar!... 
Com idêntica crueldade e gélido  brilho  ao que espelham as mortuárias águas!...
 O mesmo que é reflectido do sideral firmamento, no qual as estrelas 
mas continuam silenciosas mas rutilam.  

Vejo-o e distingo-o, como se aquela noite de tragédia 
se  fixasse no éter para sempre, perpetuada  na atmosfera vítrea  
da amortalhada imensidade!  Espelhada no rosto dos astros 
No calendário programado  dos grandes naufrágios do mar !
 . Oh, sim, o sufoco cruel das águas! Quem o não conhece?!..
Quem ainda não se engasgou até com um copo de água?.
Nem é preciso que seja no mar - Oh, sim!... 
- Afrontosa crueldade marítima, cuja hora idêntica 
ainda hoje perpassa nítida e clarissima pela minha mente!.
Tantas vezes a revi, a revivo, como que renascida
dos confins da memória e da minha adolescência.

Ainda eu era criança, já na escola primária, em minha casa
e na  minha aldeia se falava  do afundamento de um grande navio 
- O mar ficava muito longe e era então para mim um grande mistério.

Por isso, quando alguém embarcava para África ou Brasil, 
todas as noites se rezava, até haver notícias da chegada.
 Talvez por essa razão, quando andei sozinho e perdido no mar, 
muitas vezes me passaram pela mente as aflições dos afogados do Titanic!

Dentro de mim, lateja , pois, o humano sofrimento 
das suas dolorosas angústias e lamentos, as lágrimas perdidas! 
Pelo  meu peito, perpassa ainda o peso das longas horas incertas! 
O calvário dos sofridos tormentos! - E, no meu estômago, sinto ainda 
como que o trago  amargo do sal engolido no remoinho das  trevas! 
Sinto-o ainda como que  a subir-me pela  garganta acima e a vir-me à boca 
um certo sabor vazio das viceras, sentido naqueles dias de sede e sem comida

Oh!  Como eu alguma vez  me poderei esquecer dos infindos momentos, 
vividos,  quando, a horas altas da noite, por ter adormecido, 
rolei da canoa borda fora para o seio negro das águas

Caleidoscópio de memórias que me vai permitindo,
não só mergulhar no meu passado de náufrago, 
transportar as minhas emocionantes recordações marítimas 
e ao mesmo tempo ir descobrindo  na límpida transparência 
de funéreo negrume alvacento e frio, onde o Titanic se vai afundando
todo o pavoroso carrossel dos contornos da sua fantasmagórica e terrível tragédia!

Jorge Trabulo Marques

SÓ QUEM CONHECE NOS OLHOS O TERROR DA VIOLÊNCIA DO  MAR OU  O SUFOCO  E A AFRONTA DAS ÁGUAS SALGADAS,  NA  GARGANTA, PODERÁ AVALIAR QUÃO DUROS SÃO OS MOMENTOS DÉ AGONIA OU DE INCERTEZA

Passei por essa terrível experiência, na minha travessia, a bordo de  uma minúscula e frágil piroga de S. Tomé à Ilha do Príncipe, na noite em que , ao adormecer a canoa me precipitou  na amalgama de uma rodopiante negra  massa líquida.

Posteriormente fiz outras aventuras,  de S. Tomé à Nigéria, em 12 dias, - E, ainda nesse mesmo ano, a tentativa da  travessia da Ilha de Ano Bom ao Brasil,  junto à qual fui largado de um pesqueiro americano, que me conduzira, desde S. Tomé  até às suas proximidades,  para apanhar a grande corrente equatorial. e que acabaria por se saldar em 38 longos dias, grande parte dos quais ao sabor das correntes e dos ventos.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Barão de Água Izé – O mui nobre visionário mestiço, João Maria de Sousa e Almeida - O poeta e agricultor que introduziu a árvore da fruta pão e desenvolveu a cultura do Cacau no arquipélago, natural da Ilha do Príncipe, descendente de uma família mulata abastada , de São Salvador da Baía, que o Reino distinguiu de Barão e Conselheiro – Nasceu há mais de 2 séculos, em 12.3.1816 - Um dos filhos ilustres das Ilhas Verdes do Equador que caiu no esquecimento - Era justíssimo erguer um busto ou descerrar uma lápide em sua memória

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador   C


João Maria de Sousa e Almeida, nasceu na Ilha do Príncipe, no dia 12.3.1816 e faleceu em  S.Tomé 17.10.1869, filho do coronel de milícias Manuel de Vera Cruz e Almeida e D. Pascoela de Sousa Leitão . Casou com D. Maria Antónia de Carvalho sg. Não deixou filhos legítimos, “mas muitos filhos de amigas que trabalhavam nas suas roças".

O poeta agricultor que, em 1855,  um dos maiores impulsionadores da agricultura em S. Tomé e Principe 

É reconhecido, num opusculo, em sua memória, publicado, em 1934, , aquando da 1ª Exposição colonial, na cidade do Porto, que JOÃO MARIA DE SOUSA E ALMEIDA, foi   um grande agricultor das ilhas de S. Tomé e Príncipe, dirigindo ele próprio as suas importantes plantações   de café e de cacau. Tendo introduzido a  árvore da fruta-pão,(artocarpus incisa 1.bella, vindo a publicar diversas instruções sobre a sua cultura

Os seus serviços foram reconhecidos e galardoados: “Fidalgo da casa real, do conselho de Sua Majestade, comendador das Ordens de Cristo e da de “Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, tenente- -coronel de 22 linha dos voluntários de Benguela. Foi 1º Barão de Água-lzé em sua vida, por decreto de 16 de Abril de 1868,,.  Na colónia exerceu, com elevado apreço, o cargo de presidente do município da capital.  

1910 - De Francisco Mantero - Água Izé - Praia do Rei

Em 1858 - ou seja três anos depois da cultura do cacau - o mesmo fidalgo introduziria  a árvore da fruta pão (artocarpus incisa 1.bella, tendo o referido barão publicado diversas instruções sobre a sua cultura

O GRANDE IMPULSIONADOR DA CULTURA DO CACAU 

Tal como é recordado, num dos estudos do Eng. Agrónomo José Eduardo Mendes Ferrão. Professor catedrático jubilado de Agronomia Tropical, que tive o prazer de conhecer como consultor Científico da «Brigada de Fomento Agropecuário de S. Tomé e Príncipe», em África, segundo o que geralmente se admite, o cacaueiro foi introduzido na Ilha do Príncipe em 1822 vindo do Brasil e daqui passou para S. Tomé em 1830

Num período em que  “ a Ilha do Príncipe  foi aí a sede do Governo desde 1753 até 1852 e, por isso mesmo, da maior actividade. Durante este período governavam em S. Tomé capitães-mores. António Rodrigues Neves foi o último governador que, nesta época, viveu em S. Tomé. O «coronel Ferreira» a que se refere Nava, foi José Ferreira Gomes, o maior proprietário da província naquele tempo  e considerado o introdutor do cacaueiro (como planta ornamental durante o governo interino de Filipe de Freitas . Teria sido nas Terras de Cima Ló na ilha do Príncipe que o cacaueiro se desenvolveu pela primeira vez. A oeste desta ilha ainda existia em 1877 um dos primeiros pés de cacau «que ali deram frutos em 1822»

 "Os espanhóis levaram o cacau para Fernando Pó no século XVII  possivelmente dos territórios portugueses  ou só entre 1875 e 1880 na opinião de Schwarz . Na Costa do Marfim o cacaueiro foi introduzido em 1870 e na Costa do Ouro (hoje Ghana) o cacau surgiu em 1878 ou em 1879, vindo de Fernando Pó e levado por um negro. O cacau da Nigéria teve origem na mesma ilha e foi levado por um chefe nativo em 1874. Nos Camarões já existia a cultura em 1884 quando este território ficou sob o domínio alemão (355) embora Hubert afirme que a introdução do cacaueiro só se efectuou em 1886 (239). O ano de 1887 é referido como data em que o cacaueiro começou a ser cultivado no Gabão (239) e no ex-Congo Belga. Neste último território é possível que o cacaueiro tenha sido introduzido nos tempos de Stanley, juntamente com outras plantas .

Com a marmita do almoço - Uba-Budo 1963

Considerando,  também, que o grande impulsionador da cultura do cacaueiro em S. Tomé e Principe,  foi o Conselheiro Comendador João Maria de Sousa e Almeida, Barão de Ãgua Izé (11) (182) (338). Pelo seu conselho e exemplo conseguiu transferir o cacau daquela posição humilde que disfrutava até torná-lo o pequeno senhor acarinhado pelos agricultores que começavam a augurar para esta planta um futuro prometedor. O Barão de Ãgua Izé sabia muito bem quais os argumentos mais convenientes à propaganda da nova cultura. A grande economia de mão-de-obra que ocasionava — factor sem dúvida de decisiva importância num território que tinha na escassez de serviçais o seu principal problema agrícola — foi a base mais convincente da sua propaganda. Não foi espectacularmente rápido o desenvolvimento da cultura do cacaueiro. Pode dizer-se até que durante os vinte anos a seguir à sua introdução mal se esboçaram os primeiros passos; a exportação em 1842 pouco passava das duas toneladas anuais. Como a exploração agrícola em S. Tomé era realizada, como ainda hoje, à custa de mão- -de-obra quase toda importada, o problema tornou-se mais difícil com a restrição da escravatura decretada em 29-4-1852 e em 14-12-1854 e sua abolição completa pelo Decreto de 25-2-1869 pelo qual os escravos eram convertidos em libertos. A cultura do café, mais exigente em mão-de-obra, começou a dar lugar à do cacaueiro e esta foi-se impondo lentamente. 

Uba-Budo 1963

Apesar disso em 1870 ainda se não tinham atingido 100 toneladas anuais de exportação. A redução de mão-de-obra ocasionada pela cultura do cacaueiro é um argumento a partir de 1879 reforçado por uma sensível elevação das cotações do cacau nos mercados internacionais. Durante os dez anos seguintes, o café ia diminuindo progressivamente de importância, o valor do cacau processava-se em ritmo ascendente e a capacidade produtiva e económica de S. Tomé repartia-se, praticamente, por estas duas culturas  A partir daquele ano o cacaueiro tomou nítida ascensão a tal ponto que no curto período de 8 anos (1891-1898) o valor da exportação (que mede de forma bem nítida a produção) subiu quase 400 por cento. Entrou-se assim no período de produção acima das 10 000 toneladas. O cacaueiro passou a dominar o interesse dos agricultores. 

Senzalas de Água Izé - 

Em 1894, numa produção mundial de cerca de 70 000 toneladas, S. Tomé e Príncipe ocupava a quarta posição, logo a seguir ao Equador, Brasil e Trindade. Em 1897 cedeu o seu lugar a favor da Venezuela retomando-o no ano seguinte. Em 1901 S. Tomé e Príncipe ascendeu ao 3.° lugar e passados dois anos ultrapassou as 20 000 toneladas atingindo em 1905 a posição de primeiro produtor mundial de cacau.Em 1909 a exportação passava já das três dezenas de milhar de toneladas. 

O valor máximo da produção atingiu-se em 1913 e o ritmo manteve-se estacionário durante a primeira grande guerra. Em 1918 a exportação diminuiu sensivelmente como consequência da falta de transportes mas os «stocks» lançados no mercado no ano seguinte provocaram o maior valor de exportação de cacau das ilhas de S. Tomé e Príncipe.Mas nem tudo foram sucessos. A falta de conhecimentos da técnica de agricultar nos países tropicais ocasionou erros de base cujas consequências não tardaram a fazer-se sentir. Já no fim do século passado, quando os agricultores tiveram conhecimento de que em alguns territórios centro-americanos se cultivava o cacau em pleno sol.

As espécies do género Theobroma são originárias da América Tropical  mas aquelas a que hoje se reconhece interesse económico tem uma área de origem mais restrita, constituída apenas pelos territórios das bacias do Amazonas  ou do Amazonas e do Orenoco ou pela zona localizada a este dos Andes perto da fronteira da Colômbia com o Equador. Outros autores atribuem aos cacaueiros uma origem mexicana (135), possivelmente por ter sido naquela região que os europeus o encontraram pela primeira vez e donde se teria propagado para o Sul até às terras da Baía 

Viveiro de Cacau Brig. Fomento AP

Não admira, portanto, que a base das plantações tenha sido feita com cacaus forasteros amazónicos. Criou-se assim o chamado cacau amelonado de S. Tomé, também designado por creolo de S. Tomé, pelo facto de corresponder ao primitivo cacaueiro cultivado nas Ilhas, mais tarde a base da constituição das plantações do continente africano. O tipo de cacau inicialmente introduzido em S. Tomé e Príncipe era de frutos amarelo-alaranjados. Pelo fim da segunda década do século actual já se tinham introduzido outros tipos


Água Izé - 1910
Água Izé - 2016

João Maria de Sousa e Almeida,, nasceu  na Ilha do  Príncipe descendente de uma família mulata abastada , de São Salvador da Baía, que emigrou  para o Príncipe nos finais  do século XVIII. Faleceu aos 53 anos - Naquele tempo, a media de vida era bem mais curta de que atualmente. No seu espírito dinâmico e empreendedor, brilhava também a inspiração e a verve poética -  É  o que demonstram os extremosos versos que dedicou ao seu pai, numa lápide tumular, na cidade de Santo António, na Ilha do Príncipe, o coronel de milícias Manuel de Vera Cruz e Almeida Viana, nascido em 1750 -  Não tendo tido porém, o mesmo procedimento para com  a sua mãe,  D. Pascoela de Sousa Leitão, nascida em 1790


1910 - Senzalas - Água Izé  - In A Mão d'Obra em S. Tomé




João Maria de Souza e Almeida, Barão de Água Izé e Conselheiro do Reino,  o primeiro mestiço nobre a ser distinguido com tão alta distinção, o qual, além do “importante e abastado proprietário em S. Tomé e Príncipe e no distrito de Benguela, senhor dos prazos de Agua-lzé, Castelo do Sul e Alto Douro,  a quem se deve o fomento da cultura do cacau, introduzido na ilha do Príncipe, em 1822, mas cultivado em tão pequena escala que – nem sequer constava dos  seus famosos «Ensaios Estatísticos.


Referem estudos genealógicos que, João Maria de Souza e Almeida casou com D.Maria Antónia de Carvalho sg.  ( e Antónia Carolina da Rocha Guimarães - Não deixou filhos legítimos,"mas muitos filhos de amigas que trabalhavam nas suas roças".http://geneall.net/pt/forum/97022/familiares-dos-baroes-de-agua-ize/

Baía de Água Izé 
Baía de Água Izé

 “Para S. Tomé, não se poderia encontrar figura mais ligada à Colónia que a dum mestiço a quem as ridentes ilhas atlânticas tanto devem - o barão de Agua-Izé - homem de primeiro plano na ocupação económica do Império, como grande propulsor do desenvolvimento agrícola

Sim, hoje venho trazer-lhe o que penso ser uma outra novidade, que logrei extrair de uns cadernos dactilografados caídos no esquecimento, que, um feliz acaso me proporcionou – sim, porque, já em avançado estado de decomposição, nem fácil de localizar nem de forma ordenada - Diz o seguinte:



Bisneto do Barão de Água Izé


Ao meio da Rua de  S. Gregório, hoje  Rua Francisco Mantero,  por deliberação da C.M. de  1-4-1937, está indicada uma igreja que se chamou S. Gregório. O caminho conduz ao cemitério e a igreja ficava onde termina hoje o terreno pertencente a uma casa de Adolfo Ferreira Lousada.

Ao fim da Rua Tenente Valadim está marcada na carta, finalmente a última igreja: era a Igreja do Senhor do Bom Jesus dos Passos, conhecida por Igreja do Senhor (Gueja Sinhô) – Esta igreja foi construída benta procedendo autorização do cabido em S. Tomé no ano de 1825 (Reg. De of. e Registos a Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos da Graça, 1824, a  flhs 1) – Os restos das desmoronadas paredes serviram para a construção  de um Matadouro Municipal. Nessa ocasião – 1925 -  foi ali encontrada uma sepultura coberta com uma lápide; Ali estavam enterrados os restos mortais de Manuel da Vera Cruz Almeida, pai de João Maria de Sousa e Almeida que foi o primeiro Barão de Água Izé.

Tributo de amor filial levantado por João Maria de Sousa Almeida


Aqui jaz os restos mortais de Manuel da Vera Cruz Almeida – Coronel das Ordenanças natural da Baía de Todos os Santos, cidade de S. Salvador, Província do Império Brasileiro – nasceu a 22 de Setembro de 1780 e faleceu a 31 de Maio de 1833 com 53 anos  8 meses  e  8 dias


Esta pedra que voz incerta e dura,
De humano explendor frágil padrão,
É das cinzas dum nobre capitão
Das relíquias mortais a sepultura

Encera o corpo se,  que a alma pura
Que habita em virtuoso coração
Vão nos céus receber o galardão
Vai viver no reino da ventura.

Morreste; eterna he a tua memória
Teu nome será sempre venerado
Pois a tua virtude foiche motorista

Morreste pelos homens ser coroado
E nos eternos volumes da Glória
Também foste ó Almeida retardado

Perdemos um amigo  um protector
Quanto nos he cara a lembrança
De todos foi amparo foi a esperança
Ao pobre ao infeliz sanou a dor.

A todos infundiu respeito, amor
Quer Astrea pezasse na balança
Quer nos cargos de Alta Governança
Foi sempre sábio, justo e acolhedor

Mortaes que fruisteis seu amparo
Vinde orar, as saudades avivas
Por um varão em virtudes preclaro

Aqui sobre este túmulo choras
Vos amigo perdesteis, terno, caro
Eu perdi amigo e perdi pae.

As ossadas e a lápide foram transferidas, hoje repousam noutro local – Quando voltarmos ao Príncipe, esperamos poder fazer o registo fotográfico - Pois temos indicações onde se encontram.


"Quanto à capela do cemitério da cidade de Santo António da Ilha do Príncipe, do Ofício Nº 521 de 11 de Novembro de 1856 do Govº do Príncipe ao Govº de S. Tomé, costa o seguinte a fls 74 verso do lado  do Lº do Regtº  do Externos  “….. porquanto o encontrado por mim quando dei “principio ao cemitério foi unicamente  uma capela construída  de barro, que por se achar ameaçando  inevitável queda”, a deitei abaixo e em seu lugar edifiquei outra de “pedra e cal”.

Foi reedificada em 1870, segundo um auto de arrematação da obra adjudicada a José Joaquim de Melo por 182$700 reais fortes, em sessão da C.M., de 9 de Maio.  – Sofreu novas obras posteriores  e hoje está coberta de telha marselha (foto N.35),

DOS VÁRIAS OBRAS E TEXTOS  SOBRE O 1º BARÃO, NÃO CONSTA TÃO POÉTICA E SENTIDA HOMENAGEM TUMULAR – Mas há realmente alguns livros ( e muitos textos na WEB)  acerca da vida do famoso Barão


Um dos quais publicado, num pequeno opúsculo, que faz parte da minha vasta bibliografia, que lhe foi dedicado, por ocasião da 1ª exposição Colonial Portuguesa, no dia 25 de Agosto de 1934

1.ª Exposição Colonial Portuguesa – Porto 1934-comemora hoje, 25 de Agosto "O Dia de S. Tomé e Príncipe “

A homenagem veio a-propósito da passagem do aniversário da assinatura da lei que promulgou para aquela colónia a abolição do tráfico dos escravos.
A famosa colónia equatorial obriga, nesta comemoração, a salientar com realce especial o trabalho dos colonos que resultou na brilhante realização que ainda hoje refere, perante o mundo, S. Tomé e Príncipe como um exuberante atestado das especiais aptidões colonizadoras dos portugueses.


Em S. Tomé e Príncipe a grandiosa obra realizada tem ofertado generosamente um doloroso tributo de sangue a encarecer, por preço inestimável, o· sacrifício dos colonos de Portugal.
Assim a homenagem de hoje vai, em sentida saudação, para aqueles que, em sublime holocausto, no clima inóspito das verdejantes ilhas equatoriais, realizaram uma grande obra-a sua plantação.

Para essa homenagem e em representação de todos os demais, que muitos são, destacamos a figura de João Maria de Sousa e Almeida, t» Barão de Água- Izé, - um dos propulsores da grande agricultura da colónia.

O 1º Barão de Água-lzé, bem como Francisco  de Assis Belard, Manuel da Costa Pedreira e outros mais, são símbolos que bem atestam a iniciativa, a inteligência e a actividade do português que, comerciando e agricultando, realizou em África a mais incontesta ocupação de territórios para Portugal.

Movia-os o interesse mercantil, é certo, mas já hoje não se consente, nem mesmo aos mais sentimentalistas, que levem a mal a provada afirmação de que o lucro é o principal objectivo de todos os cometimentos humanos.

O 1º Barão de Agua-lzé foi essencialmente um grande agricultor das ilhas de S. Tomé e Príncipe, dirigindo ele próprio as suas importantes plantações de café e de cacau.

Os seus serviços foram reconhecidos e galardoados: "Fidalgo da casa real, do conselho de Sua Majestade, comendador das Ordens de Cristo e da de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, tenente-coronel de 2.ª linha dos voluntários de Benguela. Foi 1.0 Barão de Agua-!zé em sua vida, por decreto de 76 de Abril de 1868,,.

Na colónia exerceu, com elevado apreço, o cargo de presidente do município da capital  
As ilhas de -S. Tomé e Príncipe, à data do descobrimento, eram-diz Piloto, que viveu na primeira metade do século XVI – todas elas  uns bosques espadissimos, com árvores viçosas, e tam grandes que pareciam tocar no Céu.;

As ilhas referem hoje uma colónia de plantação exemplarmente apetrechada, devendo especializar-se a parte da assistência hospitalar, que mereceu ao sábio francês Brumpt os maiores encómios que foram divulgados pela imprense de todo o mundo.

Essa obra deve-se à iniciativa do colono que em "O Dia de S. Tomé e Príncipe,, a 1.ª Exposição Colonial Portuguesa-Porto- 1934 consagra, rememorando um dos mais ilustres- o Conselheiro João Maria de Sousa e Almeida, 1ºBarão de Áqua-lzé.

Da bibliografia, acerca do Barão de Água Izé,  penso que o livro  mais completo é de autoria de Amândio César, que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente, numa das suas viagens a S. Tomé  - 

Mas eu vou aproveitar par aqui citar dois textos, um dos quais de  MANUEL FERREIRA (ln «O MUNDO PORTUGUÊS-1942)  inserido no ensaio que, Amândio César,  elaborou na sua obra “Presença do Arquipélago de S. Tomé e Príncipe  - Na modera Cultura Portuguesa  

O BARÃO DE ÁGUA-IZÉ

"Quando, em 1934, se ergueu, no velho burgo nortenho, essa demonstração singular das nossas possibilidades que foi a. Exposição Colonial, memoraram-se vultos de nome grado.
Para S. Tomé, não se poderia encontrar figura mais ligada à Colónia que a dum mestiço a quem as ridentes ilhas atlânticas tanto devem - o barão de Agua-Izé - homem de primeiro plano na ocupação económica do Império, como grande propulsor do desenvolvimento agrícola.

Ele- diz a pequena mas elucidativa monografia que, no «dia de S. Tomé» saiu dos prelos - «como Francisco de Assis Belard; Manuel da Costa Pedreira e outras mais, são símbolos que bem   atestam a iniciativa, a inteligência e a actividade do português que, comerciando e agricultando, realizou em Africa a mais incontestada ocupação de territórios para Portugal».

Importante e abastado proprietário em S. Tomé e Príncipe e no distrito de Benguela, senhor dos prazos de Agua-lzé, Castelo do Sul e Alto Douro, João Maria de Souza e Almeida deixou o seu nome ligado à agricultura da Colónia. A ele se deve, em especial, o fomento da cultura do cacau, introduzido na ilha do Príncipe, em 1822, mas cultivado em tão pequena escala que - refere Lopes de Lima nos seus famosos «Ensaios Estatísticos - em 1826 não havia exportação alguma.

Surgiu João Maria, em 1851, na propaganda e, dois anos depois, ensinava o modo prático de conservar o cacau, a fim de lhe conseguir exportação que, em 1857 L em vida do grande agricultor atingia já 12 735 quilos. Em 1899 -diz o Dr. Manuel Ferreira Ribeiro - a exportação do precioso fruto atingia 11 028 133 quilos. Fez do desenvolvimento dessa cultura um sacerdócio: foi quem escreveu a primeira memória sobre o assunto, em que demonstra larga cópia de conhecimentos, trabalho intitulado «As plantações de cacau nas ilhas de S. Tomé e Príncipe em 1851 e 1858, datado de 15 de Janeiro deste último ano e dado à estampa no Boletim Oficial da Colónia.

Presidente de Cabo Verde, Jorge Fonseca
Contudo não foi apenas o cacau que interessou o ilustre fidalgo. Era motivo dos seus cuidados a produção de tabaco, inhame e café, trabalhando, ao mesmo tempo, pela exploração f; das madeiras.
Sendo-lhe concedida, por decreto, uma área de terrenos para cultivo (1 000 braças ao longo do mar, com um porto, rio ou enseada) e permitido o transporte de 100 serviçais, João Maria cultivava, também, a palmeira e o coqueiro, oferecendo todo o óleo preciso para a iluminação pública de S. Tomé.

Fazia largas sementeiras de milho e introduzia na colónia, em 1858, as sementes da árvore da fruta-pão. Presidente da Câmara \Municipal, aproveitou o lugar de destaque que usufruía para fazer parte de todas as comissões, quer agrícolas, quer de qualquer outro interesse público.
Promoveu a construção de estradas; ensinou novas maneiras de plantar; distribuiu, largamente, aos agricultores, sementes de algodão que mandava vir de Mossãmedes ...

Evidentemente que todos esses serviços não podiam deixar de ser galardoados. Foi fidalgo cavaleiro da Casa Real; comendador das ordens militares de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, tomando em consideração os esforços efectuados para a construção de estradas e outros melhoramentos e tenente-coronel honorário pelos serviços em campanha. Pertenceu ao Conselho de sua Majestade e no seu peito brilhava o colar de cavaleiro da Torre e Espada, ganho em risco da própria vida. Em 1868 era-lhe concedido o título, pelo qual passou à posteridade, de barão de Agua-Izé com o respectivo brasão de armas.
Manuel Ferreira (ln «O MUNDO PORTUGUlÊS-1942)