Jorge Trabulo Marques - Escritor Vergílio Ferreira, nasceu há 110 anos Em memória de um grande escritor e de um bom amigo
-Faleceu na sua casa de campo, em Fontanelas, nos arredores de Sintra e muito próximo da Praia das Maças, igualmente ao fim da tarde, . Se fosse vivo, faria hoje, 99 anos. Mas morreu aos 80.
160 Vir a morte e levar-nos. E não fazermos falta a ninguém. Nem a nós. Que outra vida mais perfeita? - Do Livro “Pensar”
Jorge Trabulo Marques
Aniversário do Escritor Vergílio Ferreira, nasceu há 110 anos Em memória de um grande escritor e de um bom amigo
O Município de Gouveia assinala, no próximo dia 31 de janeiro, as comemorações dos 110 anos do nascimento de Vergílio Ferreira, celebrado a 28 de janeiro. Natural da aldeia de Melo, o escritor é uma das figuras maiores da literatura portuguesa e continua a marcar profundamente o panorama literário nacional. As iniciativas decorrem ao longo de todo o dia na aldeia natal do autor e visam homenagear a sua vida e obra, promovendo a ligação entre o território, a literatura e a memória cultural. A programação tem início com uma caminhada interpretativa pelo Percurso Vergiliano Rural, dinamizada pelo Estrela Geopark Municipal, que conduzirá os participantes por alguns dos lugares que inspiraram o universo literário do escritor.
VERGÍLIO FERREIRA - EM MEMÓRIA DO ESCRITOR: “EM NOME DA TERRA” E “PARA SEMPRE” Em nome da Terra, dos Céu e do Mar- Para Sempre Bom Amigo

179 - Ir ver o mar. Vê-lo de vez em quando e sempre com a mesma fascinação. Que é que vem dele para assim nos fascinar? A sua força imensa diante da nossa pequenez. O seu mistério visível e inquietante porque é o invisível da sua visibilidade. O irrisório da sua absurda convulsão e o aceno indistinto que vem de trás do horizonte e não sabemos o que é. O aroma a espaço, uma memória confusa de aventura, o sinal presente da sua infinitude ausente, a dilatação de nós a um poder intenso, um certo conluio com Deus – Do Livro “Pensar
VERGÍLIO FERREIRA - EM MEMÓRIA DO ESCRITOR: “EM NOME DA TERRA” E “PARA SEMPRE” Em nome da Terra, dos Céu e do Mar- Para Sempre Bom Amigo
Foi justamente a sua paixão pelo mar que fez com que, entre o escritor e o jornalista, se estabelecesse o elo de um amistoso e respeitável relacionamento, desde meados dos anos 80 até escassos dias da sua morte - Tal como o tenho feito em anos anteriores, também neste dia o não podia deixar de lembrar

179 - Ir ver o mar. Vê-lo de vez em quando e sempre com a mesma fascinação. Que é que vem dele para assim nos fascinar? A sua força imensa diante da nossa pequenez. O seu mistério visível e inquietante porque é o invisível da sua visibilidade. O irrisório da sua absurda convulsão e o aceno indistinto que vem de trás do horizonte e não sabemos o que é. O aroma a espaço, uma memória confusa de aventura, o sinal presente da sua infinitude ausente, a dilatação de nós a um poder intenso, um certo conluio com Deus – Do Livro “PensarFoi dos autores portugueses - através da leitura do livro Manhã Submersa - que mais cedo despertou a minha curiosidade e com o qual viria a manter um relacionamento amistoso, desde o principio da década de 80, até a escassos dias antes da sua morte - Já que, nessa mesma semana, lhe tinha telefonado para o ir visitar a Fontanelas, onde acabaria por falecer.
"Este homem reuniu em si diversas facetas, a de filósofo e a de escritor, a de ensaísta, a de romancista e a de professor. Contudo, foi na escrita que mais se destacou, sendo dos intelectuais contemporâneos mais representativos. Toda a sua obra está impregnada de uma profunda preocupação ensaística. Vergílio Ferreira
"Este homem reuniu em si diversas facetas, a de filósofo e a de escritor, a de ensaísta, a de romancista e a de professor. Contudo, foi na escrita que mais se destacou, sendo dos intelectuais contemporâneos mais representativos. Toda a sua obra está impregnada de uma profunda preocupação ensaística. Vergílio Ferreira
"Há dias a RDP passou-me à porta e um jovem subiu com uns aparelhos. Que é que pensava da carga que já me pesava?Ora. Que era uma «conta calada» e tão calada que já apelava em mim para o silêncio. Ouço o apelo e aqui me fico" In Conta-corrente Janeiro 1982
Vergílio Ferreira (n. Melo, 28 de Janeiro de 1916— m. Lisboa, 1 de Março de 1996)
«Vergílio ferreira, autor de mais de meia centena livros (romance, contos, ensaio e diários) Nasceu em Melo, no concelho de Gouveia, em Janeiro de 1916, filho de António Augusto Ferreira e de Josefa Ferreira. A ausência dos pais, emigrados nos Estados Unidos, marcou toda a sua infância e juventude. Após uma peregrinação a Lourdes, e por sugestão dos familiares, frequenta o Seminário do Fundão durante seis anos. Daí sai para completar o Curso Liceal na cidade da Guarda. Ingressa em 1935 na Faculdade de Letras a Universidade de Coimbra, onde concluirá o Curso de Filologia Clássica em 1940. Dois anos depois, terminado o estágio no liceu D. João III, nesta mesma cidade, parte para Faro onde iniciará uma prolongada carreira como docente, que o levará a pontos tão distantes como Bragança, Évora ou Lisboa.Este homem reuniu em si diversas facetas, a de filósofo e a de escritor, a de ensaísta, a de romancista e a de professor. Contudo, foi na escrita que mais se destacou, sendo dos intelectuais contemporâneos mais representativos. Toda a sua obra está impregnada de uma profunda preocupação ensaística.
Vergílio foi também um existencialista por natureza. A sua produção literária reflecte uma séria preocupação com a vida e a cultura – Excerto de Vergílio Ferreira: Biog
Já me referi a Vergílo Ferreira neste site - mas volto aqui a recordar a sua memória, com muito gosto - Tomando a liberdade de aqui transcrever algumas passagens dos seus diários.
Entretanto, o mundo, que é um pouco maior de que nós (será?), vive uma tensão pavorosa. A URSS invadiu o Afeganistão.O imperialismo que vive nela e tem tentado disfarçar, desta vez veio ao de cima sem disfarce. Mas não há inconveniente para a fé dos correlegionários. Contei na Alegria Breve a história (real) de uma rapariga que negava estar grávida, mesmo quando o médico lhe fez saltar o leite do peito. A Tarde pediu-me um depoimento.Lá o dei. Outros «intelectuais» o deram também. Cito o de Augustina: depois de nos dar a extraordinária notícia de que os governos estáveis são normalmente « maquiavélicos», acha que «não há sínteses felizes para definir as políticas das persuasões» Não sejamos ambiciosos. Há o que é para entender e o que e só para admirar.
1982 - 28 Janeiro (quinta) Pois. Cá fiz às três da tarde a sexta capicua. Quando imaginaria eu esta prenda do destino. Mas os favores pagam-se e eu não sou se estou em débito. Ah, mas que manhas a vida inteira para ir ficando de pé. De vez em quando a rasteira. Mas lá me endireitei. Agora, se ficar por terra, já ninguém dirá que. Amém. - Excerto
Foi justamente a sua paixão pelo mar que fez com que, entre o escritor e o jornalista, se estabelecesse o elo de um amistoso e respeitável relacionamento, desde meados dos anos 80 até escassos dias da sua morte - Tal como o tenho feito em anos anteriores, também neste dia o não podia deixar de lembrar

179 - Ir ver o mar. Vê-lo de vez em quando e sempre com a mesma fascinação. Que é que vem dele para assim nos fascinar? A sua força imensa diante da nossa pequenez. O seu mistério visível e inquietante porque é o invisível da sua visibilidade. O irrisório da sua absurda convulsão e o aceno indistinto que vem de trás do horizonte e não sabemos o que é. O aroma a espaço, uma memória confusa de aventura, o sinal presente da sua infinitude ausente, a dilatação de nós a um poder intenso, um certo conluio com Deus – Do Livro “Pensar
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