expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

quarta-feira, 8 de julho de 2015

RTP – África – “S. Tomé e Príncipe – Retalhos de uma História” Imagens e afirmações que revivem história e que vão ficar para a história-Reportagem de ante-estreia

Reportagem especial dos Jornalistas: Jorge Trabulo Marques  e Adilson Castro

O documentário já foi exibido, por duas vezes, na televisão de S. Tomé e Príncipe, e é  do que se fala na atualidade, ao mesmo tempo que se anuncia a chegada do Presidente da República de Cabo Verde, da Guiné Equatorial, entre outros altos dignitários, que vêm associar-se  às comemorações do 12 de Julho, alusivas ao 40º aniversário da Independência  destas Ilhas.

Mas foi no passado dia 3,  pelas 17 horas, que teve lugar a  antestreia  mundial, numa sala de conferências do Hotel  Omali Lodge , localizado na Praia Lagarto,   com alguns dos protagonistas e outros convidados.



O vídeo, que aqui apresentamos, é constituído por registos fotográficos que obtivemos durante a exibição do referido filme, outros da assistência, e, na ponta final do vídeo, de alguns recortes  do nosso arquivo da Semana Ilustrada,  tendo alguns dos quais servido de ilustração  no referido documentário

Trata-se, com efeito, de um excelente trabalho  televisivo, que fala das várias fases e episódios por que passou o processo de  Libertação do domínio colonial português sobre S. Tomé e Príncipe, que, além de recuperar memórias, vai  certamente fazer história e animar futuros debates, tal o profissionalismo e a   qualidade com que, Nilton Medeiros e Jerónimo Moniz,   realizadores do programa “Nós por lá”, da TVS pegaram nos diversos capítulos da história de   um país, que no dia 12 de Julho, comemora o  40º aniversário da sua independência, ou seja, a idade da prata, em que, nas pessoas, começam a aparecer os primeiros cabelos brancos, sinal de experiência e de maturidade para  tomarem boas decisões, não se cometerem erros, que, aliás, é o que se espera e deseja  dos seus governantes. 

Sem dúvida, um excepcional trabalho televisivo, que procurou recuar à  década de sessenta, altura em que um grupo de nacionalistas, organizavam as primeiras reuniões  clandestinas na localidade de Bobô Fôrrô, distrito de Água Grande, génese do Comité de Libertação de S. Tomé e Príncipe, que, anos depois, haveria de transformar-se no MLSTP – Documentário este, inserido nos diversos atos comemorativos do 40º aniversário da República Democrática de S. Tomé e Príncipe, que procurou  abarcar o período  marcante da luta pela independência, antes e após o 25 de Abril, incluindo o impacto desta revolução no processo descolonizador e libertador, até às primeiras ações governativas, com a nacionalização das roças. Tema este que continua a dividir opiniões e a ser   um dos pontos  mais controversos da sociedade Santomense, 

 Recuar-se ao  período pós 25 de Abril era inevitável  a abordagem da dinâmica e importante acção mobilizadora (para outros destabelizadora) da Associação Cívica Pró-MLSTP. Das sinuosidades da Frente Popular Livre, que surge, inicialmente,  como que impulsionada, ainda por ventos neo-coloniais, inspirada por uma certa burguesia  santomense, que temia perder os seus privilégios, começando  por defender uma federação com Portugal,  – A desmilitarização da Companhia de Caçadores de STP, o acordo de Argel, assim como o papel do Alto Comissário, Pires Veloso (no nosso ponto de vista, o homem certo no momento certo), bem como  os momentos emocionantes do dia da Independência, no 12 de Julho de 1975, estes, entre outros temas colocados também aos deponentes.

“São Tomé e Príncipe –“Retalhos de uma História” – Diga-se que  não é propriamente um documentário de retalhos, mas um documentário sabiamente composto por várias declarações, que, embora surgindo avulsas, se encadeiam, nos prós e nos contras, surgindo com  vivacidade e oportunidade na abordagem de uma história com os seus principais intervenientes e capítulos.

Com depoimentos:  de Manuel Pinto da Costa, Miguel Trovoada, Olegário Tiny, José Freet Lau Chong, Leonel Mário D’Álva, Filinto Costa Alegre, António Pires Veloso, António Tomaz Medeiros, Moreira de Azevedo, Albertino Bragança Neto, Almeida Santos, Maria do Carmo Bragança Neto, Almeida Santos, Guadalupe Ceita, António Pires dos Santos e Pedro Umbelina.

GUARDIÕES DA UTOPIA

Manuel Pinto da Costa, disse:  “Nós não estávamos muito acreditados na sinceridade dos dirigentes portugueses”

Olegário Tiny: “Nós temos muito  orgulho e honra em dizer que fomos os principais mobilizadores para esta caminhada da independência. A direção do MLSTP, que na altura se encontrava em Libreville, teve um papel muito importante – e Porquê?... Porque eles foram os guardiões  da utopia”.

Miguel Trovada:  - Referindo-se igualmente à Associação Cívica Pró MLSTP“ diz que “ foi extraordinariamente importante: primeiro, porque permitiu  dar uma face legal à luta de libertação na fase em que ela se encontrava (…) Na  vontade, no dinamismo e nos sonhos próprios da idade da juventude, que trouxe realmente um grande contributo, (…) no agitar do bom sentido, de ir para a luta da independência.

Maria do Carmo Bragança – A Frente popular Livre foi uma organização que nasceu antes da independência; antes de nós conhecermos a existência da Associação Cívica
José Freet Lau Chong.

José Freet Lau Chong, referindo-se  à Frente Popular Livre diz que os seus membros  “não estavam de acordo com a independência defendida pelo MLSTP, queriam a federação com Portugal“.

Maria do Carmo, contrapondo, alega desfiando quem quer que seja que afirme que a FPL defendia uma federação com Portugal.

Abílio Neto: -Por seu turno,  pergunta: o que é que a Federação Popular livre pretendia?... Era uma Federação com Portugal.  E o que  é que o MLSTP, através da Associação Cívica, mobilizava?... A Independência total!

Maria do Carmo, acabou por justificar que “Nós entendíamos que, a independência total e completa  e imediata, não devia ser aplicada a S. Tomé e Príncipe: Primeiro, porque, S. Tomé e Príncipe, não estava em luta armada. O Povo de S. Tomé e Príncipe, não teve que pegar em armas!”.   

Filinto Costa Alegre, dirigente da Associação Cívica Pró-MLSTP,  recorda, que, naquelas “ circunstância, a federação era uma solução que convinha mais ao poder colonial, A nossa não convinha de todo  ao poder colonial! E a Frente Popular Livre tinha um projeto que devia ser acarinhado pelos colonos que estavam presentes; quer pelo Alto Comissário, quer  pelos representantes do Poder colonial.

Maria do Carmo, refuta a acusação alegando que  “nós nunca admitimos que, para haver independência, tinha de haver gente morta. Nós fomos ao Gabão contatar  o MLSTP.

Filinto Costa Alegre: “ todos os santomenses falavam uma única linguagem, a da” independência total  Sá Cuá Cu Pôvô Mécê”.Mesmo a Frente Popular Livre, que, em dado momento era adepta da Federação, defendia que continuássemos ligados a Portugal, depois de terem ido falar com a direção do MLSTP, em Libreville, deixou de aparecer como defensora da Federação".
.
Manuel Pinto da Costa:  “ Nós recebemos os elementos da FPL, em Libreville, e, quando regressaram a S. Tomé, vinham com instruções de se chegar a um acordo; que deviam apresentar-se na sede da Associação Cívica, no Riboque”.

Maria do Carmo: “Nós fomos à sede da Associação Cívica mas fomos recebidos como leprosos”

Filinto Costa Alegre – Nós adotávamos formas de luta que levassem  a população manifestar-se; organizávamos greves  (…)nós procurávamos as mais diversas formas de dizermos aos colonos que o colonialismo é passado”

NACIONALIZAÇÃO DA ROÇAS

José Freet Lau Chong – As pessoas pensavam que éramos malucos. Mas naquela altura não havia outra saída

António Tomaz Medeiros – “Os santomenses eram bons funcionários, bons escriturários”, mas não tinham experiência nenhuma das roças”
“Vivi com alegria e mágoa: alegria porque, no fundo, era o que eu queria. Mágoa, por não poder estar presente.

Manuel Pinto da Costa: ´”O estado viu-se obrigado assumir a responsabilidade  das roças” alegando que os colonos as abandonaram.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Em São Tomé – Num domingo tranquilo – Afinal, onde está a pobreza?.... Almoço e jantar, em dois restaurantes de bairro, para duas pessoas, por 65 mil dobras – pouco mais de dois euros - Pergunto: em que país da Europa se almoça e janta por esta importância?




Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista


A módica importância equivalente a dois euros, incluindo refeição e bebida: - foi justamente o que  gastei, neste último domingo,  em dois restaurantes típicos de bairro – Na companhia de  um amigo, ou seja,  acabei por gastar à volta de cinco euros, num total das quatro refeições. E não se pense que se trata de algum miniprato, tal como aquelas famigeradas refeições  que se servem de pé e ao balcão, tipo manjedoura,  de alguns restaurantes de Lisboa ou do Porto e de outras cidades - Que mal dão para saciar o estômago.




S. Tomé e Príncipe, é apontado, com um dos destinos turísticos mais recomendados do Mundo.  Não somente pela beleza incomparável das suas florestas, bordejadas  por um mar de um azul turquesa, água cristalina, praias orladas por frondosos coqueiros, como que vergados pelo denso manto luxuriante, que, desde as suas razies se ergue, qual presépio de multi-verdes maravilhosos, que  vão perder-se nas neblinas das maiores alturas, unindo a terra e o céu, como se não houvesse qualquer distância que os separasse.

Pelos vistos,  o fascínio que estas ilhas exercem nos visitantes, não resulta  apenas do exotismo da sua paisagem, mas também  pela hospitalidade da sua gente e ainda  por não ser dos destinos mais caros.  

A bem dizer, eu não vim para fazer turismo, mas, entre outros intuitos de natureza cultural,   para me associar às comemorações do 12 de Julho, no 40º aniversário da sua independência. Já lá vão sete dias e tenho feito uma vida regrada, pelo que optei pela comida tradicional da Ilha e nos restaurantes de bairro ou do Povo  - Por um lado, até para me inteirar melhor de como vive  a população. E é justamente isso o que vou continuar a fazer, até regressar a Portugal - 

ALMOÇO COM OS PESCADORES QUE ANDARAM PERDIDOS NO MAR

 Num destes dias, éramos sete – era eu, mais dois amigos, das lides jornalísticas e mais os dois pescadores (acompanhados pelo armador), que estavam desaparecidos há cerca de um mês e meio. Tendo  regressado a S. Tomé de avião vindos do Gana. Depois de resgatados por uma embarcação que os entregou à Guarda Costeira da Nigéria, onde permaneceram, detidos, durante  vários dias. Despojados das sua canoa e do motor, e após  as diligências das  autoridades, entre os dois países, finalmente puderem  voltar ao seu humilde lar, cujos horizontes, chegaram a pensar ter perdido  para sempre. 


Encontrei-me com eles, casualmente na cidade,  por volta do meio-dia, depois de terem deixado a capitania dos Portos. Querendo conhecer as adversidades por que passaram, e, tendo-me dito que não tinham dinheiro para almoçar fora de suas casas, fiz questão que nos acompanhassem a um restaurante, onde podemos almoçar e conversar. Mesmo assim, ainda penso ir à Praia Melão, donde partiram para a dramática viagem, a fim de ali me inteirar melhor das suas vidas.  – Espero referir-me, mais detalhadamente, a estas histórias, no meu site, numa próxima oportunidade

POBREZA EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE – E QUE TIPO DE POBREZA?

Na perspectiva do grande capitalismo internacional, a riqueza de um país é aferida, não pelo número de esfomeados, desempregados,  explorados, escravizados  e sem teto, mas na prosperidade dos mega-negócios. O país que não facilitar essa prosperidade enganadora, é um país mendigo – Será que, nestas Ilhas, é esta a realidade? – Pessoalmente, tenho outra opinião – A qual. de algum modo, vem ao encontro do que dizia, Miguel Torga, num dos seus diários, ao referir-se à  propósito  da CEE e dos economistas das subserviência à Europa – Dizia o seguinte:

“Portugal não precisa de ser , de rosto desfigurado, mimeticamente rico por conta do capitalismo internacional. Necessita, sim, de, com fisionomia própria de sempre, ser remediado ao serviço da humanidade".



"Ninguém me encomendou o sermão,  mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, pudemos e devemos ser ainda, e tanta subserviência às ordens de uma Europa sem valores, incapaz de entender um Povo que nela sempre os teve e com eles espiritual e singularmente a dignificou. In Miguel Torga, Diário XVI






De facto, fala-se que, S. Tomé, é um país, em que "metade da população vive abaixo da linha de pobreza e 10% das pessoas estão subnutridas". As crianças são as maiores vítimas. São Tomé e Príncipe - Príncipes do Nada - Penso que se tratam de análises, que não refletem propriamente a realidade: sim, é verdade que os ordenados aqui são baixíssimos, injustos, nalguns casos até nem vão além dos 20 euros mensais, mesmo assim, não se pode dizer que alguém aqui morra de fome ou se encontrem crianças com as pernas de galinhas ou barrigas de bola, inchadas, tal como se veem  noutros países de África

o mar é rico em peixe e está em todos os horizontes das ilhas, a natureza é  generosa, oferece de tudo e os preços dos produtos da terra (salvo os importados) são acessíveis, mesmo às bolsas mais humildes. Claro que, sem dinheiro, há muita gente que nem assim os pode comprar – Então, como sobreviver? … Esse é a grande lição, o sentido de fraternidade e de solidariedade,  que o Povo destas maravilhosas ilhas, aprendeu, ao longo dos séculos, com a colonização: ou alguma vez houve fartura, no período colonial,  para os chamados povos indígenas?


Embora , os costumes se corrompam com a desenfreada expansão do egoísmo e mercantilismo do  mercado global capitalista,  ainda persistem as tais ilhas, onde a destruição dos valores humanistas, não foram completamente subvertidos: São Tomé e Príncipe, constituem, raros exemplos: em que o sentimento de generosidade e de pacifismo, ainda não foi substituído pelo da violência ou do salve-se, quem puder.  Ora, é  justamente esse  espírito, que o capital apátrida sem fronteiras, ainda não matou, que se reflete, desde o pequeno comércio, na compra de vestuário, onde se podem encontrar “trapos” para todas as bolsas ou nos pequenos quiosques e modestos  restaurantes de bairro.

Claro, que, na venda de bebidas e produtos alimentares importados, aí a solidariedade esbarra com a tirania imposta  pelos grandes monopólios de distribuição. E, embora, toda a gama desses produtos, desde as grandes lojas às mais pequenas, os exponham, o grosso da população não os pode comprar. Por isso, a resposta está na bananeira ou na fruta pão, e noutras frutos, fontes de alimentação que se encontram disseminadas em qualquer ponto das Ilhas.

Com certeza, que é preciso ter em atenção, tal como diz o velho ditado, “deita-te à sombra da bananeira, não corras  e verás o que te acontece ” . Só que, como em todo o lado, não são os que correm muito que ganham mais: é a minoria privilegiada dos que não vergam a mola e, todavia, fazem  vida luxuosa. Por exemplo, em S. Tomé, vêem-se  muitos carros de marca a circular nas ruas da cidade e até nos subúrbios, onde já se descobre algum contraste:  ver uma modesta casa de madeira, um modesto barracão, ao lado de uma excelente vivenda - Mas pior era no tempo colonial em que, os santomenses, eram todo atirados para o meio do mato, como párias da sua terra e a cidade reservada aos colonos.

CENTRO COMERCIAL NO CORAÇÃO DA CIDADE DE S. TOMÉ

No coração da cidade de S. Tomé, está erguer-se um enorme  centro comercial, que vai ocupar o espaço do antigo balneário público, no qual vai ser instalado o Super Mercado e várias lojas, com cinco pisos e um armazém.

Naturalmente, que o fenômeno da pobreza existe e tende a recrudescer, tanto nestas ilhas, como em Portugal, em todo o lado, em toda a parte: - Pois assim o dita a nova Ordem Mundial. O problema não está em haver capitalistas ou capitalismo, mas no espírito açambarcador e monopolista, em que ele degenerou, sem leis e sem regras, não olhando a meios para tomar conta de tudo, obrigando o grosso das populações  a trabalharem para os bolsos de uns poucos de felizardos.