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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Bicentenário da Independência do Brasil – Há 200 anos nasceu um novo país – Entrevista ao almirante brasileiro Max Justo Guedes, 1927 – 2012, Ícone da História Naval Brasileira e da História da Cartografia, autor do livro O Descobrimento do Brasil

Entrevista a um dos mais conceituados investigadores da historiografia brasileira

  Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador -

Comemoram-se, hoje.   os  200 anos da independência do Brasil, proclamada em 07 de Setembro de 1822 por Pedro de Alcântara. Portugal fez-se representar na sua ex-colónia pelo chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, e também pelo Presidente da A.N. Augusto Santos Silva e do embaixador Francisco Ribeiro Telles, coordenador da programação destas comemorações.
A convite do Governo brasileiro, confirmaram presença em Brasília, a capital, os presidentes de Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

Max Justo Guedes, um dos mais notáveis historiadores da cartografia luso-brasileira, autor de mais de meia centena de estudos e ensaios carto-bibliográficos dispersos em inúmeras publicações, na breve entrevista que, em Outubro de 1989, honrosamente me concedeu, por ocasião da reedição da sua obra “O Descobrimento do Brasil”, defende que a descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral,  não foi obra do acaso mas de um conhecimento prévio dos portugueses, que foram os primeiros a pisar o solo do enorme território:
Considerando de fábulas os que apontam para o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón

O autor de "O Descobrimento do Brasil”, estudo baseado, não apenas nas pesquisas que efetuou, como se navegava na época, mas também na sua experiência marítima

Diz, que, Pedro Álvares Cabral, quando partiu do Tejo, com uma armada para se dirigir à Índia, torneando o Atlântico Sul, a oeste, ele já tinha conhecimento prévio da existência de terras ao sul das que, Colombo, havia descoberto

 

Por isso, a descoberta do Brasil, não foi obra do acaso: ele não ia aventura a descobrir terras: era uma viagem definitiva. Com tudo planeado  Defende, Max Justo Guedes, o distinto oficial que “Na Marinha, dirigiu o setor de Patrimônio Histórico e Cultural, reorganizou e equipou  o Serviço de Documentação Geral da Marinha; promoveu a implantação de museus (Museu do Forte da Barra de Santo António – BA; criou os Navios-Museu; Museu da Caravela – Campinas; Espaço Cultural da Marinha – RJ); propôs e coordenou incontáveis colóquios internacionais, preparou edições críticas e publicou coletâneas que são fundamentais para o conhecimento da história brasileira, como por exemplo, os volumes da  História Naval Brasileira.  – Excerto Nosso Contra-Almirante Max Justo Guedes (1927-2011 .

 GRITO DO IPIRANGA - Foi há 200 anos

O quarto filho do rei de Portugal, Dom João 6º, que havia retornado a Portugal no ano anterior, Dom Pedro foi deixado no Brasil como o príncipe regente, que, nas margens d

Foi nas margens do riacho Ipiranga, há 200 anos, em  7 de setembro, que Dom Pedro I (1789-1834) declarou o grito da independência do Brasil em relação a Portugal, mas devido às dificuldades de propagação das informações, na época, a população só ficou ciente do feito em 12 de outubro, dia em que Dom Pedro I se tornou imperador do Brasil e dia do aniversário do monarca.

O que era então o “Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves” tornou-se, oficialmente, “Império do Brasil”, o qual estabeleceu como forma de governo uma monarquia constitucional parlamentarista e D. Pedro I como primeiro imperador do Brasil. Tradicionalmente, divide-se o Brasil Império em três fases: Primeiro Reinado (1822-1831), Período Regencial (1831-1840) e Segundo Reinado (1840-1889), que terminou com a Proclamação da Independência




"A História das Navegações Portuguesas tem pecado por ter sido escrita, por vezes, por quem desconhecia Arte Náutica - dizia Sacadura Cabral  (…) por  estranhos às «coisas do mar» como eram quase sempre, cronistas e historiadores . Incapazes de se imaginarem a navegando dentro dos navios antigos. Eles fiavam-se  nas versões que corriam, contadas por mareantes românticos, que acrescentavam  um «ponto» ao seu «conto». - Não é o caso do Comandante Max Justo Guedes


Mas eis as palavras, que, o Comandante Max Justo Guedes, dirigiu aos leitores. antes de expor o aprofundado estudo:

"Nos últimos meses do já longínquo ano de 1960, dei efectivo início à redacção de trabalho sobre o Descobrimento da América do Sul, planejado desde os tempos da Escola Naval, mas que ficara, até então, limitado a anotações esparsas.
Natural foi que cuidasse logo do Descobrimento do Brasil, estudo concluído nos tumultuados dias de Agosto do ano seguinte. (houve a renúncia do Presidente Jânio Quadros), que, logo depois, foi entregue, para publicação, à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN).

Em Dezembro de 1963, designado instrutor de guardas-marinha, iniciei. viagem de instrução à Europa e América do Norte, deixando os originais ainda aguardando oportunidade de impressão, situação em que os reencontrei, em Maio seguinte, quando retomei ao Rio de Janeiro. Pude, por isso, antes de ser transferido para o Nordeste, embora dificultado por intervenção cirúrgica que ·me imobilizou por dois longos meses, efectuar pequenas alterações nos originais, consequentes das rápidas pesquisas que realizara, em Lisboa, quando o NE «Custódio de Mello», navio em que viajara, esteve no Tejo.

No ano e meio em que servi em Alagoas não mais tive notícias do andamento da impressão, ..• sendo surpreendido, em 1966, quando voltei a servir na ex-capital brasileira, com telefonema de um companheiro da DHN, informando-me que o trabalho fora editado.

Pese embora a boa vontade dos que trabalharam na impressão a falta de revisão, por parte do autor, em assunto especializado e alheio ao quotidiano da Diretoria, permitiu que falhas tipográficas e mesmo erros, que talvez pudessem ter sido evitados, aparecessem no· texto impresso.

Ainda assim, o opúsculo alcançou certa repercussão no Brasil, dando origem às comemorações conjuntas Brasil-Portugal, do Quinto Centenário de Pedro Alvares Cabral, em 1968, iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro impulsionado pelos saudosos Wanderlei de Pinho e Pedro Calmon.

Quando coordenei, em 1975, a redacção e publicação do primeiro volume da História Naval Brasileira, aproveitei, parcialmente o trabalho, transformando-o em capítulo da obra, com as reduções e adaptações indispensáveis ao propósito dela; também ali incluí alguns outros escritos que enfocavam descobrimentos americanos, mas o projecto original e maior, acima mencionado, mercê de obrigações múltiplas em novas direcções, não mais seria retomado. O Descobrimento do Brasil ficou sendo a única singradura da viagem planejada.

Decorridos mais de 27 anos desde a redacção do texto original, as grandes comemorações, ora em curso, dos Descobrimentos Portugueses, fazem com que meu trabalho seja novamente focalizado. A editora VEGA interessou-se em reeditá-lo, com introdução - que extremamente me honra do ilustre, admirado e querido amigo Professor Doutor Luís Mendonça de Albuquerque.
Não faria sentido deixar no texto os erros e omissões já referidos e de há muito notados; procurei eliminá-los, sem, contudo, alterar substancialmente, na forma ou no conteúdo, a primeira edição; introduzi, também, quando isto foi indispensável, algumas notas, facilmente reconhecíveis porque indicadas pelo ano em curso.
É minha modesta contribuição à divulgação e melhor conhecimento da gesta maior do querido e admirado povo lusitano e meu sincero agradecimento pela obra magnífica por ele realizada em meu país, descobrindo, povoando, colonizando, civilizando e expandindo-o a limites quase inacreditáveis e legando-o unido, política e socialmente, aos brasileiros de hoje.
Rio de Janeiro. Novembro de 1988
Max Justo Guedes

UM CLÁSSICO  - Entre os livros sobre a descoberta do Brasil - Disse Luís de Albuquerque

O historiador Luís de Albuquerque, no prefácio que escreveu, diz que se trata de  "um clássico,  sobre a viagem de Pedro Álvares Cabral, os seus antecedentes e, sobretudo, sobre a exploração que a sua armada fez de uma pequena parcela da extensa costa brasileira.

Max Guedes, oficial superior da Marinha de Guerra Brasileira prefigura um caso, em nossos tempos já infelizmente pouco vulgar, de atracção de marinheiro pela História da Marinha ou de temas que a ela intimamente se relacionam. O Descobrimento do Brasil, publicado quando era capitão de corveta, é o segundo passo de uma vida dedicada aos estudos históricos ( em 1963 publicara Derrotas dos Grandes Navegadores, sua obra de estreia), mas que deve ser considerada o ponto de partida definitivo para seguir uma vocação sem hiatos e de ano para ano enriquecida com perspectivas mais ambiciosas e mais diversificadas. Nos seus estudos, que se centrifugam em · redor do pó/o que é a Marinha, incluem: trabalhos de excepcional merecimento para a História Naval Brasileira ( em curso de publicação), obra monumental de que foi um dos mais entusiastas impulsionadores; textos sobre Cartografia portuguesa dos séculos XVI e XVII, como Brasil Costa Norte Cartografia Vestutissima ou Anónimo - António Sanches, e. 1633, ambos de 1970; análises dos antigos roteiros, como um Roteiro Apócrifo do Estreito de Magalhães - Tentativa de Identificação da autoria, de 1971 ou A Carreira da India - Evolução do seu Roteiro, de 1985; edição comentada de obras-primas da hidrografia da Costa do Brasil, como o Roteiro de todos os Sinais, de /968 ou, do mesmo ano, o Livro que dá Razão do Estado do Brasil; contribuição do maior interesse para a História do reconhecimento da costa do Brasil, como As Primeiras Expedições Portuguesas e o Reconhecimento da Costa Brasileira. editado em /970: e muitos e muitos outros escritos sobre diversos temas. incluindo wna valiosa contribuição para a História da Independência do Brasil (1972) e cotaboraçâo avulsa e dispersa por inúmeras publicações periódicas do Navigator à Revista das Índias e  dos Anais Hidrográficos à Revista da Universidade de Coimbra.

Todos os trabalhos que citámos, e grande cópia de outros que omitimos. fizeram de Max Justo Guedes um historiador internacionalmente apreciado e justamente tido como autoridade nos múltiplos assuntos a que dedicou a sua atenção. Por isso se inclui entre os editores-correspondentes da revista Imago Mundi e é. desde 1987 e de pleno direito. presidente da Comissão Internacional para a História da Náutica e da Hidrografia - além de pertencer a inúmeras instituições cientificas, em particular da Academia de Marinha Portuguesa, onde há muito entrou como sócio efectivo.  – Excerto

“Ícone da História Naval Brasileira e da História da Cartografia, almirante Max Justo Guedes continuou se dedicando aos estudos até ser vencido pelo câncer”

Foi neste termos que, a ele se referiu a Revista da História, por ocasião do seu falecimento, em  09/11/2011 “vítima de câncer o almirante Max Justo Guedes, especialista em História Naval Brasileira e História da Cartografia. Max, que era considerado um elo brasileiro com os estudos do historiador português Jaime Cortesão, ajudou a formar gerações de historiadores e inúmeras publicações sobre pesquisa cartográfica, tornando-o conhecido em todo o Brasil e no mundo. Com seu jeito sempre receptivo a estudantes e profissionais, nem a doença o afastou do mundo da historiografia: Justo Guedes era um dos organizadores de um seminário no Itamaraty sobre o centenário da morte do Barão do Rio Branco, que acontece no ano que vem.

A influência de Cortesão norteou toda a obra do almirante. Ambos compartilhavam a “teoria do sigilo”: para eles, a escassez de mapas em Portugal e Espanha, quando comparada à produção holandesa, por exemplo, se deve à tentativa de manter um rígido controle de informações estratégicas. Tais dificuldades, porém, instigaram Justo Guedes. Para compor o trajeto da esquadra de Pedro Álvares Cabral até o Brasil, o almirante realizou uma detalhada pesquisa de campo que contou até com navegações e voos de helicóptero. Assim, Justo Guedes questionou a intencionalidade do descobrimento do Brasil baseando-se em farta documentação e justificativas técnicas – trabalho que lhe rendeu notoriedade em todo o mundo-
O trabalho era, por sinal, sua grande paixão. Mesmo combalido pela doença, Justo Guedes não parou. Há cerca de dois meses, ele e o professor Arno Whelling começaram a elaborar, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – onde Max era 2º vice-presidente –, um seminário que será realizado no ano que vem no Itamaraty sobre o centenário da morte de Barão do Rio Branco, que também foi, por sinal, um dos seus objetos de estudo.
“O trabalho era sua vida. Mesmo com a doença, ele continuava se dedicando aos estudos da História. Foi uma figura muito importante que mudou os estudos da História Naval no Brasil”, lembra Arno. – Mais pormenores em Morre Justo Guedes - Revista de História 




terça-feira, 6 de setembro de 2022

Cooperação de Portugal com S. Tomé e Príncipe - Três centenas de jovens vão estudar em Portugal - O ministro da Juventude Desporto e Empreendedorismo, Vinícios Pina, recordou que desde o ano 2019 o seu ministério já enviou para Portugal cerca de 1000 jovens para formação profissional em escolas portuguesas.

Jorge Trabulo Marques - Jornalista

O Primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Jorge Bom Jesus, reuniu-se, na última sexta-feira, no auditório do Centro de Formação Profissional Brasil/STP, na quinta de Santo António, com cerca de 300 jovens que seguirão, este ano, para cursos profissionais e de licenciatura em Portugal.

Fonte do Ministério da Juventude, Desporto e Empreendedorismo (MJDE) confidenciou-nos que os cursos terão a duração de três anos e vão abranger vagas e bolsas concedidas pelas autoridades portuguesas. 

 
Além do Primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, também estiveram presentes, o ministro da Juventude, Desporto e Empreendedorismo, Vinício de Pina, a ministra da Educação e Ensino Superior, Julieta Rodrigues, director do Gabinete do MJDE, Nelson Mendes, dezenas de jovens estudantes e os seus respectivos encarregados de educação.

Segundo o governo as escolas portuguesas garantem alojamento, alimentação e subsidio mensal, durante os três anos de formação.
Acompanhado pelos ministros da juventude e desportos e da educação e formação superior, Jorge Bom Jesus, o primeiro ministro e Chefe do Governo, disse que a sua governação tem sido marcada pela aposta nas pessoas.

 

sábado, 3 de setembro de 2022

Ex-Presidente Manuel Pinto da Costa - Volta apelar ao diálogo - Alertando que "o nosso querido País, está neste momento à deriva, fustigado por um tsunami político, económico, social e cultural… "

Jorge Trabulo Marques - Jornalista


Manuel Pinto da Costa – Um dos principais rostos da nacionalidade santomense: - cofundador e dirigente do MLSTP, o primeiro Presidente da República Democrática de S. Tomé e Príncipe, volta apelar ao diálogo, entre os partidos, frisando que  " a situação que o País vem atravessando há já pelo menos duas décadas, exige de nós, de todos os cidadãos santomenses, uma aturada reflexão sobre o País em que vivemos, o País real, para depois, em conjunto, acertarmos consensualmente o caminho mais seguro, capaz de garantir a STP o almejado desenvolvimento sustentável a que tem direito.

Uma das mais heroicas e ilustres figuras destas Ilhas maravilhosas do Equador, que, desde a sua ultima presidência, vem alertando que o "diálogo nunca será uma causa perdida nem falhada porque sem diálogo não há democracia nem coesão social.

Mesmo que os resultados fiquem aquém das expectativas o diálogo será sempre um instrumento fundamental para unir as diferenças, enriquecer a diversidade e encontrar caminhos comuns que mobilizem as energias da nação para vencer os desafios do século XXI. - Palavras na cerimonia do 12 de Julho de 2015.

Num artigo publicado no Jornal Téla Nón, justifica as suas preocupações, "porque a situação que o País vem atravessando há já pelo menos duas décadas, exige de nós, de todos os cidadãos santomenses, uma aturada reflexão sobre o País em que vivemos, o País real, para depois, em conjunto, acertarmos consensualmente o caminho mais seguro, capaz de garantir a STP o almejado desenvolvimento sustentável a que tem direito.

São Tomé e Príncipe e os santomenses não aguentam mais a décadas de disputas pessoais entre figuras politizadas e grupos de interesses momentâneos, aquartelados nas frágeis guaritas dos múltiplos partidos políticos nascidos prematuros.

“Desde a implantação do regime democrático em STP, as querelas institucionais e politicas se têm revelado como um factor pernicioso ao estabelecimento de um rumo estável para o País, comprometendo o cumprimento de reformas essenciais para alavancar o crescimento económico, por um lado, e por outro, alimentando males como a incompetência, a desordem, a falta de responsabilidade, a impunidade e a corrupção”.

Em suma: o nosso querido País, está neste momento à deriva, fustigado por um tsunami político, económico, social e cultural… que nos empurra fatalmente para o precipício.

“E o mundo de hoje está vivendo momentos dramáticos, com previsíveis consequências desastrosas e incalculáveis, sobretudo para os países da periferia, e, com particular incidência sobre os países insulares como São Tomé e Príncipe”.

“A Globalização mundializou a economia, segundo os preceitos do liberalismo, abriu mercados, consolidou o capitalismo financeiro e promoveu o surgimento de instituições internacionais, quer públicas, quer privadas, que pela sua configuração e missão, perpetuam as assimetrias do poder internacional e condicionam o exercício da soberania nacional, sobretudo dos países periféricos”.

Perante essa realidade, como devemos, nós os santomenses agir?

“O desafio que o País enfrenta é grande. Trata-se de um desafio a ser assumido por todos os santomenses e pelos partidos políticos em particular, apresentar e discutir propostas, federarinteresses, ousar inovar e avançar um rumo a ser desbravado por todos, com coragem, abnegação, forjando assim uma cidadania responsável”.

O que fazer? – O primeiro passo: “os partidos tradicionais e os novos em surgimento estão obrigados a um entendimento urgente, para, através do diálogo aberto e sincero, dizer BASTA! e adoptar uma atitude patriótica de combate a degradação continuada do País e da sociedade, nem que seja por um período definido de maneira consensual”.

Já chega de “nos refugiarmos em modelos de governação que ao longo da História foram sendo adoptadas por diversos países em circunstâncias próprias, de importarmos e imitarmos de maneira irresponsável e imperfeita, soluções fora do contexto, recusando a pensar o País concreto e suas particularidades”.

É verdade que inúmeros encontros, Fórum de Reconciliação Nacional, Encontro Nacional dos Quadros Técnicos, Dialogo Nacional, etc. já foram realizados.

Embora tenha havido muitas intervenções, no sentido de mudar o panorama económico e social deste pequeno País-arquipélago, através de numerosos planos, programas e projectos, durante 47 anos de vivência independente, São Tomé e Príncipe continua a ter problemas sérios, certamente devido a Ausência de Referências ou Linhas de Orientação Consensuais e Congregadoras para o desenvolvimento presente e futuro do País.

Adoptando o conceito de sustentabilidade, o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe pode ser rápido e constituir um elo de ligação entre nós, um desafio empolgante não só para todos os cidadãos, mas também uma oportunidade para, com humildade, solicitarmos parcerias multilaterais e bilaterais, interessadas em trazer ferramentas destinadas a transformar este espaço pequeno e insular, num espaço de oportunidades e prosperidades, num contexto económico social e ambientalmente sustentável.

Parece-me oportuno e atrevo-me a apelar para a constituição de uma UNIÃO para RAPIDO DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL DE SÃO TOMÉ E PRINCIPE, (UNIÃO) que teria como missão unir os cidadãos para promoção de um processo de desenvolvimento sustentável, em Liberdade, Harmonia e Democracia.

A UNIÃO seria constituída por Partidos Políticos, Organizações profissionais ou Sociais, Cidadãos residentes ou não residentes, Cidadãos da CPLP, Presidentes e Amigos de São Tomé e Príncipe, que procurem contribuir de forma coordenada, activa e efectiva, para a remoção de obstáculos ao progresso;

Mas a UNIÃO só fará sentido através de um Programa, o Programa de Consensos da UNIÃO.

 O Programa de Consensos da UNIÃO adoptaria os princípios de sustentabilidade da Agenda 2030 das Nações Unidas, como estratégia para apoiar políticas e impulsionar o desenvolvimento do País. Nesta perspectiva, as políticas de desenvolvimento deverão atender às necessidades das gerações do presente, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas próprias necessidades. Esse conceito integra os componentes principais e interdependentes de sustentabilidade, nomeadamente a viabilidade económica, a protecção ambiental e a equidade social.

O programa de Consensos da UNIÃO deverá resultar de consultas ao nível nacional, regional e local sobre temas emergentes dos seus princípios e objectivos.

O programa de Consensos da UNIÃO, deverá incidir sobre propostas de Reformas ou Correcções de sistemas institucionalizados, tendo em vista a criação de um ambiente social propicio, para que definitiva e decisivamente qualquer cidadão nacional ou estrangeiro em São Tomé e Príncipe possa assumir uma postura mais dinâmica, pró-activa, inovadora e responsável no fortalecimento do Estado de Direito Democrático e na promoção de iniciativas e excelência de comportamentos, enquanto elementos fundamentais para a satisfação plena das necessidades legitimas de todos os cidadãos, e das exigências de progresso.

Propostas adicionais de projectos estruturantes completariam o Programa.

Em última analise, o Programa consubstancia novas normas, atitudes, projectos e praticas para a rápida e definitivamente criarmos as bases sociais e económicas para transformar São Tomé e Príncipe num País de progresso e de procura constante de EXCELÊNCIA em TUDO e para TODOS.

Todo o processo deverá ser devidamente preparado por uma equipa técnica de apoio, designada pelo Presidente de todos os santomenses.

Já em 2021 num artigo publicado no Tela Non, depois da primeira volta das eleições presidenciais, sugeri a seguinte reflexão:

“Será que a regular realização das eleições autárquicas, legislativas e presidenciais é suficiente para se afirmar que se tem uma democracia saudável? Não será que temos estado a agir teimosamente mais e com frequência sobre os EFEITOS e adormecidos sobre as CAUSAS dos fenómenos?”

SÓ COM ELEIÇÕES REGULARES não encontraremos um rumo certo para desenvolver STP.

Democracia sem desenvolvimento é campo adubado para um regime autoritário.

São Tomé, 16 de Agosto de 2022.

Manuel Pinto Da Costa