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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Em noite escura, quando estou só a minha alma não responde mas voa não sei para onde.. – “Estar Só é Estar no Íntimo do Mundo” - António Ramos Rosa - 17 de Novembro de 1924 – 23 de Setembro de 2013

Peregrino da Luz - Heterónimo de Jorge Trabulo Marques   - c



Desprendido de tudo, menos do que é o mistério intrínseco da vida....



Em noite escura, nos ermos montes, quando estou só 
a minha alma não responde mas voa não sei para onde..

Perdido ando, Senhor Deus, no tempo, quando,
em noite escura, pregado à Terra, contemplando 
sem vós, sem mim, nisto me refugio, ausente de tudo
porém, seguro de que, solto  e solitário de todo o mundo,
poderei  voar de asas abertas ao vento, silencioso, 
iluminado e mudo


Peregrino da Luz



Estar Só é Estar no Íntimo do Mundo

Por vezes   cada objecto   se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo 

António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos" 

A sós com a minha dupla identidade 
Dia virá que das cinzas nem despontarão cardos nem espinhos




Jorge Trabulo Marques e António Ramos Rosa

Poeta e ensaísta António Ramos Rosa, um dos nomes cimeiros da literatura portuguesa contemporânea, autor de quase uma centena de títulos, de 
O Grito Claro (1958), a sua célebre obra de estreia, até Em Torno do Imponderável
, um belo livro de poemas breves publicado em 2012. Exemplo de uma entrega radical à escrita, como talvez não haja outro na poesia portuguesa contemporânea! In https://www.publico.pt/2013/09/23/culturaipsilon/noticia/morreu-antonio-ramos-rosa-1606787


Poema dito por António Rosa e o excerto de uma entrevista, na altura em que recebeu o Prémio Pessoa – Deu-me a honra e o prazer de me receber, várias vezes em sua casa. As fotos são todas de minha autoria - Autor de oito dezenas de livros de poesia, além de antologias e outras obras, com traduções em vários países – Considerado um dos melhores poetas portugueses contemporâneos, António Ramos Rosa, foi distinguido com inúmeros prémios e chegou a ser proposto, pelo Pen Clube Português. ao Prémio Nobel da Literatura. Mas, tal como ele reconheceu: “o prémio Nobel obedece, por vezes, a critérios que não são propriamente literários – Afirmação feita, alguns anos antes de José Saramago, ter recebido tão prestigiada distinção. António Ramos Rosa , nasceu a 17 de Outubro, em Faro, e faleceu no dia 23 de Setembro, 2013 . - Não é muito fácil falar da minha poesia, porque, quem tem mais autoridade a fazê-lo, são os outros, os críticos, os escritores Mas eu também tenho uma visão de mim próprio, embora muitas vezes, não possa ser muito clara - O que dissemos da obra e da personalidade de António Ramos Rosa: 



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

“Basta ser breve e transitória a vida” - Fernando Pessoa – Tributo do Peregrino da Luz ao mais iluminado e polifacetado poeta português de todos os tempos


Ó DEUS TORNA-ME NO ESPELHO DA TUA ABENÇOADA LUZ - Concede-me a santidade da invisibilidade transparente e transforma-me na partícula que cintila do brilho do teu esplendor em consciência plena dos três estados do espírito subtil: a luminosidade irradiante e iminente para que através do silêncio e da meditação possa compreender ainda melhor a missão que me confiastes enquanto for vosso dedicado peregrino nesta temporária e efémera passagem da vida 
PeregrinodaLuz - JTM




Alcandorado sobre as nuas e graníticas pedras do meu torrão natal, contemplando uma das místicas páginas do grande livro da eternidade...


Basta ser breve e transitória a vida
Para ser sonho. A mim, como a quem sonha,
E obscuramente pesa a certa mágoa
De ter que despertar — a mim a morte
Mais como o horror de me tirar o sonho
E dar-me a realidade me apavora,
Que como morte. Quantas vezes, (...),
Em sonhos vários conscientemente
Imersos, nos não pesa ter que ver
A realidade e o dia!




Sim, este mundo com seu céu e terra,
Com seus mares e rios e montanhas,
Com seus arbustos, aves, bichos, homens
Com o que o homem, com translata arte
De qualquer outra, divina, faz —
Casas, cidades, cousas, modos —
Este mundo que sonho reconheço,
Por sonho amo, e por ser sonho o não
Quisera deixar nunca, e por ser certo
Que terei que deixá-lo e ver verdade,
Me toma a gorja com horror de negro
O pensamento da hora inevitável,
E a verdade da morte me confrange.




Pudesse eu, sim pudesse, eternamente
Alheio ao verdadeiro ser do mundo,
Viver sempre este sonho que é a vida!
Expulso embora da divina essência,
Ficção fingindo, vã mentira eterna,
Alma-sonho, que eu nunca despertasse!
Suave me é o sonho, e a vida porque é
Temo a verdade e a verdadeira vida.
Quantas vezes, pesada a vida, busco
No seio maternal da noite e do erro,
O alívio de sonhar, dormindo; e o sonho
Uma perfeita vida me parece...
Perfeita porque falsa, e porventura
Porque depressa passa. E assim é a vida.
3-3-1928
Fernando Pessoa


1ª versão: “Primeiro Fausto” in Poemas Dramáticos . Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de Eduardo Freitas da Costa.) Lisboa: Ática, 1952 (imp.1966, p.92). Arquivo Pessoa: Obra Édita - Basta ser breve e transitória a vida -




Fernando Pessoa -  Almada Negreiros
Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 — Lisboa, 30 de novembro de 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português.





Fernando Pessoa - H Mourato
Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como "Whitman renascido",[4] e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da civilização ocidental,[5] não apenas da literatura portuguesa mas também da inglesa.[5]

Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa traduziu várias obras em inglês (e.g., de Shakespeare e Edgar Allan Poe) para o português, e obras portuguesas (nomeadamente de António Botto[6] e Almada Negreiros) para o inglês.[7]

Enquanto poeta, escreveu sobre diversas personalidades – heterónimos, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro –, sendo estes últimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Robert Hass, poeta americano, diz: "outros modernistas como Yeats, Pound, Elliot inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente... Pessoa inventava poetas inteiros."  In . Fernando Pessoa – Wikipédia,




segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Historiadora Irene Flunser Pimentel defende “Comissão da Verdade” para esclarecer crimes coloniais em África



HISTORIADORA PORTUGUESA PROPÕE COMISSÃO DE VERDADE PARA JULGAR OS CRIMES DO PASSADO - E PORQUE NÃO A OPORTUNIDADE DE SE JULGAREM TAMBÉM OS CRIMES DO PRESENTE - 

Sim, de milhões de fundos, provindos das mais diversas origens da comunidade internacional mas que desaparecem sem deixarem rasto nem praticamente sinais da sua passagem - Com a população a viver abaixo da linha de pobreza - Disto não falam nem os historiadores atuais nem a imprensa oficiosa " Historiadora defende “Comissão da Verdade” para esclarecer crimes coloniais em África

A historiadora portuguesa Irene Flunser Pimentel defende o esclarecimento dos tabus em torno dos crimes cometidos por Portugal nos vários cenários da guerra colonial em África.

A historiadora portuguesa Irene Flunser Pimentel exorta a opinião pública dos países africanos a debruçar-se sobre a memória para o conhecimento da história comum. A investigadora considera que já não é tempo de fazer justiça em tribunal pelos crimes cometidos no passado pelo regime colonial português.

Irene Pimentel tem vindo a aprofundar o seu trabalho com recurso aos documentos depositados na Torre do Tombo, em Lisboa, e lançou este sábado a sua mais recente obra - "O Caso da PIDE/DGS”-, através da qual questiona se "foram julgados os principais agentes da Ditadura portuguesa”.
O que fazer com os agentes da ditadura?

Portugal viveu um momento de rotura relativamente ao regime que vigorou até ao Estado Novo, com o eclodir do 25 de abril de 1974 – um golpe de Estado que se transformou num processo revolucionário.

Entretanto, no seio da opinião pública, começou a ser discutido o que é que iria ser feito com os elementos do antigo regime. "Seriam julgados?”, questiona a historiadora portuguesa.

Não havia muitos modelos a seguir. O único era, praticamente, o caso dos julgamentos de Nuremberga: entre 1945 e 1946, o Tribunal Militar Internacional reuniu-se para julgar os dirigentes nazis alemães após a Segunda Guerra Mundial.

Nesse sentido, houve uma discussão que motivou a criação de uma Comissão de Extinção da PIDE/DGS – a polícia política portuguesa que se transformou no paradigma do antigo regime. Por exemplo, Marcelo Caetano e Américo Tomás – duas figuras emblemáticas do Estado Novo – foram enviados pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) para fora de Portugal, mais precisamente para o exílio no Brasil.
Inicialmente, os ministros que tutelavam a polícia política portuguesa também não foram presos. Isso só veio a acontecer mais tarde, por causa da opinião pública. E os elementos da PIDE, que foram os responsáveis pelos quatro mortos e vários feridos no 25 de abril, também por pressão da opinião pública, começaram a ter medo e entregaram-se às Forças Armadas.


domingo, 22 de outubro de 2017

Aldeia do Bispo de S. Tomé e Príncipe, está de luto – Dom Manuel dos Santos, embora longe da sua querida terra Natal, deverá estar também a viver momentos de muita angústia tristeza e dor – A tragédia criminosa dos 500 incêndios em Portugal, atingiu também a pequena aldeia de São Joaninho, do concelho de Santa Comba Dão




Jorge Trabulo Marques - Jornalista


Os incêndios florestais que deflagraram no domingo passado, em várias zonas do país provocaram 44 mortos, cinco dessas vitimas são da pequena e agora tão sacrificada aldeia de São Joaninho,

O PESADELO DA MAIS LONGA NOITE E MADRUGADA NA INFERNAL E ABRASIVA FOGUEIRA QUE MATA

Muitos dos cerca de mil habitantes desta freguesia perderam família e bens. Duas vítimas mortais morreram a caminho de um aviário, que ficou destruído, e as outras três vítimas perderam a vida nas estradas, quando tentavam fugir das chamas. Na estrada que liga São Joaninho a São Jorge há vários carros queimados. SIC
“Habitante de São Joaninho, que perdeu um irmão, um amigo e vários bens materiais no incêndio deste domingo. Sofreu ferimentos enquanto tentava escapava das chamas” -.RTP  

OS CHEIROS DAS URZES TRANSFORMADOS EM CHEIROS DE CINZAS E MORTE -  Quando o  destino faz trágico trocadilho com  a poesia mais intimista e sentida 

“A minha aldeia! – No horizonte de montanhas de granito/acontecem sonhos de vida diferente/  Reza-se a Deus uma prece feita num grito/  de quem espera ser alguém, ser gente/  Há cheiros de urzes selvagens espalhando-se por encostas pintalgadas de lírios brancos/  Na floresta mal queimada, entretanto/ nascem carquejas, giestas e tojo manso/ Saúda-se o sol que se levanta fagueiro na madrugada de um dia novo/ E aqui se sonha, se espera, passageiro /  de um tempo feito gente, feito Povo"



Poemas lidos por D. Manuel dos Santos, na sua residência, em S. Tomé , em finais de  Julho de 2015

(RETIFICAÇÃO) Entretanto, recebemos uma amável mensagem  Sr. Bispo Dom Manuel dos Santos, agradecendo-nos a solidariedade  manifestada, mas dizendo-nos, que há duas aldeias, com o mesmo nome, no mesmo distrito de Viseu: há o São Joaninho, de Santa Comba Dão, onde pareceram as  cinco vitimas e o S. Joaninho de Castro Daire, sua terra natal – Ambas os concelhos, com as mesmas caraterísticas paisagísticas,  foram severamente fustigados pelos terríveis incêndios, só que, infelizmente, a má sorte   - além da enormes devastação e prejuízos materiais provocados, enlutou a S. Joaninho, de Santa Comba Dão –  Em todo o caso, a tragédia  que chocou e apanhou de surpresa todos os portugueses, mas  cujo luto pesou sobretudo nesta região, na qual o sentimento de tristeza e desolação, terá sido  ainda mais intenso e generalizado,  em todos quantos aqui vivem ou conhecem estas terras, naturalmente  que assim  terá também sentido o drama, o Bispo Dom Manuel dos Santos, cujos espaços e horizontes beirões lhe são tão queridos e familiares.


“QUEM SOU?"



“Sou da Beira, de facto: de São Joaninho de Castro Daire, distrito de Viseu. Sou o 5º de nove filhos, vivos ainda, graças a Deus.

Aos 11 anos fui para o seminário de Resende, do seminário de Lamego. Saí de lá aos 18 anos para entrar na Congregação dos Missionários Claretianos; ordenado padre, em 1985, na minha terra, por Dom António Xavier Monteiro, que era então o Bispo de Lamego,



Após a minha ordenação, fiquei a trabalhar nos Carvalhos, durante 9 anos. Em Novembro de 1993, vim para África; estive um mês em Luanda e “aterrei” em 6 de Janeiro de 94 nas terras de São Tomé. Foi então que pela primeira vez pisei o território são-tomense. Impressionou-me, na altura, logo o verde desta Ilha: de facto, era um verde tão intenso, que, um ano e meio depois, quando regressei a Portugal,   vi que não havia comparação possível, com os verdes desta terra..


P - Jorge Marques – E os perfumes!...

R– Dom Manuel dos Santos - Bem, os perfumes... Eu, como nasci no meio da montanha, no meio do tojo, das urzes, não me impressionaram, porque, lá também há perfumes muito intensos! Eu fui criado, no meio do campo! Sempre trabalhei no meio do campo, mas, sobretudo, o verde desta terra, de facto, impressionou-me muito.

Cinco dias depois, acabei por ir para Roma, onde regressei a Portugal, tendo sido escolhido  Vigário Provincial, às comunidades claretianas:

 Nessa qualidade, continuei a visitar constantemente São Tomé, e, em 2007, vim então para aqui, como Bispo de São Tomé e Príncipe.


“São Tomé, 12 abril 2014 (Ecclesia) - O Bispo de São Tomé e Príncipe, D. Manuel António dos Santos, que assumiu como prioridade pastoral “em primeiro lugar as crianças” num país muito jovem em que 40 por cento da população tem menos de 15 anos.

“Quando me perguntam digo sempre que a prioridade são as crianças porque este país está cheio de crianças e por vezes dói muito a forma como são tratadas e o modo de vida em que vivem algumas”, conta D. Manuel António dos Santos em entrevista à Agência ECCLESIA.

O bispo de São Tomé e Príncipe, que em sua casa com a ajuda da sua irmã cria duas crianças, depara-se com “muitos casos dramáticos” e dá o exemplo de uma criança que chegou à Cáritas de São Tomé “com 9 meses e apenas 2,3 quilos de peso” Agência Ecclesia - São Tomé e Príncipe: Crianças são 
.
(…) D. Manuel António Mendes dos Santos, CMF, é o seu bispo diocesano desde 1 de Dezembro de 2006, fazendo parte da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe. Sacerdote claretiano desde 1985, é, de facto, um “veterano” de África. Como ele próprio nos revela, a «Diocese não é extensa territorialmente, mas é plena de desafios, não apenas pastorais, mas acima de tudo sociais e de integração». Com uma visão antropológica coerente e de largo espectro, atenta e preocupada, D. Manuel conhece bem o terreno, as suas gentes e agentes, as forças em acção, não abdicando nunca de intervir e exercer o direito de opinião, dentro da esfera das suas competências e deveres. E é uma voz ouvida. Ou não fosse, afinal, o responsável máximo da mais importante, senão única, entidade nacional com acção política e social, através principalmente da Cáritas (fundada em 1981) – o braço da Diocese neste quadro de apoio aos pobres, carenciados, órfãos, idosos, desintegrados, às vítimas das conjunturas político-económicas que devastam África, que recebe também algum apoio de ONG’s de matriz católica, bem como de outras.


Um comunicador nato  - Todos os dias no Facebook 
D. Manuel António Mendes dos Santos, CMF, é o seu bispo diocesano desde 1 de Dezembro de 2006, fazendo parte da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe. Sacerdote claretiano desde 1985, é, de facto, um “veterano” de África. Como ele próprio nos revela, a «Diocese não é extensa territorialmente, mas é plena de desafios, não apenas pastorais, mas acima de tudo sociais e de integração». Com uma visão antropológica coerente e de largo espectro, atenta e preocupada, D. Manuel conhece bem o terreno, as suas gentes e agentes, as forças em acção, não abdicando nunca de intervir e exercer o direito de opinião, dentro da esfera das suas competências e deveres. E é uma voz ouvida. Ou não fosse, afinal, o responsável máximo da mais importante, senão única, entidade nacional com acção política e social, através principalmente da Cáritas (fundada em 1981) – o braço da Diocese neste quadro de apoio aos pobres, carenciados, órfãos, idosos, desintegrados, às vítimas das conjunturas político-económicas que devastam África, que recebe também algum apoio de ONG’s de matriz católica, bem como de outras. – Excerto de uma interessante entrevista ao O Clarim, em 26/06/2015  - À conversa com D. Manuel António Mendes dos Santos ...

AS REPORTAGENS DA TRAGÉDIA EM SÃO JOANINHO, PODERÃO SER VISTAS EM: São Joaninho foi uma das povoações mais afetadas em Santa Comba ... RTP - Cinco mortes e elevados danos materiais na freguesia de São  SIC


A IGREJA JUNTA-SE AO CORO DOS INDIGNADOS MAS QUEM É QUE NOS SERMÕES DOMINICAIS OU NAS FESTAS RELIGIOSAS AVISOU OS FIÉIS DE QUE DEVIAM PROCEDER À LIMPEZA DO MATO ENVOLVENTE DAS SUAS HABITAÇÕES? E a lei é clara: Até 15 de abril, limpe os terrenos florestais a 50 metros de edifícios…… A limpeza de terrenos junto de habitações é obrigatória



Foram encontrados pequenos “paraquedas incendiários”, o que atesta que a morte também terá vindo do céu e, por isso, face a tamanha afronta incendiária de meio milhar de ignições, num único dia - mais deles durante a noite - difícil se tornaria combater a tragédia  por mais meios aéreos e bombeiros que houvesse, até porque, os 18 aviões, acabariam por deixar de operar nas horas mais criticas, alegando dificuldades de operacionalidade.



Todavia, se ao menos, junto às unidades industriais e habitações,  tivesse havido o elementar cuidado de proceder à limpeza dos matos, naturalmente que se teriam poupadas algumas vidas e bens materiais



Bispo da Guarda. Incêndios deixaram “muito sofrimento” na região

O bispo da Guarda enviou esta sexta-feira uma nota às paróquias da diocese da Guarda em que revela o sofrimento que se vive na região. Manuel Rocha Felício pede donativos para a Cáritas Diocesana. http://observador.pt/2017/10/20/bispo-da-guarda-incendios-deixaram-muito-sofrimento-na-regiao/


D. Manuel Felício espera que todos “estes incêndios não caiam no esquecimento do Governo” e que se tomem “medidas concretas em torno da proteção e vigilância do património e das populações”. Agência Ecclesia - Incêndios: «Basta de discursos» - Arcebispo d

O bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, considerou que a chaga dos incêndios que atingiram muitas localidades em Portugal demonstra que o povo se “autodestrói”, deixando queimar a natureza e destruir os bens da criação”http://bomdia.eu/incendios-bispo-viseu-diz-povo-autodestroi/




RECORDAÇÕES DE UM DIA MUITO ALEGRE E FELIZ DO BISPO DOM MANUEL ANTÓNIO DOS SANTOS -  Longe de imaginar que, dois anos depois a sua aldeia ia ficar praticamente reduzida a escombros e a cinzas  - Na festa do Equinócio do Equinócio do Outono, em 23 de Setembro, de 2015, que decorreu no Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, situado nos arredores da aldeia de Chãs, concelho de Vila Nova de Foz Côa,   o  Bispo de São Tomé e Príncipe, Dom Manuel António  dos Santos,   leu poemas de sua autoria, cantou e encantou -  Recebeu a oferta da Crus de Cristo  nas suas mãos  e deu a bênção dos frutos - De tarde visitou Museu de Ervamoira, Museu do Coa e foi recebido e presenteado pela Presidente da Junta de Freguesia e  o Presidente da Câmara




Tendo vindo a Portugal para uns dias de gozo de férias e a apresentação do seu último livro de poemas, deu-nos a honra e o prazer de participar na festa do equinócio do Outono, justamente na mesma freguesia em que, o seu sobrinho, o Padre André, foi pároco – Os pormenores em http://www.vida-e-tempos.com/2015/09/equinocio-do-outono-festejado-hoje-no.html


DOM MANUEL DOS SANTOS - UM BISPO MUITO ADMIRADO E RESPEITADO EM S. TOMÉ  - A TERRA QUE TOMOU COMO A SUA AMADA SÃO JOANINHO -Pese a incompreensão  e a prepotência como tem sido encarado pelo atual líder muçulmano do poder Governativo -   http://www.odisseiasnosmares.com/2017/09/sao-tome-assalto-da-tropa-ruandesa-ao.html

Mas hoje deixo de parte os lamentáveis episódios, publicamente conhecidos  e a que neste site  recentemente me referi e recordo um dos amáveis encontros que tive com ele em finais de Julho de 2015, dois anos depois de me ter dado o prazer de me receber na sua residência - Ao mesmo tempo que aproveito  oportunidade para aqui lhe transmitir o meu abraço amigo de solidariedade pela tragédia que também se abateu na sua querida aldeia de São Joaninho
Seja das crianças, velhos ou novos, mulheres ou homens – Ele é a imagem emblemática, admirada e respeitada da igreja católica em S. Tomé e Príncipe, que, não obstante o crescendo de outros credos, que vieram diversificar o panorama religioso nestas ilhas, sob as mais diversas e aguerridas fórmulas, ainda continua a ser a fé seguida pelo grosso da população -  Notei que ia  apressado e, pelo que me confidenciava,  com a agenda preenchida, dada a aproximação da sua viagem para Portugal.  



Mesmo assim, tomei a liberdade de o convidar para um cafezinho e dois dedos de diálogo,  tendo tido ele a gentileza de me encaminhar a uma esplanada, muito simpática, próxima do nosso casual reencontro - E, nestas coisas, como ele é um excelente comunicador,  acabou por me dar a honra e o prazer de ali nos sentarmos, ainda durante mais um bocadinho do inicialmente previsto, naquela surpreendente manhã ensolarada e brilhante  - Falámos de muitas coisas, tendo-o acompanhado até à sua residência, situada numa rua de chalés mas também de passagem para casebres mais humildes - Muito movimentada, ali muito perto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e dos mercados tradicionais ao ar livre.

Na  verdade, o sacerdócio da  Igreja católica, em S, Tomé e Príncipe, além de ser ainda  o principal credo abraçado pela população, em termos de espiritualidade  e de fé, continua a ter  um papel muito relevante, nestas maravilhosas ilhas do Equador,  tanto  no domínio da solidariedade e assistência social, através de jardins de infância, entre as quais a Casa dos Pequeninos, da Caritas,  como ao nível da  educação  - “os nossos missionários, já antes da independência criaram várias escolas primárias, tanto em S. Tomé como no Príncipe. Criaram a Escola de Artes e Ofícios, que teve um papel importante neste pais, e estiveram também na fundação do Liceu Nacional.

“Estamos nessa fase de transição, de passar o testemunho para o Ministério da Educação de Portugal. Para além disso, temos outras escolas e vários jardins de infância . Portanto, continuamos a ter um papel importante na educação”

Declarações de D. Manuel dos Santos, numa das entrevistas que me concedeu, em S. Tomé  – Esta é uma das questões que o leva de novo a Portugal, para encetar várias diligências, numa estadia duas semanas – Sim, porque, os fundos da igreja, são escassos e há que dar prioridade à sobrevivência dos mais carenciados  - Sem descurar  os problemas da Educação

Foi justamente, por esse facto, que foram assinados, dois protocolos de cooperação a nível da educação pelos Ministros da Educação e Ciência de Portugal Nuno Crato e o seu homólogo são-tomense Olinto Daio. – E, a avaliar pelas palavras, que agora lhe ouvimos, é provável que, durante a sua estadia, algumas das suas diligências sejam junto do Ministério da Educação, do atual governo

Isto porque, não obstante a escassez de recursos financeiros, Dom António dos Santos, não perdeu de vista um dos seus maiores sonho”, tal como no-lo afirmou na mesma entrevista, que nos concedeu. Se me pergunta: então que grande sonho é que teria com a Educação em São Tomé?


Bem. Se eu tivesse dinheiro – mas é preciso, de facto, muito dinheiro -  gostaria de ver neste pais um grande parque escolar, com escola, desde o pré-escolar, escola primária, escola secundária, um ensino técnico profissional  - Eventualmente, até, algum Instituto superior ou assim. E também, sobretudo, uma escola de formação de professores, que era  muito importante que aqui se fizesse. Estão a dar-se  passos nesse sentido – Para mim, de facto,  é algo fundamental. Já  que, se um país quer acreditar no futuro, quer construir o futuro, tem de começar pela educação


Video   Entrevista concedida em finais de Julho de 2015  - Dada pelo Sacerdote e Poeta 


“A Casa dos Pequeninos, está a dar os primeiros passos, graças aos técnicos da Cooperação Portuguesa que acreditaram neste projeto,  porque por detrás das Obras há sempre pessoas concretas, palavras de Dom Manuel dos Santos, na altura do Natal


E, pelos vistos, a generosidade, mesmo com pouco dinheiro, pode operar verdadeiros prodígios ou milagres - Já lá vão alguns anos que  as palavras, que a seguir, vou reproduzir, foram proferias, mas continuam atuais: “Com 150 euros é possível garantir casa, alimentação, vestuário e educação a cada uma das crianças acolhidas pela instituição administrada pertencente à Cáritas de São Tomé e Príncipe

Mauro foi encontrado a gatinhar na estrada por um casal de turistas, que o levaram para a esquadra. A polícia não sabe quem são os seus pais e desconhece o dia em que nasceu.

O Quinzinho estava junto da mãe quando esta foi levada para o hospital em coma alcoólico. Hoje cresce normalmente, mas durante algum tempo recusava todos os alimentos que lhe davam.

Chamam-lhe Mantorras, mas ainda não tem nome no Registo Civil. O pai morreu e a mãe tem problemas mentais.

Estas são as histórias, breves e dramáticas, de algumas das crianças acolhidas na «Casa dos Pequeninos», administrada pela Cáritas de São Tomé e Príncipe.