expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Ilha de S. Tomé - Descoberta em 21 de Dezembro de 1470 - Véspera de um dia duplamente histórico - E do Governo de Transição após o 25 de Abril - Decoberta por João de Santarém - No ano seguinte, em 17 de Janeiro - Pero Escobar acostaria à Ilha do Principe, a que dariam o nome Santo Antão

Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - E antigo navegador solitário em pirogas no Golfo da Guiné- Estou de viagem para a minha aldeia a celebrar o soltício do Inverno e desejo, desde já, aqui  assinalar tão importante efeméride -


Sem deixar de admirar a coragem dos antigos navegadores,  busco outras interpretações. Eu próprio me desloquei de canoa, em Dezembro de 1970, desde a Baía Ana de Chaves ao recanto de  Anambó Local onde é suposto terem aportado pela primeira vez, João de Santarém e Pero Escobar  
  
Curiosamente, (confrontando as duas imagens ) vejo que o sítio está agora mais bem conservado do que estava naquela altura (mas também bem mais diferente de quando ali aportaram aqueles arrojados navegadores) onde passei uma noite horrível, com as costas sobre lascas e gogos de todos os tamanhos e feitios (pois ali não existe praia de areia), mesmo quase sobre a margem onde as ondas vinham bater, embrulhado pelas palmas dos coqueiros mas constantemente a ser espicaçado e mordido por enormes caranguejos do mar e da terra, que não me deram um minuto de descanso 

Não me deitei no mato, receando as cobras negras. E, ao alvorecer, perante aquele vetusto e simbólico padrão,  rodeado de palmas, tão belas, sonoras e verdejantes, não me importei de  homenagear os marinheiros de quinhentos, com a bandeira portuguesa.  .

HÁ QUE DISTINGUIR A EPOPEIA MARÍTIMA DA COLONIZAÇÃO , QUE SUBJUGOU E TIRANIZOU OS POVOS.


Há que realçar a coragem dos marinheiros lusitanos, que se fizeram ao mar apenas munidos de um mero astrolábio - Não dispunham de sextante, nem de cronómetro ou sequer de almanaque náutico que lhes possibilitasse algum rigor da navegação - Não iam completamente às cegas, porém,  embora dispondo de alguma informação, iam à aventura! - Indubitavelmente, foram grandes navegadores aventureiros
Sou português  e não descuro os feitos marítimos dos meus antepassados. Mas também não quero fazer  como a avestruz e meter a cabeça debaixo da areia. Nem fazer dos compêndios coloniais a bíblia sagrada.  


Uma coisa é a verdade histórica (e foi essa que eu procurei através de várias travessias em pirogas e que ainda hoje questiono), outra, as omissões ou  a que convinha ao Reino..
.
Todavia, quer os portugueses, nas frágeis caravelas, quer os primeiros povoadores, nas suas toscas pirogas, foram lobos do mar e heróis desbravadores à sua maneira

Algures 38 dias no Golfo da Guiné Nov de 1975

Do alto das velhas muralhas do Fortim de São Jerónimoonde tantas vezes olhava a espuma que ali ia rebentar nas rochas negras e contemplava o mar ao largo, sim, muitas vezes ali me envolvi em prolongadas cogitações. 

Só via o mar... O vasto mar a perder-se pelo vasto horizonte infinto!... Só pensava, obsessivamente, nas distâncias e nas entranhas do mar.!.. Olhava-o com pasmo e respeito, mas queria sentir-me também parte dele! Ser mais um elemento do mítico e misterioso oceano! Ir por ali a fora numa das frágeis pirogas.! Desvendar segredos esquecidos no tempo!..  De temeridades e navegações de  outrora!....

               Ali voltei 39 anos mais tarde para recordar o mesmo mar

                            No dia em que tive a visita de um gigantesco tubarão

                     Ali voltei 39 anos mais tarde para recordar o mesmo mar

Algures 38 dias no Golfo da Guiné Nov de 1975

Oh!... Quantas vezes ali mesmo, não experimentei as estreitíssimas cascas de noz, navegando em frente ou embicando na areia da pequena praia ao lado, naqueles meus habituais treinos, ao Domingo, vindo da Praia Lagarto (ao fundo da descida a caminho do aeroporto), passando em frente da Baía Ana Chaves, Fortaleza de São Sebastião, costa da marginal, Praia Pequena e ponta do Forte de São Jerónimo -e, por vezes, ainda um pouco mais a sul, à Praia do Pantufo. 

São Jerónimo era geralmente a baliza de chegada e de retorno ... E, também, muitas vezes ao fim da tarde e pela noite adentro, era o meu local preferido (até por ficar um pouco isolado e retirado da cidade) para me familiarizar profundamente com o mar.

Lembrava-me das façanhas dos pescadores são-tomenses, dos seus antepassados que demandaram as ilhas, dos barcos negreiros que ali aportaram e também dos nossos marinheiros (antes desse vil mercado) que por aquelas águas navegaram; imaginava quantos naufrágios e sofrimentos aqueles mares, já não teriam causado.


Sabia dos muitos perigos que me podiam esperar - não os desdenhava! mas entregava-me ao oceano de coração aberto, possuído de uma enorme paixão, em demanda dos grandes espaços e de uma infinita liberdade, tal qual as aves migradoras! Olhava-o como se fosse já meu familiar e meu amigo. Embora sabendo que a sua face, quando acometida de irascível crueldade, havia sido palco de muitas tragédias, havia engolido muitos barcos e tragado muitas vidas. Contudo, eu não ia ali apenas movido pelo prazer da aventura: só por isso, não sei se compensaria... Mas orientado por razões mais fortes

Havia algo, no fundo de mim,  impelido como que por um pendor sobrenatural inexplicável que me fazia acreditar que, mesmo que apanhasse alguns sustos

Não me cruzei com as velas dos marinheiros das canoas  mas imaginei-os, muitas vezes, naqueles mesmos mares, tal como, também, os navegadores que ali passaram, mais tarde, nas suas caravelas    

Há que realçar a coragem dos marinheiros lusitanos, que se fizeram ao mar apenas munidos de um mero astrolábio - Não dispunham de sextante, nem de cronómetro ou sequer de almanaque náutico que lhes possibilitasse algum rigor da navegação - Não iam completamente às cegas, porém,  embora dispondo de alguma informação, iam à aventura! - Foram, indubitavelmente, grandes navegadores aventureiros!


A descoberta da Ilha de S. Tomé, ocrreu  em 21 Dez. 1470,, dia do apóstolo que lhe deu o nome -  “É preciso ver para crer”- É também uma efeméride muito especial - A tomada de posse, em 21 de dezembro de 1974, do Governo de Transição, liderado por Leonel Mário d´Alva, até à proclamação da independência a 12 de Julho de 1975  - E da festa Católica Romana do dia de São Tomé

Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - E antigo navegador solitário em pirogas no Golfo da Guiné


Viagem de S. Tomé ao Principe - 3 dias 

Estive neste local, em 21 de Dezembro de 1970,  a prestar a minha singela homenagem aos corajosos  navegadores portugueses, após ligação de canoa da baía  de Ana  Chaves  àquele local e ali ter pernoitado – Erguendo a bandeira portuguesa.

Não tanto pela colonização posterior mas orgulho-me dos feitos dos bravos marinheiros portugueses, que, em frágeis caravelas, partindo de um pequeno país, que não ultrapassava um milhão de habitantes, demandaram por mares desconhecidos, deram a conhecer ao mundo novas terras, navegaram por todos os oceanos, mais deles perdendo a vida em dramáticos naufrágios

Sim, dirigi-me ali de canoa, sozinho, desde a Baía Ana de Chaves - a primeira das minhas aventuras de canoa - depois seguir-se-iam mais três: de S. Tomé ao Principe, 3 dias; de S. Tomé à Nigéria 13 dias e, por fim, de Ano Bom - a Bioko - antiga ilha de Fernão do Pó, 38 dias  

Voltei a este mesmo local, em  Novembro de 2014, mas agora com as duas bandeiras: a de S. Tomé e Príncipe e a de Portugal. Sim, depois de ter vivido uma longa e dramática experiência de náufrago, ao longo de 38 dias, após o que acostei na Ilha de Bioko

É TAMBÉM UMA EFEMÉRIDE MUITO ESPECIAL PARA  O POVO DE STP 

Esta data é também reconhecida pelos santomenses, com um triplo significado: - Assinala a  chegada dos Portugueses, em 21 de Dezembro de 1470,  à costa de São Tomé, pelos  navegadores portugueses, João de Santarém e Pero Escobar; a festa Católica Romana do dia de São  Tomé - Nome que viria a ser dado a esta maravilhosa ilha verde do equador.

E a tomada de posse, em 21 de dezembro de 1974, do Governo de Transição, liderado por Leonel Mário d´Alva, até à proclamação da independência a 12 de Julho de 1975.  

O Movimento de Libertação de S. Tomé e Príncipe e o Governo Português acordam em que a independência de S. Tomé e Príncipe seja proclamada em 12 de julho de 1975 e o ato da declaração oficial da independência do Estado de S. Tomé e Príncipe coincidirá com o da investidura dos representantes eleitos do povo de S. Tomé e Príncipe e terá lugar na cidade de S. Tomé, com a presença ou a representação do Presidente da República Portuguesa, para o efeito da assinatura do instrumento solene da transferência total e definitiva da soberania...

DEPOIS DE ELOGIADO - UM MÊS DEPOIS ERA PRESO E TORTURADO PELA PIDE- Quando fiz a ligação de canoa de S. Tomé ao Principe -
Partindo à meia-noite, sozinho, da Baía Ana Chaves, numa pequeníssima piroga de 40 cm de altura por 60 cm de largura

O facto mereceu relevo na imprensa local, o mesmo não sucedeu quando, um mês depois parti de canoa clandestinamente de S. Tomé ao Príncipe, tendo sido espancado e preso pela PIDE -

Cinco anos depois da travessia de São Tomé ao Príncipe, numa piroga um pouco maior, fiz a ligação de São Tomé à Nigéria. Uma vez mais parti sem dar a conhecer os meus propósitos, ao começo da noite, servindo-me apenas de uma simples bússola. Ao cabo de 13 dias chegava a uma praia ao sul deste país africano, tendo sido detido durante 17 dias por suspeita de espionagem, após o que fui repatriado para Portugal. Os jornais nigerianos destacaram em primeira página o feito

Em 27 de Dezembro de 1975, após 38 longos e dramáticos dias, de desde a Ilha de Ano Bom, atingiria Bioko - Depois de pisar areia macia, do recanto uma discreta praia, neste mesmo dia sou depois conduzido algemado  para um escuro calabouço e, no dia seguinte,  a  uma sinistra cela do reino de terror  de  Francisco Macias Nguema 

Não há certezas quanto à data exata da descoberta das ilhas  do Golfo da Guiné  - Admite-se, no entanto, que, a Ilha de S. Tomé, teria sido descoberta em 21 de Dezembro de 1470, dia do apóstolo S. Tomé, e , em 17 de Janeiro do ano seguinte,  a Ilha do Príncipe, por João de Santarém e  Pêro Escobar

A Ilha  de Ano Bom, a 565 km a sudoeste da parte continental da Guiné Equatorial e a cerca de 200 km a sul de São Tomé, foi descoberta  por volta de 1475, no 1º de janeiro, de dia de ano-bom - A Ilha de Fernando do Pó, atual Bioko,  foi descoberta pelo navegador do mesmo nome; admite-se que tenha sido em 1472 - Estas duas Ilhas, foram  possessão portuguesa entre 1474 e 1778, ano em passaram para a Coroa Espanhola,   pelo Tratado de El Pardo em troca de terras espanholas na América do Sul, que seriam posteriormente anexadas ao Brasil 

Descobrimentos de S. Tomé e Príncipe – “Não se sabe ao certo quem foram os descobridores nem a data da descoberta” A resposta poderá estar numa antiga inscrição gravada numa rocha, situada na orla marítima  “Bien Faire”  (Bem Fazer) a famosa divisa do Infante D. Henrique 

 "Quando os  primeiros navegadores  portugueses chegavam a uma terra até então desconhecida costumavam gravar nalguma grande árvore ou pedra «este motto do Infante, Talent de Bien Faire» diz o historiador Armando Cortesão 

(Lamentavelmente  esta pedra, que deveria assinalar a chegada dos portugueses a este local, já foi destruída, pude constatar o facto em Maio de 2019)









Ministério da Educação, Cultura e Ciência,mostrou-se, então, interessado  em estudar o achado  - Tendo ali estado presente o Diretor Geral da Cultura, Nelson Campos, que me acompanhou ao local para conhecer o achado e proceder  às diligências, que forem necessárias, para o preservar e estudar mais detalhadamente - Mas não só não foram feitas quaisquer diligências, como a pedra viria a ser vandalizda e destruída - 
Talvez por me ter reportado a este importante achado e estivesse na calha reservarem a área, como chegou a ser falado, para um projecto turístico  - Como se não houvesse outros sítios, que, a ser levado a cabo, iria impedir que o local pudesse ser desfrutado livremente por todos os santomenses e visitantes.  



A descoberta de antiga inscrição numa pedra, na orla marítima,   poderá ter sido gravada  por navegadores portugueses das caravelas, atendendo às excelentes condições de aportagem do local -  Outros achados em pedra poderão também relançar a origem do povoamento ancestral da Ilha através de canoas ou por outras embarcações – “Angolares” os temários do mar, vindos nas suas canoas do sul do Reino do Congo?  









A pedra foi encontrada por mim e pelo santomense Cosme Pires dos Santos, em Agosto, do ano passado. 2015, num dia em que, ambos, percorremos, várias áreas da orla marítima, com o objetivo de encontramos eventuais vestígios arqueológicos – Tanto anteriores à colonização, como a partir desse período.



Com o Cosme Pires dos Santos
O referido achado, que na altura me deixou bastante intrigado, por se tratar de uma inscrição antiga mas com letras do nosso alfabeto, só passou a dar-me algumas pistas da sua origem, quando, ao ler, um estudo de Armando Cortesão, ali se faz referência à divisa do Infante

Daí admitir poder tratar-se de uma antiga inscrição (parcial),  da divisa do Infante D. Henrique, atual divisa da Escola Naval “TALANT DE BIEN FAIRE” –– A pedra, em basalto, já está muito esboroada e  desgastada, faltam-lhe  alguns pedaços, pelo que, a inscrição, já não está completa – Mas, atendendo ao aspeto antigo da inscrição,  depreende-se que seja a celebre divisa do Infante Dom Henrique   - De momento, achou-se prudente não identificar publicamente o local.


A DIVISA DO INFANTE D. HENRIQUE GRAVADA PELOS NAVEGADORES PORTUGUESES NOS TRONCOS DAS ÁRVORES E NAS ROCHAS





Como é reconhecido, a tendência do homem deixar sinais da sua presença, através de gravuras ou outro tipo de inscrições, é tão velha, como a natureza humana  - Os animais (cães e lobos) urinam junto das árvores ou pedras para ali marcarem o seu território – No fundo, é uma tendência dir-se-ia instintiva da preservação da espécie

A ideia de que, os portugueses, levantavam padrões, nas terras que descobriam, tal não corresponde inteiramente à verdade – Esses marcos, vieram posteriormente às descobertas e ao inicio da colonização  - Eles usavam outras formas mais simples para indicarem a sua passagem: inscrições nos troncos de árvores ou nas rochas

Quando se aborda esta questão apenas se faz alusão a árvores, esquecendo-se de que a gravação numa pedra – tal é o caso da famosa pedra de Corte Real,   - é  bem mais duradoura.

Foto de Jorge Trabulo Marques

Desde as primeiras expedições dos catalães e portugueses, tinham os navegantes o costume de gravar os seus nomes em árvores, destacando as espécies baobá (Adansônia digitata) e a dracena (Dracaena draco), que, obviamente, não é o conhecido arbusto ornamental. Nem sempre o faziam por veleidade ou vão desejo de glória; muitas vezes a inscrição era para eles uma espécie de marco, algo como um símbolo de posse, um meio de assegurar à sua pátria os direitos de primeiro colonizador. Os navegantes portugueses escolheram, com freqüência, para este fim, a bela divisa do infante D. Henrique, duque de Vizeu: Talent de bien faireb.as inscrições feitas nas cascas das árvores"ue, duque de Vizeu: Talent de bien faireb.as inscrições feitas nas cascas das árvores

Estudantes da Universidade da Beira, que vieram às Ilhas Verdes do Equador participar num projeto de intercâmbio no âmbito dos cuidados de saúde – Deram-nos a sua opinião sobre o nosso achado - Ou antes, fizeram à pedra a  sua radiografia



“Talant de Bien Faire  - Esta a célebre divisa do Infante Dom Henrique, que era gravada  nas pedras ou nos troncos de árvores, pelos navegadores portugueses das caravelas, quando  chegavam a uma terra até então desconhecida-  Esta frase  está inscrita no túmulo do Infante D. Henrique, que era o seu lema e que hoje serve  de divisa à Escola Naval – E significa desejo ou vontade de bem-fazer, exortando a um esforço pessoal e coletivo de perfeição.

Curiosamente, quase com o mesmo significado, “QUERER E FAZER”, este o tema do projeto, de intercâmbio, que, um grupo de alunos de Medicina da Universidade da Beira Interior, Covilhã, procurou levar a cabo durante um mês, com o intuito de colaborarem no trabalho das unidades de medicina de S. Tomé e Príncipe.

Quis um feliz acaso, que nos encontrássemos, com algumas jovens desse grupo, numa bela tarde de um domingo, quando  passeavam por um dos recantos da maravilhosa costa santomense, numa das visitas que ali efetuávamos, com  o coronel Victor Monteiro. Diretor do Gabinete do  então Presidente da República. Manuel Pinto da Costa, às quais descrevemos a nossa descoberta e quisemos registar a sua opinião., que é justamente o que lhe mostramos neste vídeo.





 Ermelinda de Jesus Lima,Coronel Vitor Monteiro e  Alexandre Sousa
OUTRAS OPINIÕES - Olinda Lima , uma jovem, santomense, que vive em Portugal, onde é gestora de uma grande empresa, foi passar uns dias de férias, à sua maravilhosa Ilha, com o namorado, o Alexandre, natural de Alcobaça, e, encontrando-se no local em passeio,  deram-nos o seu testemunho  numa das visitas que,  posteriormente à nossa descoberta, ali fizemos,  acompanhado pelo coronel Victor Monteiro. Diretor do Gabinete do  então Presidente da República. Manuel Pinto da Costa. Curiosamente, o mesmo achado, nessa mesma tarde, também foi mostrado a um grupo de estudantes de medicina da Universidade da Beira Interior,  cujas opiniões  apresentamos no video anterior e que igualmente ali também passeavam.

De sublinhar que, uns dias antes, na mesma pedra,  pousaria Evaristo Carvalho,  antes de ser eleito Presidente da República de STP, durante um agradável passeio que por ali fazemos, com o propósito de lhe  revelar a descoberta  - E o mesmo sucedera, com o meu amigo Teodoro Ela Ngui, Secretário da Embaixada da Guiné Equatorial, em STP, que também mostrara curiosidade em ir conhecer a pedra, de que lhe falara,  num dos encontros numa conhecida esplanada da cidade


Evaristo Carvalho Março 2016 - Atal PR de STP -Agosto 2016



PORVENTURA, O ACHADO  HISTÓRICO QUE FALTAVA  -  Descoberta de antiga inscrição numa pedra, na orla marítima de S. Tomé,  que poderá tratar-se da célebre divisa do Infante Dom Henrique, gravada  pelos navegadores portugueses das caravelas, quando aqui aportaram, há mais de V séculos, atendendo às excelentes condições naturais da pequena baía, junto à qual se  ergue uma colina,  onde o testemunho parece ter sido registado para a posteridade – 
A inscrição, denota ser muito antiga, tal como o comprovam as observações das pessoas às quais foi mostrada a pedra  - Embora lhe faltem algumas letras, mas as que existem denotam configurar a  lendária expressão TALANT DE BIEN FAIRE  desejo ou vontade de bem fazer, exortando a um esforço pessoal e coletivo de perfeição. Esta frase  está inscrita no túmulo do Infante D. Henrique, que era o seu lema e que hoje serve  de divisa à Escola Naval



– –– Depois de um antiga espada e um antigo punhal, eis alguns carateres da famosa  divisa do Infante D. Henrique - Não é a lendária “Pedra de Dighton”, com inscrições atribuídas a Corte Real, nas costas da Nova Inglaterra, em 1511, mas poderá vir a sê-lo no futuro.


38 dias nesta canoa
Se bem que   a confirmação da descoberta, só uma análise laboratorial da rocha o poderia permitir, porém esta minha convicção baseia-se na gravação  das letras (duplo traço, denotando ser inscrição muito antiga) e  pelo facto desta se situar  numa colina sobranceira ao mar e num local de águas calmas e profundas, propícias à aproximação e acostagem de embarcações de grande porte.

A HISTÓRIA NÃO PODE DISTANCIAR-SE DOS ESTUDOS ARQUEOLÓGICOS


Dezembro de 1969
Nas ilhas do Golfo da Guiné, ainda há muitos mistérios por revelar num passado ancestral, ainda mergulhado nos escombros do tempo, mas que, com persistente sentido de crença algum sentido instintivo, cientifico,  quiçá messiânico,  poderão propiciar valiosas e surpreendentes descobertas – E revelarem-se  aos olhos daqueles espíritos que não hesitam em ir ao seu encontro, cientes de que a origem dos homens, em qualquer parte do mundo, mesmo nas mais remotas e isoladas ilhas, tem atrás de si milénios de gerações, que não advêm somente da subjugação dos tempos do ignóbil  esclavagismo – Sim, não coube apenas ao homem do continente europeu a primazia ou privilégio  do seu povoamento. Velho preconceito criado por uma civilização europeia, que,  ao longo dos séculos, se habitou a subjugar outras,  julgando-as bárbaras e inferiores.


O descobrimento das ilhas do Golfo da Guiné está mal referenciado na documentação antiga e tem-se sugerido que ocorreu no contexto da exploração realizada por João de Santarém e Pêro de Escobar no golfo da Guiné, durante a qual se destacou a já referida descoberta da costa da Mina em Janeiro de 1471. Perante as dificuldades em ajustar a cronologia do descobrimento das três ilhas aqui em causa afigura-se-nos mais credível a aceitação da hipótese de os descobrimentos das ilhas de São Tomé e Príncipe terem ocorrido respectivamente em 21 de l Dezembro de 1478 e 17 de Janeiro de 1479, Tendo esta última ilha sido denominada inicialmente por a Santo António (Abade) ou Santo Antão, dia deste santo, passando depois a ser designada por «Príncipe», visto ter sido descoberta sob a égide do então príncipe D. João e futuro rei D. João II (desde 1481), pois desde Maio de 1474 era ele quem estava encarregado dos Descobrimentos. A fundamentar a verosimilhança da proposta destas datas, que foi avançada por Viriato Campos, está a circunstância de tais ilhas terem sido por certo aquelas que são mencionadas no Tratado de Alcáçovas assinado entre Portugal e Castela em 4 de Setembro de 1479. Neste documento tais ilhas estarão referidas, sem menção dos seus nomes" 


Ao longo da costa africana, já haviam navegado fenícios e árabes e o Infante D. Henrique, estava bem informado. A história  nem sempre é um relato fidedigno dos factos. "Se o Infante  D. Henrique e os dirigentes portugueses que se lhe seguiram proibiram a venda de caravelas ao estrangeiro, mandava a lógica que se opusessem igualmente à saída de capitães, pilotos, cosmógrafos(...) e com eles dos roteiros para as novas terras, das cartas de marear e de tudo que ensinasse a nova ciência da posição e da direcção do navio e, mais que tudo, da do sol ao meio dia." - In "DÚVIDAS E CERTEZAS NA HISTÓRIA DOS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES"  Luís de Albuquerque

EXPLICAÇÃO DADA PELA MARINHA PORTUGUESA QUE FAZ DA DIVISA DO INFANTE D. HENRIQUE,  TAMBÉM O SEU GLORIOSO LEMA

O “talant de bien faire” ficou gravado no túmulo do Infante, no Mosteiro da Batalha, e popularizou-se, sobretudo, quando em 1839, Ferdinand Denis encontrou na Biblioteca Nacional de Paris um códice encabeçado pelo título Cronica dos feitos notavees que se passarom na conquista de Guinee por mandado do Iffante dom Henrique [Crónica da Guiné]. No meio dos respetivos fólios, encontrava-se uma imagem dobrada representando um homem de chapelão, que se identifica habitualmente com o Infante D. Henrique, e, na parte inferior da folha, pode ler-se a referida expressão “talant de bië faire” (com o sinal de nasalação do “e” que hoje se substitui pela inclusão do “m” final). Divisa - Talant de Bien Faire - Escola Naval - Marinha


Teodoro  Ela Ngui,- Secretário da Emb. Guiné Equatorial


A palavra francesa “talent”, que se traduz em português por talento, tem origem numa expressão grega (tálantom) que indica “prato da balança”, peso ou valor. Assumiu a versão em latim de talentum, com sentido semelhante, e passou para o português para designar valores ou méritos intrínsecos de alguém. “Talant”, por outro lado, é uma palavra que existiu no dialeto provençal com um sentido de “desejo” ou “vontade”. Entrou na língua francesa e confundiu-se durante alguns séculos com “talent” (usado com duplo sentido), mas perdeu o significado provençal a partir do século XVII e desapareceu do uso corrente ( Èmile Littré).

CONTRIBUTO QUE PODERÁ AJUDAR A RELANÇAR A  HISTORIOGRAFIA DESTAS ILHAS 
"A História das Navegações Portuguesas tem pecado por ter sido escrita, por vezes, por quem desconhecia Arte Náutica - dizia Sacadura Cabral  (…) por  estranhos às «coisas do mar» como eram quase sempre, cronistas e historiadores . Incapazes de se imaginarem a navegando dentro dos navios antigos. Eles fiavam-se  nas versões que corriam, contadas por mareantes românticos, que acrescentavam  um «ponto» ao seu «conto».


Descobrimento e Cartografia das Ilhas de S. Tomé e Príncipe – Comunicação feita pelo Prof Doutor Armando Cortesão - no Grupo de Estudos de História Marítima, Lisboa, em 15 de Maio de 1970"Todos  os historiadores que se ocupam do «descobrimento das ilhas de S. Tomé e Príncipe» concluem que não se sabe ao certo quem foram os descobridores nem a data da descoberta; parece que ninguém se sente à vontade ao tratar do assunto - o que quase sempre acontece com o descobrimento das ilhas da parte oriental do Atlântico." - 


DESCOBERTAS PORTUGUESAS - OMISSÕES E ABSURDOS


(...) "o tope comercial dos descobrimentos, em 1466,  era a Serra Leoa. Comercial. E não de forma alguma geográfico (...) Da Serra Leoa por diante e até ao Rio Lago, da actual Nigéria, os aspectos da geografia humana mudavam inteiramente. Entre o Senegal e a Serra Leoa dominava o urbanismo flúvio-marítimo. Dali por diante, ao contrário, a população encontrava-se disseminada  ao largo do litoral em pequenas aldeias; depois do Cabo das Palmas e por toda a Costa do Ouro era muito densa, mas fraccionada em unidades mínimas, que não obedeciam a qualquer organização política, como a dos mandigas. Enquanto aquele império se desenvolvera numa zona de estepes e savanas, propícia ao deslocamento de grupos humanos, ao contrário, desde a Serra Leoa por diante  e ao largo de quase todo o Golfo da Guiné a grande floresta tropical bordava as costas, impondo a disseminação dos homens, cortando-lhes os movimentos em terra e impelindo-os para  o mar" Diz o historiador Jaime Cortesão Volume II - In "Os Descobrimentos Portugueses r" Diz o historiador Jaime Cortesão Volume II - In "Os Descobrimentos Portugueses 

CANOAS FAZIAM GRANDES TRAVESSIAS EM OCÁ . ENTRE S. TOMÉ E O PRINCIPE E O GABÃO – Diz investigador português - Ocá – Eriodendron anfractuosum  -Colosso. Lá no alto, nos seus frutos, dá-nos a lã d’óca, boa para almofadas e colchões. A madeira  é utilizada na construção de gamelas. Chegam a medir15X2x1x1,50 metros - Era nestas embarcações, leves de d’ocá, que, ainda em 1860, se viajava de  S. Tomé para o Príncipe e para o Gabão – Eng. Egydio Inso - 1922

As viagens marítimas são talvez tão antigas como os mares.Os fenícios, entre 1200 a 600 a.c., foram os maiores marinheiros do mediterrâneo - Mas não só: transpondo as Colunas de Hércules, entraram  no Atlântico e navegaram para sul. - O Periplus Hannonis  - É disso um extraordinário exemplo e  talvez o primeiro massacre das Ilhas do Golfo da Guiné

 "Em data indeterminada da primeira metade do século VI a. C. (apontam-se datas que vão de 560 a 425 a.C.), quando Cartago estava no seu apogeu, foram organizadas expedições destinadas a conhecer e colonizar as costas atlânticas. Foram encarregues dessas tarefas Hanão, que deveria explorar as costas africanas para sul do Estreito de Gilbraltar  e  Himílico  que deveria explorar as costas europeias para norte daquele estreito. Seriam irmãos, embora tal possa ser em sentido não literal.

Quando os europeus demandaram a costa de África, já os africanos, há muito mais tempo, haviam sulcado o litoral marítimo, subido e descido os rios e ligado as ilhas limítrofes  com as suas pirogas talhadas em enormes troncos de árvores - Pessoalmente  pude demonstrar, essa possibilidade, através das várias ligações solitárias, que efetuei: o  teste desde a cidade de S. Tomé a Anambô, 1970, onde se encontra o Padrão dos descobrimentos - Depois, as travessias, ente S. Tomé e Principie (3 dias); S. Tomé-Nigéria 12 e, mais tarde, de Ano Bom a Fernando Pó (mais à deriva que a navegar, devido à falta de equipamento (remos) que perdera por ação de um violento tornado, ao pretender regressar a S. Tomé, por não ter sido largado na corrente equatorial que me arrastaria, inevitavelmente, para oeste. Claro que qualquer destas viagens, se fosse feita acompanhado, não teria levado tantos dias




 

Nenhum comentário :