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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Novo Ano 2026 - Mensagem de gratidão a S. Tomé e Príncipe, à Guiné Equatorial e à Nigéria - Países que marcaram para sempre a minha vida na aventura marítima. Mas seja de Cósmicas e Fraternas Bênçãos, de Tranquilidade e Prosperidade, tanto no meu país, em Portugal, como em toda a Humanidade - Paz na Terra e não aos promotores da Guerra

                                   

                                                           Jorge Trabulo Marques - Peregrino da Luz


  

Novo Ano 2026 - Mensagem de gratidão  a  S. Tomé e Príncipe, à Guiné Equatorial  e à Nigéria - Países que marcaram para sempre a minha vida na aventura marítima. Mas seja de  Cósmicas e Fraternas Bênçãos, de Tranquilidade e Prosperidade,  tanto  no meu país,  em Portugal, como em toda a Humanidade - Paz na Terra e não aos promotores da Guerra


A Todos Vós Amigos e Amigas, Irmãos e Irmãs da Mesma Fraternidade Universal, que o Divino Foco Vos Ilumine e Vos Transmita as Suas Bênçãos Cósmicas Em Nome da Sagrada Irmandade da Luz 

 






Ó sol esplendoroso! que curvas o espaço em cada Santo Dia!
Ó Luar da noite,que devassas as sombras,brilhas,és luminoso!
A que Astro pertence esta etapa, em que agora, vou sozinho?!...
Tu, ó Deus do Universo! Faz-me de mim o teu mais fiel pastor
Ordena que, no silêncio deste duplo e solitário ermo corredor,
possa decifrar o sinal que conduz e ilumina os bem-aventurados!


 Sagrada Irmandade da Luz  Em todas as Eras tem havido mulheres e homens, cujas almas têm sido profundamente tocadas pela Natureza, pessoas para as quais as Estrelas falam do seu gracioso silêncio, para as quais a Lua não é só um corpo celeste, para as quais as plantas e os densos bosques, são como as catedrais da alma. Pessoas que amam e respeitam a Natureza, tirando partido dela sem a destruir, pessoas que acreditam que homens e mulheres, têm os mesmos direitos e se respeitam".  Integro-me neste Espírito Solar Universal.

Sejamos crentes ou agnósticos, acreditemos em Deus ou no Karma, a ética moral é um código a qualquer  pessoa pode obedecer. Precisamos de qualidades humanas, como os escrúpulos, a compaixão e a humildade. Devido à nossa fragilidade e fraqueza humanas inatas, estas qualidades só são acessíveis através de um grande desenvolvimento individual, num meio social propício, de modo a que se possa criar um mundo mais humano”– In “O Caminho Para A Serenidade – Dalai  Lama



BRINDE A SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE –Meus votos de que o Novo Ano 2026 recupere sua estabilidade social e política - Ilhas maravilhosas que geram poetas e convidam à contemplação e à poesia  

A beleza natural de São Tomé e Príncipe é meio caminho andado para ser-se poeta – e estas ilhas têm grandes poetas: desde um Costa Alegre, a Francisco José Tenreiro, passando por Francisco Stockler, Alda do Espírito Santo, Conceição Lima, a Olinda Beja, entre outros, são nomes de elevada craveira, que atestam uma extraordinária literatura poética



Recordo momentos de alegria e convívio: as comemorações, em 12 de Julho de 2015, há 10 anos, sob a Presidência de Manuel Pinto da Costa, a grande figura carismática de STP, um dos principais dinamizadores e fundaores do MLSTP, atualmente atravessando alguns problemas de saúde, ao qual dirijo o meu renovado abraço e votos das suas melhoras - Brinde a que também se associou o então Presidente de Cabo Verde, Jorge Fonseca.


Uma das distintas figuras,  com quem tive a honra e a grata satisfação  de dialogar, antes da independência de S. Tomé e Príncipe e de quem, com igual simpatia e cordialidade, me despedi ao deixar esta maravilhosa Ilha para tentar a travessia oceânica, numa frágil piroga, de S. Tomé ao Brasil - Mas só, 39 anos mais tarde, o poder voltar aqui a reencontrar e abraçar, concedendo-me a honra e o prazer de me receber na sua residência oficial, no morro da Trindade – Gesto amigo e cordial, que muito me sensibilizou, de particular significado na minha vida profissional e do amor a uma terra, ao seu Povo, pacifico e generoso, a que me sinto ligado por laços de profundo afeto, como se fosse a terra onde nasci, como se fosse também um dos seus filhos. 


Além disso, estou-lhe também profundamente grato pelo gesto amigo e cordial, com que  me distinguiu, ao proporcionar-me o alojamento numa das vivendas do Palácio do Povo, no meu reencontro com S. Tomé, com o fim de me associar às comemorações dos 40 anos da Independência, bem como apresentar a exposição das minhas aventuras marítimas, assim como poder continuar o estudo das gravuras que julgo ter descoberto, em Anambô


Muito obrigado, Caro  Presidente (sim, enquanto viver continuará a ser genuína imagem de uma Nação!) 

Obrigado, Manuel Pinto da Costa, por todos estes gestos, tão amáveis e significativos, com  um abraço caloroso e desejos das maiores felicidades e de que a saúde nunca lhe falte, para que continue a ser a Voz e a Mais Credível Referência para o bem-estar e progresso do Povo de S. Tomé e Príncipe  - E os votos de que, tal como diz,  “ o diálogo construtivo, nunca será uma causa perdida”


Eu não tenho ambições de liderar nada mas estou disponível a dar o meu contributo naquilo em que possa ser útil. - Primeira parte de uma interessante  e honrosa entrevista que, 
Manuel Pinto da Costa, me concedeu, aquando da minha deslocação a São Tomé,  a convite da Associação de jornalistas de STP, para a participar  no  Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de Maio de 2019 .  
https://canoasdomar.blogspot.com/2020/06/manuel-pinto-da-costa-o-ex-presidente.html







Jorge Marques  com o Embaixador Tito Mba Ada

Guiné Equatorial - Meus Votos de Um Novo Ano Próspero e Tranquilo ao seu Povo. Recordo meu regresso 42 anos depois de ali ter acostado 38 dias  numa piroga- Agradecer ao Presidente Obiang que me salvou de ser  condenado à pena de morte por Macias Nguema, na famigerada cadeia Central, por suspeita de espionagem - Encontrei um país completamente diferente.

Estive em Malabo e em Bata, em Julho de 2017,  participei na abertura do 6º congresso do Partido Democrático da Guiné Equatorial, e, no encerramento, assisti, filmei e fotografei a conferência dada pelo Presidente Obiang às várias cadeias de televisão.




Andei à vontade e tranquilamente  por onde quis: usei a Internet, sem restrições, editando postagens neste site - Não fui, como jornalista mas como convidado especial - Privei e convivi com diplomatas, altas figuras do Estado, tendo tido mesma a assistência médica do próprio médico pessoal do Presidente, devido a um desarranjo intestinal, que me vinha preocupando, desde há dois anos,  e convivi com o administrador do seu palácio e um dos seus familiares; fui recebido pelo Secretário-Geral do PDGE - Com Obiang ficou prá agendar. pois ele lembra-se de mim e manifestou também desejo em receber-me  Falámos e sorrimos com gente simples e anónima. - Tendo sido recebido na sua deslocação a Portugal em  Junho de 2022 -   Tal como foi referido pelo jornalista João Carlos: Teodoro Obiang encontra-se com português que salvou da morte João Carlos 28/06/202228 de junho de 2022 De visita a Lisboa, o Presidente da Guiné Equatorial recebeu um jornalista português salvo por ele, detido em 1975 pelo regime do seu tio, Francisco Macías Nguema. Mas evitou falar sobre a pena de morte no seu país.https://www.dw.com/pt-002/teodoro-obiang-encontra-se-com-português-que-salvou-da-morte/a-6229460 

No regime de Francisco Macias Nguema 

Fui preso nas masmorras do Odiondo regime de Francisco Macias Nguema  
 – Ele “era conhecido por ordenar a execução de famílias e aldeias inteiras, forçou dezenas de milhares de cidadãos a fugir com medo de perseguição e proteger sua segurança pessoal. Intelectuais e profissionais qualificados eram um alvo específico (…)No final de seu governo, quase toda a classe educada do país foi executada ou forçada ao exílio. Entre os métodos de tortura utilizados estavam . "O balanço" (amarre o prisioneiro pelos pés e mantenha-o pendurado enquanto é espancado. Dada a brutalidade desses métodos, muitos prisioneiros morreram sofrendo com eles. Grande parte dos mortos durante a ditadura de Macías passou pela prisão”(…)  A ilha de Fernando Pó, renomeada como "Isla Macías Nguema" 




 

Em 3 de agosto de 1979, Teodoro Obiang Nguema derrubou Francisco Macías Nguema e assumiu o poder na Guiné Equatorial. Sua ação, aplaudida pelos guineenses e pela comunidade internacional, foi totalmente justificada: o país estava em um beco sem saída, esmagado pela tirania brutal imposta por seu primeiro presidente, eleito democraticamente onze anos atrás, quando aquela nação da África Central conquistou sua independência da Espanha, em 12 de outubro de 1968
”. - Webe - Várias fontes. - Foi graças à sua intervenção que fui poupado da forca e libertado - Devo-lhe a vida.














Diário de Bordo  - 27 de Nov - 1975 - 38º Dia - Eis que, finalmente, depois de 38 dias, me encontro numa praia!... Junto a um recanto!... de ummagnífica montanha! De verdura!... Equatorial!... De plantas exóticas ! das mais variadas espécies!.... Foi extremamente difícil chegar até aqui!... Foi para além mesmo da minha resistência!... Mas finalmente , atingi esta costa!... Esta costa que  se ergue aqui numa montanha de verdura!... De magníficas árvores, das mais variadas cores!...

 Estas foram as últimas palavras que pronunciei para o meu diário gravado, um pequeno gravador que consegui preservar no interior de um contentor de plástico, igual aos do lixo. assim como a máquina fotográfica , cujos rolos  o mar poupou mas que bem podiam ter sido confiscados pelas autoridades policiais da Guiné Equatorial, o que não aconteceu, porventura por descuido, já que, quando me prenderam, além de terem passado tudo a pente fino, até as gravações chegaram a ouvir, de ponta a ponta - E eram seis as  cassetes. Pormenores em  https://canoasdomar.blogspot.com/2017/07/portugal-e-guine-equatorial-embaixador.html


SOU UMA DAS ANTIGAS MANCHETES DO JORNAL NIGERIAN CHRONICLE - De Calabar - Uma dando a notica de quando aportei de canoa, numa praia de Calabar, na Nigéria,, após 13 dias desde S. Tomé à Nigéria - Em Março de 1975, -tive que fugir de canoa para evitar ser massacrado por um grupo de colonos por divulgar, na revista angolana Semana Ilustrada, de que era corespondente, as manifestações pró-independência. e as imagens do massacre do Batepá, de 3 de Fev de 1953, bem como de entrevistas a sobreviventes.-
Mas, depois de ter sido repatriado, a Portugal, voltaria a S. Tomé para tentar a travessia oceânica, que haveria de se saldar por 38 longos dias e a prisão na Guiné Equatorial. por suspeita de espionagem.
A outra Manchete do jornal Nigerian Chronicle, de Calabar, de 12 de janeiro de 1976:, diz, que,"cerca de 30.000 nigerianos foram evacuados da Guiné Equatorial, escapando à prisão, tortura e assassinato de um dos déspotas mais cruéis de África.
Durante o regime brutal de Francisco Macias Nguema, os trabalhadores nigerianos nem sempre recebiam os seus salários e eram reprimidos com força bruta, o que levava a assassinatos.
Entre 1970 e 1971, pelo menos 95 nigerianos foram mortos na Guiné Equatorial, a maioria por exigirem os seus salários
Também, eu, nesse país, em finais de Novembro de 1975,enfrentei uma situação muto dramática.
Depois de ter voltado a S. Tomé, quis tentar a a travessia oceânica, em canoa, tendo ido acostar à Ilha de Bioko, da Guiné Equatorial, após 38 dramáticos dias à deriva,.
Nesse dia à noite, fui conduzido para os calabouços de uma esquadra, onde passei a noite conjutamente com vários trabalhadores nigerianos, suas mulheres e filhos, todos estendidos no chão, sobre uuma vulgar esteira
.
No dia seguinte, sou conduzido algemado à cadeia Blak Beack, considerada a cadeia mais sinistra de África, onde fui submetido a um intenso interrogatório, espancado e metido numa estreitissima cela, por me suporem espião.
Felizmente, cinco dias depois, no dia em que me estavam arrastar algemado para a forca, a meio do corredor, um inesperado telefonema do então comandante Obiang, atual Presidente, sobrinho do ditador Francisco Macias, ordena ser levado ao seu gabinete e acaba por acreditar nos meus argumentos e me concede a libertação., graças a uma mensagem, carimbada do MLSTP, destinada ao Povo Brasileiro,, a que já me referi numa das anteriores postagens

Exmo. Senhor´´

 Embaixador da Nigéria em Lisboa

Haruna Musa

Sou jornalista e autor de várias travessias em pequenas pirogas primitivas, nos mares do Golfo da Guiné, em 1970 e 1975: a primeira de S. Tomé à Ilha do Príncipe, em 3 dias, depois  de S. Tomé à Nigéria, em 13 dias, em Março de 1975 – E depois a tentativa de travessia oceânica, que resultaria num naufrágio de 38 dias, tendo acabado por acostar na Ilha de Bioko

E tenho uma dívida de gratidão para com o seu país: dado o carinho e o humanismo como foi tratado: quer pelos pescadores na praia onde acostei, em Calabar, quer depois no hospital onde fui assistido, cuja noticia foi manchete no jornal de Calabar, cuja imagem recordo neste email. E também pelas próprias autoridades

Depois de ter sido repatriado para Portugal, voltei a S- Tomé para tentar a travessia oceânica, tendo acabado por acostar na Ilha  de Bioko, antiga Ilha de Fernão do Pó,  em 27 de Novembro de 1975, onde, então, me deparei com uma grande afronta: fui preso na prisão Black Beach, por me julgarem espião. Felizmente. Lá fui libertado, no mesmo dia em que já caminha para a forca,  graças a uma mensagem que levava do MLSTP para ler quando chegasse ao Brasil.

Depois de ter apresentado a minha exposição, no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa,  sob o título SOBREVIVER NO MAR DOS TORNADOS de 10 de Abril a 10 de Março de 1979, e, posteriormente, além de outros locais, no Centro Cultural Português, em S. Tomé, em finais de Julho de 2015, conforme documento no meu blogue

https://canoasdomar.blogspot.com/2015/07/em-s-tome-encerramento-da-exposicao.html  pois teria muito prazer em partilhar esta minha experiência no seu pais

https://canoasdomar.blogspot.com/2024/11/perdido-no-golfo-da-guine-ha-29-dias.html  ----  https://canoasdomar.blogspot.com/2024/11/independencia-de-angola-ocorreu-11-de.html

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Em resumo, direi que sou autor de várias travessias em pequenas pirogas primitivas, nos mares do Golfo da Guiné, por força de muitos treinos, sempre que me era possível, de praia em praia, nas frágeis canoas dos corajosos pescadores de São Tomé, aos quais desejo aqui expressar um abraço de reconhecimento e de admiração, não apenas pela dureza e risco das suas vidas, em que se expõem, sempre que partem para o mar, como também pelos ensinamentos que me prestaram, já que foram eles os meus melhores mestres.

Depois de me sentir suficientemente preparado, que simplesmente a empreender as habituais saídas de canoa, na praia Maria Emília ou ir até à Fortaleza S. Jerónimo, na piroga que ali comparara a um velho pescador por 200$00, decidi fazer um teste um pouco mais ousado, indo de canoa desde a Baía Ana de Chaves até à praia de Anambô. Este é o local onde se encontra o padrão que assinala a chegada dos primeiros navegadores portugueses, justamente no ano em que se realizavam as comemorações do V centenário do seu desembarque, em destemidas e frágeis caravelas, filhos de um pequeno país, mas que, graças à sua notável valentia, à grande gesta destes e de outros navegadores portugueses, haveriam de mudar a história e a geografia do mundo, em admiráveis epopeias marítimas, cantadas nos épicos versos de Luís de Camões, corajosas façanhas que muito admiro, contrariamente a vários aspetos da colonização, cuja dura realidade também a senti no corpo e no espírito. A viagem de ida e volta, foi bem sucedida, não me oferecendo grandes dificuldades, concluindo que estava habilitado a outros desafios mais arriscados.

Um mês depois, aí estava eu, tal como aqueles intrépidos navegadores, e à semelhança dos arrojados pescadores destas maravilhosas ilhas, quando o tornado os arrasta para o desconhecido, a desafiar a vastidão do mar, num simples madeiro de ocá escavado.

Larguei à meia-noite, clandestinamente, pois sabia que se pedisse autorização esta me seria recusada, dada a perigosidade da viagem, levando comigo apenas uma rudimentar bússola para me orientar. No regresso de avião a São Tomé, fui preso pela PIDE, por suspeita de me querer ir juntar ao movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, no Gabão, o que não era o caso. Levei três dias e enfrentei dois tornados. À segunda noite adormeci e voltei-me com a canoa em pleno alto mar. Esta era minúscula e vivi um verdadeiro drama para me salvar, debatendo-me como extrema dificuldade no meio do sorvedouro denegrido das águas.

Cinco anos depois, numa piroga um pouco maior, fiz a ligação de São Tomé à Nigéria. Uma vez mais parti sem dar a conhecer os meus propósitos, ao começo da noite, servindo-me apenas de uma simples bússola. Ao cabo de 13 dias chegava a uma praia ao sul deste país africano, tendo sido detido durante 17 dias por suspeita de espionagem, após o que fui repatriado para Portugal. Os jornais nigerianos destacaram em primeira página o feito.

Os objetivos destas travessias visavam demonstrar a possibilidade de antigos povos africanos terem povoado as ilhas, situadas no Golfo da Guiné, muito antes dos outros navegadores ali terem chegado, contrariamente ao que defendem as teses coloniais, que dizem que as ilhas estavam completamente desabitadas. E a verdade é que, entretanto, já foram encontradas antigas cartas em arquivos, com nomes árabes que testemunham esses contactos. Contributos esses que, de modo algum, poderão pôr em causa o mérito dos ousados feitos dos navegadores portugueses.

Regressado a São Tomé, ainda no mesmo ano, e já com São Tomé e Príncipe independente, tentei empreender a travessia ao Brasil, com o propósito de reforçar a minha tese, evocar a rota da escravatura através da grande corrente equatorial e contribuir para a moralização de futuros náufragos, à semelhança de Alan Bombard. Segundo este investigador e navegador solitário, a maioria das vítimas morre por inação, mais por perda de confiança e desespero, do que propriamente por falta de recursos, que o próprio mar pode oferecer. Era justamente o que eu também pretendia demonstrar. Navegando num meio tão primitivo e precário, levando apenas alimentos para uma parte do percurso e servindo-me, unicamente, de uma simples bússola, sem qualquer meio de comunicar com o exterior, tinha, pois, como intenção, colocar-me nas mesmas condições que muitos milhares de seres humanos que, todos os anos, ficam completamente desprotegidos e entregues a si próprios. Porém, quis o destino que fosse mesmo esta a situação que acabasse por viver.




segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Aniversário de Maria Manuela Ramalho Eanes, De Parabéns a esposa do ex-Presidente da República, General Ramalho Eanes,

 

Aniversário de Maria Manuela Ramalho Eanes, De Parabéns a esposa do ex-Presidente da República, General Ramalho Eanes, Figura importante no apoio à infância, fundadora do IAC (Instituto de Apoio à Criança), pela Fundação Gulbenkian, em cuja missão tive a honra e o prazer de a entrevistar e de apoiar na antiga RDP-Rádio Comercial

Tal como é reconhecido, licenciada em Direito, Manuela Eanes dedicou grande parte da sua vida a causas ligadas à infância, juventude e Terceira Idade. Em 1976, tomou a decisão de abdicar da sua carreira profissional para acompanhar o marido, António Ramalho Eanes, o primeiro Presidente da República eleito por sufrágio direto e universal.





O casal trouxe uma nova dinâmica ao Palácio Nacional de Belém, ao viver ali com os dois filhos, Manuel e Miguel, devolvendo ao espaço oficial uma vivência familiar que há muito não se via. Durante os mandatos do general Ramalho Eanes (1976-1986), Manuela Eanes destacou-se com projetos de intervenção social e cívica, tendo, em 1983, sido uma das fundadoras do Instituto de Apoio à Criança, uma instituição que continua a acompanhar ativamente e que tem como missão a promoção e defesa dos direitos das crianças.

Manuela Eanes foi distinguida ao longo dos anos pelo seu trabalho, recebendo, entre outras condecorações, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Hoje, damos os parabéns a Manuela Eanes, celebrando a sua vida e o seu inestimável contributo para o bem-estar social em Portugal!
Manuela Eanes foi distinguida na presidência de Jorge Sampaio, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, no Palácio da Ajuda, em 1997

Sporting 4 Rio Ave 0 –Goleada Leonina faz acalorar Alvalade, em noite invernia de domingo, antecipa festa do fim-do ano e soma 8ª vitória consecutiva

                                                         Jorge Trabulo Marques - Football Dream

Sporting 4 Rio Ave 0 – Leões golearam o Rio Ave F.C. no jubiloso caudal de Alvalade e somaram a 8ª vitória consecutiva - Luis Suárez, enfiou três golos e propiciou uma assistência a Maxi Araujo aos 53’, destacando-se .na vitoriosa 16ª jornada –

        

O comando de Rui Borges, soma 41 pontos, provisoriamente a 2 dos 43 do FC do Porto, consolidando o segundo lugar da I Liga, já que o Benfica não foi além empate em Braga e fica-se pelos 36

                               

O Rio Ave somou o terceiro encontro seguido sem vencer e é 11.º, com 17. No entanto, há que reconhecer que a equipa de Vila do Conde, até logrou ainda resistir na meia hora inicial do jogo e até fazendo boas jogadas ofensivas , se bem que as maiores chances de perigo pertencessem ao Sporting desde o 1º minuto..





 

domingo, 28 de dezembro de 2025

São Tomé - Homenagem ao Coronel Victor Monteiro pelo Jornal Desportivo de S. T. P. Devo-lhe a vida pela assistência num grave acidente no Pico Cão Pequeno, em S. Tomé, em 5 de Março 2016, tal como muitos São-Tomenses, lhe ficaram a dever a vida ao seu pai nos massacres do Batepá de 3 de Fevereiro de 1953. Meu abraço de parabéns.

 


HOMENAGEM DA SEMANA AO CORONEL VICTOR MONTEIRO - O Jornal Desportivo STP prestou uma justíssima homenagem a uma das figuras mais polivalentes e marcantes do desporto em São Tomé e Príncipe: Victor Tavares Monteiro, conhecido como Coronel Victor Monteiro.
O desporto em São Tomé e Príncipe vai muito além do futebol, e Victor Monteiro é prova disso, um verdadeiro polivalente do desporto nacional.- Sublinha o jornal
O ex-Ministro da Defesa e Ordem Interna, detentor de um notável currículo de desportista, logrou merecer a confiança de dois Presidentes da República, em S. Tomé: Fradique Menezes e Manuel Pinto da Costa, em cargos de relevante responsabilidade


JORGE TRABULO MARQUES  - Jornalista 

Victor Tavares Monteiro nasceu em 14 de dezembro de 1957na roça Rio do Ouro (hoje Agostinho Neto), no distrito de Lobata . Cresceu no distrito de Água Grande , com o irmão Vital, falecido em 1974. O pai, o cabo-verdiano Bernardino Lopes Monteiro, revoltou-se em 1953 face ao massacre de Batepá e foi preso no campo do Tarrafa

Atento observador e participante na vida pública e um caso singular de generosidade, de relacionamento humano e de infundir simpatia à primeira vista. 

Devo-lhe a pronta assistência, quando, em Março de 2016, tive um grave acidente no Pico Cão Pequeno, quando ali acompanhava uma equipa de alpinistas – Pois, mal lhe dei conhecimento, via telemóvel, da delicada situação, em que me encontrava, imediatamente diligenciou para que fosse assistido: enquanto a ambulância aguardava por mim na estrada, um maqueiro foi ao meu encontro pela floresta. Sem essa pronta intervenção, dificilmente teria escapado


O ex-Ministro da Defesa e Ordem Interna, detentor de um notável currículo de desportista, logrou merecer a confiança de dois Presidentes da República, em S. Tomé: Fradique Menezes e Manuel Pinto da Costa, em cargos de relevante responsabilidade

“Nasceu na Roça Agostinho Neto(Lobata), em 1957 e passou a sua infância e juventude no Bairro do Hospital, no distrito de Água Grande, fez toda sua trajetória juvenil e politica na JMLSTP, encabeçando a revolta dos estudantes em 1974, o próprio MLSTP, ingressando posteriormente na vida militar, onde optou pela especialidade de Artilharia Missilística e Estratégia Militar, nas Forças Armadas de São Tomé e Príncipe”.

Foi recordista nacional dos 1500 metros, capitão da seleção nacional de basquetebol. Fez a primeira classe em Guadalupe, a segunda na Escola Infante D. Henrique, hoje conhecida por Atanásio Gomes. Diz que deveria ser hoje economista, pois tirou o curso da Escola Comercial

Mas há um destino traçado na sua vida, que determina que ele tinha de vir um dia a conhecer outra profissão e outras responsabilidades. Quando estava para fazer o curso de treinador de Basquetebol, um dos seus professores de política, era então o Chefe do Estado Maior, Raúl Bragança, que o levou para as Forças Armadas e ficou lá até hoje. Fez a Escola de Sargentos em Angola, em cuba academia e na Ucrânia

Neste dia especial da sua vida, desejo-lhe, pois, que seja vivido, junto dos que lhe são queridos, com saúde e muita alegria

As voltas que o Mundo dá e como o Mundo é pequeno: - Foi ele que me reconheceu e se lembrava de mim, quando regressei a S. Tomé, 39 anos depois de ali ter partido para uma aventura de canoa – E por um via de simples episódio, de que nunca mais esquecera: era eu furriel miliciano e o Victor ainda um miúdo com 12 ou 13 nos. E à saída de uma sessão de cinema no Cinema Império, quando a policia militar, de um momento para o outro desata desalmadamente à cacetada na cabeça dos putos e outos e onde calhava. Ao ver aquela estúpida prepotência, eu, como envergava a farda de Furriel Miliciano, virei-me para os solados e disse-lhe: Parem já com isso! Deixem essa pobre gente! Vão-se daqui embora!!”. … E foi deste modo que eu evitei que saíssem dali ainda mais massacrados.

E,a final, porquê?... Por terem estado na turma da plateia da frente, junto ao palco, onde os bilhetes eram mais baratos e era preenchida pelos santomenses mais pobres. A anteceder do filme Trinitá, cowboy insolente, e tal como habitualmente acontecia, era exibido um documentário - Nesse dia, eram passadas imagens do famoso boxer Cassius clay, em que ele começava por levar porrada por um boxer branco: enquanto isso acontecia, a bancada da Tribuna, onde se sentavam os colonos, toca de gritar: mata! Mata! Mata essa besta!... Só que, de um momento para o momento, o negro Muhammad Ali, só com um murro, deixa o adversário a KO - Claro, era a então a vez da plateia se levantar e toca de exteriorizar o seu regozijo, ao mesmo tempo que batiam com as cadeiras. A Policia interveio mas não ficou por aí: esperou a turma da rapaziada, lá fora para carregar a torto e a direito – Um desses miúdos era o Victor Monteiro. Daí não se ter esquecido de mim. Pois, naturalmente, que, se eu não estivesse no local, tinha chegado a casa com a cabeça partida. Mesmo assim, o que levou não deu para esquecer

CORONEL VITOR MONTEIRO, FILHO DE BERNARDINO LOPES MONTEIRO – O Homem que evitou que, mais de uma centena de São-Tomenses, fossem lançados ao mar pelo Governador Gorgulho, na sequência dos massacres dos Batepá

Seu pai, Bernardino Lopes Monteiro, mais conhecido por Nhô Novo, nasceu na Ilha do Fogo, onde estudou, tendo, mais tarde ingressado na Marinha Mercante, onde acabou por desempenhar as funções de imediato. Nessa qualidade, o destino levou-a S. Tomé, em 1952 , a bordo do barco, António Carlos, que ali voltou no ano seguinte, ou seja, em 1953, em trânsito para Angola, precisamente na altura em que ocorriam os massacres do Batepá de 3 de Fevereiro

Deu-se a circunstância de o Governador Carlos Gorgulho, ter aproveitado a abordagem desse navio para se ver livre do que ele considerava a elite revolucionária da ilha e lança-la ao mar – Tal não viria a acontecer, graças à corajosa insubmissão dos tripulantes, liderados por Bernardino Lopes, que obrigaram o comandante do Navio a deixá-los na Ilha do Príncipe – Só que, pese o facto dos tripulantes revoltosos, terem obrigado também o mesmo comandante a largá-los em Dakar, ao regressar à sua Ilha, em Cabo Verde, acabaria por ser preso e enviado para o Tarrafal - Findo o cumprimento da pena, voltaria a S. Tomé, agora na qualidade contratado para antiga Roça Rio do Oiro.

E foi aí que também, quando ali trabalhei como empregado de mato, que conheci o homem da vacaria e das hortas, magro, alto, afável comunicativo e culto, que, aos domingos, gostava de envergar a sua antiga farda de marinheiro, se bem que não desejasse exteriorizar o seu passado e até a sua instrução, bem maior de que muitos empregados de mato.

E também seria nessa mesma roça, que iriam nascer dois filhos: o mais crescidote, o Vital Monteiro, falecido em 1974, e o mais novo, Victor Monteiro,