Navegar em frágil canoa em noite equatorial onde "Os Lusíadas: Canto V" se inspirou e cantou: "Sempre enfim para o Austro a aguda proa. No grandíssimo gólfão nos metemos, Deixando a serra aspérrima Leoa, Co'o cabo a quem das Palmas nome demos
Sonâmbulo abandono o meu: minha estranha forma de vida!
Noite e mar sombrio! Num contínuo movimento incessante!
De imparável delírio e mobilidade! Estridulas ressonâncias!
Mas, sinal de vida, só na aparência se mostra apagada!
Sim, porque, à superfície deste manto ondulante e denegrido,
que, continuamente me arrasta e me evolve, pela noite a fora
não cessam de ecoar murmúrios infindos, o constante ressoar
- tumultuoso e vibrante, que, de forma agora mais disfarçada -
terá dentro de si e até ao mais fundo do maior e invisível abismo,
o gérmen da fecundidade, vibrátil de permanência efervescente!
De uma vida marinha ou fantasmagórica! – Que à minha volta
não cessa de se manifestar e sob as mais diversas formas:
pois a presença de tubarões ou de baleias, é vital semente
tanto sob a luminosa perpendicularidade do astro solar
como em noite cerrada, se manifesta constantemente
em vultos de um ondular monstruoso e luminescente!
Além do espetacular plâncton luminoso, ou bioluminescente,
e até das espécies voadoras que na piroga veem cair ou pousar

Ergo minha fronte ao alto. Soergo-me! Gesticulo e respiro
a calmaria ou a ventania que sopra do insondável espaço!
Curvo-me e debruço-me, sentado sobre o frágil tronco escavado,
em que navego! - Descendo e subindo a vertente de cada vaga!
Aspirando! Respirando, todo este sabor agridoce da maresia
que tão depressa me acalma, como me oprime e agonia!
Ao mesmo tempo, que gesticulo e grito!
Sozinho e do mais fundo do meu peito e do meu coração! -
Num momento curto mas com instantes de alívio!
Num enorme grito não de revolta mas de explosão!
Para quebrar, pelo menos, por um único momento
o profundo mutismo em que o sono me oprime e ameaça
Mais do que a ondulação do tapete negro do mar!
Por força de me agarrar a tão constante silêncio
poder adormecer e juntamente me voltar e arrastar!
Aliás, este, meu presságio, viria mesmo a se confirmar
- em plena noite escura de mar equatorial-
Porém, tão sufocante e dramático, foi esse tormento
que ensombrou os meus pulmões e a minha mente
que agora nem o quero recordar.
não cessa de se manifestar e sob as mais diversas formas:
pois a presença de tubarões ou de baleias, é vital semente
tanto sob a luminosa perpendicularidade do astro solar
como em noite cerrada, se manifesta constantemente
em vultos de um ondular monstruoso e luminescente!
Além do espetacular plâncton luminoso, ou bioluminescente,
e até das espécies voadoras que na piroga veem cair ou pousar

Ergo minha fronte ao alto. Soergo-me! Gesticulo e respiro
a calmaria ou a ventania que sopra do insondável espaço!
Curvo-me e debruço-me, sentado sobre o frágil tronco escavado,
em que navego! - Descendo e subindo a vertente de cada vaga!
Aspirando! Respirando, todo este sabor agridoce da maresia
que tão depressa me acalma, como me oprime e agonia!
Ao mesmo tempo, que gesticulo e grito!
Sozinho e do mais fundo do meu peito e do meu coração! -
Num momento curto mas com instantes de alívio!
Num enorme grito não de revolta mas de explosão!
Para quebrar, pelo menos, por um único momento
o profundo mutismo em que o sono me oprime e ameaça
Mais do que a ondulação do tapete negro do mar!
Por força de me agarrar a tão constante silêncio
poder adormecer e juntamente me voltar e arrastar!
Aliás, este, meu presságio, viria mesmo a se confirmar
- em plena noite escura de mar equatorial-
Porém, tão sufocante e dramático, foi esse tormento
que ensombrou os meus pulmões e a minha mente
que agora nem o quero recordar.
Por isso, o importante era nunca desesperar.
Buscando, em cada esticão da corda ou remada
o sôfrego temperamento de um maior fôlego de energia!
Em demanda da infinita vitalidade que só o mar sabe dar!
Que tanto pode tranquilizar como martirizar- E me permita
transpor qualquer barreira do assombroso e espesso manto
escuro que até mim vem ressoando num continuo derramar
de augúrios e presságios: infinidade ecos irreconhecíveis,
que, umas vezes, dão sinais de serenidade
outras de me ameaçam aterrorizar!
Buscando ainda maior fôlego que me permita
transpor o invisível infinito do horizonte!
Sim, abro meus braços, corda da escota da vela, numa das mãos
E vela na outra e aspiro, sôfrego, a vitalidade da noite e do mar!
Um cheiro a maresia, de frescura e transcendente suavidade!
Invade-me o peito , faz-me sentir e rejubilar
um profundo sentimento de serenidade!
No entanto, o vento não cessa de uivar!
Perpassa-me e ecoa pelos meus ouvidos
com finos e vibráteis acordes do seu soluçar!
Sim, escura é a noite e, também, sombrios os caminhos
Que se me abrem à minha volta pela indefinida toalha líquida
E também escuros os caminhos que me conduzirão a Deus”
Mesmo assim, vou indo a navegar! Com o soar do mar!
Com o mar que brame, com o imparável vozear do mar!...
Sou o cavaleiro desconhecido, cavalgando e sonhando acordado!
Debaixo do teto de uma abóboda celestial infinita, escuríssima!
Remando e velejando à superfície de ondulante noite equatorial
Buscando, em cada esticão da corda ou remada
o sôfrego temperamento de um maior fôlego de energia!
Em demanda da infinita vitalidade que só o mar sabe dar!
Que tanto pode tranquilizar como martirizar- E me permita
transpor qualquer barreira do assombroso e espesso manto
escuro que até mim vem ressoando num continuo derramar
de augúrios e presságios: infinidade ecos irreconhecíveis,
que, umas vezes, dão sinais de serenidade
outras de me ameaçam aterrorizar!
Buscando ainda maior fôlego que me permita
transpor o invisível infinito do horizonte!
Sim, abro meus braços, corda da escota da vela, numa das mãos
E vela na outra e aspiro, sôfrego, a vitalidade da noite e do mar!
Um cheiro a maresia, de frescura e transcendente suavidade!
Invade-me o peito , faz-me sentir e rejubilar
um profundo sentimento de serenidade!
No entanto, o vento não cessa de uivar!
Perpassa-me e ecoa pelos meus ouvidos
com finos e vibráteis acordes do seu soluçar!
Sim, escura é a noite e, também, sombrios os caminhos
Que se me abrem à minha volta pela indefinida toalha líquida
E também escuros os caminhos que me conduzirão a Deus”
Mesmo assim, vou indo a navegar! Com o soar do mar!
Com o mar que brame, com o imparável vozear do mar!...
Sou o cavaleiro desconhecido, cavalgando e sonhando acordado!
Debaixo do teto de uma abóboda celestial infinita, escuríssima!
Remando e velejando à superfície de ondulante noite equatorial



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