A noite foi longa, espessa de trevas e tormentosa, escuríssima!
Completamente à mercê da vontade Deus, de incerto destino.
Vagueando à flor do tumultuoso abismo, como alma perdida
Sem vislumbrar qualquer sinal de existência humana ou vida!
E, agora, que já raiou um novo dia , pergunto: afinal, aonde vou?
Para onde me levará o vento fantasmal que me envolve e assola?
Mas vivo! Tenho sobejas provas de existir e continuar vivo!
E isto nem é grave, nem ilusório: é tão somente a verdade real!
O que é preciso é continuar a deslizar na vaga e saber esperar
Vagueando a bordo desta tão frágil e balançante fragilidade
Sim, reconheço os muitos perigos que me assolam, que eu corro!
De todo o mundo completamente abandonado e esquecido
Sei bem, que, se precisasse, ninguém aqui me prestaria socorro
Só as vagas, e atrás das vagas, outras vagas se vão erguendo
Em meu redor, o vento soluça e geme. Perpasse-me os ouvidos
Meus ouvidos são tocados pelo seu gemido e continuo soluçar
Mas a minha canoa cá vai deslizando, cá vai indo à flor do mar!...

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