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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Expo 2020 Dubai – De 01-10-21 a 31-03-22 Sons da lusofonia vão ser vedeta no recinto da Expo de 14 e 16 de Outubro – Ary encabeça a caravana angolana e “General João Seria”, Olinda Beja e Filipe Santos, representam São Tomé e Príncipe

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

A Expo 2020 é um dos maiores eventos a ocorrer globalmente desde o início da pandemia, e os organizadores garantem que a saúde e a segurança são as principais prioridades. Estando previstas uma série de medidas de proteção, de estações de desinfeção a placas obrigatórias de uso de máscara facial e regulamentações rigorosas de distanciamento social.

O “Lusofonia Festival” que se realiza entre os dias 14 e 16 deste mês, no palco do Isha Prayer Time, na Expo Dubai 2020, com a atuação de músicos dos países de Língua Portuguesa: de artistas Angolanos, Cabo-verdianos, Brasileiros, Bissau-guineenses, Equato-guineses, Moçambicanos, Portugueses e Timorenses. 


São Tomé e Príncipe, vai estar representado  por  Olinda Beja e Filipe Santos, que deverão permanecer em Dubai mais de três semanas, que, servirão para se desdobrarem em várias esferas culturais,  desde a musica à poesia




Angola vai participar no festival, além de Ary, com os músicos Calabeto, Daniel Nascimento, Marília Alberto, Nanutu e Nelo Carvalho. A caravana artística nacional inclui ainda os artistas plásticos Guilherme Mampuya e Andreia Gambôa.

Diz o Jornal de Angola, que  “a participação angolana no "Lusofonia Festival” vai ser, ainda, enriquecida pelo elenco artístico residente no pavilhão de Angola na Expo Dubai, nomeadamente a banda Ngola, o Duo Angola Classical, Gelson Castro, Heróide, Kina ku Moxi e Sara Saka.

Durante os três dias de festival, além dos angolanos, vão desfilar no palco do Isha Prayer Time, o cabo-verdiano Tito Paris, o grupo vocal feminino português Sopa de Pedra e o fadista Marco Rodrigues, o grupo de Danças Ocultas, de Portugal, o General João Seria e o duo Filipe Santo & Olinda Beja, de São Tomé e Príncipe, Jomalu, de Moçambique, o trio Guiné-Bissau, formado por Patchi Di Rima, Rui Sangará e Atanásio Hatchuen, e a banda Cores de Aidê, do Brasil.

Os artistas plásticos angolanos Guilherme Mampuya e Andreia Gambôa vão mostrar criatividade, pintando ao vivo, desde o início até ao fim dos espectáculos. De acordo com Kayaya Júnior, da organização, a participação angolana na "Lusofonia Festival” vem reforçar o princípio da irmandade e fraternidade entre os países de Língua Portuguesa, homenageando, igualmente, os 25 anos da  Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no ano em que Angola assume a presidência.

Para Kayaya Júnior, o festival é mais um contributo para a divulgação deste idioma, aparentemente desconhecido, mas falado na Europa, África, América e Ásia, constituindo verdadeiras pontes de união entre estes povos.


"A Língua Portuguesa tem sido um factor de unidade nos países onde é adoptada como língua oficial, independentemente dos diferentes idiomas nacionais já existentes e que continuam a desenvolver-se como um excelente património cultural”, disse, acrescentando que "Amílcar Cabral, um valoroso intelectual africano, considerou a Língua Portuguesa como das melhores heranças deixadas pelo colonizador, ao permitir não só a comunicação entre grupos étnicos diferentes, mas ao mesmo tempo facilitar a unificação do ensino”. Jornal de A

A Expo Dubai, continuou Kayaya Júnior, pretende ser uma plataforma internacional para a promoção da criatividade, inovação e cooperação a nível global, facilitando, desta forma, o intercâmbio de ideias e de culturas.
Um total de 192 países e dezenas de organizações e instituições internacionais participam na Expo, que decorre até 31 de Março de 2022, sob o tema geral "Conectando Mentes, Criando o Futuro




quinta-feira, 7 de outubro de 2021

São Tomé - Governo de Jorge Bom Jesus quebra a escuridão da comunidade de Castelo distrito de Cantagalo – E vai resistindo ao desgaste pandémico e desaire eleitoral

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


Conforme considerou Bom Jesus “não tem sido fácil se fosse fácil, há 46 anos os outros teriam conseguido fazer, no entanto a pandemia veio agravar mais a situação, mas nós temos que permitir que todos os são-tomense sejam iguais, usufruam das mesmas condições independentemente o lugar onde escolheram para viver, esta é a tarefa do Governo e nós estamos a fazer tudo que é possível para criar essas condições”. – Refere a STP-Press 

 

Além desses reveses pandémicos, que vão desgastando a ação governativa,  foram as baixas militares e ministeriais, assim como as eleições  presidenciais do seu partido,  que não lhe correram de feição, onde as várias famílias se digladiam e puxam cada uma para seu lado, sinal de democraticidade mas também de frágil unidade, enquanto, no principal partido da oposição, as várias sensibilidades, lá se vão unindo  em  torno do mesmo fundador e patrocinador, embora distante mas com largos meios para o apoiar, enfim,  mas o importante é não virar costas à luta governativa e mostrar trabalho – E, Jorge Bom Jesus,  já demonstrou que é homem para não virar as costas ao seu povo e envolver-se em passeatas para longe do seu país.

É realmente o que, a mais recente inauguração, acaba de demonstrar, com a instalação da energia elétrica, pela primeira vez nas comunidades de Santa Clotilde (Distrito de Caué) e no Castelo, distrito de Cantagalo, para quebrar a escuridão destas duas comunidades.  

Agradeço a toda gente direta ou indiretamente que contribuiu para que hoje nós tivéssemos aqui a festejar esse momento que é histórico, há um virar da página”, disse Primeiro-ministro, afirmando que, “havia um ontem que era Castelo sem luz e hoje temos um Castelo iluminado, um Castelo que entrou na civilização, é um direito vosso não é favor nenhum”.  

Tendo declarado que “as infraestruturas básicas, água, energia, estrada, a partir daí isso vai potenciar os serviços sociais de base, educação, saúde, proteção social, entre outros direitos sociais que a população precisa, vejo que é uma população bastante jovem e vocês têm direito a diversão também, sem energia hoje não se consegue garantir nada de moderno”.  

“Com a instalação elétrica aqui isto vai permitir uma nova dinâmica ao nível social, económico, outras condições vão ser criadas para que a população de Castelo continue a progredir a ter vida melhor na semelhança de quem está em Santana de quem está na cidade capital, ter direito também a utilização da Internet, poder usufruir também da comunicação social, saber o que se passo no mundo”, acrescentou.  

O primeiro-ministro disse que “tudo isso a partir de hoje essas condições mínimas estão criadas”, disse para depois acrescentar que “no entanto a energia é mesmo base, base, base para que a partir daí se possa potenciar todo o resto e nós vamos levar o compromisso paulatinamente podemos resolver outras situações que constatamos aqui”.

https://www.stp-press.st/2021/10/07/governo-sao-tomense-quebra-a-escuridao-da-populacao-da-comunidade-de-castelo-distrito-de-cantagalo/


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

S. Tomé - Evaristo Carvalho - Uma Presidência, iniciada com polémica e alguma turbulência, mas concluída de forma ordeira, tranquila e pacifica – Tendo levado a bom porto, a “mensagem a Garcia”, a pedra-amuleto que lhe passei para uma das mãos, em Março de 2016, na Lagoa Azul, depois de se ter sentado numa cadeira de lava, a que chemei a efémera cadeira do poder - Recordando, nesse passeio, os bons tempos em que ambos fomos colegas de trabalho

Jorge Trabulo Marques - Jornalista - A PEDRA VAI-SE DESFAZENDO NA ETERNIDADE E A VIDA DO HOMEM NA FRÁGIL EFEMERIDADE

Amuleto histórico, que lhe ofereci em Março de 2016, na Lagoa Azul
Evaristo Carvalho, agora em vias de completar  80 anos, no dia 22 de Outubro, chamado  por duas vezes  a preencher o vazio de  um certo período governamental (Julho a Outubro de 1994 e de Setembro de 2001 a Março de 2002),  desempenhando  as funções de Primeiro-Ministro), pelos vistos,  mais uma vez chamou a si essa difícil missão: a da transitoriedade, dado não se ter recandidatado,    
 Nem sempre concordei com as suas decisões, e até lhe fiz algumas criticas, que não importa agora recordar; senão, surpreendentemente, reconhecer que acabou por ter um mandato exemplar



No dia em que votou, pediu paz e tranquilidade: e assim sucedeu -  

Na pedra com lema do Infante D. Henrique


Sim, pese  as polémicas, então suscitadas, aquando da sua eleição, em Julho de 2016, e alguma turbulência posterior,  acabou por levar a pedra a bom porto, a sua "Mensagem a Garcia" - – Pois, como diz esta velha metáfora! “ninguém pode ser verdadeiramente bem-sucedido se não lançar mão de todos os meios ao seu alcance — força, pertinácia, exemplo, autoridade” -: «Espero que o ato eleitoral de hoje termine com tranquilidade e paz, de forma a erguer a nossa bandeira da democracia, que orgulhe os são-tomenses e que continuemos a cumprir a nossa trajetória como um país democrático» - Declarou há cinco anos



Evaristo do Espírito Santo Carvalho, cidadão são-tomense, nascido em 22 de  Outubro de 1941, em Santana, Distrito de Cantagalo, São Tomé e Príncipe. Aos 16 anos, em 1957, concluiu o Curso Geral dos Liceus. Durante mais de duas décadas trabalhou em sectores de Administração, de Agricultura ligada aos Programas de Investigação Agronómica e nos tribunais 

MEU ANTIGO E PREZDO COLEGA - Quando desempenhou as funções de chefe de Secretaria da Brigada de Fomento Agro-Pecuário 

Recordo o agradável passeio que me proporcionou, numa bela tarde de domingo,  no seu carro até à Lagoa azul, das muitas fotografias que tive o prazer de lhe fazer e  do amistoso diálogo que travámos, em Março de 2016.

Conquanto não fosse o candidato, que desejaria que retomasse o alto cargo mas a  recandidatura de  Manuel Pinto da Costa,  tal como, então, lhe confidenciei, quando me pediu o meu apoio, não recusando, porém, dar-lhe algumas opiniões sobre o  o novo desafio a  que se lançava, pois, em boa verdade,  tive-o sempre  como amigo pessoal  - Visto haver entre nós, laço  de amizade e de camaradagem, que nos ligam desde os distantes tempos, em que ambos trabalhávamos na Brigada de Fomento Agropecuário: ele, como Chefe de Secretaria, eu como modesto técnico agrícola. Mesmo assim, ele sempre foi humilde, pacato e cordial, igual a si próprio, relacionando-se com todos, da mesma maneira respeitosa, simpática, cordata a e comunicativa

Em S. Tomé -Do site da PR


Na véspera da tomada de posse 
do novo Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para condecorar o Presidente são-tomense cessante, Evaristo Carvalho, no salão nobre da chancelaria da Embaixada de Portugal, destacando o papel do condecorado no estreitamento dos laços e relações entre os dois países e o trabalho efetuado no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

«Esta homenagem é uma homenagem devida há muito tempo, pela pessoa de vossa excelência e devida também àquilo que representou durante um mandato excecional nomeadamente nas relações entre os dois países. Sempre soube prestar ao magistério que exercia uma elevação, uma dignidade que nos impressionou e que nos tornou seus admiradores. Assim, entrego hoje insígnias que representam a gratidão do povo português», declarou o Presidente Português

Evaristo do Espírito Santo Carvalho

Refere a sua biogarafia que, "De 1976 a 1985, sob a égide da Organização Internacional do Trabalho, frequenta o curso modular sobre a Liderança destinado aos dirigentes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), em Suíça, Brasil e Cabo Verde. Frequenta também no período em alusão, Cursos de Ciências Sociais e de Dirigente Administrativo e um curso de Gestão, Administração Financeira, Patrimonial e Recursos Humanos.

 Possui uma vasta experiência profissional no campo da Gestão e Administração Pública e no domínio de políticas e programas agrícolas, tendo trabalhado durante largos anos com peritos portugueses em programas de fomento agrícola. Possui também conhecimentos e experiência do Sistema Judiciário tendo servido como Provedor de Justiça, cargo equivalente ao Procurador Geral da República. Exerceu atividades políticas do protonacionalismo à independência de São Tomé e Príncipe e desde os primórdios desta, exerce funções políticas e governamentais que culminaram com o seu empossamento no cargo de Chefe de Estado e Presidente da República em 3 de Setembro de 2016."


"Digno de menção é, também, a sua experiência Político-partidária e o seu domínio sobre os assuntos relativos a gestão e ao funcionamento do Parlamento são-tomense. Setembro 2016 até a presente data: Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe; de 2010- 2012 exerceu as funções de Presidente da Assembleia Nacional; de 2001-2002: exerceu como Primeiro-Ministro do Governo de Iniciativa Presidencial; de 1997-2001, Diretor de Gabinete do Presidente da República; de 1994- 1995, Primeiro-Ministro do Governo de Iniciativa Presidencial; de1992-1994, Ministro da Defesa e de Ordem Interna; de 1991-1992, Secretário-Geral da Presidência da República; de 1986-1988 exerceu o cargo de Provedor da Justiça equivalente ao Procurador Geral da República; de 1978-1980, Ministro das Construções, Transportes e Comunicações; de 1977-1978: Secretário de Estado da Administração Territorial; de 1976-1977, Diretor Geral de Agricultura; de 1975-1977, Diretor de Gabinete do Presidente da República; de 1974-1975, Diretor de Gabinete do Primeiro-Ministro e Chefe do Governo de Transição; de 1975-1984, Deputado à Assembleia Nacional; de 1991-1993, Deputado à Assembleia Nacional."


segunda-feira, 4 de outubro de 2021

São Tomé – Carlos Vila Nova - «Sou doravante Presidente de todos os santomenses” – Prometeu o 5º Presidente da República de São Tomé e Príncipe, na tomada de posse em que Marcelo deu mais um “banho” de popularidade e humildade democrática



Jorge Trabulo Marques - Jornalista

“Agora é a vez de pontes serem estabelecidas na sociedade, para destruir os muros da  divisão. O que importa agora é que se estabeleçam pontes, e que se destruam os muros que nos separam, e enfim que a nação se una. Unidos seremos sempre mais fortes e evitaremos os desperdícios da divisão», declarou  o recém-eleito  Presidente da República de S. Tomé e Príncipe.

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que  assistiu sábado a investidura de Carlos Vila Nova como novo Presidente de São Tomé e Príncipe, aproveitou a oportunidade para convidar o seu homólogo  a visitar Portugal no fim deste ano ou no 1º semestre do próximo.

Tendo também declarado à imprensa, no final da cerimónia, depois de ter  elogiado o novo Presidente de São Tomé e Príncipe, Carlo Vila Nova pelo modo como se dirigiu ao povo são-tomense, admitir a possibilidade de António Costa, visitar São Tomé e Príncipe, “mais para o fim do ano”


Marcelo Rebelo de Sousa  "Um Cota fixe" - Diz quem o viu tomar banho e o à-vontade com que foi mergulhar e passear-se na chamada praia "perigosa", onde desembocam vários pântanos - "Vi-o no mergulho no rio Tejo, lá pensei que estava a reinar! Nas praias de São Tomé, percebi que, é vontade natural do atual Presidente de Portugal, um cota fixe!"

O Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, visitou o navio-patrulha NRP Zaire no Porto de São Tomé.

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, após ter sido recebido pelo Coordenador do Comando Naval para o projeto Zaire, Capitão-de-Mar-e-Guerra Cavaleiro Ângelo, e pelo Comandante do NRP Zaire, Primeiro-tenente Tiago Vieira, dirigiu palavras à guarnição mista portuguesa e são-tomense, assinou o Livro de Honra e depois subiu a bordo do navio-patrulha que se encontra, desde 2018, em missão em São Tomé e Príncipe, no âmbito de um acordo bilateral.

 

 

sábado, 2 de outubro de 2021

S. Tomé e Príncipe - Marcelo Rebelo de Sousa, em S. Tomé, para a tomada de posse de Carlos Vila Nova - 5º Presidente da República Democática deste país lusófono


Imagem do site da Presidència da República

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

O Presidente português, já se encontra em S. Tomé para participar na Cerimónia de Tomada de Posse do Presidente eleito de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, que terá lugar às 10 horas da manhã na Assembleia Nacional, chefiada pelo Presidente da Assembleia Nacional, Delfim Neves.


O Presidente da República de Portugal, que se fez acompanhar pelo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Francisco André, foi recebido à chegada pelo Embaixador de Portugal em São Tomé, Rui Carmo, pela Ministra dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação e Comunidades são-tomense, Edite dos Ramos Ten Jua, e pelo Ministro da Juventude, Desporto e Empreendedorismo são-tomense, Vinício Teles Xavier de Pina, com os quais manteve um breve encontro.

Na  visita que Evaristo fez a Portugal
Em S. Tomé -Do site da PR

Depois da ter desembarcado, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para condecorar o Presidente são-tomense cessante, Evaristo Carvalho, no salão nobre da chancelaria da Embaixada de Portugal neste país lusófono, destacando o papel do condecorado no estreitamento dos laços e relações entre os dois países e o trabalho efetuado no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

A cerimónia decorreu na véspera da Tomada de Posse do novo Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova.

Evaristo Carvalho, Presidente da República de São Tomé e Príncipe desde 2016, atualmente com 78 anos, não se recandidatou a um segundo mandato, tendo concorrido, pelo seu partido, ADI, Ação Democrática Independente, Carlos Vila Nova, 65 anos, natural do Distrito de Lembá, cidade de Neves, que venceu as eleições presidenciais de 05 de setembro, à segunda volta, derrotando Guilherme Posser da Costa, apoiado pelo MLSTP/PSD.

No sábado à tarde, antes de regressar a Lisboa, o Presidente português irá visitar o navio-patrulha Zaire, da Marinha Portuguesa, que desde janeiro de 2018 se encontra em missão em São Tomé e Príncipe, no âmbito de um acordo bilateral.

Além do Presidente de Portugal, dos convidados estrangeiros, está confirmada a presença do Presidente Umaro Sissoco Embaló, da Guiné-Bissau e do Vice-presidente de Angola, Bornito de Sousa que chegou esta manhã ao País.

Dos convidados nacionais, o destaque vai para os antigos Chefes de Estado do País, Órgãos de Soberania, Primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, Deputados, Ministros, familiares assim como represente dos partidos políticos e a Sociedade Civil.

 

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

São Tomé - Henrique Pinto da Costa e a Roça Saudade, onde nasceu Almada Negreiros – Um exemplo de sucesso numa das antigas roças coloniais

 


Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador    - Roça Saudade, onde nasceu Almada Negreiros – Um exemplo de sucesso numa das antigas roças coloniais: A casa, em ruínas, foi transformada em museu-restaurante, pelo jovem Joaquim Victor e a propriedade num modelo exemplar na defesa da biodiversidade, num autêntico jardim botânico, pelo Eng Henrique Pinto da Costa, irmão do ex-Presidente Manuel Pinto da Costa, Diretor da Nexus Consulting, organização que trabalha na gestão do uso do solo, gestão de bacias hidrográficas, desenvolvimento urbano e conservação da biodiversidade, visando uma abordagem ampla e integrada das questões ecológicas para criar novas políticas de uso da terra em apoio ao desenvolvimento sustentável em São Tomé e Príncipe


Foi justamente esse o projeto, que abraçou, desde há vários anos, na ilha onde nasceu: transformando uma propriedade abandonada, numa verdadeira aposta ecológica, em defesa da biodiversidade, num magnífico laboratório de convivência harmoniosa das diferentes espécies, com vista a um melhor aproveitamento da floresta e das culturas tradicionais, designadamente o cacau e o café, à floricultura, às plantas aromáticas, canela e baunilha, às medicinais, assim como os recursos hídricos para produção de eletricidade – Sim, esta a impressão que me deixou na honrosa entrevista que me concedeu, em 2015, que tenho o prazer de aqui recordar, sobre a data de 30 de Setembro, em que os santomenses comemoram a nacionalização das roças

Recorda Armindo do Espírito Santo – investigador do CEsA-ISEG-UL e Prof. da ESCAD-IPLUSO/ULHT - num artigo publicado ontem no Téla-Nón, que a nacionalização ocorreu por três razões: em primeiro lugar porque estava subjacente no acordo que institucionalizou o Governo Transitório; em segundo lugar porque a maioria das roças estava já abandonada ou subutilizada; e, por último, porque estava em curso em África a prática das nacionalizações das bases económicas coloniais, a coberto do nacionalismo africano.

Para o MLSTP, a nacionalização das terras significou não só a libertação do povo de STP das amarras do colonialismo que o impediam de se desenvolver, mas também o acesso à riqueza e o controlo do património que antes lhe fora extorquido pelos europeus com a segunda colonização no início da segunda metade do século XIX.E, neste sentido, o Dia 30 de Setembro de 1975 constitui uma importante data histórica, a mais significativa depois da data da independência!" - https://www.telanon.info/suplemento/estudos/2020/09/30/32658/a-nacionalizacao-das-rocas-e-o-feriado-de-30-de-setembro-a-historia-com-economia-por-dentro/


Não foi por acaso que o meu sangue veio do sul
se cruzou com o meu sangue que veio do norte
não foi por acaso que o meu sangue que veio do oriente
encontrou o meu sangue que estava no ocidente
não foi por acaso nada do que hoje sou
desde há muitos séculos se sabia
que eu havia de ser aquele onde se juntariam todos os sangues da terra
e por isso me estimaram através da História
ansiosos por este meu resultado que até hoje foi sempre futuro.

VIDEO REGISTADO EM OUTUBRO 2014



A ROÇA ONDE NASCEU ALMADA NEGREIROS

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce." – E assim também renasceu das ruínas a casa onde nasceu Almada Negreiros, na Roça Saudade, em São Tomé, graças à corrida solitária de Joaquim Cabangala Victor, guia turístico, natural de São Tomé. Certo de que a sua ideia  podia transformar uns já irreconhecíveis caboucos numa Casa de Artes e Museu, em memória do genial pintor, poeta, romancista e dramaturgo e abraçar um apaixonante projeto de vida.

A Roça Saudade, fica a 17 Km de S. Tomé, cidade, voltada a nordeste, a cerca de 800 metros de altitude, numa área das mais belas  da ilha, onde se despenha a famosa cascata de São Nicolau. Quando trabalhei na Brigada de Fomento Agropecuário, passava relativamente próximo. Porém, só mais tarde, soube, através de um artigo do Padre Ambrósio, publicado na revista Semana Ilustrada, de que era correspondente, o segredo que era guardado naquela propriedade. Foi vendida à Roça Santa Margarida, que a integrou com a dependência Vista Alegre. - Sem duvida, um dos lendários lugares que vale a pena visitar ou rever.

MUSEU E  CASA DE ARTES – PROJECTO CULTURAL E TURÍSTICO


Transformar as ruínas da casa onde nasceu Almada Negreiros, numa Casa de Arte, foi o pensamento que norteou Joaquim Victor, mesmo partindo quase de mãos vazias, confiante na sua determinação e no alcance cultural e turístico da sua iniciativa  -A edificação de uma casa de madeira, alpendrada, assente justamente sobre algumas colunas e rebocos do antigo solar, é  uma belíssima realidade.


Olinda Beja -  disse-me o seguinte: “desde 1985 que visitei pela primeira vez as ruínas da casa onde nasceu Almada que falei com várias pessoas para que a sua memória fosse reabilitada na terra onde nasceu. Naquela altura ainda havia uma linda buganvília vermelha que entretanto teria acabado por ser cortada, penso; eu e a Alda Espírito Santo pedimos até ajuda a uma embaixada (não foi à de Portugal!) mas nada se concretizou; é claro que Almada nunca mais voltou ao seu berço e pouco ou nada o publicitou mas foi um homem das artes único no seu tempo, um nome incontornável"

Fico feliz pelas notícias vindas a lume e envio esse poema que faz parte do meu livro "Água Crioula" publicado pela primeira vez em 2002 e depois com várias edições (vai na 6ª)

Um forte abraço e muitos parabéns pelo trabalho que tens feito por essa ilha maravilhosa! - Olinda Beja

A ALMADA NEGREIROS

Voltaste enfim ao regaço das palmeiras
onde serpentes volteiam
e navegam na claridade. Voltaste
porque os teus olhos mitigavam
palavras entontecidas cheias de água fresca
da cascata. Voltaste trazendo cânticos
de outras terras
cânticos de trovadores desconhecidos
teceste roupas diferentes mas sempre
com as cores das buganvílias da Saudade
apagaste pegadas antigas no luchan
da tua meninice. Mas voltaste!

Esperaste que o ranger da porta
da casa onde nasceste se prolongasse
no júbilo do teu regresso

hoje
sentado no presídio da Marginal
onde ninguém nota o teu vulto altivo e belo
só eu sei que voltaste
e por que voltaste                         

Olinda BEJA  in  “Água Crioula”

SALAZAR E OS FAMOSOS PAINÉIS DE ALMADA - A ARTE É UM CONCEITO DE BELEZA QUE O ARTISTA OFERECE AO MUNDO MAS QUE NEM TODO MUNDO ENTENDE

Até Duarte Pacheco se foi queixar a Salazar da arte de Almada
 "11 de Outubro de 1955 - 

Veio o Duarte Pacheco queixar-se dos painéis que Almada Negreiros está a pintar na Estação Marítima de Alcântara. Acha-os exagerados e de mau gosto.

Chamei o Ferro. Afiançou que Pacheco não os entendia. A obra era magnífica.

Perguntei-lhe se estava certo disso.

Responsabilizou-se por eles. Ficaram.

Dar uma alfinetada ao Pacheco é um dos poucos prazeres que admito a mim próprio. Quanto aos painéis, ainda não os vi. " – In Diário de Salazar . António Trabulo


Arquiteto José Afonso de Almada Negreiros - Filho de José de Almada Negreiros e de Sarah Afonso  

Imagens registadas no ano de sua morte - em 2009
COMO O TEMPO PASSA...

  Penso que foi justamente no ano em que ele faleceu, que  lhe fiz estas fotografias. Talvez um mês ou dois antes. Mas até parece que foi ontem, que  eu e o meu amigo, o pintor João Neves, tomávamos um café com ele na Calçada do Combro, na Pastelaria Oreon,  com vista a combinar a sua deslocação à Roça Saudade - Era a terceira vez que falava com ele, depois que o conhecera nos habituais convívios do  Botequim  de Natália Correia  situado no Largo da Graça, em Lisboa. 


ALMADA NEGREIROS  - AFRICANO

José de Almada Negreiros nasceu em S. Tomé, na Roça Saudade, freguesia da Trindade, às 3 horas da manhã cio dia 7 de Abril de 1893.

Da terra da sua naturalidade foi arrancado, na tenra idade de 2 anos, e transplantado para Lisboa, em 23 de Abril de 1895, passando a viver em Cascais, em casa dos avós e tios maternos, da família Freire Sobral. – Estes são os primeiros pormenores biográficos daquele que viria a ser considerado uma figura decisiva na cultura portuguesa do século XX -  Foi em Portugal, com passagens por Madrid e Paris, que ele, embora  essencialmente autodidata (pois não frequentou qualquer escola de ensino artístico), que atingiria a notoriedade artística e literária, como figura ímpar na primeira vanguarda modernista."

Todavia, é em S. Tomé, como diria, o Padre António Ambrósio, autor da biografia Almada Negreiros Africano: filho de S. Tomé e neto de Angola, que ele abriria os olhos à luz do dia. E, aconteça o que acontecer pela vida fora, o torrão natal é marcante para o resto da vida. E, então, sobretudo, num ambiente,  tão maravilhoso e paradisíaco, como é o da Ilha de s. Tomé, e, muito particularmente, o da Roça  Saudade, já que, segundo descrição de seu pai, António lobo Almada Negreiros, também ele poeta e escritor, ali «A Natureza gigante , sugestiva, nova, eleva a alma menos contemplativa. Há um não se quê de misterioso  e de sobrenatural em tudo isto, que se vê e  não se descreve  com facilidade. Altas serras cortadas a pique, em perfeitas paralelas, tapetadas d'alto abaixo de alguns fetos gigantes e outros muitos arbustos coloridos, apertam em baixo, onde a vista a custo alcança, as águas sussurrantes  dos riachos que vão correndo para o mar”

A ROÇA SAUDADE: UM SONHO E UM BERÇO
"A casa  onde Almada nasceu, na sede da Roça Saudade – diz ainda António Ambrósio – “estava suspensa sobre uma profunda grota, e aberta a nascente, por uma varanda corrida, ao estilo tropical, para um mar de verdura, que, depois da primeira quebra, se espraiava, numa ondulação aparentemente suave, por vários quilómetros de extensão, em forma de leque rendilhado, até ao mar-oceano.


(…)Por fora, a Saudade era um mimo. O comendador José António Freire Sobral fizera da sede uma estância modelar: além das instalações para habitação e trabalho, das sanzalas  e dos secadores, e do hospital de boa construção, a Roça tinha um amplo terreiro, onde, como uma bandeira hasteada, se erguia uma elegante palmeira de 54 metros de altura (Veja-se: Almada Negreiros, História Ethnographica da Ilha de S. Tomé, p.272). Na parte superior do terreiro, em zona mais elevada, situavam-se os jardins, dispostos em socalcos. No meio, sobressaía  um artístico  caramanchão, todo coberto de buganvílias e trepadeiras. Junto, uma nascente de água puríssima foi aproveitada para construir  uma pequena  fonte, bem adornada de azulejos  pintados  e com dois grandes jarrões de porcelana envidraçada, aos lados


Aliás, as nascentes de água potável , na Roça Saudade, são óptimas e abundantes. Ali é feita a captação que abastece a Vila da Trindade. Ali mesmo nasce o rio Água Grande, que fornece a cidade. E, próximo, mais acima, nasce também o Manuel Jorge (um dos maiores rios de S. Tomé), que se transforma nas lindíssimas cascatas de S. Nicolau e do Blu-Blu, e constrói, na sua passagem, as maravilhosas «pontes que Deus fez»

Mais acima da Saudade, a caminho do Pico, localizam-se as roças Nova Moka, S. Nicolau e Santa Maria. Esta última pertencia também  a José António Freire Sobral. Era uma dependência rica, sobretudo, em boas madeiras.

Não há dúvida que a Roça Saudade, na sua geografia acidentada e vegetação luxuriante, possui algumas das  lindas paisagens da lindíssima Ilha de S. Tomé. Deixemos ao próprio Almada Negreiros que nos descreve in loco o que era para ele a Roça Saudade: um sonho, um berço encantado para os seus filhos.
FILHO DE S. TOMÉ E NETO DE ANGOLA



Valendo-me ainda do estudo biográfico, de autoria do saudoso Rev. P. António Ambrósio, com quem tive o grato prazer de me encontrar, por várias vezes, tanto em S. Tomé, onde foi sacerdote da paróquia da Trindade, como já após o seu regresso a Portugal, tomo a liberdade da aqui transcrever, alguns extratos do seu livro Almada Negreiros Africano, à semelhança do que fiz com na primeira postagem

De recordar que, António Ambrósio, era possuidor da melhor coleção de livros sobre a história de São Tomé e Príncipe, bem como a mais importante coleção  de moedas e selos destas ilhas. Tudo isso ardeu no incêndio do Chiado. Vivia num dos últimos  andares, fazendo esquina com os Armazéns do Chiado, e, quando se apercebeu, mal teve tempo de fugir - Foram anos de uma vida que se perderam, que o deixaram profundamente triste.  Padre Ambrósio, tal como o Monsenhor Moreira das Neves, que tive o prazer de entrevistar para a Rádio Comercial, eram dos tais sacerdotes que, a par da sua dedicação às causas da fé e da sua religião,  cultivavam um imenso gosto pela cultura. 

“Da terra da sua naturalidade foi arrancado, na tenra idade de 2 anos, e transplantado para Lisboa, em 23 de Abril de 1895, passando a viver em Cascais, em casa dos avós e tios maternos, da família Freire Sobral.

A mãe, Elvira Freire Sobral, morreu na Ilha de S. Tomé, ano e meio depois, a 29 de Dezembro de 1896. O pai, António Lobo de Almada Negreiros, zeloso funcionário e escritor fecundo, sendo Administrador do Concelho, continuou em S. Tomé, totalmente devotado à Administração Colonial. Deixou finalmente a Ilha de S. Tomé, a 22 de Dezembro de 1899, e seguiu para Paris, quase sem passar por Lisboa. O mesmo vapor Loanda levou pai e filho para a Europa ( demais pormenores deste capítulo, encontra-se publicados na nossa primeira postagem que editei no dia 8 de Abril de 2013

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