A Expo 2020 é um dos maiores eventos a ocorrer globalmente desde o início
da pandemia, e os organizadores garantem que a saúde e a segurança são as
principais prioridades. Estando previstas uma série de medidas de proteção, de
estações de desinfeção a placas obrigatórias de uso de máscara facial e
regulamentações rigorosas de distanciamento social.
O “Lusofonia Festival”
que se realiza entre os dias 14 e 16 deste mês, no palco do Isha Prayer Time,
na Expo Dubai 2020, com a atuação de músicos dos países de Língua Portuguesa:
de artistas Angolanos, Cabo-verdianos,
Brasileiros, Bissau-guineenses, Equato-guineses, Moçambicanos, Portugueses
e Timorenses.
São Tomé e Príncipe, vai
estar representado por Olinda Beja e
Filipe Santos, que deverão permanecer em Dubai mais de três semanas,
que, servirão para se desdobrarem em várias esferas culturais, desde a musica à poesia
Angola vai participar no festival, além de Ary, com os músicos Calabeto,
Daniel Nascimento, Marília Alberto, Nanutu e Nelo Carvalho. A caravana
artística nacional inclui ainda os artistas plásticos Guilherme Mampuya e
Andreia Gambôa.
Diz o Jornal de Angola, que “a participação angolana no "Lusofonia
Festival” vai ser, ainda, enriquecida pelo elenco artístico residente no
pavilhão de Angola na Expo Dubai, nomeadamente a banda Ngola, o Duo Angola Classical,
Gelson Castro, Heróide, Kina ku Moxi e Sara Saka.
Durante os três dias de festival, além dos
angolanos, vão desfilar no palco do Isha Prayer Time, o cabo-verdiano Tito
Paris, o grupo vocal feminino português Sopa de Pedra e o fadista Marco Rodrigues,
o grupo de Danças Ocultas, de Portugal, o General João Seria e o duo Filipe
Santo & Olinda Beja, de São Tomé e Príncipe, Jomalu, de Moçambique, o trio
Guiné-Bissau, formado por Patchi Di Rima, Rui Sangará e Atanásio Hatchuen, e a
banda Cores de Aidê, do Brasil.
Os artistas plásticos angolanos Guilherme
Mampuya e Andreia Gambôa vão mostrar criatividade, pintando ao vivo, desde o
início até ao fim dos espectáculos. De acordo com Kayaya Júnior, da
organização, a participação angolana na "Lusofonia Festival” vem reforçar
o princípio da irmandade e fraternidade entre os países de Língua Portuguesa,
homenageando, igualmente, os 25 anos da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP), no ano em que Angola assume a presidência.
Para Kayaya Júnior, o festival é mais um
contributo para a divulgação deste idioma, aparentemente desconhecido, mas
falado na Europa, África, América e Ásia, constituindo verdadeiras pontes de
união entre estes povos.
"A Língua Portuguesa tem sido um factor de unidade nos países onde é adoptada como língua oficial, independentemente dos diferentes idiomas nacionais já existentes e que continuam a desenvolver-se como um excelente património cultural”, disse, acrescentando que "Amílcar Cabral, um valoroso intelectual africano, considerou a Língua Portuguesa como das melhores heranças deixadas pelo colonizador, ao permitir não só a comunicação entre grupos étnicos diferentes, mas ao mesmo tempo facilitar a unificação do ensino”. Jornal de A
A Expo Dubai, continuou Kayaya Júnior, pretende ser uma plataforma internacional para a promoção da criatividade, inovação e cooperação a nível global, facilitando, desta forma, o intercâmbio de ideias e de culturas. Um total de 192 países e dezenas de organizações e instituições internacionais participam na Expo, que decorre até 31 de Março de 2022, sob o tema geral "Conectando Mentes, Criando o Futuro
Conforme considerou Bom Jesus “não tem
sido fácil se fosse fácil, há 46 anos os outros teriam conseguido fazer, no
entanto a pandemia veio agravar mais a situação, mas nós temos que permitir que
todos os são-tomense sejam iguais, usufruam das mesmas condições
independentemente o lugar onde escolheram para viver, esta é a tarefa do
Governo e nós estamos a fazer tudo que é possível para criar essas condições”. –
Refere a STP-Press
Além desses reveses pandémicos, que vão
desgastando a ação governativa, foram as
baixas militares e ministeriais, assim como as eleições presidenciais do seu partido, que não lhe correram de feição, onde as várias
famílias se digladiam e puxam cada uma para seu lado, sinal de democraticidade
mas também de frágil unidade, enquanto, no principal partido da oposição, as
várias sensibilidades, lá se vão unindo em torno do mesmo fundador e patrocinador,
embora distante mas com largos meios para o apoiar, enfim, mas o importante é não virar costas à luta governativa
e mostrar trabalho – E, Jorge Bom Jesus,
já demonstrou que é homem para não virar as costas ao seu povo e
envolver-se em passeatas para longe do seu país.
É realmente o que, a mais recente
inauguração, acaba de demonstrar, com a instalação da energia elétrica, pela
primeira vez nas comunidades de Santa Clotilde (Distrito de Caué) e no Castelo,
distrito de Cantagalo, para quebrar a escuridão destas duas comunidades.
“Agradeço a toda gente direta ou
indiretamente que contribuiu para que hoje nós tivéssemos aqui a festejar esse
momento que é histórico, há um virar da página”, disse Primeiro-ministro,
afirmando que, “havia um ontem que era Castelo sem luz e hoje temos um Castelo
iluminado, um Castelo que entrou na civilização, é um direito vosso não é favor
nenhum”.
Tendo declarado que “as infraestruturas
básicas, água, energia, estrada, a partir daí isso vai potenciar os serviços
sociais de base, educação, saúde, proteção social, entre outros direitos
sociais que a população precisa, vejo que é uma população bastante jovem e
vocês têm direito a diversão também, sem energia hoje não se consegue garantir
nada de moderno”.
“Com a instalação elétrica aqui isto vai
permitir uma nova dinâmica ao nível social, económico, outras condições vão ser
criadas para que a população de Castelo continue a progredir a ter vida melhor
na semelhança de quem está em Santana de quem está na cidade capital, ter
direito também a utilização da Internet, poder usufruir também da comunicação
social, saber o que se passo no mundo”, acrescentou.
O primeiro-ministro disse que “tudo isso a
partir de hoje essas condições mínimas estão criadas”, disse para depois
acrescentar que “no entanto a energia é mesmo base, base, base para que a
partir daí se possa potenciar todo o resto e nós vamos levar o compromisso
paulatinamente podemos resolver outras situações que constatamos aqui”.
Jorge Trabulo Marques - Jornalista - A PEDRA VAI-SE DESFAZENDO NA ETERNIDADE E A VIDA DO HOMEM NA
FRÁGIL EFEMERIDADE
Amuleto histórico, que lhe ofereci em Março de 2016, na Lagoa Azul
Evaristo Carvalho, agora em vias de completar 80 anos, no dia 22 de Outubro, chamado por duas vezes a preencher o vazio de um certo período governamental (Julho a Outubro de 1994 e de Setembro de 2001 a Março de 2002), desempenhando as funções de Primeiro-Ministro), pelos vistos, mais uma vez chamou a si essa difícil missão: a da transitoriedade, dado não se ter recandidatado,
Nem sempre concordei com as suas decisões, e até lhe fiz algumas criticas, que não importa agora recordar; senão, surpreendentemente, reconhecer que acabou por ter um mandato exemplar
No dia em que votou, pediu paz e
tranquilidade: e assim sucedeu -
Na pedra com lema do Infante D. Henrique
Sim, pese as polémicas, então
suscitadas, aquando da sua eleição, em Julho de 2016, e alguma turbulência
posterior, acabou por levar a pedra a bom porto, a sua "Mensagem a
Garcia" - – Pois, como diz esta velha
metáfora! “ninguém pode ser verdadeiramente bem-sucedido se não lançar mão de
todos os meios ao seu alcance — força, pertinácia, exemplo, autoridade” -: «Espero que o ato eleitoral de hoje termine com
tranquilidade e paz, de forma a erguer a nossa bandeira da democracia, que
orgulhe os são-tomenses e que continuemos a cumprir a nossa trajetória como um
país democrático» - Declarou há cinco anos
Evaristo do Espírito Santo Carvalho,
cidadão são-tomense, nascido em 22 de Outubro
de 1941, em Santana, Distrito de Cantagalo, São Tomé e Príncipe. Aos 16 anos,
em 1957, concluiu o Curso Geral dos Liceus. Durante mais de duas décadas trabalhou
em sectores de Administração, de Agricultura ligada aos Programas de
Investigação Agronómica e nos tribunais
MEU ANTIGO E PREZDO COLEGA - Quando desempenhou as funções de chefe de Secretaria da Brigada de Fomento Agro-Pecuário
Recordo o agradável passeio que me proporcionou, numa bela tarde de domingo, no seu carro até à Lagoa azul, das muitas fotografias que tive o prazer de lhe fazer e do amistoso diálogo que travámos, em Março de 2016.
Conquanto não fosse o candidato, que desejaria que retomasse o alto cargo mas a recandidatura de Manuel Pinto da Costa, tal como, então, lhe confidenciei, quando me pediu o meu apoio, não recusando, porém, dar-lhe algumas opiniões sobre o o novo desafio a que se lançava, pois, em boa verdade, tive-o sempre como amigo pessoal - Visto haver entre nós, laço de amizade e de camaradagem, que nos ligam desde os distantes tempos, em que ambos trabalhávamos na Brigada de Fomento Agropecuário: ele, como Chefe de Secretaria, eu como modesto técnico agrícola. Mesmo assim, ele sempre foi humilde, pacato e cordial, igual a si próprio, relacionando-se com todos, da mesma maneira respeitosa, simpática, cordata a e comunicativa
Em S. Tomé -Do site da PR
Na véspera da tomada de posse do novo Presidente da República
Democrática de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, o Presidente de Portugal,
Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para condecorar o Presidente são-tomense
cessante, Evaristo Carvalho, no salão nobre da chancelaria da Embaixada de
Portugal, destacando o papel do condecorado no estreitamento dos laços e relações
entre os dois países e o trabalho efetuado no âmbito da Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa.
«Esta homenagem é uma homenagem devida há muito tempo, pela pessoa de
vossa excelência e devida também àquilo que representou durante um mandato
excecional nomeadamente nas relações entre os dois países. Sempre soube prestar
ao magistério que exercia uma elevação, uma dignidade que nos impressionou e
que nos tornou seus admiradores. Assim, entrego hoje insígnias que representam
a gratidão do povo português», declarou o Presidente Português
Evaristo do Espírito Santo Carvalho
Refere a sua biogarafia que, "De 1976 a 1985,
sob a égide da Organização Internacional do Trabalho, frequenta o curso modular
sobre a Liderança destinado aos dirigentes dos Países Africanos de Língua
Oficial Portuguesa (PALOP), em Suíça, Brasil e Cabo Verde. Frequenta também no
período em alusão, Cursos de Ciências Sociais e de Dirigente Administrativo e
um curso de Gestão, Administração Financeira, Patrimonial e Recursos Humanos.
Possui uma vasta experiência profissional no campo da Gestão e Administração
Pública e no domínio de políticas e programas agrícolas, tendo trabalhado
durante largos anos com peritos portugueses em programas de fomento agrícola.
Possui também conhecimentos e experiência do Sistema Judiciário tendo servido
como Provedor de Justiça, cargo equivalente ao Procurador Geral da República.
Exerceu atividades políticas do protonacionalismo à independência de São Tomé e
Príncipe e desde os primórdios desta, exerce funções políticas e governamentais
que culminaram com o seu empossamento no cargo de Chefe de Estado e Presidente
da República em 3 de Setembro de 2016."
"Digno de menção
é, também, a sua experiência Político-partidária e o seu domínio sobre os
assuntos relativos a gestão e ao funcionamento do Parlamento são-tomense.
Setembro 2016 até a presente data: Presidente da República Democrática de São
Tomé e Príncipe; de 2010- 2012 exerceu as funções de Presidente da Assembleia
Nacional; de 2001-2002: exerceu como Primeiro-Ministro do Governo de Iniciativa
Presidencial; de 1997-2001, Diretor de Gabinete do Presidente da República; de
1994- 1995, Primeiro-Ministro do Governo de Iniciativa Presidencial;
de1992-1994, Ministro da Defesa e de Ordem Interna; de 1991-1992,
Secretário-Geral da Presidência da República; de 1986-1988 exerceu o cargo de
Provedor da Justiça equivalente ao Procurador Geral da República; de 1978-1980,
Ministro das Construções, Transportes e Comunicações; de 1977-1978: Secretário
de Estado da Administração Territorial; de 1976-1977, Diretor Geral de
Agricultura; de 1975-1977, Diretor de Gabinete do Presidente da República; de
1974-1975, Diretor de Gabinete do Primeiro-Ministro e Chefe do Governo de
Transição; de 1975-1984, Deputado à Assembleia Nacional; de 1991-1993, Deputado
à Assembleia Nacional."
“Agora é a vez de pontes
serem estabelecidas na sociedade, para destruir os muros da divisão. O que importa agora é que se estabeleçam pontes, e que se destruam
os muros que nos separam, e enfim que a nação se una. Unidos seremos sempre
mais fortes e evitaremos os desperdícios da divisão», declarou o recém-eleito Presidente da República de S. Tomé e Príncipe.
O Presidente Marcelo Rebelo
de Sousa, que assistiu sábado a
investidura de Carlos Vila Nova como novo Presidente de São Tomé e Príncipe, aproveitou
a oportunidade para convidar o seu homólogo a visitar Portugal no fim deste ano ou no 1º
semestre do próximo.
Tendo também declarado à imprensa, no final da cerimónia, depois
de ter elogiado o novo Presidente de São
Tomé e Príncipe, Carlo Vila Nova pelo modo como se dirigiu ao povo são-tomense,
admitir a possibilidade de António Costa, visitar São Tomé e Príncipe, “mais
para o fim do ano”
Marcelo Rebelo de Sousa "Um Cota fixe" - Diz quem o viu
tomar banho e o à-vontade com que foi mergulhar e passear-se na chamada praia
"perigosa", onde desembocam vários pântanos - "Vi-o no mergulho
no rio Tejo, lá pensei que estava a reinar! Nas praias de São Tomé, percebi
que, é vontade natural do atual Presidente de Portugal, um cota fixe!"
O Presidente da
República e Comandante Supremo das Forças Armadas, visitou o navio-patrulha NRP
Zaire no Porto de São Tomé.
O Presidente
Marcelo Rebelo de Sousa, após ter sido recebido pelo Coordenador do Comando
Naval para o projeto Zaire, Capitão-de-Mar-e-Guerra Cavaleiro Ângelo, e pelo
Comandante do NRP Zaire, Primeiro-tenente Tiago Vieira, dirigiu palavras à
guarnição mista portuguesa e são-tomense, assinou o Livro de Honra e depois
subiu a bordo do navio-patrulha que se encontra, desde 2018, em missão em São
Tomé e Príncipe, no âmbito de um acordo bilateral.
O Presidente
português, já se encontra em S. Tomé para participar na Cerimónia de Tomada de
Posse do Presidente eleito de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, que terá
lugar às 10 horas da manhã na Assembleia Nacional, chefiada pelo Presidente da
Assembleia Nacional, Delfim Neves.
O Presidente
da República de Portugal, que se fez acompanhar pelo Secretário de Estado dos
Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Francisco André, foi recebido à chegada
pelo Embaixador de Portugal em São Tomé, Rui Carmo, pela Ministra dos Negócios
Estrangeiros, da Cooperação e Comunidades são-tomense, Edite dos Ramos Ten Jua,
e pelo Ministro da Juventude, Desporto e Empreendedorismo são-tomense, Vinício
Teles Xavier de Pina, com os quais manteve um breve encontro.
Na visita que Evaristo fez a Portugal
Em S. Tomé -Do site da PR
Depois da
ter desembarcado, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para condecorar o
Presidente são-tomense cessante, Evaristo Carvalho, no salão nobre da
chancelaria da Embaixada de Portugal neste país lusófono, destacando o papel do condecorado no
estreitamento dos laços e relações entre os dois países e o trabalho efetuado
no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
A cerimónia decorreu na véspera da Tomada de Posse do novo
Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova.
Evaristo
Carvalho, Presidente da República de São Tomé e Príncipe desde 2016, atualmente
com 78 anos, não se recandidatou a um segundo mandato, tendo concorrido, pelo
seu partido, ADI, Ação Democrática Independente, Carlos Vila Nova, 65 anos,
natural do Distrito de Lembá, cidade de Neves, que venceu as eleições
presidenciais de 05 de setembro, à segunda volta, derrotando Guilherme Posser
da Costa, apoiado pelo MLSTP/PSD.
No sábado à
tarde, antes de regressar a Lisboa, o Presidente português irá visitar o
navio-patrulha Zaire, da Marinha Portuguesa, que desde janeiro de 2018 se
encontra em missão em São Tomé e Príncipe, no âmbito de um acordo bilateral.
Além do
Presidente de Portugal, dos convidados estrangeiros, está confirmada a presença
do Presidente Umaro Sissoco Embaló, da Guiné-Bissau e do Vice-presidente de
Angola, Bornito de Sousa que chegou esta manhã ao País.
Dos
convidados nacionais, o destaque vai para os antigos Chefes de Estado do País,
Órgãos de Soberania, Primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, Deputados, Ministros,
familiares assim como represente dos partidos políticos e a Sociedade Civil.
Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador - Roça Saudade, onde nasceu Almada Negreiros – Um exemplo de sucesso
numa das antigas roças coloniais: A casa, em ruínas, foi transformada em
museu-restaurante, pelo jovem Joaquim Victor e a propriedade num modelo
exemplar na defesa da biodiversidade, num autêntico jardim botânico, pelo Eng
Henrique Pinto da Costa, irmão do ex-Presidente Manuel Pinto da Costa, Diretor
da Nexus Consulting, organização que trabalha na gestão do uso do solo, gestão
de bacias hidrográficas, desenvolvimento urbano e conservação da
biodiversidade, visando uma abordagem ampla e integrada das questões ecológicas
para criar novas políticas de uso da terra em apoio ao desenvolvimento
sustentável em São Tomé e Príncipe
Foi justamente esse o projeto, que
abraçou, desde há vários anos, na ilha onde nasceu: transformando uma
propriedade abandonada, numa verdadeira aposta ecológica, em defesa da
biodiversidade, num magnífico laboratório de convivência harmoniosa das
diferentes espécies, com vista a um melhor aproveitamento da floresta e das
culturas tradicionais, designadamente o cacau e o café, à floricultura, às
plantas aromáticas, canela e baunilha, às medicinais, assim como os recursos
hídricos para produção de eletricidade – Sim, esta a impressão que me deixou na
honrosa entrevista que me concedeu, em 2015, que tenho o prazer de aqui
recordar, sobre a data de 30 de Setembro, em que os santomenses comemoram a
nacionalização das roças
Recorda Armindo do Espírito Santo –
investigador do CEsA-ISEG-UL e Prof. da ESCAD-IPLUSO/ULHT - num artigo
publicado ontem no Téla-Nón, que a nacionalização ocorreu por três razões: em
primeiro lugar porque estava subjacente no acordo que institucionalizou o
Governo Transitório; em segundo lugar porque a maioria das roças estava já
abandonada ou subutilizada; e, por último, porque estava em curso em África a
prática das nacionalizações das bases económicas coloniais, a coberto do
nacionalismo africano.
Para o MLSTP, a nacionalização das
terras significou não só a libertação do povo de STP das amarras do
colonialismo que o impediam de se desenvolver, mas também o acesso à riqueza e
o controlo do património que antes lhe fora extorquido pelos europeus com a
segunda colonização no início da segunda metade do século XIX.E, neste sentido,
o Dia 30 de Setembro de 1975 constitui uma importante data histórica, a mais
significativa depois da data da independência!" - https://www.telanon.info/suplemento/estudos/2020/09/30/32658/a-nacionalizacao-das-rocas-e-o-feriado-de-30-de-setembro-a-historia-com-economia-por-dentro/
“Não foi por acaso que o meu sangue veio do sul se cruzou com o meu sangue que veio do norte não foi por acaso que o meu sangue que veio do oriente encontrou o meu sangue que estava no ocidente não foi por acaso nada do que hoje sou desde há muitos séculos se sabia que eu havia de ser aquele onde se juntariam todos os sangues da terra e por isso me estimaram através da História ansiosos por este meu resultado que até hoje foi sempre futuro.
VIDEO REGISTADO EM OUTUBRO 2014
A ROÇA ONDE NASCEU ALMADA NEGREIROS
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce." – E assim também
renasceu das ruínas a casa onde nasceu Almada Negreiros, na Roça Saudade, em
São Tomé, graças à corrida solitária de Joaquim Cabangala Victor, guia
turístico, natural de São Tomé. Certo de que a sua ideia podia
transformar uns já irreconhecíveis caboucos numa Casa de Artes e Museu, em
memória do genial pintor, poeta, romancista e dramaturgo e abraçar um
apaixonante projeto de vida.
A
Roça Saudade, fica a 17 Km de S. Tomé, cidade, voltada a nordeste, a cerca de 800 metros de altitude, numa área das mais belas da ilha, onde se despenha a famosa cascata de
São Nicolau. Quando trabalhei na Brigada de Fomento Agropecuário, passava
relativamente próximo. Porém, só mais tarde, soube, através de um artigo do
Padre Ambrósio, publicado na revista Semana Ilustrada, de que era
correspondente, o segredo que era guardado naquela propriedade. Foi vendida à
Roça Santa Margarida, que a integrou com a dependência Vista Alegre. - Sem
duvida, um dos lendários lugares que vale a pena visitar ou rever.
MUSEU ECASA DE ARTES – PROJECTO CULTURAL E TURÍSTICO
Transformar as ruínas da casa onde nasceu Almada Negreiros, numa Casa de Arte, foi o pensamento que norteou Joaquim Victor, mesmo partindo quase de mãos vazias, confiante na sua determinação e no alcance cultural e turístico da sua iniciativa-A edificação de uma casa de madeira, alpendrada, assente justamente sobre algumas colunas e rebocos do antigo solar, é uma belíssima realidade.
Olinda Beja - disse-me o seguinte: “desde 1985 que visitei pela primeira vez as ruínas da casa onde nasceu Almada que falei com várias pessoas para que a sua memória fosse reabilitada na terra onde nasceu. Naquela altura ainda havia uma linda buganvília vermelha que entretanto teria acabado por ser cortada, penso; eu e a Alda Espírito Santo pedimos até ajuda a uma embaixada (não foi à de Portugal!) mas nada se concretizou; é claro que Almada nunca mais voltou ao seu berço e pouco ou nada o publicitou mas foi um homem das artes único no seu tempo, um nome incontornável"
Fico feliz pelas notícias vindas a lume e envio esse poema que faz parte do meu livro "Água Crioula" publicado pela primeira vez em 2002 e depois com várias edições (vai na 6ª)
Um forte abraço e muitos parabéns pelo trabalho que tens feito por essa ilha maravilhosa! - Olinda Beja
A ALMADA NEGREIROS
Voltaste enfim ao regaço das palmeiras
onde serpentes volteiam
e navegam na claridade. Voltaste
porque os teus olhos mitigavam
palavras entontecidas cheias de água fresca
da cascata. Voltaste trazendo cânticos
de outras terras
cânticos de trovadores desconhecidos
teceste roupas diferentes mas sempre
com as cores das buganvílias da Saudade
apagaste pegadas antigas no luchan
da tua meninice. Mas voltaste!
Esperaste que o ranger da porta
da casa onde nasceste se prolongasse
no júbilo do teu regresso
hoje
sentado no presídio da Marginal
onde ninguém nota o teu vulto altivo e belo
só eu sei que voltaste
e por que voltaste
Olinda BEJAin“Água Crioula”
SALAZAR E OS FAMOSOS PAINÉIS DE ALMADA - A ARTE É UM CONCEITO DE BELEZA QUE O ARTISTA OFERECE AO MUNDO MAS QUE NEM TODO MUNDO ENTENDE
Até Duarte Pacheco se foi queixar a Salazar da arte de Almada
"11 de Outubro de 1955 -
Veio o Duarte Pacheco queixar-se dos painéis que Almada Negreiros está a pintar na Estação Marítima de Alcântara. Acha-os exagerados e de mau gosto.
Chamei o Ferro. Afiançou que Pacheco não os entendia. A obra era magnífica.
Perguntei-lhe se estava certo disso.
Responsabilizou-se por eles. Ficaram.
Dar uma alfinetada ao Pacheco é um dos poucos prazeres que admito a mim próprio. Quanto aos painéis, ainda não os vi. "– In Diário de Salazar . António Trabulo
Arquiteto José Afonso de Almada Negreiros - Filho de José de Almada Negreirose de Sarah Afonso Imagens registadas no ano de sua morte - em 2009
COMO O TEMPO PASSA...
Penso que foi justamente no ano em que ele faleceu, que lhe fiz estas fotografias. Talvez um mês ou dois antes. Mas até parece que foi ontem, que eu e o meu amigo, o pintor João Neves, tomávamos um café com ele na Calçada do Combro, na Pastelaria Oreon, com vista a combinar a sua deslocação à Roça Saudade - Era a terceira vez que falava com ele, depois que o conhecera nos habituais convívios do Botequim de Natália Correia situado no Largo da Graça, em Lisboa.
ALMADA NEGREIROS - AFRICANO
“José de Almada Negreiros nasceu em S. Tomé, na Roça Saudade, freguesia da Trindade, às 3 horas da manhã cio dia 7 de Abril de 1893.
Da terra da sua naturalidade foi arrancado, na tenra idade de 2 anos, e transplantado para Lisboa, em 23 de Abril de 1895, passando a viver em Cascais, em casa dos avós e tios maternos, da família Freire Sobral. – Estes são os primeiros pormenores biográficos daquele que viria a ser considerado uma figura decisiva na cultura portuguesa do século XX -Foi em Portugal, com passagens por Madrid e Paris, que ele, emboraessencialmente autodidata (pois não frequentou qualquer escola de ensino artístico), que atingiria a notoriedade artística e literária, como figura ímpar na primeira vanguarda modernista."
Todavia, é em S. Tomé, como diria, o Padre António Ambrósio, autor da biografia Almada Negreiros Africano: filho de S. Tomé e neto de Angola, que ele abriria os olhos à luz do dia. E, aconteça o que acontecer pela vida fora, o torrão natal é marcante para o resto da vida. E, então, sobretudo, num ambiente,tão maravilhoso e paradisíaco, como é o da Ilha de s. Tomé, e, muito particularmente, o da Roça Saudade, já que, segundo descrição de seu pai, António lobo Almada Negreiros, também ele poeta e escritor, ali «A Natureza gigante , sugestiva, nova, eleva a alma menos contemplativa. Há um não se quê de misterioso e de sobrenatural em tudo isto, que se vê e não se descreve com facilidade. Altas serras cortadas a pique, em perfeitas paralelas, tapetadas d'alto abaixo de alguns fetos gigantes e outros muitos arbustos coloridos, apertam em baixo, onde a vista a custo alcança, as águas sussurrantes dos riachos que vão correndo para o mar”
A ROÇA SAUDADE: UM SONHO E UM BERÇO
"A casa onde Almada nasceu, na sede da Roça Saudade – diz ainda António Ambrósio – “estava suspensa sobre uma profunda grota, e aberta a nascente, por uma varanda corrida, ao estilo tropical, para um mar de verdura, que, depois da primeira quebra, se espraiava, numa ondulação aparentemente suave, por vários quilómetros de extensão, em forma de leque rendilhado, até ao mar-oceano.
(…)Por fora, a Saudade era um mimo. O comendador José António Freire Sobral fizera da sede uma estância modelar: além das instalações para habitação e trabalho, das sanzalas e dos secadores, e do hospital de boa construção, a Roça tinha um amplo terreiro, onde, como uma bandeira hasteada, se erguia uma elegante palmeira de 54 metros de altura (Veja-se: Almada Negreiros, História Ethnographica da Ilha de S. Tomé, p.272). Na parte superior do terreiro, em zona mais elevada, situavam-se os jardins, dispostos em socalcos. No meio, sobressaía um artístico caramanchão, todo coberto de buganvílias e trepadeiras. Junto, uma nascente de água puríssima foi aproveitada para construir uma pequena fonte, bem adornada de azulejos pintados e com dois grandes jarrões de porcelana envidraçada, aos lados
Aliás, as nascentes de água potável , na Roça Saudade, são óptimas e abundantes. Ali é feita a captação que abastece a Vila da Trindade. Ali mesmo nasce o rio Água Grande, que fornece a cidade. E, próximo, mais acima, nasce também o Manuel Jorge (um dos maiores rios de S. Tomé), que se transforma nas lindíssimas cascatas de S. Nicolau e do Blu-Blu, e constrói, na sua passagem, as maravilhosas «pontes que Deus fez»
Mais acima da Saudade, a caminho do Pico, localizam-se as roças Nova Moka, S. Nicolau e Santa Maria. Esta última pertencia também a José António Freire Sobral. Era uma dependência rica, sobretudo, em boas madeiras.
Não há dúvida que a Roça Saudade, na sua geografia acidentada e vegetação luxuriante, possui algumas das lindas paisagens da lindíssima Ilha de S. Tomé. Deixemos ao próprio Almada Negreiros que nos descreve in loco o que era para ele a Roça Saudade: um sonho, um berço encantado para os seus filhos.
FILHO DE S. TOMÉ E NETO DE ANGOLA
Valendo-me ainda do estudo biográfico, de autoria do saudoso Rev. P. António Ambrósio, com quem tive o grato prazer de me encontrar, por várias vezes, tanto em S. Tomé, onde foi sacerdote da paróquia da Trindade, como já após o seu regresso a Portugal, tomo a liberdade da aqui transcrever, alguns extratos do seu livro Almada Negreiros Africano, à semelhança do que fiz com na primeira postagem
De recordar que, António Ambrósio, era possuidor da melhor coleção de livros sobre a história de São Tomé e Príncipe, bem como a mais importante coleção de moedas e selos destas ilhas. Tudo isso ardeu no incêndio do Chiado. Vivia num dos últimos andares, fazendo esquina com os Armazéns do Chiado, e, quando se apercebeu, mal teve tempo de fugir - Foram anos de uma vida que se perderam, que o deixaram profundamente triste. Padre Ambrósio, tal como o Monsenhor Moreira das Neves, que tive o prazer de entrevistar para a Rádio Comercial, eram dos tais sacerdotes que, a par da sua dedicação às causas da fé e da sua religião, cultivavam um imenso gosto pela cultura.
“Da terra da sua naturalidade foi arrancado, na tenra idade de 2 anos, e transplantado para Lisboa, em 23 de Abril de 1895, passando a viver em Cascais, em casa dos avós e tios maternos, da família Freire Sobral.
A mãe, Elvira Freire Sobral, morreu na Ilha de S. Tomé, ano e meio depois, a 29 de Dezembro de 1896. O pai, António Lobo de Almada Negreiros, zeloso funcionário e escritor fecundo, sendo Administrador do Concelho, continuou em S. Tomé, totalmente devotado à Administração Colonial. Deixou finalmente a Ilha de S. Tomé, a 22 de Dezembro de 1899, e seguiu para Paris, quase sem passar por Lisboa. O mesmo vapor Loanda levou pai e filho para a Europa ( demais pormenores deste capítulo, encontra-se publicados na nossa primeira postagem que editei no dia 8 de Abril de 2013