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domingo, 30 de maio de 2021

São Tomé – Acidente no Pico Cão Pequeno – Fev - 2016 – Deus esteve ao meu lado – Valeu-me o pronto-socorro diligenciado pelo Coronel Victor Monteiro

Jorge Trabulo Marques – Jornalista – Líder da Escalada ao Pico Cão Grande

Êxito no Cão Grande mas pesadelo No Cão Pequeno - Escalada Vertical ao pico Cão Grande  Cão https://canoasdomar.blogspot.com/2012/02/cao-grande-em-sao-tome-grande-escalada.html
 
Agora, valeu-me o pronto-socorro do Coronel Victor Monteiro - Desta vez o destino ia-me pregando uma partida mas, pelos vistos, estava escrito nos astros que apenas seria mais um dramático episódio da minha vida - As Bandeiras Nacionais de S. Tomé e Príncipe e de Portugal, não puderam ser desfraldadas no topo mas espero que o Rogério, a Paula e a Catherine. um dia o possam fazer 

Uma equipa mista de alpinistas, vindos de Portugal, no dia 2 de Fevereiro de 2016, composta por uma canadiana, uma portuguesa e um português, deslocaram-se a S. Tomé para conhecer as suas belezas naturais e fazer um teste no Pico Cão Pequeno, querendo aproveitar para hastearem as bandeiras nacionais de S. Tomé e Príncipe e de Portugal, no seu cume, como um gesto de amizade e de cooperação, entre os dois países irmãos 

Na verdade, em 12 de Outubro, de 1975, a três dias da minha partida para uma aventura marítima de longos 38 dias e noites no Golfo da Guiné, a minha equipa, conquistava, finalmente, o tão desejado cume do Pico Cão Grande, tentado por várias equipas estrangeiras, sem êxito - 

Corajoso Constantino Bragança 


Dois anos sozinho, e, por fim, de, 73 a 75, com uma equipa de valorosos santomenses - Constantino Bragança, Cosme Pires dos Santos, e os guias, Sebastião e o Chico - conquistávamos a crista de um dos mais difíceis e caprichosos monólitos do planeta

Agora a minha intenção, não era propriamente a de fazer mais uma escalada mas de realizar a reportagem de uma equipa de alpinistas ao Pico Cão Pequeno A bandeira portuguesa, trouxeram-na de avião; a de S.T.P, foi oferecida pelo Coronel Victor Monteiro, então Diretor do Gabinete do Presidente da República.


Ao lado do jovem guia 
Primeiros socorros

Realmente, a noite fora muito chuvosa e a rocha basáltica das paredes do Pico Cão Pequeno, que é coberta na sua base por espessa vegetação, encontrava-se muito húmida e escorregadia - Havia muitos arbustos, mas hesitava-se em fazer uso seguro deles - Pelo que me apercebi, o entusiasmo parecia arrefecer e adiar a tentativa para outra oportunidade. . No entanto, eu que já conhecia bem esse tipo de vegetação no Cão Grande e dela me havia servido, tanto para iniciar a escalada, como em várias fases do percurso, sabia que, com algum cuidado, podia ajudar a resolver as dificuldades iniciais, nomeadamente onde a pedra está menos enxuta e se cobre de vegetação, agarrada aos milenares sedimentos da erosão Face a uma certa hesitação, que parecia deitar por terra, tanto esforço da exaustiva caminhada, sugeri para que permitissem ao guia Admilson, dar a sua ajudinha.

Sim, ele que tão útil fora a desbravar caminho até ao local: - um jovem e atlético santomense, de origem cabo-verdiana, que já evidenciara as suas capacidades quando cumpriu serviço militar e que agora trabalha com o seu pai, mãe e demais irmãos, na dependência de Santa Josefina, da antiga Roça Porto Alegre, sim, sugeri para que o deixassem mostrar as suas habilidade e trepar pelos arbustos, levando consigo a corda da escalada, de modo a prendê-la a uns arbustos, aí a uns 20 ou 30 metros acima, ou seja, junto à parte da rocha, que passava a encontra-se livre de vegetação e seca - Numa área já mais exposta ao ar, logo menos escorregadia e mais adequada à fixação de pitões e das tradicionais técnicas cabalísticas

E, na realidade, num ápice, o jovem, tira o sapatos, fica descalço e trepa por ali acima, como se estivesse a trepar em qualquer árvore da floresta, garantindo que podiam iniciar a escalada com segurança. Quando deixei de os ver, descalcei os sapatos e tentei a minha chance para fazer umas imagens à equipa, que, do ponto onde me encontrava, não podia registar Não podendo trepar o mesmo arbusto que o jovem, tentei fazê-lo de outra forma, ou seja, agradando-me a outro arbusto, justamente onde os elementos da equipa se haviam agarrado à corda inicial.

 Ao puxá-lo. mesmo antes de trepar, como estava em meias - e não descalço - escorrego com o arbusto atrás de mim - Rolando desamparado ravina abaixo, batendo com as costas e a cabeça de pedra em pedra- Sabia que não era a forma ideal e a mais segura - Mas fui traído pelo musgo escorregadio - Caso a ponta da corta não tivesse sido recolhida, penso que podia ter ido até onde o guia foi, podendo acompanhar fotograficamente a escalada Qualquer repórter fotográfico - seja qualquer for a sua idade - arrisca para fazer o melhor possível a sua reportagem -Era o que pretendia fazer.

Quando me vi a sangrar da cabeça de vários pontos e de um braço, com fortes dores nas costelas, entreguei o telemóvel ao jovem guia para comunicar com a equipa - sim, ali, àquela altura, havia rede - Esta decide desistir da escalada e regressar - Porém, receando que pudesse vir a desmaiar e a constituir algum estorvo acrescido ao seu retorno, através da espessa floresta, resolvi ir descendo, amparado a um pau, depois de ter informado o Coronel Victor Monteiro do meu acidente, o qual, desde logo, diligenciou para que uma ambulância me pudesse esperar quando chegasse à estrada, ao mesmo tempo que havia pedido para que uma equipa de maqueiros fosse ao meu encontro e me prestasse os primeiros socorros.


Q

E creio que foi realmente o que me valeu; de outro modo acabaria por desmaiar, tendo-me saturado o golpe da cabeça e tratado outros arranhões que tinha pelo corpo Uma parte do percurso foi desbravando a floresta, outra, já em caminhos de mato, pelo jipe da equipa - Na estrada, a ambulância, conduzir-me-ia ao Hospital onde foi assistido nos três dias seguintes, tendo, ali, também contado, com uma equipa de assistência medica e de enfermagem, muito dedicada e generosa. E também com a presença do Coronel Victor Monteiro, que, de facto, fico a dever a vida - Estou certo que se não tivesse feito essas diligências, nao teria sobrevivido  enfermagem, muito dedicada e generosa. E também com a presença do Coronel Victor Monteiro, que, de facto, fico a dever a vida - Estou certo que se não tivesse feito essas diligências, nao teria sobrevivido 

 Escalada Vertical ao pico Cão Grande  Cão Grande a épica escalada https://canoasdomar.blogspot.com/2020/08/pico-cao-grande-em-s-tome-epica.html Desmontagem de uma encenação https://canoasdomar.blogspot.com/2016/01/escalada-do-pico-cao-grande-em-s-tome.html Acidente no Pico Cão Pequeno  https://canoasdomar.blogspot.com/2016/03/sao-tome-acidente-na-escalada-do-pico.html - Rumo ao Sul https://canoasdomar.blogspot.com/2016/02/pico-cao-pequeno-rumo-ao-sul-e-latitude.html

Palestra dos 40 anos, em cascais https://canoasdomar.blogspot.com/2015/11/casa-da-gruta-em-cascais-encheu-para.html

FAÇANHA DAS ARÁBIAS CHEGAR AO SOPÉ DO PICO CÃO PEQUENO  E ESCALÁ- LO É TAMBÉM UM GRANDE DESAFIO

 A começar pela aproximação do sopé, que é já de si uma autêntica odisseia na floresta - Cobras pretas, que podem surgir onde menos se espera - e foram vistas pelo nosso guia - raízes que emergem do chão, vivendo da saturada humidade aérea, troncos de árvores gigantescas e seculares de todos os tamanhos e de variadíssimas espécies, que surgem por entre enormes pedregulhos de basalto, arbustos os mais surpreendentes e variados, fetos gigantes, que dir-se-ia remontarem ao principio das eras, sem dúvida, uma caminhada íngreme, exaustiva, sufocante e titânica. Um desafio aos espíritos mais aventureiros e amantes da Natura.

A minha tenda na Praia Jalé
Chegar onde cheguei, com uma pesada mochila às costas é já de si uma enorme proeza - É que do alto e de uma certa exposição dessa ravina, descobre-se uma panorâmica fantástica, funda e larga, mas que, ao menor deslize, também pode proporcionar um voo para a morte - Mas o meu objectivo não era a escalada


Em todo o caso, este pico, que mais lembra um enorme falo de que um simples bloco maciço, ia-me pregando uma grande partida e devorando-me a vida, justamente onde começa a libertar-se dos restos da última mancha verde da brenha densa arbustiva e arbórica, que o envolve desde as mais fundas grotas – Mas a culpa nem é dele mas minha: porque, eu não ia com o intuito de o escalar mas tão somente de o fotografar -Essa proeza, que tem outra história, pertence-me a mim e a mais três valorosos santomenses - E já lá vão quarenta anos; é muito tempo na vida humana 


  Mas, nestas coisas, os azares surgem quando menos se espera - Até ao atravessar uma rua . No entanto, pressentia que algo parecia determinado, pois são das tais curvas ou cruzes da vida ou do destino, que gostam de nos fazer as suas patifarias ou testar as nossas capacidades  – A noite havia sido chuvosa, com relâmpagos a incendiar o mar a e floresta – Era deste cenário que me apercebia, dentro da minha pequena tenda, na Praia Janela, um pequeno paraíso de areias douradas e suaves, situado ao sul da Ilha de S. Tomé – Mas longe de imaginar que o inferno não era meteorológico mas outro
DEUS ESTEVE AO MEU LADO - GRAÇAS TAMBÉM AOS BONS AMIGOS E A PRONTA E EFICIENTE ASSISTÊNCIA MÉDICA 
De entre as várias manifestações de apreço e de solidariedades expostas no Facebook, vou aqui tomar a liberdade de reproduzir a mensagem  do Coronel Victor Monteiro e a minha resposta
QUE SUSTO!!!!!!!

Caro amigo Jorge Trabulo Marques.
Gostava de aproveitar agora, depois do alívio, porque o susto já passou, de desejar-te rápidas melhoras.

Os meus agradecimentos, por isso, devem ser extensivos a todos quantos espontaneamente acudiram ao meu grito de socorro e colaboraram incondicionalmente para que tudo andasse bem:

De entre tanta gente, gostava de destacar as seguintes pessoas:
PRIMEIROS SOCORROS NA FLORESTA
+Enfermeiro de Porto Alegre- Juceley (estancou a hemorragia no crânio, com uma sutura de 3 pontos)
+Motorista-Manuel
EQUIPA DA AMBULÂNCIA
+Enfermeiro-Germias
+Maqueiro-Antonai
+Motorista-Cunha
HOSPITAL Dr.Ayres de Menezes
+Administrador-Dr.Carlos Neves
+Dr. Lima
+Dr. Pascoal
+Dr. Gian (Costa-marfinense)
+Dr. Guilherme
+Enfermeira-Cipriana

- Enfermeira Elka da Cruz
.-Enfermeiro Jerceley
+Maqueiro-Ângelo
- Maqueiro Antunay
ECO-RESORT JALÉ
+Coordenadora-Evarilde
+Gerente do Restaurante-Manuel.
Obrigado Meu Caro e Bom Amigo Coronel Victor Monteiro 

Um grande Bem-haja a todas as pessoas que tiveste a gentileza de enunciar;   ao seu espírito de bem servir e de abnegação - Sem o teu grito de alarme e a sua generosidade, dificilmente teria resistido. 

Salvaste-me a vida -  Quem saiu aos seus não degenera e tu tens a quem sair: a uma querida e corajosa mãe e a um pai extremoso e corajoso que também salvou muitas vidas de serem atiradas ao mar. Conheci-o quando era empregado de mato na antiga Roça Rio do Ouro e quando tu ainda eras um adolescente - Lembro-me bem do teu rosto. porque o teu pai era um cabo-verdiano muito estimado e comunicativo naquela roça e tu quase não o largava de mão, agarrado às suas calças, descalço e de calção Mal te pus ao corrente do meu acidente ( e ainda bem que àquela altura o telemóvel funcionou) sei que nem mais um instante teu coração descansou: foi um dia arrasador para ti - Fazendo diligências várias para ser prontamente socorrido - E assim aconteceu - Graças à tua generosidade e o teu abnegado esforço - Que rapidamente puseste em movimento um grande abraço de solidariedade - Operaste um autêntico milagre - E também porque as pessoas que contactaste, compreenderam que o momento não era de esperas mas de acção: desde o maqueiro que prontamente me saturou dos grandes golpes na cabeça, que não paravam de jorrar sangue - Mais uns minutos, dificilmente podia manter-me em pé, pois já começava a sentir fortes tonturas - Depois, foi a pronta evacuação na ambulância que me transportou para o hospital. E, ao chegar ali, tanto carinho, tanta disponibilidade, que,a bem dizer, nem sei onde hei-de começar a agradecer - Sim, a todos os rostos que me acarinharam e me assistiram , aos meus companheiros que também tanto se esforçaram por me salvar - Um grande abraço amigo - De ti, já tinha as melhores recordações, mas com esta grandeza, penso que é inigualável

sábado, 29 de maio de 2021

São Tomé - Tó-Zé Cassandra, Ex-Presidente do Governo Regional, de volta às ilhas Verdes do Equador - No mesmo voo da STP Airways, que ia transportar o Presidente de STP, Evaristo Carvalho

Jorge Trabulo Marques

Foi para nós a surpresa da noite: - Ao tomarmos conhecimento do regresso do Presidente, Evaristo Carvalho, a S. Tomé, fizemos questão de nos deslocarmos ao aeroporto de Lisboa para o cumprimentarmos, o que viria a suceder , por volta das 23 horas desta última Sexta-feira

Porém, horas antes, do que não contávamos, era encontrar o ex-Ministro da Juventude e do Desporto, do XI Governo Constitucional de São Tomé e Príncipe, Marcelino Leal Sanches, que teve amabilidade de nos informar da presença do Ex-presidente do Governo Regional José Cassandra, que aproveitamos para também o cumprimentar – E até o obsequiar, com muito gosto, com um artigo das travessias, que efetuamos, em pirogas, pelos mares, onde se erguem ambas as Ilhas

Afastado da vida política ativa, desde Junho do ano passado, sendo sucedido por Filipe Nascimento, eleito no congresso da União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP) como líder deste movimento que tem liderado o Governo da Região Autónoma do Príncipe nos últimos 14 anos.

AFASTADO DA VIDA POLITICA ATIVA – MAS NÃO ALHEADO DELA – Sobretudo, numa altura, em que reconhece que os efeitos da pandemia vão ser "um grande pesadelo" para a economia regional, alimentada principalmente pelo turismo.

De recordar que, o ex-presidente do Governo Regional do Príncipe, José Cardoso Cassandra, justificou a sua saída devido a problemas pessoais e familiares: “Eu tenho a minha família estruturada, mas fora de São Tomé e Príncipe, tenho alguns problemas pessoais que tenho que resolver e estou convencido que eu vou ter agora tempo e oportunidade para poder olhar para esses problemas e conseguir dar seguimento",

Numa altura, em que se perfilam vários candidatos às eleições presidenciais de 18 de Julho, questionámo-lo se também desejaria ser um dos candidatos – Respondeu—nos com um sorriso, ficando-nos, no entanto a impressão do que já havia afirmado: de que, embora tendo-se afastado da politica ativa, tal não significa que lhe seja indiferente

Tendo declarado, â Lusa, em Agosto passado, que vai estar "sempre com os olhos postos" na política e "disponível para trabalhar" para o seu país, referindo que a possibilidade de regressar à vida política ativa "vai depender muito" da sua situação familiar e da evolução da política interna do arquipélago.

"Os próximos tempos exigem de todos nós mais e melhor por São Tomé e Príncipe. Não basta as pessoas virem anunciar as candidaturas, pois mais do que anunciar as candidaturas devem dizer o que é que pretendem fazer no exercício da Presidência", defendeu.

O problema da falta do emprego, a situação sanitária, saneamento, reforma da justiça são questões para as quais devem ser encontradas soluções partilhadas com o Governo, liderado por Jorge Bom Jesus, sustentou.

"Ele [Presidente da República] pode influenciar a solução desses problemas", disse Cassandra, que defendeu igualmente a redução do efetivo militar e a sua conversão para atividades da marinha e da guarda costeira, uma vez que o território marítimo é 160 maior que o terrestre"

Nas mesmas declarações à LUSA, referiu que "o mandato é de facto para quatro anos, entretanto, qualquer um de nós tem problemas na vida e a razão que me levou a terminar o mandato tem a ver com os problemas familiares e pessoais que exigem de nós, de fato alguma atenção, por isso mesmo nós lamentamos esse término neste momento", sublinhou José Cassandra.

"Mas eu julgo que é uma vitalidade para o nosso processo democrático, sobretudo a alternância dentro da UMPP e continuidade na governação do Príncipe, uma transição pacífica e tranquila. Eu julgo que vai enriquecer e solidificar esse nosso processo democrático e autonómico", acrescentou.

Prometeu apoiar o novo Presidente, Filipe Nascimento, e lamentou não ter conseguido executar três projetos que propôs realizar durante os seus mandatos: um porto acostável, deixar a funcionar as energias renováveis e a amarração do cabo submarino à ilha do Príncipe.

 

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Ismael Sequeira, pintor santomense, inaugura hoje, projeto estético “Observa. Obras de Capa, na sede Camões do IP – Do Instituto Português de Cooperação e da Língua


Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


A exposição de Ismael Sequeira, que vai decorrer até ao próximo dia 11 de Junho, é composta por doze desenhos, que, segundo o autor,  revelam através da experimentação estilizada um discurso eclético que se afirma pela força das linhas, assim como um jogo conseguido de manchas de preenchimentos estruturados pela linha.

No tratamento dos textos assim como no desenvolvimento do desenho e composição, há uma experimentação assumida no jogo em que mistura o sonho ou pesadelo com a realidade, a lenda com a história, contrastes cromáticos conjugados com metáforas e criação de novos significados identitários.

No final, mais do que um projecto estético “Observa. Obras de Capa” é uma proposta de pensamento e comunicação em que o artista utiliza tanto a força expressiva do desenho, assim como todas as ferramentas de suporte tecnológico e meios de comunicação digital para partilhar um conjunto de ideias e reflexões sobre São Tomé e Príncipe abordando temas como: memórias da história colonial, lendas e mitos no contexto local, influências da globalização na vida do arquipélago, a identidade cultural, representação do poder e do papel feminino nesta pequena sociedade, entre muitos outros assuntos.


Desta
ca, também, o artista santomense, que o projeto “Observa” é referente escolhido para fazer uma narrativa heterogenia sobre a difícil modo como os criativos deste território insular guiam a sociedade.

Uma sociedade saída do colonialismo com valores e cultura humanista considerável, que resiste a degradação social e alimenta a sua esperança com forte crença divinal.


A escolhas dos temas representados, ora de abordagem realista, ora surrealista procura enquadrar uma identidade muito própria da cultura e do ser da ilha que busca as suas influências actuais pelos sinais trazidos pelo desenvolvimento do mundo e pela globalização. A comunicação e os novos meios tecnológicos absorvido por uma população muito jovem motiva-nos a exercitar com entusiasmo a conexão com o mundo. O que significa que o oceano Atlântico que banham estas ilhas já não limita os santomenses. A emigração continua a ser o sonho de toda a juventude que demonstram um amor incondicional por esta terra, mas que se torna pequena para as suas ambições.


De recordar, que a Plataforma Cafulka, tem desenvolvido  variadíssimas  ações criativas, sendo justamente considerada como que um autêntico laboratório para as suas pesquisas socio-artisticas, com vista a gerar um movimento artístico capaz de influenciar transversalmente todas as disciplinas criativas santomenses e do universo lusófono em Portugal.

E também a entrevista, que nos concedeu, em Junho de 2020, p aquando da inauguração,  no Parque dos Poetas em Oeiras,  do conjunto escultrórico do seu compatriota, Zémé, dedicado à poetiza Espírito Santo (1926-2010), bem como algumas imagens que registamos de uma exposição coletiva na Galeria de Arte do Casino Estoril, em Outubro de 2013,  assim como outros aspectos da sua atividade artística



Ismael Sequeira nasceu em Conceição – São Tomé, aos 20 de Julho de 1969. Estudou Artes Plásticas e Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Mas desde cedo descobriu  a sua veia artística,  influenciado pela leitura precoce, aos quatro anos,  por sua avó materna,  Hilária d’Almeida (Lilí)”, que lhe desenvolveria o gosto em modelar e construir objetos a partir da reciclagem de materiais.

Começou a pintar desde muito novo, tendo participado numa exposição comemorativa do aniversário da independência do país, com 13 anos apenas Em 1982 conheceu Protásio Pina e Cesaltino da Fonseca, expoentes máximos das artes plásticas em São Tomé e Príncipe na época, que dirigiam o sector de produção de cerâmica na olaria de Almerim, onde aprendeu a trabalhar barro e cerâmica. Influenciado por Protásio, começou a pintar a óleo. Mais tarde, trabalhou com mestres coreanos em pintura de cenários e montagem de quadros humanos para espectáculos e jogos de ar livre. 

Vive em Portugal,  há mais de uma década,  para onde se deslocou graças a uma bolsa de estudos para estudar Pintura— Aqui se formou Estudou Artes Plásticas e Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. E aqui também casou e constituiu  família,  regressando a S. Tomé, sempre que lhe é possível mas  o seu grande sonho é voltar a viver na sua linda ilha.  “Por isso, não perdi contacto com ela e com as pessoas e sistematicamente vou criando iniciativas e pretextos de colaboração profissional para lá ir- Declarou numa entrevista, em Nov de 2016, ao STPDigital, da qual tomámos a liberdade de transcrever alguns excertos. 

“Quando penso em São Tomé e Príncipe o que penso, primeiramente, é na sua exuberante beleza natural com enormes potencialidades a serem exploradas e de tornar-se um território de esperança de boa qualidade de vida para a sua população residente. Penso a seguir na miséria espiritual da classe dominante, num país desorganizado e na pobreza do povo insular que sonha com uma nação digna".

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Guiné-Bissau - Marcelo Rebelo de Sousa e Evaristo Carvalho - Dois Presidentes da CPLP, na Guiné-Bissau

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

A visita, foi-nos confirmada pelo Embaixador santomense, António Quintas, que acompanhou o Presidente do seu país, até ao aeroporto, que partiu, esta terça-feira, de Lisboa, para a Guiné-Bissau para uma visita oficial, de 4 dias

O Presidente de São Tomé e Príncipe, que chegou a Portugal, no passado sábado, vai realizar uma visita oficial à Guiné-Bissau , de 18 a 22 de Maio, estando previsto o seu regresso a Lisboa, no próximo sábado, prevendo-se depois uma estadia de uma semana em Portugal -


De visita oficial à Guiné-Bissau, encontra-se também o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que, referem noticias, está sendo saudado por calorosas manifestações populares , com banhos de multidão, que se posicionou ao longo dos cerca de oito quilómetros que distanciam o aeroporto do centro da cidade.



Perguntámos ao diplomata santomense, António Quintas do Espírito Santo, na imagem, que é também o Embaixador São Tomé e Príncipe em Portugal e junto da CPLP, desde Setembro de 2019, se a visita do Presidente Evaristo Carvalho, estaria relacionada com a do Presidente Português, Marcelo Rebelo de Sousa, declarou-nos ser mera coincidência, que, Evaristo Carvalho, tinha a sua própria agenda – Mas, por nossa parte, admitimos que possa haver esse cordial encontro, lá ou cá: - por um lado, por Evaristo Carvalho estar em fim de mandato, desejando estreitar e recordar bons momentos entre ambos, e , por outro, dada a forma calorosa e amistosa, como decorreram esses encontros, com os dois estadistas, quer em Portugal, quer depois em S. Tomé e Príncipe

 

domingo, 16 de maio de 2021

Solstício do Verão – 21-06-21 - Com Olinda Beja - No “Stonehenge Português" – Chãs- V-N- de Foz Côa - Com a escritora e poeta, Luso-santomense, que acaba de lançar o livro infantil Mamã Flor

Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Autor da descoberta e organizador do evento 

O solstício de verão de 2021, no Hemisfério Norte,  ocorre a 21 de junho, segunda-feira,  o dia maior do ano,  marcando oficialmente o início do verão, a partir do qual os dias vão passar a decrescer até ao Solstício do Inverno, que tem início no dia 21 de Dezembro de 2021, numa terça-feira

Vamos celebrar o SOLSTÍCIO DO VERÃO, 21-06-2021, com a presença da ESCRITORA E POETA SANTOMENSE, Olinda Beja, lendo poemas de sua autoria, acompanhada pelo violinista Luís Matos de Almeida, com o apoio do Município e junta de Freguesia, aldeia de Chãs, V.N. de Foz Côa -

 Participe nesta celebração, associando-se ao esplendor e alegria, que ali costuma ser vivida, respeitando as orientações sanitárias, que as autoridades recomendam. - A cerimónia, terá inicio às 18.30, com o tradicional cortejo "druída", desde o adro da igreja, depois de uma arruada por um grupo de gaiteiros de Miranda do Douro, pelas principais ruas da aldeia - Dirigindo-se, de seguida  para o Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nº Sra, outro dos impressionantes monumentos megalíticos, este alinhado com o nascer do sol dos Equinócios -  Dali o cortejo, seguirá para junto da Pedra do Solstício, onde as celebrações irão decorrer até ao pôr-do-sol, após o que ainda haverá uma pequena sessão de poesia na Pedra dos Poetas.

Desejamos, pois, que tudo decorra em paz e harmonia, confiantes de que os puríssimos ares destes amplos e belos espaços, hajam como agentes energéticos, sejam mais purificadores do corpo, enriquecedores do espírito e da alma, de que agentes adversos. Dependerá do comportamento de cada um, cujo ambiente, aliás, ali tem sido sempre sublime, alegre e apaziguador

Esta extraordinária imagem,  configurando uma gigantesca esfera terrestre ou a esplendorosa configuração de um enorme globo solar  projectando os seus dourados raios, a poente, foi registada, pela primeira vez, cerca das 20.45 horas do dia 21 de Junho de 2003 e poderá repetir-se,  todos os anos,  ao fim do dia mais longo do ano e à mesma hora, caso as condições atmosféricas o permitam.

A partir do ponto onde o sol então se pôs ( e  voltará a pôr-se) começa o Verão e, de igual modo,  a grande estrela-fiel inicia o movimento aparente da sua declinação para o Hemisfério Sul – E, até atingir esse ponto extremo, no Solstício do Inverno, distam vários quilómetros: ou seja, desde o ponto do horizonte, onde ele se vai pôr, em  perfeito alinhamento com a crista do esférico bloco e o centro do pequeno círculo que se encontra cavado, a alguns metros a oriente, na mesma laje da sua base de apoio.

Os participantes, convidados e demais peregrinos, poderão tomar parte no cortejo de cariz celta, evocando, uma vez mais e desde há quase 20 anos, antigas tradições dos povos que ali viveram, se abrigaram e ergueram os seus monumentais calendários solares, símbolos da fertilidade e dos ciclos das estações, num belíssimo desfile, ao som de um grupo de gaiteiro de Miranda do Douro, que partirá às 18.30 do adro da igreja, rumo aos Templos do Sol, maciço dos Tambores, onde poderão testemunhar, às 20h45 a passagem dos raios solares sobre o eixo da Pedra do Solstício, precisamente ao pôr-do-sol do dia maior do ano no Hemisfério Norte

Impressionante megálito, com três metros de diâmetro - Ergue-se numa das vertentes da área rastreja do Castro do Curral da Pedra, sobranceiro ao aprazível vale da Ribeira Centeeira, a curta distância do Santuário Rupestre da Cabeleira de Nossa Senhora.

Visto, perpendicularmente, em direcção ao pôr-do-sol, de oriente para ocidente, assemelha-se a uma enorme réplica da esfera terrestre e ao próprio espelho solar - Observado, porém, noutro ângulo, de Norte para Sul, toma a misteriosa forma de um imponente busto feminino, com nariz e orelha e, do lado oposto, um crânio mais cheio, comparado a um busto masculino

CONFIRMADA A HONROSA PRESENÇA DE  Olinda Beja

 

 

Poeta, romancista, contadora de histórias, Olinda Beja tem divulgado, através de conferências e recitais de poesia, a cultura de S. Tomé e Príncipe por vários países, nomeadamente Brasil, Austrália, Timor, Marrocos, França, Espanha, Suíça, Inglaterra, Luxemburgo, Cabo Verde…

BOM DIA MAMÃ FLOR” – Livro infantil da Poeta e escritora Luso-Santomense – “O Rouka disse que a mãe tinha a cara pintada de preto! Da cor da amora!”– Uma história infantil mas que também tem a ver com a vida da autora – Que deixou S. Tomé em criança - Reconhece ter sido muito complicado para ela e para o seu filho, até “ descobrir as suas origens, a sua identidade materna!... Filha de pai português do distrito de Viseu e uma mulata santomense, Trindade. distrito de Mé-Zóch

Obra infantil, profusamente ilustrada, por Celsa Sánchez , de cariz autobiográfico, apresentada no Centro Cultural de Cabo Verde, nesta última sexta-feira, editada pela Editorial Novembro, com a moderação de Avelina Ferraz, representante da editora, com comentários de Solange Salvaterra Pinto, membro da Associação Menón, que teceu largos elogios à autoria e à obra, sublinhando ser muito oportuna num tempo em que há necessidade de encorajar as atuais gerações do seu pais, com exemplos de coragem e de amor materno

Brindada por calorosa sessão, que encantou e fez dedilhar sons e melodias santomenses, via Internet de Inglaterra, de Filipe Santo. cuja leitura ali foi recomendada, tanto para crianças como para adultos e orientações curriculares , no lançamento que decorreu, no Centro Cultural de Cabo Verde, nesta última sexta-feira, com apresentação de Solange Salvaterra Pinto, membro da Associação Menón, que teceu largos elogios à autoria e à obra, sublinhando ser muito oportuna num tempo em que há necessidade de encorajar as atuais gerações do seu pais, com exemplos de coragem e de amor materno

Regina Correia, leu alguns dos sedutores excertos de “Bom Dia Mamã Flor”, de forma muito calorosa e sugestiva, a que se seguiu, uma intervenção, igualmente muito aplaudida, em jeito de comédia e de humor, "quem conta um conto", por Ângelo Torres, filho de pais são-tomenses com 24 irmãos, nascido na Guiné Equatorial, o ator que protagonizou o filme A Ilha dos Escravos ao lado da atriz brasileira Vanessa Giácomo e do ator português Diogo Infante.

Neste livro de literatura infantil, a escritora e contadora de histórias santomense, Olinda Beja, narra a história de Sólilua, um menino encantador, que dizia ao acordar “Bom dia Mamã-flor!”.

Uma bela história de amor e ternura onde uma criança se vê confrontada com um drama ainda tabu na sociedade, vivido pelo filho da autora

Na sua intervenção, Olinda Beja começou por confessar “Nós vivemos no interior de Portugal, em Mangualde. Eu vim, pequenina, com três anos para as terras frias da Beira-Alta… Foi muito complicado… Até descobrir as minhas origens, a minha identidade materna!... E só 37 anos depois, é que eu regresso!... Portanto, eu regresso com 39 depois… Redescobrir a mãe! E a mãe-pátria!

Recordando esse seu passado, com os contos narrados no livro, frisou:, que “Nessa altura, esta história, já se tinha passado com o meu filho..

E um dia, disse-me: “Ah! A mãe conta tanta história e não contou a nossa história…

E já não me lembrava da história da amora… (...) Ainda hoje, com quarenta e tal anos, me diz! – Bom Dia, Mamã-Flor!

E eu digo-lhe sempre: - Não te esqueças!... Quando eu partir de dizeres… (ele acaba a frase)… continuando a olhar para mim..

OLINDA BEJA, Nasceu em Guadalupe, S. Tomé, a 12 de Fevereiro de 1946, filha de José de Beja Martins (português) e de Maria da Trindade Filipe (santomense), tendo ido viver para .Portugal, ainda criança (S. Tomé e Príncipe). Estudou em Portugal, mas, um dia, resolveu voltar à sua bela ilha e, a partir de então, tem assumido o papel de Embaixadora da Cultura Santomense.

Poeta, romancista, contadora de histórias, Olinda Beja tem divulgado, através de conferências e recitais de poesia, a cultura de S. Tomé e Príncipe por vários países, nomeadamente Brasil, Austrália, Timor, Marrocos, França, Espanha, Suíça, Inglaterra, Luxemburgo, Cabo Verde…

Tem trabalhos publicados na Alemanha (Universidade de Frankfurt e Universidade de Berlim) sobre a língua materna de S. Tomé, bem como poemas dispersos em revistas nacionais e estrangeiras, em livros didáticos dos Ministérios Português e Francês da Educação, em várias antologias dos mais diversos países, salientando-se a antologia publicada em junho de 2015 em Buenos Aires (Argentina) e cujo título “Ligarás tu corazon com el mio” é um verso de um poema do livro “À Sombra do Oká”.

Tem poemas e contos traduzidos para espanhol, francês, inglês, árabe, chinês (mandarim) e esperanto.

Escreve livros, conta e canta histórias sempre que o seu coração lhe pede.

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Português-Francês) pela Universidade do Porto e pela Universidade Aberta em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. Foi professora do ensino secundário em Portugal e de Língua e Cultura Portuguesas (e lusófonas) na Suíça.

Dedicou-se à escrita desde muito jovem, publicando até ao momento atual mais de duas dezenas de obras : Bô Tendê? (poemas); Leve, Leve (poemas); 15 Dias de Regresso (romance); No País do Tchiloli (poemas); A Pedra de Villa Nova (romance); Pingos de Chuva (conto); Quebra-Mar (poemas); A Ilha de Izunari (ficção); Água Crioula (poemas); Pé-de-perfume (contos); Aromas de Cajamanga (Poemas); O Cruzeiro do Sul (poemas); Histórias da Gravana (contos, obra finalista, em 2011, no grande prémio PT Literatura); A Casa do Pastor (contos), Um Grão de Café (conto infanto-juvenil – faz parte do Plano Nacional de Leitura), À Sombra do Oká (poemas – Faz parte do Plano Nacional de Leitura); Tomé Bombom (conto juvenil); Chá do Príncipe (contos), Simão Balalão (conto infanto-juvenil).

Com o livro À Sombra do Oká recebeu em S. Tomé e Príncipe o Prémio Literário Francisco José Tenreiro 2012-2013.

Poeta, romancista, contadora de histórias, Olinda Beja tem divulgado, através de conferências e recitais de poesia, a cultura de S. Tomé e Príncipe por vários países, nomeadamente Brasil, Austrália, Timor, Marrocos, França, Espanha, Suíça, Inglaterra, Luxemburgo, Cabo Verde…

EM 2019, CONTAMOS COMA PRESENÇA DE ISABEL SANTIAGO - Luso-santomense, que leu poemas de Alda Graça Espírito Santo e José Tenreiro






HOMENAGEM  AO POETA SANTOMENSE FRANCISCO JOSÉ TENREIRO  NO ALTAR DA PEDRA DOS POETAS  - POR ISABEL SANTIAGO  





Poema de Francisco José Tenreiro, lido no  altar da Pedra dos Poetas por Isabel Santiago, a Embaixadora de Boa Vontade, Santomenses, que participou nas celebrações do Solstício do Verão, juntamente com o seu marido –