Referem os compêndios da História Colonial, que a ilha de São Tomé foi descoberta por navegadores portugueses, especificamente João de Santarém e Pêro Escobar, no dia 21 de dezembro de 1470 (dia de São Tomé), no Golfo da Guiné. A ilha do Príncipe foi descoberta pouco depois, a 17 de janeiro de 1471
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São Tomé, recebeu a visita do Príncipe Real Luís Filipe de Bragança, em Julho de 1907, na primeira visita de um príncipe as colónias portuguesas de S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, e ainda as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul, quando regressava passou por Cabo Verde. - – Que, certamente, não deixaria de ter ouvido falar daquele que viria a ser o último rei dos angolares, do último capitão (capitango) dos Angolares, Simão Andreza, considerado como o rei da etnia angolar – Ou mesmo de o ter conhecido. Não se sabe exatamente a data do seu falecimento, mas diz-se que faleceu no principio do século XX, sem deixar descendentes.
Em 1641, os holandeses ocuparam São Tomé, mas os portugueses recuperaram a Ilha em 1644. Em 1709, os corsários franceses ocuparam a Cidade de São Tomé por quase um mês. Em 1753, a capital foi transferida para Santo António, na Ilha do Príncipe. A capital retornou para São Tomé em 1852.


DEFENDO A TEORIA DE QUE AS ILHAS JÁ ERAM HABITADAS POR NAVEGADORES DE CANOAS DA COSTA AFRICANA Além dos vestígios arqueológicos que localizei nalguns pontos da costa marítima de S. Tomé, desde gravuras a machados e mós de pedra, bem como do lema gravado do Infante Dom Henrique, demonstrei essa possibilidade através das travessias que efetuei de canoa no Golfo da Guiné: de S. Tomé ao Príncipe; de São Tomé à Nigéria; de Ano Bom à Ilha de Bioko, antiga Ilha de Fernando Pó, Guiné Equatorial.
A costa oriental africana era amplamente conhecida pelos navegadores árabes séculos antes da expansão portuguesa, com rotas comerciais estabelecidas até Sofala (Moçambique) e conhecimentos astronómicos que influenciaram a navegação europeia. Navegadores árabes, como os da costa de Melinde, foram cruciais na orientação de Vasco da Gama no Índico
(construção da ca
noa Yoan Gato - que usei na minha última aventura de 38 dias a bordo de uma piroga ) Sim, defendo a teoria de que os primeiros povoadores, aqueles que, pela primeira vez, aportaram nas suas baías, foram os hábeis navegadores das canoas, vindos da costa africana.
Demonstrei essa possibilidade através das várias travessias que empreendi - De resto, não será por mero acaso que as canoas surgem nas cartas do século XVII, com idêntico destaque ao das caravelas
.
Em minha modesta opinião, a história das descobertas prima mais pela ficção e efabulação de que em dar-nos conta do que se verdadeiramente se passou. Mas o fenómeno da sublimação foi transversal a outras potências coloniais.
A GRANDE EPOPEIA AFRICANA NÃO PODE SER IGNORADA - - O continente africano é o berço da humanidade: foi daí que irradiou o Homo sapiens . Os seus homens e mulheres, povoaram lugares nunca dantes povoados; atravessaram continentes, criaram civilizações, culturas e formaram reinos - E, mesmo os que nunca dali partiram para a grande aventura da Diáspora, tinham os seus costumes, as suas tradições e as suas hierarquias - Eram livres à sua maneira.
Quando os europeus demandaram a costa de África, já os africanos, há muito mais tempo, haviam sulcado o litoral marítimo, subido e descido os rios e ligado as ilhas limítrofes com as suas pirogas talhadas em enormes troncos de árvores
O europeu veio mais tarde para retalhar os espaços geográficos à mercê das suas conveniências, corromper os próprios comerciantes de escravos (sim, porque a escravatura, é tão antiga como o homem) ficando eles com a fatia de leão: para dividiram territórios, humilharem, dominarem e escravizarem as populações a seu belo prazer, usurpando as suas riquezas

MAS OUVE QUEM REPARASSE NESSE FACTO: - Para alguns cartógrafos do século XVII, as pirogas assumiam a mesma importância que as caravelas - lá tinham as suas razões: ambas dominavam os mares no Golfo da Guiné - Jodocus Hondius (1606; 1628 or 1633)...Bertius (1649), mapas onde as canoas não são ignoradas


O PASSADO JÁ NÃO PODE SER ALTERADO, REPETIDO OU MODIFICADO: A ligação histórica, afetiva e cultural de Portugal, é indubitável, com as Ilhas Verdes do Equador, tanto S. Tomé e Príncipe, como Ano Bom e Bioko, ex-Ferando Pó, - Só que, muito antes dos portugueses, ali terem desembarcado, havia outra realidade que nunca foi dita e persiste em ser ignorada
Deve ser investigada e estudada sem preconceitos ou reservas de qualquer espécie para melhor compreensão da origem de um pouco e da própria identidade
Os tempos já não se compadecem, nem com obscurantismos nem com hipocrisias ou submissões mas devem ser de frontalidade e de esclarecimento. Só compreendendo as verdadeiras raízes históricas, se alicerça o momento presente e se parte com coragem e determinação para os desafios do futuro.
Pouco tempo após ter desembarcado em S. Tomé, em 1963, fiquei logo com a impressão de que as ilhas, eram possuidoras de uma história muito mais antiga, que a admitida pelo colonialismo. Aos povos africanos, situados no litoral e a sul de São Tomé, não teria sido difícil aproveitar a direção dos ventos e das correntes.


Do alto das velhas muralhas do Fortim de São Jerónimo, onde tantas vezes olhava a espuma que ali ia rebentar nas rochas negras e contemplava o mar ao largo, sim, muitas vezes ali me envolvi em prolongadas cogitações. E só via o mar... Só pensava, obsessivamente, nas distâncias e nas entranhas do mar.!.. Olhava-o com pasmo e respeito, mas queria sentir-me também parte dele! Ser mais um elemento do mítico e misterioso oceano! Ir por ali a fora numa das ágeis pirogas.! Desvendar segredos esquecidos no tempo!

Oh, e quantas vezes ali mesmo, não experimentei as estreitíssimas cascas de noz, navegando em frente ou embicando na areia da pequena praia ao lado, naqueles meus habituais treinos, ao Domingo, vindo da Praia Lagarto (ao fundo da descida a caminho do aeroporto), passando em frente da Baía Ana Chaves, Fortaleza de São Sebastião, costa da marginal, Praia Pequena e ponta do Forte de São Jerónimo -e, por vezes, ainda um pouco mais a sul, à Praia do Pantufo.São Jerónimo era geralmente a baliza de chegada e de retorno ... E, também, muitas vezes ao fim da tarde e pela noite adentro, era o meu local preferido (até por ficar um pouco isolado e retirado da cidade) para me familiarizar profundamente com o mar.
Lembrava-me das façanhas dos pescadores são-tomenses, dos seus antepassados que demandaram as ilhas, dos barcos negreiros que ali aportaram e também dos nossos marinheiros (antes desse vil mercado) que por aquelas águas navegaram; imaginava quantos naufrágios e sofrimentos aqueles mares, já não teriam causado.
Sabia dos muitos perigos que me podiam esperar - não os desdenhava! - mas entregava-me ao oceano de coração aberto, possuído de uma enorme paixão, em demanda dos grandes espaços e de uma infinita liberdade, tal qual as aves migradoras! Olhava-o como se fosse já meu familiar e meu amigo. Embora sabendo que a sua face, quando acometida de irascível crueldade, havia sido palco de muitas tragédias, havia engolido muitos barcos e tragado muitas vidas. Contudo, eu não ia ali apenas movido pelo prazer da aventura: só por isso, não sei se compensaria... Mas orientado por razões mais fortesHavia algo, no fundo de mim, impelido como que por um pendor sobrenatural inexplicável que me fazia acreditar que, mesmo que apanhasse alguns sustos, tal como já havia acontecido em anteriores viagens, lá haveria de sobreviver e de me safar!.
O mar também é generoso quando quer ... A sorte protege os audazes e acreditava que o mar haveria de compreender os objetivos pelos quais que norteava o meu espírito e a minha temeridade.
Quando Luís de Camões escreveu na estância XII do V Canto de "Os Lusíadas"
"Sempre, enfim, para o Austro a aguda proa,
No grandíssimo golfão nos metemos,
Deixando a Serra aspérrima Leoa,
Co Cabo a quem das Palmas nome demos.
O grande rio, onde batendo soa
O mar nas praias notas, que ali temos,
Ficou, coa Ilha ilustre, que tomou
O nome dum que o lado a Deus tocou."
"O contributo dos Portugueses para uma nova visão do Mundo e da Natureza é essencialmente informativo e empírico (baseado nos sentidos). Como escreveu Pedro Nunes: “os descobrimentos de costas, ilhas e terras firmes não se fizeram indo a acertar…” Pois os nossos marinheiros: “…levavam cartas muito particularmente rumadas e não já as que os antigos levavam"
"Enquanto os gregos avançavam na área da cartografia, os romanos estavam ainda num estágio anterior. Utilizando uma forma de representação primitiva, situavam Roma no centro do Mundo e davam maior importância ao registo de rotas" (..)Durante muitos séculos, os mapas foram um privilégio das elites – apenas reis, nobres, alto clero e grandes navegadores e armadores tinham acesso a esse tipo de informação. Só com a invenção da imprensa de Gutenberg, em meados do século XV, os mapas puderam ser mais amplamente utilizados. " In. Uma nova visão do Mundo - contributo português

AS CANOAS DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE SÃO MAIS PEQUENAS QUE AS DO LITORAL AFRICANO - As ilhas são montanhosas e as roças também não permitiam o abate de grandes árvores - Mas a ligação dos primeiros povos foi realizada a partir da costa africana para as ilhas à vela e a remos. Atualmente, são frequentes as viagens da Nigéria para São Tomé, com auxílio de motores fora de borda- O regresso é feito à veja e a motor.
ILHAS DO PACÍFICO - Povoadas por navegadores de canoas - Tal como refere o autor do livro "O OCEANO PACÍFICO" L.F. Hobleiy - Quando os europeus chegaram ao Pacífico, praticamente todos os habitantes das suas ilhas como das suas praias eram de origem asiática.
Esses extraordinários navegadores, que foram chamados, com propriedade, "os navegadores supremos da história, devassaram todo o Pacífico e colonizaram todas as ilhas, algumas delas isoladas a milhares de milhas da vizinha mais próxima e não dispondo de bússola ou qualquer instrumento náutico.
Estas canoas, protagonistas de tão fabulosas viagens, eram construídas com pranchas de madeira, com entalhes nos bordos, unidas e fixadas com fibras de coqueiro. Algumas dispunham de um estabilizador lateral, espécie de flutuador mantido a uma certa distância dum dos bordos da canoa por uma armação de madeira e destinado a evitar que aquela se voltasse.
Outras eram construídas por dois cascos , unidos a meio por uma armação sobre a qual se levantava um castelo. Envergavam velas latinas, de esteira, dispunham de remos para quarenta e cem homens e transportavam como alimento, nas suas viagens, galinhas, frutos e carne, envolvidos em folhas de palmeiras e cocos, que serviam de combustível e bebida. Levavam também água no interior oco de compridos bambus, e ainda animais vivos, como porcos, cães e aves domésticas
Os antepassados dos atuais índios da América, vindos da Ásia, atravessaram o estreito de Beringna Idade da Pedra- há cerca de 10 mil anos - espalharam-se pouco a pouco pela , até à América do Sul
Também os chineses teriam atravessado o Pacífico antes dos europeus, a dar-se crédito às histórias da exploração de Hee Li à costa americana., perto de São Francisco, no ano 200 antes de Cristo.
Durante o império romano, os marinheiros gregos aprenderam os segredos das monções e correntes marítimas do oceano Pacífico Ocidental, ao longo da costa sul da China. Quando, porém, o império romano se desmoronou, também esse tráfico marítimo se perdeu e com ele o conhecimento do Extremo Oriente. Depois, foram os comerciantes árabes que estabeleceram um entreposto comercial em Cantão, cerca do ano 300 , e durante mais de quatro séculos os navios árabes cruzaram estas paragens.
Ilhas maravilhosas! - Verdadeiros paraísos verdejantes, orlados de espuma, situados no Equador! Perdidos como frondosas umbelas de Deus no meio do mundo. Comemoram, no próximo dia 12 de Julho, 36 anos sobre a data da sua independência. Mas o seu passado histórico é bem mais longínquo, que o apregoado pelos manuais da colonização.
A história nunca pode ser riscada ou apagada do tempo e da vida - Sejam quais forem as origens, as suas transformações ou adversidades: há que recordar as suas páginas - Os seres humanos, que surgiram na África Oriental há cerca de 2,5 milhões de anos, seja em que ponto for da Terra, são fruto de uma amálgama de origens, de cruzamentos, de fatores, que advém de um ínfimo mas milagroso acaso.
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