expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

domingo, 22 de março de 2020

Em São Tomé e Principe -" Quando o Luar caiu e tingiu de escuro os verdes da ilha- - Pela voz do poema de Conceição Lima

Em São Tomé e Principe -" Quando o Luar caiu e tingiu de escuro os verdes da ilha- - Pela voz do Poema de Conceição Lima - Nestes dias de incerteza, solidão e angústia, vale a pena meditar, rezar ou ter à mão, como lenitivo a leitura da bela poesia ou da sentida e profunda oração - Leia os belos poemas de Conceição Lima e retomará naturalmente, a tão desejada tranquilidade - Um novo estímulo ou fôlego espiritual - Sugestão de Jorge Trabulo Marques 





Embora não sendo recentes, os versos que tomei a liberdade de recordar, dir-se-á que, de algum modo, se refetem no sentimento de ausência e da incerteza dos dias que passam - Até porque, a palavra poética, contém o dom de fazer refetir e de acalentar ou de acalmar,mesmo quando pelos versos perpassa a dor ou o sofrimento da perda ou do amor não correspondido

"QUANDO O LUAR"


"Quando o luar caiu e
tingiu de escuro os verdes da ilha
cheguei, mas tu já não eras.

Cheguei quando as sombras revelavam
os murmúrios do teu corpo
e não eras.
Cheguei para despojar de limites o teu nome.
Não eras.

As nuvens estão densas de ti
sustentam a tua ausência
recusam o ocaso do teu corpo
mas nao és.tingiu de escuro os verdes da ilha
cheguei, mas tu já não eras.

Cheguei quando as sombras revelavam
os murmúrios do teu corpo
e não eras.
Cheguei para despojar de limites o teu nome.
Não eras.

As nuvens estão densas de ti
sustentam a tua ausência"

"INEGÁVEL

Por dote recebi-te à nascença
e conheço em minha voz a tua fala.
No teu âmago, como a semente na fruta
o verso no poema, existo.
Casa marinha, fonte não eleita
a ti pertenço e chamo-te minha
como à mãe que não escolhi
e contudo amo.
MÃO
Toma o ventre da terra
e planta no pedaço que te cabe
esta raiz enxertada de epitáfios.

Não seja tua lágrima a maldição
que seqüestra o ímpeto do grão
levanta do pó a nudez dos ossos,
a estilhaçada mão
e semeia
girassóis ou sinos, não importa
se agora uma gota anuncia
o latente odor dos tomateiros
a viva hora dos teus dedos.



"NADA É TÃO REAL COMO ESTA MORADA"

Nada é tão real como esta morada
de esplendor e solidão
onde recusamos atraiçoar
a promessa da luz.
Anunciados fomos antes dos erros
enganos e perfídias.
Uma a uma apagaremos
as estrelas de mentira
Removeremos dos caminhos o lixo
e os entraves
Abraçaremos as lavras, sacudiremos
dos livros a poeira.
Nenhum vestígio dos altares erguidos
a deuses absurdos.


Conceição Lima (São Tomé e Príncipe,1961). Poeta e jornalista, licenciada em Estudos Africanos, Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres e mestre em Estudos Africanos pela School of Oriental and African Studies de Londres. 


Pela Editorial Caminho, de Lisboa, publicou os seguintes livros de poesia:  O Útero da Casa (2004), A Dolorosa Raiz do Micondó (1ª edição 2006, 2ª dição 2008) e O País de Akendenguê (2011).  Em 2015, publicou Quando Florirem os Salambás no Tecto do Pico. A Dolorosa Raiz do Micondó foi selecionado, em 2014 pelo Programa Nacional de Bibliotecas Escolares do Brasil, PNBE, com uma tiragem de 32.000 exemplares.
 https://revistaphilos.com/2019/11/07/quatro-poemas-santomenses-por-conceicao-lima/

Nenhum comentário :