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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

S. Tomé – Golpes ou golpismos no regime de Patrice Trovoada - Ex-PM Jorge Bom Jesus, líder do MLSTP, denuncia “o golpe (de teatro) sangrento da madrugada de 25 de novembro, como mais uma intentona, uma invenção, que tingiu de rubro o Oásis de paz do Golfo da Guiné…” – Enquanto cidadãos da diáspora, promovem uma petição dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas, Eng António Guterres, contra o que consideram” o mais trágico momento da sua história nos últimos 50 anos”

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - SÓ NO REGIME OPRESSIVO E POLÉMICO  DE PATRICE TROVOADA, OCORREM ESTES EPISÓDIOS - Quem já se esqueceu dos três espanhois, que foram conduzidos a uma armadilha, traídos e humilhados por encenação golpista de Agosto de 2018? 

Agosto 2018
Nov. 2022 

ESTRANHAS SEMELHANÇAS?  30/12/2018 Liberados los tres españoles acusados de un golpe de Estado en Santo Tomé  — Tras pasar casi cinco meses presos en Santo Tomé y Príncipe, acusados de participar en una intentona golpista, tres ciudadanos españoles ...El juez archiva el caso y el nuevo Gobierno dice que la acusación fue un "montaje" https://elpais.com/politica/2018/12/29/actualidad/1546107803_412899.html

 12/12/2018 — Golpe de libertad de los tres soldados españoles procesados en Santo Tomé ... Ciento veinticinco son los días que Marco, Orlando y José Manuel han permanecido encarcelados en reclusión preventiva en la única prisión de Santo Tomé y Príncipe, acusados de intentar dar un golpe de Estado. Olvidados en España, excepto por sus familias, y visitados a diario por feroces mosquitos. https://www.elmundo.es/cronica/2018/12/12/5c018669fc6c83d7478b46af.html

Num artigo publicado no jornal on-line, Telanon, o ex-PM, Jorge Bom Jesus, líder do maior partido da oposição nesta última terça-feira, pede à “comunidade internacional, incluindo parceiros bilaterais e multilaterais e ONGs internacionais, todos aqueles que têm suportado técnica e financeiramente o desenvolvimento humano e o processo democrático inclusivo do país, que nos ajudem, por via de inquérito sério, aturado e imparcial, a desvendar os contornos desse “Golpe. – Pormenores mais adiante.

Nov 2022
Fev 1953

Aliás, já em entrevista, em Lisboa, à DW África, o presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD) afirmou que o que aconteceu foi um assalto ao quartel protagonizado por "meliantes", que está agora a ser aproveitado pelo Governo para perseguir opositores políticos.https://www.dw.com/pt-002/s%C3%A3o-tom%C3%A9-e-pr%C3%ADncipe-golpe-de-estado-%C3%A9-uma-inven%C3%A7%C3%A3o/a-63991920

Também um grupo e cidadãos e amigos de São Tomé e Príncipe, está a promover uma petição pública, iniciada no facebok, em Voz de S. Tomé, por Danilo Salvaterra, https://www.facebook.com/groups/379932825519683/permalink/2284235938422686 lembrando aos ministros e a outros altos responsáveis, que “não se pode esquecer que há responsabilidades colectivas mesmo que não tenha praticado." . . . a justiça tem que chegar até aqueles homens que se arrogam um grande poder e que, baseando-se nele e depois de prévia consulta entre eles provocam uma desgraça. ..”

A denúncia, agora também divulgada e subscrita noutro espaço da google, cujo linke aqui passo  de seguida a indicar, é dirigia ao   Eng. António Guterres Secretário-Geral das Nações Unidas, “ manifestando “a nossa consternação face à atual conjuntura política de insegurança coletiva que vivemos no país, a partir do passado 25 de novembro, data em que foi anunciada uma alegada tentativa de golpe de Estado, ocorrida na noite anterior.

Foi com choque e horror crescente que fomos seguindo as notícias, em primeira mão veiculadas oficialmente pelo Senhor Primeiro-Ministro e Chefe do Governo, Patrice Trovoada, qualificando os factos como tentativa de golpe de Estado, proferindo acusações expressas a presumíveis mandantes e anunciando de forma tranquilizadora à população, a não ocorrência/existência de vítimas mortais”. https://www.change.org/p/somos-um-grupo-de-cidad%C3%A3os-e-amigos-de-s%C3%A3o-tom%C3%A9-e-pr%C3%ADncipe-pequeno-pa%C3%ADs-do-golfo-da-guin%C3%A9-que-na-semana-passada-experienciou-o-mais-tr%C3%A1gico-momento-da-sua-hist%C3%B3ria-nos-%C3%BAltimos-50-anos?signed=true

O golpe (de teatro) sangrento que tingiu de rubro o Oásis de paz do Golfo da Guiné…

Jorge Bom Jesus, ausente do pais para participar num encontro internacional em Espanha, diz que o que aconteceu a 25 de novembro, foi um assalto de "meliantes" a um quartel, que estará agora a ser usado para "aniquilar opositores". E pede também à Senhora Presidente da Augusta Assembleia Nacional que usando os seus bons ofícios, convença a Assembleia Nacional a reconsiderar legítima petição do MLSTP/PSD, quanto ao debate de urgência sobre o Golpe.

 "As redes sociais muitas vezes criticadas e até diabolizadas pelos excessos cometidos ou por défice de rigor na comunicação informal de massa, desta vez, esta ferramenta está a prestar um valioso serviço a nação são-tomense, ao trazer paulatinamente a ribalta, uma semana depois, factos irrefutáveis ( testemunhos, vídeos e imagens de terror no Quartel das Forças Armadas) que vêm repôr a veracidade dos acontecimentos, ajudar a sedimentar a verdade histórica e contribuir com ingredientes valiosamente objetivos na investigação, na imparcialidade da Justiça e no esclarecimento cabal da comunidade nacional e internacional, sobre esse verdadeiramente falso ou falsamente verdadeiro hediondo “Golpe …”.

Caras e caros são-tomenses, de Caué à RAP, dentro e fora do País.
O que aconteceu na sexta-feira 25 de Novembro, em S.Tomé e Príncipe é demasiado grave e escapa a qualquer raciocínio e enquadramento lógico. São cenários de horror, carregados de muito ódio e monstruosidade animalesca, enfim, coisas da pré-história, de homem-fera, doutros tempos, outras latitudes e outras culturas e que me deixam desarmado perante a quantidade e qualidade da educação ministrada no nosso país, mormente educação para cidadania e para os valores. Por esse andar é melhor o relacionamento de “peixe com peixe no mar”.

Famílias destroçadas; vidas dilaceradas sem norte; cicatrizes psicológicas indeléveis. Quanto tempo e qual preço a pagar por tanto trauma e tamanha tragédia humana?

Patrice Trovoada no seu estilo Rambo

Fisicamente ausente, por força das circunstâncias, acompanho ao pormenor a evolução dos acontecimentos no país, seja pela sintonia com a Direção do meu Partido, seja por outras fontes documentais, redes sociais ou pessoas, sem esquecer a absoluta necessidade de se sensibilizar a comunidade internacional e os “Médias” estrangeiros, para a gravidade da situação política reinante no país e o atropelo grosseiro aos direitos humanos, liberdades e garantias dos cidadãos são-tomenses.



Fev 1953
Novembro 2022

De facto, durante quase quatro anos de governação do XVII governo ( Dez 2018 / Nov 2022), que tive a honra de chefiar, num contexto mundial difícil, em coabitação política, com mais de dois anos de crise sanitária Covid-19 e seu corolário, acrescido do cortejo de infortúnios, nomeadamente, naufrágio do navio “Anfrititi”, as enxurradas nunca antes vistas, a epidemia da dengue, entre outras contrariedades e imponderáveis, apesar dos altos e baixos, inerentes a qualquer governação, assegurou-se alguma estabilidade política, paz social, garantia da liberdade de expressão e respeito por outros direitos fundamentais da pessoa humana, valores raros nos dias que correm.
Por isso chegamos a simplesmente triste conclusão:

Depois de quatro anos de ausência, bastaram dois meses após as eleições de 25 de Setembro último, ganhas pelo partido ADI; 14 dias de governação do novo poder(XVIII Governo), ainda antes das mudanças de todos os diretores e outros decisores intermédios, ainda sem um programa do governo aprovado; sem o OGE aprovado, o País vive uma realidade inédita, o prenúncio dos novos tempos (“ L’Etat c’est moi”) – corroboram essas evidências, o sangue das vidas prematuramente ceifadas no dia 25, entre as quais a de Arlécio; mais de uma dezena de militares detidos; a detenção do deputado Delfim Neves no Quartel das Forças Armadas para interrogatório; o massacre dos detidos na câmara da morte, envolvendo, no interrogatório, figuras femininas militares, sem o mínimo de deontologia sobre saúde militar.

A propósito, importa realçar que li um artigo que colocou uma pertinente questão sobre esse alegado “Golpe”:

ESTA É A REFORMA TRANQUILA DE P.TROVOADA



“Tentativa de golpe de Estado ou estratégia para aniquilar inimigos?”
Efetivamente, com o pedido de demissão do Brigadeiro Olinto Paquete, inconformado com tamanha falsidade que o induziu em erro, bem com
o a chocante violência das imagens divulgadas, um clarão de verdade acende na escuridão do túnel.

O Brigadeiro Paquete afirmara ter sido enganado. Quem ou que equipa é que forjou essas informações falsas?

Preventivamente exige-se que outros oficiais ligados à barbárie devam ser demitidos. O mesmo deve acontecer com as senhoras militares assinaladas nas imagens.

A imagem das Forças Armadas tem que ser rapidamente resgatada – Forças republicanas para defender o Pais e o povo e não para matar os filhos do povo.
Espero ser essa, a missão do novo Brigadeiro, portanto, expurgar das Forças Armadas os elementos nocivos.
Pode- se chamar a responsabilidade todos os intervenientes nesse processo do “Golpe”, porém há um governo e o governo é liderado por um chefe que deve assumir toda a responsabilidade e as consequências.

Por conseguinte, enquanto cidadão, enquanto ex-Primeiro Ministro e ainda enquanto Presidente do maior partido da oposição, peço a V.Exa. Senhora Presidente da Augusta Assembleia Nacional que usando os seus bons ofícios, convença a Assembleia Nacional a reconsiderar legítima petição do MLSTP/PSD, quanto ao debate de urgência sobre o Golpe.

De igual modo não posso deixar de pedir a Sua Exa. O Presidente da República, que assuma um papel mais interventivo e use a sua magistratura de influência, que seja o garante da Constituição, mas acima de tudo, que seja o primeiro protetor de todos os são-tomenses, sem exceção.

A comunidade internacional, incluindo parceiros bilaterais e multilaterais e ONGs internacionais, todos aqueles que têm suportado técnica e financeiramente o desenvolvimento humano e o processo democrático inclusivo do país, que nos ajudem, por via de inquérito sério, aturado e imparcial, a desvendar os contornos desse “Golpe”, no sentido do apuramento da verdade, doa a quem doer. A maneira como lidarmos com esse processo pode ser nossa salvação ou nosso inferno.

O MLSTP-PSD, partido da independência do país, ainda acredita nos parceiros e na força das instituições democráticas. Continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma responsável e dedicada, para que a verdade seja exposta. O futuro de STP depende da seriedade das investigações e dos investigadores. Alguns países têm adidos de defesa junto das autoridades são-tomenses. Ajudem-nos a prevenir conflitos e a preservar a paz, um recurso escasso na nossa sub-região.

EM STP somos tão poucos, somos tão parentes uns dos outros, precisamos tanto de todos para avançar coesa e coletivamente!

No livro de História de STP, um capítulo fechou-se no dia 25/11/022, um outro se vai abrir – talvez não seja o fim do sonho, porque os homens passam, as instituições e o povo ficam, permanecem perenes como os ideais.
Que Deus abençoe São Tomé e Príncipe. STP- Tela.

Jorge Lopes Bom Jesus.  
https://www.telanon.info/politica/2022/12/06/39357/o-golpe-de-teatro-sangrento-que-tingiu-de-rubro-o-oasis-de-paz-do-golfo-da-guine/


segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

São Tomé – Conceição lima - Antologia poética da poetiza e jornalista, vai ser editada nos Estados Unidos da América - País onde o seu poema Afroinsularidade, já foi distinguido em 2021

 Jorge Trabulo  Marques - Jornalista

Refere a Agência STP-Press, que “antologia poética da poetisa e jornalista são-tomense, Conceição Lima, vai ser editada nos Estados Unidos de América, – revelou David Shutt, tradutor e crítico norte-americano que se encontra em São Tomé e Príncipe com esse objetivo

De recordar que, o poema ‘’Afroinsularidade’’ de Conceição Lima, foi  vencedor ex aequo em concurso de tradução nos EUA entre mais de 600 poemas e 327 poetas, em Setembro de 2021, organizado pela prestigiada revista literária Word Without Borders, em parceria com a Academia Americana de Poetas, anunciado num evento especial do Brooklin Book Festival, com recital pelos vencedores.

MAIS UMA HONORSA DISTINÇÃO - Agora com a tradução da sua obra

David, tradutor e crítico norte-americano disse à Imprensa que encontra-se em São Tomé e Príncipe para reunir com Conceição Lima e proceder a tradução de quatro obras literárias e outras peças inéditas dessa poetisa a serem publicadas em Dezembro de 2024.

Evocando ausência nos Estados Unidos de poesia africana, David Shutt assinala que as poesias de Conceição Lima “são consideradas um tesouro para o mundo”.

“Ela [Conceição Lima] com a sua poesia, marca uma presença viva de São Tomé Príncipe no mundo”, entende David Shutt.

Assinale-se que Conceição Lima é a poetisa são-tomense com mais obras publicadas em vários países, em várias línguas estrangeiras, com destaque para inglês, alemão, italiano, francês, árabe e chego.

Conceição Lima, recorde-se, é autora de várias obras literárias, das quais: O País de Akendenguê, A Dolorosa Raiz do Micondó e Útero da Casa.

Deassinalara, também, que, a  Jornalista e Poetiza das Ilhas Verdes do Equador, foi nomeada Coordenadora do Movimento Poético Mundial para São Tomé e Príncipe. É a primeira vez que STP tem representação no MPM. 


Maria da Conceição de Deus Lima, nasceu em Santana, atual vila e capital do distrito de Cantagalo, em 8 de Dezembro de 1961, mais conhecida por Conceição Lima ou São de Deus Lima, creio que em resultado da admiração, do carinho, simpatia e da popularidade, que goza no seu país, possuidora de uma obra poética que tem sido objeto de vários estudos de Mestrado e de doutoramento em universidades portuguesas e sobretudo brasileiras e também o nome mais traduzido da literatura são-tomense, nomeadamente nas línguas alemã, árabe, francesa, italiana, galega, espanhola, inglesa, servo-croata, turca e shona.

Desde os anos 80 que Maria da Conceição Costa de Deus Lima, descobriu os caminhos da poesia, contudo, e, como geralmente acontece aos maiores poetas, a poesia é como voo de ave: voa ou voga, simplesmente, através dos grandes espaços ou mares da sensibilidade e da imaginação, sem, todavia, ter pouso seguro. Vão-se fixando instantes, na sebenta do dia a dia, sem contudo haver a preocupação de os transformar em livro ou de lograr um porto de arribação – Em suma, vai-se viajando:
“Os barcos regressam
carregados de cidades e distância

Adormecem os grilos
Uma criança escuta a concavidade de um búzio.
Talvez seja o momento de outra viagem
Na proa, decerto, a decisão da viragem”


Indubitavelmente, uma das mais reputadas jornalistas são-tomenses, que tem pela poesia uma enorme paixão. Formada em Lisboa e no King's College de Londres, começou por publicar poemas dispersos em jornais e revistas e integra diversas antologias poéticas internacionais

Na capital britânica trabalhou como jornalista e produtora dos serviços de língua portuguesa da BBC. Apesar de uma longa carreira como jornalista, a escrita poética sempre fez parte da sua vida. Aos 19 anos viajou para Angola e participou na VI Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos, onde recitou alguns dos seus poemas. Foi provavelmente a mais jovem a fazê-lo. Desde então já publicou dezenas de poemas em jornais, revistas, e antologias em vários países. Em 2004, publicou ‘O Útero da Casa’ e em 2006 lançou ‘A Dolorosa Raiz do Micondó’. ‘O País de Akendenguê’ é o último título editado

A MÃO
Toma o ventre da terra
e planta no pedaço que te cabe
esta raiz enxertada de epitáfios.
Não seja tua lágrima a maldição
que seqüestra o ímpeto do grão
levanta do pó a nudez dos ossos,
a estilhaçada mão
e semeia
girassóis ou sinos, não importa
se agora uma gota anuncia
o latente odor dos tomateiros
a viva hora dos teus dedos.

domingo, 4 de dezembro de 2022

Guiné Equatorial – Ilha de Bioko 04-12-1975 -Neste dia, era libertado da prisão Playa Negra, conhecida por Blak Beach – Bem-haja Presidente Obiang pelo seu corajoso gesto, ao contrariar as ordens de execução do seu tio o então Presidente Francisco Macias - E meus parabéns pela sua reeleição.

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista e antigo navegador solitário em pirogas de S. Tomé -                                                 Líder da 1ª escalada ao Pico Cão Grande  






Que Deus o proteja Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo! - Há 47 anos, este dia 4 de Dezembro de 1975, podia ter sido o último dia da minha vida, mas salvei-me graças à sua generosidade, sensibilidade e humanismo, naquele distante mas inesquecível dia 

Sabendo que acaba de ser reeleito para continuar à frente da Presidência e dos destinos da Guiné Equatorial, aproveito também a oportunidade para o felicitar por mais esta grande prova de  renovação da confiança, que lhe foi  manifestada, rogando  a Deus que o proteja e lhe proporcione a saúde e  o mesmo querer, ânimo e  determinação para servir o seu amado país, em prol do seu progresso e bem-estar



Sim, noticias confirmam que, em 26 de Novembro, a Comissão Nacional Eleitoral proclamou o candidato Obiang Nguema Mbasogo presidente da Guiné Equatorial para os próximos sete anos", anunciou o presidente do órgão eleitoral, Faustino Ndong Esono Eyang. Com estes resultados, Obiang obtém um sexto mandato à frente deste pequeno país do centro-oeste africano, rico em hidrocarbonetos, que se tornou independente da Espanha em 1968. A Comissão Eleitoral informou que a participação nas eleições realizadas em 20 de novembro foi de 98%


.FINALMENTE LIBERTADO - Depois de 38 dias à deriva numa frágil piroga, ainda mais alguns dias numa sinistra cela, por ter sido tomado por espião. 

Depois de 38 dias, numa frágil piroga,  desde a ilha de Ano-Bom, situada a 350 km da costa oeste do continente africano e 180 km a sudoeste da ilha de São Tomé, após ter acostado na Ilha de Bioko, ambas do mesmo país,  sou tomado por espião e depois de ter passado a primeira noite nos calabouços de uma esquadra, sou transferido algemado para a cadeia central, o famigerado cárcere, no qual foram encarcerados, torturadas até à morte centenas de pessoas

Aproximação à Ilha de Bioko Nov 1975

Despojado de tudo, sem dinheiro no bolso, sem outra fortuna que não a riqueza da dolorosa experiência por que acabava de passar, tive a  felicidade acostar a um discreto recanto da costa da Ilha de Bioko, antiga Ilha de  Fernando Pó, descoberta pelo português do mesmo nome 

 Da minha miserável e nauseabunda cela, pessoalmente pude testemunhar os gritos lancinantes de sofrimento e de pavor de algumas dessas vitimas, ao serem espancadas pouco antes de serem enforcadas, o que acontecia todos os dias a partir do anoitecer.

Na manhã do dia 4 de Dezembro, quando menos esperava, um carcereiro chegou à porta da minha cela, algemou-me e ordenou-me que o acompanhasse - Senti logo um embate no meu coração, que não deveria ser levado para melhor destino - Mal transpus a cela, sou imediatamente agarrado por outro guarda, tendo à minha frente o Comissário da Cadeia, que já me tinha torturado com infindáveis interrogatórios para me conduzirem ao sítio das execuções.

Sucedeu, porém, que, por um feliz acaso, talvez milagroso (pelos vistos, a sorte protege os audazes), soa o telefone no corredor da morte - Era o então o Comandante Teodoro Obaing Nguema Mbasongo, atual Presidente da República da Guiné Equatorial, sobrinho do todo poderoso, Francisco Macías Nguema, a ordenar ao Comissário da Prisão para ser conduzido à presença, ao gabinete do então supremo comandante das policias e das forças armadas, que me recebeu, inicialmente de forma austera e desconfiada: com estas palavras: " O que se passa contigo?!... Porque te meteste num canuco e o que vieste aqui fazer?!.. Lamento mas tenho que cumprir as ordens de Sua Excelência e tenho de o executar hoje!...

Respondi-lhe que era um náufrago e para me soltarem as algemas e lhe mostrar a mensagem do MLSTP, que trazia no bolso atrás das minhas calças - Como estava carimbada, não duvidou da sua autenticidade e, ao sentar-se na sua cadeira de vime(enquanto eu ia permanecendo sempre de pé e à sua frente) me passou a questionar de forma mais descontraída e simpática

Bom, lá tive que voltar a repetir o que já havida dito várias vezes, que não era espião e as razões pelas quais me havia metido na canoa e ido ali parar - Mas, quando o vi soltar uma gargalhada e pedir-me para que lhe contasse mais alguns pormenores dos meus longos dias no mar, disse cá para os meus botões: este é dos meus!... Estou a ver que está a gostar da minha aventura. Por volta do meio-dia, depois de me ouvir, ordenava ao Comissário para me soltarem

A MENSAGEM do MSLTP, QUE ME SALVOU A VIDA - Que se destinava ao povo Brasileiro, assinada por José Fret Lau Chong, ministro da Informação, Justiça e Trabalho …., aproveitando a travessia atlântica do camarada Jorge Trabulo Marques, que servindo-se de uma simples canoa, vai percorrer o mar, de S. Tomé ao Brasil, evocando a rota por que, na era retrógrada, os escravos eram conduzidos para as plantações da cana do açúcar, o povo de S. Tomé e Príncipe, representado pela sua vanguarda revolucionária, o MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE (MLSTP), saúda fraternal e calorosamente, o povo irmão do Brasil" -



A minha prisão ocorreu no reinado do supremo terror de Francisco Macias, o primeiro presidente da Guiné Equatorial pós-colonial de 1968 a 1979.. Ao longo de sua ditadura, ele cultivou um culto extremo à sua personalidade .

É referido que, "durante os anos que esteve no poder, estima-se que até 80 000 pessoas tenham sido mortas (de uma população de 400 000 na época) por seu regime. Ele já foi comparado a homens como Pol Pot devido à natureza violenta, imprevisível e anti-intelectual de seu governo.


Macías mudou o nome da capital, Santa Isabel, para Malabo, e o nome da ilha de Fernando Poo para o seu próprio, Macías Nguema. Em 1974, uma comissão internacional publicou um relatório classificando seu regime como o mais brutal do mundo

A 3 de agosto de 1979, seu sobrinho Teodoro Obiang Nguema Mbasogo organizou, com a ajuda de parte do exército, um golpe de estado que derrubou Francisco Macías

Na viagem à Nigéria, levei as duas bandeiras: a de São Tomé e Príncipe e a de Portugal Mas, nesta viagem, apenas levei o pavilhão do jovem país independente aonde regressei sem um centavo na algibeira e onde encontrei todo o apoio que precisei para mandar construir a canoa e para a aparelhar.- Sim, e donde parti para grande aventura. No meu cárcere, em Bioko, um de dia resolvi hastear a Bandeira Nacional de São Tomé e Príncipe, - Quando o carcereiro, que, de volta e meia vinha espreitar a minha cela, topou, mas que heresia!... Foi buscar imediatamente a chave da cela e, ao entrar lá dentro, deu-me um empurrão contra a parede, e, ao mesmo tempo que agarrava nela e a amachucava, levando-a, berrava: "Su mercenário! ¿Qué descaro!! Qué falta de vergüenza!!

POUCOS DIAS DE CATIVEIRO, MAS AUTÊNTICAS ETERNIDADES - QUEM NÃO RECEBESSE COMIDA DO EXTERIOR, MORRIA DE FOME

A cadeia não fornecia alimentação: tinham de ser os familiares. Nos primeiros dias, quem me passou alguma comida (massa de mandioca, regada com óleo de palma, que mais das vezes a vomitava para a lata das necessidades, pois eu estava magríssimo e, o meu estômago, já não estava habituado a comer alimentos sólidos, há muitos dias), sim, quem me deu alguma comida, foram os próprios condenados, que trepavam curiosos à minha janela gradeada, durante o curto recreio que dispunham, num átrio para a qual a minha cela estava voltada. Creio que, naquela altura, devia ser o único europeu preso. Agora, depois que houve por lá uma tentativa fracassada de Golpe de Estado, em Março de 2004, estão lá presos alguns dos implicados. Mas nada que se compare às tenebrosas condições daqueles tempos.

Nos dias seguintes, passei a receber uma cestinha, com frutos e outros alimentos, por parte do barbeiro do Presidente Nguema, um amável são-tomense, que era também o representante diplomático e que ali tinha ido a seu mando para recolher informações a meu respeito - Para que não duvidasse das minhas intenções, pedi-lhe que lhe mostrasse uma mensagem autenticada pelo MLSTP, que lha entreguei para a mostrar ao Sr. Presidente - Mas ele no dia seguinte, devolveu-me, com ar de desapontamento e de tristeza, confessando-me que Sua Excelência ainda havia ficado mais desconfiado com este papel

- Então, agora, que acha que me vai suceder? - Perguntei

Respondeu-me, com este argumento: eu disse-lhe era verdade que o Sr. Jorge Marques queria atravessar o oceano numa canoa - Falei-lhe que tinha ouvido a entrevista que o Sr. Jorge, havia dado à Rádio Nacional, antes da sua partida, mas ele acha que é truque e que você é um espião e que tem de o condenar ... Bom, enquanto aqui estiver, eu posso trazer-lhe alguma comida.

Agradeci-lhe o generoso gesto da sua coragem e disponibilidade (sim, a quem daqui volto a mandar um carinhoso abraço de profundo eterna saudade, pois já não faz parte do mundo dos vivos), no entanto, ainda mais preocupado fiquei, pois comecei a imaginar, que se o Presidente Macias não acreditava no seu barceiro pessoal, era mesmo sinal que eu ia mesmo acabar por ser enforcado e passar pelos mesmos tormentos que se faziam ouvir de noite nos calabouços de tortura e de execução.

Sim, no dia 4 de Dezembro de 1975 quatro anos antes de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, ascender ao poder., havia-me chamado ao seu gabinete para saber a razão pela qual me havia metido num "canuco" e desembarcado ilegalmente numa das praias, pois o seu tio suspeitava que eu fosse um espião ao serviço do imperialismo americano para recolher secretamente informações e me juntar aos inimigos do povo - Claro, que na cabeça de Macias, não encaixava a ideia de que um europeu pudesse meter-se numa piroga para fazer uma aventura, que não fosse a de ter sido largado (nas proximidades) por um qualquer navio de guerra inimigo do seu regime.

Se não se desse a circunstância de possuir uma mensagem do MLSTP ao Povo Brasileiro, mas sobretudo graças à generosa e humanitária compreensão de seu sobrinho, Teodoro Obiang, sim, dificilmente teria escapado ao fuzilamento. Mesmo quando fui libertado, o seu sobrinho autorizara-me a permanecer na Ilha e até a aceitar o convite (que me havia feito o seu Comissário) para trabalhar nas fincas, dado ser técnico agrícola e ter experiências das roças. E ele gostar "muito do trabalho que os portugueses, ali haviam desenvolvido nas fincas" - Só que, o ditador Macias, continuava desconfiado e ordenou a minha imediata expulsão - Estava autorizado a sair mas não podia permanecer

No passaporte ficaria escrito que tinha quinze dias para partir de qualquer fronteira, mas não foi isso que sucedeu. E a minha sorte foi que nesse dia havia o avião da Ibéria, quando não teria que sair a nado - O pior é que ninguém queria pagar-me a viagem. E o avião não podia levantar voo sem mim. Foi um dilema para o comandante, que só foi resolvido duas horas depois da hora prevista da partida - Mas isso dá outra história

 

 Regressei a Malabo, Ilha de Bioko, há quatro  anos para agradecer a quem me salvou da execução.

Embaixador Tito Mba Ada

Tendo sido recebido pelo Secretário-geral do Partido Democrático da Guiné Equatorial, Jerónimo Osa Osa Ecoro, na véspera do VI Congresso Ordinário do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), acompanhado pelo Embaixador da Guiné Equatorial, em Lisboa, Tito Mba Ada, a quem devo o amável e honroso convite,  que diligenciou a  minha deslocação, a fim de poder apresentar, numa das intervenções do Congresso, o  público testemunho do meu reconhecimento por tão  corajoso e nobre gesto humanitário, muito antes de ascender à Presidência, contrariando as ordens recebidas do então auto-proclamado presidente vitalício, que insistia no meu enforcamento, não obstante o seu barbeiro pessoal - um santomense que enviou ao meu cárcere - lhe ter mostrado uma mensagem do MLSTP, que se destinava ao Povo Povo Brasileiro, caso concretizasse a travessia oceânica pela corrente equatorial, antiga rota da escravatura - Mesmo assim, ainda mais  desconfiado  ficou