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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Ilha de São Tomé - Descoberta, em 21 Dez. 1470, há 552 anos, dia do apóstolo que lhe deu o nome - “É preciso ver para crer” – Há 52 anos, prestei minha singela homenagem no Padrão dos descobrimentos, após ligação de canoa da baía de Ana Chaves àquele local e ali ter pernoitado – Erguendo a bandeira portuguesa, não em apologia à colonização mas à coragem, à bravura dos navegadores das frágeis caravelas João de Santarém e Pero Escobar.

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador 

Esta data é reconhecida pelos santomenses, com um triplo significado: - Assinala a  chegada dos Portugueses, em 21 de Dezembro de 1470,  à costa de São Tomé, pelos  navegadores portugueses, João de Santarém e Pero Escobar; a festa Católica Romana do dia de São ou Santo Tomás - E também a tomada de posse, em 21 de Dezembro de 1974, do Governo de Transição, liderado por Leonel Mário d´Alva, até à proclamação da independência a 12 de Julho de 1975.  

Viagem de S. Tomé ao Principe - 3 dias 

Estive no local do Padrão dos Descobrimentos, em Anabô,  há 52 anos a erguer a bandeira Portuguesa - Não tanto pela colonização posterior mas orgulho-me dos feitos dos bravos marinheiros portugueses, que, em frágeis caravelas, partindo de um pequeno país, que não ultrapassava um milhão de habitantes, demandaram por mares desconhecidos, deram a conhecer ao mundo novas terras, navegaram por todos os oceanos, mais deles perdendo a vida em dramáticos naufrágios

Admiro a coragem dos marinheiros portugueses mas questiono a colonização e os seus métodos - Há precisamente 52 anos, nas comemorações do V Centenário , fiz a ligação de canoa da capital da Ilha à praia onde se diz terem chegado as primeiras caravelas, desfraldando a bandeira portuguesa

O facto mereceu relevo na imprensa local, o mesmo não sucedeu quando, um mês depois parti de canoa clandestinamente de S. Tomé ao Príncipe, tendo sido espancado e preso pela PIDE - 


Em Novembro de 2014, voltei lá, mas agora com as duas bandeiras: a de S. Tomé e Príncipe e a de Portugal. Sim, depois de ter feito a travessia de canoa de S. Tomé à Nigéria, em 13 dias, e tentado a travessia oceânica, que, embora não o tendo conseguido, acabei por viver a experiência de náufrago, ao long
o de 38 dias, após o que acostei na Ilha de Bioko.longo de 38 dias, após o que acostei na Ilha de Bioko.


Não há certezas quanto à data exata da descoberta das ilhas  do Golfo da Guiné  - Admite-se, no entanto, que, a Ilha de S. Tomé, teria sido descoberta em 21 de Dezembro de 1470, dia do apóstolo S. Tomé, e , em 17 de Janeiro do ano seguinte,  a Ilha do Príncipe, por João de Santarém e  Pêro Escobar

A Ilha  de Ano Bom, a 565 km a sudoeste da parte continental da Guiné Equatorial e a cerca de 200 km a sul de São Tomé, foi descoberta  por volta de 1475, no 1º de janeiro, de dia de ano-bom - A Ilha de Fernando do Pó, atual Bioko,  foi descoberta pelo navegador do mesmo nome; admite-se que tenha sido em 1472 - Estas duas Ilhas, foram  possessão portuguesa entre 1474 e 1778, ano em passaram para a Coroa Espanhola,   pelo Tratado de El Pardo em troca de terras espanholas na América do Sul, que seriam posteriormente anexadas ao Brasil 

Mas não foi  no sítio onde se encontra o Padrão dos Descobrimentos, em Anabô, onde é suposto, anos mais tarde, ter começado a colonização e a exploração do açúcar, mas na Lagoa Azul, um pouco mais a sul daquela área, na pequena enseada de águas profundas e abrigada dos ventos



Do alto das velhas muralhas do Fortim de São Jerónimo, onde tantas vezes olhava a espuma que ali ia rebentar nas rochas negras e contemplava o mar ao largo, sim, muitas vezes ali me envolvi em prolongadas cogitações. E só via o mar... Só pensava, obsessivamente, nas distâncias e nas entranhas do mar.!.. Olhava-o com pasmo e respeito, mas queria sentir-me também parte dele! Ser mais um elemento do mítico e misterioso oceano! Ir por ali a fora numa das ágeis pirogas.! Desvendar segredos esquecidos no tempo!





Oh, e quantas vezes ali mesmo, não experimentei as estreitíssimas cascas de noz, navegando em frente ou embicando na areia da pequena praia ao lado, naqueles meus habituais treinos, ao Domingo, vindo da Praia Lagarto (ao fundo da descida a caminho do aeroporto), passando em frente da Baía Ana Chaves, Fortaleza de São Sebastião, costa da marginal, Praia Pequena e ponta do Forte de São Jerónimo -e, por vezes, ainda um pouco mais a sul, à Praia do Pantufo.


São Jerónimo era geralmente a baliza de chegada e de retorno ... E, também, muitas vezes ao fim da tarde e pela noite adentro, era o meu local preferido (até por ficar um pouco isolado e retirado da cidade) para me familiarizar profundamente com o mar.

Lembrava-me das façanhas dos pescadores são-tomenses, dos seus antepassados que demandaram as ilhas, dos barcos negreiros que ali aportaram e também dos nossos marinheiros (antes desse vil mercado) que por aquelas águas navegaram; imaginava quantos naufrágios e sofrimentos aqueles mares, já não teriam causado.

Sabia dos muitos perigos que me podiam esperar - não os desdenhava! - mas entregava-me ao oceano de coração aberto, possuído de uma enorme paixão, em demanda dos grandes espaços e de uma infinita liberdade, tal qual as aves migradoras! Olhava-o como se fosse já meu familiar e meu amigo. Embora sabendo que a sua face, quando acometida de irascível crueldade, havia sido palco de muitas tragédias, havia engolido muitos barcos e tragado muitas vidas. Contudo, eu não ia ali apenas movido pelo prazer da aventura: só por isso, não sei se compensaria... Mas orientado por razões mais fortes

Havia algo, no fundo de mim,  impelido como que por um pendor sobrenatural inexplicável que me fazia acreditar que, mesmo que apanhasse alguns sustos, tal como já havia acontecido em anteriores viagens, lá haveria de sobreviver e de me safar!.

O mar também é generoso quando quer ... A sorte protege os audazes e acreditava que o mar haveria de compreender os objetivos pelos quais que norteava o meu espírito e a minha temeridade.

Quando Luís de Camões escreveu na estância XII do V Canto de "Os Lusíadas"
"Sempre, enfim, para o Austro a aguda proa,
No grandíssimo golfão nos metemos,
Deixando a Serra aspérrima Leoa,
Co Cabo a quem das Palmas nome demos.
O grande rio, onde batendo soa
O mar nas praias notas, que ali temos,
Ficou, coa Ilha ilustre, que tomou
O nome dum que o lado a Deus tocou."

"O contributo dos Portugueses para uma nova visão do Mundo e da Natureza  é essencialmente informativo e empírico (baseado nos sentidos). Como escreveu Pedro Nunes: “os descobrimentos de costas, ilhas e terras firmes não se fizeram indo a acertar…” Pois os nossos marinheiros: “…levavam cartas muito particularmente rumadas e não já as que os antigos levavam"


"Enquanto os gregos avançavam na área da cartografia, os romanos estavam ainda num estágio anterior. Utilizando uma forma de representação primitiva, situavam Roma no centro do Mundo e davam maior importância ao registo de rotas" (..)Durante muitos séculos, os mapas foram um privilégio das elites – apenas reis, nobres, alto clero e grandes navegadores e armadores tinham acesso a esse tipo de informação. Só com a invenção da imprensa de Gutenberg, em meados do século XV, os mapas puderam ser mais amplamente utilizados. " In. Uma nova visão do Mundo - contributo português


QUEM POVOOU AS ILHAS DO GOLFO DA GUINÉ? 

Título de dois artigos, de minha autoria, publicados no extinto Diário Popular (27-12-76 e 4-12-76) depois de várias travessias em pirogas no Golfo da Guiné, com as quais pretendi demonstrar que as canoas são capazes de fazer grandes viagens e resistir às maiores tempestades - admitindo, por isso, a possibilidade de as mesmas terem sido usadas pelos primeiros povoadores das ilhas, oriundos do litoral africano.

Li o que diz a versão colonial e os  contributos de outros autores, que se têm debruçado sobre este assunto. Tenho também comigo textos que nunca publiquei. Sempre na perspetiva de os reunir num livro, juntamente com os relatos das minhas aventuras. A verdade é que me tenho dispersado com outras atividades e o tempo passa



(construção da canoa Yoan Gato - que usei na minha última viagem)

Defendo a teoria de  que os primeiros povoadores, aqueles que, pela primeira vez,  aportaram nas suas baías,  foram os hábeis navegadores das canoas, vindos da costa africana. 

Demonstrei essa possibilidade através das várias travessias que empreendi - De resto, não será por mero acaso que as canoas surgem nas cartas do século XVII, com idêntico destaque ao das caravelas
. 
Em minha modesta opinião, a história das descobertas prima mais pela ficção e efabulação de que em dar-nos conta do que se verdadeiramente se passou. Mas o fenómeno da sublimação foi transversal a outras potências coloniais.

 .Mesmo, acerca do ano e dia da chegada dos Portugueses, às Ilhas do Golfo da Guiné, há mais dúvidas de que certezas. Era cómodo fixar uma data e julgo que foi o que sucedeu.

Atualmente, os historiadores não se limitam às transcrições das versões mais ou menos oficiais, devassam velhos arquivos e lançam-se, sem preconceitos, numa investigação mais aprofundada - A mentalidade colonial era contrária a esse tipo de estudo - E já surgem estudos curiosos, que pelo menos vão de encontro a um passado anterior ao da época colonial... Abrem a porta a outros horizontes e probabilidades, contrariando versões intocáveis, como se fossem intangíveis dogmas papais

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

S. Tomé - Manifestação na capital de STP “Nesta terça-feira – Com familiares das vitimas e de outras pessoas dos partidos da oposição, em repúdio aos acontecimentos de 25 de novembro, que levaram à morte de quatro civis sob custódia militar, exigindo justiça “Abaixo a ditadura, democracia sim", este o apelo mais ouvido durante a manifestação convocada pelos partidos da oposição, que decorreu sem incidentes, acompanhado com forte aparato policial

 Jorge Trabulo Marques - Jonalista

Liberdade e Democracia, sim! Ditadura não! -  Este o apelo mais ouvido durante a manifestação de familiares e de outras pessoas, algumas das quais envergando camisolas escuras, convocada pelos partidos da oposição em repúdio aos acontecimentos de 25 de novembro, cujos vídeos já circulam pelas redes sociais e cuja noticia, até este momento, já perto da meia-noite, ainda não foi divulgada pela imprensa local, senão através de correspondentes para o exterior“

Referindo, que, centenas de pessoas saíram  para as ruas de São Tomé protestar contra as violações dos direitos no país, depois dos acontecimentos de 25 de novembro, que as autoridades classificaram como tentativa de golpe de Estado.

De recordar, que, em Janeiro de 2018, Milhares manifestaram-se em São Tomé  como protesto contra o "medo, tirania, divisão e pobreza instalados no país".–(..) A organização da manifestação foi assumida por todos os partidos da oposição, com e sem assento parlamentar, e considerada como "uma demonstração de convergência e de unidade de ação". pormenores em  https://www.dn.pt/…/milhares-manifestaram-se-em-sao-tome-co

Por esssa altura, dizia-se que "O Comando geral da Polícia Geral da Polícia Nacional vem informar que todas as manifestações ou concentração de pessoas que não foram devidas e previamente comunicada às autoridades, de acordo com a lei, serão consideradas ilegais e os seus promotores, neste caso o MLSTP-PSD, serão judicialmente responsabilizados”. Comunicado na íntegra, em  http://www.stp-press.st/file/2018/01/Comunicado-da-Pol%C3%ADcia-Nacional.pdf

2022  - Deze. Arlindo Barbosa, do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), diz que se vive um clima de medo desde o regresso de Patrice Trovoada ao poder e depois das "execuções sumárias" dos cidadãos são-tomenses.

"Estamos a fazer essa marcha para pôr fim a esta ditadura, para pôr fim a este comportamento, seja ele de quem for. As pessoas devem ser responsabilizadas. Nós queremos um país em paz, onde reina a democracia, onde reinam os direitos fundamentais dos cidadãos", apelou.

Depois dos acontecimentos de 25 de novembro, circularam na Internet imagens das pessoas sob custódia militar, num quartel, com as mãos amarradas e sinais de agressão.

Arlécio Costa, ex-combatente do 'batalhão Búfalo' acusado de ser o mandante do ataque, foi  detido em sua casa e levado para o quartel, onde foi barbaramente torturado e acabou por morrer com os três outros alegados assaltantes.

Atualização - Entretanto, o Téla Nón, nesta quarta-feira, diz que "Foi fraca a participação da população, na manifestação que saiu à rua na terça-feira, 20 de Dezembro. No entanto, foi um protesto bastante ruidoso. Representantes dos 7 partidos da oposição, que fazem oposição ao governo da ADI, estiveram à frente da marcha.

«Gostaríamos que estivessem mais pessoas. Os acontecimentos de 25 de Novembro atormentaram a população. Atormentaram os são-tomenses que não estavam habituados a conviverem com este tipo de actuação. Por essa razão, muita gente teve receio de sair», justificou Salvador Ramos, o coordenador do Movimento BASTA, uma das forças políticas promotora da manifestação. https://www.telanon.info/sociedade/2022/12/21/39459/familiares-das-vitimas-de-25-de-novembro-exigiram-justica-nas-ruas-de-sao-tome/


 

Taça da Liga - Sporting dá goleada cinco ao Sporting de Braga e parte para as meias-finais em Leiria, a partir de 24 ou 25 de janeiro de 2023.- Video da reportagem

Jorge Trabulo Marques - Fooballdream

A noite no Estádio José Alvalade, foi de chuva e de golos - Gonçalo Inácio, marcou aos 4 minutos, Paulinho, aos 7 - Depois vieram os penaltis de Pedro Gonçalves, aos 20, Trincão aos 41 e, Marcus Edwards, já na fase de descontos, fechou a conta

O Sporting, vencedor das duas últimas edições, espera agora o vencedor do Moreirense-Arouca, que se joga na quinta-feira, dia 22 às 20.15



Na segunda parte não choveram golos, pois a chapa cinco já era mais que suficiente para desacelerar a embraiagem leonina da equipa liderada por Ruben Amorim, que justificou plenamente cada golo.

No entanto, o Braga ainda tentou a sua chance, em furar a baliza de Adán por parte dos irmãos Horta, André, mas sem êxito - Uma vitória em noite chuvosa e muito gostosa para a claque sportinguista, que, apesar das condições atmosféricas, ainda assim ali reuniu uma calorosa torcida, acima dos 20 e tais mil.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

S. Tomé e Príncipe e o Natal – Cooperação Portuguesa Portugal doou ao hospital Ayres de Menezes O donativo em equipamentos e consumíveis, avaliado em 400 mil euros para ser distribuído a todas as unidades de análises clínicas do país. Enquanto Associação Esperança “ Nono”, na área da grande Lisboa, em parceria com a embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal, oferece hoje um almoço de Natal, para os doentes em tratamento nos centros de saúde portugueses.


"Nós não prometemos, simplesmente fazemos. O mundo precisa que façamos diferença. Se cada um de nós fizermos um pouco, o mundo não teria tanta dificuldade como tem», declarou Eleonora Carlot. – Refere o Téla Nón https://www.telanon.info/sociedade/2022/12/19/39445/almoco-de-natal-para-os-doentes-de-stp-em-portugal-iniciativa-da-associacao-esperanca-nono/

Segundo também noticia, Téla Nón, em realação à doação ao Hospital Ayres Menezes, a  oferta vem ainda a tempo de compensar determinadas roturas que nós temos tido sobretudo na área dos reagentes e equipamentos de hematologia», declarou o ministro da saúde.

Roturas de stock que desde o ano 2021 são suprimidas pela cooperação portuguesa no quadro do projecto Saúde para Todos.

Ministro da Saúde, Célsio Junqueira, disse que o reforço dos cuidados primários de saúde, é uma das principais prioridades do executivo.

«É aposta do nosso governo, e está no seu programa, o reforço dos cuidados de saúde. É uma aposta de tornar a saúde mais próximo do cidadão, e evitar que o hospital Ayres de Menezes seja centralizador no atendimento. É preciso descentralizar», pontuou.https://www.telanon.info/sociedade/2022/12/19/39445/almoco-de-natal-para-os-doentes-de-stp-em-portugal-iniciativa-da-associacao-esperanca-nono/

 

domingo, 18 de dezembro de 2022

S. Tomé e Príncipe e o Passo do Natal está a chegar - Feito de estiletes de cana de bambu ou de verga de andala, por mãos de hábeis e devotadas crianças - Aqui a tradição popular é diferente dos presépios e das árvores de Natal ocidentais ou de outras paragens - Meus votos de dias tranquilos e felizes a todo o seu povo.

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

O presépio natalício, vulgarmente conhecido pelo “Passo”, é uma das referências culturais mais antigas da Ilha de São Tomé, criada desde o tempo colonial – Feitos com pauzinhos cortados de andala com o machim (das folhas de palmeiras) e vergas de canas de bambu, enfeitadas com algumas flores da floresta,  imitando pequenas ermidas ou a igreja da Sé, construídas junto às modestas cubatas à beira da estrada, sobretudo à medida que se deixava a cidade, a capital e se penetrava no interior da Ilha, alumiadas por tochas de óleo de palma em pedaços de mamão, iluminando  a Noite de Natal  - Que se prolongavam durante a quadra natalícia


Sim, aqui nestas maravilhosas ilhas verdes do equador, onde, em 2000, havia 45 igrejas e locais de culto cristão, pertencentes a 19 denominações cristãs diferentes, e, em 2012, a parcela de cristãos, atingia os 72%, também  o Natal,  a celebração do  nascimento de Jesus Cristo, tal como em todos países do mundo cristão, é assinadado  com  as suas características tradicionais de festa da família. 


Tal como é referido, "a  Igreja Católica em São Tomé e Príncipe é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. Este é considerado um dos países africanos mais estáveis e democráticos. O legado português é visível na sociedade, que combina influências africanas e europeias. Alguns cidadãos, tanto cristãos, quanto muçulmanos, incorporam características de crenças nativas africanas. Como consequência desta mistura de culturas, muitos católicos celebram cuidadosamente os rituais católicos dos batismos e funerais, mas não há a mesma adesão a outros sacramentos. Também são organizados festivais religiosos em honra aos santos padroeiros das vilas e paróquias e as pessoas viajam para participar dessas celebrações https://pt.wikipedia.org/wiki/Religião_em_São_Tomé_e_Príncipe


No entanto, os tais presépios genuínos do Povo que eu conheci nos anos 60 e 70 e cantados por Alda da Graça Espírito Santo, naquele seu lindo poema, "Natal na Ilha", a par   da celebração do dia “dá chinja” da  festa da família na Quarta-feira de cinzas, vão-se degradando, profanando e artificializando.

Mesmo assim, ainda persistem belos exemplos,  ainda há quem não queira deixar cair no esquecimento, essas graciosas manifestações artísticas ou deste ou daquele humilde casebre de madeira, porém, aqui lhe deixamos algumas imagens que pudemos recuperar em artigos que  publicámos na revista Semana Ilustrada, de Luanda.

NATAL NA ILHA – ONDE SONHAR COMEÇA A SER PROIBIDO - Recordando o poema de Natal  - de Alda Graça Espírito Santo


NATAL NA ILHA

Ao cair da tarde, pelas estradas da Ilha
Cabaninhas de andala
Tecidas por dedinhos de garotos,
É a nota tocante do Natal.
Uma tocha de mamão
É o luzeiro no caminho
Alumiar o “passo”.

Mas o exotismo dos trópicos
Descendo pelo calendário dos festejos
Faz do “Dá chinja” a festa da família.
Quarta-feira de cinzas
É cara ao coração da nossa gente,
Onde se sente a ausência dos finados.
Na hora do “angu”,
Do clássico calulú de Peixe
Todos se juntam,
Nas roças, nas grutas, nos ermos mais perdidos,
Em redor da mãe velhinha,
Da avó da carapinha branqueada
Na tradição festiva do “Bocado”.
P’las mãos dessa velhinha solene
todos, todos, recebem p’la mesma colher
Numa união feliz e africana
A primeira colherada
Do menú familiar.
E só então, a refeição começa.
A toda a hora pelo dia  fora.
Vem chegando gente
Pró sagrado “Bocado”
Do avô extinto do ano que passou
E da filha arrancada à vida
em plena mocidade.

Cinzas…. Natal…
Exotismo dos trópicos?
- Uma pergunta e uma resposta que pairam nos ares

Alda Graça do Espírito Santo

 

S. Tomé e Príncipe – Representante da ONU em STP, oferece bolo-rei aos ex-Presidente Miguel Trovoada e Fradique Menezes para “estimular o espírito do Natal”- . Diz Fradique: «Deveríamos nós os são-tomenses a partir deste gesto das Nações Unidas, oferecermos uns aos outros qualquer coisa… pode ser uma banana madura ou fruta-pão…» - Sim, fruta não falta no mato … Faltam roupas, medicamentos e muitas mais coisas…

Jorge Trabulo Marques - Jornalista

Louvável o procedimento do representante da ONU, em STP, em dialogar com dois ex-chefes de Estado e também seria oportuno que o mesmo sucedesse com o ex-Presidente Manuel Pinto da Costa, para se inteirar de algumas questões, os pontos de vistas dessas importantes personalidades.

Todavia, o que, a maioria do povo espera, sobretudo, nestes dias que antecedem o Natal, é que, pelo menos, não lhes falte o mais básico para minorar as extremas carências  de que vem enfermando. Já se falou de que chegou arroz do japão, mas não é para distribuir gratuitamente

 Nas Ilhas Verdes do Equador, embora não falte banana no mato, assim como a jaca e a fruta-pão, alimentos básicos na dieta alimentar, mas  se precisam de  medicamentos, vestuário e outros bens essenciais, onde estão as dobras

Diz um estudo, que, mais de 70% das crianças são-tomenses são pobres  - E,  se querem brinquedos, têm que os fazer à mão  - E, muitas delas, são usadas em trabalhos pesados, como exploração infantil: - carregando grandes  gamelas ou grandes pesos à cabeça, executando as mais diversas tarefas, sem dó nem piedade.

As crianças em S. Tomé e Principe, são sorridentes e generosas - E. até gostam de retribuir com a sua engenhosa imaginação a quem as acarinhe -Sorrindo, sorrindo sempre, retribundo expressões de natural e  expontânea simpatia. - Nestas duas, imagens recordo dois momentos: um, com o ex-Presidente Manuel Pinto da Costa, o outro com o atual Presidente Carlos Vila Nova

“A pobreza vê-se em todo o lado em S. Tomé” - Preocupação expressa numa entrevista  à VATICAN NEWS, em 9 de mai. de 2018, pelo Bispo de S. Tomé e Príncipe, que, uma vez mais expressa a sua angústia e preocupação, por, segundo declarou .  “Continuo a ver o meu povo sofrer com a pobreza”, sublinha ao portal da Santa Sé D. Manuel António dos Santos, Bispo de S. Tomé e Príncipe.

Diz o jornal Téla Nõn, que “ o ex-Presidente da República, Miguel Trovoada, recebeu na quinta feira passada e em sua casa,  a visita especial de  Eric Overvest, representante das Nações Unidas em São Tomé e Príncipe, que levou presentes de natal, e recebeu de Miguel Trovoada, conselhos, e uma análise profunda da história e da actualidade política, social e cultural de São Tomé e Príncipe. – Depois de um encontro, em separado, no dia anterior.

O encontro, que se prologou durante três horas e num momento de alguma tensão e de crispação social que se vive no país, foi uma oportunidade para ambos se conhecerem

.«Infelizmente continuamos a viver um clima de grande instabilidade. O país necessita de reformas profundas para consolidar o Estado de Direito Democrático», afirmou o ex-Presidente Miguel Trovoada.

«Tivemos muitas alternâncias, mas não tivemos a real mudança. Agora julgo que devemos todos olhar para o futuro, mas fazendo uma análise crítica daquilo que somos. Mais de 40 anos após a independência, o ponto em que chegamos», frisou

Eric Overvest disse aos jornalistas que durante a conversa, com Miguel Trovoada, as Nações Unidas, prometeram reforçar a reforma do sistema de justiça e contribuir para a melhoria do sistema nacional de segurança. https://www.telanon.info/politica/2022/12/16/39418/miguel-trovoada-sugere-introspeccao-para-fazermos-uma-analise-critica-de-quem-somos/

«Somos Todos Primos (STP) …Finalmente acabamos por não ser tão primos assim…» Declarou Fradique Menezes, no termo do encontro na Quinta da Favorita.

«É um gesto simpático das Nações Unidas, lembrarem-se dos ex- presidentes. Vieram aqui a Favorita oferecer-me um bolo-rei. É a primeira vez que se faz isso aqui em São Tomé e Príncipe. É um gesto de paz», declarou, Fradique de Menezes.

O exemplo do representante do sistema da ONU, deve ser seguido pelos são-tomenses. «Deveríamos nós os são-tomenses a partir deste gesto das Nações Unidas, oferecermos uns aos outros qualquer coisa… pode ser uma banana madura ou fruta-pão…», propôs o ex-Presidente da República.

Durante a conversa demorada com Eric Overvest, Fradique de Menezes, falou da experiência acumulada como Presidente da República. Partilhou também os ensinamentos obtidos quando exerceu as funções de diplomata de São Tomé e Príncipe, junto a antiga comunidade económica europeia, assim como em alguns organismos das Nações Unidas.

Fradique de Menezes realçou a importância do diálogo como factor preventivo de conflitos. Recordou que durante os 10 anos que foi Presidente da República, organizou um Fórum de Diálogo, para cultivar a resolução pacífica dos conflitos no país. Disse que o mesmo exercício tinha sido feito pelo seu antecessor, Miguel Trovoada. O seu sucessor Manuel Pinto da Costa, também o fez. 

Eric Overvest, representante do sistema das Nações Unidas em São Tomé e Príncipe, disse que o momento é de partilha dos valores da paz. O encontro com Fradique de Menezes, foi um «símbolo de paz e de convivência. Precisamos destas mensagens nesses dias. Queremos que São Tomé e Príncipe, seja um país de paz», concluiu. https://www.telanon.info/politica/2022/12/16/39424/somos-todos-primos-stp-finalmente-acabamos-por-nao-ser-tao-primos-assim/