Jorge Trabulo - Jornalista da revista angolana Semana Ilustrada- Desde 1970 em S. Tomé até Março de 1975, mês em que tive de zarpar de canoa para a Nigéria por via de certas perseguições ao meu trabalho jornalístico.
Duas das imagens, que aqui recordo, são passagens de dois artigos naquela publicação semanal em que alertava a Câmara Municipal da cidade S. Tomé para o estado de quase abandono de alguns dos jardins da cidade, invadidos de capim e ainda dos buracos da marginal da Baía Ana Chaves - Pois o município justificava-se com a velha desculpa da falta de verbas, que é o que tem sucedido após a independência, pese se anunciarem diversos apoios: ou será que se têm diluído no desaguar turvo do Água Grande na baía ou tem sido mais um argumento de campanha política?
Sempre que um novo Governo muda, não faltam projetos de requalificação da marginal da maravilhosa Baía Ana Chaves, nome herdado da distinta dama judia-luso santomense Ana Chaves, aia da rainha D. Catarina, filha ilegítima do rei D. João III, deportada para S. Tomé para disfarçar os desvios ocultos monárquicos.
É um facto incontornável que o desaguar do Água Grande, com as suas enormes poluições e enxurradas, na sua vasta e semicircular área marginal, em cujo areal acostam dezenas de canoas e na qual se debruça também grande parte das ruas e avenidas da capital de S. Tomé e Príncipe, além das frequentes tempestades(os tornados) que assolam a ilha, tem minado as paredes e destruído vários troços do muro de proteção, desfigurando, em boa parte, aquele que é considerado o principal corredor de visitas, de entradas e saídas da secular cidade.
Num dos meus trabalhos na revista angolana Semana Ilustrada, chamei atenção da Câmara Municipal para a necessidade de obras de reparação.
Não se fez nada. E se, na altura, havia por ali alguns passeios esburacados e muros caídos, com os 48 anos volvidos da independência, a situação ainda mais se agravou, tal como sucedeu nas instalações da generalidade das roças.
Agora, surge mais uma noticia da sua recuperação, pois, noticias destas não têm faltado, e até apoios, que se têm escoado talvez nas águas, ora tranquilas ora agitadas desta emblemática Baia, considerada uma das maiores do arquipélago .
Que se estende, do lado noroeste à ponta de Diogo Nunes (ou ponta Gamboa; onde atualmente está o Aeroporto Internacional de São Tomé), a sudoeste, até à ponta de São Sebastião (onde atualmente estão o porto de Ana Chaves e o forte de São Sebastião). No centro da baía há uma península ou cabo, chamada de Cabo Verde, que atualmente abriga o bairro Bela Vista-Hospital.
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ESTA A MAIS RECENTE NOTÍCIA “Governo apresenta soluções para o arranque do projecto fundo Kuwait e projeta obras da marginal para antes do fim do ano stp -press
Refere a STP- Pres São-Tomé, que “o Primeiro-ministro, Patrice Trovoada, em entrevista à RDP-África, anunciou duas hipóteses para se dar início ao projecto do fundo Kuwait de 17 milhões de dolares, visando a modernização do hospital Ayres Menezes e prevê para antes do fim deste ano o arranque das obras de requalificação da marginal avaliadas em 25 milhões euros.
Questionado sobre o tão propalado projecto fundo de Kuwait, o primeiro-ministro Patrice Trovoada sublinhou que “estamos a ver como dar volta a isto, se é um financiamento adicional garantido ou se devemos voltar a um outro projecto que possa estar na dimensão do financiamento que são 17 milhões [de dólares].
“O financiamento existe sempre, há sete anos, vocês sabem todas as peripécias que isto conhece” disse Patrice Trovoada, sublinhando que “tem havido alguma dificuldade de entendimento, sobretudo, esse processo com fundo Kuwait, estamos a falar com eles para vermos se resolvemos a questão”.
Jorge Trabulo Marque - Pelos trilhos e caminhos do peregrino da Luz
Ser livre e abraçar harmonia da Natura e desejar a Paz na Terra e não a suja guerra!... Abraçar ou ajoelhar ao puríssimo ar como o pintalgar de um passarinho! Livre e desprendido de tudo!... Livre dos conflitos, das intrigas, dos ódios e julgamentos do Mundo! ... Este é o meu retiro predileto, o lugar eleito das minhas fugas da cidade para o campo, onde peregrino, sempre que posso, nos meus devaneios espirituais. Para onde me dirijo, livre como um passarinho, na persistente ânsia da procura do divino.
Pois é aqui, nos arredores da minha aldeia, ante a vasta linha destes largos horizontes, que eu sinto, bem presente, a seiva e o vibrar da minha identidade, a suave harmonia das minhas raízes, o genuíno pulsar da minha origem, desde o seu lado mais ancestral até ao mais próximo.
Porém, mais de que o torrão que me viu nascer, o que aqui revejo e descubro, a cada passo, sob a arcada infinita dos céus, é a visão de um lugar sagrado, cenário eminentemente espiritual, que convida à contemplação e à purificação do corpo e da alma - À inexplicável perceção de quem tem o privilégio de pressentir ou de escutar um hino de serenidade e de louvor a Deus!
TENTATIVA DE TRAVESSIA DE PIROGA PELA ROTA DOS ESCRAVOS - SÃO TOMÉ - BRASIL - O comandante do pesqueiro traiu-me: queria que eu ficasse a bordo a trabalhar e não me largou onde me havia prometido
Dois dias depois da independência de S. Tomé e Príncipe, e após 13 dias da bem sucedida viagem clandestina à Nigéria, regressava de novo à minha maravilhosa Ilha, sem um tostão na algibeira e a bordo de um avião militar português, para concluir a escalada do Pico Cão Grande, com novos apetrechos e realizar a grande travessia oceânica.
Na Ilha de São Tomé, recebera o melhor apoio e carinho e não queria desiludir ninguém; de forma alguma podia defraudar essa ajuda: a canoa fora mandada fazer a um pescador da Vila das Neves, que derrubou um ocá na floresta e que depois o escavou com o machim e à enchó, tendo sido paga com os apoios recebidos de várias pessoas
Mentalizara-me de que a travessia estava ao meu alcance, sabia que, se precisasse de socorro, ninguém me poderia valer. Não levava meios de comunicação com ninguém. Servia-me apenas de uma bússola, orientava-me pelo sol e pelas estrelas.
Mas era assim que se enquadravam os propósitos dessa minha aventura. Os primeiros povoadores das ilhas, também se orientavam como as aves. E eu achava que valia a pena correr todos os riscos. Nada podia demover-me da minha determinação.
Sim, defendo a teoria de que os primeiros povoadores, aqueles que, pela primeira vez, aportaram nas suas baías, foram os hábeis navegadores das canoas, vindos da costa africana.
Demonstrei essa possibilidade através das várias travessias que empreendi - De resto, não será por mero acaso que as canoas surgem nas cartas do século XVII, com idêntico destaque ao das caravelas.
O LONGO E DRAMÁTICO RUMO DE 38 DIAS - DESDE ANO BOM A BIOKO (EX-FERNANDO PÓ)
Concluída a primeira fase da construção da canoa, na floresta, esta é então arrastada para a beira da praia, onde lhe é colocada uma pequena cobertura lateral e outra à popa e à proa para evitar a entrada das vagas.
Com ajuda do mesmo pescador-construtor, ensaiava o primeiro troço de navegação, desde a Vila das Neves ao estaleiro de Germano Castela, na Baía Ana de Chaves, onde lhe é adaptado um leme, carregados os cinco bidões de água potável, vários alimentos e posto um contentor de plástico (do lixo) a fim de guardar a máquina fotográfica e o gravador (que iria servir de registo do diário) bem como algumas peças de vestuário.
Porém, entretanto, constato que mesma estava ligeiramente desequilibrada para um dos bordos, mas, tendo o barco pronto a partir, não havia tempo a perder: um risco que me haveria de causar muitas perturbações, contrariamente à experiência bem sucedida, desde a praia Gambôa à Nigéria
Feito o carregamento e os últimos arranjos, dirijo-me, então, para junto do Hornet, a meio da tarde do dia 18 de, um pesqueiro americano, que se encontrava fundeado ao largo da Fortaleza S. Sebastião, atual Museu Nacional.
Como os ventos e as correntes, são dominantes do Sul para Norte, eu precisava de ser largado na corrente equatorial, um pouco a Sul da Ilha de Ano Bom, que é onde a Corrente de Benguela se divide: uma parte vem perder-se a Norte do Golfo e a outra deriva em direção ao Equador para o coração do Atlântico, até voltar para sul, junto à costa brasileira, num périplo que desce até quase ao Oceano Antártico, confluindo depois para a costa africana.
O comandante, desse pesqueiro, comprometeu-se a largar-me naquela corrente, mas faltou à palavra. Na impossibilidade de apanhar corrente equatorial, decidi empreender o regresso a S. Tomé para tentar a travessia noutra oportunidade . Era o principio de um longo e dramático pesadelo
A ilha Ano Bom, com uma superfície de, aproximadamente, 6,4 km (comprimento) por 3,2 km (largura), parecia um pequeno boné. Localizada no Atlântico Sul a 350 km da costa oeste do continente africano e a 180 km a sudoeste da ilha de São Tomé, com pouco mais de mil almas, quase esquecidas do resto do mundo, onde o único europeu era um sacerdote, que, aliás, chegou vir a bordo do pesqueiro para receber alguma caridade, dada a penúria e escassez de alimentos, que por lá existia.
Eu próprio fiz permuta com algumas latas de conserva por cocos e bananas, com os pescadores, que também ali chegavam com as suas estreitíssimas canoas para vender à tripulação os seus frutos frescos e, no fundo, para matarem a fome, visto ter então apenas uma ligação anual com o resto do território da Guiné Equatorial.
Ao pôr do sol, inesperadamente, a canoa é então arreada por ordem do comandante, alegando que a canoa estorvava a pesca e não podia deixar-me na zona da grande corrente equatorial, que, inevitavelmente, me arrastaria para oeste ao longo do imenso oceano. Penso que, um tal ultimato, feito àquela hora, com a noite prestes a cair, era mais uma forma de me atemorizar e me convencer a desistir.
Estando o mar calmo, não havendo vento, dada a proximidade da Ilha, havia pois o risco de poder ser assaltado... Praticamente, não conseguia sair do mesmo sítio, sempre com os olhos na pequena ilha que tinha ali bem próximo, receoso que alguma canoa saísse de lá. Até porque as últimas palavras que ouvira do alto do convés, foram bem esclarecedoras: "escapa-te daqui o mais depressa que puderes, senão te roubam!!"...
Já com as primeiras sombras do curto crepúsculo, e após um giro em torno do horizonte, o pesqueiro, aproxima-se de mim e volta a carregar-me a piroga, prometendo largar-me no dia seguinte. Horas depois, em plena noite cerrada, o barco é de novo envolvido por enorme agitação, varrido de proa à popa, pela já habituais tempestades noturnas da época das chuvas, que o assolaram em noites anteriores.
Muitos dos tripulantes, voltam a vir junto de mim, procurando persuadir-me a ficar a bordo com eles:
Jorge! Não vês, como está o mar?!... Vais morrer!!.. Fica connosco!" Por sua vez, o imediato, conduz-me à cabine do Comandante, convidando-me a trabalhar a bordo. Não tendo aceite a proposta, obriga-me assinar um termo de responsabilidade.
E, de facto, ninguém se atrevia a expor-se ao vento e à chuva. À fúria do mar. Eu olhava a escuridão, por detrás das escotilhas e fixava os olhos bem abertos na borbulhante e pálida espuma, ouvia o marulho das vagas a desfazerem-se contra o casco e galgarem-no!... Olhava e escutava pasmado a sua inaudita violência com alguma apreensão, mas estava determinado...
Nada deste mundo podia demover-me da minha determinação!... Sentia-me ao mesmo tempo atraído por uma espécie de resistível desafio e tenebroso fascínio...Sentia que o palpitar do meu coração precisava de vibrar ou se aquietar com o marulho das ondas. Os meus olhos, só queriam espraiar-se ou deleitar-se com o imenso azul clarinho dos céus e o azul profundo da vasta superfície oceânica.
DE S. TOMÉ À NIGÉRIA - Não era a minha primeira experiência solitária, o meu encontro a sós com o mar: já havia realizado a travessia em piroga de S. Tomé ao Príncipe, em 3 dias e de S. Tomé à Nigéria, em 13 dias.
Foi em Março do mesmo ano: largara pela calada da noite para me escapar das perseguições movidas por alguns colonos em represálias aos meus artigos na revista Semana Ilustrada de Luanda, de que era seu correspondente, por via de dar voz ao movimento pró-independência e de denunciar os crimes do massacre do Batepá.
Não me restou outra alternativa senão a de me escapar numa frágil piroga pela calada da noite, numa noite de tempestade, com o beijo amigo e de olhos toldados de lágrimas pela minha companheira santomense, a minha querida e saudosa Margarida.
Sabia que, quanto maior a nau maior é a tormenta. Pois, as canoas, vogando à flor do mar, com vento de popa ou mesmo impelidas pelo remo, entram numa espécie de desenfreada vertigem e furtiva cavalgada do sobe e desce, e, mesmo que as ondas sejam tão altas como as montanhas, elevam-se, acompanham o seu ritmo, a sua hilariante dança!...
Mar! Mar! Mar! ... Esta palavra mágica de três letras não me saía do pensamento. Eu queria a voltar a estar sozinho com os olhos extasiados ou circunscritos em todos os confins do círculo que se abrem sobre o vasto mar! - E, ao sulcar as suas ondas, ir buscar raízes e pedaços da história, perdidos no tempo e no esquecimento
Não perca a descrição do que me sucederia naquele primeiro dia à noite, no próximo dia 21, dia em que fui largado do pesqueiro
NÃO AVANCEI SOZINHO AO MAR SEM ME PREPARAR
Desde o dia que desembarquei do navio Uíge, me deixei impressionar vivamente pela hábil arte dos pescadores nas suas frágeis pirogas -E, logo que pude, não deixei de os contatar e de aprender a sua arte ancestral.
Por isso, sempre que podia, frequentava as belas praias de São Tomé. Comecei por manter estreitos contactos com os pescadores, homens corajosos e simpáticos.
Aprendi a equilibrar-me nas suas canoas, começando primeiro por dar pequenos passeios de praia em praia., até que por fim veio a paixão - E, a par disso, também outras interrogações: perguntava-lhes se já tinham ido de canoa à Ilha do Príncipe, respondiam-me que "só canoa de gente de feitiço" é que o tornado a levava ao Príncipe ou ao Gabão; "outra, vem gandú (tubarão), vira a canoa e come-lhe a perna" .
Achava que era uma superstição, sem fundamento e havia que desfazer esse fantasma: concluía que, se o tornado arrastava para lá a canoa, involuntariamente, também lá se podia ir por vontade própria. Face a essas lucubrações, comecei a pensar que, um dia, eu devia fazer-lhe essa demonstração - A par disso, questionava-me também sobre o seu passado longínquo: se não teria sido através das canoas que os seus ancestrais não teriam vindo do continente africano.
Havia-me preparado, longamente, na arte de navegar nas pirogas dos pescadores desta linda Ilha. Navegava de praia em Praia e afasta-me para o largo. Voltava a canoa de costado para o ar e empinava-me novamente nela. Preparara-me para todas as circunstâncias de tempo e de mar.
Sabia que, se a mesma se virasse no alto mar, e sendo mais pesada, seria muito difícil voltar a meter-me dentro dela. Mas estava certo que as pirogas estão talhadas para enfrentar todas as situações de mar. Tinha a convicção de que havia sido, com tão primitivas mas seguras embarcações que as ilhas do Golfo haviam sido povoadas. E queria demonstrá-lo. Admiro muito a coragem dos nossos primeiros navegadores, mas a sua audácia não pode colidir, de maneira alguma, com a verdade histórica. Confiava nas ancestrais capacidades de navegação das pirogas.
NAS COMEMORAÇÕES DO V CENTENÁRIO DA DESCOBERTA DAS ILHAS DESDE A BAÍA ANA CHAVES A ANAMBÔ
Depois da minha aprendizagem nalgumas praias e baías, impunha-se testar as minhas capacidades. Porém, navegar, desde a baía da cidade, até ao Padrão da Água Ambô, junto à Ponta Figo, praia onde terão aportado as caravelas de João de Santarém e Pero Escobar, foi o cabo das arábias! Fiz o percurso na véspera do dia em que se comemoravam os 500 anos: mas o Capitão dos Portos, só muito a custo, me concedera autorização
DE S. TOMÉ AO PRÍNCIPE – A BORDO DE UM PEQUENO “ESQUIFE”
Não é fácil esquecer-me da minha primeira travessia oceânica, entre as duas Ilhas: apanhei um grande susto e quase me ia afogando mas não esmoreci: de pé ou sentado, sobre uma das travessas, lá naveguei, noite adentro, à vela e a remos, algo perturbado e não sabendo bem para que ponto do horizonte me dirigir: seguia o instinto.
A piroga era muito estreita, não podia desistir, não podia deixar de remar ou velejar. Não podia adormecer, sob pena de voltar a cair de lado e de me virar no mesmo remoinho.
Largara à meia-noite da Baía Ana Chaves, disfarçado de pescador para não ser reconhecido - pois sabia que as autoridades, não me autorizariam a meter-me nessa aventura. Tanto assim, que ao regressar a São Tomé, seria preso pela PIDE (policia do regime) e severamente punido com uma pesada coima.
OBJETIVOS DAS MINHAS AVENTURAS MARITIMAS
Os objetivos dessas minhas travessias foram vários: antes de mais, o fascínio que o mar exerceu em mim, desde o primeiro dia que desembarquei, do velho Uíge, ao largo da baía azulinha da linda cidade de São Tomé; o desejo de me encontrar a sós com a solidão e a vastidão do oceano e, de perante esse cenário, de me poder interrogar, ainda mais de perto, sobre a presença e os mistérios de Deus.
Mas também por razões de carácter histórico-científico e humanitário. Tais como: evocar a rota da escravatura, ao longo da grande corrente equatorial, lembrar os ignominiosos tempos do comércio de escravos e chamar atenção para esse grave problema que, sob as mais diversas formas, continua afetar a existência muitos seres humanos, na atualidade.·
Demonstrar a possibilidade de antigos povos africanos terem povoado as ilhas, situadas naquele imenso Golfo, muito antes dos nossos navegadores, ali terem chegado, contrariamente ao que defendem as teses coloniais, que dizem que as ilhas estavam completamente desabitadas - E a verdade é que, entretanto, já foram encontradas antigas cartas em arquivos, do tempo dos árabes que provam, justamente, esses contactos com povos que, de há muito, ali viviam.
Contribuir para a moralização de futuros náufragos, à semelhança de Alan Bombard. Segundo este investigador e navegador solitário francês, a maioria das vítimas morre por inação, por perda de confiança e desespero, do que propriamente por falta de recursos, que o próprio mar pode oferecer.
Era justamente o que eu também pretendia demonstrar - Navegando num meio tão primitivo e precário, levando apenas alimentos para uma parte do percurso e servindo-me, unicamente, de uma simples bússola, sem qualquer meio de comunicar com o exterior, tinha, pois, como intenção, colocar-me nas mesmas condições que muitos milhares de seres humanos que, todos os anos, ficam completamente desprotegidos e entregues a si próprios -
Porém, quis o destino que fosse mesmo esta a situação que acabasse por viver. E, felizmente, também quis a minha boa estrelinha, que lograsse resistir e sobreviver
Não perca a descrição do que me sucederia naquele primeiro dia à noite, no próximo dia 21, dia em que fui largado do pesqueiro
Os santomenses, que não figuravam entre os
dez primeiros dos Palop, chegam ao 10.º lugar em 2000 - Atualmente, admite-se
que vão além dos 40 ou 50 mil A liderança é dos brasileiros.
Os angolanos e guineenses mantêm-se entre os grupos maiores,
mas perdem uma posição, passando respetivamente para o 4.º e 5.º lugares, pela
interposição dos ucranianos na terceira posição
Há mesmo quem diga, em S. Tomé, que, se
nada for feito, o futuro das Universidades no país pode estar comprometido. As
turmas estão praticamente vazias. O cenário repete-se em todas as universidades
de São Tomé e Príncipe e já lá vai quase um mês desde o início das aulas. –
Pormenores mais à frente.
Portugal é um país pequeno, com
apenas 10,3 milhões de habitantes, e com uma população que vem diminuindo a
cada ano. Pelo sétimo ano seguido, os portugueses viram o número de
imigrantes aumentar. E, de novo, os brasileiros tiveram uma grande participação
nesse crescimento.
Quase 800 mil estrangeiros vivem em
Portugal e - Metade dos quais são brasileiros. Os dados
oficiais não incluem os cidadãos com dupla nacionalidade europeia nem os que
estão em situação irregular.
A população estrangeira residente em
Portugal aumentou em 2022 pelo sétimo ano consecutivo, totalizando 781.915
cidadãos, mantendo-se a comunidade brasileira como a mais representativa e a
que mais cresceu – Informação do SEF em 2023 – Mas, a presença de imigração
asiática, já não deverá ficar muito atrás da brasileira
Os cabo-verdianos, que chegaram a estar na
primeira posição dos imigrantes em Portal, já foram ultrapassados na
lista a favor dos brasileiros, nos últimos anos. Por sua vez, os santomenses Os
santomenses, que não figuravam entre os dez primeiros, chegam ao 10.º lugar em
2000 e descem para 11.º em 2007
UNIVERSIDADES EM S.TOMÉ DESPOVOAM-SE -
O ensino nas Universidades em São Tomé e Príncipe está a ser abalado, em
particular, pelo aumento do fluxo migratório, que tem retirado muitos alunos ao
ensino superior.
«No ano passado, a essa altura já tínhamos
uma média de 200 alunos, neste momento, estamos com 50 alunos» – disse
Agostinho Rita, reitor da Universidade IUCAI.
«Nós temos cursos que já iniciaram há três
anos e começaram com uma média de 30 alunos e, só têm hoje 8 alunos» – avançou
Vanda Costa, responsável pelos recursos humanos da Universidade Pública de S.
Tomé e Príncipe.
«Estamos
com muito poucos alunos em sala de aula» – frisou por sua vez, Helena Afonso,
assessora e docente da Universidade Lusíada.
O fluxo migratório, sobretudo
de jovens para o estrangeiro, é uma das principais razões.
“Aconselhamos esses jovens, é claro
que ninguém pode impedi-los de sair, que acabem um curso em S. Tomé antes de ir
ao estrangeiro» – aconselhou Agostinho Rita.
Para colmatar a situação, as
universidades avançaram com algumas propostas ao governo.
«Para obter bolsa das empresas
petrolíferas é preciso ter uma média 12. Todos que têm média 12, 13,14 foram-se
embora para Portugal. Estamos a propor ao governo para rever essa média 12. Por
outro lado, a possibilidade de dar bolsa a todos aqueles que têm o 12º ano
concluído e que não têm condições» – avançou o reitor do IUCAI. – Fonte STP-Press
UMA COMUNIDADE PACIFICA E BEM INTEGRADA - Imagens do passado dia 12 de Julho da comemoração do 48º aniversário da Independência, em Portugal
Se fosse noutra capital europeia, era impossível conceber uma festa africana, sem um único agente policial. Mas a festa era de gente pacífica, que não tem hábitos de conflitualidade - Música, muitos sorrisos, muita diversão e alegria, convívio fraterno, muita juventude, muitos são-tomenses de todas as idades. Criancinhas ao colo das mães, nos carrinhos ou atrás das costas à boa maneira africana. Tendas com pratos típicos para quem não levasse farnel mas também muitos piqueniques, aqui e além, sentados na relva ou junto a uma qualquer árvore, a lembrar as diversões de um qualquer fundão, quixipá ou terraço das suas ilhas
A seleção Portuguesa de futebol, ao vencer na noite desta sexta-feira, no Estádio do Dragão, a Eslováquia por 3-2, com golos de Gonçalo Ramos, aos 18 minutos, e Cristiano Ronaldo, aos 29 de penalti e depois aos 72 em encontro da 7ª jornada do Grupo J de qualificação, garante-lhe a presença no Campeonato da Europa
Refere o Porto Canal, que, na assagem aos oitavos de final da prova, a seleleção portuguesa garante dois milhões e, por
sua vez, a passagem aos quartos aumenta o prémio para 3,25 milhões. As
quatro seleções a disputar as meias-finais vão receber cinco milhões e a
seleção que se sagrar campeã europeia ganhará dez milhões de euros.
Na melhor das hipóteses, caso Portugal consiga repetir o feito de
2016, a Federação Portuguesa de Futebol pode arrecadar quase 35 milhões
de euros. quatro seleções a disputar as meias-finais vão receber cinco milhões e a seleção que se sagrar campeã europeia ganhará dez milhões de euros.
Ainda com três jogos por disputar, num grupo que apura os dois primeiros, Portugal, campeão europeu em 2016, passou a contar 21 pontos, contra 13 da Eslováquia, 11 do Luxemburgo, nove de Bósnia-Herzegovina, sete da Islândia e zero do Liechtenstein.
O ato de inauguração do Centro, cuja obra de recuperação do espaço foi financiada pela Unicef, contou com a participação do Presidente do Governo Regional, Filipe Nascimento, Presidente da Assembleia Legislativa Regional, Francisco Gula, Ministra da Juventude e Desporto, Euridice Semedo Medeiros, Representante Adjunta da Unicef, Eva Millas, Secretários Regionais, Dirigentes,
Representantes da Juventude Nacional e Regional, entre vários convidados. O espaço contempla uma sala de formação, uma sala de palestras, uma sala de apoio às associações juvenis, dois gabinetes, e um logradouro para atividades recreativas. No ato, Filipe Nascimento considerou que o empreendimento é o resultado de uma parceria entre o Governo Regional, Ministério da Juventude e Desporto e Unicef, do passado e que demos continuidade, e que nos cabe agora dinamizar o espaço para melhor acolhimento possível dos nossos jovens.
Jorge Trabulo
Marques - Jornalista-Palavras do discurso do Presidente Obiang e
imagensemvídeo da Gala da 7ª edição dos Prémios da
Lusofonia - Que distinguem ASAMA - Associação de Apoio às Mulheres Africanas ,
pelos seus relevantes serviços prestados
"(...) Este aniversário é considerado sagrado para o Povo da Guiné Equatorial e deve ser comemorado com a mesma solenidade de sempre, de geração em geração, porque é o dia em que o nosso Povo recuperou todos os direitos e liberdades internacionalmente reconhecidos para todos os Povos do mundo. Queridos Compatriotas
Recordo-vos que a conquista da Independência Nacional se deu graças à ofensiva dos nossos compatriotas, na qual muitos deles, por amor à Pátria, perderam a vida. Esta é uma ocasião oportuna para expressarmos o nosso reconhecimento e prestar-lhes uma homenagem de honra pela sua bravura e determinação, cuja memória permanecerá para sempre entre nós - Palavras proferias por Obiang Nguema Mbasogo
, Presidente da República, Chefe de Estado e de
Governo, Presidente Fundador do Partido Democrático da Guiné Equatorial, por
ocasião do Cinquentenário do Dia da Independência Nacional. Malabo, 12 de
outubro de 2023
Caros Compatriotas
Equatoguineenses;
Tenho o
prazer de lhe enviar uma calorosa saudação de Paz e Estabilidade Política que atualmente
reina no nosso País e felicitá-lo calorosamente, porque amanhã, 12 de Outubro
de 2023, a Nação Equatoguineense celebra os seus cinquenta e cinco anos como
Estado soberano e independente. , desde o ano de 1968, depois de ter superado
um longo período de mais de duzentos anos de dominação estrangeira,
caracterizado principalmente pela desumanização do Povo Equatoguineense.
Com o Emb. Tito Mba Ada -Num 12 de Outubro
Esta festa
produz em nós uma emoção que nos leva à euforia, pois esta Nação conduz-se a si
mesma, sem imposições ou condicionamentos estrangeiros. É por esta razão que os
nossos cidadãos têm o dever e a responsabilidade de se realizarem, de decidirem
pelo seu próprio destino e o da Nação sem esperanças vãs ou ambíguas.
É importante
refrescar a memória dos nossos jovens, que não conheceram os horrores do
passado, daquele triste período de obscurantismo, não com espírito nostálgico
ou vingativo, mas antes capacitar moralmente os nossos jovens para que se
defendam contra qualquer indício que represente uma ameaça ou degradação da
nossa condição de Povo Livre e Soberano.
Em suma, a
data da Independência Nacional constitui um ponto de viragem na história do
Povo da Guiné Equatorial porque, por um lado, recorda um passado histórico
longo, muito tortuoso e sombrio, caracterizado pela exploração implacável dos
nossos recursos naturais, a negação dos nossos direitos políticos, económicos,
sociais e culturais; e o agravamento da exploração e opressão do nosso Povo por
parte dos estrangeiros. Por outro lado, esta data dá lugar a uma vida de
liberdades e direitos; de autodeterminação, existência e integridade na
Comunidade das Nações.- Excerto extraida da https://www.guineaecuatorialpress.com/noticias/discurso_del_presidente_de_la_republica_con_ocasion_del_aniversario_de_la_independencia_nacional
ASAMA - ASSOCIAÇÃO DE APOIO ÀS MULHERES AFRICANAS - DISTINGUIDA NOS PRÉÇIOS DA LUSOFONIA
Neste dia aproveito também para recodar também as que tive o prazer de registar na 7ª Gala do Prémios da Lusofonia, na passada sexta-feira, no Casino Estoril, em que foi distinguida ASAMA - Associação de Apoio às Mulheres Africanas , pelos seus relevantes serviços prestados,
A entrega dos prémios, que teve apresentação de Raquel Flores e de Gabriel Niva e algumas intervenções musicais, contemplou, Joaquim Chissano (Ex. Presidente da República de Moçambique); Manuela Ramalho Eanes (Fundadora e Presidente Honorária do Instituto de Apoio à Criança); António Saraiva (Presidente da Cruz Vermelha em Portugal); Fátima Lopes (Apresentadora e escritora); Alice Vieira (escritora e jornalista) e Instituto Camões.
A
fundação recorda que o evento anual, organizado pela Gala de Prémios da
Lusofonia, é descrito como um momento de celebração da arte, cultura
e cidadania no seio da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP).
Na verdade,
uma vez mais se pode comprovar que a
LUSOFONIA é uma causa que mobiliza os homens e as mulheres de todos os lugares
onde a LÍNGUA PORTUGUESA é falada.
O Corpo
Diplomático Lusófono disse presente. A CPLP disse presente. E, os demais convidados, corresponderam com entusiasmo, oriundos de todos países de expressão
oficial portuguesa bem como de muitas das suas diásporas
O PRÉMIO LUSOFONIA
– MÉRITO LUSÓFONO 2023 da 7ª edição da gala do prémio da lusofonia que homenageia,
anualmente, personalidades que contribuíram para a promoção da língua e cultura
portuguesas em todo o mundo, foi atribuído a Filipe Nascimento
Por todo este
trabalho esclarecido e qualificado de cidadania, ao serviço de São Tomé e
Príncipe, de Portugal e da lusofonia em geral, foi decidido atribuir ao Dr.
Filipe Nascimento o Prémio Lusofonia Mérito Lusófono 2023”, lê-se na nota do
corpo de jurados.
E, de facto, é o
reconhecimento de uma justíssima atribuição: isto, porque, o prestigiado jornal
francês Le Monde, considerou a Ilha do Príncipe, como “Destination n° 8 du
palmarès voyage « Le Monde » 2023
Distinção
atribuída na sequência de uma reportagem a esta ilha do arquipélago de S. Tomé e
Principe, destacando, que, a antiga “ilha do chocolate”, situada no Golfo da
Guiné, quer agora desenvolver o
ecoturismo.O
seu isolamento geográfico preservou o fundo do mar e a floresta primária, a tal
ponto que a UNESCO a classificou como “reserva da biosfera”.
A entrega dos prémios,
que teve apresentação de Raquel Flores e de Gabriel Niva e algumas intervenções
musicais, contemplou, Joaquim Chissano (Ex. Presidente da República de
Moçambique); Manuela Ramalho Eanes (Fundadora e Presidente Honorária do
Instituto de Apoio à Criança); António Saraiva (Presidente da Cruz Vermelha em
Portugal); Fátima Lopes (Apresentadora e escritora); Alice Vieira (escritora e
jornalista) e Instituto Camões.
Saio
daqui mais inspirado! Motivado!.
Filipe Nascimento,
que recebeu o prémio da mão do embaixador de São Tomé e Príncipe em
Portugal, António Quintas, considerou o momento uma subida honra, de
alegria e emoção. Felicitou a organização por iniciativa em prol da lusofonia,
agradeceu ao prestígio e responsabilidade que lhe deram, tendo destacado que
“servir na política é um ato de nobreza, mas de coragem”.
Filipe Nascimento, no seu discurso de agradecimento, citou o exemplo de vida e dedicação do ex-presidente de
Moçambique, Joaquim Chissano, um dos laureados, afirmando ter acompanhado, desde pequeno a sua luta, pelas causas de África e da lusofonia – Sublinhando,
de seguida, referindo-se S. Tomé e Príncipe,
que “o nosso Presidente continua a precisar de nó!...E nós cada vez mais
unidos!... Considerando que esta é também “uma corrida de estafeta, e que” estamos
aqui para continuar o seu trabalho!
Saio
daqui mais inspirado! Motivado!... E com mais energia para continuar a servir a população do Príncipe! Aos
santomenses! Aos africanos! E a lusofonia em geral… O meu muito obrigado!...
Viva a lusofonia!
“Este prémio é
dedicado a toda população da Ilha do Príncipe e de modo em geral a todos os
são-tomenses. Quero neste momento agradecer a Deus, ao meu pai, à minha mãe, á
minha esposa, filhos irmãos, todos familiares, aos amigos e colegas desta
caminhada, companheiros de trabalho e de luta, aos meus professores e a todos
aqueles que são braços e pernas quando abraçamos uma causa colectiva”,
sublinhou
O Prémio
Mérito Lusófono é uma iniciativa da Universidade de Coimbra que
visa premiar personalidades e instituições que se destacam na promoção e
difusão da língua portuguesa e da cultura dos países de língua oficial
portuguesa, na área de música, literatura, comunicação social, artes plásticas,
teatro, educação, moda e de entre outras.
Filipe Nascimento
é o actual presidente do Governo Regional da Ilha do Príncipe, licenciado em
Direito, prometeu em 2020 aquando da sua investidura, a continuidade da
transformação e modernização da ilha do Príncipe e melhoria progressiva da
qualidade de vida da sua população.
Natural da Ilha do príncipe - .
Durante a sua infância e adolescência, trabalhou sempre com o seu pai
na agricultura e pecuária. Frequentou o ensino primário, básico e
secundário nas escolas da Nova Estrela, do Padrão e do Santo António II,
respetivamente. Durante a sua infância, adolescência e juventude no
Príncipe, foi sempre muito dinâmico no exercício da cidadania.
Licenciado em Direito pela Faculdade
de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Nesta mesma Faculdade,
frequentou pós-graduação em Direito Bancário, pelo CIDP | FDUL – Centro de
Investigação de Direito Privado; bem como frequentou pós-graduações em Direito
das Sociedades, em Ciência da Legislação e Legística.
É Advogado pela Ordem dos Advogados
Portugueses. Foi Adjunto e Assessor do Vice-Presidente da Câmara Municipal de
Oeiras, Mestre Francisco Rocha Gonçalves, sob a Presidência da Câmara do Dr.
Isaltino Morais; é Membro do Conselho Consultivo do IPDAL – Instituto para a
Promoção da América Latina e Caraíbas; é Jurista e Técnico Superior da Câmara
Municipal de Oeiras.
Em Portugal, foi Deputado Autárquico
na Assembleia de Carnaxide e Queijas e líder da Bancada na Assembleia de
Carnaxide e Queijas. De 16 de novembro de 2019, até ao presente, é Presidente
da UMPP – União para Mudança e Progresso do Príncipe. Atualmente é Presidente
do Governo Regional do Príncipe – STP (desde 18 de agosto de 2020).
Por todo este trabalho, esclarecido
e qualificado, de cidadania ao serviço de S. Tomé e Príncipe, de Portugal e da
lusofonia em geral, foi decidido atribuir ao FILIPE NASCIMENTO o PRÉMIO
LUSOFONIA – MÉRITO LUSÓFONO 2023