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segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Boas entradas e feliz Ano Novo, com um brinde do generoso de V. Nova de Foz Côa e das suas 17 freguesias, terras do Vinho Fino - Apelidado de Vinho do Porto, nas adegas onde vai desagoar o Douro,

 Jorge Trabulo Marques  s 

Boas entradas e feliz Ano Novo, com um brinde do generoso de V. Nova de Foz Côa e das suas 17 freguesias, terras do Vinho Fino! Apelidado de Vinho do Porto, nas adegas onde vai desagoar o Douro, já muito depois de ter recebido as águas do Rio Côa - Que deu nome a uma cidade, que já foi Vila e recebeu o seu primeiro foral em 1299, concedido por D. Dinis, tendo sido renovado pelo mesmo monarca em 1314.


Em 1514, foi concebido um novo foral por D. Manuel I. No concelho destacam-se vários monumentos, entre os quais estes três monumentos nacionais: o castelo de Numão, o Pelourinho de Vila Nova de Foz Côa e a Igreja Matriz da mesma vila, com uma fachada manuelina


Um outro monumento importante no concelho é o castelo de xisto de Castelo Melhor, de construção leonesa que remonta aos inícios do século XIII, integrado na região de Riba Côa, o qual passou para as mãos da coroa portuguesa em 1297 pelo Tratado de Alcanizes.[4] Nas suas raízes, Vila Nova de Foz Côa encontra o homem paleolítico que, com modestos artefactos, vincou na dureza do xisto ambições e projetos do seu universo espiritual e material, fazendo deste santuário o maior museu de arte rupestre ao ar livre, hoje Património da Humanidade







Sporting vence Benfica 1- 0 em Alvalade e recupera a liderança em fim do ano com golo de Geny Catamo Registo do meu arquivo


                                               Jorge Trabulo Marques - Jornalista e  repórter fotográfico

 Sporting vence Benfica 1- 0 em Alvalade e recupera a liderança em fim do ano com golo de Geny Catamo Registo do meu arquivo - - Leões somam os mesmos 40 pontos que o F. C. Porto, segundo classificado e o Benfica cai para o terceiro lugar, com 38 pontos- - Desta vez, não pude estar em Alvalade, mas aqui deixo o meu tributo à matriz da boa raiz africana.


 Sporting vence Benfica 1- 0 em Alvalade e recupera a liderança em fim do ano com golo de Geny Catamo Registo do meu arquivo - - Leões somam os mesmos 40 pontos que o F. C. Porto, segundo classificado e o Benfica cai para o terceiro lugar, com 38 pontos- - Desta vez, não pude estar em Alvalade, mas aqui deixo o meu tributo à matriz da boa raiz africana.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

V: N. de Foz Côa- Natal de Imigrantes de S. Tomé, um dia quase igual - Com diversões municipais à população local mas, de corações cheios de saudades da sua ilha, familiares e pais -

                                                          Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

V. N. de Foz Côa- Natal de imigrantes de S. Tomé - Um dia quase igual - Com diversões municipais à população local mas, de corações cheios de saudades da sua ilha, familiares e pais - Cerca de 50 jovens santomenses a trabalhar na agricultura - Num dos concelhos mais envelhecidos da região, com uma área de 398,15 km2, 6 304 habitantes em 2021 , quase metade da superfície de S. Tomé, sendo a maior ilha, com uma área de 859 km² e 204 454 habitantes, estimativa de 2018



Dados os profundos laços que me ligam a S. Tomé, para onde emigrei em Nov. de 1963, para fazer um estágio numa roça do meu curso de técnico agrícola, de agente rural da Escola Agrícola Conde S. Bento, em Santo Tirso, e onde permanci, cerca de 12 anos, pois, encontrando-me por uns dias na minha aldeia, que pertence a este mesmo concelho, não quis perder a oportunidade de nas véspera de Natal, conviver com alguns jovens santomenses, que se encontram aqui a trabalhar na agricultura e noutros serviços


Embora com muitas saudades das sua terra, confessaram-se satisfeitos por aqui trabalharem . Sentei-me com alguns na mesa de um café e também tive oportunidade de fotografar outros à entrada da avenida principal - Já o mesmo havia feito, nas vindimas da Quinta da Ervamoira, no passado mês de Agosto.

Fenómeno de Emigração em São Tomé e Príncipe por melhores condições de vida, na Europa.

A falta de oportunidade em São Tomé e Príncipe tem levado muitos santomenses a optarem pela emigração.. Fenómeno que afeta principalmente a juventude que abandona o país em massa e vai a procura de melhores condições de vida, na Europa.

Informações oficiais do Instituto Nacional de Estatística de São Tomé e Príncipe indicam que no espaço de dois anos, saíram deste pequeno país, mais de 50 mil cidadãos, numa média de 500 pessoas por semana.


As consequências deste fenómeno já são bem visíveis, com implicações económicas e sociais, que vão desde a desagregação nos núcleos familiares, fuga de profissionais, até a redução do consumo interno.


É sede do município de Vila Nova de Foz Côa, tendo uma área total de e uma densidade populacional de 16 habitantes por km2, subdividido em 14 freguesias O município é limitado a norte pelos municípios de Carrazeda de Ansiães e Torre de Moncorvo, a nordeste por Freixo de Espada à Cinta, a sudeste por Figueira de Castelo Rodrigo e Pinhel, a sul por Mêda e a oeste por Penedono e São João da Pesqueira.

Quinta da Ervamoira
 Na vindima em Agosto 2024 - Colheita maioritariamente feita com emigrantes africanos
Quinta da Ervamoira


domingo, 22 de dezembro de 2024

CELEBRAÇAO DO SOLSTÍCIO DO INVERNO 21-12-2024 envolvida por frio e nevoeiro em vários altares pré-históricos dos Templos do Sol - Chãs - Foz Côa - Sob o lema A Humanidade Deseja Paz, Amor e Liberdade - Meus votos de que o inverno lhe seja mais alegre e caloroso de que frio. E o dia de Natal um dia de Alegria Especial

 



Jorge Trabulo Marques – Organizador dos eventos, desde 2002  - nos calendários pré-históricos do Maciço dos Tambores e Mancheia - 


Este é outrdos maravilhosos calendários solares, ancestrais, alinhados com o primeiro dia das quatro estações do ano, existentes no maciço dos “Tambores”, aldeia de Chãs - Lugar já conhecido por Templos do Sol ou Stonehenge Português.



Celebração Poética. Mística e Histórica -Sob o lema A Humanidade Deseja Paz, Amor e Liberdade - Que, desta vez,  prestei na intimidade espiritual de alguns dos meus sagrados altares e dos templos do sol. Que se erguem nos arredores da a minha aldeia, no Maciços dos Tambores e Mancheia, em Chãs, freguesia de Foz Côa - Em manhã fria e coberta de intensa neblina O sol só depois do meio-dia nos brindou. Mesmo assim,  o regresso a casa foi mais de coração rejubilado, e corpo mais purificado, de que a lembrar o geada que cobria as ervas e os arbustos.

Além de lido um poema de minha autoria, foi também um belo poema do saudoso poeta  Manuel Pires Daniel, natural do vizinho Concelho de Mêda, mas com uma grande parte da sua vida, ao serviço da causa pública, em Foz Côa, que  nos honrou, várias vezes,  com a sua presença, cujos versos já fazem parte. Dos nossos tradicionais momentos poéticos. além da preciosa colaboração de seu filho, o Pedro Daniel e seus filhos-

Desta vez, atendendo às condições de instabilidade do tempo e das baixas temperaturas, nomeadamente no período da noite e da manhã, verificadas nos últimos dias,  embora tivesse anunciado o evento  em dois meus  blogues, não cheguei a dirigir convites  a ninguém, nem sequer  aos nossos habituais colaboradores. .

A temperatura, quando  saí de minha casa.  às sete da manhã, , era de Iº negativo, com o céu e o espaço envolvente, encoberto por um denso manto de nevoeiro, que, depois, a meio da manhã, se foi dissipando.

No entanto, ao regressar,  depois de ter peregrinado por vários altares,  já era mais Primaveril de que invernal. Sim,  porque, em todo o concelho de Foz Côa, o  período mais frio do dia, é sobretudo durante a noite e nas primeiras horas da manhã. Tanto assim, que, nalguns sítios do Maciços dos Tambores e Mancheia, já se descobriam   giestas floridas e alguns espargos., além dos curiosos cogumelos, que despontam por esta altura do ano

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HUMANIDADE DESEJA A PAZ E A LIBERDADE.

Vem, ó Deus Imortal! Vem lá do Alto , ó Celestial!
Descei aos escombros flagelados, `s sinistras cinzas e ruínas!
Há olhos cansados e lacrimosos , que suspiram mil ais pela paz!
Devastados nos estrondos dos portadores das vis tempestades!
Rostos desfazendo-se em lágrimas, inocentes vidas e vítimas!
Faz com que as flores da Primavera, não vem a ser tão mirradas!
Desabrochem coloridas nas suas pétalas, brilhem imaculadas!

Vem ó Deus Imortal! Vem oh  consolação da Humanidade!
Há milhões de corações angustiados, que só imploram a paz!
Oh Amada Liberdade1 Os clarões do despotismo, são navalhas!
Ouve os seus lamentos do fragor das armas! Dá-lhes tranquilidade!
Atende minha súplica e desfaz o grilhão de tão iníqua adversidade


Este é outro dos maravilhosos calendários solares, ancestrais, alinhados com o primeiro dia das quatro estações do ano, existentes no maciço dos “Tambores”, aldeia de Chãs - Lugar já conhecido por Templos do Sol ou Stonehenge Português.



Este é o quarto alinhamento dos Templos do Sol - que tomou o nome de "Phallus Impudicus" em homenagem ao fantásticos cogumelos Stinkhorn Phallus Impoudicus"  que nesse dia pude descobrir nalguns sítios do Monte dos Tambores-Mancheia 


AS ENIGMÁTICAS COVINHAS - SIMBOLOGIA DA URSA MAIOR
 
 Pedra do Sete Estrelo, com sete fossetes (petróglifos) formando a Ursa Maior, que despertou a atenção de Tom Graves, em Outubro de 2008 quando visitou os Templos do Sol e os alinhamentos sagrados.  Aliás, fui eu que o encaminhei a esta pedra, que já há muito me intrigava.  Fizeram-se vários conjunturas mas nenhuma nos levou a  tal possibilidade. Agora é que me dei conta 
de que as enigmáticas covinhas, formam a Ursa maior  - É  uma rocha muito estranha com duas configurações completamente diferentes,  que indica os quatro pontos cardeais.  E é sabido que, o sete estrelo,  em todos os tempos, foi uma das constelações com maior simbolismo. 




No Planalto dos Tambores, além dos calendários solares, alinhados com os equinócios da Primavera e do Outono e do Solstício do Verão, existem também dois alinhamentos sagrados com o solstício do Inverno - Um dos quais descoberto em 2013 por Albano Chaves , a que deu o nome de "Portsa doi Sol"- A segunda descoberta, ocorreu no ano seguinte, em 2014, no dia em que para lá me dirigi

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Ilha de S. Tomé - Descoberta em 21 de Dezembro de 1470 - Véspera de um dia duplamente histórico - E do Governo de Transição após o 25 de Abril - Decoberta por João de Santarém - No ano seguinte, em 17 de Janeiro - Pero Escobar acostaria à Ilha do Principe, a que dariam o nome Santo Antão

Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - E antigo navegador solitário em pirogas no Golfo da Guiné- Estou de viagem para a minha aldeia a celebrar o soltício do Inverno e desejo, desde já, aqui  assinalar tão importante efeméride -


Sem deixar de admirar a coragem dos antigos navegadores,  busco outras interpretações. Eu próprio me desloquei de canoa, em Dezembro de 1970, desde a Baía Ana de Chaves ao recanto de  Anambó Local onde é suposto terem aportado pela primeira vez, João de Santarém e Pero Escobar  
  
Curiosamente, (confrontando as duas imagens ) vejo que o sítio está agora mais bem conservado do que estava naquela altura (mas também bem mais diferente de quando ali aportaram aqueles arrojados navegadores) onde passei uma noite horrível, com as costas sobre lascas e gogos de todos os tamanhos e feitios (pois ali não existe praia de areia), mesmo quase sobre a margem onde as ondas vinham bater, embrulhado pelas palmas dos coqueiros mas constantemente a ser espicaçado e mordido por enormes caranguejos do mar e da terra, que não me deram um minuto de descanso 

Não me deitei no mato, receando as cobras negras. E, ao alvorecer, perante aquele vetusto e simbólico padrão,  rodeado de palmas, tão belas, sonoras e verdejantes, não me importei de  homenagear os marinheiros de quinhentos, com a bandeira portuguesa.  .

HÁ QUE DISTINGUIR A EPOPEIA MARÍTIMA DA COLONIZAÇÃO , QUE SUBJUGOU E TIRANIZOU OS POVOS.


Há que realçar a coragem dos marinheiros lusitanos, que se fizeram ao mar apenas munidos de um mero astrolábio - Não dispunham de sextante, nem de cronómetro ou sequer de almanaque náutico que lhes possibilitasse algum rigor da navegação - Não iam completamente às cegas, porém,  embora dispondo de alguma informação, iam à aventura! - Indubitavelmente, foram grandes navegadores aventureiros
Sou português  e não descuro os feitos marítimos dos meus antepassados. Mas também não quero fazer  como a avestruz e meter a cabeça debaixo da areia. Nem fazer dos compêndios coloniais a bíblia sagrada.  


Uma coisa é a verdade histórica (e foi essa que eu procurei através de várias travessias em pirogas e que ainda hoje questiono), outra, as omissões ou  a que convinha ao Reino..
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Todavia, quer os portugueses, nas frágeis caravelas, quer os primeiros povoadores, nas suas toscas pirogas, foram lobos do mar e heróis desbravadores à sua maneira

Algures 38 dias no Golfo da Guiné Nov de 1975

Do alto das velhas muralhas do Fortim de São Jerónimo, onde tantas vezes olhava a espuma que ali ia rebentar nas rochas negras e contemplava o mar ao largo, sim, muitas vezes ali me envolvi em prolongadas cogitações. 

Só via o mar... O vasto mar a perder-se pelo vasto horizonte infinto!... Só pensava, obsessivamente, nas distâncias e nas entranhas do mar.!.. Olhava-o com pasmo e respeito, mas queria sentir-me também parte dele! Ser mais um elemento do mítico e misterioso oceano! Ir por ali a fora numa das frágeis pirogas.! Desvendar segredos esquecidos no tempo!..  De temeridades e navegações de  outrora!....

               Ali voltei 39 anos mais tarde para recordar o mesmo mar

                            No dia em que tive a visita de um gigantesco tubarão

                     Ali voltei 39 anos mais tarde para recordar o mesmo mar

Algures 38 dias no Golfo da Guiné Nov de 1975

Oh!... Quantas vezes ali mesmo, não experimentei as estreitíssimas cascas de noz, navegando em frente ou embicando na areia da pequena praia ao lado, naqueles meus habituais treinos, ao Domingo, vindo da Praia Lagarto (ao fundo da descida a caminho do aeroporto), passando em frente da Baía Ana Chaves, Fortaleza de São Sebastião, costa da marginal, Praia Pequena e ponta do Forte de São Jerónimo -e, por vezes, ainda um pouco mais a sul, à Praia do Pantufo. 

São Jerónimo era geralmente a baliza de chegada e de retorno ... E, também, muitas vezes ao fim da tarde e pela noite adentro, era o meu local preferido (até por ficar um pouco isolado e retirado da cidade) para me familiarizar profundamente com o mar.

Lembrava-me das façanhas dos pescadores são-tomenses, dos seus antepassados que demandaram as ilhas, dos barcos negreiros que ali aportaram e também dos nossos marinheiros (antes desse vil mercado) que por aquelas águas navegaram; imaginava quantos naufrágios e sofrimentos aqueles mares, já não teriam causado.


Sabia dos muitos perigos que me podiam esperar - não os desdenhava! - mas entregava-me ao oceano de coração aberto, possuído de uma enorme paixão, em demanda dos grandes espaços e de uma infinita liberdade, tal qual as aves migradoras! Olhava-o como se fosse já meu familiar e meu amigo. Embora sabendo que a sua face, quando acometida de irascível crueldade, havia sido palco de muitas tragédias, havia engolido muitos barcos e tragado muitas vidas. Contudo, eu não ia ali apenas movido pelo prazer da aventura: só por isso, não sei se compensaria... Mas orientado por razões mais fortes

Havia algo, no fundo de mim,  impelido como que por um pendor sobrenatural inexplicável que me fazia acreditar que, mesmo que apanhasse alguns sustos

Não me cruzei com as velas dos marinheiros das canoas  mas imaginei-os, muitas vezes, naqueles mesmos mares, tal como, também, os navegadores que ali passaram, mais tarde, nas suas caravelas    

Há que realçar a coragem dos marinheiros lusitanos, que se fizeram ao mar apenas munidos de um mero astrolábio - Não dispunham de sextante, nem de cronómetro ou sequer de almanaque náutico que lhes possibilitasse algum rigor da navegação - Não iam completamente às cegas, porém,  embora dispondo de alguma informação, iam à aventura! - Foram, indubitavelmente, grandes navegadores aventureiros!


A descoberta da Ilha de S. Tomé, ocrreu  em 21 Dez. 1470,, dia do apóstolo que lhe deu o nome -  “É preciso ver para crer”- É também uma efeméride muito especial - A tomada de posse, em 21 de dezembro de 1974, do Governo de Transição, liderado por Leonel Mário d´Alva, até à proclamação da independência a 12 de Julho de 1975  - E da festa Católica Romana do dia de São Tomé

Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - E antigo navegador solitário em pirogas no Golfo da Guiné


Viagem de S. Tomé ao Principe - 3 dias 

Estive neste local, em 21 de Dezembro de 1970,  a prestar a minha singela homenagem aos corajosos  navegadores portugueses, após ligação de canoa da baía  de Ana  Chaves  àquele local e ali ter pernoitado – Erguendo a bandeira portuguesa.

Não tanto pela colonização posterior mas orgulho-me dos feitos dos bravos marinheiros portugueses, que, em frágeis caravelas, partindo de um pequeno país, que não ultrapassava um milhão de habitantes, demandaram por mares desconhecidos, deram a conhecer ao mundo novas terras, navegaram por todos os oceanos, mais deles perdendo a vida em dramáticos naufrágios

Sim, dirigi-me ali de canoa, sozinho, desde a Baía Ana de Chaves - a primeira das minhas aventuras de canoa - depois seguir-se-iam mais três: de S. Tomé ao Principe, 3 dias; de S. Tomé à Nigéria 13 dias e, por fim, de Ano Bom - a Bioko - antiga ilha de Fernão do Pó, 38 dias  

Voltei a este mesmo local, em  Novembro de 2014, mas agora com as duas bandeiras: a de S. Tomé e Príncipe e a de Portugal. Sim, depois de ter vivido uma longa e dramática experiência de náufrago, ao longo de 38 dias, após o que acostei na Ilha de Bioko

É TAMBÉM UMA EFEMÉRIDE MUITO ESPECIAL PARA  O POVO DE STP 

Esta data é também reconhecida pelos santomenses, com um triplo significado: - Assinala a  chegada dos Portugueses, em 21 de Dezembro de 1470,  à costa de São Tomé, pelos  navegadores portugueses, João de Santarém e Pero Escobar; a festa Católica Romana do dia de São  Tomé - Nome que viria a ser dado a esta maravilhosa ilha verde do equador.

E a tomada de posse, em 21 de dezembro de 1974, do Governo de Transição, liderado por Leonel Mário d´Alva, até à proclamação da independência a 12 de Julho de 1975.  

O Movimento de Libertação de S. Tomé e Príncipe e o Governo Português acordam em que a independência de S. Tomé e Príncipe seja proclamada em 12 de julho de 1975 e o ato da declaração oficial da independência do Estado de S. Tomé e Príncipe coincidirá com o da investidura dos representantes eleitos do povo de S. Tomé e Príncipe e terá lugar na cidade de S. Tomé, com a presença ou a representação do Presidente da República Portuguesa, para o efeito da assinatura do instrumento solene da transferência total e definitiva da soberania...

DEPOIS DE ELOGIADO - UM MÊS DEPOIS ERA PRESO E TORTURADO PELA PIDE- Quando fiz a ligação de canoa de S. Tomé ao Principe -
Partindo à meia-noite, sozinho, da Baía Ana Chaves, numa pequeníssima piroga de 40 cm de altura por 60 cm de largura

O facto mereceu relevo na imprensa local, o mesmo não sucedeu quando, um mês depois parti de canoa clandestinamente de S. Tomé ao Príncipe, tendo sido espancado e preso pela PIDE -

Cinco anos depois da travessia de São Tomé ao Príncipe, numa piroga um pouco maior, fiz a ligação de São Tomé à Nigéria. Uma vez mais parti sem dar a conhecer os meus propósitos, ao começo da noite, servindo-me apenas de uma simples bússola. Ao cabo de 13 dias chegava a uma praia ao sul deste país africano, tendo sido detido durante 17 dias por suspeita de espionagem, após o que fui repatriado para Portugal. Os jornais nigerianos destacaram em primeira página o feito

Em 27 de Dezembro de 1975, após 38 longos e dramáticos dias, de desde a Ilha de Ano Bom, atingiria Bioko - Depois de pisar areia macia, do recanto uma discreta praia, neste mesmo dia sou depois conduzido algemado  para um escuro calabouço e, no dia seguinte,  a  uma sinistra cela do reino de terror  de  Francisco Macias Nguema 

Não há certezas quanto à data exata da descoberta das ilhas  do Golfo da Guiné  - Admite-se, no entanto, que, a Ilha de S. Tomé, teria sido descoberta em 21 de Dezembro de 1470, dia do apóstolo S. Tomé, e , em 17 de Janeiro do ano seguinte,  a Ilha do Príncipe, por João de Santarém e  Pêro Escobar

A Ilha  de Ano Bom, a 565 km a sudoeste da parte continental da Guiné Equatorial e a cerca de 200 km a sul de São Tomé, foi descoberta  por volta de 1475, no 1º de janeiro, de dia de ano-bom - A Ilha de Fernando do Pó, atual Bioko,  foi descoberta pelo navegador do mesmo nome; admite-se que tenha sido em 1472 - Estas duas Ilhas, foram  possessão portuguesa entre 1474 e 1778, ano em passaram para a Coroa Espanhola,   pelo Tratado de El Pardo em troca de terras espanholas na América do Sul, que seriam posteriormente anexadas ao Brasil 

Descobrimentos de S. Tomé e Príncipe – “Não se sabe ao certo quem foram os descobridores nem a data da descoberta” A resposta poderá estar numa antiga inscrição gravada numa rocha, situada na orla marítima  “Bien Faire”  (Bem Fazer) a famosa divisa do Infante D. Henrique 

 "Quando os  primeiros navegadores  portugueses chegavam a uma terra até então desconhecida costumavam gravar nalguma grande árvore ou pedra «este motto do Infante, Talent de Bien Faire» diz o historiador Armando Cortesão 

(Lamentavelmente  esta pedra, que deveria assinalar a chegada dos portugueses a este local, já foi destruída, pude constatar o facto em Maio de 2019)









Ministério da Educação, Cultura e Ciência,mostrou-se, então, interessado  em estudar o achado  - Tendo ali estado presente o Diretor Geral da Cultura, Nelson Campos, que me acompanhou ao local para conhecer o achado e proceder  às diligências, que forem necessárias, para o preservar e estudar mais detalhadamente - Mas não só não foram feitas quaisquer diligências, como a pedra viria a ser vandalizda e destruída - 
Talvez por me ter reportado a este importante achado e estivesse na calha reservarem a área, como chegou a ser falado, para um projecto turístico  - Como se não houvesse outros sítios, que, a ser levado a cabo, iria impedir que o local pudesse ser desfrutado livremente por todos os santomenses e visitantes.  



A descoberta de antiga inscrição numa pedra, na orla marítima,   poderá ter sido gravada  por navegadores portugueses das caravelas, atendendo às excelentes condições de aportagem do local -  Outros achados em pedra poderão também relançar a origem do povoamento ancestral da Ilha através de canoas ou por outras embarcações – “Angolares” os temários do mar, vindos nas suas canoas do sul do Reino do Congo?  









A pedra foi encontrada por mim e pelo santomense Cosme Pires dos Santos, em Agosto, do ano passado. 2015, num dia em que, ambos, percorremos, várias áreas da orla marítima, com o objetivo de encontramos eventuais vestígios arqueológicos – Tanto anteriores à colonização, como a partir desse período.



Com o Cosme Pires dos Santos
O referido achado, que na altura me deixou bastante intrigado, por se tratar de uma inscrição antiga mas com letras do nosso alfabeto, só passou a dar-me algumas pistas da sua origem, quando, ao ler, um estudo de Armando Cortesão, ali se faz referência à divisa do Infante

Daí admitir poder tratar-se de uma antiga inscrição (parcial),  da divisa do Infante D. Henrique, atual divisa da Escola Naval “TALANT DE BIEN FAIRE” –– A pedra, em basalto, já está muito esboroada e  desgastada, faltam-lhe  alguns pedaços, pelo que, a inscrição, já não está completa – Mas, atendendo ao aspeto antigo da inscrição,  depreende-se que seja a celebre divisa do Infante Dom Henrique   - De momento, achou-se prudente não identificar publicamente o local.


A DIVISA DO INFANTE D. HENRIQUE GRAVADA PELOS NAVEGADORES PORTUGUESES NOS TRONCOS DAS ÁRVORES E NAS ROCHAS





Como é reconhecido, a tendência do homem deixar sinais da sua presença, através de gravuras ou outro tipo de inscrições, é tão velha, como a natureza humana  - Os animais (cães e lobos) urinam junto das árvores ou pedras para ali marcarem o seu território – No fundo, é uma tendência dir-se-ia instintiva da preservação da espécie

A ideia de que, os portugueses, levantavam padrões, nas terras que descobriam, tal não corresponde inteiramente à verdade – Esses marcos, vieram posteriormente às descobertas e ao inicio da colonização  - Eles usavam outras formas mais simples para indicarem a sua passagem: inscrições nos troncos de árvores ou nas rochas

Quando se aborda esta questão apenas se faz alusão a árvores, esquecendo-se de que a gravação numa pedra – tal é o caso da famosa pedra de Corte Real,   - é  bem mais duradoura.

Foto de Jorge Trabulo Marques

Desde as primeiras expedições dos catalães e portugueses, tinham os navegantes o costume de gravar os seus nomes em árvores, destacando as espécies baobá (Adansônia digitata) e a dracena (Dracaena draco), que, obviamente, não é o conhecido arbusto ornamental. Nem sempre o faziam por veleidade ou vão desejo de glória; muitas vezes a inscrição era para eles uma espécie de marco, algo como um símbolo de posse, um meio de assegurar à sua pátria os direitos de primeiro colonizador. Os navegantes portugueses escolheram, com freqüência, para este fim, a bela divisa do infante D. Henrique, duque de Vizeu: Talent de bien faireb.as inscrições feitas nas cascas das árvores"ue, duque de Vizeu: Talent de bien faireb.as inscrições feitas nas cascas das árvores

Estudantes da Universidade da Beira, que vieram às Ilhas Verdes do Equador participar num projeto de intercâmbio no âmbito dos cuidados de saúde – Deram-nos a sua opinião sobre o nosso achado - Ou antes, fizeram à pedra a  sua radiografia



“Talant de Bien Faire  - Esta a célebre divisa do Infante Dom Henrique, que era gravada  nas pedras ou nos troncos de árvores, pelos navegadores portugueses das caravelas, quando  chegavam a uma terra até então desconhecida-  Esta frase  está inscrita no túmulo do Infante D. Henrique, que era o seu lema e que hoje serve  de divisa à Escola Naval – E significa desejo ou vontade de bem-fazer, exortando a um esforço pessoal e coletivo de perfeição.

Curiosamente, quase com o mesmo significado, “QUERER E FAZER”, este o tema do projeto, de intercâmbio, que, um grupo de alunos de Medicina da Universidade da Beira Interior, Covilhã, procurou levar a cabo durante um mês, com o intuito de colaborarem no trabalho das unidades de medicina de S. Tomé e Príncipe.

Quis um feliz acaso, que nos encontrássemos, com algumas jovens desse grupo, numa bela tarde de um domingo, quando  passeavam por um dos recantos da maravilhosa costa santomense, numa das visitas que ali efetuávamos, com  o coronel Victor Monteiro. Diretor do Gabinete do  então Presidente da República. Manuel Pinto da Costa, às quais descrevemos a nossa descoberta e quisemos registar a sua opinião., que é justamente o que lhe mostramos neste vídeo.





 Ermelinda de Jesus Lima,Coronel Vitor Monteiro e  Alexandre Sousa
OUTRAS OPINIÕES - Olinda Lima , uma jovem, santomense, que vive em Portugal, onde é gestora de uma grande empresa, foi passar uns dias de férias, à sua maravilhosa Ilha, com o namorado, o Alexandre, natural de Alcobaça, e, encontrando-se no local em passeio,  deram-nos o seu testemunho  numa das visitas que,  posteriormente à nossa descoberta, ali fizemos,  acompanhado pelo coronel Victor Monteiro. Diretor do Gabinete do  então Presidente da República. Manuel Pinto da Costa. Curiosamente, o mesmo achado, nessa mesma tarde, também foi mostrado a um grupo de estudantes de medicina da Universidade da Beira Interior,  cujas opiniões  apresentamos no video anterior e que igualmente ali também passeavam.

De sublinhar que, uns dias antes, na mesma pedra,  pousaria Evaristo Carvalho,  antes de ser eleito Presidente da República de STP, durante um agradável passeio que por ali fazemos, com o propósito de lhe  revelar a descoberta  - E o mesmo sucedera, com o meu amigo Teodoro Ela Ngui, Secretário da Embaixada da Guiné Equatorial, em STP, que também mostrara curiosidade em ir conhecer a pedra, de que lhe falara,  num dos encontros numa conhecida esplanada da cidade


Evaristo Carvalho Março 2016 - Atal PR de STP -Agosto 2016



PORVENTURA, O ACHADO  HISTÓRICO QUE FALTAVA  -  Descoberta de antiga inscrição numa pedra, na orla marítima de S. Tomé,  que poderá tratar-se da célebre divisa do Infante Dom Henrique, gravada  pelos navegadores portugueses das caravelas, quando aqui aportaram, há mais de V séculos, atendendo às excelentes condições naturais da pequena baía, junto à qual se  ergue uma colina,  onde o testemunho parece ter sido registado para a posteridade – 
A inscrição, denota ser muito antiga, tal como o comprovam as observações das pessoas às quais foi mostrada a pedra  - Embora lhe faltem algumas letras, mas as que existem denotam configurar a  lendária expressão TALANT DE BIEN FAIRE  desejo ou vontade de bem fazer, exortando a um esforço pessoal e coletivo de perfeição. Esta frase  está inscrita no túmulo do Infante D. Henrique, que era o seu lema e que hoje serve  de divisa à Escola Naval



– –– Depois de um antiga espada e um antigo punhal, eis alguns carateres da famosa  divisa do Infante D. Henrique - Não é a lendária “Pedra de Dighton”, com inscrições atribuídas a Corte Real, nas costas da Nova Inglaterra, em 1511, mas poderá vir a sê-lo no futuro.


38 dias nesta canoa
Se bem que   a confirmação da descoberta, só uma análise laboratorial da rocha o poderia permitir, porém esta minha convicção baseia-se na gravação  das letras (duplo traço, denotando ser inscrição muito antiga) e  pelo facto desta se situar  numa colina sobranceira ao mar e num local de águas calmas e profundas, propícias à aproximação e acostagem de embarcações de grande porte.

A HISTÓRIA NÃO PODE DISTANCIAR-SE DOS ESTUDOS ARQUEOLÓGICOS


Dezembro de 1969
Nas ilhas do Golfo da Guiné, ainda há muitos mistérios por revelar num passado ancestral, ainda mergulhado nos escombros do tempo, mas que, com persistente sentido de crença algum sentido instintivo, cientifico,  quiçá messiânico,  poderão propiciar valiosas e surpreendentes descobertas – E revelarem-se  aos olhos daqueles espíritos que não hesitam em ir ao seu encontro, cientes de que a origem dos homens, em qualquer parte do mundo, mesmo nas mais remotas e isoladas ilhas, tem atrás de si milénios de gerações, que não advêm somente da subjugação dos tempos do ignóbil  esclavagismo – Sim, não coube apenas ao homem do continente europeu a primazia ou privilégio  do seu povoamento. Velho preconceito criado por uma civilização europeia, que,  ao longo dos séculos, se habitou a subjugar outras,  julgando-as bárbaras e inferiores.


“O descobrimento das ilhas do Golfo da Guiné está mal referenciado na documentação antiga e tem-se sugerido que ocorreu no contexto da exploração realizada por João de Santarém e Pêro de Escobar no golfo da Guiné, durante a qual se destacou a já referida descoberta da costa da Mina em Janeiro de 1471. Perante as dificuldades em ajustar a cronologia do descobrimento das três ilhas aqui em causa afigura-se-nos mais credível a aceitação da hipótese de os descobrimentos das ilhas de São Tomé e Príncipe terem ocorrido respectivamente em 21 de l Dezembro de 1478 e 17 de Janeiro de 1479, Tendo esta última ilha sido denominada inicialmente por a Santo António (Abade) ou Santo Antão, dia deste santo, passando depois a ser designada por «Príncipe», visto ter sido descoberta sob a égide do então príncipe D. João e futuro rei D. João II (desde 1481), pois desde Maio de 1474 era ele quem estava encarregado dos Descobrimentos. A fundamentar a verosimilhança da proposta destas datas, que foi avançada por Viriato Campos, está a circunstância de tais ilhas terem sido por certo aquelas que são mencionadas no Tratado de Alcáçovas assinado entre Portugal e Castela em 4 de Setembro de 1479. Neste documento tais ilhas estarão referidas, sem menção dos seus nomes" 


Ao longo da costa africana, já haviam navegado fenícios e árabes e o Infante D. Henrique, estava bem informado. A história  nem sempre é um relato fidedigno dos factos. "Se o Infante  D. Henrique e os dirigentes portugueses que se lhe seguiram proibiram a venda de caravelas ao estrangeiro, mandava a lógica que se opusessem igualmente à saída de capitães, pilotos, cosmógrafos(...) e com eles dos roteiros para as novas terras, das cartas de marear e de tudo que ensinasse a nova ciência da posição e da direcção do navio e, mais que tudo, da do sol ao meio dia." - In "DÚVIDAS E CERTEZAS NA HISTÓRIA DOS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES"  Luís de Albuquerque

EXPLICAÇÃO DADA PELA MARINHA PORTUGUESA QUE FAZ DA DIVISA DO INFANTE D. HENRIQUE,  TAMBÉM O SEU GLORIOSO LEMA

O “talant de bien faire” ficou gravado no túmulo do Infante, no Mosteiro da Batalha, e popularizou-se, sobretudo, quando em 1839, Ferdinand Denis encontrou na Biblioteca Nacional de Paris um códice encabeçado pelo título Cronica dos feitos notavees que se passarom na conquista de Guinee por mandado do Iffante dom Henrique [Crónica da Guiné]. No meio dos respetivos fólios, encontrava-se uma imagem dobrada representando um homem de chapelão, que se identifica habitualmente com o Infante D. Henrique, e, na parte inferior da folha, pode ler-se a referida expressão “talant de bië faire” (com o sinal de nasalação do “e” que hoje se substitui pela inclusão do “m” final). Divisa - Talant de Bien Faire - Escola Naval - Marinha


Teodoro  Ela Ngui,- Secretário da Emb. Guiné Equatorial


A palavra francesa “talent”, que se traduz em português por talento, tem origem numa expressão grega (tálantom) que indica “prato da balança”, peso ou valor. Assumiu a versão em latim de talentum, com sentido semelhante, e passou para o português para designar valores ou méritos intrínsecos de alguém. “Talant”, por outro lado, é uma palavra que existiu no dialeto provençal com um sentido de “desejo” ou “vontade”. Entrou na língua francesa e confundiu-se durante alguns séculos com “talent” (usado com duplo sentido), mas perdeu o significado provençal a partir do século XVII e desapareceu do uso corrente ( Èmile Littré).

CONTRIBUTO QUE PODERÁ AJUDAR A RELANÇAR A  HISTORIOGRAFIA DESTAS ILHAS 
"A História das Navegações Portuguesas tem pecado por ter sido escrita, por vezes, por quem desconhecia Arte Náutica - dizia Sacadura Cabral  (…) por  estranhos às «coisas do mar» como eram quase sempre, cronistas e historiadores . Incapazes de se imaginarem a navegando dentro dos navios antigos. Eles fiavam-se  nas versões que corriam, contadas por mareantes românticos, que acrescentavam  um «ponto» ao seu «conto».


Descobrimento e Cartografia das Ilhas de S. Tomé e Príncipe – Comunicação feita pelo Prof Doutor Armando Cortesão - no Grupo de Estudos de História Marítima, Lisboa, em 15 de Maio de 1970"Todos  os historiadores que se ocupam do «descobrimento das ilhas de S. Tomé e Príncipe» concluem que não se sabe ao certo quem foram os descobridores nem a data da descoberta; parece que ninguém se sente à vontade ao tratar do assunto - o que quase sempre acontece com o descobrimento das ilhas da parte oriental do Atlântico." - 


DESCOBERTAS PORTUGUESAS - OMISSÕES E ABSURDOS


(...) "o tope comercial dos descobrimentos, em 1466,  era a Serra Leoa. Comercial. E não de forma alguma geográfico (...) Da Serra Leoa por diante e até ao Rio Lago, da actual Nigéria, os aspectos da geografia humana mudavam inteiramente. Entre o Senegal e a Serra Leoa dominava o urbanismo flúvio-marítimo. Dali por diante, ao contrário, a população encontrava-se disseminada  ao largo do litoral em pequenas aldeias; depois do Cabo das Palmas e por toda a Costa do Ouro era muito densa, mas fraccionada em unidades mínimas, que não obedeciam a qualquer organização política, como a dos mandigas. Enquanto aquele império se desenvolvera numa zona de estepes e savanas, propícia ao deslocamento de grupos humanos, ao contrário, desde a Serra Leoa por diante  e ao largo de quase todo o Golfo da Guiné a grande floresta tropical bordava as costas, impondo a disseminação dos homens, cortando-lhes os movimentos em terra e impelindo-os para  o mar" - Diz o historiador Jaime Cortesão Volume II - In "Os Descobrimentos Portugueses r" - Diz o historiador Jaime Cortesão Volume II - In "Os Descobrimentos Portugueses 

CANOAS FAZIAM GRANDES TRAVESSIAS EM OCÁ . ENTRE S. TOMÉ E O PRINCIPE E O GABÃO – Diz investigador português - Ocá – Eriodendron anfractuosum  -Colosso. Lá no alto, nos seus frutos, dá-nos a lã d’óca, boa para almofadas e colchões. A madeira  é utilizada na construção de gamelas. Chegam a medir15X2x1x1,50 metros - Era nestas embarcações, leves de d’ocá, que, ainda em 1860, se viajava de  S. Tomé para o Príncipe e para o Gabão – Eng. Egydio Inso - 1922

As viagens marítimas são talvez tão antigas como os mares.Os fenícios, entre 1200 a 600 a.c., foram os maiores marinheiros do mediterrâneo - Mas não só: transpondo as Colunas de Hércules, entraram  no Atlântico e navegaram para sul. - O Periplus Hannonis  - É disso um extraordinário exemplo e  talvez o primeiro massacre das Ilhas do Golfo da Guiné

 "Em data indeterminada da primeira metade do século VI a. C. (apontam-se datas que vão de 560 a 425 a.C.), quando Cartago estava no seu apogeu, foram organizadas expedições destinadas a conhecer e colonizar as costas atlânticas. Foram encarregues dessas tarefas Hanão, que deveria explorar as costas africanas para sul do Estreito de Gilbraltar  e  Himílico  que deveria explorar as costas europeias para norte daquele estreito. Seriam irmãos, embora tal possa ser em sentido não literal.

Quando os europeus demandaram a costa de África, já os africanos, há muito mais tempo, haviam sulcado o litoral marítimo, subido e descido os rios e ligado as ilhas limítrofes  com as suas pirogas talhadas em enormes troncos de árvores - Pessoalmente  pude demonstrar, essa possibilidade, através das várias ligações solitárias, que efetuei: o  teste desde a cidade de S. Tomé a Anambô, 1970, onde se encontra o Padrão dos descobrimentos - Depois, as travessias, ente S. Tomé e Principie (3 dias); S. Tomé-Nigéria 12 e, mais tarde, de Ano Bom a Fernando Pó (mais à deriva que a navegar, devido à falta de equipamento (remos) que perdera por ação de um violento tornado, ao pretender regressar a S. Tomé, por não ter sido largado na corrente equatorial que me arrastaria, inevitavelmente, para oeste. Claro que qualquer destas viagens, se fosse feita acompanhado, não teria levado tantos dias