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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Voos à Ilha do Príncipe - Milionário do Grupo HBD, Mark Shuttleworth, o primeiro viajante turístico no espaço, leva a cabo outro sonho da sua vida: constrói pista para tornar o “Príncipe Perfeito” desembolsando 16 milhões – Uma longa espera anterior ao tempo colonial – Tal como ainda a do Porto Marítimo e Exploração do Petróleo. Ambos os aeroportos com acidentes aéreos – Um deles avião militar.




Depois de vários acidentes na pequena pista de 1200 metros na Ilha do Príncipe, mandada construir pelo Governador Silva Sebastião, em 1968, e após um longo período de fortes constrangimentos para as ligações e o seu desenvolvimento económico e social, eis que, finalmente, o milionário do Grupo HBD, Mark Shuttleworth,  o primeiro viajante turístico no espaço, leva a cabo outro dos grandes sonhos da sua vida, após desembolsar 16 milhões de euros. : “Em busca do Príncipe Perfeito,  constrói a nova pista do aeroporto da Ilha do Príncipe, que, com os seus 1800 metros de comprimento,  reúne condições para receber aviões de médio porte.

A inauguração de tão importante infraestrutura aeroportuária,   velha aspiração dos 8 mil habitantes da ilha do Príncipe e também um compreensível desejo para quem ali aposta  no seu desenvolvimento económico, nomeadamente no turismo - ,  contou com a presença    do Presidente Manuel Pinto da Costa, a assim como de José Cassandra, Presidente do Governo Regional da Ilha do Príncipe, bem como, entre outras entidades,  de Nuno Rodrigues, Diretor da HBD

“EM MELHORES CONDIÇÕES PARA ASSEGURAR UM MELHOR FUTURO – Disse o Presidente do Governo Regional


Em 30 de Junho
José Cassandra, considerou que, com uma tal infra-estrutura «Estamos em melhores condições hoje, mais do que ontem para continuarmos a trabalhar e consolidar o sucesso do caminho que escolhemos em prol de um Príncipe esperto, empenhado, confiante e solidário no contexto arquipelágico nacional de que fazemos parte», , "a nova pista que acabamos de inaugurar, vem não só ajudar a desencravar, a desagravar os custos da dupla insularidade, mas também aumentar o fluxo de pessoas entre as ilhas por um lado e por outro a ligação do Príncipe com a sub-região vai ser mais fácil, a vinda de mais turistas para o Príncipe...consequentemente São Tomé e Príncipe vai ganhar uma infraestrutura aeroportuária... para permitir o desenvolvimento que nós aqui pretendemos ".  

PRESIDENTE DA REPÚBLICA, PINTO DA COSTA – IMPORTANTE PASSO PARA “O APROVEITAMENTO DAS POTENCIALIDADES TURÍSTICAS DO PRÍNCIPE

O Presidente da República Manuel Pinto da Costa, no seu discurso, frisou que «A pista agora substancialmente ampliada e com pavimento de boa qualidade corrige em boa medida os problemas de segurança para aterragem e descolagem de aviões. Ela promove o aproveitamento das potencialidades turísticas do Príncipe, amplamente internacionalizadas, desde que a UNESCO conferiu a região o estatuto de reserva mundial da biosfera»,.


 O AEROPORTO DE S. TOMÉ   E DO PRÍNCIPE - COM  HISTORIAL DE VÁRIOS ACIDENTES  -


Semana Ilustrada – Julho 1974 – Por Fernando Cassandra
NOTÍCIAS  DO PRÍNCIPE - Isto aconteceu

"Acho a meu ver que se esses ,chamados os donos desta parcela de Portugal deixassem de calcar os calos  aos pequenos ( chamados elementos de instrumento de trabalho )e se preocupassem com coisas úteis para o Príncipe ... como por exemplo a electrificação do aeroporto Jorge Gorgulho

Nunca mais aconteceria o que se deu no dia 19 deJu-, I nho, em que o avião que conduzia a S.Tome os Delegados da Junta de Salvação Nacional teve que levantar voo pelas 19 boras auxiliado com luzes improprias... Isto vi eu.
Chama-se isto grande progresso !!! – Gostaria que alguém  resolvesse esse problema na medida que fosse possível, pois não há direito  haver estádio iluminado e um aeroporto às trevas."

Tanto a pista de S. Tomé, como a do Príncipe, eram más no tempo colonial – No Príncipe, num dos voos de uma avioneta, esta  ao fazer-se à pista, foi apanhada por um tronco de árvore, que, só por milagre não a fez estatelar-se e não matou ninguém, apesar de a ter furado.

.Porém, o acidente mais grave, ocorreu no aeroporto de S. Tomé, numa 6ª feira, dia 23 de Novembro de 1962  - Quando cheguei, em Nov. de 1963, a S. Tomé, ainda estava bem fresca a memória do trágico acidente de um avião militar, que, além dos doze militares da F.A, também transportava um grupo de artistas, que vinham de uma "tournée", de Angola; recordo-me perfeitamente de ouvir falar  dessa tragédia – O avião fez-se à pista pelo lado do mar mas, sendo a mesma muito curta, ultrapassou o piso batido e acabou por explodir num coqueiral, logo  a seguir, causando a morte de todos os passageiros. 

Outro acidente, mas este num raly, deu-se, em 1971, por ocasião de um festival aéreo organizado pelo Aeroclube, destinado a assinalar a entrega dos diplomas aos alunos do 2º  curso de  pilotos. Sim, que decorrera no então aeródromo de São Tomé e Príncipe, por essa altura, já tornado mundialmente famoso, devido à ponte aérea São Tomé-Biafra .

Repórter Jorge Trabulo Marques correndo para a avioneta sinistrada
A avioneta afocinhou a uma vintena de metros à minha frente. A pessoa que se vê no primeiro plano da imagem à direita, sou eu a correr para junto da Tiger, mal acabava de afocinhar. Um  pouco mais à minha frente, correm dois funcionários do aeródromo, com os extintores, prontos para apagarem os primeiros sinais de fumo, que logo começaram a notar-se. 

Encontrava-me no local a fazer a cobertura para uma reportagem da revista de Luanda, Semana Ilustrada, de que era seu delegado em São Tomé. Ainda hoje me interrogo, como foi possível, a frágil aeronave, ao embater com um  tal estrondo, com a hélice e o motor sobre o duro asfalto da pista, não ter sucedido  a quase inevitável explosão. Houve muita sorte.  Além do tripulante, teria havido ali uma tragédia, já que os estilhaços, teriam certamente atingido as pessoas que se encontravam junto à pista, eu teria sido uma delas – Felizmente, tudo não passou de um grande susto – O bastante, no entanto, para a última  parte do festival, a mais aguardada, ter sido abruptamente ensombrada e interrompida, não tendo permitido que fosse o corolário de um extraordinário espectáculo aéreo, tal como até àquele  momento,  estava a decorrer.
Findo o rali-aéreo, que tivera a participação dos novos pilotos, seguiram-se os  momentos mais aguardados do festival, com as várias acrobacias  dos pilotos veteranos:  Alfredo Trindade,  pilotando um Austim, o chefe da pequena esquadrilha; Comandante Gromicho, a asa direita, num Tiger e o Comandante Damião a asa esquerda, numa Piper Cub

E, na verdade,   mal os pequenos aparelhos se ergueram no espaço em voo rasante sobre o traço retilíneo da pista, logo deixaram antever que o público ia assistir às mais inconcebíveis demonstrações de voo e de perícia. E, de facto,  assim sucedeu, nos voos em grupo, com os três experimentados e hábeis pilotos. Só que, quando chegou a altura dos voos isolados, de cada piloto demonstrar, individualmente, as suas habilidades, aconteceu o inesperado: o Tiger tripulado pelo Comandante Gromicho, que iniciava a fase apoteótica do festival, ao  fazer um voo de alto risco, picado e rasante,  afocinhou com a  frágil avioneta, embatendo impetuosamente com a fuselagem no solo, deixando-a totalmente amolgada e danificada, fumegante, em começo de incêndio, cujo alastramento foi impedido pela pronta intervenção dos extintores.

Houve algum pânico. E houve quem desatasse a escapar-se do local, mas também houve (os responsáveis pela segurança, pilotos, repórteres e outras entidades), sim, que acorreram  imediatamente em direção à avioneta acidentada. Confesso que ainda hoje me interrogo, como, naquela tarde de um belo domingo equatorial,  o Comandante Gromicho (um dos pilotos que fazia regularmente as ligações, entre as Ilhas de São Tomé e Príncipe), logrou sair com vida do pequeno Tiger – Mas a explicação, em boa parte, ficou a dever-se à sua notável destreza e larga experiência, fechando acto contínuo a  bomba de gasolina, e, num ápice, abrindo a porta e desembaraçando-se da  modesta máquina voadora que tripulava, sofrendo apenas umas ligeiras escoriações
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 PONTE ÁREA - S. TOMÉ - BIÁFRA

O avião, que se vê na imagem a levantar voo, fez parte  da famosa ponte aérea com o Biafra, levantando voo da pista do aeródromo civil de São Tomé, a outra é a de um artigo, igualmente de minha autoria, chamando atenção para o péssimo estado da aerogare - No primeiro plano, ao fundo do texto, o avião que fazia semanalmente  a ligação com Angola, uns metros à frente do velho hangar onde estavam estacionados dois caças do Biafra, sem as asas - Lá mais ao fundo, podem ver-se, também, os velhos constellations da ponte humanitária.



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