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sábado, 3 de agosto de 2019

Guiné Equatorial – Comemora hoje o 40ª aniversário do Golpe da liberdade - Com felicitações de vários países e representações diplomáticas – Assinalada a efeméride em ambiente de paz e de festa - Com a hostilidade do coro generalizado da media ocidental que quer ali impor a “primavera árabe” do caos, destruição e saque - A Síria está devastada por milhares de conflitos internos, com mais de 250.000 mortos e levou ao êxodo milhões de pessoas a perderem as vidas no mediterrâneo. – “Na Líbia, ante o vazio e a desordem de poder surgiram máfias de traficantes que lucram à custa dos migrantes subsaarianos” – Ora é isso que a cobiça do liberalismo selvagem quer impor à Guiné Equatorial, a pretexto dos direitos humanos: – Colocar lá dirigentes, serventuários, para lhe sacarem o petróleo à vontade

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador da origem do povoamento das Ilhas do Golfo da Guiné  - A tal dita “Primavera Árabe” não foi espontânea. Pelo contrário, Estados Unidos, França e Inglaterra usaram a internet para desestabilizar o Oriente Médio e países africanos. Desde a Argélia, Tunísia, Marrocos, seus governos foram atingidos por denúncias de corrupção e levantes populares" - Que é justamente a mesma estratégia do coro veiculado pela média liberal para a destabilização da Guiné Equatorial.



1975 - regime de Macias 
A MENTALIDADE COLONIAL AINDA ESTÁ MUITO VIVA NAS ANTIGAS POTÊNCIAS COLONIAIS  - Sei, que estas minhas palavras não vão ao encontro do chamado “politicamente correto”, do sectarismo imposto por certos analistas, que fazem tábua rasa do colonialismo europeu, que transformou o continente africano, numa manta de retalhos, não se importando da sua ancestralidade cultural e étnica, escravizando, retalhando, deportando, sem dó nem piedade, milhões de negros, fazendo deles párias nas suas terras de origem – Sim, omitem essa  tragédia, desviando as atenções da opinião pública mundial, desses hediondos crimes contra a humanidade – Por meu lado, não vou nessas modas, nesse juízo fácil e ao correr das modas, porque também fui uma das vitimas do colonialismo: não me mataram, porque não calhou - E aponte-se-me qual o governante, completamente  de mãos limpas e cofres vazios na Europa, na América, Ásia ou  Oceania?  - Só em África? 

Guiné Equatorial de Parabéns! – Comemora hoje “O Golpe  da Liberdade de 3 de Agosto” por Obiang Nguema Mbasogo  - Colónia portuguesa 306 anos   - 1472 a 1778  - Colónia espanhola 190 anos – 11-03-1778 a  12-11-1968 – Festeja o seu 40 aniversario da vitória que derrubou o supremo terror de  Macias Ngumema   - Transformando, desde, então, o  país num período de paz, estabilidade e desenvolvimento, o mais frutífero em sua história, com maior renda per capita na África  e as infraestruturas mais avançadas e modernas.


Hoje, 3 de Agosto de 2019, é uma data festiva  na  Guiné Equatorial:  comemora-se o 40ª dia  do“Golpe da Liberdade”,  data que assinala o derrube do ditador Francisco Macias Nguema, deposto pelo seu sobrinho, atual Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo  - O líder africano,  que,  desde 1990, graças ao desenvolvimento  económico, imprimido pela exploração petrolífera e a outras políticas estratégicas e de visão futurista, fez com que  o seu país passasse da extrema pobreza, herdada  do colonialismo franquista e continuada, até 3 de Agosto de 1979,  por um dos regimes mais repressivos e déspotas do continente africano, logrando tornar-se, não só um dos maiores produtores de petróleo do sub-Saara, como também o país com o maior produto interno bruto per capita do continente Africano, e o 69º do mundo,


Guiné Equatorial no reinado de Macias Nguema
Em 3 de Agosto de 1979, o então Tenente-coronel Teodoro Obiang,  liderou uma revolta militar , derrubando o regime de terror de seu tio Macias Nguema, cuja revolta ficou conhecida  por o  chamado Golpe da Liberdade , que então contou com a aprovação da Espanha, que em 12 de Outubro de 1968,  declarou a  independência da Guiné Equatorial,  durante o Undécimo Governo de Espanha da ditadura franquista, como parte do processo de descolonização da África apoiado pelas Nações Unidas.
Só que, entretanto, desde que, em meados dos anos 1990, foram descobertas  grandes reservas de petróleo e, a  Guiné Equatorial  passou a ser um dos maiores produtores de petróleo do sub-Saara., sim, desde então  a cobiça liberal, não mais deixou de ter como alvo abater a soberania deste país, através de  sucessivas  tentativas falhadas de golpes de Estado com a cumplicidade de uma oposição sob o seu apoio e alto patrocínio financeiro e mediático.

NEO-COLONISMO NÃO DESARMA - AS ILHAS DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE TAMBÉM ERAM O ALVO DA GULA NEOCOLONIALISTA


Segundo noticias, então veiculadas pelo "O Sunday Times de Joannesburgo noticiou (...) a tentativa dum golpe de estado em Guiné Equatorial era só uma parte dum plano maior para tomada de poder neste país, em São Tomé e  Príncipe e Príncipe e no  DR Congo". São Tomé alvo de ataque por Espanha?

Mais uma vez, as potências externas  em vez de  contribuírem para o desenvolvimento do processo democrático dos países africanos, optarem pelos jogos de poder. Foi assim que começou a guerra do Biafra. Muitos dos mercenários, que tomaram parte no fracassado Golpe de Estado, encontram-se ainda detidos na prisão da Praia Negra, conhecida 


"Convém enfatizar que a avaliação  do governo de Obiang não pode ser feita, como pretendem alguns, comparando-os com os 11 anos de governo de seu tio, Francisco Macías Nguema, primeiro presidente do país centro-africano, logo após sua independência da Espanha, em 1968. A sangrenta ditadura de Macías foi de um horror e de uma crueldade indescritíveis"....Guiné Equatorial, apreciada pelo petróleo e criticada pela ditadura 
Estas palavras, pronunciadas ainda este ano, na conferência da Associação Africana de Países Produtores de Petróleo, em Malabo, em Abril, na  capital da Guiné Equatorial, não deverão ter soado bem aos garimpeiros da rapina liberal:
5 de Abril 2019  -           “O ministro das Minas e Hidrocarbonetos da Guiné Equatorial, Gabriel Mbanga Obiang Lima, exortou as companhias petrolíferas africanas a acordarem e reclamarem soberania sobre os seus recursos naturais.

"Outros países estão a dizer-nos que precisamos de usar o petróleo de forma mais responsável, mas quem está lá para defender o nosso nome? Temos de o fazer nós próprios. "Precisamos de garantir que defendemos o nosso produto. O petróleo e gás têm sido muito bons para a Guiné Equatorial, temos desenvolvido o país graças ao petróleo, não foi o cacau, nem foi a ajuda internacional", salientou o ministro das Minas e Hidrocarbonetos https://www.sapo.pt/noticias/internacional/petroliferas-africanas-tem-de-acordar-diz_5ca7a5f739c55e059881b363

DIRIGENTES AFRICANOS E VÁRIAS MENSAGEM DE FELICITAÇÕES AO PRESIDENTE OBIANG, EM CALOROSO AMBIENTE FESTIVO  POPULAR – MARCARAM, HOJE . AS CELEBRAÇÕES DO GOLPE DA LIBERDADE  DE 3 AGOSTO

Além das presenças de altas figuras de Estado e diplomáticas,    que não deixam de se associar  às celebrações de uma data que virou a página mais opressiva e tenebrosa no pós independência das antigas colónias europeias, várias têm sido as mensagens de felicitações,  sobre o 40º aniversário do golpe Liberdade, enviadas ao  líder histórico Obiang Nguema Mbasogo, Presidente da República, Chefe de Estado e de Governo e Presidente Fundador do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE), Capitão Geral do Exército, da Marinha e ArForça , Comandante em Chefe das Forças Armadas e de Segurança do Estado,  tanto internas como externas, nomeadamente, vindas de Chefes de Estado de  países amigos, com os quais, a Guiné Equatorial, mantém relações diplomáticas,  mas também das seus próprios representantes diplomáticos, como, por exemplo, do Embaixador da Guiné Equatorial em Portugal e à Comunidade dos  Países de Língua Portuguesa (CPLP), Tito Mba Ada, que igualmente é referido no site oficial . 

O Embaixador Tito Mba Ada felicita o Presidente O Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Guiné Equatorial em Portugal e perante a CPLP, Tito Mba Ada, felicitou o Presidente da República por ocasião da celebração do 40º Aniversário do Golpe da Liberdade. Anexamos todo o conteúdo das felicitações a esta notícia. https://www.guineaecuatorialpress.com/noticia.php?id=13744




Felicitações, estas, que,  de um modo geral, destacam a experiência e a sábia visão  do homem que, desde há 38 anos, conduz os destinos do seu pais, logrando que pudesse viver num ambiente, de progresso e paz social, sem precedentes, com níveis de um crescimento económico, de prosperidade e tranquilidade, que não se verificam, não só  nos demais países africanos, como noutras partes do mundo – Conquistas estas alcançadas em  beneficio do povo da Guiné Equatorial e do continente Africano, que “ lhe renderam grande distinção como Pai da Guiné Equatorial moderno e proeminente Pan- africanista no tempo eles estão em execução”

"Mano dura, petróleo y lucro: cuarenta años de Obiang en Guinea Ecuatorial – Esta é a tónica da  generalidade das noticias de hoje e há uns dias atrás, da media liberal europeia  – Quer lá impor uma mão de luva para lhe franquearem a roubalheira à vontade 

UM DOS PAÍSES MAIS RICOS DE ÁFRICA - NATURALMENTE QUE NÃO PODIA DEIXAR DE SER COBIÇADO  PELO LIBERALISMO SELVAGEM 

Guiné Equatorial em termos de renda per capita é o país mais rico de África. A descoberta e exploração de grandes reservas de petróleo e gás natural contribuiu para um elevado crescimento economia , mas a flutuação dos preços internacionais do petróleo produzido grandes variações na taxa de crescimento do PIB nos últimos anos. Até 1996 a riqueza do país foi baseada em agricultura e pesca , com produtos como o algodão , o café , a cana-de-açúcar , várias frutas , etc. Também depende do gado , exploração de madeira e minerais , particularmente metais preciosos .

Três ramos compõem a estrutura de governo: Executivo, Legislativo e Judiciário. O pluralismo político foi criada em 1992 e desde então existem 17 partidos políticos legalmente reconhecidos. Em 2011 foi estabelecido um sistema presidencial, incluindo um presidente, um vice-presidente, um Senado de 70 membros, um tribunal de contas, ombudsman, um Conselho da República, e Econômico Nacional e do Conselho Desenvolvimento Social . O Presidente da República é eleito por sufrágio universal para um mandato de sete anos, sendo limitado a dois termos. O país tem feito as eleições presidenciais em 1991, 1996, 2002, 2009 e 2016; e eleições legislativas em 1999, 2004, 2008 e 2013. As últimas eleições presidenciais 

O Presidente da República da Guiné Equatorial, Obiang Nguema Mbasogo , ocupa o Chefe de Estado, símbolo da unidade nacional e representa toda a nação. É o Comandante Supremo das Forças Armadas e de Segurança do Estado. Ele é eleito por sufrágio universal, directo e secreto por maioria relativa dos votos validamente expressos por um período de sete anos renováveis..De 03 de agosto de 1979, o Presidente da República da Guiné Equatorial é ocupado por Obiang Nguema Desde então, a Guiné Equatorial goza o período de paz, estabilidade e desenvolvimento mais frutífero em sua história, é hoje um dos países com maior renda per capita na África per e aqueles com infra-estrutura mais avançada e moderna.

GUINÉ EQUATORIAL TRÊS SÉCULOS -  COLÓNIA PORTUGUESA 

Guiné Equatorial  - Colónia portuguesa 1472 a 1778  - E colónia espanhola, desde então até 12 de Outubro de 1968. Está localizado na sub-região da África central com uma área de 28,051.46 km2, com continente e outras ilhas formadas pelas ilhas de Bioko, Annobom, Corisco, Elobeyes e ilhotas adjacentes. Com uma população de 1,222,442 habitantes residentes..


QUEM É QUE DIZ QUE A  GUINÉ EQUATORIAL NÃO DEVERIA PERTENCER À CPLP? - UM TERRITÓRIO DESCOBERTO POR PORTUGUESES E NA SUA POSSE MAIS DE TRÊS SÉCULOS? - Não foram os pobres  e humiles negros que quiseram deixar de pertencer à coroa de Portugal, bem pelo contrário, até se opuseram violentamente quando foram confrontados com as imposições régias, mas os arranjos palacianos -  ... "e tendo se celebrado o officio Divino da Missa acabado elle convocando o Capitão Mor da sobredita Ilha, e alguns negros mais principaes, lhe propus as ordens de Sua Mag.de Fidelíssima, para a cessão da mesma, dizendo lhes hera precizo, que juraçem obediencia a El Rey Catholico, como determinava a Nossa Soberana, ao que me responderão  todos, que não, e que elles não conheciao senão a El Rey de Portugal, e que do de Espanha nunca ouvirão falar;


Fernando Pó - 1771
1770/Ju/ho/16, Lisboa - «Quarta instrucção para Vicente Gomes Ferreira sobre a ilha de Fernão do Pó.

(...) a ilha de Fernão do Po foi duscuberta no reinado de El Rey D. Affonço 5°, por hum cavalheiro portuguez, que lhe deu o seu nome; Que a dita ilha foi habitada por portuguezes; E que nella construirão os mesmos portuguezes huma Fortaleza: que ainda hoje vem marcada em algumas cartas geográficas debaixo do nome; de ilha e forte portuguez; Como são as cartas de Guilherme de L'Isle; E que por consequencia havia para ali huma navegação portugueza.

Hé igualmente certo; que os inglezes, francezes, e ho)andezes, que fazem o comercio da escravatura, e do marfim, na Costa do Leste, ou Reino de Benin, frequentam a dita ilha; Que nellas vão tomar provizoens para os seus navios;/ Taes como são mandioca, inhames, milho em massaroca, bananas, lenha, e agora, que hé muito boa; e que todas estas provizoens achão em grande abundancia.

1771 - Ano Bom
Tambem hé certo, que as mesmas naçoens commerceão estes generos com os naturaes da ilha, a troco de barras de ferro pequenas, facas, panos riscados, agoa ardente, e outros generos semilhantes. De que  tambem se segue, que há prezentemente huma navegação, e commercio estabelecido, entre a referida ilha e as ditas naçoens, sem que estas encontrem, nem os perigos de mar, nem a crueldade dos habitantes, que tanto tem atemorizado os iludidos portuguezes.

Alem disto basta olhar para as cartas geograficas da Costa de Africa, para se conhecer a importancia da ilha de Fernão do Po.

Elia fica seis legoas distante da terra firme, com facil navegação, para todos os portos da Costa de Leste, desde o velho Calabar, até/ o porto de Benin. Ella esta situada entre a dita Costa, e as ilhas do Principe, e de Santo Thomé. E nesta pozição pode sem dificuldade embarassar, e cortar toda à communicação das mesmas ilhas, com todos os portos do Reino de Benin. De sorte que se a dita ilha, passasse ao dominio de qualquer outra nação industrioza, perderiao as ilhas do Principe, e de Santo Thomé todas as ventagens, que tirão do que vender nas outras naçoens; porque dali se forneceriam todas, de quanto lhes fosse necessario. Ficarião as ditas ilhas expostas a todos os inconvenientes de hum vezinho incomodo, e ambiciozo. E ser-lhes hia precizo renunciar todo o commercio do Reino de Benin, que não poderião fazer sem o consentimento da potencia, que dominase em Fernam do Po.

Por estas consideraçoens tem Sua Magestade determinado fazer reviver a navegação, e commercio daquelle estabelecimento portuguez, mas antes de se tomarem/ as medidas necessarias a este fim. Hé' o mesmo Senhor servido, que logo, que Vossa merce tiver disposto tudo o que lhe vai ordenado sobre as ilhas do Principe, Santo Thomé, e Anno Bom, mande preparar huma balandra, ou escuna, das que há na dita ilha do Principe, com suficiente numero de gente escolhida, e experimentada, dando o commandamento della a hum homem prudente, e dezembarassado, que se transporte em direitura a ilha de Fernão do Po. Que leve consigo algus generos proprios do uzo, e da estimação dos habitantes da dita ilha; E hum, ou dous praticos, que lhes saibão fallar e entender a lingoa; Que em chegando à Costa da mesma busque o porto, ou ensiada que lhe parecer mais commoda para o dezembarque; Que saltando a terra leve unicamente comsigo a parte da equipagem que lhe parecer suficiente para sua defença em cazo de extrema necessidade; 

Que a dita equipagem ainda que leve armas por mayor precaução se lhe deve defender absolutamente todo o uzo dellas, excepto no sobredito/ cazo extremo; Sendo certo que quazi sempre a imprudencia das descubridores, procedida do seu proprio, e mal entendido medo fazem perder as mais faceis emprezas que se poderiam conseguir com o unico dezembaraço, e tranquilidade de animo dos que os dirigem; Hé muito provavel que logo que a embarcação lançar ancora, concorrão os habitantes à praya, por conta do seu commercio, e da mesma forma que praticão com as outras naçoens; E aqui os deve o commandante tratar com toda a suavidade, e bom modo, fazendo-lhes alguns prezentes, particularmente a mulheres na forma que se pratica com sucessos em semilhantes occazioens.- Excerto - Compilação de Carlos Agostinho das Neves



TESTEMUNHÁMOS COM OS NOSSOS PRÓPRIOS  OLHOS DE COMO A GUINÉ EQUATORIAL É HOJE BEM DIFERENTE DAQUELA   QUE  CONHECEMOS HÁ 42 ANOS     

Jorge Trabulo Marques  - Jornalista  - E o seu testemunho 42 anos depois de ter sido encarcerado para ser condenado à pena de morte por Macias Nguema, na famigerada cadeia Central, por suspeita de espionagem, quando ali acostou a bordo de uma piroga, após 38 longos dias de naufrágio 

E libertado pelo então jovem comandante das Forças Armadas e Policiais,  Obiang Nguema Mbasogo, que três anos depois  derrubaria seu tio, em 3 de Agosto de 1979, através do chamado   Golpe de Libertad

Quem entrasse naquela cadeia, entrava para a lista da morte.  Eu bem me apercebi dos gritos lancinantes e de terror dos  pobres infelizes, que, depois da meia noite, eram executados, não pelas balas (que isso fazia demasiado barulho e ficava caro, pois, naquela altura, o petróleo, ainda não tinha ali feito jorrar milhões de dólares, sendo então considerado o país mais oprimido e miserável de África) mas por garrotes de asfixiamento!.
Convidado Especial do VI  Congresso do Ordinário do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE),que decorreu nos dias 4,5 e 6 de Julho, em Bata, sob o lema .  "a Renovação Continuidade, em ambiente de calorosa e significativa participação,  com transmissões diretas da televisão nacional e   das várias cadeias estrangeira

Recordamos, que, no seu discurso de abertura do referido congresso, o Presidente da Guiné Equatorial, Obiang Nguema e fundador do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE),   destacou a situação de paz e de progresso político e socioeconómico no seu país, comparativamente ao ambiente de conflitualidade, fome, marginalização, deslocamentos em massa de outras nações africanas"

Recebido pelo Secretário-Geral do PDGE
Referem analistas que“o espetacular crescimento económico na República da Guiné Equatorial nos últimos anos, graças principalmente a produção de petróleo, tem permitido, entre outras coisas, a criação de uma infra-estrutura única em toda a África. 

O principal objetivo do governo em trazer este trabalho titânico de reconstrução é a dotar o país precisava diversificar a economia e permitir que, no futuro, não se baseiam apenas em ferramentas de petróleo. Para fazer isso, no momento, o governo detém mais de 800 projetos de construção diversificados vai, entre outras coisas, promover o turismo no país.

TITO MBA ADA - UM EMBAIXADOR QUE SE REPARTE POR 4 CAPITAIS DA CPLP POR PAIXÃO E CONVICÇÃO   - E POR UMA PORTA ABERTA AO MUNDO - "Queremos que todos os dias venham a conhecer o nosso país"




Embaixador Tito Mba Ada

Embaixador Tito Mba Ada: “Portugal é um dos países que beneficiou da integração da Guiné Equatorial na CPLP, em termos de negócios”. “Temos muitas ligações antigas com Portugal, e a Comunidade é uma prioridade para a Guiné Equatorial, e queremos que todos os dias venham portugueses conhecer este belo país” – Três séculos, possessão portuguesa, que o tratado de El Pardo separou contra a vontade do povo nativo:

 “” convocando o Capitão Mor da sobredita Ilha, e alguns negros mais principaes, lhe propus as ordens de Sua Mag, dizendo lhes hera preciso jurarem obediencia a El Rey Catholico, me responderão que não, e que elles não conheciao senão a El Rey de Portugal, e que do de Espanha nunca ouvirão falar; ao que se sseguio hum motim geral de Homens e/ Mulheres”

 com o Embaixador Tito Mba Ada
“Cremos que muitos portugueses não conhecem a Guiné Equatorial. Têm que vir conhecer a Guiné Equatorial, investir na Guiné Equatorial, conhecer os guineenses, e trabalhar juntos, porque juntos somos mais fortes e competitivos” – Declarou-me,  o Embaixador Tito Mba Ada, numa honrosa e interessante entrevista, que me concedeu  no Centro de Conferências de Ngolo, em Bata, no encerramento do VI Congresso Ordinário do Partido Nacional Democrático da Guiné Equatorial, que decorreu, na primeira semana de julho, em ambiente de calorosa e significativa participação,  com transmissões diretas da televisão nacional e   das várias cadeias estrangeiras,   sob o Lema A Renovação Continuidade

A Guiné Equatorial foi admitida a 23 de julho de 2014 como membro CPLP, na X cimeira de chefes de Estado e de Governo da organização, em Díli, na sequência de  um processo de dez anos.

Tito Mba Ada, que é também representante da missão permanente da Guiné Equatorial junto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), reside em Portugal, pais pelo qual se confessa apaixonado:

Cremos que muitos portugueses não conhecem a Guiné Equatorial. Têm que vir conhecer a Guiné Equatorial, investir na Guiné Equatorial, conhecer os guineenses, e trabalhar juntos, porque juntos somos mais fortes e competitivos

Portugal é uma potência turística, porque acolhe mais de três milhões de turistas, então é um dos países que sabem gerir a afluência turística. A Guiné Equatorial é um destino óptimo, um dos melhores de África, e é uma prioridade para o Governo do meu País, portanto é uma área decisiva.

Tributo à poeta Maria de Assunção Carqueja"Só conseguimos viver fora de nós o que dentro de nós podemos ver...

De Peregrino da Luz   - Auto-retratos do Heterónimo de Jorge Trabulo Marques.
 em suas peregrinações



FORA DE NÓS" -Poema de Maria de Assunção Carqueja" Que Deus a tenha no seu sagrado altar dos justos"
"Só conseguimos viver fora de nós
o que dentro de nós podemos ver...
Deve parar também a nossa voz
nos limites do nosso conhecer!
No íntimo de nós estamos sós
sem podermos sair do nosso ser
que, como rio , vai passar a foz
e no desconhecido vai morrer...
Que sabemos do "nada" que já fomos?
Antes do nosso ser nós nada somos
e desejar saber é ousadia...
O que fora de nós vamos pensando
e só nos horizontes que sonhando
sabemos construir no dia a dia !...
Poema de Maria de Assunção Carqueja
Já falecida, vitima de câncer
Do seu livro "As nuvens passam..."

VIDEO - "A Velhinha” – Clike e Ouça este lindo poema da saudosa, Maria de Assunção Carqueja” do seu livro “As Nuvens Passam" - Lido pelo seu marido, Adriano Vasco Rodrigues, , na celebração do Equinócio do Outono, no dia 23 de Setembro, de 2014, nos Templos do Sol - Em Chãs - V. N de Foz Côa


Maria Assunção Carqueja  - Adriano Vasco Rodrigues - https://pt.wikipedia.org/wiki/Adriano_Vasco_Rodrigues

Licenciada em Ciências Históricas e Filosofia pela Universidade de Coimbra. Curso de Ciências Pedagógicas (U.C.). Estágio e Exame de Estado para a docência em Filosofia.
Dirigiu o Centro de Docência Científica do Instituto de Investigação Científica de Angola. Metodóloga.

Técnica Científica da União Europeia na área da Filosofia da Schola Europaea. Membro da Association International des Professeurs de Philosophie. Autora de trabalhos de investigação, de que distingue: “A dimensão moral nas comunidades africanas de expressão bantu”, in Áfricana, n.º 3, s.l., 1988; Felgar: história, indústrias artesanais, património, s/d; Noções de Filosofia: 7.º ano liceal, Porto, Porto Editora, s/d; Personalismo, Liberdade e Compromisso; Documentos medievais de Torre de Moncorvo, Torre de Moncorvo, Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, 2007.


sexta-feira, 2 de agosto de 2019

MEU TRIBUTO AO EMBAIXADOR DO BRASIL EM CABO VERDE, JOSÉ CARLOS LEITÃO - Ele foi o portador, quando me recebeu na Embaixada do Brasil, em STP a poucos meses de terminar a sua missão no arquipélago santomense, da Mensagem do Povo da República Democrática de STP ao Povo da República Federativa do Brasil, que, eu, 41 anos atrás, não pude entregar quando tentei atravessar o oceano numa frágil canoa, tendo acabado por viver uma das mais dramáticas provas de sobrevivência, ao longo de 38 tormentosos dias

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e Investigador 

















JOSÉ CARLOS LEITÃO, A IMAGEM E O PERFIL DE UM EMBAIXADOR DO BRASIL EM STP. QUE DEIXOU NESTAS MARAVILHOSAS ILHAS, AS MELHORES RECORDAÇÕES – Figura de alto nível na diplomacia brasileira, que, em  Outubro de 2016, transitava para Cabo Verde,  bom demais para se queimar inutilmente com um governo conflituoso, arrogante e ditatorial 


FINALMENTE, 41  ANOS DEPOIS, ENTREGUE A "MENSAGEM DO POVO DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE AO POVO BRASILEIRO" -  QUE NÃO CHEGOU AO DESTINO MAS QUE NÃO PERDI  
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Na cerimónia da despedida - Pres da AN e  o Embaixador
Quis, porém, a sorte ou os mistérios da vida  que o portador fossse o Embaixador do Brasil, em S. Tomé e Principe, José Carlos de Araújo Leitão,  pouco antes de partir para Cabo Verde, «Após 4 anos e meio de trabalho um saldo muito positivo da minha experiência profissional em São Tomé. Vivi aqui uma quadra muito importante da minha maturidade. Não foi somente a questão profissional que prevaleceu. É preciso dizer que o aspecto humano da vida teve um peso muito relevante no conjunto de situações vividas na qualidade de embaixador. Minha primeira experiência plena como chefe de missão diplomática», 



Télá Nón. Outubro 2016
Declarava,  então,   o prestigiado diplomata, em meados de Outubro de 2016,  na  cerimónia de despedida num espaço "onde deixou uma marca activa da sua presença em São Tomé e Príncipe - Referia, então, o Téla Nón, apontando "o Centro Cultural Brasil-São Tomé e Príncipe, como o  espaço que José Carlos Leitão, transformou numa referência cultural na cidade de São Tomé", no qual vários " grupos culturais brasileiros trouxeram aos são-tomenses, as cores da identidade brasileira e descobriram as marcas da santomensidade. De um lado e do outro, os dois povos foram se conhecendo mais, as semelhanças e as diferenças impostas pela história. https://www.telanon.info/politica/2016/10/20/23009/adeus-ao-embaixador-do-brasil-em-stp/

Encontro com Jose 


MISSÃO ESPINHOSA, ARRISCADA E  DURA - MAS O SONHO COMANDA A VIDA - E ALGUM DIA HAVERIA DE CHEGAR AO DESTINO, FOSSE QUAL FOSSE A ROTA  ESCOLHIDA - CONQUANTO O PORTADOR FOSSE TEMERÁRIO, DIGNO  E SÉRIO:  - Quando descobri, José Carlos de Araújo Letão, imediatamente me apercebi que .ele fazia parte de um destino por cumprir - E passou a ser o portador dos sentimentos expressos há  quatro décadas atrás por  José Fret Lau  Chong, então ministro da Informação, Justiça e Trabalho, entre 1975 e 1976, considerado uma das memórias vivas da luta pela independência de São Tomé e Príncipe, conquistada a 12 julho de 1975, que  representou o Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe (CLSTP) em várias frentes em Portugal, Alemanha e Marrocos.


Os brasileiros são por natureza calorosos, extrovertidos, alegres  e comunicativos: e fazem-no com naturalidade – Porém, num bom diplomata, há estas qualidades intrínsecas e outras a saber dosear, que a sua missão lhe impõe e sem exageros: o justo uso do sabedoria, da oratória e da inteligência, com sobriedade, simpatia e calor humano – Foram estas as qualidades que me chamaram atenção, desde o primeiro momento que cumprimentei e fotografei, o Embaixador  do Brasil em São Tomé e Príncipe, José Carlos de Araújo Leitão.  

Foi no final da celebração do 12 de Julho, na Praça da Independência, em 2015, quando descia da Tribuna de Honra, ao lado da Embaixadora de Portugal, Paula Silva, que horas depois voltaria a reencontrar no almoço comemorativo, que teve lugar nos jardins da Roça Agostinho Neto, antiga Roça Rio do Ouro, da Sociedade Agrícola Vale Flor

Depois disso, deu-me a honra o prazer de participar na inauguração da minha exposição, Sobreviver no Mar dos Tornados", que apresentei no Centro Cultural Português, com a presença do Ministro da Educação, Cultura e Ciência, Olinto Daio, entre outras personalidades.- 
Pormenores em http://canoasdomar.blogspot.com/2015/07/em-s-tome-encerramento-da-exposicao.html






HÁ 4 ANOS - EXPOSIÇÃO SOBREVIVER NO MAR DOS TORNADOS 38 DIAS À DERIVA   – “Experiência de vida única” que é “também a demonstração do querer humano sobre as adversidades” “davam um filme” – Palavras de Olinto Daio”, Ministro Educação, Cultura e Ciência - Na verdade, há momentos que, por tão tormentosos e solitários na vasta imensidão oceânica, são verdadeiras eternidades – Que o digam todos aqueles que passaram pela dramática e dificílima situação de náufragos. Outros, nunca o terão podido expressar, visto terem ficado sepultados para sempre no silêncio eterno do fundo dos abismos submarinos. Pessoalmente, quis Deus ou o destino que fosse um dos sobreviventes, de entre os milhares de vítimas, que, por esta ou por aquela razão, anualmente, são tragados pela voragem dos oceanos e pudesse transmitir o testemunho daquilo que o engenho, a força de vontade e o querer humano, poderão lograr, face às maiores provações. 




27 de Julho 2015
Ministro da Cultura, Olito Daio 
Mas também voltaria a fotografá-lo  noutras cerimónias publicas, em Fevereiro e Março de 2016, nomeadamente por ocasião dos cumprimentos  dos embaixadores ao então Presidente da Republica Manuel Pinto da Costa  – E, em todos os momentos, quer a sua natural forma de exprimir, o seu à-vontade,  a forma de sorrir e de  comunicar, fosse qual fosse a cerimónia ou o evento ou com quem quer se relacionasse, ali estava um digno respeitante do seu país, um diplomata que não desilustrava a proverbial e calorosa simpatia

Ciente de que tinha ali um interlocutor, lembrei-me de finalmente poder concretizar um desejo, há muito adiado: a de que pudesse ser ele o portador certo da mensagem que pessoalmente, desde há 41 anos,  quis transportar de Canoa de S. Tomé ao Brasil 


EMBAIXADOR JOSÉ CARLOS LEITÃO, FINALMENTE O PORTADOR DA "MENSAGEM DO POVO DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE AO POVO BRASILEIRO" -  QUE NÃO CHEGOU AO DESTINO

Com muita pena minha, não pude atravessar o oceano e a  mensagem que me acompanhava, tomou também comigo outro rumo. No entanto, já me dei por feliz  ao poder fazê-lo 41 anos mais tarde: não em terra brasileira mas num espaço que é como se fosse o de uma casa brasileira, sim, fazendo  a honrosa entrega da mesma mensagem, a uma mui distinta figura,  digno portador, na sua qualidade do mais alto  representante da  Nação Brasileira em S. Tomé e Príncipe -  Pude entregá-la ao Sr. Embaixador . José Carlos de Araújo Leitão, que me recebeu no salão nobre da embaixada do Brasil em S. Tomé 

Em meados de Outubro,  pouco tempo   depois da Independência e após a escalada do Pico Cão Grande, deixaria São Tomé a bordo do pesqueiro Hornet para ser largado numa piroga na Ilha de Ano Bom, 180 Km a sul da linha do Equador, a fim de tentar a travessia atlântica - com uma mensagem  redigida  por José Fret Lau Chong que então desempenhava as funções de ministro da Informação, Justiça e Trabalho – cargo que ocupou entre 1975 e 1976 – a qual dizia, entre outras palavras, o seguinte: 

"Salientamos o espírito aventureiro que preside à iniciativa do Camarada  Jorge Marques, que, depois de uma viagem experimental , e bem sucedida de S. Tomé à Nigéria, também de canoa, propõem-se avançar, desta feita, mais significativamente, programando o percurso S. Tomé- Brasil."
"A recente independência  nacional de S. Tomé e Príncipe, e a consequente libertação do nosso povo do domínio colonial português, reforça a afinidade dum passado histórico comum com o Povo Brasileiro, e daí, a razão de ser de uma irmandade que importa  reviver, sempre que possível, para se reforçar. 


Assim, aproveitando a travessia  atlântica do camarada Jorge Trabulo Marques, que servindo-se de uma simples canoa, vai percorrer  o mar, de S. Tomé ao Brasil, evocando a rota por que, na era retrógrada, os escravos eram conduzidos  para as plantações  da cana do açúcar, o povo de S. Tomé e Príncipe, representado pela sua vanguarda revolucionária,  o MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE (MLSTP), saúda fraternal e calorosamente, o povo irmão do Brasil" - Excerto


Em Novembro de 2014 - Junto à residência   de José Fret Lau Chong para lhe oferecer a cópia da mensagem que, de algum modo, me salvou de ser enforcado na famigerada cadeia black Beack, a mando do então ditador Francisco Macías Nguema , por suspeita de espionagem

Depis da minha travessia de S. Tomé à Nigéria, numa frágil canoa,  uns meses depois e já com S. Tomé e Principe, indeoendente,  regressei à capital para concluir a escalada do Pico Cão Grande e tentar a travessia oceânica – Pois precisava de um teste maior para demonstrar que as canoas eram capazes de efetuarem longas travessias, apesar de serem os meios mais primitivos nos mares.


"Não vês, como está o mar?!... Vais morrer!!.. Fica connosco!..

A canoa "Yon Gato" foi carregada a bordo do pesqueiro Hornet, em meados de Outubro,  de 1975, ao largo da Baía Ana de Chaves para ser largada na corrente equatorial - Porém, contrariamente ao prometido, ao fundear junto à Ilha de Ano Bom (Guiné Equatorial) com o pesqueiro envolvido por enorme agitação noturna, varrido de  proa à popa,  pelas já habituais  tempestades da época das chuvas, que o assolaram nas anteriores noites, o comandante chama-me à câmara de comando para desistir  do meu propósito e coloca-me num dilema:  ou fico a trabalhar a bordo ou tenho que ser largado com a canoa. De resto, este era também  o aviso e a  vontade expressa da  tripulação: "Jorge! Não vês, como está o mar?!... Vais morrer!!.. Fica connosco!.." Não tendo aceite a sua proposta, obriga-me assinar um termo de responsabilidade, antes de arrear a canoa ao mar.

Com Ano Bom ao fudo e de proa a Norte
Face à impossibilidade de tomar a rota para oeste, e, 
como as correntes e os ventos, ali me puxavam para norte, resolvi apontar meu rumo para voltar a S. Tomé e tentar a travessia noutra oportunidade

 Após um dia de navegação normal, com vento pela popa e à vela - mas sempre perseguido por duas canoas  para me roubarem os alimentos, dada a extrema penúria vivida naquela ilha - surge o inevitável temporal: um violento tornado, ao princípio da noite, vindo do sudeste,  uma súbita rajada de vento seguida por uma enorme vaga, apanha-me desprevenido e ainda com a nova casca de noz,  mal acabada de experimentar,  solta-me o leme (que lhe adaptei - e só por milagre também eu não fui atirado, com a cana do leme, para o seio daquela escurissima confusão, que só a curtos espaços os relâmpagos iluminavam) deixa-me a piroga atravessada à vaga e desgovernada, varrendo-me os apetrechos e forçando-me alijar da maior parte de viveres para aliviar o lastro e não ir ao fundo

Era o começo de um longo e exaustivo tormento . Encontrava-me no Atlântico Sul , em pleno mar alto,  a 350 km da costa  leste do continente africano  e 180 km a sudoeste da ilha de São Tomé.  Depois dos longos 38 dias de solidão no mar, muitos dos quais sem comida e bebendo água das chuvas ou água salgada,  com vários ataques de tubarões, acabei por acostar em Bioko. onde fui preso e enviado paraa sinistra prisão da Playa Negra   onde sou tomado por espião e encarcerado numa cela da Cadeia Central para ser executado, já que este era o destino de quem ali era condenado: entrar vivo e sair cadáver.

  Felizmente, é a mensagem,  autenticada pelo MLSTP, que havia sido escrita para saudar o Povo Brasileiro - admitindo que pudesse fazer a travessia até ao Brasil - que    me vai salvar a vida. 

Guiné Equatorial no reinado de Macias Nguema
Obianag - Então com 34, meu libertou
Mesmo assim, dada a  persistente desconfiança do então Presidente Macias, que nem depois de  enviar o seu barbeiro pessoal (o santomense, Sr. Bandeira) se convencera, nem da veracidade da referida mensagem, nem dos meus argumentos,   quem  acaba por ordenar a minha soltura é o seu sobrinho, o então comandante das Policias e das Forças Armadas, o atual Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, a quem fico a dever a vida

Tributo a Agostinho Neto - Ecoando e repercutindo os amáveis sons de África - "Seguindo o caminho das estrelas pela curva ágil do pescoço da gazela sobre a onda sobre a nuvem com as asas primaveris da amizade"

De Peregrino da Luz, dos Mares e dos Montes







"Seguindo
o caminho das estrelas
pela curva ágil do pescoço da gazela
sobre a onda sobre a nuvem
com as asas primaveris da amizade

Simples nota musical
indispensável átomo da harmonia
partícula
germe
cor
na combinação múltipla do humano

Preciso e inevitável
como o inevitável passado escravo
através das consciências
como o presente

Não abstrato
incolor
entre idéias sem cor
sem ritmo
entre as arritmias do irreal
inodoro
entre as selvas desaromatizadas
de troncos sem raiz

Mas concreto
vestido do verde
do cheiro novo das florestas depois da chuva
da seiva do raio do trovão
as mãos amparando a germinação do riso
sobre os campos de esperança

A liberdade nos olhos
o som nos ouvidos
das mãos ávidas sobre a pele do tambor
num acelerado e claro ritmo
de Zaires Caláaris montanhas luz
vermelhas de fogueiras infinitas nos capinzais violentados
harmonia espiritual de vozes tam-tam
num ritmo claro de África

Assim
o caminho das estrelas
pela curva ágil do pescoço da gazela
para a harmonia do mundo.

De Agostinho Neto 



Agostinho Neto nasceu na aldeia de Kaxicane, região de Icolo e Bengo, a cerca de 60 km de Luanda. O pai era pastor e professor da Igreja Metodista e, a sua mãe, era igualmente professora.

Após ter concluído o curso liceal em Luanda, trabalhou nos serviços de saúde e viria a tornar-se rapidamente uma figura proeminente do movimento cultural nacionalista que, durante os anos quarenta, conheceu uma fase de vigorosa expansão em Angola.
Decidido a formar-se em Medicina,  embarca para Portugal em 1947 e matricula-se na Faculdade de Medicina de Coimbra, e posteriormente na de Lisboa. Dois anos depois da sua chegada à Portugal, foi-lhe concedida uma bolsa de estudos pelos Metodistas Americanos.
Envolve-se desde muito cedo   em actividades políticas sendo preso em 1951, quando reunia assinaturas para a Conferência Mundial da Paz em Estocolmo. Após a sua libertação, retoma as actividades politicas e torna-se representante da Juventude das colónias portuguesas junto do Movimento da Juventude Portuguesa, o MUD juvenil.
E foi no decurso de um comício de estudantes a que assistiam operários e camponeses que a PIDE o prendeu pela segunda vez, em Fevereiro de 1955 só vindo a ser posto em liberdade em Junho de 1957.
Por altura da sua prisão em 1955 veio ao lume um opúsculo com poemas seus, que  denunciavam as amargas condições de vida do Povo angolano http://www.lusofoniapoetica.com/artigos/angola/agostinho-neto/biografia-agostinho-neto.html