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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Surfista Jéjé Vidal no Sporting - O genial atleta santomense que eu fotografei e entrevistei, há 6 anos, em Santana, foi agora, aos 21 anos, contratado pelo Sporting Clube de Portugal, depois de se destacar no Surf no seu país, onde é detentor vários títulos nacionais em São Tomé e Príncipe

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

Numa entrevista dada ao Jornal Sporting, Jéjé declara que  , ” O Sporting CP é um Clube com muita história desportiva. É uma honra e uma grande responsabilidade fazer parte desta grande família. Estou muito feliz por ser um dos surfistas que irá representar o Clube. Espero continuar aqui por muitos anos. Também fico feliz porque sei que vou representar o meu país no Clube e São Tomé e Príncipe terá muito orgulho disso”. Luís Perloiro e Jéjé Vidal são as mais recentes apostas do surf do Sporting Clube de Portugal. -. ps://stpdigital.net/desporto/surfista-sao-tomense-jeje-vidal-assina-pelo-sporting-clube-de-portugal

RECORDO A POSTAGEM QUE EDITEI - Em Março de 2015

São Tomé, 15 de Junho de 2014 - O jovem surfista Jéjé (...), aos 15 anos de idade, campeão nacional de surf de São Tomé e Príncipe, Jéjé vence edição 2014 do Mochecst Surf de São Tomé e Príncipe

Este é o genial surfista Jéjé, que, com apenas 15 anos, se sagrou “campeão nacional de surf de São Tomé e Príncipe, no culminar das várias eliminatórias que constituíram a edição 2014 do Campeonato MocheCST Surf. "O evento foi realizado na Cidade de Santana, tendo sido esta a 1ª edição patrocinada pela Mochecst a marca e tarifário dedicados aos jovens estudantes lançado pela CST, Companhia Santomense de Telecomunicações” Surfe em Tomé e Príncipe 




A breve entrevista ocorreu por um feliz acaso, junto à praia de Santana, donde é natural, momentos depois de um dos seus habituais treinos. Longe ainda de saber que estava perante uma das mais talentosas promessas do surfe nas ilhas Verdes do Equador. Só, mais tarde, já em Portugal, instado pela minha curiosidade jornalística, querendo, através da Internet,  recolher mais informação da prática desta modalidade desportiva, nestas ilhas, é que me apercebo, que, afinal havia estado perante um verdadeiro campeão. Simples, simpático, desprendido, comunicativo e humilde. São assim os grandes talentos: modestos e sem vaidade, sem necessidade de exibir prémios ou galões.

O agradável encontro, ficou a dever-se a uma curta paragem  de um passeio  que estava a fazer ao sul de S. Tomé, na companhia do meu compatriota Manuel Gonçalves. Ao passarmos de jipe  por esta localidade, pedi-lhe para que ali parássemos por uns momentos para relembrar velhos tempos e registar algumas imagens. Lá estava a linda igreja, o cruzeiro, um pequeno aglomerado de casas, umas em cimento outras ainda de madeira,  na sua arquitetura típica,  mas sobretudo aquela baía tranquila voltada a nascente, ornada de vegetação e no vaivém eterno das suas águas azuis, quentes e espumosas. Sem dúvida, dispondo de excelentes condições para os amantes do surf, que, pelos vistos, já começa a despertar o interesse não só local como internacional.

Jéjé diz que nestas águas não há o perigo do tubarão e que as águas quentes são propicias à prática do surfe em qualquer altura do ano . Aprendeu com uma tábua de acácia e com o Marley

A este breve registo, em vídeo – e para ficar a conhecer um pouco  melhor o perfil do Jéjé - aproveito para  tomar a liberdade de juntar uma interessante entrevista concedida ao SURFE PORTUGAL

Jéjé confirmou o estatuto de mais talentoso surfista da ilha de São Tomé. Foto: MocheCST
Foi há pouco mais de um ano que começou a surfar em cima de uma verdadeira prancha de surf, mas na realidade já o fazia há mais tempo com os seus colegas de São Tomé, aproveitando qualquer pedaço de madeira para fazer espumas. Jéjé faz parte de um grupo especial de jovens são-tomenses que partilham com uma alegria única as ondas de Santana, na ilha de São Tomé, sendo descrito por muitos dos que já conviveram com ele como o mais talentoso de todos.

Depois de ao longo do tempo o surf ter sido introduzido na vida destes adolescentes através de portugueses que vivem na ilha e outros que por lá passam, no mês passado todos tiveram a oportunidade de competir pela primeira vez. A vitória acabou por sorrir a Jéjé, de apenas 15 anos. Fomos falar com o primeiro campeão nacional de São Tomé e Príncipe e perceber como começou a paixão pelo surf e até onde pensa ir em cima de uma prancha, sendo que no ano passado já teve o privilégio de visitar o nosso país e dividir treinos com alguns dos mais talentosos surfistas nacionais. Respostas genuínas de um surfista que há bem pouco tempo nem sabia que esta atividade se fazia noutros pontos do globo
.
SURFPortugal - Como começou esta paixão pelo surf em São Tomé, sendo que o contacto que tinham com a modalidade praticamente não existia?

Jéjé - A paixão pelo surf começou quando eu vi um português chamado Pedro Almeida a surfar. A partir daí dei a minha vida para aprender. Achei que era impossível o que estava a ver... Ele parecia que flutuava nas ondas. Comecei com uma tábua de madeira a correr na espuma, mas não sabia o que era e nem que isto do "surf" existia em outros países.

SP – Que sentimentos te transmite e como defines a experiência de surfar?

J - O surf faz-me sentir liberdade total. O surf é uma maneira de estar na vida e faz-me sentir maravilhoso. A palavra que eu uso para descrever o surf é que é a melhor coisa da vida e enquanto surfar vou estar sempre feliz. Como diz o Saca (Tiago Pires), enquanto eu estou dentro de água já não me lembro das maldades, só me preocupo com as ondas.
SP - Em que picos habitualmente surfas?
J - Santana, Voz da América, Água-Izé e 7 Ondas.

SP - Recentemente foste campeão de São Tomé e Príncipe. Como foi esta primeira abordagem à competição?
J - Estava nervoso e tive medo de perder. Mas competi a pensar que o Kelly Slater era o meu adversário para conseguir dar o meu máximo e consegui vencer esta competição. Este campeonato foi incrível! Agradeço à MOCHE Cst e à Xcult pela excelente organização e pelos prémios.
 (imagem do lado direito - da competição)
SP - Pensas que há muito talento por explorar em São Tomé e que num futuro próximo poderiam competir fora do país e, quem sabe, em Portugal?
J - Sim, acho que existe muito talento em São Tomé por explorar porque há muitos bons surfistas, muita vontade e muito gosto pelo surf. Seria lindo e maravilhoso se alguns destes talentos pudessem ir a Portugal para poder aprender e evoluir mais com os surfistas portugueses.
SP - Quais são as tuas grandes referências a nível mundial?
J - As minhas grandes referências a nível mundial são o Andy Irons e o Joel Parkinson. Eles são os maiores. Apesar de o Andy Irons já ter morrido, gosto muito do estilo e das manobras dele e do Joel também.

SP - Sabemos que já estiveste em Portugal. Como foi a experiência? Sentiste que regressaste com uma maior evolução para São Tomé?
J - A experiência foi maravilhosa. Gostei muito de conhecer Lisboa e Cascais. Surfei em várias zonas desde o Guincho, passando pela Costa de Caparica, Praia Grande e até na Ericeira. A minha primeira surfada foi no Guincho e quando entrei na água o meu pé ficou bem pequenininho do frio que estava (risos). Estou habituado a água quente, mas como fui com fato fiquei rapidamente acostumado e a vontade era tanta que já nem sentia o frio.
A minha experiência e aprendizagem em Portugal foi bastante positiva, pois aprendi a remendar pranchas com o pessoal da Xcult e regressei com várias novas manobras, que aprendi muito com a Surftechnique. Aproveito para agradecer a toda a família Xcult e à Guincho Surf House pela oportunidade que me deram. Grandes amigos que eles são!

SP – Há comparação entre as ondas de São Tomé e as portuguesas?
J - As ondas de São Tomé são muito boas e perfeitas. Há poucos surfistas dentro de água e há muitas ondas e a água é muito quente. Em Portugal há muitos surfistas dentro de água e em algumas praias há muito vento e a água é muito  fria, mas as ondas são perfeitas.

SP - A ex-campeã nacional Teresa Abraços tem visitado São Tomé várias vezes e tem partilhado algum tempo com vocês. Como tem sido essa experiência?
J - A experiência foi muito boa. Gostei muito da Teresa e do Pedro [Quadros; marido da Teresa Abraços] e de estar ao lado deles porque são muito simpáticos e corrigiram o meu surf. Aprendi muitas manobras com eles. Espero que voltem novamente a São Tomé, já estamos com saudades. – In http://www.surfportugal.pt/revista/entrevistas/5140-jeje-competi-a-pensar-que-o-meu-adversario-era-o-kelly-slater-entrevista

São Tomé - Ilha de Nome Santo - Seu manto verde é imagem de um Paraíso Terrestre

 


Ilha de Nome Santo - Ó melodiosa harmonia celestial! -

Meu paraíso perdido! Longínquo mas não esquecido!

Na luz matinal dos teus dias, para mim ainda brilhas!

Anseio respirar o verde das tuas terras perfumadas,

por onde só as aves esvoaçam, que ninguém pisou!

Banhar-me nas tuas límpidas e quentes águas,

contemplar o azul do mar e dos céus

e unir-me à voz de Deus, que me criou!

 

Voz oculta da minha sina e do meu próprio destino!

Eco silencioso do meu pensamento nostálgico!

Via errante dos meus passos! - Onde poderei agora

encontrar o perfume inigualável das tuas florestas,

o elixir que alimentava a minha alma,

apagava as minhas mágoas e vibrava

os meus sentidos?!... Oh! Qual divindade!

Qual sublime visão e luz da Eternidade

Espelho Divino! - Da Criação seu fiel rasto!


Ó santa doçura! Ó pacifico idílio tranquilo!

Carícias verdejantes eivadas de frescuras anímicas!

Aspirar aqueles aromas inebriantes que exalam

do fundo húmido dos hubérrimos e fecundos solos!

tornam ainda mais fresca e pujante a natureza!

Irrompem na sinfonia da cromática beleza,

do aveludado verde da luxuriosa folhagem,

reflectem-se através dos alados raios de luz

que penetram as próprias gotículas do orvalho,

atravessam o colorido dos frondosos arvoredos,

dissolvem-se em vapores de cinza misteriosos

até à alucinação, à clara e espetral saturação

que pousa e se esfuma volátil montanha acima

 

Oh, sim, as fragrâncias e os perfumes!

Que se desprendem do fertilíssimo húmus

sob as copas da densa brenha vegetal,

penetra e satura a luminosa atmosfera!

Sim!.. Por todo o lado, respiram-se odores vivos!

Do multicolorido dos tons verdes que se elevam

até à crista dos mais eriçados e basálticos picos!

Sabores que invadem a orla das douradas

ou negras praias, circulam por entre as cubatas

das aldeias e até nas ruas e jardins da cidade,

quando florescem as cheirosas acácias!

 

Espalham-se sobre as copas de todas as árvores,

infiltram-se até às raízes, volatilizam na atmosfera

plenos de substâncias aromáticas - Embriagam!

Sobem do fundo da vegetação rasteira e arbustiva,

impregnam a margem das estradas e dos caminhos.

São arrastados pelos ventos, lá dos pontos mais altos,

perseguem o leito dos rios e das ribeiras

até se dissolverem no sal-gema

das maresias e brisas marítimas

ou do sopro violento dos tornados.

 

Jorge Trabulo Marques

 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Eduardo Lourenço, faleceu hoje aos 97 anos - Um dos mais brilhantes pensadores contemporâneos, patriota e Humanista - Partiu no dia da Restauração da Independência de Portugal, com um pais doente e deprimido, órfão e cada vez mais despovoado, mais estrangeirado e dependente da ajuda externa- Porventura, triste e amargurado

 


Adeus Amigo –  Que a justiça divina, vos tenha em boa companhia - Que, por várias vezes, me deu o prazer e o privilégio de dialogar, desde há muitos anos – E várias foram as entrevistas que me concedeu - Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta e interventor cívico, foi várias vezes galardoado e distinguido. Natural de São Pedro de Rio Seco, Almeida, 23 de maio de 192, distrito da Guarda  - Conheci-o,, pela primeira vez, em casa de Vergilio Ferreira, no principio da década de 80, de quem ambos éramos também amigos 

 “O que eu faria sem escrever,” Declarou-me há 4 anos, na feira do Livro de Lisboa, ao perguntar-lhe se ainda continuava a escrever - Nasceu a 23 de Maio de 1923, em S. Pedro de Rio Seco, concelho de Almeida, faleceu neste 1º Dia de Dezembro de 2020

Jorge Trabulo Marques - Jornalista  -, 



 Eduardo Lourenço , um dos  mais distintos ensaístas  portugueses e  pensadores do século XX., na  entrevista que me concedeu,  há 4 anos, falou-me de Vergilio Ferreira e da sua imensa saudade do seu grande amigo: tínhamos encontros e repensávamos o mundo”   Ainda não somos um grande mundo unido como devíamos ser " - Entre outras das suas afirmações, designadamente do afastamento da Inglaterra da União Europeia, que então começava a desenhar-se .


"Os Portugueses vivem em permanente representação" Dizia um dos mais brilhantes pensadores do meu tempo e da minha região, que hoje nos deixou - Que o passei admirar desde o dia em que o conheci, pela primeira vez, em casa de Vergilio Ferreira, no principio da década de 80, de quem ambos éramos também amigos 


Sem dúvida, um dos mais relevantes nomes da sociedade contemporânea – Natural de uma pequena aldeia da Beira Interior e tornou-se senhor do mundo, marcando o pensamento ao longo de mais de 50 anos, sobretudo no pós-25 de abril. - Nasceu a 23 de Maio de 1923, em S. Pedro de Rio Seco, concelho de Almeida, distrito da Guarda. É o filho mais velho (de sete) de Abílio de Faria, oficial do Exército, e de Maria de Jesus Lourenço. Frequenta a Escola Primária na sua terra natal. Depois ingressa no Liceu da Guarda e termina os seus estudos secundários no Colégio Militar em Lisboa. Frequenta o Curso de Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra onde conclui a Licenciatura no dia 23 de Julho de 1946, com uma Dissertação com o título O Sentido da Dialéctica no Idealismo Absoluto. Primeira parte.

Começou a distinguir-se em Coimbra, aquando da sua licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, concluída em 1946. Na cidade do conhecimento, encontra um ambiente aberto a reflexão.
Prossegue a sua formação académica com um estágio na Universidade de Bordéus, em 1949, e torna-se embaixador da cultura portuguesa nas universidades de Hamburgo e Heidelberg (entre 1953 e 1955) e na Universidade de Montpellier (de 1956 a 1958).
É docente durante um ano na Universidade Federal da Bahia, como professor convidado de Filosofia, e passa a viver em França, em 1960.
Fixou residência em Vence, cinco anos mais tarde, e foi reitor na Universidade de Grenoble, de 1960 a 1965. Tornou-se professor jubilado em Nice, em 1988, um ano antes se tornar conselheiro cultural junto da Embaixada Portuguesa em Roma, até 1991. Em 1999, passa a ocupar o cargo de administrador não executivo da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Influenciado por nomes como Husserl, Kierkegaard, Nietzsche, Heidegger, Sartre, Dostoievski, Franz Kafka ou Albert Camus, Eduardo Lourenço desenvolveu pensamentos sobre o existencialismo, sem nunca se deixar levar por correntes teóricas e ideologias.
Ao longo da sua vida, que perdura, Eduardo Lourenço publicou livros, ensaios e pensamentos. Crítico e ensaísta literário, virado predominantemente para a poesia, colecionou prémios, dos quais se destacam o bem recente Prémio Pessoa (em 2011), a Ordem de Santiago da Espada (1981) o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon, Prémio Camões (1996), Cavaleiro da Legião de Honra de França (2002), Prémio Vergílio Ferreira (2001), Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura (2008), além de diversos doutoramentos honoris causa.

VIRGÍLIO FERREIRA, É UM DOS  MAIORES VULTOS DA LITERATURA PORTUGUESA  Autor de 23 livros de ficção, 12 ensaios, dez diários - Tive o grato prazer de ser seu amigo, de me receber várias vezes em sua casa e de o entrevistar, tendo-me até mencionado num dos seus diários da “Conta Corrente

Há dias a RDP passou-me à porta e um jovem subiu com uns aparelhos. Que é que pensava da carga que já me pesava?Ora. Que era uma «conta calada» e tão calada que já apelava em mim para o silêncio. Ouço o apelo e aqui me fico" In Conta-corrente Janeiro 1982

Tive o prazer de ser um dos seus amigos. Desde que, nos princípios dos anos 80, me desloquei a sua casa, por razões de ordem profissional, em dia do seu aniversário, fiquei de tal maneira impressionado pelas palavras do escritor, no pano intelectual e da sua escrita, que, praticamente, todos os anos, passei também a ser uma das visitas (poucas) que, o autor de Manhã Submersa, recebia em sua casa. Tenho ainda nos meus arquivos vários registos gravados e algumas fotografias, que guardo com muito gosto - duas das quais aqui publico.
Já lhe dediquei uma postagem, neste blogue.VERGÍLIO FERREIRA - E O QUE O AUTOR DE "O CÂNTICO FINAL PENSAVA SOBRE A MORTE Todavia, quero também, hoje aqui lembrá-lo e evocar a sua memória. Era do signo aquário e, coelho, do signo chinês – Curiosamente, do mesmo signo, ocidental e chinês de José Mourinho.





“Depois da morte não há nada” –    Eu já pensei que a morte era uma a passagem para o além, para uma vida que se seguiria a esta…Aliás, quando pensei, tinha toda a aparelhagem para isso, nesse mesmo além… Haveria um céu, haveria um inferno, haveria um purgatório, etc  - 

ESCREVER "PARA TORNAR POSSÍVEL O MISTÉRIO DAS COISAS"...Vergílio Ferreira

"Escrever. Porque escrevo? Rescrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime,do que é difícil e excessivo. Escrevo porque o encantamento e a maravilha são verdade e a sua sedução é mais forte de que eu. Escrevo porque o erro, a degradação e a injustiça não devem ter razão. Escrevo para tornar possível a realidade, lugares,  tempos,  pessoas que esperam  que a minha escrita os desperte do seu modo confuso de serem. E para evocar e fixar o percurso que realizei, as terras, gentes e tudo o que vivi e que só na escrita eu posso reconhecer, por nela recuperarem a sua essencialidade, a sua verdade emotiva, que é a primeira e a última que nos liga ao mundo. Escrevo para tornar possível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão" - Pensar - Vergílio Ferreira 1992

Vergílio Ferreira  nasceu em Melo do concelho de Gouveia na Beira Alta, a meio da tarde do dia 28 de Janeiro de 1916. Se fosse vivo, faria hoje, 97 anos. Mas morreu aos 80. Foi dos autores  portugueses  - através da leitura do livro Manhã Submersa - que mais cedo despertou a minha curiosidade e com o qual viria a manter um relacionamento amistoso, desde o principio da década de 80, até a escassos dias antes da sua morte - Já que, nessa mesma semana, lhe tinha telefonado para o ir visitar a Fontanelas, onde acabaria por falecer.