Cabo Verde fez festa de Poesia - Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista
Os novos tempos, são de crise financeira (para os mais fracos) e de falta de valores para os mais endinheirados, que não os cultivam. Todavia, o mundo continua, num planeta onde não faltam conflitos, fome, miséria, injustiças sociais, agressões ecológicas e desastres naturais, devastações climatéricas, de toda a ordem - Mesmo assim, .felizmente, há vozes que dizem palavras da mais bela poesia, erguem o ramo da paz, da fraternidade e do amor. Ou não deixam de erguer, bem alto, a voz do inconformismo, da sua angústia pelo sofrimento alheio
Sim, os tempos não são nada poéticos mas os poetas nem por isso deixam de cumprir a sua missão. E lá vão dizendo o que lhe vai no mais sentido da alma e no fundo do coração. É o caso da poeta, Ondina Beja, verdadeira embaixatriz das maravilhosas Ilhas Verdes, sua terra natal. Vive muito longe, algures no Norte da Europa, na Suíça, num país das montanhas com neves eternas, contudo, é no centro do mundo, naqueles lindos e sedutores tufos verdejantes, que se erguem na linha do Equador, que o seu pensamento se volve em talvez permanente e no mais apaixonante azimute.
Depois de ter representado, São Tomé e Príncipe, no festival das migrações e da cidadania em Luxemburgo, evento que atrai mais de 30 mil visitantes, ei-la a viajar mais a sul, a caminho de Cabo Verde, onde foi participarnas comemorações do Dia Mundial da Poesia, que, este ano, foi dedicado a homenagear o poeta Corsino Fortes, evento no qual esteve também o músico santomense,Filipe Santo, ambos recebidos, em audiência especial, pelo Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, que, segundo noticias, que entretanto pesquisámos, se envolveu pessoalmente nesse dia festivo, lendo poemas e acompanhando osdeclamadores e músicos, nas arruadas e no sítio histórico da Cidade Velha, concelho de Ribeira Grande de Santiago
Olinda Beja teve a gentileza de nos enviar uma amável mensagem com algumas fotos, gesto que muito nos sensibilizou e muito lhe agradecemos, acompanhado com esta singular expressão - Há momentos na vida em que só a poesia importa! - De facto, só a poesia os pode transmitir. E, pelos vistos, foi justamente o que sucedeu, recentemente, em Cabo Verde.
Os beijos em África são doces doces
como o untué que as crianças
devoram p'la manhã
As carícias em África são doces
doces como a banana-ouro
que teima em desaparecer da nossa ilha
O amor em África é doce
doce como o belo abacaxi
que se cria no mato e no quintal
Os homens em África são doces
porque os seus olhos são o untué das crianças
o seu corpo o belo abacaxi
e o seu sexo a tal banana-ouro
que não vai desaparecer da nossa ilha
Olinda Beja - "Maria Olinda Beja Martins Assunção, nasceu em
Guadalupe em 1946 (São Tomé e Príncipe), sendo porém de nacionalidade
portuguesa e residindo em Viseu. Com apenas dois anos veio para Portugal, onde
passou a residir. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas
(Português/Francês) pela Universidade do Porto, Olinda Beja é docente do Ensino
Secundário desde 1976. Ensina também Língua e Cultura Portuguesa na Suíça, é
assessora cultural da Embaixada de São Tomé e Príncipe e dinamizadora cultural.
Publicou os livros de poemas 'Bô Tendê?', 'Leve, Leve', 'No País do Tchiloli',
'Quebra-Mar' e 'Água Crioula', os romances 'A Pedra de Villa Nova', '!5 Dias de
Regresso' e 'A Ilha de Izunari' e ainda livros de contos. In Maria Olinda Beja - Poetas Apaixonados
Poema de Corsino Fortes
O rosto de teu filho brada pelo mar Como panelas mortas como panelas vivas
mortas vivas nos fogões apagados
Pilões calados fogões apagados No vulcão e na viola do teu coração
Boca do povo no fogo dos nossos fogões apagados
Chão do povo chão de pedra! O sol ferve-te o sol no sangue E ferve-me o sangue no peito Como o fogo e a pedra no vulcão do Fogo
De sol a sol abriste a boca
Secos os pulmões neles cresce-me a lenha do mato
De sol a sol os meus ossos são verdes os teus ossos são plantas Como a fruta-pão o tambor e o chão
De sol a sol gritei por Rimbaud ou Maiakovsky deixem-me em paz
(…) Corsino António Fortes nasceu em Mindelo, na ilha de S. Vicente, em 1933. Perdeu os pais muito cedo e, aos doze anos, teve de suspender os estudos, passando a trabalhar na Companhia Ferro como aprendiz, ajudante de ferreiro e ajustador de máquinas. Em entrevista a Michel Laban, conta que, nesse período, mesmo longe da escola, saía do trabalho e a primeira coisa que fazia era ir à biblioteca municipal (cf. LABAN, 1992, p. 385). Retornou ao liceu somente aos vinte anos, onde teve encontro muito profícuo com João Varela, com quem travou diálogos sobre suas “primeiras pedras de projecto literário” (Idem, p. 386). Entre 1957 e 1960, a aproximação com Abílio Duarte, um dos fundadores do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) e que retornava da Guiné-Bissau para mobilizar e conscientizar a juventude cabo-verdiana para a luta de libertação nacional, também o influenciaria decisivamente. Nesse período, alguns de seus poemas são publicados no Boletim dos Alunos do Liceu Gil Eanes, no Cabo Verde: boletim de propaganda e informação e na revistaClaridade9, o último número deste periódico. – Excerto de Corsino Fortes e sua poética semeadora da “cabeça calva
Nota - Algumas das fotos, tomámos a liberdade de as obter do site oficial do P. R. de Cabo Verde, que agradecemos.
Os mares de S. Tomé e Príncipe, aliás, de todo o
Golfo da Guiné, são muito inconstantes e traiçoeiros: típicos ou das calmarias
podres ou das tempestades devastadoras. Embora, as mudanças
climatéricas, a nível global, hajam
provocado algumas alterações, esta região atlântica equatorial, continua a ser um vasto oceano
turbulento, onde os tornados frequentemente, fazem a sua aparição, mormente na época
das chuvas .
Referem notícias que o governo português ofereceu
nesta quarta-feira a São Tomé e Príncipe duas embarcações de busca e
salvamento, no quadro da cooperação entre os dois países. – Sem dúvida, uma
louvável iniciativa, que pode vir a revelar-se de muito útil no socorro de pescadores desaparecidos – Pois, até,
agora, muitos têm sido os dramas vividos pelos bravos homens do mar: uns
tragados e desaparecidos pelas garras dasvagas, outros, pese as horas, as noites e os dias de angústia e de
incerteza vividos, heroicamente, resistido
e se salvado.
Acrescenta a notícia que “A oferta das duas
embarcações complementa o programa de formação do Instituto Nacional de
Socorros a Náufragos à guarda costeira são-tomense e a cerimónia de entrega
conta com a presença do ministro da Defesa de Portugal, José Pedro
Aguiar-Branco.
Além disso, Portugal e São Tomé e Príncipe assinaram
nesta quarta-feira um novo Programa-quadro de cooperação técnico-militar para o
triénio 2015/2017 e um protocolo adicional no domínio da fiscalização conjunta
de espaços marítimos sob jurisdição são-tomense. Portugal
oferece duas embarcações de busca e salvamento a São Tomé e Príncipe
Sim, agora,
já não há desculpa para se cruzarem os braços – é possível atuar, o que não sucedeu,
por exemplo, num dos últimos naufrágios – A que me referi neste site e em que
chegou a esta triste e lamentável resignação:
31-07-2014 "A capitania dos portos disse ao Téla Nón, que neste momento o
Estado são-tomense tem limitações para lançar uma operação de busca e
salvamento. Primeiro porque não se tem a localização dos pescadores
desaparecidos, por que não levaram os materiais de navegação, nomeadamente o reflector
de radar.
Uma operação de
busca no mar aberto é desvantajosa, pelo facto das embarcações da guarda
costeira, não terem autonomia para vasculhar o espaço marítimo nacional durante
várias horas. Explicou a capitania dos portos.
Nesta
situação segundo a capitania dos portos, a utilização de meios aéreos para
fazer o reconhecimento da zona económica exclusiva era mais indicado. No
entanto o país não tem meios aéreos para fazer tal operação.
Só
resta esperar… Na capitania dos portos o Téla Nón confirmou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros,
já emitiu um alerta aos países vizinhos, com vista a apoiarem na busca e
salvamento dos 6 pescadores, que há 7 dias não regressaram a casa" -
Dizia eu, em Drama
no Golfo da Guiné - Quem socorre os
6 pescadores de São Tomé desaparecidos há seis dias? -
. "Só resta esperar?!."..- Ou será que a
vida das populações africanas, desde as pessoas que desaparecem no mar, às que
morrem vítimas da fome e da falta de assistência médica, continua a ser a de
meros números e não a de seres humanos?!.
Não me posso resignar ao “só resta esperar” A este intolerável fatalismo – Eu
que vivi a angustiosa experiência de 38 dias à deriva numa piroga no Golfo da
Guiné, sei quanto é angustiante a situação de um náufrago! – Se não foram
vítimas de pirataria, acredito que ainda possam estar vivos – Porém, vivendo
momentos de indiscritível angústia e incerteza
Felizmente,
não me enganei: os seis pescadores desaparecidos acabaram por chegara a Bata –
Ao enclave da Guiné Equatorial no continente africano – Nove dias depois de
terem sido deixados à sua sorte – O nosso alerta tinha razão de ser –
Autoridades santomenses limitaram-se “ a esperar” não mexeram uma palha – E
podiam talvez ter evitado tanto sofrimento. Os seis pescadores desaparecidos chegaram a Bata
Pessoalmente, na qualidade de
jornalista (delgado da revista Semana Ilustrada, de Luanda - 1970-1974) conheci uma situação de dois
pescadores, que, ao cabo de cinco dias, foram dar à costa do Gabão, depois de
inarráveis dificuldades
– Especialmente depois de terem ali aportado, levados pelo tornado. Foi nos anos
setenta.
Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Há outros dois vídeos editados no Youtube - Veja os linkes no final deste post
O acontecimento cultural da semana, decorreu
na galeria de Arte do Casino Estoril, ao fim da tarde desta última quinta-feira, com o lançamento de “O Comboio das
Mulheres”, editado pela primeira vez em 1996-
O evento foi bastante concorrido e
mediatizado, não só pelo facto de se tratar de uma autora de reconhecido mérito
na comunicação social e na literatura, mas também, por a apresentação da
referida obra ser ilustrada com trabalhos de vários pintores e escultores, de
grande prestigio, que também ali inauguravam uma exposição - ou seja: Alba Simões, António Sem, Bual, Edgardo Xavier, Filomena
Morim, João Feijó, Francisco Relógio, Gustavo Fernandes, Helena Pedro Nunes, Luís
Vieira-Baptista, Manuel Cargaleiro e Rogério Timóteo.
Dignificação de histórias no feminino
“Num escritório onde haja quatro pessoas a trabalhar, três são mulheres e
ganham menos. Está na hora de despertarmos e de nos consciencializarmos” –
Palavras de Ana Paula Almeida, ditas na sessão do lançamento da reedição de O
Comboio das Mulheres - E que vinham de encontro às
referências que a imprensa escrevia da sua obra:
"Pode dizer-se que se trata de uma singela
homenagem à Mulher, com maiúscula, concreta, madura, de carne e osso,
sublinhando a necessidade constante da sua luta pela Dignidade e igualdade de
direitos no mundo, mas também por vezes pelo reconhecimento, respeito, carinho
e amor dos que lhe estão mais próximos."
"Presente de forma transversal em algumas das
narrativas está o tema da violência doméstica, o que prova que a mesma já
existia há muitos anos, embora infelizmente nunca como agora tenha estado tanto
na ordem do dia, com números assustadores de vítimas, isto sem falar dos órfãos
que ficam à mercê do destino, da sorte e das situações, como consequência dos
actos tresloucados de alguns progenitores." – In Ana Paula Almeida apresenta "O Comboio das
Mulheres"
HOMENAGEM AO POETA DAVID MOURÃO
FERREIRA
Ana Paula Almeida, dedicou o primeiro conto (que serve de título ao livro), como homenagem ao poeta, escritor e professor David Mourão
Ferreira, de quem foi aluna.
“Penso que ele era um grande amante e
muito amado por todas as mulheres" – Estes alguns dos termos com que recordou, na
referida sessão, a memória do autor de A Arte de Amar e de um Amor Feliz , um
dos grandes poetas contemporâneos do Século XX, autor de mais de duas dezenas
de obras de poesia e romance.
E, de facto, ao começar a ler-se "O
Comboio das Mulheres", fica-se logo com a ideia de que, há neste
conto, além do tributo pela autora “às pessoas que
nunca morrem pela obra que nos deixam” (e, como é sabido, "Morre
jovem o que os Deuses amam" - e, David Mourão Ferreira, quando nos
deixou ainda tinha muita vida pela frente), sim, existe algo de biográfico, que encaixa
perfeitamente no perfil de David Mourão Ferreira - Que, segundo o que nos
foi dado depreender nas palavras de Ana Paula Almeida, é
inspirado numa viagem a Itália, que, a então aluna, fizera em companhia do seu
estimado professor.
Mas a ficção é isso mesmo: ou a possibilidade de se recriar a realidade ou de a
transcender: Neste caso, fazendo-nos meditar e sonhar:
“António Molina era escritor. Poeta e romancista,
iniciado na escrita pelo jornalismo, tinha chegado ao topo da carreira. Onze
dos seus livros foram traduzidos em inúmeros países e Itália era, curiosamente,
o país que mais o solicitava para colóquios, palestras e visitas a
Universidades com departamentos de estudos portugueses.
António tinha 45 anos. Era um homem alto e anguloso, com ombros largos,
suficientemente musculado para compor uma bela figura masculina. Tinha um
queixo saliente e um nariz proeminente, com um sinal; o cabelo estava já
grisalho e duas entradas na testa mostravam que a calvície vinha também a
caminho, nesta fase em que António estava a passar por transformações.
António vestia-se sempre elegantemente e não dispensava um cachimbo a condizer
com a toilette ... Tinha-os às dezenas. O aroma do "Mayflower" que
fumava desde sempre era, na Faculdade, o primeiro sinal de que ele vinha a
caminho do Anfiteatro ou que acabara de passar pelo corredor, fazendo vénias e
cumprimentos aos alunos que unanimemente gostavam dele e o admiravam." - Excerto do primeiro conto
O Comboio das Mulheres, de Ana Paula Almeida,
visto por Francisco Moita Flores
“É um livro reportagem! É um livro de fotografias!
É um livro de sonho! De mistérios! É um livro sobre mulheres ou são muitos
olhares sobre as mulheres? Eu desconfio, estou convicto, hoje, que este Comboio
das Mulheres, não passa da mesma mulher pela forma poliédrica com que a mulher
e a condição feminina devem ser olhadas. E, aí, a Ana Paula, faz este percurso
de uma forma muito bonita, com muito talento, com contos muito bonitos,
sobretudo o primeiro: sobre as mulheres da sua vida ou as mulheres das quais
ela recebeu o tributo para a sua condição de hoje” Afirmações de Francisco
Moita Flores, acerca da reedição do livro de Ana Paula Almeida, na sessão de
lançamento que decorreu na Galeria de Arte do Casino Estoril, espaço onde a
autora chegara a trabalhar, antes de enveredar pelo jornalismo e pela
literatura. Francisco Moita Flores figura sobejamente conhecida: escritor,
dramaturgo, conferencista, político e comentador, autor de uma vasta e polifacetada obra literária - Homem de televisão, de teatro e cinema, de cujos guiões de ficou a dever o êxito de muitos filmes e telenovelas.
Francisco Moita Flores, aproveitou ainda a ocasião para elogiar Nuno Lima de Carvalho e Mário
Assis Ferreira – Dizendo que conseguiram
transformar um Casino de Sorte e Azar num espaço de cultura de referência no
país.
Referindo-se ao homem que, durante 28 anos exerceu a liderança
da administração na Estoril-Sol, disse que “nunca é demais sublinhar a
importância deste homem na cultura portuguesa e do contributo que ele deu.
FOI, EM 1996, QUE UM LINDO SONHO COMEÇOU
O Comboio das Mulheres foi o primeiro livro de Ana Paula Almeida, jornalista da
SIC desde o momento da sua fundação.
Estava-se em 1996 – Prefaciava a obra, Nuno Lima de
Carvalho, Diretor da Galeria de Arte do Casino Estoril, que começava por dizer:
“Para quem se inicia na escrita, o conto é o melhor atalho para entrar no mundo
das Letras. Muitos escritores portugueses, antes desconhecidos, escolheram esse
percurso, iniciando-se uns, através dessa modalidade e nela permanecendo ao
longo da sua carreira literária, optando outros pela escrita do romance, por de
mais fôlego e, consequentemente, maior riqueza de recursos e valores
literários.”
E, de facto, a avaliar pelo êxito
alcançado, não apenas com esse seu primeiro livro, agora reeditado, mas
pelas obras que se seguiriam - “Códigos de Silêncio” e “Sabes, Meu
Amor”; “Corações Re-partidos”, dir-se-ia que, Ana Paula Almeida, teve um bom
começo e tem sido sempre bem sucedida nos temas e nos géneros que tem desenvolvido:
desde o conto, a crónica ao romance.
Ainda retomando o prefácio de Nuno Lima de Carvalho, que viria igualmente a contemplar a segunda reedição, tomamos a liberdade de aqui transcrevermos mais um excerto de outro passo desse mesmo texto, escrito numa altura em que a jornalista estava também a revelar o seu talento na literatura - Diz o seguinte: "O aparecimento de um novo escritor, como de um
músico ou de um pintor, através de um primeiro livro, uma primeira composição,
ou um primeiro quadro é sempre uma decisão carregada de interrogações, de
alguns medos e angústias, como alguém que está de partida para a primeira longa
viagem ou a mãe a quem está para nascer o primeiro filho. A escrita literária,
talvez mais do que qualquer outro género de criação artística, é a forma do seu
autor se afirmar diferente daqueles com quem trabalha e convive e entrar no
registo dos que não morrem para além da morte.
Quando a Ana Paula Almeida me pediu, na timidez e
inquietude de quem se interroga se é ou não de experimentar o caminho
fantástico da escrita literária e me confiou centena e meia de páginas de
contos, li nos seus olhos a ansiedade de quem pretende uma resposta muito
rápida e quer saber se por aquele caminho segue bem e "tem pernas para
andar".
Crítico que não sou, a primeira reação foi
recusar, mas logo a obrigação que tantas vezes tenho sentido e praticado de, em
outras Artes, dar a mão a artistas que começam, me levou a aceitar o desafio,
credenciado por hábitos antigos de leitor de muitos livros e, assumindo o papel
sempre ingrato do juiz que se quer imparcial, li e reli os textos desta
profissional da Comunicação, primeiro de uma assentada, logo, com mais vagar e
cuidado, não me tendo sido difícil concluir que os contos apresentados,
especialmente "Sara", "O Delfim" e "O Comboio das
Mulheres" (que rico título para a coletânea!), retinem todos os
ingredientes dos bons escritos de ficção, corretos na estrutura, com acerto na
fluência narrativa, como também no desenho das personagens e da sua maneira de
estar e agir, na construção e desenrolar do enredo e no jeito de prender o
leitor, elementos fundamentais na criação literária convencionalmente designada
por conto. -Excerto do prefácio de autoria de Nuno Lima de Carvalho
Opinião de Marcelo Revelo de
Sousa – “Gostei imenso da facilidade da escrita. Dir-se-ia natural, sem
enfeites nem retoques, nem demasiada reponderação e correcção. Como se de um
filme, de imagens corridas, impressivas, aceleradas se tratasse.
Gostei imenso da capacidade de
ouvir, ver, captar várias histórias e saber encontrar nelas o essencial para
transmitir aos leitores.”
“Ana Paula Almeida é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e foi professora do ensino
secundário, tendo iniciado a carreira de jornalista aos 18 anos, no Diário de
Notícias, tendo posteriormente trabalhado nos jornais O Jornal, Sete, Jornal de
Letras, Jornal de Notícias, Correio da Manhã e A Capital, onde escreveu
sobretudo sobre espetáculos e literatura, e desde a sua criação faz parte da
SIC. Ler mais: http://jregiao-online.webnode.pt/products/ana-paula-almeida-apresenta-o-comboio-das-mulheres/
Abstraia-se do ambiente de fundo,
vindo do público que enche a Galeria de Arte do Casino Estoril, e também
de algum modo da letra, que decilmente a percebe, pois é cantada em italiano e
as condições acústicas também não o facilitam, durante a sessão do lançamento
do livro O Comboio das Mulheres, de autoria de Ana Paula Almeida, que teve
lugar ao fim da tarde do dia 12 de Março, e concentre-se na magnifica voz do
cantor lírico ceciliano, Geovanni D’Amor, que lhe enche a alma de alegres e
inexprimíveis emoções, considerado internacionalmente como um tenor de voz
quente e aveludada e que, há mais de uma década, veio a Portugal para um
concerto, por cá casou e se fixou – Apaixonado pelos fados de Amália, pelas
maravilhas da terra portuguesa. e das suas gentes
INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA E ESCULTURA.
No duplo acontecimento literário
e artístico, além de termos tido a oportunidade de falar com Ana Paula Almeida, na
sessão de autógrafos (que já conheciamos desde o tempo em que trabalhou
nesta Galeria de Arte), pudemos ainda fazer alguns registos fotográficos
e trocarmos algumas breves impressões com alguns dos pintores, ali presentes, nomeadamente
com Gustavo Fernandes : ….António Sem -….Luís Vieira Baptista . a pintora Alba Simões , o escultor Rogério Timóteo ...-......---João Feijó --
Francisco Relógioe Artur Bual já não fazem parte
dos vivos. Porém, em sua vida, tivemos o prazer de conviver com ambos. E
sabemos que o tema de "a mulher" era recorrente na sua obra. E também
foi, na década de 80, que pela primeira vez falámos com Manuel Cargaleiro - Além destes pintores, havia
também obras de Edgardo Xavier e de Filomena Morim