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quarta-feira, 13 de julho de 2022

São Tomé e Príncipe - Com eleições à vista – Igreja católica, PM e PR de S. Tomé e Príncipe, exortam à paz, à concórdia e à união no país – Mensagens ouvidas nestes dias do 47º aniversário de Independência


Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

S. Tomé e Príncipe, é dos raros países de África, mais seguros e pacíficos, e também maravilhosos É um meio pequeno e pacifico mas onde as sensibilidades politicas facilmente se exasperam e fervem à flor da Pele. Então em campanha eleitoral, parece que  toda a gente sofre da mesma  partidarite aguda.  É bom para o turista que é capaz de ver nisto um certo folclore, a destacar-se numa paisagem onde o verde predomina e é luxuriante, mas não será certamente para unir esforços com vista a se alcançarem os  melhores propósitos.

O petróleo, que tanta tinta tem feito correr, ainda continua por explorar nos fundos dos abismos das suas águas territoriais, no Golfo da Guiné, mas há trabalhos de prospeção em curso, pelo que não deverá faltar quem o cobice e ou o fareje. 

Vêm aí as eleições legislativas e autárquicas e regionais marcadas para 25 de Setembro, e, por certo, mais polémica vai correr sobre o assunto:   -   Vida dura e difícil para o comum dos São-Tomenses, cujo país continua a ser um dos mais pobres do continente africano.

A nenhum cidadão deve ser coartado o direito constitucional de voto”, disse o Presidente Carlos Vila Nova, na cerimónia oficial do 12 de Julho,  sublinhando que “a concretizar-se, isto representaria uma violação grosseira e uma grave afronta a nossa constituição e das demais normas da República”.

“Por isso impõe-se aos actores políticos que, com toda a lucidez, coloquem o interesse nacional acima dos interesses partidários e dos interesses pessoais”, disse para depois acrescentar que “peço o empenho de todos a fim de que esse direito seja assegurado aos são-tomenses sem hesitações e sem reservas”.

Noutro passo do seu discurso, sublinhou que “se a independência significou para nós, a faculdade de decidirmos os nossos próprios caminhos e de sermos os únicos protagonistas da nossa história, ela também colocou-nos desafios e pressões das mais variadas natureza”

Por sua vez, o PM  Jorge Bom Jesus, lídeo do MLSTP-PSD, apelou para se  “enterrar machado de guerra e fumar cachimbo da paz” face as eleições

Tendo exortado para se “enterrar os pequenos machados de guerra e fumar cachimbo da paz” face as eleições legislativas, autárquicas e regional, de 25 de Setembro.

Alertando para clima de tranquilidade e paz nos pleitos eleitorais que se aproximam, Jorge Bom Jesus sublinhou que “vamos, uma vez mais enterrar os nossos pequenos machados de guerra, vamos fumar o cachimbo da paz, vamos dar as mãos porque, todos juntos não somos demais para grande luta que nos esperam”.

Bispo de São Tomé e Príncipe pede amor e união no país 

Na manhã da véspera  do dia 12  - segundo também refere a  a STP-Press - o  Bispo Diocesano de São Tomé e Príncipe, D. Manuel António, apelou,  na Sé Catedral, ao amor e união entre os são-tomenses para que o país possa alcançar um futuro melhor para todos.  

D. Manuel António que presidia a celebração de acçao de graças por ocasião do 47º Aniversário da Independência de São Tomé e Príncipe, manifestou o desejo “que todos nós amemos esse país, com a sua realidade, já que é nesse país que somos chamados a fazer a nossa história”.

Durante a celebração em que participaram alguns representantes dos órgãos de soberania, nomeadamente o Presidente da República, Carlos Vila Nova, o Presidente da Assembleia Nacional, Delfim Neves e o Primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, D. Manuel António lembrou que juntos, “somos capazes de conseguir criar esperança, caminhar para o futuro - Postado em https://canoasdomar.blogspot.com/2022/07/sao-tome-e-principe-com-eleicoes-vista.html

Ordenado Bispo Diocesano de São Tomé e Príncipe em 2007, D. Manuel António entende que “é nesse país que somos chamados a construir as nossas famílias, é nesse país que somos chamados a dar futuro às nossas crianças e aos nossos jovens”.

MANUEL PINTO DA COSTA - CO-FUNDADOR DA NACIONALIDADE SANTOMENSE - No discurso da celebração do 40 aniversário, no dia 12 de Julho de 2015, apelava ao diálogo e  pontes com o exterior



Nestes termos: Dizia eu há 3 anos que é preciso, neste mundo global, competitivo e vivido em tempo real devido aos avanços tecnológicos no domínio da comunicação, construir pontes para o exterior, preservando a imagem de um país que é, seguramente, a sua principal marca.

Hoje queria acrescentar que temos de saber também e ao mesmo tempo construir pontes entre nós próprios, independentemente das diferenças, num permanente diálogo construtivo e gerador de consensos estratégicos que permitam ao país construir um futuro melhor, o futuro com que todos sonhamos desde que conquistámos a independência.

O diálogo nunca será uma causa perdida nem falhada porque sem diálogo não há democracia nem coesão social.

Mesmo que os resultados fiquem aquém das expectativas o diálogo será sempre um instrumento fundamental para unir as diferenças, enriquecer a diversidade e encontrar caminhos comuns que mobilizem as energias da nação para vencer os desafios do século XXI.

Aeroporto Internacional de São Tomé - Passa a Aeroporto Nuno Xavier - Distinguindo a figura santomense que proclamou a independência em 12 de Julho de 1975

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


 
Congratulo-me pela louvável iniciativa em atribuir o nome da principal porta de entrada e de visitas à capital de S. Tomé e Príncipe  -  
Aeroporto Internacional de  São Tomé e Príncipe - a  Aeroporto Nuno Xavier-  Em homenagem ao engenheiro da aeronáutica, o primeiro Presidente da Assembleia Constituinte do País, que, em 12 de Julho de 1975, pela sua voz  proclamou o tratado da Independência Nacional,   com o almirante português António Rosa Coutinho, pondo  termo a 505 anos de colonização portuguesa . 

Quando aqui voltei, 40 anos depois, ao descer as escadas do avião, não resisti a ajoelhar-me e a  beijar o chão de uma terra  à qual fico a dever os momentos mais marcantes da minha vida - Entre Novembro de 1963 a Outubro de 1975, com um intervalo de um ano em Angola, em serviço militar e outro de alguns meses, quando fiz a travessia de canoa de S. Tomé à Nigéria. - A que seguira a tentativa  de  uma travessia oceânica.

De seu nome completo Nuno Xavier Daniel Dias, natural do distrito de Mé-Zóchi, no centro da ilha se São Tomé, faleceu em Junho de 1976 vítima de um acidente aéreo no Porto, Portugal, quando desempenhava as funções de ministro do Equipamento Social e Ambiente. 

Eleito para a Assembleia Constituinte em Julho de 1975, foi presidente desta até a sua nomeação para o Ministério do Equipamento Social e Meio Ambiente..

Após as negociações formais em Argel, patrocinadas pelo Chefe de Estado da Argélia, Houari Boumediene, precedidas de contactos preliminares de Libreville e Nova Iorque, Leonel Mário de Alva, desembarca em São Tomé, liderando um grupo de nacionalistas, para constituir com a parte portuguesa um Governo de Transição.

Leonel Mário de Alva, então número dois do MLSTP é designado Primeiro-ministro.

Seis meses depois, General Rosa Coutinho, vulgo General “Vermelho” e Nuno Xavier, assinam Acordo que põe termo aos poderes da soberania portuguesa em São Tomé e Príncipe.

Nuno Xavier assinou o acordo na qualidade de líder da Assembleia Constituinte.

Nuno Xavier era um militar e capitão da Força Aérea Portuguesa, que em 1974 associou-se a luta de Libertação. -A 12 de Julho de 1975, o primeiro presidente da Assembleia Nacional, Nuno Xavier proclamou a criação do Estado de São Tomé e Príncipe

De ora avante o Aeroporto Internacional de São Tomé e Príncipe passa a chamar-se Aeroporto Nuno Xavier  


Um brinde à figura santomense que proclamou a independência em 12 de Julho de 1975 - Foi há sete anos, que o atual Presidente da República de STP, Carlos Vila Nova, ergueu o seu cálice - Mas, estou certo, que o faria agora também com muito gosto. 

Refere a STP -Press que  "A cerimónia de atribuição de nome de Nuno Xavier ao aeroporto Internacional de São Tomé e Príncipe foi presidida  pelo Primeiro-Ministro, Jorge Bom Jesus que inaugurou ainda uma nova pavimentação na zona frontal do aeroporto bem como alguns melhorias nas zonas de carga e sala de embarque.


Na sua intervenção, o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus disse que “ agradeço a presença de todos neste acto singelo de atribuição de nome ao patrono do aeroporto internacional de São Tomé e Príncipe e ao mesmo tempo fazermos justiça com a própria história”.

“ Nós estamos a render homenagem merecida a esta grande figura deste período da independência nacional”, disse Jorge Bom Jesus, sublinhando que “ a história é feita com os alicerces do passado”

Na sua intervenção, Nélia Daniel Dias, a filha mais velha do engenheiro Nuno Xavier, disse que hoje é um grande dia porque são-tomenses estão a fazer homenagem ao meu pai, um grande homem que lutou pelo povo são-tomense”.

Há pouco menos de seis, um deputado da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, Levy Nazaré defendeu em sessão plenária que “já é tempo de se atribuir o nome de Nuno Xavier ao Aeroporto Internacional de São Tomé”.

A atribuição de nome de Nuno Xavier ao aeroporto internacional de São Tomé e Príncipe acontece poucas horas antes do acto central do 47º aniversário da independência nacional do País a assinalar esta terça-feira, 12 de julho-2022.


terça-feira, 12 de julho de 2022

HÁ 47 ANOS - 12-07-1975 NASCEU MAIS UMA NAÇÃO DE LINGUA PORTUGUESA - A que dei visibilidade jornalística antes de o ser – Aeroporto Internacional de São Tomé e Príncipe passa a chamar-se Aeroporto Nuno Xavier – Feliz Iniciativa

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

Saúdo calorosa e fraternalmente o Povo de S. Tomé e Príncipe - Depois de dois anos de confinamento por via da Covid-19, que veio dificultar a vida às populações e causar limitações sanitárias de vária ordem, além de perdas humanas, crise que o Governo tem procurado debelar, dentro do que lhe tem sido possível, eis que finalmente se vão comemorar os 47 anos de independência, num contexto mais livre e alegre, tal como vinha sucedendo na maior festividade do país.

Aproveito para calorosamente também saudar os seus governantes e dirigentes políticos, atuais e fundadores do MLSTP e dos partidos que posteriormente se vieram a formar, a todos quantos se têm batido pelo bem-estar e progresso destas maravilhosas Ilhas, seja na politica ou socialmente, desejando que esta data seja vivida no mesmo ambiente de paz , de fraternidade e de alegria, que faz parte da matriz pacifista e acolhedora do povo santomense

O Povo santomense voltou a reviver o flogá na Praça da Independência, no coração da capital para comemorar o 47º aniversário -  - Na manhã do dia 12, tal como estava previsto, decorreu na histórica “Praça da Independência” a cerimonia oficial das comemorações do 47º aniversário, com o desfile dos grupos culturais

Tendo o Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, mais uma vez exortado para realização do recenseamento eleitoral antes das eleições legislativas, autárquicas e regional marcadas para 25 de Setembro

Noutra passagem do seu discurso, o chefe de Estado sustentou que “se a independência significou para nós, a faculdade de decidirmos os nossos próprios caminhos e de sermos os únicos protagonistas da nossa história, ela também colocou-nos desafios e pressões das mais variadas natureza”.

Além de ter manifestado dor e consternação face a morte de José Eduardo, ex-presidente da Angola, Vila Nova sublinhou que “aproveito para esta solene cerimonia para render homenagem particular a dois ilustres filhos desta terra e obreiros da independência que quis o destino nos deixaram neste ano 2022! Refiro-me ao Dr. Carlos Tiny e ao antigo Presidente da República, Evaristo Carvalho”.

A República Democrática de São Tomé e Príncipe teve sua autonomia em 12 de julho de 1975. Tornou-se independente sob a bandeira do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), após 505 anos sob domínio português.

Após o 25 de Abril, o General António Spínola então Chefe de Estado de Portugal reconheceu num discurso o direito a autodeterminação dos povos das colónias portuguesas, mencionou Angola, Moçambique e Guiné Bissau ignorando por completo Cabo Verde e São Tomé e Príncipe

Face a essa descriminação, no dia 15 de Junho de 1974, surgiu, na capital das duas Ilhas,, o primeiro movimento nacionalista implantado em São Tomé e Príncipe, em perfeita sintonia com a direção do movimento, que nessa altura se encontrava em Libreville (Gabão) denominado de Associação Cívica pró-MLSTP presidida pela poetiza Alda do Espírito Santo, Filinto Costa Alegre Daniel Daio, a que se juntaram o Alcino Pinto, o Gabriel Costa, o Varela, o Salvador Ramos, o Rafael Branco, a Bela Neves, a Nazaré Tiny, a São Silveira, a Dua, e tantos, tantos outros, rapidamente dinamizando e mobilizando trabalhadores, santomenses, cabo-verdianos, angolanos e moçambicanos, e especialmente jovens estudantes, palaiês, pescadores, enfim gente de todas as avenidas da nação santomense, decididos a mobilizar a população pela libertação do arquipélago do jugo colonial .

SPÍNOLA ENVIA RICARDO DURÃO PARA SE OPOR AO MOVIMENTO PRÓ-INDEPENDÈNCIA – Galvanizado pela Associação Cívica Pró-MLSTP


O ex-comandante do Comando Territorial Independente de São Tomé e Príncipe, conhecia bem o arquipélago, as roças e os roceiros, com os quais convivera em altas jantaradas e almoçaradas, nas sedes das administrações. Spínola, não queria a independência desta ex-colónia e enviou-o com a missão de se juntar aos roceiros e liderar um golpe contra-revolucionário. Quando alertei Pires Veloso, da presença do inesperado oficial, envergando farda de militar de combate, ele já lhe tinha dado instruções para regressar no mesmo voo. "Já sei que ele aí está: vai já no mesmo avião. Não se preocupe". tendo-o obrigado a regressar no mesmo avião. Fui testemunha desse episódio

O movimento pró-independentista apreciou atitude do Governador, que até então não acreditava nas boas intenções de Pires Veloso, pois via-o com desconfiança - Os santomenses olhavam os militares portugueses, como tropa de domínio colonial. Porém, a partir daquela altura, o Governador passou a ser visto como um dos seus e com outros olhos.

No seu livro “Vice-Rei do Norte - Memórias e Revelações, faz uma breve referência, mas é omisso em apontar o nome do oficial - E alude também à inesperada invasão dos colonos ao Palácio do Governo, que não estavam mentalizados para a inesperada independência, visto nas ilhas não ter havido a luta armada e os sinais existentes nas colónias de Moçambique, Angola e Guiné-Bissau


Era, então, desde 1970, correspondente da revista angolana, Semana Ilustrada, tendo dado o meu contributo para a divulgação às ações da Associação Cívica, pró-MLSTP, acompanhando as suas reuniões na sua sede, no Bairro do Riboque, bem como divulgando as primeiras imagens e testemunhos dos massacres de 3 de Fevereiro de 1953, conhecidos pelos massacres do Betepá


Graças à liberdade de expressão instaurada pelo movimento das forças armadas portuguesas, apesar das enormes dificuldades económicas com que me defrontei, nem assim deixei de escrever e de publicar o que tinha a publicar, mesmo quando alguns colonos, me colocarem uma forca de corda pendurada sobre a minha porta (ainda tenho a fotografia); pois não queriam que eu escrevesse sobre o direito do tão sacrificado povo destas maravilhosas ilhas verdes do equador, pudessem livrar-se do jugo colonial e ascender à independência, pelo que foi alvo de alvo de várias agressões e ameaças de morte


Por duas vezes, furaram os pneus do meu carro à navalhada, (ao ponto de ter que o estacionar junto à sentinela do palácio do governador), agrediram-me barbaramente.

Pior do que isso, quando uma multidão furiosa de colonos invadiu aquele palácio para exercerem coação e insultarem o então coronel Pires Veloso, ao verem-me, ali nas imediações, passei eu a ser o mau da fita e das suas frustrações, correram todos imediatamente atrás de mim, como loucos, para me lincharem.

Eram milhares a apedrejarem-me e a espalharem-se por todas as ruas para me apanharem. Ainda fui atingido com uma pedra na cabeça, que me provocou um ferimento grave. Por pouco não me mataram e fui esmagado. Por sorte, consegui entrar numa escada e lograr um esconderijo, num telhado, até ao anoitecer, com a cabeça e o rosto ensanguentado, sem poder tratar-me do ferimento.

Depois tive que me refugiar quinze dias no mato, em casa de um santomense amigo, o Constantino Bragança, um dos meus companheiros na escalada do Pico Cão Grande


Desembarquei em novembro de 1963, para fazer um estágio, como Técnico Agrícola, numa roça – Estive um ano em Angola, onde fui frequentar o curso de sargentos milicianos, seguido do curso de comandos – e deixei a Ilha de São Tomé, pela última vez, em outubro de 1975, a bordo de uma piroga para tentar a travessia solitária de São Tomé ao Brasil, que me levaria a um longo e tormentoso naufrágio de 38 dias. – Depois de ter feito travessia de S. Tomé à Nigéria, em Março do mesmo ano – Projeto, acalentado, desde há vários anos, mas que me vi forçado antecipar por via das agressões e perseguições de que estava a ser alvo por parte de alguns colonos, sim, com vista a demonstrar que as ilhas poderiam ter sido inicialmente povoadas por povos da costa africana, tal como sucedeu nas ilhas do Oceano Pacifico, muito antes de serem descobertas por navegadores europeus.

Pelos muitos testemunhos recebidos, estou certo que a população e as mais diversas entidades e personalidades de S. Tomé e Príncipe, continua a ter por mim um grande respeito e admiração e me considera como um dos seus

PAPALAVRAS DO FUNDADOR DA NACIONALIDADE SANTOMENSE - Em 12 de Julho de 2015  - Do então Presidente Manuel Pinto da Costa  https://canoasdomar.blogspot.com/2015/07/sao-tome-e-principe-ha-40-anos-nasceu.html


Temos de ser capazes de assumir os erros cometidos com humildade porque todos os cometeram e a, partir daí, ultrapassar o passado, encarar com realismo o presente e construir, com esperança, o futuro.
Gostaria, a este propósito, saudando calorosamente nesta ocasião, os povos irmãos de Moçambique, Angola, Cabo-Verde e Guiné Bissau que celebram como nós a independência, recordar e citar palavras recentes do ex-presidente Moçambicano, Armando Guebuza.
Disse este:


“O nosso maior sucesso foi termos adquirido uma identidade, podermos ter as nossas próprias opções e até cometer os nossos próprios erros”…
É na nossa identidade, que começámos a reconstruir nas quatro décadas que levamos de independência que reside a chave para o sucesso de São Tomé e Príncipe, recusando a nacionalização do pessimismo, da crítica destrutiva, do desânimo, da inércia e do isolamento insular que nos empurra constantemente para nós próprios.

Existem motivos mais que suficientes para acreditar que, apesar dos erros cometidos, apesar da pobreza que ainda não vencemos, das carências estruturais que persistem, que valeu a pena e somos capazes de conquistar um futuro de progresso, desenvolvimento e justiça social.
Podíamos ter feito melhor? Podíamos.
Podíamos ter cometido menos erros? Podíamos.
Podíamos ter alcançado melhores resultados? Podíamos.
Mas é valorizando o que conseguimos enquanto povo apesar de todas as dificuldades que enfrentámos que podemos potenciar o que há de melhor em nós e o país, não tenhamos dúvidas, precisa do melhor de nós. De todos nós, sem exclusões de qualquer natureza. 


Alcançámos progressos significativos em áreas fundamentais para o desenvolvimento como a saúde e educação onde estamos à beira de conseguir cumprir em vários domínios os objectivos do milénio definidos pelas Nações Unidas.

Temos uma democracia estabilizada e com provas dadas de maturidade



segunda-feira, 11 de julho de 2022

São Tomé e Príncipe – 47º aniversário da Independência – 12-06-1975 - As Ilhas Verdes do Equador, vão estar em festa a partir desta segunda-feira –


Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


Depois de dois anos de confinamento por via da Covid-19, que veio  dificultar a vida às populações e causar limitações sanitárias de vária ordem, além de perdas humanas,  crise que o Governo tem procurado debelar, dentro do que lhe tem sido possível, eis que finalmente   se vão comemorar os  47 anos de independência, num contexto mais livre e alegre, tal como vinha sucedendo em anos anteriores na maior festividade do país.

A República Democrática de São Tomé e Príncipe teve sua autonomia em 12 de julho de 1975. Tornou-se independente sob a bandeira do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), após 505 anos sob domínio português.

A partir de hoje, segunda-feira 11 comemora o 47º aniversário de Independência de São Tomé e Príncipe. - Neste vídeo, recordando algumas exibições do Tchiloli e Danço Congo, além de manifestações de música e dança na emblemática Praça da Independência

São-Tomé, STP-Press – O governo de São Tomé e Príncipe decidiu conceder tolerância de Ponto no primeiro e segundo períodos desta segunda-feira, dia 11 Julho, véspera do dia da independência nacional a assinalar-se, terça-feira, 12 de Julho, visando “uma maior envolvência de todos na celebração desta efeméride”, – indica um despacho do Executivo enviado hoje a STP-Press.


A decisão do governo chefiado pelo primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus vem expressa num despacho conjunto assinado pelo ministro da Justiça Administração Interna e Direitos Humanos, Cílcio Santos e o ministro do Trabalho, Solidariedade, Família e Formação Profissional, Adlander de Matos.

“É concedida a tolerância de ponto no primeiro e segundo períodos laborais a nível nacional, no dia 11 de Julho de 2022”, lê-se no documento sublinhando que “assim para enaltecer este marco histórico do País, permitindo que haja uma maior envolvência de todos na celebração desta efeméride”.


“Considerando o profundo significado que o Dia 12 de julho reveste para a República de São Tomé e Príncipe, a participação nos festejos e cerimónias comemorativas do Dia da Proclamação da Independência Nacional, constitui um dever cívico de todos cidadãos, particularmente dos funcionários e agentes de Estado”, sustenta o governo no documento.

O acto central das festividades será a partir das 8 horas de terça-feira, dia 12 de Julho na histórica “Praça da Independência” com realce para discurso do Presidente da República, Carlos Vila Nova bem como do Presidente do Distrito de Agua-Grande, José Maria da Fonseca.

Além desfile das forças armadas, o acto central contará ainda com salva de Canhão da Fragata Brasileira bem como desfile dos grupos culturais, sucedendo no mesmo local a colocação da tradicional chama da pátria com fogo-de-artifício que acontece logo nas primeiras horas do dia da independência nacional.


DESCOBERTAS DAS DUAS ILHAS - No reinado de Afonso V são descobertas duas ilhas de rochas vulcânicas por João de Santarém e Pêro Escobar.

A lha de S. Tomé, assim denominada por ter sido achada no dia 21 de Dezembro de 1470, dia do apóstolo S. Tomé - No mês seguinte, em 17 de Janeiro de 1471, é descoberta a ilha a que denominaram como "Ilha de Santo Antão". Visando incentivar o seu povoamento, em 1502 tornou-se uma donataria, denominada como "Ilha do Príncipe", sendo-lhe introduzida a cultura da cana-de-açúcar.
Fora nomeada ilha do Príncipe por D. João II de Portugal. O rei tanto adorava o seu único filho e herdeiro Afonso, Príncipe de Portugal (1475) que, em sua homenagem, designou como "Príncipe" a ilha mais pequena do arquipélago de São Tomé e Príncipe. Em 1573 a donataria reverteu à posse da Coroa Portuguesa.

Se a descoberta ainda foi feita no reinado de D. Afonso V, o povoamento começou já com D. João II no trono de Portugal, que ali introduziu também o sistema das capitanias. Os donatários das ilhas e vassalos do rei levaram grupos de povoadores constituídos por filhos de judeus, artificies, alguns fidalgos, degredados e escravos negros, importados do continente africano, os únicos que conseguiam adaptar-se ao clima equatorial, húmido e quente. As doenças tropicais dizimaram grande parte dos primeiros colonos.

Com a introdução do cultivo da cana-de-açúcar, a criação de gado e o comércio de escravos, S. Tomé prospera rapidamente tornando-se, no século XVI, o maior exportador de açúcar em África. Alvo de constantes ataques dos navios corsários de franceses e de holandeses, o arquipélago, pela sua posição geográfica, transforma-se num ponto de escala na rota marítima para a Índia e na rota do trafico de escravos entre o continente africano e o Brasil.

"O tchiloli baseia-se num texto escrito por volta de 1540 por Baltazar Dias, um dramaturgo cego, madeirense da escola de Gil Vicente (1465-1536). O seu drama inspira-se em seis romances castelhanos que, por sua vez, derivam do ciclo carolíngio do século XI. Este teatro medieval conta a história de Dom Carloto, filho e herdeiro do imperador Carlos Magno que assassina o seu melhor amigo, Valdevinos, sobrinho do marquês de Mântua, durante uma caçada, porque se apaixonou por Sibila, a esposa de Valdevinos. O crime leva as duas famílias e os seus representantes a debaterem questões de lei, de justiça e de governação. Os temas chave desse drama são a traição e a igualdade perante a lei. O imperador é confrontado com o dilema de escolher entre a raison d’État, o interesse nacional, e o seu amor paternal. Finalmente, o seu filho é condenado à morte e executado na fortaleza imperial." - Refere Gerhard Seibert

Danço- Congo - Dança dramática representada em São Tomé e Príncipe tem uma origem e surgimento desconhecidos – “é provável que, ao contrário de várias outras manifestações culturais santomenses, não tenha sido trazida de fora ou visivelmente influenciada pelas outras culturas, mas sim, criada pelos ilhéus.” Com o seu caráter original e “foco nos movimentos e falas, nas piadas de bobos, no ritmo dos tambores”, no Danço Congo “a história como um todo, assim contada pelas pessoas mais idosas, diluiu-se e deixou de ter importância.” Todos os participantes vestem-se a rigor, com destaque para os “capacetes feitos de banças de palmeira decoradas com coloridos pedacinhos de plástico.”