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domingo, 24 de abril de 2016

Adilson César – O Jovem capitão santomense que um grave acidente levou inesperada e prematuramente para a eternidade - Brioso militar, cuja morte causou sentida emoção – Era Ajudante de Campo do Primeiro-Ministro, Patrice Trovoada


“Era um jovem promissor, o modelo de jovem cuja atitude e comportamento me dava muita esperança e confiança no futuro do pais e da instituição militar. – É deste modo que, o Primeiro-Ministro, recorda a perda do seu jovem ajudante de campo
Na sua página do Facebook, , Patrice Trovoada, diz que “Adilson era um jovem oficial discreto, dedicado, atento, eu o notava sempre observando e preocupado para com o seu chefe, com o bem estar da sua esposa e dos seus filhos.
Meus documentos, meus telefones, meus contactos, minha agenda, meus encontros, as minhas promessas e os pedidos dos cidadãos, minhas chaves, minha esposa, meus filhos, minha mãe, minha segurança, pouco escapava ao olhar preocupado e atento do Adilson
Um jovem sério, honesto, inteligente, moderno, que durante as longas horas passadas comigo procurava sempre aprender e melhorar os seus conhecimentos.



O primeiro homem que eu via logo ao sair do quarto era Adilson, assim começávamos os dias, ele sempre no carro comigo, no avião comigo, na sala de trabalho ao lado da minha.


Ontem regressamos da Europa ao final da tarde , hoje sábado as 8:00 da manha estava o Adilson pronto para mais um dia de trabalho, fomos ao escritório, como habitualmente ele preparou as minhas duas chávenas do chá de limão, regressamos a casa relativamente cedo, ao meio dia, como sempre ele arrumou os meus dossiês, ligou os computadores, os telefones, perguntou se podia dispensar o condutor e qual seria a agenda para o domingo.
Eu disse que no domingo não iria precisar dele e que nos viríamos então na segunda-feira por volta das 7h00 como habitualmente.
Segunda-feira estarei sozinho depois de cerca de 4 anos juntos e sentirei muito a falta do meu Adilson.

 Estas também ainda as sentidas palavras expressas de condolências de Patrice Trovoada, agradecendo a “ todos aqueles que desde do principio da noite e logo que souberam do trágico desaparecimento do jovem Capitão Adilson César, o meu Ajudante de Campo, num acidente de viação, manifestaram os seus sentimentos.
Eu, minha esposa, meus filhos, os meus colaboradores civis e paramilitares, os membros do Governo, personalidades estrangeiras, amigos meus pelo mundo fora que tiveram a ocasião de conhecer o Adilson, ficamos profundamente sentidos com esta perca irreparável.”

CORONEL VICTOR MONTEIRO - TAMBÉM RECORDOU O JOVEM OFICIAL COM PALAVRAS MUITO SENTIDAS DE GRANDE APREÇO

“Nesta hora de DOR e de LUTO, venho apresentar a toda família biológica, a toda família militar, aos naturais de Caué, aos amigos e admiradores do malogrado Capitão César, os meus SENTIMENTOS DE PESAR, pela perda irreparável.
Nas vestes de ex Ajudante-de-Campo e seu amigo, eu sempre nutri pelo Capitão César, uma admiração e simpatia ímpar, pela sua postura militar, humana, de lealdade, de devoção, de zelo e integridade profissional exigida a alguém que exercia uma profissão tão honrosa, quanto ingrata e de alto risco.
O Capitão César enquanto militar de carreira e Ajudante-de-Campo do Primeiro Ministro, exerceu esse cargo com um profissionalismo digno de distinção.
Por tudo isso e, não só, posso afirmar sem receio de errar que o Capitão César não tinha inimigos. QUE A SUA ALMA DESCANSE EM PAZ.

Associando-me à dor da família enlutada, e também às palavras sentidas de Patrice Trovada, o mesmo fazendo as palavras, igualmente emocionadas, que, o Coronel Victor Monteiro,  dedicou ao malogrado oficial, de tão perca irreparável.


Foto do Téla Non
MOMENTOS DE LÁGRIMAS E DE MUITA COMOÇÃO NO FUNERAL

Adilson César, que tinha 37 anos e deixa 4 filhos menores, foi vitima de um brutal acidente de viação, próximo da Roça Água Izé,  na curva que antecede a ponte do rio Abade, onde encontrou a morte ao chocar com uma viatura em sentido contrário.
O seu funeral, que foi acompanhado por centenas de pessoas a que se se associou o Primeiro-Ministro, membros do Governo e das forças armadas, constituiu uma manifestação de profundo pesar, que, não obstante a chuva que se fez sentir, refere o Téla Nón, “marcaram presença na despedia eterna http://www.telanon.info/sociedade/2016/04/26/21690/adeus-sentido-e-dificil-ao-capitao-adilson-cesar/



sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ilha do Príncipe – Depois do ciclo do Cacau - Filões de ouro à superfície do solo? e jazidas de petróleo no fundo do mar! – Documento escrito por entidade colonial diz que “em 1810 o comércio do ouro era alvo de atenção por parte do Governo da Colónia.

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e Investigador


Poderá haver ouro na Ilha do Príncipe – Há antigos documentos, que falam dessa possibilidade – mas também do ouro, proveniente de São João Baptista de Ajudá  e de ali ter sido manufaturado –  Para se juntar ao ouro, ali já existente ou para explorar a escassa mão-de-obra escrava?...De facto, a distância não era muita da ilha Príncipe ao  forte português incrustado em território do atual Benim -  Esta poderá ser a explicação, de que o carregamento do ouro até pudesse vir nos mesmos barcos negreiros que vinham do continente africano e faziam das Ilhas de S. Tomé e Príncipe, um interposto da escravatura para as Américas. Mas, por outro lado, não se compreende a razão  pela qual, uma ilha tão pequena, e ainda  para mais com tão escassos habitantes, o ouro em bruto, em vez de ser diretamente  enviado para a Metrópole – do qual ali se fizeram  grandes fortunas e construíram grandes palácios  - havia de ter de fazer  este transbordo

Ao contrário do que anunciei, ainda não é desta vez que lhe venho falar do património religioso  – antigas capelas e igrejas – que existiram na ilha do Príncipe ( se bem que o  texto já esteja pronto) visto  dar prioridade a outra novidade – Veja bem o leitor: Ouro na Ilha do Príncipe?!--- E porque não!  

Enquanto a exploração do petróleo, o chamado ouro negro, conhece recuos e avanços, que não lhes permitiram ainda extraí-lo das profundezas do mar – alias, ainda muito mais abaixo dos lodos depositados no fundo dos abismos – quem sabe se, com esse polémico processo, não se tem andado distraído do ouro verdadeiro, daquele que – exposto à luz – brilha como o esplendor do sol  - e, a dar-se o caso de existir, estando ali à mão de semear, possa ser extraído com menores custos e ter proveitos imediatos.

Pois é justamente disso que lhe venho falar – É certo e sabido que, tanto em S. Tomé como no Príncipe, além do maravilhoso património natural  (vegetal) que já se conhece, muitas  riquezas ainda haverá por descobrir – Refiro-me ao  subsolo, que ainda é um grande mistério – Sim, e porque não ouro nas areias do Rio do Ouro – ou será que a origem dos  nomes era dada apenas por mero capricho?   - Pergunto: já alguém alguma vez se preocupou com o estudo da toponímia atribuída a este rio e da eventual possibilidade de estar associada à existência de ouro?  - 

Pessoalmente, não tenho conhecimento desse facto – Mas, curiosamente, até foi uma ideia que me passou pela cabeça, quando ali fui empregado de mato, tendo um dia andado por lá a passear-me pelas suas margens e leito. – Naturalmente que levado mais pela minha curiosidade de conhecer as sua paisagem e a suas curiosas rochas, do que propriamente  na mira de algum hipotético filão, porque, mesmo que lá o encontrasse, sabia que andava ali a perder o meu tempo para  dar o ouro ao “bandido.”

( Semana Ilustrada 1973 - Minha Reportagem)

Por vezes, eu próprio me surpreendo porque razão certas descobertas  vêm ao meu encontro, desde documentos, que estavam esquecidos (e alguns dos quais até praticamente abandonados) até descobertas arqueológicas – Não vou aqui descrever os vários exemplos, pois não esta é agora a minha intenção, até porque já o fiz,  nos   escritos  publicados nos meus dois sites, que até podiam dar vários livros mas que eu tenho preferido fazê-lo em  Odisseias nos Mares http://www.odisseiasnosmares.com/2014/10/descoberta-de-gravuras-pre-historicas.html e em Templos do Sol  - Veja-se, por exemplo,  o caso das terras raras, o chamado oro do século XXI http://www.vida-e-tempos.com/2013/05/terras-raras-ouro-ou-petroleo-do-seculo.html

Foto de nutixaye.wordpress.com  
A bem dizer não há acasos: não se procuram; vêm ao encontro de quem os deseja, se esforça ou merece -  Foi o que sucedeu, com a sorte que Deus me deu em sobreviver nas minhas várias  aventuras marítimas, que, à partida, poderiam estar condenadas a ser mais uma das vidas perdidas no fundo do mar, mas, felizmente que o desfecho foi outro. Isto para já não falar   - depois de vários anos de peregrinações, de dia e noite – da descoberta dos antiquíssimos e maravilhosos calendário solares, cujas imagens já correram mundo. http://www.vida-e-tempos.com/2013/06/celebracao-do-solsticio-do-verao-21-de.html ......  http://www.vida-e-tempos.com/2014/01/pedra-da-ursa-maior-nos-templos-do-sol.html

HÁ QUE PROSPETAR OU APROFUNDAR - Novo desafio ao empreendedor e dinâmico Presidente do Governo Regional, José Cassandra.

Sem com isto querer ser demasiado otimista ou  alimentar ilusões, há que aprofundar  o estudo e, se houver pistas,   fazer as  prospeções  - Quem sabe se até não mais promissoras e com menos custos de que a tão badalada exploração do petróleo, num processo de especulações e polémicas, que, os investidores, na mira de  um dia encherem os bolsos, vão dando umas “morcelas”, quando o objetivo é ficarem com o salpicão, claro se alguma vez o encontrarem

Mas passemos à transcrição do  que diz um relatório colonial, a dado passo



"

"A Ilha do Príncipe foi capital da Colónia desde 1753 (alvará de D. José Iº de 15-11-1753) e deixou de o ser em 1852, pag. 40 e 97, Corografia da Ilha do Príncipe por Cunha Mattos)
Em 1822 o Coronel José Ferreira Gomes, introduziu o cacau na Ilha do Príncipe. Foi João de Sousa e Almeida, 1º Barão de Água Izé, que em 1855 o começou a cultivar em S. Tomé – (DR. E. Lemos Boletim da A. Geral das Colónias, Nº 118/1935 – pag. 38.


O Governador da Ilha do Príncipe, Joaquim José de Sousa Ozório, diz no Oficio Nº475 de 1-7-1856 ao Gov de S. Tomé,  (pag. 50 do Reltº de Externos do Gov. do Príncipe” Há dois anos aproximadamente que se começou nesta ilha a empregar a serra para se fazer tabuado e vigamento, porém este sistema ainda está tão pouco introduzido que geralmente o tabuado é tirado à cunha….

O Comércio era feito com Avana, Brasil  (Bahia de Todos os Santos) e Ajudá donde vinha o ouro (que não sabemos se era ali extraído) que era trabalhado na Ilha do Príncipe, embora imperfeitamente ; Ainda hoje se podem ver raramente alguns objectos a que impropriamente se chama de “Ouro da Terra”

Já em 1810  o comércio do ouro era alvo de atenção por parte do Governo, como se vê no ofício de 1 de Setembro de 1810, do Gov. Joaquim Lisboa aos “Senrs Offes. do Senado da Câmara da Ilha do Príncipe”, o qual diz como o Tenente de Melícias Rodrigues Martins Pina tem os melhores conhecimentos da arte da ourivesaria (sic) que lhe encargou o Juiz o Juízo daquele offício e do Contraste de prata  p. ser assim muito necessário a bem do Povo enganado quotidianamente pelos ourives que nas obras que fazem lanço  quadruplicada  liga da Lei ou pª melhor dizer em lugar de venderem ouro vendem latão dourado  - Deos G. de a Vmces. Qel do Gov,  da Ilha do Príncipe.

(Foto ao lado - Gabriel Gomes da Silva - doc. col)

Segundo informações de Gabriel Gomes da Silva, esteve no Príncipe um italiano que afirmava  haver ouro no sítio dominado Budo-Faca  Pedra-Faca, cujo nome deriva de uma pedra ali existente da qual uma das faces é afiada com uma faca; Era ali o cruzamento das roças Azeitona, Manuel Afonso, Conceição e Ibó. Chamava-se o referido italiano. Domic Lak Marsns. (Encontrámos de facto  o nome de  Domingos  LeK Marcins  (sic) num contrato de trabalho  agrícola com 40 Krumanes vindos de Fernando Pó em 27 de Maio de 1865







terça-feira, 19 de abril de 2016

Ilha do Príncipe -1- Prá história da igreja católica, lá e cá - Destruídas igrejas e capelas pela fúria anticlerical - Separação da Igreja do Estado, na 1ª República, também atingiu a mais primorosa Ilha Verde do Equador -

C


Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e Investigador  - Este o 1º  de vários artigos que contamos publicar sobre alguns aspetos da história da Igreja Católica nas maravilhosas Ilhas de S. Tomé e Príncipe  . 


ILHA DO PRÍNCIPE E A INTOLERÂNCIA REPUBLICANA - LÁ E CÁ - Documento inédito prá história da igreja católica - Destruídas igrejas e capelas pela fúria anticlerical - Separação da Igreja do Estado, na 1ª República, também atingiu a mais primorosa Ilha Verde do Equador. - Na “Metrópole”: os dias santos passaram a dias de trabalho; dissolvidas confrarias e irmandades, perseguições ao clero e imposta a censura em jornais católicos – O Jornal Católico POVO DE FOZ CÔA , dirigido pelo Padre José António Marrana, também foi perseguido pelos republicanos, que lhe censuraram textos em várias edições , - A Cidade de Santo António, da Ilha do Príncipe, que já teve Igreja Catedral, Misericórdia e muitas Capelas e várias Confrarias e Irmandades de seculares tradições religiosas, viu os atos de culto da sua Religião, celebrados na dependência de um armazém que o Município, por favor, lhe cedeu

Na imagem, uma das páginas do relatório de um inspector-escolar - que também era sacerdote -  entregue ao Governador  da Colónia - E até hoje nunca transcrito dos arquivos

Uma das páginas do relatório de um padre e inspector escolar ao Gov. que nunca foi divulgado publicamente - anos 30 
A separação da Igreja do Estado, na 1ª República, também  atingiu  uma das Ilhas Verdes do Equador, com a destruição de capelas e igrejas   -  Na “Metrópole”: os dias santos passaram a dias de trabalho; dissolvidas confrarias e irmandades, perseguições ao clero e imposta a censura em jornais católicos – É o do que lhe vimos aqui recordar

“Como depois do abandono e secularização da igreja, deixou de haver na cidade um templo para os actos do culto, arrumaram-se os objectos, que escaparam à fúria cristianicida da época, num armazém da Câmara, adaptando-se uma das dependências a capela.
Isto é, a Cidade de Santo António, da Ilha do Príncipe, que já teve Igreja Catedral, Misericórdia e muitas Capelas e várias Confrarias e Irmandades de seculares tradições religiosas, viu os atos de culto da sua Religião, celebrados na dependência de um armazém que o Município, por favor, lhe cedeu” – Mais adiante, retomamos a descrição.


Há quem diga, que “Não houve perseguição da I República à Igreja Católica” Que  “essa foi uma ideia construída pela máquina de propaganda do Estado Novo e de Afonso Costa." In  O Portugal católico da I República é um mito  

Mas houve e vimos aqui revelar-lhe alguns exemplos, que se estenderam além-mar: porventura, não comparável  aos dos Cruzados ou perpetrados pela Santa Inquisição, com a intolerância dos seus fanatismos ou hediondas barbaridades ( historicamente bem  documentados)  mas   a verdade é que, a natureza humana, quando o ódio lhe ofusca a mente por via de paixões religiosas ou políticas, não difere substancialmente no seu comportamento e atitudes.

Separação da Igreja e do Estado em Portugal (Iª República) em vez de pacificar gerou conflitos

A separação entre a Igreja e o Estado foi decretada em Portugal em 1911 (20 de Abril), na sequência da instauração da República em 5 de Outubro de 1910. – Sem dúvida, uma media desejada e saudada  pelas forças politicas mais progressistas e também por um significativo sector da população – Pois eram bem conhecidos os exageros a que, um  tal poder absoluto e promiscuidade, vinha conduzindo; - ao misturar-se a religião com a politica - Que é, no fundo, o que  atualmente acontece nos países muçulmanos – Só que, também naquele tempo, mais uma vez  é a  intolerância e o fanatismo a sobrepor-se ao bom senso, dando lugar às mais violentas perseguições 

JORNAL DIRIGIDO POR SACERDOTE - CENSURADO PELOS REPUBLICANOS

Dantes, a Igreja de mãos dadas com a Inquisição, desunhava-se na  caça às bruxas, a todo aquele que não professasse a sua doutrina, agora, eram os republicamos, na caça e no ataque ao clero, às suas igrejas, jornais e instituições:

 O Jornal “POVO DE FOZ CÔA – do qual aqui lhe mostramos a primeira página de uma das suas muitas edições censuradas, pelos censores republicanos, instalados na capital, para onde tinha de ser enviado o jornal antes da sua publicação,  sim, é um desses opressores exemplos – Isto ainda longe do golpe militar de 1926 ter desembocado na ditadura fascista de Oliveira Salazar, tendo como um dos seus pilares a aliança com a Igreja Católica.

Veja-se o desabafo  do seu diretor,  Padre José António Marrana, na edição de 11  de Dezembro de 1916, além de mostrar o espaço em branco que os censores lhes cortaram,  a que deu o título: Da Capital  -  Culto à Censura

O desabafo
(…) Podemos atacar os republicanos nos seus maus actos, declará-los sob a alçada dos tribunaes civis ou criminaes.
Mas quando o fazemos, não atingimos com as nossas palavras ou escriptos a figura da Pátria tão espesinhada por excessos e intolerância de toda a ordem.
Não, a censura não é Intangível.
Assiste-nos o direito de recolhermos dos seus exageros.
Intangível até hoje é a lei da Separação.  
Os srs. censores não podem ter sujeitas aos seus caprichos pessoaes o pão de muitas famílias que vivem d'um jornal.

 AGORA OS ULTRA-LIBERAIS  TAMBÉM QUISERAM AMORDAÇAR OS DIAS SANTOS

Contrariamente ao  que defende uma certa cegueira tecnocrata, a produtividade do trabalho, não  se consegue melhorar com a imposição de horários mais alargados ou com a supressão de feriados ou outros direitos adquiridos – pois o ser humano, não é uma máquina – mas com  um trabalho menos stressante e mais humanizado 

A supressão dos dias santos, mesmo para quem não professe a religião, constitui sempre um tempo de lazer, de retempero de forças e descontração – Contudo, assim não o entenderam , tanto os republicanos da 1º república, como os ultraliberais da atualidade . Mas ainda bem que o mal já foi sanado, com a reposição dos feriados

É referido que, ao dar-se a implantação da República, esta se fez logo acompanhar “de violências e ataques ao clero e às ordens religiosas, perpetrando-se mesmo, para além de assaltos e insultos, alguns assassínios” (…)Também os dias santos passaram a dias de trabalho, com exceção do domingo, mas este com um sentido puramente laboral. Foram dissolvidas as mesas administrativas das confrarias e irmandades, proibidas forças armadas de participar em solenidades religiosas, mas a maior polémica foi gerada talvez com as leis do divórcio (3 de novembro de 1910) e as da família, as quais consideravam o casamento como um "contrato puramente civil". Separação da Igreja e do Estado em Portugal (I República)


PARA A HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA NAS ILHAS VERDES DO EQUADOR


Este o primeiro de um dos vários artigos, que contamos publicar, no nosso site, Odisseias Nos Mares:

É certo e sabido, que, a igreja católica, foi um dos mais fiéis aliados da expansão colonial, em que, numa das mãos, se erguia o crucifixo e na outra se brandia a espada. Mas seja como for, quer se realcem os aspetos positivos ou negativos, faz parte da história – Por certo, que, sem a sua intervenção, dificilmente, Portugal teria também dado ânimo aos bravos navegadores que sulcaram mares nunca dantes navegados, ou pelo menos desconhecidos dos nossos pilotos e marinheiros, indo a todas as partes do mundo – Dando a admirável lição de como, um pequeno país, com reduzido número de habitantes, logrou formar uma das mais arrojadas armadas da navegação marítima e, através dela, ser o pioneiro das mais extraordinárias descobertas  – Pelo menos, trazê-las ao conhecimento da velha Europa


Quis um feliz acaso, que, numa das pesquisas, que a nossa curiosidade e paixão nos move pelo estudo da origem e do povoamento de S. Tomé e Príncipe – inicialmente através de travessias de canoas, entre as ilhas e o continente africano; depois vasculhando arquivos ou palmilhando a orla marítima, em demanda de vestígios arqueológicos – sim, que deparássemos, entre outra abundante informação, que, a seu tempo contamos divulgar (parte da qual, acreditamos nunca ter saído da confidencialidade de velhas prateleiras ou gavetas), como é a descrição que aqui hoje lhe trazemos - Imagem extraída de São Tomé e Príncipe: Ruínas na Praia

Sim, vimos falar-lhe, não apenas sobre o lançamento da primeira pedra da  magnifica igreja, no dia 19 de Agosto de 1937,  edificada  no Largo Maria Correia,  na cidade de Santo António,  como também da vaga anticlerical, que   atingiu esta maravilhosa ilha, vandalizando e  destruindo  os seus mais  belos templos religiosos, obrigando  o culto dominical a ser realizado num velho armazém da Câmara Municipal.

O texto seguinte é de um inspetor escolar, que, por sinal, também era sacerdote, numa vista que efetuou à Ilha do Príncipe, nos anos 30  – No texto, do relatório, batido à maquina de escrever  pelo seu punho,  a que tivemos acesso, não é referido o nome, terminando com uma assinatura, que não logramos descodificar.

COMO DECORREU O LANÇAMENTO DA PRIMEIRA PEDRA DA ATUAL IGREJA DA CIDADE DE SANTO ANTÓNIO – NO PRÍNCIPE – E POR VIA DE QUE NECESSIDADE

"Como depois do abandono e secularização da igreja, deixou de haver na cidade um templo para os actos do culto, arrumaram-se os objectos, que escaparam à fúria cristianicida da época, num armazém da Câmara, adaptando-se uma das dependências a capela.

Isto é, a Cidade de Santo António, da Ilha do Príncipe, que já teve Igreja Catedral, Misericórdia e muitas Capelas e Várias Confrarias e Irmandades de seculares tradições religiosas, viu os atos de culto da sua Religião, celebrados na dependência de um armazém que o Município, por favor, lhe cedeu .
Tornava-se pois necessária a construção de uma igreja, não só para acudir às necessidades dos que reclamavam, mas também para reparar de algum modo o desacato feito às crenças de uma grande maioria e tradições de uma civilização.

Os esforços da actual administração do concelho e a boa vontade de todos, decidiram levar a efeito esta tão suspirada obra, sendo escolhido o Largo Maria Correia

No dia 10 de Agosto, depois dos convites oficiais feitos pelo Senhor Capitão Curado, Administrador do Concelho, foi benzida e lançada a primeira pedra com as cerimónias do ritual
Em seguida foi celebrada Missa Campal, com guarda d’ honra, a que assistiram o Administrador do Concelho, toda a população europeia da Ilha, nativos, muitos serviçais, crianças da Escola,  solados e presos, devidamente uniformizados.

Fiz uma prática alusiva ao acto, enaltecendo as glórias do nosso passado glorioso e as tradições cristãs do Povo Português que levaram a fé e civilização a todos os domínios , cujos estavam bem patentes na grandiosa manifestação de fé  a que se assistia.
À tarde, pelas cinco horas,  foi  organizada uma procissão ao Cemitério,  em que se incorporaram europeus e indígenas, entoando-se no trajecto o salmo “Miserere”. Ali cantou-se o R. Libera-me e as orações do estilo, tendo feito uma alocução sobre a caridade e os deveres que temos d éter para com os mortos.

Muitas pessoas com lágrimas, me respondiam responsos por alma dos seus entes mais queridos, benzendo muitas campas, sendo muito  comovente este espetáculo de luto e de tristeza, mas consolador pela fé e sentimentos que os inspiravam
Era já noite quando a multidão evacuou o cemitério, deixando ali pedaços do seu coração retalhado pela saudade dos que lhes foram caros, mas que ali ficavam alumiados pelos clarões da sua Fé e conformados pela piedade das suas orações.

Por entre soluções e lágrimas, reorganizou-se o cortejo de volta à Capela, tendo-se feito o percurso com o mesmo cerimonial anterior, disparando todos depois, já na cidade, no mais profundo silêncio.
Foi uma das cerimónias mais comoventes que tanto impressionou os que a ela assistiram. Durante outros dias, realizaram-se  também  muitos baptizados e algumas confissões e comunhões. Também devo registar, com muito prazer, que na Roça Porto Real ouvi de confissão dois serviçais, muito conhecedores dos seus deveres cristãos.
Os dois dias que restaram, passeio-os em actos de culto e noutros deveres inerentes à minha função  de Inspector Escolar.”

QUAL O PARAÍSO TERRESTRE ONDE O MISTICISMO – SEJA RELIGIOSO OU PAGÃO - NÃO AFLORA AOS CORAÇÕES?

“Capital durante cem anos, entre 1753 e 1852, a cidade está rodeada de indescritíveis belezas naturais, vegetação luxuriante e praias paradisíacas. Na verdade, o arquipélago é por muitos considerado como o Paraíso no Equador.” – Assim é reconhecido por estudiosos e visitantes
Mas retomemos de novo o texto do sacerdote- inspetor escolar, ao referir-se, no seu relatório, a dado passo, ao culto da religião, nesta maravilhosa ilha


“O povo do Príncipe, " - prossegue o mesmo relatório - "pode dizer-se, essencialmente religioso e cristão, embora as suas crenças tenham sofrido os efeitos da falta de cultura religiosa e da permanência de um eclesiástico. Crê em Deus, no culto dos santos, na vida futura, etc, etc.  Mas também em muitas outras coisas…
A feitiçaria é uma praga daninha cujos efeitos desastrosos se sentem  por toda a parte e têm , às vezes, uma influência decisiva nos destinos da vida das criaturas.
 (…) Logo à minha chegada, notei um certo contentamento por parte da população, por verem padres, perguntando-me muitos: se o que ia comigo, ali ficaria. Este padre, é um missionário de Angola, que encontrei a bordo e desembarcou comigo, seguindo depois viagem para a Metrópole. - Imagem extraída de São Tomé e Príncipe: Ruínas na Praia

Logo no primeiro dia visitei a casa onde estão guardados os objectos de culto que conseguiram escapar à fúria da almoeda, e onde já tinha sido armada uma capela, onde celebrei muitas vezes e exerci todos os actos de culto. Embora acanha para a concorrência de fiéis, no entanto estava limpa e decente.
Todas as missas eram bastante concorridas, fazendo prática em todos os dias, notando em todos as maior satisfação por lá terem um padre.

No dia 15 de Agosto, domingo e Festa da Assumpção de Nº Srª, benzi a nova capela  da Roça Esperança sob a invocação da Santa Joaquina e celebrei ali missa, fazendo em seguida 150 batizados, que, como ali se efetuaram nos dois dias  seguintes, se e elevaram a 370. No mesmo dia, também celebrei na Capela da Cidade, onde havia muitos fiéis, ficando a maior parte na rua, por não caberem no recinto.

Logo a seguir, fui á Roça Sundy, propriedade do Senhor Jerónimo Carneiro, onde também celebrei, na linda Capela de  Nª Srª Lourdes,  a que assistiram, além do médico, esposa, administrador, empregados europeus, uma grande quantidade de serviçais, predominando os cabo-verdianos, tendo feito, no mesmo dia, 51 baptizados de serviçais.
Em todas as missas, fiz a prática do dia, tendo igualmente dirigido a palavra aos catecúmenos  adultos sobre o acto que se realizava e os deveres que tinham de cumprir.

Na Sundy, despertou a minha atenção,  quando no final da missa, rezava três Avé-Marias, todos os serviçais que assistiam, responderam ao coro, acompanhando-me  depois na Salvé-Raínha, o que mostrava não só saberem estas duas invocações à Virgem, mas que também que não lhes era estranho o acto a que assistiam".



Foto ao lado - Capela de Nº Srª de Lourdes, na Roça Sundy - 
extraída  Igrejas em S. Tomé e Príncipe -


"Celebrei mais duas  missas nesta capela, segundo as intenções do médico Doutor Vasconcelos e Esposa. A Capela  da Suny é ampla e com um altar-mor espaçoso, formando no topo, uma linda e artística gruta sobre qual se venera  a imagem de Nª Srª de Lourdes, padroeira da Capela e da Roça. Tem um coro, pia baptismal de mármore, uma sacristia ampla, todos os parâmetros e  objectos necessários para o culto.

O alpendre dá-lhe um bonito aspecto exterior, fazendo lembrar muitas das capelas da Metrópole disseminadas pelos  centros menos populosos, onde os fiéis, depois das labutas do dia, passam cheios de fé e devoção, descobrindo-se respeitosamente, agradecendo e implorando a proteção   das imagens que ali se veneram.

Como depois do abandono e secularização da igreja, deixou de haver na cidade um templo para os actos do culto, arrumaram-se os objectos, que escaparam à fúria cristianicida da época, num armazém da Câmara, adaptando-se uma das dependências a capela.

Isto é, a Cidade de Santo António, da Ilha do Príncipe, que já teve Igreja Catedral, Misericórdia e muitas Capelas e Várias Confrarias e Irmandades de seculares tradições religiosas, viu os actos de culto da sua Religião, celebrados na dependência de um armazém que o Município, por favor, lhe cedeu .
Tornava-se pois necessária a construção de uma igreja, não só para acudir às necessidades dos que reclamavam, mas também para reparar de algum modo o desacato feito às crenças de uma grande maioria e tradições de uma civilização.
Os esforços da actual administração do concelho e a boa vontade de todos, decidiram levar a efeito esta tão suspirada obra, sendo escolhido o Largo Maria Correia

No dia 10 de Agosto, depois dos convites oficiais feitos pelo Senhor Capitão Curado, Administrador do Concelho, foi benzida e lançada a primeira pedra com as cerimónias do ritual

Em seguida foi celebrada Missa Campal, com guarda d’ honra, a que assistiram o Administrador do Concelho, toda a população europeia da Ilha, nativos, muitos serviçais, crianças da Escola,  soldados e presos, devidamente uniformizados.

Fiz uma prática alusiva ao acto, enaltecendo as glórias do nosso passado glorioso e as tradições cristãs do Povo Português que levaram a fé e civilização a todos os domínios , cujos estavam bem patentes na grandiosa manifestação de fé  a que se assistia.
À tarde, pelas cinco horas,  foi  organizada uma procissão ao Cemitério,  em que se incorporaram europeus e indígenas, entoando-se no trajecto o salmo “Miserere”. Ali cantou-se o R. Libera-me e as orações do estilo, tendo feito uma alocução sobre a caridade e os deveres que temos d éter para com os mortos.

Muitas pessoas com lágrimas, me respondiam responsos por alma dos seus entes mais queridos, benzendo muitas campas, sendo muito  comovente este espectáculo de luto e de tristeza, mas consolador pela fé e sentimentos que os inspiravam
Era já noite quando a multidão evacuou o cemitério, deixando ali pedaços do seu coração retalhado pela saudade dos que lhes foram caros, mas que ali ficavam alumiados pelos clarões da sua Fé e conformados pela piedade das suas orações.

Por entre soluções e lágrimas, reorganizou-se o cortejo de volta à Capela, tendo-se feito o percurso com o mesmo cerimonial anterior, disparando todos depois, já na cidade, no mais profundo silêncio.
Foi uma das cerimónias mais comoventes que tanto impressionou os que a ela assistiram. Durante outros dias, realizaram-se  também  muitos baptizados e algumas confissões e comunhões. Também devo registar, com muito prazer, que na Roça Porto Real ouvi de confissão dois serviçais, muito conhecedores dos seus deveres cristãos.
Os dois dias que restaram, passeio-os em actos de culto e noutros deveres inerentes à minha função  de Inspector Escolar.