“Era um jovem promissor, o modelo de jovem cuja atitude e
comportamento me dava muita esperança e confiança no futuro do pais e da instituição
militar. – É deste modo que, o Primeiro-Ministro, recorda a perda do seu jovem
ajudante de campo
Na sua página do Facebook, , Patrice Trovoada, diz que “Adilson
era um jovem oficial discreto, dedicado, atento, eu o notava sempre observando
e preocupado para com o seu chefe, com o bem estar da sua esposa e dos seus
filhos.
Meus documentos, meus telefones, meus contactos, minha agenda, meus
encontros, as minhas promessas e os pedidos dos cidadãos, minhas chaves, minha
esposa, meus filhos, minha mãe, minha segurança, pouco escapava ao olhar
preocupado e atento do Adilson
Um jovem sério, honesto, inteligente, moderno, que
durante as longas horas passadas comigo procurava sempre aprender e melhorar os
seus conhecimentos.
O primeiro homem que eu via logo ao sair do quarto era
Adilson, assim começávamos os dias, ele sempre no carro comigo, no avião
comigo, na sala de trabalho ao lado da minha.
Ontem regressamos da Europa ao final da tarde , hoje
sábado as 8:00 da manha estava o Adilson pronto para mais um dia de trabalho,
fomos ao escritório, como habitualmente ele preparou as minhas duas chávenas do
chá de limão, regressamos a casa relativamente cedo, ao meio dia, como sempre
ele arrumou os meus dossiês, ligou os computadores, os telefones, perguntou se
podia dispensar o condutor e qual seria a agenda para o domingo.
Eu disse que no domingo não iria precisar dele e que nos
viríamos então na segunda-feira por volta das 7h00 como habitualmente.
Segunda-feira estarei sozinho depois de cerca de 4 anos juntos e sentirei muito
a falta do meu Adilson.
Estas também ainda as sentidas palavras expressas de condolências de Patrice
Trovoada, agradecendo a “ todos aqueles que desde do principio da noite e logo
que souberam do trágico desaparecimento do jovem Capitão Adilson César, o meu
Ajudante de Campo, num acidente de viação, manifestaram os seus sentimentos.
Eu, minha esposa, meus filhos, os meus colaboradores
civis e paramilitares, os membros do Governo, personalidades estrangeiras,
amigos meus pelo mundo fora que tiveram a ocasião de conhecer o Adilson,
ficamos profundamente sentidos com esta perca
irreparável.”
CORONEL VICTOR MONTEIRO - TAMBÉM RECORDOU O JOVEM
OFICIAL COM PALAVRAS MUITO SENTIDAS DE GRANDE APREÇO
“Nesta hora de DOR e de LUTO, venho apresentar a toda família
biológica, a toda família militar, aos naturais de Caué, aos amigos e
admiradores do malogrado Capitão César, os meus SENTIMENTOS DE PESAR, pela
perda irreparável.
Nas vestes de ex Ajudante-de-Campo e seu amigo, eu sempre
nutri pelo Capitão César, uma admiração e simpatia ímpar, pela sua postura
militar, humana, de lealdade, de devoção, de zelo e integridade profissional
exigida a alguém que exercia uma profissão tão
honrosa, quanto ingrata e de alto risco.
O Capitão César enquanto militar de carreira e Ajudante-de-Campo do
Primeiro Ministro, exerceu esse cargo com um profissionalismo digno de
distinção.
Por tudo isso e, não só, posso afirmar sem receio de
errar que o Capitão César não tinha inimigos. QUE A SUA ALMA DESCANSE EM PAZ.
Associando-me à dor da família enlutada, e também às palavras sentidas de Patrice Trovada, o mesmo fazendo as palavras, igualmente emocionadas, que, o Coronel Victor Monteiro, dedicou ao malogrado oficial, de tão perca irreparável.
Foto do Téla Non
MOMENTOS DE LÁGRIMAS E DE
MUITA COMOÇÃO NO FUNERAL
Adilson César, que tinha 37 anos e deixa 4 filhos menores, foi vitima de um
brutal acidente de viação, próximo da Roça Água Izé, na curva que antecede a ponte do rio Abade,
onde encontrou a morte ao chocar com uma viatura em sentido contrário.
Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e Investigador
Poderá haver ouro na Ilha
do Príncipe – Há antigos documentos, que falam dessa possibilidade – mas também
do ouro, proveniente de São João Baptista de Ajudá e de ali
ter sido manufaturado – Para se juntar ao ouro, ali já existente ou para explorar a escassa mão-de-obra escrava?...De facto, a distância não era muita da ilha Príncipe ao forte português incrustado em território do atual Benim - Esta poderá ser a explicação, de que o carregamento do ouro até pudesse vir nos mesmos barcos negreiros que vinham do continente africano e faziam das Ilhas de S. Tomé e Príncipe, um interposto da escravatura para as Américas. Mas, por outro lado, não se compreende a
razão pela qual, uma ilha tão pequena, e
aindapara mais com tão escassos
habitantes, o ouro em bruto, em vez de ser diretamente enviado para a Metrópole – do qual ali
se fizeram grandes fortunas e construíram
grandes palácios - havia de ter de fazer este transbordo
Ao contrário do que anunciei,
ainda não é desta vez que lhe venho falar do património religioso – antigas capelas e igrejas – que existiram na
ilha do Príncipe ( se bem que o texto já esteja pronto) visto dar prioridade a
outra novidade – Veja bem o leitor: Ouro na Ilha do Príncipe?!--- E porque não!
Enquanto a exploração do
petróleo, o chamado ouro negro, conhece recuos e avanços, que não lhes
permitiram ainda extraí-lo das profundezas do mar – alias, ainda muito mais abaixo
dos lodos depositados no fundo dos abismos – quem sabe se, com esse polémico
processo, não se tem andado distraído do ouro verdadeiro, daquele que – exposto
à luz – brilha como o esplendor do sol -
e, a dar-se o caso de existir, estando ali à mão de semear, possa ser extraído
com menores custos e ter proveitos imediatos.
Pois é justamente disso
que lhe venho falar – É certo e sabido que, tanto em S. Tomé como no Príncipe, além
do maravilhoso património natural (vegetal) que já se conhece, muitas riquezas ainda haverá por descobrir – Refiro-me
ao subsolo, que ainda é um grande mistério
– Sim, e porque não ouro nas areias do Rio do Ouro – ou será que a origem
dos nomes era dada apenas por mero
capricho? - Pergunto: já alguém alguma vez se preocupou
com o estudo da toponímia atribuída a este rio e da eventual possibilidade de
estar associada à existência de ouro? - Pessoalmente, não tenho conhecimento desse facto – Mas, curiosamente, até foi
uma ideia que me passou pela cabeça, quando ali fui empregado de mato, tendo um
dia andado por lá a passear-me pelas suas margens e leito. – Naturalmente que levado
mais pela minha curiosidade de conhecer as sua paisagem e a suas curiosas
rochas, do que propriamente na mira de
algum hipotético filão, porque, mesmo que lá o encontrasse, sabia que andava
ali a perder o meu tempo para dar o ouro
ao “bandido.”
( Semana Ilustrada 1973 - Minha Reportagem)
Por vezes, eu próprio me surpreendo porque razão certas descobertasvêm ao meu encontro, desde documentos, que estavam esquecidos (e alguns dos quais até praticamente abandonados) até descobertas arqueológicas – Não vou aqui descrever os vários exemplos, pois não esta é agora a minha intenção, até porque já o fiz, nos escritos publicados nos meus dois sites, que até podiam dar vários livros mas que eu tenho preferido fazê-lo em Odisseias nos Mares http://www.odisseiasnosmares.com/2014/10/descoberta-de-gravuras-pre-historicas.html e em Templos do Sol- Veja-se, por exemplo, o caso das terras raras, o chamado oro do século XXI http://www.vida-e-tempos.com/2013/05/terras-raras-ouro-ou-petroleo-do-seculo.html
Foto de nutixaye.wordpress.com
A bem dizer não há
acasos: não se procuram; vêm ao encontro de quem os deseja, se esforça ou merece - Foi o que sucedeu, com a sorte que Deus me deu
em sobreviver nas minhas várias aventuras marítimas, que, à partida, poderiam
estar condenadas a ser mais uma das vidas perdidas no fundo do mar, mas, felizmente que
o desfecho foi outro. Isto para já não falar - depois de vários anos de peregrinações, de dia e noite – da descoberta dos antiquíssimos
e maravilhosos calendário solares, cujas imagens já correram mundo. http://www.vida-e-tempos.com/2013/06/celebracao-do-solsticio-do-verao-21-de.html
...... http://www.vida-e-tempos.com/2014/01/pedra-da-ursa-maior-nos-templos-do-sol.html
HÁ QUE PROSPETAR OU APROFUNDAR
- Novo desafio ao empreendedor e dinâmico Presidente do Governo Regional, José Cassandra.
Sem com isto querer ser demasiado
otimista ou alimentar ilusões, há que
aprofundar o estudo e, se houver pistas,
fazer
as prospeções - Quem sabe se até não mais promissoras e com
menos custos de que a tão badalada exploração do petróleo, num processo de
especulações e polémicas, que, os investidores, na mira de um dia encherem os bolsos, vão dando umas “morcelas”,
quando o objetivo é ficarem com o salpicão, claro se alguma vez o encontrarem
Mas passemos à transcrição
do que diz um relatório colonial, a dado
passo
"
"A Ilha do Príncipe foi capital da Colónia
desde 1753 (alvará de D. José Iº de 15-11-1753) e deixou de o ser em 1852, pag.
40 e 97, Corografia da Ilha do Príncipe por Cunha Mattos)
Em 1822 o Coronel José Ferreira Gomes,
introduziu o cacau na Ilha do Príncipe. Foi João de Sousa e Almeida, 1º Barão
de Água Izé, que em 1855 o começou a cultivar em S. Tomé – (DR. E. Lemos
Boletim da A. Geral das Colónias, Nº 118/1935 – pag. 38.
O Governador da Ilha do Príncipe, Joaquim
José de Sousa Ozório, diz no Oficio Nº475 de 1-7-1856 ao Gov de S. Tomé, (pag. 50 do Reltº de Externos do Gov. do
Príncipe” Há dois anos aproximadamente que se começou nesta ilha a empregar a
serra para se fazer tabuado e vigamento, porém este sistema ainda está tão pouco
introduzido que geralmente o tabuado é tirado à cunha….
O Comércio era feito com Avana,
Brasil (Bahia de Todos os Santos) e
Ajudá donde vinha o ouro (que não sabemos se era ali extraído) que era
trabalhado na Ilha do Príncipe, embora imperfeitamente ; Ainda hoje se podem
ver raramente alguns objectos a que impropriamente se chama de “Ouro da Terra”
Já em 1810
o comércio do ouro era alvo de atenção por parte do Governo, como se vê
no ofício de 1 de Setembro de 1810, do Gov. Joaquim Lisboa aos “Senrs Offes. do
Senado da Câmara da Ilha do Príncipe”, o qual diz como o Tenente de Melícias
Rodrigues Martins Pina tem os melhores conhecimentos da arte da ourivesaria
(sic) que lhe encargou o Juiz o Juízo daquele offício e do Contraste de
prata p. ser assim muito necessário a
bem do Povo enganado quotidianamente pelos ourives que nas obras que fazem
lanço quadruplicada liga da Lei ou pª melhor dizer em lugar de
venderem ouro vendem latão dourado -
Deos G. de a Vmces. Qel do Gov, da Ilha
do Príncipe.
(Foto ao lado - Gabriel Gomes da Silva - doc. col)
Segundo informações de Gabriel Gomes da
Silva, esteve no Príncipe um italiano que afirmava haver ouro no sítio dominado Budo-Faca Pedra-Faca, cujo nome deriva de uma pedra ali
existente da qual uma das faces é afiada com uma faca; Era ali o cruzamento das
roças Azeitona, Manuel Afonso, Conceição e Ibó. Chamava-se o referido italiano.
Domic Lak Marsns. (Encontrámos de facto
o nome de Domingos LeK Marcins
(sic) num contrato de trabalho
agrícola com 40 Krumanes vindos de Fernando Pó em 27 de Maio de 1865
Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e Investigador - Este o 1º de vários artigos que contamos publicar sobre alguns aspetos da história da Igreja Católica nas maravilhosas Ilhas de S. Tomé e Príncipe .
ILHA DO PRÍNCIPE E A INTOLERÂNCIA REPUBLICANA - LÁ E CÁ - Documento
inédito prá história da igreja católica - Destruídas igrejas e capelas pela
fúria anticlerical - Separação da Igreja do Estado, na 1ª República, também
atingiu a mais primorosa Ilha Verde do Equador. - Na “Metrópole”: os dias
santos passaram a dias de trabalho; dissolvidas confrarias e irmandades,
perseguições ao clero e imposta a censura em jornais católicos – O Jornal
Católico POVO DE FOZ CÔA , dirigido pelo Padre José António Marrana, também foi perseguido pelos
republicanos, que lhe censuraram textos em várias edições , - A Cidade de Santo
António, da Ilha do Príncipe, que já teve Igreja Catedral, Misericórdia e
muitas Capelas e várias Confrarias e Irmandades de seculares tradições
religiosas, viu os atos de culto da sua Religião, celebrados na dependência de
um armazém que o Município, por favor, lhe cedeu
Na imagem, uma das páginas do relatório de um inspector-escolar - que também era sacerdote - entregue ao Governador da Colónia - E até hoje nunca transcrito dos arquivos
Uma das páginas do relatório de um padre e inspector escolar ao Gov. que nunca foi divulgado publicamente - anos 30
A separação da Igreja do Estado, na 1ª
República, também atingiu uma das Ilhas Verdes do Equador, com a
destruição de capelas e igrejas - Na “Metrópole”:
os dias santos passaram a dias de trabalho; dissolvidas confrarias e
irmandades, perseguições ao clero e imposta a censura em jornais católicos – É o
do que lhe vimos aqui recordar
“Como depois do abandono e secularização da igreja, deixou de haver na cidade um templo para os actos do culto, arrumaram-se os objectos, que escaparam à fúria cristianicida da época, num
armazém da Câmara, adaptando-se uma das dependências a capela.
Isto é, a Cidade de Santo António, da Ilha
do Príncipe, que já teve Igreja Catedral, Misericórdia e muitas Capelas e várias
Confrarias e Irmandades de seculares tradições religiosas, viu os atos de culto
da sua Religião, celebrados na dependência de um armazém que o Município, por
favor, lhe cedeu” – Mais adiante, retomamos a descrição.
Há quem
diga, que “Não houve perseguição da I República à Igreja Católica” Que “essa foi uma ideia construída pela máquina
de propaganda do Estado Novo e de Afonso Costa." In O Portugal católico da I República é um mito Mas houve e vimos aqui revelar-lhe alguns
exemplos, que se estenderam além-mar: porventura, não comparável aos dos Cruzados ou perpetrados pela Santa Inquisição,
com a intolerância dos seus fanatismos ou hediondas barbaridades (
historicamente bem documentados) mas a verdade é que, a natureza humana, quando o
ódio lhe ofusca a mente por via de paixões religiosas ou políticas, não difere
substancialmente no seu comportamento e atitudes.
Separação da Igreja e do
Estado em Portugal (Iª República) em vez de pacificar gerou conflitos
A separação entre a Igreja e o Estado foi decretada em
Portugal em 1911 (20 de Abril), na sequência da instauração da República em 5
de Outubro de 1910. – Sem dúvida, uma media desejada e saudada pelas forças politicas mais progressistas e
também por um significativo sector da população – Pois eram bem conhecidos os
exageros a que, um tal poder
absoluto e promiscuidade, vinha conduzindo; - ao misturar-se a religião com a politica - Que é, no fundo, o que atualmente acontece nos países muçulmanos – Só que, também naquele tempo, mais uma vez é a intolerância e o fanatismo a sobrepor-se ao bom senso, dando lugar às mais violentas perseguições
JORNAL DIRIGIDO POR SACERDOTE - CENSURADO PELOS REPUBLICANOS
Dantes, a Igreja de mãos dadas com a Inquisição,
desunhava-se na caça às bruxas, a todo
aquele que não professasse a sua doutrina, agora, eram os republicamos, na caça
e no ataque ao clero, às suas igrejas, jornais e instituições: O Jornal “POVO
DE FOZ CÔA – do qual aqui lhe mostramos a primeira página de uma das suas muitas
edições censuradas, pelos censores republicanos, instalados na capital, para
onde tinha de ser enviado o jornal antes da sua publicação, sim, é um desses opressores exemplos – Isto ainda longe do
golpe militar de 1926 ter desembocado na ditadura fascista de Oliveira Salazar,
tendo como um dos seus pilares a aliança com a Igreja Católica.
Veja-se o desabafo do seu diretor, Padre José António Marrana, na edição de 11 de Dezembro de 1916, além de mostrar o espaço
em branco que os censores lhes cortaram,
a que deu o título: Da Capital - Culto à Censura
O desabafo
(…) Podemos atacar os republicanos nos
seus maus actos, declará-los sob a alçada dos tribunaes civis ou criminaes.
Mas quando o fazemos, não atingimos com as
nossas palavras ou escriptos a figura da Pátria tão espesinhada por excessos e intolerância
de toda a ordem.
Não, a censura não é Intangível.
Assiste-nos o direito de recolhermos dos
seus exageros.
Intangível até hoje é a lei da Separação.
Os srs. censores não podem ter sujeitas
aos seus caprichos pessoaes o pão de muitas famílias que vivem d'um jornal.
AGORA OS ULTRA-LIBERAIS TAMBÉM QUISERAM AMORDAÇAR OS DIAS SANTOS
Contrariamente ao que defende
uma certa cegueira tecnocrata, a produtividade do trabalho, não se consegue melhorar com a imposição de horários mais
alargados ou com a supressão de feriados ou outros direitos adquiridos – pois o
ser humano, não é uma máquina – mas com um
trabalho menos stressante e mais humanizado A supressão dos dias santos,
mesmo para quem não professe a religião, constitui sempre um tempo de lazer, de
retempero de forças e descontração – Contudo, assim não o entenderam , tanto os
republicanos da 1º república, como os ultraliberais da atualidade . Mas ainda
bem que o mal já foi sanado, com a reposição dos feriados
É referido que, ao dar-se a implantação da República,
esta se fez logo acompanhar “de violências e ataques ao clero e às ordens
religiosas, perpetrando-se mesmo, para além de assaltos e insultos, alguns
assassínios” (…)Também os dias santos passaram a dias de trabalho, com exceção do domingo,
mas este com um sentido puramente laboral. Foram dissolvidas as mesas
administrativas das confrarias e irmandades, proibidas forças armadas de
participar em solenidades religiosas, mas a maior polémica foi gerada talvez
com as leis do divórcio (3 de novembro de 1910) e as da família, as quais consideravam o casamento como um
"contrato puramente civil".Separação da Igreja e do Estado em Portugal (I
República)
PARA A HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA NAS ILHAS
VERDES DO EQUADOR
Este o primeiro de um dos vários artigos,
que contamos publicar, no nosso site, Odisseias Nos Mares: É certo e sabido, que,
a igreja católica, foi um dos mais fiéis aliados da expansão colonial, em que,
numa das mãos, se erguia o crucifixo e na outra se brandia a espada. Mas seja como
for, quer se realcem os aspetos positivos ou negativos, faz parte da história –
Por certo, que, sem a sua intervenção, dificilmente, Portugal teria também dado
ânimo aos bravos navegadores que sulcaram mares nunca dantes navegados, ou pelo
menos desconhecidos dos nossos pilotos e marinheiros, indo a todas as partes do
mundo – Dando a admirável lição de como, um pequeno país, com reduzido número
de habitantes, logrou formar uma das mais arrojadas armadas da navegação
marítima e, através dela, ser o pioneiro das mais extraordinárias descobertas – Pelo menos, trazê-las
ao conhecimento da velha Europa
Quis um feliz acaso, que,
numa das pesquisas, que a nossa curiosidade e paixão nos move pelo estudo da
origem e do povoamento de S. Tomé e Príncipe – inicialmente através de
travessias de canoas, entre as ilhas e o continente africano; depois
vasculhando arquivos ou palmilhando a orla marítima, em demanda de vestígios
arqueológicos – sim, que deparássemos, entre outra abundante informação, que, a
seu tempo contamos divulgar (parte da qual, acreditamos nunca ter saído da
confidencialidade de velhas prateleiras ou gavetas), como é a descrição que
aqui hoje lhe trazemos - Imagem extraída deSão Tomé e Príncipe: Ruínas na Praia
Sim, vimos falar-lhe, não apenas sobre o
lançamento da primeira pedra da
magnifica igreja, no dia 19 de Agosto de 1937, edificada
no Largo Maria Correia, na cidade
de Santo António, como também da vaga
anticlerical, que atingiu esta
maravilhosa ilha, vandalizando e
destruindo os seus mais belos templos religiosos, obrigando o culto dominical a ser realizado num velho
armazém da Câmara Municipal.
O texto seguinte é de um inspetor escolar,
que, por sinal, também era sacerdote, numa vista que efetuou à Ilha do Príncipe,
nos anos 30 – No texto, do relatório,
batido à maquina de escrever pelo seu punho,
a que tivemos acesso, não é referido o
nome, terminando com uma assinatura, que não logramos descodificar.
COMO DECORREU O LANÇAMENTO DA PRIMEIRA
PEDRA DA ATUAL IGREJA DA CIDADE DE SANTO ANTÓNIO – NO PRÍNCIPE – E POR VIA DE
QUE NECESSIDADE
"Como depois do abandono e secularização da
igreja, deixou de haver na cidade um templo para os actos do culto,
arrumaram-se os objectos, que escaparam à fúria cristianicida da época, num
armazém da Câmara, adaptando-se uma das dependências a capela.
Isto é, a Cidade de Santo António, da Ilha
do Príncipe, que já teve Igreja Catedral, Misericórdia e muitas Capelas e
Várias Confrarias e Irmandades de seculares tradições religiosas, viu os atos
de culto da sua Religião, celebrados na dependência de um armazém que o
Município, por favor, lhe cedeu .
Tornava-se pois necessária a construção de
uma igreja, não só para acudir às necessidades dos que reclamavam, mas também
para reparar de algum modo o desacato feito às crenças de uma grande maioria e
tradições de uma civilização.
Os esforços da actual administração do
concelho e a boa vontade de todos, decidiram levar a efeito esta tão suspirada
obra, sendo escolhido o Largo Maria Correia
No dia 10 de Agosto, depois dos convites
oficiais feitos pelo Senhor Capitão Curado, Administrador do Concelho, foi
benzida e lançada a primeira pedra com as cerimónias do ritual
Em seguida foi celebrada Missa Campal, com
guarda d’ honra, a que assistiram o Administrador do Concelho, toda a população
europeia da Ilha, nativos, muitos serviçais, crianças da Escola, solados e presos, devidamente uniformizados.
Fiz uma prática alusiva ao acto,
enaltecendo as glórias do nosso passado glorioso e as tradições cristãs do Povo
Português que levaram a fé e civilização a todos os domínios , cujos estavam
bem patentes na grandiosa manifestação de fé
a que se assistia.
À tarde, pelas cinco horas, foi
organizada uma procissão ao Cemitério,
em que se incorporaram europeus e indígenas, entoando-se no trajecto o
salmo “Miserere”. Ali cantou-se o R. Libera-me e as orações do estilo, tendo
feito uma alocução sobre a caridade e os deveres que temos d éter para com os
mortos.
Muitas pessoas com lágrimas, me respondiam
responsos por alma dos seus entes mais queridos, benzendo muitas campas, sendo
muito comovente este espetáculo de luto
e de tristeza, mas consolador pela fé e sentimentos que os inspiravam
Era já noite quando a multidão evacuou o
cemitério, deixando ali pedaços do seu coração retalhado pela saudade dos que
lhes foram caros, mas que ali ficavam alumiados pelos clarões da sua Fé e
conformados pela piedade das suas orações.
Por entre soluções e lágrimas,
reorganizou-se o cortejo de volta à Capela, tendo-se feito o percurso com o
mesmo cerimonial anterior, disparando todos depois, já na cidade, no mais
profundo silêncio.
Foi uma das cerimónias mais comoventes que
tanto impressionou os que a ela assistiram. Durante outros dias,
realizaram-se também muitos baptizados e algumas confissões e
comunhões. Também devo registar, com muito prazer, que na Roça Porto Real ouvi
de confissão dois serviçais, muito conhecedores dos seus deveres cristãos.
Os dois dias que restaram, passeio-os em
actos de culto e noutros deveres inerentes à minha função de Inspector Escolar.”
QUAL O PARAÍSO TERRESTRE ONDE O
MISTICISMO – SEJA RELIGIOSO OU PAGÃO - NÃO AFLORA AOS CORAÇÕES?
“Capital durante cem
anos, entre 1753 e 1852, a cidade está rodeada de indescritíveis belezas
naturais, vegetação luxuriante e praias paradisíacas. Na verdade, o arquipélago
é por muitos considerado como o Paraíso no Equador.” – Assim é reconhecido por
estudiosos e visitantes
Mas retomemos de novo o texto do
sacerdote- inspetor escolar, ao referir-se, no seu relatório, a dado passo, ao
culto da religião, nesta maravilhosa ilha
“O povo do Príncipe, " - prossegue o mesmo relatório - "pode dizer-se, essencialmente
religioso e cristão, embora as suas crenças tenham sofrido os efeitos da falta
de cultura religiosa e da permanência de um eclesiástico. Crê em Deus, no culto
dos santos, na vida futura, etc, etc. Mas
também em muitas outras coisas…
A feitiçaria é uma praga daninha cujos
efeitos desastrosos se sentem por toda a
parte e têm , às vezes, uma influência decisiva nos destinos da vida das criaturas.
(…)
Logo à minha chegada, notei um certo contentamento por parte da população, por
verem padres, perguntando-me muitos: se o que ia comigo, ali ficaria. Este
padre, é um missionário de Angola, que encontrei a bordo e desembarcou comigo,
seguindo depois viagem para a Metrópole. - Imagem extraída de São Tomé e Príncipe: Ruínas na Praia
Logo no primeiro dia visitei a casa onde
estão guardados os objectos de culto que conseguiram escapar à fúria da almoeda,
e onde já tinha sido armada uma capela, onde celebrei muitas vezes e exerci
todos os actos de culto. Embora acanha para a concorrência de fiéis, no entanto
estava limpa e decente.
Todas as missas eram bastante concorridas,
fazendo prática em todos os dias, notando em todos as maior satisfação por lá
terem um padre.
No dia 15 de Agosto, domingo e Festa da
Assumpção de Nº Srª, benzi a nova capela
da Roça Esperança sob a invocação da Santa Joaquina e celebrei ali
missa, fazendo em seguida 150 batizados, que, como ali se efetuaram nos dois
dias seguintes, se e elevaram a 370. No
mesmo dia, também celebrei na Capela da Cidade, onde havia muitos fiéis,
ficando a maior parte na rua, por não caberem no recinto.
Logo a seguir, fui á Roça Sundy,
propriedade do Senhor Jerónimo Carneiro, onde também celebrei, na linda Capela
de Nª Srª Lourdes, a que assistiram, além do médico, esposa, administrador,
empregados europeus, uma grande quantidade de serviçais, predominando os
cabo-verdianos, tendo feito, no mesmo dia, 51 baptizados de serviçais.
Em todas as missas, fiz a prática do dia,
tendo igualmente dirigido a palavra aos catecúmenos adultos sobre o acto que se realizava e os
deveres que tinham de cumprir.
Na Sundy, despertou a minha atenção, quando no final da missa, rezava três Avé-Marias,
todos os serviçais que assistiam, responderam ao coro, acompanhando-me depois na Salvé-Raínha, o que mostrava não só saberem
estas duas invocações à Virgem, mas que também que não lhes era estranho o acto
a que assistiam".
"Celebrei mais duas missas nesta capela, segundo as intenções do
médico Doutor Vasconcelos e Esposa. A Capela
da Suny é ampla e com um altar-mor espaçoso, formando no topo, uma linda
e artística gruta sobre qual se venera a
imagem de Nª Srª de Lourdes, padroeira da Capela e da Roça. Tem um coro, pia baptismal de mármore, uma sacristia ampla, todos os parâmetros e objectos necessários para o culto.
O alpendre dá-lhe um bonito aspecto
exterior, fazendo lembrar muitas das capelas da Metrópole disseminadas pelos centros menos populosos, onde os fiéis, depois
das labutas do dia, passam cheios de fé e devoção, descobrindo-se
respeitosamente, agradecendo e implorando a proteção das
imagens que ali se veneram.
Como depois do abandono e secularização da
igreja, deixou de haver na cidade um templo para os actos do culto, arrumaram-se os objectos, que escaparam à fúria cristianicida da época, num
armazém da Câmara, adaptando-se uma das dependências a capela.
Isto é, a Cidade de Santo António, da Ilha
do Príncipe, que já teve Igreja Catedral, Misericórdia e muitas Capelas e
Várias Confrarias e Irmandades de seculares tradições religiosas, viu os actos
de culto da sua Religião, celebrados na dependência de um armazém que o
Município, por favor, lhe cedeu .
Tornava-se pois necessária a construção de
uma igreja, não só para acudir às necessidades dos que reclamavam, mas também
para reparar de algum modo o desacato feito às crenças de uma grande maioria e
tradições de uma civilização.
Os esforços da actual administração do
concelho e a boa vontade de todos, decidiram levar a efeito esta tão suspirada
obra, sendo escolhido o Largo Maria Correia
No dia 10 de Agosto, depois dos convites
oficiais feitos pelo Senhor Capitão Curado, Administrador do Concelho, foi
benzida e lançada a primeira pedra com as cerimónias do ritual
Em seguida foi celebrada Missa Campal, com
guarda d’ honra, a que assistiram o Administrador do Concelho, toda a população
europeia da Ilha, nativos, muitos serviçais, crianças da Escola, soldados e presos, devidamente uniformizados.
Fiz uma prática alusiva ao acto,
enaltecendo as glórias do nosso passado glorioso e as tradições cristãs do Povo
Português que levaram a fé e civilização a todos os domínios , cujos estavam
bem patentes na grandiosa manifestação de fé
a que se assistia.
À tarde, pelas cinco horas, foi
organizada uma procissão ao Cemitério,
em que se incorporaram europeus e indígenas, entoando-se no trajecto o
salmo “Miserere”. Ali cantou-se o R. Libera-me e as orações do estilo, tendo
feito uma alocução sobre a caridade e os deveres que temos d éter para com os
mortos.
Muitas pessoas com lágrimas, me respondiam
responsos por alma dos seus entes mais queridos, benzendo muitas campas, sendo
muito comovente este espectáculo de luto
e de tristeza, mas consolador pela fé e sentimentos que os inspiravam
Era já noite quando a multidão evacuou o
cemitério, deixando ali pedaços do seu coração retalhado pela saudade dos que
lhes foram caros, mas que ali ficavam alumiados pelos clarões da sua Fé e
conformados pela piedade das suas orações.
Por entre soluções e lágrimas,
reorganizou-se o cortejo de volta à Capela, tendo-se feito o percurso com o
mesmo cerimonial anterior, disparando todos depois, já na cidade, no mais
profundo silêncio.
Foi uma das cerimónias mais comoventes que
tanto impressionou os que a ela assistiram. Durante outros dias,
realizaram-se também muitos baptizados e algumas confissões e
comunhões. Também devo registar, com muito prazer, que na Roça Porto Real ouvi
de confissão dois serviçais, muito conhecedores dos seus deveres cristãos.
Os dois dias que restaram, passeio-os em
actos de culto e noutros deveres inerentes à minha função de Inspector Escolar.