O presépio natalício, vulgarmente
conhecido pelo “Passo”, é uma das referências culturais mais antigas da Ilha de
São Tomé, criada desde o tempo colonial – Feitos com pauzinhos cortados de andala com o
machim (das folhas de palmeiras) e vergas de canas de bambu, enfeitadas com
algumas flores da floresta, imitando pequenas ermidas ou a igreja da Sé,
construídas junto às modestas cubatas à beira da estrada, sobretudo à medida
que se deixava a cidade, a capital e se penetrava no interior da Ilha,
alumiadas por tochas de óleo de palma em pedaços de mamão, iluminando a
Noite de Natal - Que se prolongavam durante a quadra natalícia
- Sim, os tais presépios
genuínos do Povo que eu conheci nos anos 60 e 70 e cantados por Alda da Graça
Espírito Santo, - Naquele seu lindo poema, "Natal na Ilha", a par
da celebração do dia “dá chinja” da festa da família na
Quarta-feira de cinzas. Os costumes, vão-se degradando, profanando e artificializando
- Sei que ainda há quem não queira deixar
cair no esquecimento, essas graciosas manifestações artística ou deste ou
daquele humilde casebre de madeira, porém, aqui lhe deixo algumas imagens que
pude recuperar em artigos por mim publicados na revista Semana Ilustrada, de
Luanda.
NATAL
NA ILHA – ONDE SONHAR COMEÇA A SER PROIBIDO -Recordando o poema de Natal - de Alda Graça Espírito Santo
NATAL NA ILHA
Ao cair da tarde, pelas estradas da Ilha
Cabaninhas de andala
Tecidas por dedinhos de garotos,
É a nota tocante do Natal.
Uma tocha de mamão
É o luzeiro no caminho
Alumiar o “passo”.
Mas o exotismo dos trópicos
Descendo pelo calendário dos festejos
Faz do “Dá chinja” a festa da família.
Quarta-feira de cinzas
É cara ao coração da nossa gente,
Onde se sente a ausência dos finados.
Na hora do “angu”,
Do clássico calulú de Peixe
Todos se juntam,
Nas roças, nas grutas, nos ermos mais perdidos,
Em redor da mãe velhinha,
Da avó da carapinha branqueada
Na tradição festiva do “Bocado”.
P’las mãos dessa velhinha solene
todos, todos, recebem p’la mesma colher
Numa união feliz e africana
A primeira colherada
Do menú familiar.
E só então, a refeição começa.
A toda a hora pelo dia fora.
Vem chegando gente
Pró sagrado “Bocado”
Do avô extinto do ano que passou
E da filha arrancada à vida
em plena mocidade.
Cinzas…. Natal…
Exotismo dos trópicos? - Uma pergunta e uma resposta que pairam nos ares
Alda Graça do Espírito Santo
A vida do dia a dia do “Povo Pequeno” de S. Tomé e Príncipe” já conheceu melhores dias: mesmo para quem tem de se conformar com o ordenado mínimo de 45 euros mensais, arranjar meios para garantir o sustento é um tremendo calvário! Que só quem tem de arrostar com essa pesada cruz, é que poderá compreender o que é esse tão penoso sacrifício diário.: ”Temos empresários descapitalizados; temos médicos descapitalizados!... As pessoas não têm dinheiro!... Nós sabemos que todos os países atravessam uma situação de crise mas nós estamos numa situação péssima!!... Essa crise não tem limite em S. Tomé e Príncipe?!... As pessoas não estão a morrer na rua por ser um pais agrícola! – Desabafo de um dos deputados da oposição”, no aceso e polémico debate preliminar que antecedeu a aprovação do projeto de lei sobre o futuro funcionamento do Tribunal constitucional – Até porque, como dizia outro deputado, nesse mesmo período parlamentar, “Hoje o Governo tem a mão de tudo! Até dos Tribunais!”
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE – O SEGUNDO PAÍS LUSÓFONO COM MAIOR CONSUMO DE ÁLCOOL
Mais de seis em cada dez jovens com mais de 19 em São Tomé e Príncipe consomem bebidas alcoólicas, revelam estudos que concluem que o consumo entre os estudantes está a crescer a um ritmo “assustador”, disseram investigadoras. “Quase todos os dias vimos anúncios de cerveja, de vinhos! Há uma lei que proíbe o consumo de álcool aos menores de 18 anos mas na publicidade nunca consta isso!.... Mas não custava nada chamar atenção… Não se deve estar a acusar os santomenses de estar a beber muito: deve-se é arranjar soluções para que se ponha cobro a esse tipo de situação: porque, se é verdade que as pessoas estão a beber exageradamente, deve ser fruto da frustração de falta de condições! E isto é culpa do próprio Governo que tem que criar condições para que as pessoas” – Palavras que se ouviram, no inicio do mais recente debate parlamentar
Mais de 60% dos jovens são-tomenses com mais de 19 anos consomem álcool - Título de um artigo hoje publicado, baseado num estudo académico
“Mais de seis em cada dez jovens com mais de 19 em São Tomé e Príncipe consomem bebidas alcoólicas, revelam estudos que concluem que o consumo entre os estudantes está a crescer a um ritmo “assustador”, disseram investigadoras.
Mais de 63% dos jovens com mais de 19 anos bebem álcool, disse a investigadora luso-são-tomense Isabel Santiago, responsável por um estudo sobre o consumo de álcool e drogas entre os jovens são-tomenses.
O Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário da Guiné Equatorial em São Tomé e Príncipe, Paulino Bololo
Ekobo, enviou uma mensagem de parabéns ao Presidente do Governo, S. E. Obiang
Nguema Mbasogo, por ocasião da celebração das férias de Natal. Reproduzimos o
conteúdo completo da mensagem.
O Embaixador da Guiné Equatorial em
São Tomé e Príncipe, Paulino Bololo
Ekobo
23/12/2017 - "Sua Excelência Obiang
Nguema Mbasogo, Presidente da República, Chefe de Estado e Governo e Presidente
Fundador do PDGE
Sua Excelência:
Por ocasião da celebração das tradicionais
celebrações de Natal e Ano Novo, em nome dos membros desta missão diplomática e
da colônia de Guineenses Equatoriais residentes em São Tomé e Príncipe, em
geral, e por conta própria; Tenho o prazer de expressar a sua Excelência e,
através de você, todos os membros da equipe e das famílias do governo, nossos parabéns
mais vívidos e efusivos pelo excelente trabalho realizado e os sucessos na
gestão do Estado e do Governo ao longo deste exercício financeiro, que termina,
e nossos desejos de boas festas e um ano próspero e feliz de 2018.
Muito alta e distinta consideração.
São Tomé e Príncipe, 22 de dezembro de
2017
Para uma melhor Guiné,
Paulino Bololo Ekobo
Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário da Guiné Equatorial em São Tomé e Príncipe ".
Fonte: Embaixada da Guiné Equatorial em
São Tomé e Príncipe
Gabinete de Imprensa e Informação da Guiné
Equatorial
O
MEU PENSAMENTO NESTA SILENCIOSA, FRIA E SOLITÁRIA NOITE VAI PARA VÓS - Em
Vésperas do Santo Natal, por entre o silêncio espectral destes ramos e troncos
enegrecidos, pisando a caruma reduzida a pó e as cinzas, sinto uma profunda dor
de alma, num misto indecifrável de amargura, silencio e abandono, lembrando-me
daqueles cujas vidas as chamas traíram no infernal e abrasivo fogo devorador ou
que perderam os seus haveres no fantasmagórico cataclismo do vasto cenário dos
pinhais ardidos
Todavia, agora que pisas as
cinzas e os esqueletos das giestas e da caruma ardida, não indagues o que te
angustia e quem foram os culpados mas responde às perguntas que este negro
vazio te cria – Assim vai este mundo confuso, atribulado, injusto e
incompreendido…
Que a Luz da Natividade Natalícia atenue a dor dos que sofrem, aspiram
conforto e justiça e Ilumine de plena alegria e de graças todas as famílias e
lares que vos Bendigam
Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-la
A árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses
O que tentam dizer as árvores
No seu silêncio lento e nos seus vagos rumores,
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverência, a ressonância, a transparência,
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve
integridade. Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes.
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus
ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.
António Ramos Rosapublicou perto de uma centena de livros de
poesia. Aqui fica uma brevíssima escolha de alguns poemas seus de diferentes
épocas, terminando com um texto do livro inédito Música, Contínua Cordilheira, que teve a sua
primeira edição no PÚBLICO, a 3 de Março de 201
António Ramos Rosa , nasceu em Faro, 17 de Outubro de
1924 – E faleceu, em Lisboa, a 23 de
Setembro de 2013), foi um poeta, tradutor e desenhador português
Jorge Trabulo
Marques – Jornalista -GUINÉ EQUATORIAL - UM EXEMPLO
SINGULAR EM ÁFRICA – DE PAZ E PROSPERIDADE - Pese as pressões do liberalismo global para a libilializarem num caos e
a entregarem aos fantoches, da rapinagem árabe e africana . - E quem sustenta estes que querem tomar o poder?Oposição na Guiné Equatorial acusa CPLP de ter “vendido” entrada .
NÃO SÃO BARRACAS - SÃO BAIRROS SOCIAIS
Estive em Malabo e em
Bata uma semana - Andei por onde quis e me apeteceu; usei a Internet à
vontade e sem restrições - Não vi gente a pedir nas ruas nem barracas Mas vi
gente sorridente e Feliz -
ESPANHA DE NOVO AO ATAQUE - IBÉRIA QUER RAPAR MAS NÃO PAGAR
Ibéria anunciou, ontem, a suspensão de voos
para a Guiné Equatorial -Na carta
enviada ao Ministério da Aviação Civil, a Ibéria reclama sobre o preço do
combustível, a concorrência que a empresa nacional Ceiba implica na sua rota
Malabo-Madrid-Malabo, bem como as elevadas taxas aeroportuárias.
Diz o Embaixador Tito Mba Ada em Lisboa e junto da CPLP, que faz
a manchete da capa da revista Business, que “a Guiné Equatorial conta,
atualmente, com ligações aéreas das principais companhias mundiais, estando
ligada a todo o mundo. Embora tenha sido considerada, até aos anos 90, como um
dos países mais pobres do continente africano, a Guiné Equatorial, graças à descoberta
dos seus recursos naturais e às decisões acertadas dos dirigentes, ocupa hoje
um lugar privilegiado no contexto do mundo. É um país que deixou de ser apenas
recetor de cooperação externa e passou a ser ele mesmo um grande contribuidor
de cooperação mundial”
Ao centro a Miss 2017 da CPLP - De Cabo Verde
Mas, segundo refere o Embaixador
Tito, que, além da embaixada em Lisboa, também tutela as
representações diplomáticas, nas capitais de
Cabo-Verde, Guiné-Bissau, sim, pelo diz,
não interessa “um turismo massivo, mas sim
com qualidade. Temos uma nova cidade que se chama Djibloho, no meio da
natureza, com condições incríveis. Lá, o governo construiu uma nova
universidade que vai receber estudantes de todo o mundo. Imaginem uma
construção moderna de Lisboa, mas no meio no mato. Estamos a criar condições
para abrir, paulatinamente, a Guiné Equatorial ao mundo.
Fernando Pó - 1771
De salientar que, a Guiné
Equatorial, as Ilhas Seychelles e as Maurícias estão em alta na lista de países
africanos pelo PIB per capita.A Guiné
Equatorial é um país localizado na África Central, com uma população de 1.222.245 habitantes, cobrindo apenas
cerca de 28 mil km quadrados – Constituído pelo enclave continental do Rio Muni
e por cinco ilhas, sendo a maior de
todas, Bioko (ex-Fernando Pó), com a sua capital de Malabo.
O
território continental, com Bata, a cidade mais moderna de África, está rodeado
pelo Gabão, Nigéria e Camarões, países, essencialmente muçulmanos, com os
quais, no entanto, tem mantido boas relações de vizinhança, e prova-o a recente
visita do
presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo,
que felicitou o governo, presidido por S. E. Obiang Nguema Mbasogo, pelo grau de
progresso http://www.guineaecuatorialpress.com/noticia.php?id=10759
Mas a sua população, tal como S. Tomé e Príncipe, é maioritariamente
católica, pelo que as celebrações da quadra natalícia, ocupam a agenda dos
principais eventos.
1771 - Ano Bom
Três séculos, possessão
portuguesa, que o tratado de El Pardo separou contra a vontade do povo nativo: “convocando
o Capitão Mor da sobredita Ilha, e alguns negros mais principaes, lhe propus as
ordens de Sua Mag, dizendo lhes hera preciso jurarem obediencia a El Rey
Catholico, me responderão que não, e que elles não conheciao senão a El Rey de
Portugal, e que do de Espanha nunca ouvirão falar; ao que se sseguio hum motim
geral de Homens e/ Mulheres” – Mais à frente, outros pormenores de um dos países
mais tranquilos e pacíficos de África, pese a verborreia odiosa orquestrada pela
cobiça do liberalismo selvagem
MISSÃO DA GUINÉ-EQUATORIAL JUNTO DA CPLP - “Portugal é uma prioridade para a
Guiné Equatorial” – Este o título da interessantíssima, entrevista que concedeu à revista Businiss e
que teve honras de destaque especial na capa e que tomo a liberdade de aqui transcrever
.com o texto acompanhada de algumas fotos e vídeos de minha autoria e
excertos de artigos anteriores
A Guiné Equatorial foi o último país a
integrar a CPLP. Descobertos por um navegador português, consideram que esta
integração foi um “regresso a casa”. Saiba mais sobre este país e o que pode
representar para a lusofonia e para o mundo com Tito Mba Ada, embaixador da
Guiné Equatorial em Portugal.
Businiss A Guiné Equatorial é um país de cerca de um milhão de habitantes. Conte-nos um pouco mais sobre o país e as suas principais atividades económicas
.
Tito Mba AdaA Guiné Equatorial é um pequeno país em
extensão, mas com grandes ambições. Está geograficamente situada na África
Central, por baixo do Equador. Temos fronteiras terrestres com os Camarões e
Gabão e fronteiras marítimas com a Nigéria e São Tomé e Príncipe. É um país
suis generis porque nele convivem pacificamente vários grupos étnicos. A Guiné
Equatorial é um epicentro pois, para além dos seus grupos nativos, recebe
cidadãos de vários países africanos e europeus. É, portanto, um país muito
pacífico. A Guiné Equatorial conta, atualmente, com ligações aéreas das
principais companhias mundiais, estando ligada a todo o mundo. Embora tenha
sido considerada, até aos anos 90, como um dos países mais pobres do continente
africano, a Guiné Equatorial, graças à descoberta dos seus recursos naturais e
às decisões acertadas dos dirigentes, ocupa hoje um lugar privilegiado no contexto
do mundo.
É um país que deixou de ser apenas recetor de cooperação externa e
passou a ser ele mesmo um grande contribuidor de cooperação mundial. No dia 4
de dezembro, o governo da Guiné Equatorial entregou um importante prémio
Unesco, posto à disposição da comunidade internacional, que premeia a
investigação em ciências naturais. Este ano foi especial, já que o vencedor foi
um investigador português da Universidade do Minho, Rui Luís Gonçalves dos
Reis. Além disso, a Guiné Equatorial está a fazer um grande contributo para a
investigação em áreas como a malária e ébola. Não somos um país com muitos
recursos, mas partilhamos os poucos que temos com a comunidade internacional.
Fruto desse esforço na cooperação, a Guiné Equatorial vai ocupar, a partir de 1
de janeiro de 2018, o seu assento como membro não permanente no Conselho de
Segurança das Nações Unidas. Economicamente é o terceiro maior produtor de
petróleo de África e é o sexto país africano a tornar-se membro da OPEP. Além
do petróleo e do gás, também tem boa madeira, um mar imenso e uma terra fértil.
Esta é a Guiné Equatorial.
Businiss -Em 2014 tornaram-se membros de
pleno direito da CPLP. Que portas abriram essa conquista?
Tito Mba Ada -A Guiné Equatorial tornou-se oficialmente
membro da CPLP na cimeira de Díli. Digo oficialmente porque a Guiné Equatorial
foi descoberta por um cidadão português, Fernando Pó. Já nascemos lusófonos.
Temos uma relação antiga com o mundo lusófono, uma relação bilateral direta com
Portugal, portanto a entrada oficial na CPLP é simplesmente para nós um
regresso a casa. Somos lusófonos e esse é um direito que ninguém pode mudar. A
integração na comunidade também foi reforçada pelas excelentes relações de
amizade e de cooperação que a Guiné Equatorial mantém com cada um dos
estados-membros da CPLP.
Com São Tomé e Príncipe temos históricas relações de
amizade; com o Brasil temos assinado acordos de cooperação em vários domínios;
Angola é um país irmão, tal como a Guiné-Bissau e Cabo Verde, com quem mantemos
uma cooperação magnífica. O país que estava mais longe era Timor, mas a Guiné
Equatorial conseguiu mobilizar várias visitas de estado entre os dois países
para que possa haver uma cooperação mútua. Estes são sinais de que a Guiné
Equatorial nasceu lusófona, é lusófona e continuará a ser um país membro de
pleno direito da CPLP. É claro que por razões óbvias da colonização passamos a
pertencer, na área política, a Espanha. Recebemos de Espanha muita cultura. O
importante é celebrar esse triângulo com muitas potencialidades culturais,
económicas e políticas, cujo epicentro é a Guiné Equatorial. Em África, somo o
único país com três línguas oficiais: espanhol, francês e português, além de
outras línguas nacionais. Um cidadão da Guiné Equatorial fala no mínimo quatro
idiomas. É uma grande potencialidade.
Businiss -A cooperação com Portugal já se
fazia em áreas como a educação e a promoção da língua portuguesa. Que
iniciativas foram desenvolvidas em prol destes dois temas?
Tito Mba Ada -Com Portugal precisamos de reforçar ainda
mais a cooperação ao nível do ensino. A formação do capital humano é um dos
principais objetivos do meu governo e cremos que Portugal tem boas condições
para ajudar a Guiné Equatorial. É sabido que ninguém pode falar uma língua não
materna em dois dias. A Guiné Equatorial integrou-se voluntariamente na CPLP e
tomou a decisão de assumir a língua portuguesa como terceira língua oficial.
Esta decisão está-se a implementar com determinação. O governo já está a
cumprir a parte que lhe corresponde: já a declarou como idioma oficial; está a
introduzir a língua nas escolas; os programas informativos da televisão e da
rádio estão a ser transmitidos em português; a Universidade Nacional da Guiné
Equatorial tem aulas em português; os políticos, começando pelo Presidente da
República, estão a fazer os seus discursos em português. O país está a
desenvolver esforços consideráveis para ser um difusor da língua portuguesa
nessa parte do mundo, mas para isso precisamos da cooperação dos
estados-membros. Estamos a tentar criar bolsas de estudo para os jovens, que
são a garantia da integração, para que possam vir a Portugal estudar e falar
com os seus homólogos o mesmo idioma.
O setor agroalimentar, das pescas e da
pequena indústria seriam setores a desenvolver, também com a cooperação
portuguesa. Os empresários portugueses já estão alertados para o investimento
na Guiné Equatorial? A Guiné Equatorial tem um programa de desenvolvimento que
foi desenhado quando o país desenvolveu os recursos petrolíferos. O governo,
tendo em conta as experiências do petróleo em diferentes países, convocou uma
cimeira nacional e convidou parceiros bilaterais para ajudar a Guiné Equatorial
a refletir sobre como gerir os recursos. Esta cimeira resultou num programa de
desenvolvimento a realizar em etapas: a primeira etapa, que já terminou,
prendia-se com a criação de infraestruturas. Não tínhamos estradas, não
tínhamos um aeroporto condigno. Hoje temos cinco. Ainda há muito a fazer, mas
estamos contentes com as infraestruturas criadas. A segunda fase destina-se a
evitar a dependência do setor petrolífero. Queremos a diversificação da
economia e, para isso, temos que criar novas fontes de crescimento. As
prioridades são os setores marítimo e agroalimentar, nos quais Portugal também
pode retirar vantagens. Portugal tem muita experiência nessas áreas e queremos
que colabore e faça negócios na Guiné Equatorial. Acreditamos que os
empresários portugueses já podem avançar para aproveitar as oportunidades que
oferece este país.
Businiss - Em termos da entrada no país,
que exigências são feitas para se entrar legalmente na Guiné Equatorial?
Tito Mba Ada -Em diplomacia, impera a reciprocidade. A
Guiné Equatorial já tem instalada uma missão diplomática em Portugal que está a
oferecer serviços de todo o tipo aos cidadãos portugueses e aos cidadãos da
Guiné Equatorial que residam em Portugal. Para obter o visto é simples, basta
ter o passaporte válido, o boletim de vacinação internacional atualizado, o
certificado de registo criminal e um seguro de viagem. Gostaríamos que Portugal
também prestasse este mesmo apoio aos equato-guineenses. Infelizmente, a missão
diplomática portuguesa na Guiné Equatorial ainda não pode conceder vistos, o
que dificulta o programa de cooperação entre os dois países, o processo de
integração e a livre circulação de pessoas.
Businiss -Podemos dizer que a Guiné
Equatorial é um país seguro?
Tito Mba Ada -Sim. A questão da segurança é uma
prioridade para o meu governo. Um país que não tem paz é um país que não tem
desenvolvimento. Fruto dessa estabilidade, a Guiné Equatorial, nos últimos
anos, converteu-se no epicentro de grandes eventos internacionais. Organizámos
a Cimeira da União, os Jogos Africanos, a cimeira com a União Europeia, a
cimeira com os Países Árabes, a Cimeira ACP (Países de África, Caraíbas e
Pacífico). Se não houvesse garantia de paz e estabilidade, esse tipo de eventos
não se realizaria na Guiné Equatorial.
Businiss -O turismo é uma atividade que
já se destaca na economia da Guiné Equatorial? Já existem infraestruturas para
corresponder à procura?
Tito Mba Ada -Estamos a trabalhar para que o turismo
seja seletivo e estratégico. Temos uma biodiversidade incrível que já se
encontra a ser estudada por universidades americanas. É um turismo de
investigação. Não queremos um turismo massivo, mas sim com qualidade. Temos uma
nova cidade que se chama Djibloho, no meio da natureza, com condições
incríveis. Lá, o governo construiu uma nova universidade que vai receber
estudantes de todo o mundo. Imaginem uma construção moderna de Lisboa, mas no
meio no mato. Estamos a criar condições para abrir, paulatinamente, a Guiné
Equatorial ao mundo.
Businiss -Em que medida é que o processo
de adesão da Guiné Equatorial a membro de pleno direito da CPLP foi delicado?
Tito Mba Ada -O processo foi delicado porque muitas
pessoas não entendiam o regresso da Guiné Equatorial ao mundo lusófono e não
sabiam a ligação natural que a une a Portugal. Mais tarde perceberam que a CPLP
ganha mais com a integração da Guiné Equatorial: ganha espaço marítimo, ganha
mercado internacional, ganha capacidade linguística. A CPLP fica numa posição
privilegiada através da Guiné Equatorial. Algumas questões delicadas, como a
questão da língua, foram julgadas sem conhecimento de causa. Outra questão
delicada prendeu-se com a pena de morte. A Guiné Equatorial é um país com muito
respeito pelos direitos humanos. Acabámos de realizar, pela primeira vez, três
eleições ao mesmo tempo: senado, parlamento e autarquias. O relatório por parte
da comissão de observação diz tudo: transparência. A Guiné Equatorial tem um
programa chamado Ensaio Democrático. A democracia não é propriedade de nenhum
estado e nenhum tem uma democracia perfeita. Estamos a copiar as boas práticas
de uns e a evitar as más práticas de outros, sempre garantindo a paz. Graças a
esse programa, todos os políticos da Guiné Equatorial pensam no desenvolvimento
do país.
A democracia está a avançar com pés firmes. Depois de muito tempo sob
herança colonial, a Guiné Equatorial fez um referendo para instituir novas
instituições democráticas no país. Antes não tínhamos Senado e agora temos duas
Câmaras, não tínhamos Tribunal de Contas e agora temos para ajudar a controlar
o Governo e a lutar contra a corrupção. Temos um Defensor do Povo, para
acompanhar o cumprimento dos direitos de todos os cidadãos. Antes, o chefe de
Estado podia desempenhar essa função eternamente. Agora, há limitação do
mandato. Temos muitas mulheres a ocupar cargos importantes, sem descriminação
de salário nem de acesso às oportunidades.
Somos um Estado católico, que tem
respeito pela morte. Não nos interessa a pena de morte, uma herança colonial.
Antes de pertencer à CPLP, a Guiné Equatorial já estava a lutar contra a pena
de morte com a outorgação de amnistia e concedendo indultos aos condenados.
Tínhamos leis coloniais que previam a pena de morte, mas fazer parte da CPLP
foi a melhor oportunidade para encontrar uma solução legal para fazer face a
esse problema. E, por isso, foi adotada a Moratória, já que legalmente não era
possível abolir a pena de morte. A abolição implica alterar a Constituição. Em
2012 fizemos um referendo, que é a expressão máxima para mudar a lei fundamental,
e não é possível voltar a tocar, em tão pouco espaço de tempo, na Constituição.
Por isso adotámos a Moratória, que na prática é o mesmo que a abolição. Já não
se pratica a pena de morte na Guiné Equatorial. No entanto, o desafio continua,
porque a ausência de acervo jurídico obriga-nos a trabalhar para que a pena de
morte tenha leis alternativas nos diferentes códigos do país. Pedimos, assim, a
Portugal apoio técnico nesta matéria, para que a Guiné Equatorial possa
terminar a obra da melhor forma.
Businiss -Para terminar, e visto que
estamos no final de 2017, gostaria de deixar uma mensagem aos nossos leitores?
Tito Mba Ada -Neste mês de natal gostaria de agradecer a
todos os empresários que estão a explorar o mercado da Guiné Equatorial e,
sobretudo, gostaria de deixar uma palavra de encorajamento, para que continuem
a viajar para Guiné Equatorial. Gostaria também de dizer aos meus compatriotas
para que aproveitem as oportunidades que têm ao estar em Portugal. Quero
agradecer também aos portugueses, ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa e ao
Governo de Portugal por me abrir as portas. Portugal é uma prioridade para
Guiné Equatorial e sentimo-nos aqui como em casa. - Extraído de http://revistabusinessportugal.pt/missao-da-guine-equatorial-junto-da-cplp-portugal-e-uma-prioridade-para-a-guine-equatorial/
A GUINÉ EQUATORIAL COMEMOROU, EM LISBOA, NO PASSADO MÊS DE OUTUBRO, O SEU 49º ANIVERSÁRIO DA INDEPENDÊNCIA - FOI MAIS UMA FESTA DE AMIGOS DE QUE VOLTADA PARA OS HOLOFOTES DA MEDIA - Efeméride a que nos reportamos neste site e nestes termos:
Ao centro o Tito Mba Ada, ladeado pela Secretária da CPLP, Maria do Carmo Trovoada
Foi em 12 de Outubro de 1968, há 49 anos, que a Guiné Equatorial, se separou definitivamente do domino espanhol e proclamou a sua independência – Trata-se, por isso, de uma das efemérides mais significativas da história deste pequeno pais, com uma superfície 28 mil km quadrados e cerca de 700 mil habitantes, localizado no Golfo da Guiné, constituído pelo enclave continental do Rio Muni, entre o Gabão e os Camarões, 26.017 km². (onde vive 80 por cento da população), e por cinco ilhas habitadas, das quais a principal é Bioko (Fernando Pó), com a capital Malabo: com 2017 km2 de território; Ano Bom, com 17 km2 de extensão) - Compõem ainda o território equato-guineense as ilhas da Bahia de Corisco (Corisco, Elobey Grande, Elobey Chico), próximas à costa com o Gabão
Contudo, pese a sua pequena dimensão geográfica, é no entanto um gigante económico, um dos países mais prósperos de ´África, com um Produto Interno Bruto per capita do mais alto do continente africano
A efeméride, tal como tem sucedido nos anos anteriores, foi muito festejada nas principais cidades da Guiné Equatorial, com a exibição de coros e grupos de animação de musica tradicional, corridas de maratonas, desfile popular, uma Missa de Ação de Graças, visto tratar-se de um pais maioritariamente católico, além de outras importantes iniciativas oficiais,.
Oportunidade aproveitada para o Presidente, Obiang Nguema, na sua mensagem ao Povo da Guiné Equatorial, destacar o ambiente de paz e de progresso, de que goza o seu país, ao contrário do que vai pelo resto do continente africano http://www.guineaecuatorialpress.com/noticia.php?id=10474
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA – DIRIGEM MENSAGEM DE FELICITAÇÕES AO PRESIDENTE OBIANG NGUEMA MBASOGO - O que não deixa de ser um gesto relevante, com um pais que, desde há vários anos, mantém estreitas relações económicas e diplomáticas, tanto com a China, como com a Correia do Norte
Além das felicitações da Nigéria, de Benim, Venezuela, por parte de vários países, através das quais se associaram à importância do 49º aniversário, há que sublinhar a mensagem que foi enviada pelo EUA. – E nestes termos:
S. E. Obiang Nguema Mbasogo.- "Palácio Presidencial
Tenho o prazer de felicitar Sua Excelência, o Governo e o povo da República da Guiné Equatorial por ocasião da comemoração do 49º Aniversário da Independência Nacional, em 12 de Outubro de 2017.
Permita-me reafirmar o meu fervoroso desejo de que o vínculo de amizade e cooperação entre os nossos países continue a crescer fortemente.
Aceite novamente os meus mais sinceros parabéns e os meus maiores desejos para a sua saúde pessoal e a protecção de Deus para que possa continuar o seu trabalho e criar o Estado da República da Guiné Equatorial e da África em geral. democráticasMessage of congratulations for Head of State | Equatorial Guinea ...
EMBAIXADOR TIO MABA ADA - UM APAIXONADO
PELO FADO E POR PORTUGAL - TRATA-SE DOS UM DOS MAIS DISTINTOS DIPLOMÁTICAS DA
GUINÉ EQUATORIAL - Promovido a conselheiro, no 6º congresso do PDGE, no
qual tive a honra e o prazer de estar presente - entrevista, que gentilmente e concedeu em
Bata, em Julho passado, disse-nos que, “Portugal é um dos países
que beneficiou da integração da Guiné Equatorial na CPLP, em termos de negócios”. “Temos
muitas ligações antigas com Portugal, a Comunidade é uma prioridade para a
Guiné Equatorial e queremos que todos os dias venham portugueses a conhecer
este belo pais.
Jorge Marques com o Embaixador Tito Mba Ada
“Cremos que muitos portugueses não conhecem a Guiné Equatorial. Têm que vir conhecer a Guiné Equatorial, investir na Guiné Equatorial, conhecer os guineenses, e trabalhar juntos, porque juntos somos mais fortes e competitivos” – Declarou-me, o Embaixador Tito Mba Ada, numa honrosa e interessante entrevista, que me concedeu no Centro de Conferências de Ngolo, em Bata, no encerramento do VI Congresso Ordinário do Partido Nacional Democrático da Guiné Equatorial, que decorreu, na primeira semana de julho, em ambiente de calorosa e significativa participação,com transmissões diretas da televisão nacional edas várias cadeias estrangeiras,sob o Lema A Renovação Continuidade
O referido evento, que foi presidido por Teodoro Obiang, fundador do partido e Presidente da Guiné Equatorial, destacou a situação de paz e de progresso político e socioeconómico no seu país, comparativamente ao ambiente de conflitualidade, fome, marginalização, deslocamentos em massa de outras nações africanas.
A Guiné Equatorial foi admitida a 23 de Julho de 2014 como membro CPLP, na X cimeira de chefes de Estado e de Governo da organização, em Díli, na sequência de um processo de dez anos.
Tito Mba Ada, que é também representante da missão permanente da Guiné Equatorial junto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), reside em Portugal, pais pelo qual se confessa apaixonado:
Cremos que muitos portugueses não conhecem a Guiné Equatorial. Têm que vir conhecer a Guiné Equatorial, investir na Guiné Equatorial, conhecer os guineenses, e trabalhar juntos, porque juntos somos mais fortes e competitivos
Portugal é uma potência turística, porque acolhe mais de três milhões de turistas, então é um dos países que sabem gerir a afluência turística. A Guiné Equatorial é um destino óptimo, um dos melhores de África, e é uma prioridade para o Governo do meu País, portanto é uma área decisiva.
Questionado em que outras áreas, os portugueses poderiam investir no seu país, a nível empresarial, respondeu-nos que na “agricultura, na pequena indústria, no mar e pescas, o mar tem recursos importantes para a alimentação e para a ciência, portanto Portugal tem óptima oportunidade de investimento, e também na língua portuguesa – Portugal tem que investir, aqui, na língua portuguesa, para fazer negócios em português. Gostaríamos que Portugal oferecesse bolsas de estudo para que estudantes da Guiné Equatorial possam ir estudar naquele país, sendo uma garantia da integração. Neste campo, a Guiné Equatorial não deve fazer esforços unilaterais.
Você esteve aqui, dia e noite, em qualquer lugar, com a sua câmara, esteve perto do Presidente, foi bem recebido na Guiné Equatorial, e, portanto, queremos que seja o melhor interlocutor, o melhor embaixador da Guiné Equatorial.
Recebido pelo Secretário-Geral do PDGE
E, na verdade, nos dias em que ali estive, senti-me tranquilo e feliz – Quer em Malabo, quer em Bata, Cidade portuária da Guiné Equatorial, capital da Província continental, Mbini (antiga colónia espanhola de Río Muñi)l e segunda maior cidade do país.- Naquela que é também classificada como a “suíça africana” - Pelo rasgo e criatividade arquitetónica dos seus edifícios, das suas largas e belas avenidas marginais, praias de areia fina a perderem-se de vista, a curta distância por excelentes estradas – Cremos que mais livre e mais segura que a generalidade das capitais europeias – Sim, nos dias em que ali estivemos, sentimo-nos tranquilo e feliz – Naquela que é também classificada como a “suíça africana” - Pelo rasgo e criatividade arquitetónica dos seus edifícios, das suas largas e belas avenidas marginais, praias de areia fina a perderem-se de vista, a curta distância por excelentes estradas – Cremos que mais livre e mais segura que a generalidade das capitais europeias