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terça-feira, 19 de março de 2024

Diocese de São Tomé celebrou com júbilo a ordenação episcopal de Dom João de Ceita Nazaré – De um bispo aqui nascido e criado

Jorge Trabulo Marques

"Momento histórico presenciado pelos São-tomenses, a ordenação episcopal e empossamento de Dom João de Ceita Nazaré, primeiro Bispo nativo da diocese de São Tomé depois de mais de 400 anos de evangelização, evento que teve lugar a 17 de março, V Domingo da Quaresma, na paróquia de Nossa Senhora das Graças da Sé Catedral.

 

"Não fostes vós que me escolhestes, fui Eu que vos escolhi", foi o tema escolhido para esta grande celebração, que foi presidida pelo arcebispo Dom Giovanni Gaspari, Núncio Apostólico de Angola e São Tomé, e concelebrada por Dom Manuel António Mendes dos Santos, Bispo emérito de São Tomé, e por Dom José Manuel Imbamba, Arcebispo de Saurimo e presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST).

 

Mas a presença mais participativa foi a da comunidade de fiéis que quis acompanhar o pastor neste momento importante: uma atividade que contou com o testemunho da maiorias dos Cristãos São-tomenses  a começar pelo  Presidente da República, Carlos Vila Nova, e convidados provenientes de Moçambique, Portugal  e das dioceses da CEAST, a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé. – Noticia da Vatican News

 

segunda-feira, 18 de março de 2024

Poeta Nuno Júdice – Deixou-nos num domingo, aos 74 anos. Mas fica a poesia serena do seu sorriso com flores da Primavera - Natural de Portimão, Júdice, considerado um dos mais importantes nomes da poesia contemporânea.


Jorge Trabulo Marques
Nuno Júdice - Morreu, em Lisboa, aos 74 anos, o poeta, ensaísta, ficcionista e professor universitário Vítima de cancro



PRIMAVERA - Tem na cabeça um curso de história de arte, mas
quando as flores começam a abrir à sua volta, e
os ramos da árvore se agarram a ela, como braços
obscenos, liberta-se das preocupações teóricas e
oferece o corpo à vista do pintor, para que ele
o transforme numa alegoria da manhã. Entre ela
e o seu corpo, então, surge um conflito que não
consegue resolver: será a mulher do quadro mais
real do que ela? E terão aquelas flores o perfume
que ela respira, enquanto espera que o pintor
termine o seu retrato? As ideias que lhe passam
pela cabeça esvaziam-na de sentimentos; e pode
olhar friamente para aquela situação, pensando
que o próprio pintor se limita a executar o
que vê. Mas aquilo que está em frente dele
é ela; e quando ele se cansa, pousa os pincéis,
e arruma a tela para o fundo do atelier,
resta-lhe vestir-se, receber o que ele lhe
deve, e voltar à sua vida. Porém, já não é
a mesma coisa; e não se esquece da mulher
deitada num canto, respirando o perfume de um
jardim que vai secando, com o tempo, e que
sabe mais do que ela sobre o que é o destino
de quem entregou o seu corpo a quem não soube
o que fazer com ele, depois de o pintar.



Nuno Júdice foi um dos poetas portugueses mais publicados e traduzidos, tendo a sua obra merecido reconhecimento internacional com vários prémios, dos quais se destaca o Prémio Ibero-Americano Rainha Sofia atribuído em 2013. Em 2018, foi galardoado com o prémio PEN do Clube Galego e em 2021, foi distinguido com o Grande Prémio de Poesia Maria Amália Vaz de Carvalho da Associação Portuguesa de Escritores (APE) pela publicação do livro “Regresso a um cenário campestre”, editado em 2020. Foi finalista do Prémio Europeu de Literatura pela obra “Meditação sobre ruínas” que em 1994 já tinha sido distinguida também pela APE.
Em 2022, foi publicado o volume “50 anos de poesia (1972-2022), que reúne o seu trabalho poético durante meio século.

Nuno Júdice, natural do Algarve (nasceu em 1949 na Mexilhoeira Grande, Portimão), é autor de uma extensíssima obra literária e ensaística, sendo há muito anos o diretor da revista "Colóquio-Letras", da Fundação Gulbenkian. Dirigiu também a revista "Tabacaria", da Casa Fernando Pessoa, e foi conselheiro Cultural na embaixada de Portugal em França, de 1997 a 2004. Organizou a Semana Europeia da Poesia, no âmbito da Lisboa’94 - Capital Europeia da Cultura.

domingo, 17 de março de 2024

Equinócio da Primavera - momento em que a Terra é iluminada pelo Sol de igual forma no hemisfério sul como no emisfério norte - , vai ser celebrado, no próximo dia 20, no recinto amuralhado do Santuário Sacrificial da Pedra da Cabeleira, saudando o sol da estação mais florida do ano

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - Um dos videos regista a prseença do bisnete de João de Deusm que ali se dirigiu na presença de sua esposa e filho para se associarem á celebração do Equinócio do Outono, em Setembro 2019 


Videos a não perder

Vamos saudar a Primavera, dia 20 , ao nascer do sol, no recinto amuralhado do Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, que se ergue no maciço dos Tambores, já conhecido como o Stonehenge Português.

A cerimónia tem início às 07.00 horas da manhã, momento em que o sol atravessa a gruta do enorme penedo . Confiantes de que as condições meteorológicas o permitam.


Poemas de João de Deus - A esposa de António Ponces de Carvalho, e ele próprio, bisneto do grande poeta português, deram-nos o prazer e a honra de se associarem, na celebração do Equinócio do Outono, em 23 de Setembro de 2019, que decorreu, nos arredores da aldeia de Chãs, freguesia do Concelho de V. N. de Foz Côa,  junto ao altar sacrificial  do Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nª Srª, ladeado pela chamada Pedra da Audição, ou das orações, com duas grutas, uma das quais fazendo lembrar uma enorme orelha, como que escutando e concentrando as vibrações vindas da imensidade do Universo ou espalhando as vozes, os cânticos ou orações, de quem ali ergue a sua voz com uma ressonância surpreendente..  https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2019/09/celebrado-o-equinocio-do-outono-23-09.html



Templos-do-sol - Foz Côa, com o Bispo Dom Manuel dos Santos, em 2015, então Bispo da Diocese de S. Tomé e Príncipe - Recordando o magnifico exemplo pastoral, no equinócio do Outono, daquele ano. Cantou e encantou-nos com os seus belos poemas e as suas amáveis bênçãos – Na próximo dia 20, às 07, vamos celebrar o Equinócio da Primavera, neste mesmo santuário



A sua amável presença, deu ainda mais brilho à Luz de Deus – Ocorreu uns dias antes da apresentação do seu livro de poesia, "Aqui onde estou os meus sonhos são verdes", em Fátima e no Auditório Santo António Maria Claret, no Santuário do Coração de Maria, em Setúbal.


Momentos inolvidáveis de um magnifico e muito preenchido dia na vida de Dom Manuel dos Santos. Corajoso e sensível Poeta, devotado Peregrino e Pastor
.
Dom Manuel António Mendes dos Santos, deixou a Diocese de São Tomé e Príncipe, em julho de 2022, depois de 15 longos anos de sacerdócio. Atualmente, está cargo de uma paroquia no Algarve
Nasceu em São Joaninho, Distrito de Viseu, no dia 20 de Maio de 1960, filho de uma família numerosa, com três irmãos e quatro irmãs. Em 1978 ingressou no Seminário Menor da Diocese de Lamego e, mais tarde, passou para o Seminário da Congregação dos Missionários Claretianos em Carvalhos, Vila Nova de Gaia

Durante o ato evocativo serão lidos poemas de vários autores O templo sacrificial, orientado no sentido nascente- poente, ergue-se no alto de um maciço rochoso, próximo de um antigo castro, no perímetro do Parque Arqueológico e a curta distância da Pedra do Solstício.

O imponente megálito tem a forma de um gigântico crânio, atravessado, na sua base, por uma gruta em forma de semi- arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento, que é iluminada pelo seu eixo no preciso momento em que o nascer do sol, começa a erguer-se sobre aquele maciço granítico, conhecido pelo Tambores, cenário mítico, para assinalar a já tradicional entrada da estação mais florida do ano


Diversas têm sido as personalidades e estudiosos, que nos têm dado o prazer da sua presença - Além das colaborações do nosso município e da autarquia, do arqueólogo Sá Coixão, do Prof. Moisés Espírito Santo, do astrónomo Máximo Ferreira, do poeta Manuel Pires Daniel, Dom Manuel dos Santos, então Bispo de S. Tomé, do investigador inglês Tom Graves, bisnetos de João de Deus, entre outras figuras. - Isto para já não falar dos nossos habituais colaboradores, nomeadamente, António Lourenço, José Lebreiro, Agostinho Soares, Pedro Daniel e Adriano Ferreira


A primeira referência a este enorme fraguedo, foi feita por Adriano Vasco Rodrigues, no seu estudo publicado em 1982, sobre a História Remota de Meda., de cuja investigação aqui transcrevemos, com a devida vénia, um pequeno excerto:  “Também na freguesia de Chãs, que foi outrora anexa de Longroiva e agora pertence ao  concelho de Vila Nova de Foz Côa, localizei, a curta distância da povoação, na Lapa de Nossa Senhora, no interior de um penedo com forma de crânio, um nicho contendo algo que parece a pintura de uma cabeleira humana”

“O  penedo tem o seu assento sobre uma vasta superfície rochosa granítica. A face poente está desbastada como uma enorme testa. Na parte interior rasga-se uma abertura com cerca de um metro  de  diâmetro, que dá entrada para uma espaçosa câmara com o exterior por outra abertura rasgada na face ocidental.




sexta-feira, 15 de março de 2024

S. Tomé e Príncipe - Autoridades preocupadas com o aumento de violência contra as crianças - E o que dizem das suas extremas carências?

                                                          Jorge Trabulo Marques - Jornalista

Os brinquedos sabem como improvisá-los o que não conseguem improvisar é quando lhes falta quase tudo em casa e, para se alimentarem, só indo à floresta à procura de banana, da jaca  ou de fruta-pão. Mesmo assim, suportando as maiores carências, abrem-se em rasgados sorrisos ao visitante, com a mesma simplicidade com que vivem o dia a dia. Nunca regateiam um sorriso de alegria e de calorosa inocência mesmo que não sejam correspondidas

A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes.... Disse Oscar Wilde. Mas as crianças de São Tomé e Príncipe,  já são boas e amáveis por natureza – O que é preciso é não as deixar passar fome  e desamparadas -


Refere o jornal Téla Nón,  a propósito  da abertura do mês da justiça que teve lugar na Região Autónoma do Príncipe, que "Os dados estatísticos, as denúncias, os relatórios diários sobre as agressões físicas, abusos sexuais e outras formas de violação dos direitos das crianças levaram as autoridades a elegerem como lema do mês da justiça “Proteger a infância para um mundo melhor”.

«As ocorrências relatadas diariamente na comunicação social pela polícia nacional e os bombeiros e as informações que circulam nas redes sociais e nos circuitos familiares e de amizade, indicam um aumento preocupante de casos de violência contra as crianças e espelham a fraca resposta tanto da família como do sistema judiciário e o crescente sentimento de impunidade» – disse Ilsa Amado Vaz, Ministra da Justiça. Administração Pública e Direitos Humanos.


Para o primeiro ministro, esses dados constituem marcadores vermelhos de que a sociedade está a escorregar para níveis comportamentais inaceitáveis e todos são convocados a agir e contrariar esses desvios.

«É necessário repensar as estruturas do estado com capacidade para acolher as crianças vítimas, obrigar os pais a assumir as suas responsabilidades, a capacidade de investigação da polícia judiciária, a atuação do ministério público defensor da legalidade e das crianças e os papeis dos tribunais de julgar, condenar e punir exemplarmente o agressor e a toda a sociedade que deve ajudar e impedir que a inércia crie um contexto propício à impunidade» – destacou Patrice Trovoada https://www.telanon.info/politica/2024/03/12/43559/aberto-o-mes-da-justica-autoridades-preocupadas-com-o-aumento-de-violencia-contra-as-criancas/


Os brinquedos x que imaginação vai recorrer

Embora não falte banana no mato, assim como a jaca e a fruta-pão, alimentos básicos na dieta alimentar,  mas  se precisam de  medicamentos, vestuário e outros bens essenciais, onde estão as dobras?
E a maioria das  crianças, se querem brinquedos, têm que os fazer ou então brincar com a lâmina de um machim, que é a catana,  usada como instrumento de trabalho e fazer do mesmo o seu passa-tempo, tal como pude comprovar numa antiga senzala da Roça Uba-Budo, são usadas como animais de carga: - carregam grandes  gamelas ou grandes pesos à cabeça e executam as mais diversas tarefas, sem dó nem piedade.

 

Esta a conclusão de um relatório da UNICEF - 12/5/2016, 21:00  - Um relatório do Fundo das nações Unidas para Infância indica que mais de 70% das crianças são-tomenses são pobres e "apresentam maior vulnerabilidade relativamente a situação da proteção social". . Um relatório do Fundo das nações Unidas para Infância (Unicef) indica que mais de 70% das crianças são-tomenses são pobres e “apresentam maior vulnerabilidade relativamente a situação da proteção social”. São Tomé e Príncipe tem 70% das crianças afectadas pela pobreza


quarta-feira, 13 de março de 2024

Celebração do Equinócio da Primavera – 20-03-2024 Chãs- Foz Côa - A cerimónia tem início às 07.00 horas da manhã, momento em que o sol atravessa a gruta da Pedra da cabeleira de Nossa Senhora Num dos quatro calendários solares pré-históricos, existentes no Maciço dos Tambores, já conhecidos como "Stonehenge Português"

                                            Jorge Trabulo Marques - Coordenador do evento 




Aqui lhe recordo alguns dos maravilhosos momentos, em anos anteriores, da celebração do equinócio da Primavera, da tradicional saudação , na aldeia de Chãs, do concelho de Foz Côa. A cerimónia tem início às 07.00 horas da manhã, momento em que o sol atravessa a gruta da Pedra da cabeleira de Nossa Senhora, num dos quatro calendários solares pré-históricos, existentes no Maciço dos Tambores, já conhecidos como "Stonehenge Português

No Hemisfério Norte, o equinócio de primavera deste ano ocorre em 20 de março de 2024, às 21h25 GMT.  Dia em que  o dia e a noite se repartem entre as trevas e a luz, a partir do qual os dias vão crescendo  até 20 de Junho, solstício do Verão.

Em cerimónia simples, mas de expressivo simbolismo, pendor místico e histórico, à mais desejada e florida estação do ano - Vai ser assinalada, no próximo dia 20, entre as 07.00 e a 07.30 da manhã, frente ao portal do antigo altar sacrificial do santuário rupestre, conhecido por Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, com momentos de poesia, bem-dizendo e suplicando ao Sol da Vida, ao esplendor da Sublime Estrela, espelho de Deus, que propicie à Humanidade, dias mais felizes e tranquilos


O enorme penedo, orientado no sentido nascente-poente, possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento e sensivelmente a mesma altura, que é iluminada pelo seu eixo, no momento em que o Sol, depois de iluminar o vale xistoso do Côa, começa assomar e a brilhar nos penhascos graníticos deste maciço, que se ergue como uma fortaleza natural, na margem direita da Ribeira Centeeira, também conhecida como a falha sísmica do Graben de Longroiva., que, depois de correr de Sul para Norte, e ao voltar-se para leste, num apertadíssimo e ingre canhão xistoso, de ambos os lados, passa a chamar-se Ribeira dos Picos, em cuja foz existe um dos mais belos núcleos de gravuras rupestres do paleolítico.

 

.É, pois, esse momento, esplendoroso, que poderá ser uma vez mais observado. Graças a duas colaborações fundamentais: à compreensão dos proprietários dos terrenos, onde os dois megálitos se localizam (a Pedra do Solstício e a Pedra do Equinócio), nas pessoas da médica Teresa Marques e do seu marido, Fernando José Baltazar), bem como da inestimável colaboração de António Lourenço, José Lebreiro e de outros bons amigos, a que se têm juntado também as colaborações da Junta de Freguesia e da CM de Foz Côa, do nosso concelho.


O monte dos Tambores, a curta distância da aldeia de Chãs, nas imediações de uma área castreja, uma vez mais é o cenário mítico para assinalar a entrada das estações do ano, nesta caso, a da Primavera, em cerimónias que se vêm repetindo, desde há mais de 20 anos, num local que já entrou definitivamente no calendário mediático das principais celebrações evocativas, com o objetivo de saudar a Mãe-Natureza, indo ao encontro das mais antigas tradições e cultos medievos dos vários povos, de cuja passagem se encontram abundantes vestígios, múltiplos sítios de habitação, desde o neolítico, calcolítico, em vários períodos civilizacionais, quer na área do Castro do Curral da Pedra, quer no Castelo Velho,, a tantos outros sítios, tendo sido recolhidos vários utensílios:

domingo, 10 de março de 2024

Odisseias no Golfo da Guiné - !"O VERDE DA ESPERANÇA! Nunca se perde em terra ou no mar!

                                                                   Jorge Trabulo Marques



"Ó mar salgado, quanto do teu sal /São lágrimas de Portugal!
MAR! MAR!..MAR!.. SÓ A VOZ DO MAR A BRAMAR! A BRAMAR!..
38 dias à flor das vagas numa piroga do equatorial mar!!
Ó vasta solidão Ó imenso mar!!...
Ó Vós, que lá de tão alto me olhais!
Ó Deus do Mar! Ó Deus dos Céus!...
Apontai-me, ao menos, um rumo, um qualquer destino!
Que não seja apenas o error constante deste caminho!..
Dizei-me a que ponto do horizonte!
A que porto incerto ou desconhecido
na minha pobre barca escavada me levais?!...

Sim, estou arredado de tudo!...
Ninguém sabe onde estou!...
Ainda se ao menos pudesses imaginar
o caminho por onde eu ando
- ó amável saudade! -
Ou pudesses adivinhar o errático rumo que eu trilho!
A que ponto do horizonte eu vou?!... – Oh, acreditai!..
já me sentiria muito feliz!...Mesmo que algum tornado
me fizesse desaparecer no meio do seu torvelinho!!..
– Oh testemunho querido do meu berço amado!
- Tenho a certeza que, nesse crucial momento,
eu não estaria tão sozinho!.
Creio que os meus olhos
não estariam tão turvos de sal
e do mar como os teus!...

Ó erma vastidão!...
Ó tenebrosos Mares!
Ó impiedosos Céus!!...
De mim, tende piedade!
De mim, tende compaixão!...
- Estou sozinho!!... Ó Deus!
Onde Vós, também estais?!...
A que ermo ponto,
por que errático caminho
- Ó Mar! Ó Céus!
Vós me levais?!!...

(...)Descansa coração, angustiado!... Descansa!..
Sê paciente, acalma-te!... Não desesperes!...
Afinal não é isto o que tu procuras?
Não é isto o que tu queres?!...
Não foi esta a missão a que te impuseste?!...
- Transcende-te e ultrapassa os limites do impossível!
Não é este o teu sonho?!.. Oh, sim... aproxima
as tuas batidas com as do coração dos anjos
e, tal como eles, torna-te invisível!...
-Eu sei... Eu sei!...coração amigo!...
No fundo é o que tu desejas... e tens conseguido!...
Sim, não vês que o vínculo que há em ti
entre o passado e o presente
é o mesmo que a distância
que vai agora de ti ao futuro?
...inexistente!...

Jorge Trabulo Marques
Excerto do poema SÓ A VOZ DO MAR..
Odisseia narrada em https://canoasdomar.blogspot.com/2019/11/34-dia-perdido-no-golfo-da-guine-nao.html

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

(Fernando Pessoa. Mar português. Mensagem, 1970.)

sexta-feira, 8 de março de 2024

Odisseia no Golfo da Guiné - Após a travessia de canoa de S. Tomé ao Príncipe - TORTURADO PELA PIDE-DGS -LIBERDADE SIM E CENSURA NÃO - Custou-me a prisão nos calabouços da ditadura colonial. E uma pesada coima da Capitania dos Portos - Desejava que esse tempo não viesse disfarçado por falsa democracia e pluralismo confinado.

                                                                            
Jorge Trabulo Marques 

Travessia  em piroga de S. Tomé ao Príncipe - Ilhas separadas cerca de 140 km uma da outra e a cerca de 250 e 225 km da costa noroeste do Gabão  - 40 cm de altura por 60 cm na sua maior largura

Artigo publicado no suplemento do Diário Popular


Antes e depois do 25 de Abril, também fui um dos sacrificados - A primeira vez ocorreu há 55 anos, após a travessia de canoa de S. Tomé ao Príncipe.
A segunda vez, foi na sequência da revolução de abril por parte de alguns colonos, que me agrediram brutalmente, depois de me cortarem os pneus do meu carro à navalhada e me pendurarem uma forca à porta de minha casa, por via dos meus artigos publicados na revista Semana Ilustrada de Angola, por ter dado voz ao MLSTP e entrevistado sobreviventes do massacre do Batepá, tendo que me escapar de canoa de S. Tomé para a Nigéria, numa dramática travessia de 13 dias. 

Nesse mesmo ano, e, após a independência, voltei a S. Tomé para tentar a travessia de canoa para o Brasil, evocando a rota da escravatura, entre outros objetivos, acabando por naufragar e ir parar à Ilha de Bioko, Guiné Equatorial, onde fui preso e condenado à forca por suspeita de espionagem - Felizmente, lá me salvei, graças à mensagem que trazia comigo do MLSTP para ler quando chegasse ao Brasil

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                        TAMBÉM CHEGUEI A SOFRER REPRESÁLIAS EM LISBOA 

Mais tarde, já em Lisboa, depois de ter sido libertado da famigerada prisão https://en.wikipedia.org/wiki/Black_Beach 
uma dúzia de colonos, apanharam-me no Metro e voltaram agredir-me traiçoeiramente, como se estivessem na selva em São Tomé. Tal como fizeram na então chamada "Praça de Portugal", quando me dirigia a minha casa, por volta das oito da noite. Aguardavam-me emboscados no interior de um carro estacionado. Não havia luz na cidade, e, mal me viram, encadearam-me com os faróis e atiraram-se a mim como lobos. Tendo-me deixado, quase morto e prostrado no asfalto. 

TRAVESSIA DE CANOA DE S. TOMÉ AO PRÍNCIPE

Larguei à meia-noite, clandestinamente, pois sabia que, se pedisse autorização, me seria recusada, dada a perigosidade da viagem, levando comigo apenas uma rudimentar bússola para me orientar. Fui preso pela PIDE, por suspeita de me querer ir juntar ao movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, no Gabão, o que não era o caso. Mas se lá aportasse, já ia mentalizado para não voltar. Eu sabia que a resistência colonial, estava ali sedeada 

No mês seguinte, depois de ter sido preso e espancado pela PIDE, pude descrever esta minha aventura na revista Semana Ilustrada, de Luanda, de que ficaria seu correspondente

Esta era a segunda das minhas quatro aventuras solidárias: a primeira da Baía Ana Chaves, até ao Padrão dos Descobrimentos, no dia em que se comemoravam os 500 anos da descoberta de S. Tomé por João de Santarém e Pero Escobar. A segunda, em Março de 1995, de S. Tomé à Nigéria, 13, ao longo de 13 dias, e, por fim, a tentativa da travessia oceânica ao Brasil, que acabaria num dramático naufrágio de 38 dias

Foram três dias emocionantes em que, por vezes, me senti perdido. Enfrentei dois tornados. À segunda noite adormeci e voltei-me com a canoa em pleno alto mar. Esta era minúscula e vivi um verdadeiro drama para me salvar, debatendo-me como extrema dificuldade no meio daquele denegrido sorvedouro das águas

O regresso foi de avião, mas, no aeroporto, tinha a PIDE à minha espera. Além disso, a Capitania dos Portos, aplicou-me uma pesada coima. Por seu turno, a Estação Agrária, onde trabalhava, descontou-me oito dias ao seu vencimento.

A história da canoa solitária depressa se espalhara por toda a ilha, causando grande admiração e surpresa na população em geral, nomeadamente nos pescadores da terra que me tomarem por feiticeiro e, tendo alguns, dos curandeiros, vindo ao meu encontro para partilharmos experiências.

“A Voz de São Tomé”, que escreveu o seguinte: “Por informação da E.N. de Lisboa, o Emissor Regional de São Tomé e Príncipe, anunciou que Jorge Trabulo Marques chegou ao Príncipe, numa canoa, que partira desta ilha”
Algumas semanas depois, compensaria esta lacuna, narrando a minha aventura numa revista angolana e da qual passaria a ser correspondente. Desse modo, demonstraria através do meu exemplo e das minhas próprias palavras que era possível percorrer, voluntariamente, numa pequeníssima e frágil piroga (40 cm de altura por 60 cm na sua maior largura), um extenso e bem agitado mar. Contrariando, assim, aqueles velhos pavores ancestrais ( na esteira das teorias do navegador e investigador francês Alain Bombard) de que, perdida a terra de vista, se perdem todas as esperanças - O que não é o caso, desde que não se entre em desespero e se aproveitem os recursos que o mar oferece

quinta-feira, 7 de março de 2024

São Tomé e Príncipe - Recebe de Portugal - Um donativo avaliado em cerca de 134 mil euros, para salvar vidas em São Tomé e Príncipe. Para além de medicamentos, reagentes para laboratório e outros consumíveis hospitalares, a cooperação portuguesa ofertou sondas para o sector de cardiologia do hospital central Ayres de Menezes.


Refere o jornal Téla Nón que, "António Lima, coordenador do projecto Saúde para Todos descreveu o compromisso assumido ao longo dos anos pela cooperação portuguesa que tem permitido garantir o stock de medicamentos e de reagentes laboratoriais tanto no hospital central Ayres de Menezes, como em todos os centros de saúde distritais.
Cerimónia de entrega do donativo
A embaixadora de Portugal, Cristina Moniz, que fez a entrega do donativo à Ministra da Saúde de São Tomé e Príncipe chamou a atenção para a necessidade de se implementar uma estratégia que visa a melhor gestão, a disponibilidade, a acessibilidade e o uso racional dos recursos que foram doados.
«Os reagentes, medicamentos e consumíveis são recursos essenciais para garantir a qualidade e eficiência dos serviços de saúde no país», afirmou Cristina Moniz.
Os medicamentos ofertados evitam a cíclica rotura do stock tanto no hospital central Ayres de Menezes como nos centros de saúde distritais. Ângela Costa, ministra da saúde de São Tomé e Príncipe indicou o destino a ser dado ao donativo de Portugal. ~
«Será direcionado para os distritos sanitários e para a região autónoma do Príncipe, com o objectivo de cumprirmos o princípio da Universalidade, ou seja, de garantir o acesso à saúde a toda a população», precisou a ministra da saúde.
A embaixadora de Portugal que depois de entregar as cartas credenciais ao Presidente da República em dezembro de 2023 elegeu a questão da mulher como uma das prioridades do seu mandato, destacou a celebração do dia 8 de Março, dia internacional, e a importância de São Tomé e Príncipe garantir a saúde da mulher.
«Gostaria de aproveitar para fazer uma referência especial à importância da saúde da mulher e apelar aos esforços de todos os profissionais da saúde, para uma prestação de serviços de saúde de qualidade respeitando os direitos e as necessidades de todas as mulheres santomenses», pontuou a diplomata portuguesa.
A saúde está inscrita como prioridade no programa estratégico de cooperação entre São Tomé e Príncipe e Portugal com meta em 2025.
Abel Veiga