A vida era dura e escrava também para o empregado de mato, tal como também ali fui. Depois das tarefas executadas, das capinagens, das colheitas ou das quebras de cacau, subindo e descendo vertiginosas grotas, tinha que vaguear pelos caminhos ou trilhos do mato, limpando os rebentos dos cacacueiros com a catana (machim) na mão, chovesse ou não a granel: - havia que suportar todas as intempéries até ao último raio de sol . Além disso, o escravizado empregado de mato, só podia gozar das chamadas férias graciosas, regressarem às suas aldeias, de quatro em quatro anos
Era farta e folgada para os administradores e feitores gerais, mas sobretudo para os donos das roças, mais deles vivendo refastelados na “metrópole”, à sombra dos avantajados lucros das grandes plantações, especialmente de cacau e de café e livres de prestarem contas ao Estado do que arrecadavam, pois chegavam a ter até mais poder de que os próprios governadores. Sem outras preocupações que não fossem as de encher os seus cofres por depósitos na banca e por transferências sistemáticas para à Metrópole| Roça Uba Budo 2014 - |
Fiquei de tal maneira chocado e revoltado, que, nesse mesmo dia à noite abandonei a roça: fui a pé até S. João dos Angolares, onde dormi no mato, espicaçado por nuvens de mosquitos.
No dia seguinte, apanhei uma boleia para a cidade: e, como não tinha dinheiro, andei por lá a dormir no parque e a ter que me alimentar da fruta que ia colher no mato. Uns dias depois, fui à CM, que me arranjou um emprego de capataz dos jardins da cidade: Mas, como, quase todos os dias, passava por mim, um tal Aprígio Malveiro, secretário da Câmara, a chatear-me a cabeça, armado em roceiro, insinuando que eu também tinha pegar no machim e limpar as ervas, fui pedir emprego na Roça Rio do Ouro, onde fiquei até ir cumprir o serviço militar.

De seguida, algumas das linhas de um extenso e pormenorizado artigo que publiquei na revista angolana Semana Ilustrada, de que fui correspondente, desde 1970, a Março de 1975, mês em que fui forçado abandonar a Ilha de S. Tomé, em canoa, rumo à Nigéria, para me defender das agressivas perseguições de que estava sendo alvo por parte de alguns colonos por dar voz às manifestações pró-independência e a outras questões que a censura até então proibia, o que sucedeu com vários artigos meus. Mas este lá passou. Voltei ainda no mesmo ano, após a independência para tentar a travessia oceânica de canoa.,. Não realizaria esse sonho mas acabaria por conhecer uma dramática experiência de náufrago ao longo de 38 dias. https://canoasdomar.blogspot.com/2019/11/34-dia-perdido-no-golfo-da-guine-nao.html
Para isso, segundo nos disse, precisaria de adquirir: 4$00 de kiábos,1$00 de beringelas, 1/2 kg de couve, que estava a 15$00 o kg, 2$00 de makaké, $50 de piripiri,1/2 kg de tomate, na altura 18$00, meio litro de óleo de palma pelo que ia dar 3$00,e no mercado do peixe que teria de comprar pelo menos 1,5k,que lhe custaria cerca de 25$00. Depois destas compras que teria ainda de passar pela loja a fim de ir comprar o arroz, pelo menos também cerca de 1,5kg, do trinca, que lhe ficaria a 7$00 o kg. 


















