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sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Equinócio do Outono, Chãs. V. N de Foz Côa - Vai ser celebrado, neste sábado, dia 23, às 08 horas, no Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nossa Srª – Com momentos de poesia e homenagem a distintos filhos do sol

          Jorge Trabulo Marques - Jornalista e coordenador do evento 

                            O maciço dos Tambores, Quebradas e Mancheia 
a curta distância da aldeia de Chãs, vai ser  uma vez mais o cenário místico e contemplativo  para festejar  o ciclo  das estações do ano.  

Excetuando o Inverno  - já o fizemos três vezes  - mas o tempo  em que o frio se instala, com dias cinzentos e encobertos, não convidativo, o local já entrou definitivamente no calendário mediático das principais celebrações evocativas, com o objetivo de saudar a  Mãe-Natureza, indo  ao encontro das mais antigas tradições e cultos medievos dos vários povos, de cuja passagem por estas áreas e  na região, e, por ventura, numa boa parte do nosso país, sim, dos quais, legamos as nossas raízes étnicas e culturais  mais profundas

                        O ex-Bispo de S. Tomé e Príncipe, Dom Manuel dos Santos, no Equinócio do Outono 2015, cantou e encantou-nos com os seus belos poemas - https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2015/09/equinocio-do-outono-2015-chas-foz-coa.html   E na saudação ao Equinócio de 23-09- 2019, com a leitura de poemas lidos e cantados  de João de Deus pelo bisneto António Ponces de Carvalho e sua esposa Filomena e o trineto, Salvador https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2019/09/celebrado-o-equinocio-do-outono-23-09.html

                      Entretanto, maravilhe-she com o video que a seguir lhe ofereço
e,

Associação Cultural Templos-do-sol-Chãs-Monte-dos-Tambores  ( em vias de formação) - convida-o a  conhecer  ou a revisitar a  esplendorosa réplica da imagem e a receber o poder energético do símbolo mais antigo da civilização egípcia, que os homens da pré-história ali terão ido buscar às suas raízes ancestrais mais longínquas - Ou seja, o símbolo de hórus

Símbolo Horus  - Que ali está bem expressivo no frontal do santuário, é  dos amuletos mais importantes no Egito ...Lugar místico e lendário já conhecido pelo "Stonhenge Português" 

O enorme monumento megalítico, orientado no sentido nascente-poente, possui uma graciosa gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento e sensivelmente a mesma altura, que é atravessada e iluminada pelo seu eixo, no momento em que o Sol ali se começa a erguer por detrás da cercadura amuralhada que o envolve. 

O Outono vai começar, astronomicamente,  às 2h04 de dia 23 de Setembro. Assinala o instante em que o Sol, tal como o vemos a partir da Terra, cruza o plano do equador  terrestre. 

A partir deste instante, com o passar do tempo, os dias vão ficando menores e as noites maiores. o Sol passará a ser visto abaixo do equador, fenómeno astronómico que  irá durar até ao dia 22 de dezembro de 2023, quarta-feira, às 03h27, momento em que  o inverno começa em Portugal e em todo o hemisfério norte.


 Vai ser celebrado  dia 23, no próximo sábado, das 08.00 às 08.30  horas, no Santuário  Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nª Srª  - Em louvor aos frutos que a terra nos ofereceu nesta bela região duriense   De forma simples, livre e descomprometida, mas com o coração e o peito abertos, em festa, ávidos de esplendorosa consolação, de purificadora energia e sublime beleza

Com momentos de poesia em louvor aos frutos que a terra nos ofereceu nesta bela região duriense   - Com homenagem ao jornalista e investigador José Domingues, recentemente falecido – Singelo tributo ao peregrino e divulgador dos Templos do Sol e do Vale do Côa - Referência cultural e jornalística do nosso distrito


Ergue-se alcandorado sobre uma laje em forma  de altar no ponto predominante de um recinto amuralhado e a curta distância do chamado castro do Curral da Pedra, inserido na área do Parque Arqueológico do Vale do Côa, voltado a poente sobre o planalto  de um  pardo mas impressionante afloramento granítico, que se reveste e transcende de maravilhosas manchas bancas como a neve com a  floração das giestas na Primavera, que então cobrem todas as rochas e penhascos, conhecido por Monte dos Tambores, onde persistem abundantes vestígios e núcleos de habitações, desde o neolítico, calcolítico e períodos seguintes.

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TAMBORES DEVERIA INTEGRAR ROTEIROS DE TURISMO DE FOZ CÔA-  Defende “Novos Insólitos Noticias Incríveis que nos fazem refletir https://novosinsolitos.blogspot.com/2010/09/tambores-devia-integrar-roteiros.html


É um local pleno de história e de misticismo, dos tais lugares da terra onde a beleza e o esplendor solar se podem repetir à mesma hora e com a mesma imagem contemplativa de há vários milénios pelos povos que habitaram a área - . O que se espera venha  a ocorrer durante os breves minutos em que a cripta do enorme megálito é atravessada pelos raios solares da manhã, caso as condições meteorológicas o permitam, com momentos de poesia

Não tinham relógios nem calendários, como hoje os temos, mas  nem por isso deixavam de saber quando uma estação terminava e outra começava. Erguiam enormes blocos ou aproveitam-se de outros já existentes e adaptavam-nos para as suas observações astronómicas. E faziam deles, além de verdadeiros monumentos, também os seus locais de culto. Muitos caíram no esquecimento ou foram destruídos. Porém, outros, ainda subsistem em vários pontos do Globo: o mais famoso é Stonehenge e, em Portugal, os templos do sol, no maciço dos Tambores, aldeia de Chãs, onde são celebrados os ciclos do ano e evocados, tempo idos 

Se puder, não falte – A meteorologia promete-nos melhoria das condições atmosféricas – Oportunidade de inexplicável brilho e magnificência que os participantes poderão observar, saudando e contemplando os magníficos raios do esplendoroso leão dos Céus, que nos anuncia - com o mesmo brilho de outras eras, tal como se mostrou aos povos que ali cultuaram e veneraram a auspiciosa entrada do Outono.

Justamente no dia e a noite se reparte de igual modo, entre a luz e as trevas - Hora de júbilo e de ascensão que saúda e brinda a generosa estação da colheitas, dos frutos que o sol do Verão ajudou a crescer e que, agora o Outono amadurece, como dádiva divina, tal o colorido nostálgico, os odores e os sabores, as fragrâncias, os perfumes, o incomparável garrido das aguarelas das suas folhas, com que nos são presenteados


Ergue-se alcandorado sobre uma laje em forma  de altar no ponto predominante de um recinto amuralhado e a curta distância do chamado castro do Curral da Pedra, inserido na área do Parque Arqueológico do Vale do Côa, voltado a poente sobre o planalto  de um  pardo mas impressionante afloramento granítico, que se reveste e transcende de maravilhosas manchas bancas como a neve com a  floração das giestas na Primavera, que então cobrem todas as rochas e penhascos, conhecido por Monte dos Tambores, onde persistem abundantes vestígios e núcleos de habitações, desde o neolítico, calcolítico e periodos seguintes" 




terça-feira, 19 de setembro de 2023

Dia da Mulher de São Tomé e Príncipe -Meu tributo às mais sacrificadas - Num país onde o maxismo predomina sobre a mulher

Jorge Trabulo Marques - Jornalista


- Em 19 de Setembro, um grupo de mulheres vestidas de preto e dirigido pela líder Alda Graça manifestou-se em frente do palácio do governador contra alegado envenenamento do sal e da água potável pelos portugueses. Por esse motivo, o dia 19 de Setembro, depois da independência tornou-se o Dia da Mulher São-tomense, – escreveu o conceituado escritor alemão Gerhard Seibrt na página 108 do seu livro intitulado: Camaradas, Clientes e Compadres sobre o Colonialismo, Socialismo e a Democratização de São Tomé e Príncipe.

Face a efeméride, o governo decidiu conceder tolerância de ponto no período da tarde desta terça-feira, dia 19 atendendo as várias actividades marcadas para assinalar a data que hoje simboliza sem margem de dúvidas a promoção e empoderamento da mulher são-tomense.
Dentre as actividades, destaque para a concentração das mulheres da Praça Yon Gato, no centro da capital são-tomense esta terça-feira com palestras, reflexões, debates, musicas, danças, gastronomia e outros actos previamente programados numa organização conjunta envolvendo instituições governamentais e várias ONGs afins.

O papel das mulheres na sociedade de São Tomé e Príncipe Cassia Gameiro
Por Cassia Gameir

Em São Tomé, é comum os homens terem mais de uma mulher e família e
elas têm conhecimento disso, embora nem todas concordem. E isso não
ocorre apenas na faixa de população mais carente, e também não é uma
questão religiosa, pois a grande maioria é católica.

Também há casos de violência física contra a mulher, o que levou o
governo a fazer uma grande campanha contra isso. Assim que cheguei no
país, assisti várias vezes na televisão local um comercial desta
campanha, era uma encenação de violência e ao fundo uma música que dizia
algo como “em mulher não deve-se bater e sim amar”. Desde este momento,
percebi como esta questão é forte por aqui.


O papel das mulheres na sociedade de São Tomé e Príncipe Cassia Gameiro Por Cassia Gameir Em São Tomé, é comum os homens terem mais de uma mulher e família e elas têm conhecimento disso, embora nem todas concordem. E isso não ocorre apenas na faixa de população mais carente, e também não é uma questão religiosa, pois a grande maioria é católica. Também há casos de violência física contra a mulher, o que levou o governo a fazer uma grande campanha contra isso. Assim que cheguei no país, assisti várias vezes na televisão local um comercial desta campanha, era uma encenação de violência e ao fundo uma música que dizia algo como “em mulher não deve-se bater e sim amar”. Desde este momento, percebi como esta questão é forte por aqui.


domingo, 17 de setembro de 2023

S. Tomé e Príncipe - Tribunal de Contas tem novo Presidente - É Ricardino Costa Alegre - Como conheci, o Juiz Conselheiro - José António Monte Cristo, um dos mais antigos juízes deste tribunal

Jorge Trabulo Marques - Jornalista




Ricardino Costa Alegre é o novo presidente do Tribunal de Contas eleito esta quarta-feira pelos seus pares  com 100% de votos expressos, substituindo no cargo o ex-presidente Artur Vera Cruz.

Juiz José António Monte Cristo

Num comunicado do Tribunal de Contas enviado a imprensa e assinado pelo juiz conselheiro presidente do acto, José António de Monte Cristo, sublinha que o novo presidente deste tribunal foi eleito com três votos a favor, no universo de três votantes, correspondendo a 100% dos votos expressos. 

O processo de votação teve lugar na sala de sessões do Tribunal de Contas no termo do nº1 do artigo 5º da Lei nº10/2023 de 8 de Setembro, primeira alteração à Lei nº11/2019- Lei Orgânica e de Processos do Tribunal de Contas.

 A eleição de Ricardino Costa Alegre acontece pouco mais de mês da Assembleia Nacional ter aprovado o projecto lei de alteração orgânica e de Processo do Tribunal de Contas, com 35 votos a favor, sendo 30 do ADI e 5 do MCI/PUN, e 19 contra, sendo 17 do MLSTP/PSD e 2 do BASTA.

COMO CONHECI  JOSÉ ANTÓNIO MONTE CRISTO - UM JUIZ ATENTO E DEDICADO

José António Monte Cristo, o economista que, em junho de 2011, tomou posse, na Assembleia Nacional, como o Juiz Presidente do Tribunal de Contas, prometendo  prosseguir as ações com vista a fiscalização das contas do Estado, do seu antecessor, Francisco Pires, que dirigiu toda a fase preparatória para a instalação  do Tribunal de Contas em São Tomé e Príncipe, tendo sido Presidente da instituição durante dois mandatos consecutivos de 4 anos.



No meu  segundo retorno a S. Tomé, em 2015,  a uma ilha que me é muito querida, pelas razões que são publicamente conhecidas, além de muitos gestos espontâneos de carinho e simpatia, que  tenho recebido de pessoas anónimas, com quem me cruzo na rua (pois tem sido assim o meu dia a dia) e de outras (com ou sem relevo) mas que nunca caíram no esquecimento  na minha  memória, tenho tido também a oportunidade de me encontrar com várias personalidades, umas já fazendo parte da história destas ilhas, outras, mais jovens,  que, de uma maneira ou de outra,  estão dando os seus passos nessa mesma  caminhada 

Pois foi  precisamente  a boa impressão com que fiquei  do Juiz Presidente do Tribunal de Contas, José António Monte Cristo, na breve audiência de cortesia, com que me honrou no seu gabinete para corresponder ao amável convite que me fizera, no cordial diálogo que ocorreu durante a  ante-estreia do documentário “S. Tomé e Príncipe – Retalhos de uma História” – Disse-me que já tinha ouvido falar de mim e que gostaria de trocar algumas impressões comigo, gesto de cortesia a que correspondi e que muito e honrou. Pois, de facto, tive oportunidade de constatar que,  a figura que me honrava com o seu convite, embora investida numa das mais altas funções de um órgão de soberania, afinal, nem por isso  deixava de ser a pessoa cordial, respeitável, respeitosa  e simples, sem a sobranceria ou a necessidade de ostentar a máscara dos que se preocupam  mais em cultivar as aparências de que o verdadeiro zelo e competência nas suas altas funções.


“Até ao início de 2003, a função de controlo do país esteve formalmente cometida ao Supremo Tribunal de Justiça, nos termos da Lei n.º 8/91, de 9 de Dezembro. Mas, por razões que se prendem com a tecnicidade da jurisdição, controlo financeiro e com a ausência de estruturas e de suporte técnico-administrativo para efeito, o controlo jurisdicional das Finanças Públicas era considerado insuficiente. Dada a necessidade de se pôr termo a esse estado de “coisas” e de restituir a indispensável transparência às contas públicas e à própria aplicação dos bens e dinheiros públicos, conforme exigência dos Estados modernos e democráticos e os princípios universalmente aceites e expressos pela Organização Internacional das Instituições Superiores de Auditoria (INTOSAI), foi criado o Tribunal de Contas de São Tomé e Príncipe. – Excerto de Tribunal de Contas - Sao Tome e Principe


sábado, 16 de setembro de 2023

Fernando Botero – Morreu o artista que expôs enormes esculturas no Terreiro do Paço em 1997 - Lisboa - Em 2012, com outros trabalhos artísticos.

Jorge Trabulo Marques -  Jornalista e investigador

Partiu para o reino  artístico da invisibilidade, o  pintor e escultor colombiano, que expôs uma monumental exposição no  Terreiro do Paço em 1997 – Lisboa  – Só não terá causado  espanto às pombas. Ouenão só feito arregalar o olho aos puritanistas 

O artista que acreditava na arte das formas arredondadas e que cria prazer, morreu nesta sexta-feira, dia 15, aos 91 anos, na sua residência  casa no Principado de Mônaco, oeste da Europa. , onde recuperava de uma pneumonia.

Considerado um dos nomes mais conhecidos das artes colombianas, Fernando Botero expôs várias vezes em Portugal, nomeadamente em 2012, com a mostra de pintura e desenho "Via Crucis", no Palácio da Ajuda, e em 1997, com uma exposição de esculturas na Praça do Comércio, ambas em Lisboa.


Nascido em 19 de Abril de 1932 e natural de Medellín, segunda cidade mais populosa da Colômbia, Botero começou sua carreira profissional como ilustrador do jornal El Colombiano. Autodidata, ele apresentou sua primeira exposição individual em 1951 para então dar início aos estudos e a academia de arte.

                         Escultura expostas permanentemente no alto do Parque Eduardo VII
 

São Tomé e Príncipe e a desova das tartarugas marinhas - Atrai cinco das sete espécie existentes no mundo - E podia ser o maior santuário mundial se não fosse a caça furtiva- A Bióloga Sara Vieira – Nacionalidade Portuguesa - através do programa Tatô, está a capacitar 47 agentes, alguns dos quais novos, em sua proteção .

                                               Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador 



As tartarugas marinhas existem há mais de 150 milhões de anos,  conseguiram sobreviver a todas as mudanças do planeta, mas atualmente são dos seres mais vulneráveis do planeta. De acordo com estimativas cientificas, de 1000 filhotes nascidos, apenas um chega à idade adulta.

"E o grande problema das tartaruguinhas é que, se elas desaparecerem, nós também vamos ficar com o ecossistema marinho mais pobre – Reconhece a bióloga, Sara Viera,  frisando que a sua importância ecológica é muito grande, principalmente nas zonas de recrutamento dos peixes, onde os peixes se vão reproduzir e desenvolver"

A época de desova das tartarugas em S. Tomé e Príncipe vai de Setembro a Abril. Este ano a preocupação é para que haja maior reprodução possível das quatro espécies que desovam no arquipélago. É neste quadro que o programa Tatô, que trabalha na proteção das tartarugas está a capacitar 47 agentes, alguns dos quais novos - Refere o jornal Téla Nón

«Para saberem lidar com situações de captura nas praias e também, se houver uma subida de tartaruga para fazem o devido acompanhamento no processo de desova»– disse Vencislau Soares, assistente técnico do programa Tatô.


Durante a minha estadia, em S. Tomé, emMarço de 2016, tive  o prazer de ter oportunidade de visitar as instalações da  ONG Marapa, uma das principais parceiras da ATM em são Tomé e Príncipe, uma organização não governamental e sem fins lucrativos, que trabalha em regime de voluntariado, pugnando pela conservação das tartarugas marinhas, assim como de assistir à largada, na praia Jalé, ao sul da Ilha, de S. Tomé, de algumas centenas de pequenas tartarugas, acabadas de sair de um ninho do centro incubador para onde são recolhidos os ovos, quando as tartarugas ali vão desovar, de modo a serem protegidos dos predadores e de outras ameaças. 

A coordenar o projeto, está a bióloga, Sara Vieira, sem dúvida,  uma verdadeira peregrina em defesa da proteção das tartarugas marinhas, palmilhando as praias de norte a sul, Micolóló, Fernão Dias. Morro Peixe,  Santana, Porto Alegre e outras praias - Além de ficar a conhecer uma personalidade de uma grande generosidade, um coração sensível, dedicado e amoroso, bem como de  também poder saber das suas preocupações, em relação à falta de mecanismos capazes de uma fiscalização eficaz - Pois teme que a lei, que foi aprovada. se transforme numa lei morta e a matança das tartarugas persiga.. 



EXISTEM HÁ MILHÕES DE ANOS - MAS HÁ ESPÉCIES QUE ESTÃO EM VIAS DE EXTINÇÃO

As tartarugas marinhas existem há mais de 150 milhões de anos,  conseguiram sobreviver a todas as mudanças do planeta, mas atualmente são dos seres mais vulneráveis do planeta. De acordo com estimativas cientificas, de 1000 filhotes nascidos, apenas um chega à idade adulta.

"E o grande problema das tartaruguinhas é que, se elas desaparecerem, nós também vamos ficar com o ecossistema marinho mais pobre – Reconhece a bióloga, Sara Viera,  frisando que a sua importância ecológica é muito grande, principalmente nas zonas de recrutamento dos peixes, onde os peixes se vão reproduzir e desenvolver"


De facto, São Tomé e Príncipe podia ser o maior santuário mundial da desova de tartarugas marinhas, já que, das sete espécies existentes no mundo, cinco são atraídas pelas maravilhosas praias das Ilhas Verdes do Equador -  Tantas como as que se dirigem à costa brasileira, sendo que, quer no outro lado do Atlântico, quer nas duas Ilhas do Golfo da Guiné, duas espécies estão em risco de extinção




As tartarugas marinhas, além de contribuírem para o equilibro do biodiversidade, podiam trazer grandes dividendos turísticos e à investigação científica e ambiental,  bem maiores da atracão que, atualmente,  já exercem, aos visitantes que demandam as praias para assistirem à  maravilhosa largada dos ninhos em direcção ao mar, porém,  as organizações, que, em regime de voluntariado,  proporcionam a incubação dos seus ninhos, em lugares protegidos, ainda se vêm a braços, tanto  com falta de apoios, como, sobretudo, pelas capturas indiscriminadas para o consumo da sua carne.


Em 2014, foi aprovado pelo Governo de São Tomé e Príncipe. uma lei sobre a captura e comercialização de tartarugas marinhas – Considerada, então, pelas organizações ecologistas, uma grande vistoria – Mas o receio da bióloga Sara Viera, a coordenadora dos projetos científicos e de fiscalização, é que se transforme numa lei morta: não basta que a lei tenha sido vertida ao papel: é preciso fiscalizar porque é um problema realmente muito grande. Não são somente quatro ou cinco pessoas que capturam tartarugas marinhas, são centenas de pessoas que dependem desta atividade como meio de subsistência", explicou Sara Vieira, pelo que a bióloga defende um "maior compromisso" do Governo para ajudar a encontrar alternativa económicas para essas pessoas, porque caso contrário "essa captura nunca vai acabar".


 Ilha de São Tomé - Momento maravilhoso da largada de um ninho de tartarugas em direção ao oceano, junto à linha do Equador na Praia Jalé - Recanto de um paraíso rodeado de coqueiros, areia fina, dourada e macia, a perder-se por extensa superfície de um azul esmeralda de água quente, brilhante e cristalina – Um raro privilégio que jamais se apagará da retina de quem o contempla -


Carne e ovos de tartaruga à venda 

(Atualização) – Boa Noticia) Mas há resultados positivos. São Tomé e Príncipe: “Palayes” incentivadas a abandonar a venda de carne de tartarugas
26/01/2017  A Associação de Conservação das Tartarugas Marinhas em São Tomé e Príncipe está a criar outras fontes de rendimento para as mulheres “Palayes” do arquipélago que comercializam a carne de tartarugas marinhas.
Há três anos que a associação presidida por Sara Vieira em parceria com a organização São-tomense Marapa trabalha para mudar o comportamento da população no que toca à comercialização e consumo de carne e derivados de tartarugas marinhas.
A tarefa é difícil tendo em conta a situação de pobreza da maioria da população marcada pelo desemprego e baixos rendimentos.
Mas há resultados positivos.

A bióloga Vieira, que é filha do Presidente do clube de futebol Sport Lisboa e Benfica, garante que nos últimos anos há menos pessoas a capturar as tartarugas marinhas. São Tomé e Príncipe: “Palayes” incentivadas a abandonar a venda de

02/01/2016A tartaruga Sada, uma das cinco espécies existentes em São Tomé e Príncipe, pode desaparecer "em menos de cinco anos", correndo também outras quatro espécies "um sério risco de extinção Tartaruga Sada vai desaparecer em São Tomé - Correio da Manhã



sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Comendador Arthur Cupertino de Miranda –15-09-1882 a 13-07-1988 - Minha entrevista ao Banqueiro Mecenas Visionário - Poeta, Prosador, Escritor - Um ano antes da sua morte - Ilustre Minhoto, famalicense e cidadão de Portugal e do Mundo – Fundador da Fundação, a que deu o seu nome, instituída em 1964, dotada de Museu e Biblioteca - Aberto ao público em 1994 com a exposição “Surrealismo (e não só - Leu-me poemas de sua autoria e ofereceu-me um livro autografado em sua residência.

                                      Jorge Trabulo Marques – Jornalista e investigador 

Excerto de alguns minutos de uma entrevista de meia hora - Texto da transcrição - Mais à frente

ROUBADO, EM 1965, DE VALIOSOS QUADROS DA SUA COLEÇÃO DE ARTE  - POR GENTE QUE LHE ERA PRÓXIMA - E QUE LHA FOI LEILOAR EM LONDRES NA CHRISTIE´ - Ouça neste video. 

Artur Cupertino de Miranda ,nasceu em 15 de Setembro 1892, em  Louro,  de Vila Nova de Famalicão, faleceu em Lisboa, 13 de Julho de 1988, aos 96 anos

O banqueiro mecenas, fundador da Fundação Arthur Cupertino de Miranda, em Famalicão, sede do seu torrão natal,  e a quem Salazar recorreu, em aperto de crise,  para fundar um banco, com a solidez que não existia,   houve quem lhe chamasse, um predestinado para outras funções diferentes de cantor de musas e de ninfas, do poeta, prosador, escritor

Em Outubro de 1987, pouco depois de completar 95 anos, e um ano antes da sua morte, Arthur Cupertino de Miranda, dava-me o prazer  e a honra de me receber na sua residência, em Lisboa – Ia para mais uma das minhas entrevistas, ao serviço da Rádio Comercial,  às grandes personalidades nacionais, em vários domínios – Sim, entre os mais diversos  trabalhos  de reportagem, de gente anónima e nos vários sectores da sociedade, também fiz questão de conhecer gente ilustre e distinta - E de o fazer mesmo em sua casa.

 A minha visita, não fora previamente combinada - e, a bem dizer, confesso que também nem eu conhecia muito bem o passado de quem ia entrevistar, senão de uma curta biografia inserida numa revista de personalidades, com que   por vezes me orientava, já que, naquela altura, a  informação disponibilizada pela Internet, dos dias de hoje, não passava ainda um sonho - Mesmo assim, sabendo da sua avançada idade, preferia agir pela surpresa, olhos nos olhos, cativando a simpatia do próximo interlocutor , pois depreendia,  que, o famoso banqueiro,  nos seus noventas e tais, não estaria muito inclinado a  quebrar a sua rotina para receber um inoportuno repórter.

Felizmente, fui bem sucedido - Creio que, desta vez, em boa parte, graças  à  minha companheira, daquela altura  – De origem judia,  nascida numa das antigas colónias francesas, do norte de África, simpática e bonita, e,  para desbravar obstáculos, não havia melhor companhia de que a  dela: bastava aquele seu jeito de expressão amável, caloroso, espontâneo  e sorridente, a que ninguém recusava uma palavra amiga ou corresponder com idêntico sorriso –  E foi na verdade o que sucedeu, após hesitação, nos primeiros momentos, de  Cupertino de Miranda, mas logo superados pelo breve diálogo travado em fluente francês,  tendo-nos imediatamente  franqueado a entrada em sua casa
 

E o curioso, é que, além da primeira surpresa, que se me estampava numa das paredes da sala, com a imagem de um famoso quadro,  daqueles que só são possíveis de ver nos grandes museus ou em réplicas de postais ilustrados ou então em livros da arte mundial, afinal, quem vou ali encontrar é justamente um homem,  embora franzino -  mas ainda cheio de uma grande cordialidade e jovialidade , a fazer-me lembrar Azeredo Perdigão, que havia entrevistado, igualmente acima dos 90 e ainda muito ativo   –  O mais complicado era no falar: pois, tal como nos explicara, ele recusava-se a usar prótese dentária, recomenda pelo seu médico, o  que dificultava a articulação de algumas palavras, e, como a gravação se destinava a uma estação de rádio, esse era realmente o maior handicap – Daí a  razão de praticamente  a maior parte da entrevista, ainda hoje se conservar inédita.
 


Fora esse aspeto, ficava  com a impressão de que, o peso dos anos, não contavam na magra e estatura   daquele simpático, famoso e dialogante cidadão, de  quase centenária idade –  E, pelos vistos, em parte graças a uma certa disciplina, tanto em horários, como em distribuição de tarefas, imposta por ele, levando  uma vida metódica e organizada,  preenchida de ginástica matinal e de alguns passeios, com o carinhoso apoio da  governanta de sua casa, a D. Irene, a quem ele chamava por seu anjo da Guarda.

MÁRIO CESARINY, CRUZEIRO SEIXAS E EURICO GONÇALVES - TRÊS DAS IMPORTANTES FIGURAS EXPOSTAS NO MUSEU CUPERTINO DE MIRANDA


 Eurico Gonçalves - Professor e pinto - Pioneiro na educação artística em PortugalUm dos nomes do surrealismo português, pioneiro na educação artística em Portugal, autor de uma estética pessoal baptizada como o Dadá-Zen,  Nasceu em 1932 em Abragão (Penafiel). Reconhecido especialista no conhecimento da expressão plástica da criança, deu o nome à Escola Básica Eurico Gonçalves - Faleceu no Lumiar, em Lisboa12 de julho de 2022 https://www.p55.art/blogs/p55-magazine/faleceu-pintor-eurico-goncalves


 

Tive oportunidade e o prazer de ser amigo de Mário Cesariny de Vasconcelos, de ter partilhado com ele variadíssimos e inesquecíveis momentos de agradável convívio, com um dos mais singulares poetas pintores e do surrealismo português -

 Mário Cesariny de Vasconcelos nasceu a 9 de agosto de 1923, em Lisboa. Foi poeta, pintor, tradutor e considerado um dos grandes Mestres do Surrealismo Português.

Frequentou a Escola Artística António Arroio (1936-1943) onde conheceu António Domingues, Cruzeiro Seixas, Fernando de Azevedo, Fernando José Francisco, José Leonel Martins, Júlio Pomar, Pedro Oom e Marcelino Vespeira. Na companhia destes jovens artistas, que fomentaram o movimento surrealista, reuniu-se em tertúlia de características dadá no Café Herminius, em Lisboa. https://www.cupertino.pt/centenario-de-nascimento-de-mario-cesariny/mario-cesariny/

                 Outro dos seus grandes amigos e confidente era o mestre Cruzeiro Seixas


                        
Cruzeiro  Seixas  - Decano da arte portuguesa e um dos grandes nomes do Surrealismo português e europeu, Cruzeiro Seixas nasceu a 3 de Dezembro de 1920 na Amadora. No seu longo percurso artístico, conta com uma fase expressionista, outra neo-realista e outra, com início no final dos anos 40, mais prolongada, em que integra o movimento Surrealista Português, ao lado de Mário Cesariny, Carlos Calvet, António Maria Lisboa, Pedro Oom ou Mário Henrique Leiria https://www.cps.pt/pt/artistas/cruzeiro-seixas





Foi um diálogo, muito interessante, uma excelente oportunidade para conhecer o  perfil de um   notável português, alguns dos passos de uma vida exemplar e coroada de extraordinários êxitos, mas também conhecedor de algumas vicissitudes, deferidas pelo velho regime, com alguns dias nos calabouços pela PIDE, e , até mesmo após o 25 de Abril, com a privatização das suas empresas -
 Cujo conteúdo integral da entrevista espero  poder  vir a reproduzir,, em texto - talvez em forma de pequena brochura  - e também em vídeo, com uma reprodução técnica mais aprimorada, que  não disponho neste momento, pois o registo foi feito em cassete e já conta quase 30 anos - Mas não só por esse facto, pela articulação das suas expressões, pelas razões atrás explicadas

Por agora,  apenas aqui reproduzo, um breve excerto, nomeadamente do grande desgosto que sofreu pelo roubo de muitos dos mais famosos quadros da sua coleção de arte - Mas não apenas pela perda irreparável de famosas obras, avaliadas em milhões de dólares - que hoje valariam,por certo, ainda muito mais - mas sobretudo por saber quem tinha sido o autor do roubo e, por razões de ordem sentimental, se ver impedido em apresentar queixa crime.


Quando, a dado passo do diálogo, lhe observei que "o Sr. Cupertino de Miranda, era um grande apaixonado pela arte", ele começou a chorar e tive que suspender a gravação por alguns minutos para  a voltar a retomar, pouco depois - Não vou aqui apontar nomes nem ele me indicou nome algum  Porém, tanto ele com a Sr. Irene,  foram muito claros em apontar  a origem da  autoria desse crime -  Levada a cabo por pessoa que lhe era próxima - Mas essa é uma questão que não dizia  - nem mesmo hoje -  diz respeito ao repórter mas aos herdeiros da sua fortuna.

Na sua resposta, que a seguir se reproduz e gravada da cassete para o video que aqui edito, com algumas fotos gentilmente oferecidas pela Câmara Municipal de Famalicão - cortesia essa que aqui desejo sublinhar - , sim, creio estarem implícitas pelo menos  as razões pelas quais o levaram  a retrair-se  num doloso sofrimento e a coibir-se de  apresentar a devida queixa crime, que o roubo justificaria -  E até estou em crer  que, um tal desabafo, o fazia   pela primeira vez, além da esfera  íntima e restrita,  que dava mostras de manter com o seu anjo da guarda e única confidente, ou seja, a D. Irene -    Pois pareceu-me, que, naquele momento, foi mais a emoção que  superou a frieza racional, que, no seu ponto de vista, o caso aconselharia, face à preservação do que ele, certamemnte,  consideraria a defesa  de certos princípios e valores pelos quais orientara a sua vida e da sua família: desde os filhos aos netos.
                                                TEXTO DA ENTREVISTA


JTM - O Sr. Cupertino de Miranda, sempre gostou da arte! Teve sempre uma grande inclinação para a arte!
ACM - Tive uma coleção dos artistas mais célebres, que me roubaram, em 1965…Gauguin!  Renoir! Matisse! Salvador Dali! Tive obras notabilíssimas, que hoje valiam mais de 20 milhões de dólares!... Uma das quais vendida na leiloeira Christie's,    por milhão e meio de dólares
JTM - E então a Policia, a Interpol, não tomou medidas?
Não, não tomei…
JTM – Não se importou?!...
ACM – Sofri muito!...Sofri muito!... Mas  não podia tomar medidas….
JTM  - Mas, desse roubo, o roubo foi total ou ainda ficaram algumas obras?
ACM – Ficaram algumas poucas…Ainda tenho aí uma Madona, que deve valer mais de um milhão de dólares”… Ainda tenho lá em Casa do Louro  um quadro de um pintor francês… Tenho Silva Porto! Malhoa, Tenho Columbano! Pousão e vários.
JTM - E, em relação aos artistas contemporâneos,  tem algum gosto especial pela atual pintura que se faz em Portugal?
Tenho dado à Fundação mas tenho três painéis de Cargaleiro à entrada de minha casa
JTM – E Vieira da Silva?
ACM – Já tive… Mas…
JTM -  Desapareceram.
ACM – Pois…
JTM – Naturalmente que, para um Homem,  não é só o valor pecuniário, que está em causa mas a estimativa, o gosto…
ACM – Tínhamos muita coisa!.. Mas em minha Casa do Louro, ainda tenho muita coisa!....
JTM – Mas eu queria sublinhar o seguinte: - Para si não foi só a perda, em termos materiais! Mas também o valor estimativo, que tinham essas obras... Naturalmente que sofreu por isso!...
ACM – Não é só a estimativa mas adoração que tenho pelas artes!... Mas ainda tenho Soares dos Reis! Teixeira Lopes! E outros…
JTM – Olhe, para além da poesia, nunca pintou? – Já que tem assim um gosto, tão grande, pelas artes plásticas?
ACM – Pintar, nunca pintei… Não sei pintar.
JTM – Gosta de ver…
ACM – às vezes, pinto o diabo!..
JTM – Como disse?... Pinta o diabo?!- sorrindo - O Sr. tem mau feitio, às vezes?... Às vezes, irrita-se, é?... Quando a vida não lhe corre… Mas o Sr. é um pessoa calma, não é?
ACM -  Sou. Outras vezes, sou impetuoso!
JTM – Gosta que as coisas avancem!... Não gosta que as coisas parem!.. É por isso, não é!... Mas, em casa, é um pessoa calma?

ACM – Sou, sou uma pessoa muito calma
Ao leu lado, estava a D. Irene, a governanta da casa, que ele apelidou de Anjo da Guarda.
JTM – Eu queria-lhe perguntar se teve oportunidade de conhecer gente ilustre das nossas letras e das nossas artes?

ACM – Conheci o Sampaio Bruno! Conheci o Guerra Junqueiro! – Quando eu era ainda era rapaz do Liceu. Conheci o Teixeira de Pascoaes! Conheci o Leonardo Coimbra! – fui íntimo de Leonardo Coimbra!... De Aquilino Ribeiro!...  – íntimo!

ARTHUR CUPERTINO DE MIRANDA  - TALVEZ O ÚNICO BANQUEIRO COM TÃO RARA SENSIBILIDADE E SENTIDO VISIONÁRIO 

O banqueiro mecenas, fundador da Fundação Arthur Cupertino de Miranda, em Famalicão, sede do seu torrão natal,  e a quem Salazar recorreu, em aperto de crise,  para fundar um banco, com a solidez que não existia,   houve quem lhe chamasse, um predestinado para outras funções diferentes de cantor de musas e de ninfas, do poeta, prosador, escritor  

- Sim, inegavelmente, além do grande banqueiro visionário, que  fundou o primeiro banco comercial em Angola e em S. Tomé e Príncipe, do autor de alguns livros e poemas dispersos em jornais, revistas e obras literárias, na verdade, se os acasos dos destino não o tivessem encaminhado pelos negócios financeiros, em Portugal, no Brasil e em África, o mais certo era que o seu nome apenas estivesse associado às mais belas páginas da literatura portuguesa, pois talento e mestria, não lhe faltavam  - Sem dúvida, uma figura de rara sensibilidade e também de generosidade – Longe de ser a imagem do banqueiro usurário, egoísta, açambarcador e monopolista – Mas um homem cultivador de ideais  - E esforçando-se por os materializar – Tendo mesmo chegado a ser preso pela antiga polícia ditatorial do  chamado Estado Novo, visto que, os seus ideais, eram os democráticos, que havia abraçado com a implantação da República.

O Museu da Fundação Cupertino de Miranda foi inaugurado a 8 de dezembro de 1972 com a I Bienal de Artistas Novos e reaberto ao público em 1994 com a exposição “Surrealismo (e não)”, integrando parte das obras oferecidas pelo Eng.º João Carlos Sobral Meireles. Desde então, tem vindo a apresentar sistematicamente exposições temporárias, onde se tem incluído obras da coleção.

Conta no seu acervo, datado maioritariamente do século XX, com uma importante coleção de obras de arte (pintura, desenho, escultura e gravura), composta essencialmente por artistas surrealistas, mais especificamente do Surrealismo português, que é proveniente de doações, aquisições e legados de que se destacam as coleções de Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, Eurico Gonçalves, Júlio dos Reis Pereira e Fernando Lemos

A Fundação Cupertino de Miranda, fundação privada de interesse geral, com sede em Vila Nova de Famalicão, foi instituída por iniciativa de Arthur Cupertino de Miranda (1892-1988) e sua esposa, D. Elzira Celeste Maya de Sá Cupertino de Miranda, (1892-1978) que à mesma afectaram bens pessoais e a constituíram por estatutos de 15 de Agosto de 1963, aprovados pela entidade tutelar a 2 de Outubro de 1963. Inaugurada a 8 de Dezembro de 1972 foi dotada de um Museu, de uma Biblioteca e de um Auditório, de forma a desenvolver actividades de promoção e divulgação de iniciativas culturais nas diferentes áreas de expressão. A actividade da Fundação, na sua vertente cultural, tem-se evidenciado, no plano educativo e cultural, através do apoio que a sua valiosa Biblioteca presta à comunidade bem como numa programação sistemática no sector das Artes Plásticas. Neste âmbito podem ser apreciadas no seu Museu, obras do acervo da Fundação e ainda outras exposições temporárias. 

Pois, tal como se lê num dos textos, assinado por Mário de Oliveira, no livro “Tudo Começou no Louro, alusivo à inauguração da Fundação Cupertino de Miranda, em 8 de Dezembro de 1972,  “a vida do banqueiro Cupertino de Miranda; homem de ânimo criador para prosperar nos negócios, é uma vida também cheia de ideais, pois nunca esquece que a cultura faz parte integrante do homem e dá a este o direito de viver a sua vida e sentir essa transcendente necessidade vital de estar com Deus. A frase feliz de São Paulo: - «Cada homem se converteu em uma lei para si mesmo»; é bem adaptada a Cupertino de Miranda.

Mário de Oliveira, no seu texto intitulado, Arthur Cupertino de Miranda  - Um Homem  - começa por referir o seguinte: 

Para se falar de um homem como Arthur Cupertino de Miranda não basta conhecer a sua triunfante obra como banqueiro. Torna-se necessário fazer um conhecimento directo: conviver. Foi precisamente a convivência que tive com Cupertino de Miranda que me revelou uma personalidade extraordinária, de aquelas que aparecem muito pouco em cada país e em cada geração.

Nascido de uma família relativamente abastada de Vila Nova de Famalicão, cedo começou a revelar o seu destino para a vida. De seus pais herdou qualidades que o adornam: trabalhador incansável, um amor à terra natal que depois transmudará no amor da Pátria, uma fé religiosa, um estrito sentido de vida familiar e uma capacidade para analisar os temas financeiros a uma dimensão universal e não meramente local ou nacional. Homem de inteligência superior, vontade e energia, de uma enorme rapidez mental permanecendo, sempre, profundamente humano, é ao mesmo tempo, um homem de pensamento e um homem de acção.

Disse Heródoto que o ânimo do homem é o seu destino. Foi, efectivamente, o ânimo que traçou todo o destino da vida de
Cupertino de Miranda, uma vida cheia de fé, francamente positiva - que no tempo perspectivado, já fez história.

É que o homem, só é verdadeiramente homem quando faz história, ou quando é história. E, Arthur Cupertino de Miranda é um Homem histórico até porque, no futuro, ele será sempre lembrado, já pela sua acção no domínio das finanças em que teve sempre um alto sentido dos problemas económicos já ainda como homem de espírito, que no silêncio do seu «habitat» ( onde o rodeiam magníficas obras de arte), ele soube encontrar na literatura dos clássicos portugueses o seu melhor «hobby» para se esquecer da vida fatigante que o destino lhe colocou no caminho.

Para mim, Cupertino de Miranda foi sempre um homem de espírito, porque sempre o tenho encontrado quer em conferências, quer em exposições de arte, quer em concertos de música, quer ainda em homenagens a intelectuais seus amigos. E nesses encontros sempre abordamos temas referidos à vida artística e intelectual-  a perene vida do espírito.

Cupertino de Miranda esteve sempre ligado aos problemas da criação artística: e lembro-me - é mesmo uma das mais gratas lembranças da minha vida de estudante no Porto - de quando, assiduamente, frequentava a sua bela casa das Antas e muito «matreiramente» procurava as horas de jantar para assim receber um convite para ficar. A Pensão onde estávamos não era muito propícia a alegrar os estômagos - e discretamente Dona Elzira instava para eu jantar com o fim de trocarmos impressões sobre Arte ...

Recordo-me, como se fosse hoje, que no fim de um desses jantares, Cupertino de Miranda, se dirigiu para uma paisagem de Artur Loureiro e me disse: - «Cada vez estou mais convencido de que a arte é um dos maiores lenitivos para a vida do homem. Sempre que analiso esta paisagem; sinto a natureza em toda a sua infinita beleza; e os meus nervos tranquilizam-se».
Também me recordo das suas viagens a Paris e das obras de arte que o acompanhavam no seu regresso ao 'Porto.

É que o autêntico Homem - como é o caso de Arthur Cupertino de Miranda - vive no seu mundo físico aquilo que ele afinal criou sem mais finalidade do que servir-se desse cenário para representar a sua vida dentro de um trabalho ordenado numa completa harmonia entre o individual e o social. Procurando no fim uma integração entre os valores espirituais com os materiais, quando ele é realmente união entre a cidade terrena e a cidade de Deus.

A vida do banqueiro Cupertino de Miranda; homem de ânimo criador para prosperar nos negócios, é uma vida também cheia de ideais, pois nunca esquece que a cultura faz parte integrante do homem e dá a este o direito de viver a sua vida e sentir essa transcendente necessidade vital de estar com Deus. A frase feliz de São Paulo: - «Cada homem se converteu em uma lei para si mesmo»; é bem adaptada a Cupertino de Miranda.

O  triunfo na vida deste singular Homem; explica-se  por ter ânimo para traçar o seu destino e para o converter também numa lei para si mesmo.

Por tal razão é que ele ama a arte e por ela; ainda teve sempre pelos artistas uma grande simpatia e um sincero carinho a tal ponto que tem sido um verdadeiro Mecenas para muitos, mormente para que tiveram ou sentiram enormes necessidades materiais  nos princípios da sua carreira artística , e a quem Cupertino de Miranda   sempre ajudou com o maior entusiasmo. 

"O HOMEM , O BANQUEIRO E O BENEMÉRITO"

Diz a dado passo, Rebelo Mesquita, num extenso e curiosíssimo  texto publicado também em "Tudo Começou no Louro 

(...) No· Liceu e na Escola Politécnica faz-se rodear dos melhores amigos. A fulgurância do seu talento, a cativante verbosidade, o brilho da sua palavra sempre fluente e de arroubos literários, a sublimidade dos seus conceitos tudo revelando um estudante de excepcional envergadura, tornam o nome de Arthur Cupertino de Miranda conhecido e estimado.

Cultiva as relações e passa a viver em permanente convívio com os artistas, escritores, jornalistas e tribunos. :É uma das revelações da academia, que diremos mesmo o último abencerragem.
Durante o período de estudos, onde é um dos mais aplicados estudantes de economia e finanças, não deixa de se dedicar, sempre que possível. à vida literária, que é uma das suas mais curiosas facetas e uma das suas mais estuantes paixões.

E sempre que vinha ao Louro no remanso das fertilíssimas propriedades e nas margens românticas do Este, Arthur Cupertino de Miranda, em plena e radiosa mocidade, continua a versejar, a sentir e amar as musas .

Jovem poeta com 18 anos apenas  - escreveu em 1911 este outro soneto que não nos furtamos à tentação de transcrever de Andorinhas.

Partiste! E ao partir ainda ficaste
Em saudade a ocupar todo o. meu ser!
Rosa que o vento desprendeu da haste,
Seu perfume ficou-me a entontecer.

Partiste! E  ao partir não reparaste
Que em meu peito ficavas a viver,
Por isso hás-de voltar –  é forte o engaste
Deste amor que jamais pode morrer!

Também as andorinhas, pelo azul
Do céu, voam em busca do arminho
De uma longa, infinda primavera...

Desiludidas, breve, asas do sul
Batendo, voltam a construir seu 'ninho

No dúlcido beiral que as espera.


ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS 

Arthur Cupertino de Miranda nasce a 15 de Setembro de 1892 na Quinta de Felgueiras, na freguesia de Santa Lucrécia do Louro, concelho de Vila Nova de Famalicão. Filho de um casal de abastados lavradores, Francisco Cupertino de Miranda e Joaquina Nunes de Oliveira, é o mais novo de quatro irmãos – José, Augusto, António e Arthur.
Com apenas 19 anos, casa com Elzira Celeste Maya de Sá Cupertino de Miranda e fixa residência no Porto.
Torna-se pela sua visão financeira e profícua actividade numa das maiores figuras da banca portuguesa. Em 1919, abre no Porto, com o seu irmão Augusto, a Casa Bancária Cupertino de Miranda & Irmão, Lda., transformada em 1942 no Banco Português d Atlântico.
Nos anos 60, adquire uma quinta no Algarve, com 1700 hectares, e concebe um grande projecto turístico, dotado de marina, hotéis, casino e campos de golfe, fundando deste modo a Lusotur.
Deu vitalidade a várias empresas, como a Companhia Vidreira Nacional (Covina), a Companhia Vidreira Brasileira (Covibra), a Companhia de Fomento Colonial e a Sociedade Algodoeira de Portugal.
Foi condecorado com a Comenda da Ordem Militar de Cristo (1934); Grã-Cruz da Ordem de Mérito Civil, de Espanha (1964); Medalha de Ouro da Municipalidade de Vila Nova de Famalicão (1964); Comenda da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (1965); Medalha da Imperatriz Leopoldina, do Instituto Histórico-Geográfico de São Paulo, Brasil (1967); Grã-Cruz da Ordem de Benemerência, de Portugal (1969); Medalha de Ouro da Cidade do Porto (1969).
Institui uma Fundação com o seu nome, para fins de educação, cultura e assistência. Dela foi fundador, juntamente com sua mulher, D. Elzira Cupertino de Miranda, e Presidente vitalício do seu Conselho de Administração.
Após a morte de D. Elzira, em 1978, fixa residência em Lisboa.
Arthur Cupertino de Miranda faleceu, em Lisboa, a 13 de Julho de 1988.