Em tempo de naufrágios, minha homenagem aos náufragos de todos os tempos. Em 38 dias, noite e dia! Só ouvia a Voz do Mar! E o vento a uivar! A todos os homens do mar, de todos os continentes e cantos da Terra.
Vogando a coberto das trevas da noite
e à flor tumultuosa do mar
Eu, humilde navegante e aventureiro,
em viagens sob azuis de além mar,
e em águas erguidas em revolta,
ou em podres calmarias de inquietar,
aqui vos evoco, vos recordo,
como quem conhece a ânsia da partida
e, depois, em noite infinda, em noite morta,
apenas tem por companhia mar e céu
em negro mar de véu e tristeza infinda,
enfim, a cruel certeza de quem não volta!
Náufragos! dos tempos idos e da atualidade
de odisseias ignoradas e esquecidas!
Heróis sem nome, sem pátria e sem fronteiras,
que do fluxo e refluxo das marés fizestes as vossas veias!...
Viajantes transitórios do mar passado e do mar atual!
Gente tisnada e crespada por mil sóis, ventos uivantes,
diluvianas chuvadas!
Gente a quem a imensidade incerta devolveu a inocência
mas cuja sorte a condenou ao suplício da mais atroz morte!
Gente limpa de olhos e de alma de tanto olhar o mar e o céu!
- Todavia, gente que a ira das tormentas e a audácia da aventura
fizeram com que a fundura do abismo fosse a própria sepultura!.
Excerto do meu poema Só a Voz do Mar


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