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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

São Tomé – Patrice Trovoada rejeita coligações e pede suspensão de todas as ações governativas, que não sejam urgentes, – Afirmações do líder da ADI, após o Tribunal constitucional ter anunciado os resultados definitivos das eleições legislativas de 12 de Outubro - Reencontro 39 anos depois, já sem a política de rua e onde todos os visitantes são tratados por “amigo”

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista

No mesmo dia em que, o Tribunal constitucional de São Tomé e Príncipe anunciou os resultados definitivos das eleições legislativas de 12 de Outubro, confirmando a maioria absoluta da ADI, ,por 33 deputados, contra os 16 do MLSTP-PSD, PCD 5  e UDD, um deputado, o líder da ADI aproveitou para afirmar, publicamente, que vai formar Governo sem coligações  - Ciente de que, Manuel Pinto da Costa, deverá pedir ao partido mais votado para formar governo, apelou para a suspensão de todas as ações governativas, à exceção dos mais urgentes



O tempo de flogá das eleições, já lá vai. A vida santomense regressou ao seu ritmo normal. Por agora ainda não é fácil perceber  o  ressentimento ou as mossas que a  desforra  do ex primeiro-ministro são-tomense, terá provocado nos seus opositores, contudo, para quem aqui  volta 39 anos depois, como é o meu caso, o que eu mais tenho notado é que todo o visitante é tratado por “amigo”.

 Naturalmente que esta palavra, além da expressão amável de um sorriso, subentende algo mais: umas dobrazinhas (moeda oficial), já que o ordenado mínimo não chega aos 40 euros. Ora bem, este é um desafio que a formação do novo governo, deveria ter entre mãos. Certo que o povo não morre de fome, pois é uma terra onde a natureza é francamente generosa e profícua, porém, já era  tempo dos políticos - sem excepçao - se compenetrarem de que nem só de banana vive o homem.

A QUESTÃO É QUE O PEREGRINO É TAMBÉM  JORNALISTA

 Para quem já não vinha a São Tomé há 39 anos, obviamente que não vem atrás dos acontecimentos políticos, mesmo estando na ordem do dia, como é o caso das recém-eleições legislativas e autárquicas, ganhas  pela maioria absoluta por Patrice Trovoada, contudo, como soe dizer-se, o jornalista é um tanto ou quanto como o sacerdote, está sempre de serviço 

– E é por isso que, tendo tantas coisas para contar, tendo sido tocado por tão comoventes como magníficas impressões, e não sabendo por onde começar, opta pelo relato mais simples:  deixar que os olhos e o coração se expandam para que a memória os registe e mais  mais tarde os divulgar -


 Cheguei ao fim da tarde do dia 20, tendo-me já encontrado com pescadores na Praia Micondó,  aos quais relatei as minhas experiências do mar e também me falaram das suas vidas difíceis e dos apoios que não têm tido, numa aldeia que se debate ainda com muitas carências onde não existe Internet - Assisti ao regresso de algumas canoas do mar e à lota. 


Foram momentos muito humanos e sensibilizadores.   Deram-me a possibilidade de testar as minhas capacidades da arte de navegar nas suas canoas, prova esta que me levou  a convencer-me, que, não obstante a minha idade, creio que era capaz de voltar  ao mar mas não vim com essa intenção: apenas com o objetivo de matar saudades e de me reencontrar com uma ilha que me é  profundamente querida, e, cujos 12 anos, aqui vividos, me marcariam para sempre.  





Depois pude ainda passar pela Praia do Moro Peixe para ir dar um abraço de muita estima e admiração, ao Sr. Hipólito, pelo seu notável trabalho em defesa das tartarugas  - Nessa mesma tarde visitei a Roça Agostinho Neto, antiga roça Rio do Ouro, da Sociedade  Agrícola Vale Flor, onde trabalhei alguns meses, como empregado de mato, depois de me ter despedido da Roça Uba Budo – Aqui, pude encontrar-me com  o "Ganga",que era o moleque do patrão, quando para ali fui em Novembro de 1963 para fazer o estágio de Técnico  Agrícola, que ali não cheguei a concluir por não me enquadrar no sistema repressivo colonial. De tarde desloquei-me ao Batepá, aldeia mártir desta maravilhosa Ilha. 



(mais tarde, em postagens posteriores, serão editados outros vídeos e imagens)

 Na verdade, dias intensos, preenchidos com emoções impossíveis de descrever, numa terra de gente pacífica e amorosa, filhos de uma ilha que continua verde e formosa, como sempre, orlada por um vasto azul que parece confundir-se com o do céu, sobretudo quando os grossos novelos da época das chuvas não o cobrem com as suas neblinas ou mantos cinzentos




 Entretanto, recebi uma amável mensagem da poeta Olinda Beja, sugerindo-me para que, quando passasse pelo   Batepá , chamasse  o seu irmão António Figueiredo e aproveitasse para li comer um calúlú. Pois, nem a propósito, esta visita fez parte de um dos itinerários que já percorri, que igualmente bastante me comoveram.

Curiosamente, foi no interior de um pequeno mercado, que eu e o Manuel Gonçalves, um amigo que veio comigo de Lisboa e alugou um jipe, que ambos ali almoçamos, num convívio,  tão carinhoso e alegre, que só em S. Tomé é possível encontrar. Sim, vim a pensar tomar uns banhos nas águas quentes e límpidas das belas praias equatoriais destas ilhas, porém, tal tem sido o desejo de peregrinar que nem sequer ainda houve tempo para  poder fruir desse prazer, salvo um pequeno banho em Micondó, quando já me preparava para embicar com a proa da canoa na areia brilhante e macia daquela praia

Na verdade, desde a visita à aldeia mártir do Batepá, onde  ainda subsistem memórias, bem vivas, de um massacre impossível de esquecer,   a um abraço amigo ao Hipólito, em Morro Peixe, pela sua dedicação à causa da preservação das tartarugas – Isto para já não falar da minha romagem pela Roça Saudade, onde nasceu Almada Negreiros ou num passeio ao sul da Ilha de S. Tomé, sobretudo para recordar as minhas escaladas do Pico Cão Grande e contemplar a sua majestosa e monumental beleza. E, por agora, mais não digo porque nem sei por onde começar ou acabar


Um comentário :

João Neves disse...

Fico muito feliz por teres regressado às ilhas que encantaram a tua vida!...